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sábado, 26 de setembro de 2020

'THE UNDOING': NICOLE KIDMAN E HUGH GRANT NO ARREPIANTE TRAILER DO NOVO SUSPENSE DA HBO

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A nova minissérie da HBO ganhou um novo trailer oficial legendado 
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 Assista:  

Criada por David E. Kelley, a produção é uma adaptação do livro ‘You Should Have Known‘, de Jean Hanff Korelitz. 

 A trama conta a história de uma conselheira de casamentos, Grace Sachs (Kidman), cuja vida vira de ponta cabeça nas vésperas do lançamento de seu primeiro livro. 

 A trama ainda envolve o desaparecimento do marido de Grace, o que leva a uma série de descobertas que mudarão sua vida para sempre. 

 Além de Kidman e Grant, o elenco ainda conta com Noah Jupe, Donald Sutherland e Edgar Ramirez. 

 ‘The Undoing‘ estreia em 25 de outubro na HBO.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

'AD ASTRA - RUMO ÀS ESTRELAS': PRETENSIOSO E MONÓTONO, LONGA TEM VISUAL ARREBATADOR


SINOPSE:

Roy McBride (Brad Pitt) é um engenheiro espacial que decide empreender a maior jornada de sua vida: viajar para o espaço, cruzar a galáxia e tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, um astronauta que se perdeu há vinte anos no caminho para Netuno.

CRÍTICA:

Versão sci-fi de O Coração das Trevas - romance escrito por Joseph Conrad em 1902 - ou Apocalypse Now de Francis Ford Coppola - por sua vez, inspirado no livro em questão - Ad Astra - Rumo Às Estrelas, que estreia hoje, poderia ser um filme divertido sobre exploração espacial ou filosófico e reflexivo sobre a busca por Deus e o lugar da humanidade no universo.

Poderia, já que decide ser mais do mesmo com ar pretensioso e tom monótono.

No longa, Brad Pitt é Roy, um astronauta com a missão de viajar a Netuno para encontrar seu pai perdido (Tommy Lee Jones), que pode ou não ter criado uma estrutura capaz de ameaçar a humanidade.

Roy atravessa um espaço hostil, em guerra por recursos, enquanto contempla o que pode ter acontecido com seu pai e, por fim, com ele mesmo.

Talvez o grande mérito do longa seja o mundo criado para contar essa história.

Podemos realmente ver um futuro próximo com bases lunares semelhantes a aeroportos, gangues de piratas atacando comboios na lua e terapia feita por computadores - tudo muito bem construído e realista.

Além disso, as cenas espaciais também são de tirar o fôlego, com fotografia lindíssima, ambientes espaciais inspiradores e veículos com design bastante realista - sem falar que os efeitos especiais são de muita qualidade.

O problema é que a narrativa se perde pouco depois de uma incrível sequência dentro de uma espaçonave abandonada, com direito a ataque de uma criatura bizarra e muito sangue.

Só que logo depois desse grande momento, as coisas ficam lentas e contemplativas, mas sem fornecer conteúdo suficiente para reflexão.

A exploração dos problemas de pai e filho se tornam o centro da obra e o roteiro passa a explorar uma série de metáforas sobre Deus - ou a falta dele e o sentido da vida.

Até é interessante, mas faltam profundidade e principalmente reviravoltas para tirar as coisas da monotonia ou, ao menos, chocar.

Por boa parte do filme, é como se estivéssemos vendo uma cópia de 2001, mas sem o final impactante.

Ad Astra é sim um thriller inteligente para adultos, mas definitivamente falha por pesar tanto cada questão desnecessária e deixar de explorar outros pontos realmente fascinantes.

Com isso, o próprio impacto emocional do filme é prejudicado e o longa se torna uma obra de um tom só, extremamente cansativo e menos estimulante ou reflexivo do que certamente o diretor James Gray (Os Donos Da Noite) gostaria.

Belo e frustrante, com parte técnica absolutamente impressionante e trilha que funciona, o longa chega a ter profundidade de roteiro e personagem em sua primeira metade, mas aos poucos perde tudo isso ao tentar se tornar irritantemente contemplativo e, paradoxalmente, raso.

GALERIA DE IMAGENS:
Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto Brad Pitt

Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto Tommy Lee Jones

Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto

Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto

Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto Brad Pitt

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
AD ASTRA - RUMO ÀS ESTRELAS
Título Original:
AD ASTRA
Gênero:
Thriller
Direção:
James Gray
Elenco:
Alyson Reed, Anne McDaniels, Brad Pitt, Daniel Sauli, Donald Sutherland, Donnie Keshawarz, Elisa Perry, Greg Bryk, Jamie Kennedy, John Finn, John Ortiz, Kimberly Elise, Kimmy Shields, LisaGay Hamilton, Loren Dean, Nicholas Walker, Ravi Kapoor, Ruth Negga, Sasha Compère, Sean Blakemore, Tommy Lee Jones
Roteiro:
Ethan Gross, James Gray
Produção:
Anthony Katagas, Brad Pitt, Dede Gardner, Doug Torres, James Gray, Jeremy Kleiner, Rodrigo Teixeira
Fotografia:
Hoyte Van Hoytema
Trilha Sonora:
Thomas Newman
Montador:
John Axelrad, Lee Haugen
Estúdio:
Keep Your Head, MadRiver Pictures, New Regency Pictures, Plan B Entertainment
Distribuidora:
Fox Film do Brasil
Estréia:
26/09/2019
Ano de Produção:
2019
Duração:
122 min.
Classificação Indicativa:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

terça-feira, 4 de junho de 2019

'AD ASTRA'; NOVO LONGA DE BRAD PITT GANHA PRIMEIRO TRAILER

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Drama espacial com ares existencialistas chega aos cinemas norte-americanos em setembro
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A Fox Film divulgou o primeiro trailer de Ad Astra, novo drama espacial protagonizado por Brad Pitt e dirigido por James Gray (Z - A Cidade Perdida).

Veja:


A ficção científica acompanha Roy McBriden (Pitt), um astronauta cujo pai nunca voltou de uma missão interestelar secreta.

Quando a Terra começa a enfrentar uma ameaça perigosa e desconhecida, McBride é enviado em uma missão na fronteira do sistema solar, encarregado de encontrar o próprio pai e descobrir o que poderia salvar a humanidade.

Com Tommy Lee Jones, Liv Tyler, Ruth Negga e Donald Sutherland no elenco, o longa é um drama com toques de ficção científica.

O roteiro foi escrito por Gray em parceria com Ethan Gorss e a produção é da New Regency junto à Plan B, produtora de Brad Pitt.

A parceria entre as duas empresas, vale lembrar, deu origem a longas como 12 Anos de Escravidão e A Grande Aposta.

Ad Astra ainda não tem data de estreia no Brasil, mas chega aos cinemas norte-americanos em 20 de setembro - provavelmente já visando uma campanha para o Oscar 2020.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

'JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL': ROTEIRO CONFUSO E DIREÇÃO POUCO INSPIRADA FAZEM DO ÚLTIMO LONGA DA SAGA O MAIS FRACO DE TODOS



SINOPSE:

Ainda se recuperando do choque de ver Peeta (Josh Hutcherson) contra si, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é enviada ao Distrito 2 pela presidente Coin (Julianne Moore).


Lá, ela ajuda a convencer os moradores locais a se rebelarem contra a Capital.


Com todos os distritos unidos, tem início o ataque decisivo contra o presidente Snow (Donald Sutherland).


Só que Katniss tem seus próprios planos para o combate e, para levá-los adiante, precisa da ajuda de Gale (Liam Hemsworth), Finnick (Sam Claflin), Cressida (Natalie Dormer), Pollux (Elder Henson) e do próprio Peeta, enviado para compor sua equipe.


CRÍTICA:


Em exibição em 752 salas em todo o Brasil, 'Jogos Vorazes: A Esperança - O Final' encerra a luta de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) contra a opressora Capital.


Embora possua momentos ótimos e sombrios, o longa sofre com a divisão do livro em duas partes e justamente por isso, é o mais fraco da franquia.


Diferente de 'A Esperança - Parte 1', que também é uma narrativa incompleta, a sequência sofre pelo exagero de momentos descartáveis e problemas de ritmo, que impedem o fluxo da trama - o maior problema é o final dado a Katniss, que embora condizente com o livro, vai contra tudo que ela provou ser ao longo de quatro filmes.

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final : Foto Jennifer Lawrence
Jennifer Lawrence é Katniss - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Lionsgate


Praga que parecer ser moda em Hollywood, a divisão do terceiro livro de Suzane Collins não se justifica, pois era possível enxugar algumas cenas para encerrar a franquia em apenas um filme.


Infelizmente, Hollywood precisa de dinheiro e, assim, fazer dois em vez de apenas um filme bem feito é mais lucrativo.


Esse problema não é novidade, mas a diferença de ritmo em relação ao antecessor é uma surpresa.

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final : Foto Donald Sutherland
Donald Sutherland é o presidente Snow


Na trama, Katniss fecha o cerco a Snow, mas descobre que o jogo político vai além de rebeldes e opressores.


Novamente, a forma como a imagem de Everdeen é usada é extremamente manipuladora e nos faz questionar o quanto o lado rebelde é diferente da Capital, que fazia o mesmo quando a protagonista era uma das queridinhas dos fãs dos Jogos.

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final : Foto Josh Hutcherson
Josh Hutcherson é Peeta


Sem falar que o Distrito 13 não parece tão democrático como gosta de declarar.

Mas lá está ela, mais uma vez, agindo com o coração e enfrentando problemas épicos.

Katniss sempre foi uma heroína e sua coragem está em aguentar situações impossíveis com tranquilidade e fazer o que é preciso para conquistar seus objetivos.


Ela nunca foi uma pensadora ou uma líder, mas sempre foi uma mulher forte, decidida e inteligente o suficiente para saber qual é seu papel na guerra.


Sem falar que poucas pessoas sobreviveriam aos trauma que essa garota sofreu e continuariam adiante - e essa é a força dela, algo jogado fora por Suzanne Collins e Francis Lawrence (por manter o final) nos minutos finais da obra.

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final : Foto Evan Ross, Josh Hutcherson, Sam Claflin, Wes Chatham
Evan Ross, Joss Hutcherson, San Clafin e Wes Chatham, em cena do longa


Infelizmente, Katniss não é a única a sofrer problemas de desenvolvimento.

O bom trabalho que 'Esperança - Parte 1' fez ao mostrar a evolução dos personagens de Josh Hutcherson (Peeta) e Liam Hemsworth (Gale) simplesmente foi ignorado – ambos perdem relevância e o trio amoroso que nunca ganhou muito espaço, aparece mais do que deveria nessa produção.


Além disso, Elizabeth Banks, alívio cômica da franquia como Effie, praticamente some e o mesmo acontece com Woody Harrelson, apesar dele ter uma grande cena, construída para substituir Phillip Seymour Hoffman, que se matou quando esse longa ainda estava sendo rodado.


É verdade que a série ainda é a mais significativa das obras infanto-juvenis e Katniss é um marco não só para esse gênero.

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final : Foto Jennifer Lawrence, Liam Hemsworth
Liam Hemsworth e Jennifer Lawrence, em cena do longa


Entretanto, esse final só deverá agradar aos fãs da obra, enquanto o restante do público ficará entediado, pois a escolha de fazer um filme de guerra sem profundidade e sem focar no companheirismo entre membros de esquadrão cria problemas narrativos e mostra falta de inspiração para a conclusão.


Membros do time da protagonista parecem estar lá apenas para morrerem em seu lugar e a própria Katniss parece mais preocupada com si mesma do que com o resultado da guerra ou o bem estar de seus amigos.


Todos esses problemas são resultantes principalmente de dois fatores: o roteiro fraco e confuso, de Danny Strong e Peter Craig, e a direção pouco inspirada de Francis Lawrence - que pode ser bom nas cenas de ação mas é muito ruim quando tem de dirigir atores.
Jogos Vorazes: A Esperança - O Final : Foto Jennifer Lawrence, Natalie Dormer
Natalie Dormer e Jennifer Lawrence, em cena do longa


A volta de elementos das arenas dos Jogos Vorazes - como seres híbridos, armadilhas e outras situações vistas nos primeiros filmes - também fazem com que o público não mergulhe no longa.


Katniss passa mais tempo fugindo de situações construídas pelos organizadores de jogos, que não apresentam surpresa alguma, pois são detectadas por um mapa high-tech com antecedência, do que lidando com problemas mais urgentes e interessantes.


Ao menos, a crítica à mídia continua relevante como sempre.


'Jogos Vorazes' se tornou algo incrível por ser capaz de divertir - apesar do clima sombrio - e por tratar de temas como fascismo, revolução, guerra, política, manipulação da mídia e fanatismo, de forma madura e inteligente.


E mais, faz tudo isso com uma protagonista forte e carismática.


O fato desse encerramento não ser tão bom quando gostaríamos, ainda mais depois de 'Esperança - Parte 1' surpreender, é apenas um deslize numa franquia que tem tudo para marcar uma geração.


Esse último filme poderia, sim, ser melhor, mesmo estando longe de ser uma obra rasa e esquecível.


TRAILER:



FICHA TÉCNICA:
Jogos Vorazes: A Esperança - O Final : Poster

JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL
Título Original:
The Hunger Games: Mockingjay - Part 2
Gênero:
Aventura
Direção:
Francis Lawrence
Roteiro:
Danny Strong, Peter Craig
Elenco:
Donald Sutherland, Elden Henson, Elizabeth Banks, Evan Ross, Gwendoline Christie, Jeffrey Wright, Jena Malone, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Liam Hemsworth, Mahershala Ali, Meta Golding, Michelle Forbes, Natalie Dormer, Omid Abtahi, Patina Miller, Philip Seymour Hoffman, Robert Knepper, Sam Claflin, Stanley Tucci, Stef Dawson, Stephanie Tyler Jones, Toby Jones, Wes Chatham, Willow Shields, Woody Harrelson
Produção:
Jon Kilik, Nina Jacobson
Fotografia:
Jo Willems
Montador:
Alan Edward Bell, Mark Yoshikawa
Trilha Sonora:
James Newton Howard
Duração:
137 min.
Ano:
2015
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
19/11/2015 (Brasil)
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Color Force / Lionsgate

Classificação:
12 anos 


Informação complementar:
Encerramento da franquia


COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

'JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA - PARTE 1': DRAMA CHEGA AO ÁPICE E É O MELHOR DESTINADO AO PÚBLICO ADOLESCENTE NA ATUALIDADE


SINOPSE:

Após ser resgatada do Massacre Quaternário pela resistência ao governo tirânico do presidente Snow (Donald Sutherland), Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está abalada.

Temerosa e sem confiança, ela agora vive no Distrito 13 ao lado da mãe (Paula Malcomson) e da irmã, Prim (Willow Shields).

A presidente Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) querem que Katniss assuma o papel do tordo, o símbolo que a resistência precisa para mobilizar a população.

Após uma certa relutância, Katniss aceita a proposta desde que a resistência se comprometa a resgatar Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e os demais Vitoriosos, mantidos prisioneiros pela Capital.

CRÍTICA:

A estreia de 'Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1' aqui no Brasil acontece cercada de polêmica.

Afinal, o longa marca um novo recorde, já que entra em cartaz em mais de 1300 salas por todo o país - ou seja: quase 50% do circuito brasileiro de cinemas - o que levou o órgão regulador do mercado, a Ancine, ligado ao governo federal, finalmente promover reuniões para se saber o real impacto que essas superproduções de Hollywood tem no dia a dia das salas brasileiras.

Mas nada que tire o brilho da boa história dos livros de Suzanne Collins, adaptado fielmente às telonas e onde o torneio Jogos Vorazes foi a forma encontrada pela autora para colocar no dia a dia dos adolescentes que a leem fielmente temas como fascismo, revolução, guerra, política e fanatismo.

Jennifer Lawrence como a protagonista Katniss - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Paris Filmes

Nesse terceiro longa baseado nos livros de Collins, o diretor Francis Lawrence mostra, mais uma vez, que sabe como tornar esses assuntos interessantes para os jovens e relevantes para adultos, graças, também,  ao elenco estelar - que tem lendas como Julianne Moore, Donald Sutherland, o recentemente morto Phillip Seymour-Hoffman e que é encabeçado pela jovem atriz Jennifer Lawrence, ganhadora do Oscar na categoria principal e seguramente a melhor atriz da sua geração.

Obviamente, não vemos a arena, mas tudo que foi construído nos filmes anteriores culmina numa guerra civil que pode significar a destruição de Panem ou a libertação de seu povo.

Dessa vez, Katniss (Lawrence) acorda no hospital do Distrito 13, após ser salva da arena do Massacre Quaternário.

Ela não aceita o fato de Peeta (Josh Hutcherson) ter sido deixado para trás e dificulta os planos da fria presidente Coin (Julianne Moore) de usá-la como símbolo da rebelião.

Entretanto, quando vê a destruição causada pela Capital no Distrito 12, sua casa, ela muda de ideia e decide ajudá-los, desde que o resgate de Peeta e outros vencedores dos Jogos seja uma das prioridades.

Josh Hutcherson como Peeta

A forma como a imagem de Katniss é usada é extremamente manipuladora e nos faz questionar o quanto o lado rebelde é diferente do Presidente Snow (Donald Sutherland) que fazia o mesmo quando a protagonista era uma das queridinhas dos fãs dos Jogos.

Além disso, as regras rígidas e costumes do Distrito 13 não parecem tão democráticos assim.

Entretanto, lá está Katniss, mais uma vez, agindo com o coração e deixando outros tomarem decisões por ela – tudo em nome do ódio pela Capital.

As referências da série são muitas e, mesmo que a narrativa se destine a agradar aos adolescentes, também é capaz de aprofundar questões sociais comuns a todos nós.

Afinal, esta 'Parte 1', assim como seus predecessores, foi feito para divertir - mas também é intrigante, desconstruindo a imagem do herói ao focar na pessoa por trás do símbolo - algo que Katniss nunca quis ser.

Como drama, este não chega em nenhum momento a ser arrastado, soporífero e muitas vezes chato, como acontece nos encerramentos de 'Crepúsculo' ou 'Harry Potter'.

Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) e presidente Alma Coin (Julianne Moore), em cena do longa

Na verdade, até chega a fechar a trama a qual se propõe, a situação de Katniss e Peeta - ou seja: a divisão do terceiro livro de Suzanne Collins em duas partes não se justifica e fica evidente a forma da Lionsgate faturar mais nas bilheterias.

Era possível enxugar algumas cenas e aumentar a duração em 40 minutos para encerar em apenas um filme.

Até a boa franquia 'Vingadores', da Disney/Marvel já entrou nessa modinha caça-níqueis de Hollywood, de fazer dois produtos inchados que poderiam, com bom trabalho de edição, se tornar apenas uma obra bem feita.

Mesmo assim, o longa acerta com folgas, ao mostrar a evolução dos personagens: Josh Hutcherson (Peeta), Jennifer Lawrence (Katniss) e Liam Hemsworth (Gale) souberam como dar novos ares a velhos personagens, cada um com novas funções e desafios.

Liam Hemsworth, como Gale

Elizabeth Banks (Effie) permanece como alívio cômico e Woody Harrelson ainda é o mentor de Katniss, mesmo fora dos Jogos.

O longa é também um ótimo 'canto do cisne' de Philip Seymour Hoffman: soberbo, o grande ator se destaca como Plutarch Heavensbee, a mente por trás da propaganda rebelde, em um de seus últimos trabalhos.

Todos mudaram de alguma forma, mas estão ligados por cicatrizes psicológicas e pelo desejo de uma vida melhor para os cidadãos de Panem.

Ainda existe a questão do triângulo amoroso, mas, como nos filmes anteriores, é algo tratado com realismo e passa longe de ser o foco da narrativa, já que, aqui, mais importante, o amor é reprimido por sentimentos de culpa, obrigação para com o outro e necessidade de sobrevivência, aspecto definitivo que separa esta franquia de outras - como 'Divergente', 'Crepúsculo' e outros filmes adolescentes, cujos romances são insossos e fogem à realidade.

O diretor tem também o mérito de criar sensação de tensão e horror ao longo de toda a projeção.

O espectador sente a urgência da situação e sabe que os protagonistas precisam agir para aproveitar as oportunidades e Jennifer Lawrence faz isso sem deixar de explorar momentos de leveza, que evitam que o tom pareça exageradamente opressivo para os adolescentes.

Como resultado, a narrativa é bem equilibrada e não apela para o melodrama.

A 'Parte 1' transmite otimamente bem o pensamento de que, em circunstâncias como essas, não há respostas simples, não há herói perfeito ou governos ideais, pois o verdadeiro perigo está no extremismo:

O longa só falha em mostrar Snow como vilão supremo, mas se torna um achado - especialmente para o espectador brasileiro pós eleições - ao mostrar a oposição como algo quase tão ruim quanto.

Donald Sutherland como o presidente Snow

Katniss precisa escolher entre duas péssimas opções da melhor maneira possível, além de aprender a aceitar as consequências de seus atos e dilemas como esse é que fazem com que a franquia 'Jogos Vorazes' seja a melhor voltada para o público jovem na atualidade, disparado.

Filmaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA - PARTE 1'
Título Original:
THE HUNGER GAMES: MOCKINGJAY - PART 1
Gênero:
Drama de ação
Direção:
Francis Lawrence
Roteiro:
Danny Strong, Suzanne Collins
Elenco:
A. Michelle Harleston, Elden Henson, Evan Ross, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Kim Ormiston, Liam Hemsworth, Lily Rabe, Mahershala Ali, Misty Ormiston, Natalie Dormer, Patina Miller, Philip Seymour Hoffman, Sam Claflin, Stef Dawson, Taylor McPherson, Wes Chatham
Produção:
Jon Kilik, Nina Jacobson
Fotografia:
Jo Willems
Montador:
Alan Edward Bell, Mark Yoshikawa
Trilha Sonora:
James Newton Howard
Duração:
125 min.
Ano:
2014
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
20/11/2014
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Color Force / Lionsgate Films
Classificação:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

'JOGOS VORAZES - EM CHAMAS': MELHOR QUE O PRIMEIRO, LONGA É DIVERSÃO DE PRIMEIRA AOS EXPLICAR POLÍTICA E SEUS BASTIDORES À MULEKADA


'Jogos Vorazes: Em Chamas' - que estreia hoje em 671 salas em todo o Brasil, uma semana antes da estreia americana - não é apenas melhor do que o primeiro, é também mais fiel ao livro de Suzanne Collins.

É também o segundo blockbuster do ano - ao lado de 'Homem de Ferro 3' - que nos mostra seus protagonistas sofrendo de estresse pós-traumático.

Se esse elemento está presente na obra literária, é intensificado na telona com a soberba e consistente atuação da atual ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, Jennifer Lawrence, que nos mostra à perfeição a evolução de sua personagem, Katniss Everdeen, que sobreviveu à 74º edição dos Jogos Vorazes e teve sua vida mudada para sempre.

Jennifer Lawrence, em cena como Katniss Everdeen - fotos dessa postagem: Divulgação - Paris Filmes
Meses se passaram desde o primeiro filme, a protagonista está mais madura, só quer viver o resto da vida em paz - como vencedora, tem fama e fortuna, porém, as lembranças daqueles dias traumáticos a assombram.

Mas logo descobre que seu pesadelo está apenas começando, quando a visita do presidente Snow (Donald Sutherland) à sua nova mansão, pouco antes da turnê de vitória pelos 12 distritos, transforma os medos da garota em realidade.

Donald Sutherland como o presidente Snow
Ela não foi a única a sair com ferimentos profundos dos Jogos, o governo opressor da Capital também foi abalado e agora enfrenta a ameaça de uma revolução - afinal, Katniss deu a arma mais poderosa ao povo de Panem – esperança.

Se o diretor do primeiro longa, Gary Ross, fez um bom trabalho digno de nota, ele não ia a fundo nas questões delicadas e a câmera tremia demais durante os combates.

Já o diretor dessa sequência, Francis Lawrence, trouxe novo olhar à franquia, marcando em cada fotograma a tristeza inata que ele imprime nesse universo - pois viver em Panem é horrível, competir é um pesadelo e obrigar os vencedores a voltar à arena é pura crueldade.

Esses aspectos são tratados com o peso adequado, assim como a situação complexa de Katniss e Peeta (Josh Hutcherson), forçados a agir como um apaixonado casal diante das câmeras por ordem do Presidente.

Josh Hutcherson é o intérprete de Peeta
Embora mostre as consequências dos atos de Katniss, a narrativa desta sequência é bastante semelhante a 'Jogos Vorazes' e, com exceção da Turnê da Vitória, a história segue o mesmo padrão: vida no Distrito, preparação e os Jogos.

Os histéricos fãs vão te dizer que "o livro é assim", mas no cinema, a sensação de "já vi isso antes" é amplificada e muita gente pode perder a paciência antes da hora - ao menos quando os jogos começam, a trama se move rapidamente, com um perigo atrás do outro.

Entre os novos personagens, Finnick Odair (Sam Claflin) é o destaque: um narcisista que adora a fama, mas também não superou as experiências terríveis como tributo, com o ator fazendo uma boa construção e nunca nos deixando saber se Katniss pode ou não confiar nele.

Sam Claflin interpreta Finnick Odair
Destaque também para Jena Malone como a competidora do distrito 7, Johanna - a cena do elevador na qual ela é introduzida é bem divertida  e para  Alan Ritchson - o Aquaman da série de TV 'Smallville' -  que aparece pouco, mas bem como Gloss.

Alan Ritchson interpreta Gloss
O longa é uma boa sequência, com orçamento maior e melhorias em todos os aspectos, inclusive na área técnica.

Se o final é abrupto e embora crie tensão para 'A Esperança - Parte 1', bem que o longa poderia mostrar as consequências do Massacre Quaternário.

Mesmo assim, a franquia tem potencial para se tornar um ícone da cultura Pop, por tratar de temas políticos de forma compreensível para os mais jovens.

Enquanto isso não acontece, serve como boa diversão, que cumpre seu objetivo como ficção científica.

Confira o trailer do longa:


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The Hunger Games Catching Fire-Official Poster Banner PROMO NACIONAL-02OUTUBRO2013
'JOGOS VORAZES: EM CHAMAS'
Título Original:
THE HUNGER GAMES: CATCHING FIRE
Gênero:
Ação
Direção:
Francis Lawrence
Roteiro:
Michael Arndt, Simon Beaufoy - Baseado em best seller homônimo de Suzanne Collins
Elenco:
Alan Ritchson, Amanda Plummer, Bobby Jordan, Bruce Bundy, Bruno Gunn, Daniel Bernhardt, Donald Sutherland, E. Roger Mitchell, Elena Sanchez, Elizabeth Banks, Jeffrey Wright, Jena Malone, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Kimberley Drummond, Lenny Kravitz, Liam Hemsworth, Lynn Cohen, Maria Howell, Megan Hayes, Meta Golding, Nelson Ascencio, Patrick St. Esprit, Paula Malcomson, Philip Seymour Hoffman, Sam Claflin, Stanley Tucci, Stephanie Leigh Schlund, Toby Jones, Wilbur Fitzgerald, Willow Shields, Woody Harrelson
Produção:
Jon Kilik, Nina Jacobson
Fotografia:
Jo Willems
Montador:
Alan Edward Bell
Trilha Sonora:
James Newton Howard
Duração:
146 min.
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
15/11/2013
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Color Force / Lionsgate
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: