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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

TUDUM FESTIVAL: CONFIRA TUDO O QUE ROLOU NO EVENTO DA NETFLIX EM SÃO PAULO

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Mesmo participando ativamente da última CCXP, a Netflix resolveu fazer a sua própria Comic Con neste último final de semana, aqui em São Paulo
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Assim que foram disponibilizados, os ingressos se esgotaram em minutos.

Afinal, entre as ativações mais divertidas, tivemos a oportunidade de visitar cenários de Hawkins, a cidade da série ‘Stranger Things‘, além de almoçar no Corner Café, aonde trabalha a personagem da Lana Condor em ‘Para Todos os Garotos que Já Amei‘.

Outras ativações divertidas foi ler o futuro no Flash Tarot - inspirado em ‘O Mundo Sombrio de Sabrina‘ - e gravar um funk como o MC Doni no estúdio de ‘Sintonia‘.

Veja as fotos:












Editor-chefe do site Cinepop, Renato Marafon foi ao evento e mostrou tudo o que viu num divertido vídeo.

Assista:

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

'SINTONIA': NETFLIX RENOVA SÉRIE BRASILEIRA

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Atração é uma parceria da plataforma com o produtor musical Kondzilla
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Sintonia, série nacional da Netflix em parceira com o produtor musical Kondzilla, foi renovada para a segunda temporada.

A novidade foi anunciada durante o Tudum Festival, evento organizado em São Paulo pela plataforma.

Narrada do ponto de vista de três personagens diferentes, a história de Sintonia explora a interconexão da música, crime e religião em São Paulo.

Doni, Nando e Rita cresceram juntos na mesma favela, onde foram influenciados pelo fascínio do funk, do tráfico das drogas e da igreja.

Cada um deles transforma suas experiências de infância em caminhos muito divergentes. Apesar de tentarem levar uma vida diferente de onde cresceram, percebem que as únicas pessoas que podem salvá-los de si mesmos ... são eles próprios.

A primeira temporada de Sintonia já está disponível na Netflix e a segunda ainda não tem previsão de estreia.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

CHRISTIAN MALHEIROS: SAIBA MAIS SOBRE O PROTAGONISTA DO LONGA 'SÓCRATES' E DA SÉRIE 'SINTONIA'

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Aos 20 anos, o jovem ator, que também arrebentou na série 'Sintonia', da Netflix, conta que já passou fome e foi salvo do crime pelo teatro
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Em 16 de novembro de 2018, Christian Malheiros estava no mercado com a mãe.

Era dia de folga das gravações de “Sintonia”, a série que, no ano seguinte, viraria um hit da Netflix.

Ele recebeu uma mensagem com um link que dizia: 
“Ator brasileiro é indicado ao Oscar do cinema independente”.

Intrigado, abriu a reportagem para ver quem era esse artista que estava ganhando reconhecimento mundo afora. Deparou-se com sua próprio foto e ficou confuso: Independent Spirit Awards? Nunca tinha ouvido falar.

Sua performance em seu primeiro filme, “Sócrates”, já em cartaz, colocou-o na corrida pelo prêmio americano mais importante do cinema independente, cuja cerimônia aconteceu em 23 de fevereiro.
Ele concorreu com grandes nomes da indústria, como Joaquin Phoenix, por “Você nunca esteve realmente aqui”, e Ethan Hawke, de “Fé corrompida” (que ganhou).

O longa de Alexandre Moratto, rodado na Baixada Santista a um custo de apenas US$ 20 mil — arrecadados nos EUA, onde o diretor mora — de alguma forma chamou atenção dos jurados do Spirit, após passagem por alguns festivais internacionais.

Recebeu ainda uma indicação na categoria John Cassavetes Award, dedicada a filmes de baixo orçamento, e Moratto ganhou o prêmio de “talento promissor”.

"Fiquei em pânico, foi assustador, eu não tinha noção de nada" — admite Malheiros, de 20 anos, sobre a indicação.
Aos poucos, absorveu a notícia.
No tapete vermelho do Spirit, parecia um astro como qualquer outro, com seu blazer preto sobre uma blusa marrom de gola alta.

Relembre o trailer de 'Sócrates':


Hoje, o ator tem quase 1 milhão de seguidores no Instagram, graças ao sucesso de “Sintonia”, em que interpreta Nando, um jovem da periferia paulista que vira traficante para sustentar a família.
É reconhecido na rua e parado por desconhecidos para tirar fotos.
Ele ainda tenta lidar com essa nova realidade, buscando conforto no pensamento de que a “euforia das pessoas” também é uma forma de carinho.

Nando lembra Sócrates em certos aspectos: ambos são jovens pobres da periferia paulista em busca de uma vida melhor (“Essa é minha história também”, complementa o ator que os interpreta). Mas o personagem da série escolhe a vida do crime, enquanto o do filme busca uma alternativa digna após a morte repentina da mãe.

Ameaçado de ser despejado de casa e enviado a um orfanato, Sócrates peregrina pelas ruas de Santos atrás de trabalho, sem sucesso. O desespero o levar a cogitar a prostituição ou recorrer ao pai violento. Acaba fazendo um bico num ferro velho, onde conhece Maicon (Tales Ordakji), por quem se apaixona. Há uma cena quente de beijo e sexo.

“Sócrates” foi o grande vencedor do Festival Mix Brasil e do troféu Felix, do Festival do Rio, voltados a obras com temática LGBT.

Christian Malheiros em 'Sócrates' Foto: Divulgação
Malheiros em cena de 'Sócrates' - Divulgação
"Fazer beijo gay num filme não é nada. Beijo é beijo, a gente faz na vida real por prazer. Foi muito mais difícil fazer a cena em que Sócrates come restos de comida no lixo, porque eu já passei fome" — diz o ator, que hoje mora no Centro da capital paulista.

Malheiros se refere à infância na periferia de Santos, onde os pais, retirantes nordestinos e analfabetos, assentaram-se após rodar o Brasil em busca de uma condição de vida digna.

"Eu acordava e via os traficantes vendendo drogas, sabia como funcionava o esquema, e também andava com gente que fazia isso. Seria bem mais fácil entrar nessa vida, por isso não julgo quem opta por ela. Fui salvo pelo teatro".

Tales Ordakji e Christian Malheiros, 'Sócrates', de Alexandre Moratto Foto: Divulgação
Tales Ordakji e Christian Malheiros, em cena de  'Sócrates' - Divulgação
O teatro entrou em sua vida aos 9 anos, quando se inscreveu, por pura curiosidade, numa oficina de atuação da escola. No documento de autorização exigido pela instituição, falsificou a assinatura da mãe, porque achou que ela, uma dona de casa, não ia gostar que o filho virasse artista. Aí não parou.

Quando a Escola de Artes Cênicas (EAC) de Santos abriu processo seletivo para jovens atores de pelo menos 16 anos, tentou a sorte mesmo tendo 15. Levou um “não” de cara, mas passou um mês ligando e batendo na porta. Finalmente, a diretora lhe deu uma chance, vencida pela “chatice do menino”, como lembra Malheiros. Ensaiou durante cinco dias (“Mal dormia por causa da ansiedade”) e, enfim, foi aprovado. Dois anos depois, a diretora da EAC lhe diria que aquele tinha sido o melhor teste já realizado na história da escola.

A essa altura, Malheiros estava satisfeito com os rumos que sua vida tinha tomado, tanto que não cogitava fazer cinema — para ele, uma possibilidade distante de sua realidade. Mesmo assim, fez o teste para “Sócrates” quando o diretor Alexandre Moratto chegou dos EUA à procura de talentos. O filme foi produzido pela Querô Filmes, por meio de seu instituto homônimo — situado na cidade do litoral paulista —, que capacita jovens de 16 a 20 anos para o audiovisual.

"Testamos mais de mil pessoas. Christian foi o primeiro. É muito talentoso, o problema é que ele vinha do teatro, atuava daquele jeito “grande” — lembra Moratto. 
"Falei: “Christian, a câmera vai ampliar em 30 vezes tudo o que você fizer, os gestos do seu rosto e a sua emoção. Então atue mais “pequeno”. Ele ajustou imediatamente. Foi o momento em que falei: “É ele”.

O “New York Times” disse que o longa “vigoroso honra a resiliência que existe dentro de nós”. Para o “Hollywood Reporter”, a produção é “impressionante em sua autenticidade corajosa e poderosa”. Algumas poucas críticas, porém, apontaram o que consideram excesso de sofrimento na história.

"É um personagem que quer ser uma pessoa íntegra, ter um futuro, uma vida comum, sem se jogar no mundo de crime, drogas e prostituição, mas ele está inconformado porque de certa forma é como só houvesse essa opções" — defende Malheiros
"Meninos como Sócrates existem, estão por aí na rua, não há idealização nenhuma no filme".


A mesma opinião é dispensada a “Sintonia” e ao seu personagem Nando. Para Malheiros, a série mostra que a favela paulista é bem diferente da carioca, popularizada mundo afora por “Cidade de Deus” (2002) — Fernando Meirelles, aliás, assina a produção-executiva de “Sócrates”.

Christian Malheiros (no meio, de vermelho), em 'Sintonia' Foto: Rafael Morse/Netflix / Divulgação
Em cena de 'Sintonia' - Netflix/Divulgação
"Pra mim, o Chris é o próximo Lázaro Ramos" — prevê Johnny Araújo, que divide a direção da série com KondZilla.
"Ele chegava no set citando as frases do roteiro que não tinha entendido, questionava. Ele ouve, não tem ansiedade, e transforma orientações concisas em camadas complexas de atuação. Dá pra ver isso na cena em que Nando mata uma pessoa pela primeira vez: aquele jeito como mexe a cabeça, falando só pelos olhos. Dá pra ver que ali dentro tem um turbilhão de pensamentos".


No próximo mês, Malheiros embarca no próximo desafio, em Portugal, onde vai rodar “A Última Festa”, filme de Matheus Souza que se passa durante uma formatura.

"Fiz uns 800 testes e escolhi o Christian de primeira — afirma Souza, o mesmo de “Apenas o fim” (2008) e “Ana e Vitória” (2018). — Depois de escalado, ele me ajudou a selecionar o par dele na trama. Chegou um dia no teste sem ter almoçado, então a produção comprou um pastel. Perguntei se ele queria parar pra comer, mas ele respondeu: “Prefiro usar o pastel na cena”. Isso resume quem é o Christian: uma pessoa que reage rapidamente a qualquer situação. Tem aquele brilho, sei lá, coisa de estrela mesmo, tipo Leonardo DiCaprio".

Relembre o trailer de 'Sintonia':


Matéria: Fabiano Ristow - O Globo

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

'SINTONIA' - CRÍTICA DA 1ª TEMPORADA: FAVELA NA REAL, JOVENS NA REAL


SINOPSE:

Doni, Nando e Rita são moradores da mesma favela em São Paulo.

Crescendo juntos pelas ruas da comunidade, eles descobriram aos poucos o mundo do tráfico de drogas, da religião e também da música.

No entanto, as experiências da infância os levaram a trilhar caminhos bem diferentes e agora esse trio sabe que quem pode salvá-los dos problemas com os quais se envolveram são eles mesmos.

CRÍTICA:

KondZilla tem razão quando afirma: “A favela venceu”.

Esse jovem, saído da periferia do Guarujá, traz toda a garra e exemplo de sua história pessoal para a narrativa da série Sintonia, produzida em parceria com a Netflix e a Los Bragas e lançada em 190 países.

Se você ainda não conhece KondZilla, que juntou seu nome de batismo Konrad Dantas com o nome do gigante monstro do cinema japonês Godzilla, saiba que ele é um monstro do Funk e da Internet, dono do maior canal de YouTube do Brasil e da América Latina, produtor dos clipes mais bombados do gênero, além de diretor criativo, palestrante e empresário, dentre muitas outras atividades.

Konrad Dantas na Festa de seu Canal Kondzilla em comemoração aos 50 milhões de inscritos - Reprodução/ Divulgação

A nova produção nacional da Netflix é desenvolvida a partir de uma ideia original de Kondzilla, que também dirigiu metade dos seis episódios, estreou na plataforma de streaming gerando bastante interesse, já que é a estreia de um dos principais nomes do audiovisual musical brasileiro em um segmento diferente e com uma premissa realmente interessante: apresentar a vida na periferia sob um ponto de vista menos estigmatizado e mais humano.

Assim, a série opta por mostrar três histórias do universo da periferia paulistana sob a influência de três pilares: o contato com a igreja evangélica, a vontade de viver do sonho musical e a complicada dinâmica de se sustentar em um ambiente hostil ao fazer parte do tráfico.

É isso que vemos, acompanhando a bela amizade de Rita (Bruna Mascarenhas), Doni (Jottapê Carvalho) e Nando (Christian Malheiros), com uma dinâmica honesta e que joga luz sobre elementos que ou passam despercebidos ou já foram estereotipados ao limite quando retratados em outras produções.

Com tudo isso em evidência, o que chama a atenção é a construção da amizade do trio - o que é tanto a força quanto a fraqueza da série.

Bacana também é a amplificação do jeito falar da periferia de São Paulo, das gírias, que soam bem estranhas para quem é de outros estados e cidades, e já são motivo de busca de “tradução”.

Há vídeos e postagens nas mídias falando sobre esse falar da quebrada, exibindo glossários com seus significados, como esse, abaixo:


Se as conversas entre os amigos geram grandes momentos dentro da trama, o todo apresentado como parte dessa relação se perde ao não ser aprofundado em seus respectivos núcleos.

Aqui, as sutilezas são deixadas de lado, com personagens que se parecem com a gente e que tenham uma origem igual ou próxima a nossa, retratando a vida de três jovens buscando encontrar seus caminhos nessa fase conflitante da vida, mostrando a delicadeza e a brutalidade das dúvidas, ao invés de cair em uma sucessão de tramas que, muitas vezes, não encontram na direção ou no desenrolar da história o apoio necessário para manter a performance dos atores alinhada ao que acontece com os personagens.

Assim, à medida em que a série avança, a indefinição sobre o que deveria ser o centro das atenções (as relações, a busca por algo, os conflitos), faz com que momentos significativos sejam perdidos.

Basta prestar atenção em como os protagonistas se apresentam logo depois de passarem por acontecimentos importantes.

Praticamente não existe leitura do fato ocorrido anteriormente como parte do comportamento e das ações dos personagens, o que tira a força da trama como um todo e ignora nuances que dariam mais complexidade ao desenrolar da história.

A premissa de apresentar personagens, suas famílias, de fazer com que nos reconheçamos na tela e garantir que vejamos essas pessoas com rostos tão reais, vivendo os dramas e os sonhos de seus mundos é algo que já torna tudo mais próximo, porém não é suficiente para sustentar a narrativa de uma série.

Observar o trio de amigos conversar sobre a vida e suas vontades é o ponto alto da proposta.

Percebe-se que quando o recorte sai do que é mostrado diariamente na TV e parte para as pessoas, para o que eles querem, tudo fica mais claro e mais forte.

Entre os bons momentos também estão todas as reuniões dos traficantes que são apresentadas na tela.
Os diálogos reais, o sentimento de tensão, as escolhas de câmera, tudo funciona perfeitamente para delimitar e criar uma proximidade angustiante com o ambiente e a situação.

Sintonia se mostra, por fim, uma produção corajosa ao buscar fugir dos estereótipos e lançar um olhar de dentro da favela para tópicos como a busca por um sonho, a problemática do caminho do tráfico ou ainda a presença da igreja evangélica — sem que ela seja estigmatizada — como parte importante da dinâmica do espaço no acolhimento e cuidado de pessoas que têm uma rotina conturbada e cheia de problemas.

Mesmo que a Netflix não tenha se pronunciado sobre a renovação, a 1ª temporada chega ao fim deixando uma estrutura já definida para próximos arcos, mantendo em aberto todas as possibilidades para aprofundar os personagens em torno da tríade igreja, funk e tráfico e sair do superficial, o que vai tornar a série muito mais do que interessante.

Vale ver.

GALERIA DE IMAGENS:










TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
SINTONIA
Gênero:
Drama
Direção:
Guilherme Quintella, Felipe Braga, Konrad Dantas
Elenco Principal:
Christian Malheiros, João Pedro Carvalho, Bruna Mascarenhas
Número de Episódios:
06
Duração média de cada episódio:
45 min.
Nacionalidade:
Brasil
Produção:
Los Bragas, Netflix
Exibição:
Netflix

COTAÇÃO DO KLAU: