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sábado, 29 de fevereiro de 2020

FESTIVAL DE BERLIM: 'THERE IS NO EVIL' LEVA O URSO DE OURO

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Confira todos os vencedores da edição de 2020 da Berlinale
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Após longos e intensos dias, o Festival de Berlim 2020 chega ao seu fim amanhã, dia 01 de março.

Mas a cerimônia de encerramento aconteceu neste sábado, onde foram entregues os prêmios aos filmes vencedores.

Presidido pelo ator britânico Jeremy Irons, o júri desta edição foi composto por Bérénice Bejo, Bettina Brokemper, Annemarie Jacir, Kenneth Lonergan, Luca Marinelli e Kleber Mendonça Filho.

O grande vencedor, que conquistou a desejada estatueta do Urso de Ouro foi o longa iraniano There is no Evil, de Mohammad Rasoulof.

Confira o trailer do grande ganhador:


O cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho foi encarregado de anunciar o vencedor de melhor direção com o Urso de Prata, que foi para o sul-coreano Hong Sangsoo, que apresentou seu filme The Woman.

O norte-americano Never Rarely Sometimes Always, de Elizza Hittman, levou o Urso de Prata como Prêmio Especial do Júri.

O italiano Elio Germano ganhou o Urso de Prata de melhor ator, pelo filme Volevo e a alemã Paula Beer ganhou o Urso de Prata de melhor atriz, pelo filme Undine.

O colombiano Los Conductos, de Camilo Restrepo, levou o prêmio de melhor filme de estreia e o filme belga Effacer l'historique, de Benoït Delépine y Gustave Kervern, ganhou o Urso de Prata Especial desta edição.

Por fim, o longa russo Dau/Natasha, de Ilya Khrzhanovsky e Jekaterina Oertel, recebeu o Urso de Prata por sua contribuição artística.

Confira abaixo a lista completa dos premiados nas categorias competitivas:

COMPETIÇÃO OFICIAL - LONGA-METRAGEM

URSO DE OURO - MELHOR FILME: There is no Evil, de Mohammad Rasoulof

URSO DE PRATA - GRANDE PRÊMIO DO JÚRI: Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman

URSO DE PRATA - MELHOR DIREÇÃO: Hong Sang-Soo, por The Woman Who Ran

URSO DE PRATA - MELHOR ATRIZ: Paula Beer, Undine

URSO DE PRATA - MELHOR ATOR: Elio Germano, de Hidden Away

URSO DE PRATA - MELHOR ROTEIRO: Favolacce, dos irmãos D'Innocenzo

URSO DE PRATA - MELHOR CONTRIBUIÇÃO ARTÍSTICA: DAU. Natasha, de Jurgen Jurges (diretor de fotografia)

URSO DE PRATA - 70ª EDIÇÃO: Delete History, de Benoit Delépine e Gustav Kervern

COMPETIÇÃO OFICIAL - CURTA-METRAGEM

URSO DE OURO - MELHOR CURTA: T, de Keisha Rae Whiterspoon

URSO DE PRATA - PRÊMIO DO JÚRI: Filipiñana, de Rafael Manuel

PRÊMIO AUDI: Genius Loci, de Adrien Mérigeau

PRÊMIO GWFF

MELHOR FILME DE ESTREIA: Los Conductos, de Camilo Restrepo

MELHOR FILME DE ESTREIA (MENÇÃO ESPECIAL): Naked Animals, de Melanie Waelde

MELHOR DOCUMENTÁRIO (MENÇÃO ESPECIAL): Notes from the Underworld, de Tizza Covi

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Irradies, de Rithy Panh

PRÊMIO ENCOUNTERS

MELHOR DIREÇÃO (MENÇÃO ESPECIAL): Matías Piñeiro, de Isabella

MELHOR DIREÇÃO: Cristi Puiu, de Malmrog

PRÊMIO DO JÚRI: The Troube With Being Born, de Sandra Wollner

MELHOR FILME: The Work and Days (of Tayoko Shiojiri in the Shiotani Basin), de C.W. Winter and Anders Edström

MOSTRA GENERATION 14 PLUS

MELHOR FILME: Meu Nome é Bagdá - Grande Prêmio do Júri Internacional


FESTIVAL DE BERLIM: LONGA BRASILEIRO, 'MEU NOME É BAGDÁ' ARRANCA APLAUSOS E LEVA O PRÊMIO DA MOSTRA GENERATION NA BERLINALE

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Filme de Caru Alves de Souza discute gênero a partir de menina skatista e levou um dos mais importantes prêmios da Berlinale
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‘Eu sou de menor!”, devolve a adolescente ao policial que lhe pergunta, de maneira agressiva e intimidatória, se ela “é homem ou mulher” enquanto dá uma “dura” no seu grupo de skatistas.

A ambiguidade sexual da protagonista de “Meu nome é Badgá”, que estreou sob aplausos na mostra Generation do 70ª Festival de Berlim, só é questionada ou atacada fora do seu círculo de amigos.

Ou do ambiente familiar, onde recebe o apoio incondicional das duas irmãs e da mãe (interpretada pela cantora Karina Buhr), manicure de um salão da Freguesia do Ó, na periferia de São Paulo, onde trabalham mulheres hétero, gays e transexuais é nesse núcleo que a artista plástica, performer, cantora e atriz Paula Sabbatini, a Paulette Pink, brilha.

Não à toa, o longa ganhou por unanimidade do júri internacional da Generation, que premia o melhor longa de temática LGBTQ+ na Berlinale.

Veja matéria do Canal Brasil em Berlim:


"O filme é dominando por mulheres fortes, que não precisam sofrer ou fazer papel de vítima para testar a força que têm" — descreve a paulistana Caru Alves de Souza, diretora do longa-metragem, uma das 19 produções (ou coproduções) brasileiras em cartaz na maratona alemã. —

"Percebo hoje que as mulheres se sentem mais fortalecidas pelos laços que constroem entre elas. Sentem-se mais fortes quando estão juntas, atuando coletivamente, do que quando buscam soluções individuais para seus problemas" - diz.

“Meu nome é Bagdá” abriga diferentes aspectos das questões de gênero e lutas feministas a partir da experiência da personagem-título, que se veste e age como um garoto.

Vivida pela skatista Grace Orsato, ela é a única menina a frequentar a pista de skate do bairro, mas, com sua atitude, abre caminho para mais.

"Tenho um carinho especial pela Bagdá, porque ela não tenta agradar aos outros para ser aceita como é e, ao mesmo tempo, luta para que o mundo mude e outros como ela sejam aceitos também" — observa a argentina Josefina Trotta, coautora, com Caru, do roteiro da produção.

A trama é livremente inspirada no livro “Bagdá — O skatista”, de Toni Brandão, lançado em 2009, mas centrado na figura de um menino.

A versão imaginada por Caru mudou de ponto de vista ao longo do tempo e, quando o projeto foi retomado, a partir de 2014, absorveu os crescentes questionamentos sobre gênero e disputas identitárias.

"O primeiro tratamento do roteiro era bem próximo do livro. Durante o laboratório de criação de que o projeto participou, tive como consultora a Laurence Coriat, que fazia os roteiros do (cineasta britânico) Michael Winterbottom. Ela percebeu que eu passava horas falando sobre Tatiana, prima do protagonista, e única personagem feminina da história do Brandão, e me disse: “Acho que você não quer contar a história do Bagdá, mas a da Tatiana. E era verdade!" — lembra a diretora, que estreou na ficção com “De menor” (2013), outro drama envolvendo jovens.

"É um universo inesgotável, que me atrai muito, porque envolve momentos de incerteza e indefinições".

Confira matéria do programa 'Cinejornal', do Canal Brasil:


A cineasta de 40 anos frequentou as pistas de skate quando jovem, mas não tinha ideia do quanto o ambiente dos skatistas havia mudado.

Em suas pesquisas, Caru descobriu que a participação feminina cresceu muito desde a década de 1990 e ficou surpresa ao descobrir que havia um coletivo de mulheres skatistas em São Paulo.

Dali vieram muitas contribuições para “Meu nome é Bagdá” — inclusive parte do elenco.

"A interação com os grupos foi essencial. Queríamos falar com propriedade sobre eles. E acho que acertamos: A Grace sempre diz que a história da Bagdá é a de quase toda menina skatista, a dela inclusive".

Foto do topo: Parabéns à cineasta, ao elenco e a todos os envolvidos no projeto - agora ostentando o poderoso Teddy Awards da Barlinale.

Foto do topo:
Paula Sabattini, Grace Orsato e Karina Buhr, em cena do filme "Meu nome é Bagdá" (Divulgação)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

FESTIVAL DE BERLIM: EDIÇÃO DE 2020 TEM RECORDE DE BRASILEIROS SELECIONADOS

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Diretor de 'Bacurau' e membro do júri da Berlinale, Kléber Mendonça Filho diz que governo Bolsonaro sabota o cinema brasileiro
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Historicamente, o Festival de Berlim tem sido o evento internacional mais receptivo ao cinema brasileiro.

Em 2019 e 2018, a Berlinale acolheu nada menos que doze filmes brasileiros por ano, entre longas-metragens e curtas-metragens, a exemplo de Divino Amor (2019), Greta (2019), Marighella (2019), Tinta Bruta (2018), Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar (2019), Indianara (2019) etc.

Mesmo sob nova curadoria a partir da 70ª edição, o festival promete dedicar um olhar atento às nossas produções mais uma vez.

Com uma primeira leva de filmes anunciados à imprensa, o cinema nacional já conta com três produções, em três seções distintas.

Na Panorama, voltada a filmes politizados e sobre questões identitárias, foi selecionado Cidade Pássaro, coprodução Brasil-França dirigida por Matias Mariani, sobre um músico nigeriano que viaja a São Paulo em busca de notícias do irmão mais novo.

Na Mostra Geração, dedicada a produções sobre a juventude, o brasileiro Meu Nome É Bagdá vai levar a história de garotas skatistas enfrentando o machismo na família e nas ruas.

O filme é dirigido por Caru Alves de Souza.

Já na Mostra Forum Expanded, que busca formas radicais e experimentais de linguagem, será exibido APIYEMIYEKÎ, coprodução Brasil-França-Holanda sob direção de Ana Vaz.

O Brasil ainda pode ser citado com outros filmes nestas mostras, ou quem sabe emplacar concorrentes na mostra competitiva, em busca do Urso de Ouro, como foi o caso recente de Joaquim (2017).

O diretor de Bacurau, Kleber Mendonça Filho, falou sobre a situação atual do cinema no Brasil, criticando o governo Bolsonaro por sabotar a diversidade na indústria.

A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa no Festival Internacional de Cinema de Berlim - Mendonça filho é um dos jurados da edição de 2020, que tem  como presidente o ator Jeremy Irons.

Kleber Mendomça Filho dá entrevista em Berlim - AFP
"Estou preocupado. Temos cerca de 600 projetos que atualmente estão congelados por burocracia", explicou o diretor.

Para ele, o movimento do governo atual é prejudicial para a diversidade de obras e aumenta a dificuldade de diretores que não são dos estados do Sudeste realizarem seus projetos.

Apesar de elogiar o momento do cinema nacional no exterior - já que 19 obras exibidas na Berlinale tem produção brasileira - Mendonça Filho explicou que há um movimento atual de desmantelamento de políticas anteriores:

"O cinema brasileiro tem uma longa história, o que acontece agora é resultado de vários anos de trabalho duro", disse.

"É exatamente isso que está sendo sabotado agora. Sim, estou preocupado", concluiu.

O diretor, no entanto, disse que os retrocessos criam também um solo frutífero:

"É quando o cinema é desmantelado diariamente, quando passamos por momentos difíceis, que é o melhor momento para fazer filmes".

Após excelente recepção no exterior, tendo levado até o prêmio do júri do Festival de Cannes, Bacurau estreou nos cinemas brasileiros em agosto.

A 70ª Berlinale começou ontem (20.2) e vai até 01 de março.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

BERLINALE: JEREMY IRONS SERÁ PRESIDENTE DO JÚRI

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O Festival de Berlim anunciou que Jeremy Irons, cujo último trabalho foi na série 'Watchmen', da HBO, será o presidente do júri na edição de 2020
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“É sentindo grande prazer e honra incomensurável que eu assumo esse papel para o Berlinale 2020, um festival que eu admiro há tempos e sempre gostei de frequentar”, contou o ator em comunicado oficial.

Essa será a primeira vez de Irons na organização da Berlinale.

Anteriormente, o ator participou duas vezes do festival para promover seus filmes Margin Call - O Dia Antes do Fim (2011) e Trem Noturno para Lisboa (2013).

O ator Jeremy Irons - Variety

O Festival de Berlim acontece entre os dias 20 de fevereiro e 1º de março.