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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

'O ADVOGADO DO DIABO', DE MORRIS WEST, VAI FUNDO NO DILEMA DE UM PADRE À BEIRA DA MORTE


Os bastidores de grupos religiosos sempre inspiraram escritores - como O Símbolo Perdido, de Dan Brown, e Caim, de José Saramago.

Entre os escritores que melhor exploraram o tema, sem dúvida está o australiano Morris West, autor do clássico O Advogado do Diabo - que já ganhou adaptações para o cinema muito aquém do livro.

No livro, West apresenta a política por trás da santificação, quando interesses maiores da Igreja Católica ou de terceiros podem pressionar a mudança dos fatos históricos.

Durante um processo de canonização, um investigador do Vaticano visita um vilarejo miserável do sul da Itália, nos primeiros anos após a Segunda Guerra Mundial.

O suposto santo é Giacomo Nerone, um homem que foi morto por comunistas nos últimos dias do conflito e que foi proclamado santo pelos habitantes locais após a sua morte.

O "advogado do diabo" é o padre Braise Meredith, que recebe o diagnóstico de que tem poucos meses de vida e como último trabalho para a igreja precisa separar milagres reais das superstições dos camponeses.

Ao longo de sua investigação ele entrevista diversos personagens locais e suas relações com Nerone, e encontra problemas que poderiam impedir a canonização.

Aí está o grande conflito interno do padre Meredith: seria justo mentir sobre alguns dados ao Vaticano tendo em vista o bem que a canonização traria a todas aquelas pessoas do povoado?

O livro foi adaptado para o cinema, primeiramente em uma produção alemã de 1977 dirigida por Guy Green e com o nome Des Teufels Advokat - muito ruim.

Em 1997, Hollywood lançou um filme homônimo com Keanu Reeves -  no papel principal de um advogado competente e ambicioso que, incapaz de pensar em perder um caso, não hesita em defender professores que abusam de alunas em Nova York, retratada como uma "cidade do diabo" - onde a trama não tinha nada a ver com o livro, só o nome foi aproveitado.

O livro é muito bem escrito, West sabe contar uma história e torna seus personagens muito verdadeiros.

O Advogado do Diabo
Coleção: Clássicos do Best Seller
Título: O Advogado do Diabo
Autor: Morris West
Tradução: Flávia Villas-Boas
Editora: Record
Edição: 1
Ano: 1998
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 304 páginas
Quanto: R$34,32
Onde Comprar: Livraria da Folha
Cotação do Klau:

sexta-feira, 18 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO, UM DOS MAIORES ESCRITORES DA LÍNGUA PORTUGUESA


Deixe sua mensagem em homenagem ao escritor português José Saramago

Morreu hoje, em Lanzarote (Ilhas Canárias, na Espanha), o escritor português José Saramago, aos 87 anos.

Em 1998, Saramago ganhou o único Prêmio Nobel da Literatura em língua portuguesa.

A Fundação José Saramago confirmou em comunicado que o escritor morreu às 12h30 (horário local, 7h30 em Brasília) na residência dele em Lanzarote "em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila".

Nos últimos anos, o escritor foi hospitalizado várias vezes, principalmente devido a problemas respiratórios.

Saramago publicou no final de 2009 seu último romance, "Caim", obra com um olhar irônico sobre o Velho Testamento e, por isso, muito criticada pela Igreja.

Ateu e integrante do Partido Comunista Português, o escritor nasceu em 1922, em Azinhaga, uma aldeia ao sul de Portugal, numa família de camponeses. Autodidata, antes de se dedicar exclusivamente à literatura trabalhou como serralheiro, mecânico, desenhista industrial e gerente de produção em uma editora.

Começou a atividade literária em 1947, com o romance Terra do Pecado. Voltou a publicar livro de poemas em 1966. Atuou como crítico literário em revistas e trabalhou no Diário de Lisboa. Em 1975, tornou-se diretor-adjunto do jornal "Diário de Notícias". A partir de 1976 passou a viver de seus escritos, inicialmente como tradutor, depois como autor.

Em 1980, alcança notoriedade com o livro Levantado do Chão, considerado por críticos como seu primeiro grande romance. Memorial do Convento confirmaria esse sucesso dois anos depois.

Em 1991, publica O Evangelho Segundo Jesus Cristo, livro censurado pelo governo português -- o que leva Saramago a exilar-se em Lanzarote, onde viveu até hoje.

Entre seus outros livros estão os romances O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), Todos os Nomes (1997), e O Homem Duplicado (2002); a peça teatral In Nomine Dei (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos Cadernos de Lanzarote (1994-7).

O livro Ensaio sobre a Cegueira (1995) foi transformado em um ótimo filme pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles em 2008.


Segundo o autor, Saramago chegou a pensar na hipótese de migrar para o Brasil na década de 1960. "Em cartas a Jorge de Sena e a Nathaniel da Costa datadas de 1963, Saramago considera estes tempos em que escreveu e reuniu as poesias que fariam parte de 'Os Poemas Possíveis' como desgastantes em termos emocionais e chega mesmo a ponderar a hipótese de migrar para o Brasil. Esta informação surpreendeu-me bastante, pois não fazia a mínima ideia de que o escritor chegara a ponderar a hipótese de emigrar para o Brasil e por a mesma coincidir com o período da história brasileira em que esteve mais iminente uma transformação socialista do país", disse Lopes em entrevista à Folha.com.


A primeira biografia de Saramago, do escritor também português João Marques Lopes, foi lançada neste ano. A edição brasileira de "Saramago: uma Biografia" chegou às livrarias no mês passado, com uma tiragem de 20 mil exemplares pela editora LeYa.

Nobel

Após lançamento da biografia, Saramago classificou a obra como "um trabalho honesto, sério, sem especulações gratuitas".

Saramago ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em outubro de 1998, aos 75 anos.

Em comunicado à época, Real Academia Sueca assim justificou a premiação: "A arte romanesca multifacetada e obstinadamente criada por Saramago, confere-lhe um alto estatuto. Em toda a sua independência, Saramago invoca a tradição que, de algum modo, no contexto atual, pode ser classificada de radical. A sua obra literária apresenta-se como uma série de projetos onde um, mais ou menos, desaprova o outro, mas onde todos representam novas tentativas de se aproximarem da realidade fugidia".

Ajuda ao Haiti

Saramago relançou em janeiro deste ano nova edição do livro A Jangada de Pedra, que tem toda a sua renda revertida para as vítimas do terremoto no Haiti. O relançamento da obra foi resultado da campanha "Uma balsa de pedra a caminho do Haiti", que do integralmente os 15 euros que custará o livro (na União Europeia) ao fundo de emergência da Cruz Vermelha para ajudar o Haiti.

Em nota, Saramago havia explicado que a iniciativa é da sua fundação e só foi possível graças à "pronta generosidade das entidades envolvidas na edição do livro".

Obras publicadas

Poesias

- Os poemas possíveis, 1966

- Provavelmente alegria, 1970

- O ano de 1993, 1975

Crônicas

- Deste mundo e do outro, 1971

- A bagagem do viajante, 1973

- As opiniões que o DL teve, 1974

- Os apontamentos, 1976

Viagens

- Viagem a Portugal, 1981

Teatro

- A noite, 1979

- Que farei com este livro?, 1980

- A segunda vida de Francisco de Assis, 1987

- In Nomine Dei, 1993

- Don Giovanni ou O dissoluto absolvido, 2005

Contos

- Objecto quase, 1978

- Poética dos cinco sentidos - O ouvido, 1979

- O conto da ilha desconhecida, 1997

Romance

- Terra do pecado, 1947

- Manual de pintura e caligrafia, 1977

- Levantado do chão, 1980

- Memorial do convento, 1982

- O ano da morte de Ricardo Reis, 1984

- A jangada de pedra, 1986

- História do cerco de Lisboa, 1989

- O Evangelho segundo Jesus Cristo, 1991

- Ensaio sobre a cegueira, 1995

- A bagagem do viajante, 1996

- Cadernos de Lanzarote, 1997

- Todos os nomes, 1997

- A caverna, 2001

- O homem duplicado, 2002

- Ensaio sobre a lucidez, 2004

- As intermitências da morte, 2005

- As pequenas memórias, 2006

- A Viagem do Elefante, 2008

- O Caderno, 2009

- Caim, 2009


* Texto base: agências internacionais, UOL, Wikipédia, Google Notícias e Arquivos do Klau

* Redação Final: Cláudio Nóvoa

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A HISTÓRIA SECRETA DOS PAPAS

Pessoal:

Por mais incrível que pareça, os papas recentes até que se comportam muito bem, se comparados com alguns de seus antecessores.

O livro "A História Secreta dos Papas" - muitíssimo bem escrito pela escritora americana Brenda Ralph Lewis - mostra como diversos sumos sacerdotes da Igreja Católica agiram de forma bem contrária aos ensinamentos cristãos que representavam.

Durante a Idade Média, não faltaram papas que foram especialistas em conspirações, assassinatos e até bruxarias.
O livro conta algumas das histórias mais assustadoras do Vaticano.
Uma delas é o Sínodo do Cadáver, em que o bondoso --e falecido-- papa Formoso foi desenterrado, julgado por seu sucessor Estevão 7° e jogado no Rio Tibre. Gente fina é outra coisa...

A obra mostra em detalhes como funcionou a sanguinária Inquisição - responsável por um dos maiores genocídios da Humanidade - e conta a história de algumas das suas mais célebres vítimas, como Galileu Galilei, que só escapou da morte porque foi obrigado a negar publicamente seus ideais - principalmente de que a Terra era redonda e não era o centro do universo.

João 12°, por exemplo, foi um papa muito especial : castrou um de seus cardeais, cegou outro, torturou desafetos - até tirando a pele de alguns! - e chegou a brindar ao demônio em seus diversos bacanais.
Apesar da tentativa de diversos bispos de defenestrar João 12° do trono papal, ele só sossegou após ser surpreendido pelo marido de sua amante e assassinado com uma martelada no crânio...

Separei abaixo um trecho do livro, que fala sobre João 12°:

"Dormiu com as prostitutas de seu pai e chegou ao cúmulo de manter relações com sua própria mãe.
João XII também presenteava suas amantes com cálices de ouro, verdadeiras relíquias sagradas da igreja de São Pedro.
Ele ainda cegou um cardeal e castrou outro, causando sua morte.
Apoderava-se das oferendas feitas pelos peregrinos para apostar em jogos.
Nessas seções de jogatina, o próprio papa costumava evocar os deuses pagãos para ter sorte ao arremessar os dados.
As mulheres eram advertidas a se manterem longe da igreja de São João de Latrão, ou de qualquer outro lugar frequentado pelo papa, pois ele estava sempre à procura de novas conquistas.
Após pouco tempo, os romanos estavam tão furiosos com tais atitudes que o papa começou a temer por sua vida.
Sendo assim, resolveu saquear a igreja de São Pedro e fugir para Tívoli, a 27 quilômetros de Roma.

João XII estava causando tanto estrago ao papado e ao Vaticano, superando os crimes e pecados de seus antecessores, que um sínodo especial foi convocado.
Todos os bispos italianos, 16 cardeais e outros prelados (alguns alemães), reuniram-se para decidir o que fazer com o devasso pontífice.
Convocaram testemunhas e ouviram evidências sob juramento.
Então, fizeram uma lista que adicionava ainda mais acusações às informações bizarras e assustadoras que já possuíam sobre João.
Algumas delas foram descritas em uma carta escrita a João pelo Imperador do Sacro Império Romano, Otto I da Saxônia.

O papa João, ainda no exílio em Tívoli, respondeu a Otto em termos ameaçadores que aterrorizaram Roma.
Caso o sínodo o depusesse, ameaçou excomungar todos os envolvidos, e assim não poderiam celebrar missas ou conduzir uma ordenação.
Em termos cristãos, esse é o pior castigo que um papa pode dar, pois a excomunhão significa estar fora da igreja, perdendo sua proteção e arriscando o espírito imortal.

O imperador Otto não se curvou à ameaça de excomunhão do papa e o depôs, colocando em seu lugar o papa Leão VIII sem que João soubesse.
Quando retornou a Roma, em 963 D.C., sua vingança foi infinitamente pior que sua ameaça.
João XII depôs o papa Leão e, ao invés da excomunhão, executou e mutilou todos os que fizeram parte do sínodo.
Um bispo teve a pele arrancada, um cardeal teve o nariz e dois dedos cortados e a língua arrancada, e 63 membros do clero e da nobreza romana foram decapitados.
Na noite de 14 de maio de 964, parece que todas as rezas implorando a morte de João XII foram ouvidas.
Segundo a descrição do bispo João Crescêncio de Protus: "enquanto estava tendo relações sujas e ilícitas com uma matrona romana, o papa foi surpreendido pelo marido de sua amante em pleno ato.
O enfurecido traído esmagou seu crânio com um martelo e, finalmente, entregou a indigna alma do papa João XII a Satã".

A Igreja ainda não tinha acabado com a família das "meretrizes", que gerou nove dos mais pecaminosos papas já existentes e denegriu o nome do papado.
Em 986, 22 anos após a dramática morte de João XII, o bispo Crescêncio foi até o Castelo de Santo Ângelo para ver a mãe de João, Marózia.
Aquela mulher antes exuberante agora parecia um saco de ossos, vestida em farrapos".

Tutto buonna gente, esses papas, né?

O livro é um verdadeiro tratado de como usar a religião para enganar, matar, fornicar e subjugar seres humanos através do medo e da ignorância.

Por isso, é uma obra imperdível de se ler.

Foto da Capa

"A História Secreta dos Papas"
Autora: Brenda Ralph Lewis
Editora: Editora Europa
Páginas: 256
Quanto: R$ 99,90, no site da Livraria da Folha
Classificação do Klau:

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ROMANCE "MOBY DICK" FAZ 138 ANOS, MAIS ATUAL DO QUE NUNCA!


Herman Melville escreveu "Moby Dick" em 1851, e por décadas, a obra ficou desconhecida do grande público.

Somente após a Primeira Guerra Mundial, estudantes de literatura norte-americana descobriram o livro, que virou imediatamente um sucesso literário, consagrado como um dos grandes romances épicos de todos os tempos.

O marujo Ishmael é o herói e narrador da trama. Ele embarca no baleeiro Pequod, do capitão Ahab, em New Bedford rumo à ilha de Nantucket. Seu companheiro é Queequeg, príncipe de uma tribo canibal da Polinésia que personifica o primitivo, a barbárie humana. Por meio deste personagem, Melville disseca a selvageria que pertence ao ser humano -todos ali são mais brutais do que a própria baleia branca-, e sua narrativa nos revela como o capitão Ahab e sua tripulação partirão em busca do terrível animal. Sedentos por sua pele, ou melhor, corpo, a equipe perceberá que, na verdade, está à caça de seus destinos e não da fera do mar.

"Moby Dick" possui uma grandeza que se equipara ao objetivo final, do contar uma ótima história, proposto pelo escritor. Meville registrou por meio da obra um capítulo singular da história norte-americana -o das baleias e sua pesca. Para tanto, utilizou-se de significados míticos para realizar o relato.

Segundo os estudiosos da obra de Melville, a intenção do autor foi evidenciar o eterno conflito entre o homem e seu destino , com a baleia representando o mal infinito por ter decepado a perna de um homem do mar - o capitão Ahab-, e ele a vontade do homem que se opõe às forças da natureza. O leitor percebe que a baleia branca é antes de tudo a concretização da ferocidade, da coisa que se revolta contra o ser humano.

Assim, a obra permanece em nosso imaginário como o duelo entre duas ferocidades: da pura fera e sua total capacidade de fera, que enfretará a outra fera, mais conhecida como orgulho humano. E esse confronto entre dois primitivos ultrapassou os séculos e permaneceu vivo e verdadeiro até os dias atuais.

Melville prova ao leitor que nem a vastidão dos sete mares abarca a ira de ambos. A cada página virada e légua percorrida trememos de medo, compartilhamos a cólera da tripulação e do entusiasmo da aventura. Percebemos também que somos caçados tal qual Moby Dick o é, só que pelo destino. Este, de repente, emerge à nossa frente e atraca em algum ponto de nossos questionamentos.

Uma leitura simplesmente imperdível!

Foram lançadas inúmeras versões em português do Brasil do romance, algumas não tão boas. As melhores versões são:

"Moby Dick: Adaptação em Quadrinhos na Versão Pop-Up" (2009) : Com dobraduras tridimensionais, em adaptação inédita para os quadrinhos, a obra reúne desenhos espetaculares que saltam da página e dão movimentos fantásticos aos personagens. Crianças e adultos vão babar!

"Moby Dick" (2008) : O clássico é revivido e reeditado pela Cosac Naify. Luciana Facchini ganhou o Prêmio Jabuti 2009, na categoria "Capa", pelo volume.

"Moby Dick" (2008) : Versão em quadrinhos da obra-prima de Melville
"Moby Dick" (2006) : Adaptado e traduzido pelo sempre ótimo jornalista e escritor Carlos Heitor Cony

"Moby Dick" (2005) : Esta edição é uma versão traduzida por Monteiro Lobato, e revela em toda a sua grandeza épica esse grande clássico da literatura universal para o público jovem. É a versão da qual eu mais gosto.


ilustração da obra traduzida por Monteiro Lobato

Todas as versões podem ser encontradas nas livrarias.

Se você ainda não leu "Moby Dick", leia.

Sua mente e sua sensibilidade vão agradecer.