Série brasileira da Netflix se passa no Rio de janeiro de 1960
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A segunda temporada de Coisa Mais Linda, série brasileira original da Netflix, ganhou o seu primeiro trailer nesta terça (09).
Confira:
Na primeira temporada, vimos a socialite paulistana Maria Luiza (Maria Casadevall) chegando à Cidade Maravilhosa para encontrar o marido com quem pretende abrir um restaurante, mas logo descobre que ele fugiu com seu dinheiro.
Ao lado da protagonista, estão Adélia, Lígia e Thereza (Pathy DeJesus, Mel Lisboa e Fernanda Vasconcellos), cada uma com seu arco dramático de luta contra as barreiras sociais impostas pela sociedade, ainda piores no início dos anos 60.
A atração foi criada por Giuliano Cedroni e Heather Roth e a segunda temporada estreia na Netflix em 19 de junho.
Uma dona de casa paulistana chega ao Rio dos anos 50 para encontrar o marido e descobre que foi abandonada.
Em vez de sofrer, ela decide ficar na cidade e abrir um clube de bossa nova.
CRÍTICA:
Produções de época são comuns no entretenimento, pela curiosidade do público em saber como viviam as pessoas em tempos passados.
Enquanto nos EUA vários períodos são retratados em séries e filmes, no Brasil essa prática é mais comum com as novelas, que muitas vezes exibem belos cenários e figurinos.
É dentro deste contexto que a Netflix lançou Coisa Mais Linda, série original brasileira situada entre o final da década de 50 e o começo dos anos 60.
É uma época mágica, quando o samba e a bossa nova começam a tomar forma, mas também é uma época de luta para alguns grupos da sociedade, principalmente as mulheres.
É impossível falar sobre a série e não ressaltar o quanto cada protagonista é diferente - e justamente por isso traz uma discussão nova.
Malu (Maria Casadevall) é filha de uma família rica de São Paulo, que se casa, tem um filho e imagina ter uma vida perfeita para os padrões que a aquela sociedade exigia dela.
Mas um dia Maria Luísa vai para o Rio de Janeiro e descobre que seu marido fugiu com outra e a deixou cheia de dívidas.
Ela tem duas escolhas: ou voltar para a casa dos pais e procurar outro casamento, ou seguir sua vida independente.
Malu (Maria Casadevall), em cena da série - Fotos dessa postagem: Divulgação/Netflix
Lígia (Fernanda Vasconcellos) tem uma realidade parecida: jovem, bonita e casada, seu próximo passo na vida social do Rio de Janeiro é ser mãe.
Só que o sonho de Lígia sempre foi cantar, mas seu marido não aceita ter uma esposa que trabalhe na noite.
Lígia (Fernanda Vasconcellos) em cena
A terceira mulher desse grupo é Adélia (Pathy DeJesus), uma mulher negra que vive no morro e trabalha duro para sustentar a filha.
Ela conhece e ajuda Malu e as duas se tornam grandes amigas.
Adélia (Pathy DeJesus) em cena
Fechando o quarteto há Theresa (Mel Lisboa), que acabou de voltar de Paris e tem o que seria o relacionamento mais desconstruído naquele tempo: ela tem um trabalho importante em uma editora, tem um relacionamento sincero com o marido e não é maltratada por ele (como acontece com outras).
Theresa (Mel Lisboa) em cena
Talvez seja demais descrever cada uma das personagens, mas há uma riqueza importante aqui.
Malu, Adélia, Theresa e Lígia são de origens diferentes e possuem dores diferentes.
Mas todas elas sofrem com os preconceitos do dia a dia e por isso se unem.
Cada uma delas apoia a outra e serve de suporte, mesmo antes de uma grande amizade ser estabelecida.
Quando as quatro estão juntas e conversam, cada uma traz um pouco de sua vivência e, mesmo que aquela não seja a dor da outra, há uma sororidade bonita entre elas, sem julgamentos.
Em uma realidade que muitas personagens femininas diferentes são colocadas na tela como rivais, é gratificante ver como essas quatro forças entenderam a importância de trabalharem juntas.
A música é parte importante do seriado através de Lígia, Capitão (Ícaro Silva) e Chico (Leandro Lima).
Leandro Lima é Chico
Enquanto Malu tem a ideia de abrir um clube de bossa nova para tocar a vida sem precisar ser sustentada por ninguém, são esses três personagens acima que cantam, tocam e emocionam.
Na verdade, havia até mais espaço para a música no seriado, mas os momentos dedicados a isso funcionam muito bem dentro da trama e enriquecem a história.
A parte técnica/visual é praticamente impecável: figurinos, design de produção e cenários são caprichados e a fotografia é realmente um capítulo à parte.
Há muita cor, principalmente nas cenas ao ar livre e na praia, que ressalta o calor do Rio de Janeiro e traz reconhecimento para quem já visitou a cidade e sabe como ela é quente.
O contraponto disso é a meia-luz das boates de música, que deixam o fundo e a plateia com menos luz para acentuar a bela música que é cantada no palco.
Por tudo isso, Coisa Mais Linda já é uma série que se torna relevante para assistir.
Infelizmente há alguns pontos negativos e eles aparecem principalmente entre o meio e o final.
Se a série começa bem, apresenta suas personagens, estabelece as tramas e propõe desenvolvimentos interessantes, como o mercado de trabalho machista em que Theresa está inserida, esse ritmo cai bastante entre o quinto e o sexto, já que a narrativa é apressada para que as personagens concluam logo o seu arco e cheguem ao gancho final - que, aliás, é muito bom.
Ao fazer isso, a série tira o peso de algumas situações e problemas.
Em certo momento, por exemplo, uma personagem tem problemas com a maternidade - ms o impasse é resolvido e superado dentro de um episódio.
Há emoção na atriz que interpreta tudo isso, mas o curto espaço de tempo torna difícil uma relação mais profunda.
Além disso, a série ainda sofre com alguns vícios novelescos, como o excesso de falas explicativas: várias cenas são construídas para passarem uma mensagem sozinhas, sem a necessidade de diálogo, mas mesmo assim o personagem que está em cena narra o óbvio, tirando o brilho e a imersão do público, que começa a construir o significado do que está vendo na tela, mas rapidamente ganha a resposta pronta.
Outro problema é a marcação de núcleos com a trilha sonora: se a cena está no Rio, toca bossa nova; se há um corte para o morro, começa a tocar um samba - ou seja: utilizar isso para pontuar núcleos é desnecessário.
Felizmente, os problemas citados não atrapalham o objetivo principal da série, que é retratar a juventude e a realidade social de uma época.
As mulheres estão na linha de frente e cada uma aborda um tema.
Quando descobre que o marido a abandonou por outra, Malu precisa aprender a cuidar do próprio dinheiro e resolver sua vida sozinha, já que até então essas tarefas eram consideradas masculinas.
Lígia tem um marido que não concorda com sua carreira de cantora e é interessante perceber como, no começo, a personagem mente para si mesma, dizendo que também concorda com aquilo e não seria boa nisso no fim das contas.
No fundo do coração, ela não pensa dessa forma, mas prefere mentir para se adequar e evitar brigas, comportamento muito comum entre as mulheres com relacionamentos complicados.
Theresa, que tem a relação mais desconstruída de todas, traz para o seriado a questão do mercado de trabalho.
Ela escreve para uma revista feminina da época, mas é a única mulher da redação: a publicação é totalmente escrita por homens que assinam os textos com nomes de mulheres.
Não é segredo o quanto revistas de comportamento influenciam jovens e adultas e o resultado de um material escrito totalmente por homens é que são eles que ditam o que é tendência e quais são os comportamentos “adequados” daquela sociedade.
Além disso, há o próprio dia a dia da redação, em que Theresa ouve os pequenos preconceitos que estão normalizados ali: já temos uma mulher, não precisa de outra; mulheres são muito emotivas; essa é muito jovem, vai engravidar logo.
E há Adélia, a mulher negra que traz uma luta totalmente diferente de todas essas citadas acima, porque além de lidar com tudo isso, ela também enfrenta o racismo.
A série é certeira ao mostrar que não são grandes vilões e monstros que discriminam Adélia pela cor de sua pele.
Ela ouve isso de pessoas cruéis, mas também ouve das próprias amigas e pessoas próximas, revelando que o preconceito pode estar em qualquer pessoa e precisa ser trabalhado.
Há ainda outro ponto interessante: assim como as outras mulheres, Adélia conquista seu espaço com o desenvolvimento dos episódios, mas o racismo não muda: ele está do primeiro ao último episódio, evidenciando o quanto o peso que ela carrega é muito maior do que das outras.
Por fim, a série mostra o quanto o machismo daquele tempo também prejudica os homens.
Claro, a carga deles é menor, mas eles também sofrem, por exemplo, quando uma mãe chama os filhos de “fracos” porque eles demonstram sentimentos.
Se as mulheres da época precisavam ser delicadas e donas de casa, os homens tinham o papel de ser fortes e provedores - e qualquer coisa que saísse desse padrão era considerado errada.
Como dito anteriormente, a série termina com um gancho interessante para a segunda temporada- já confirmada pela Netflix, com todos esses temas, há muito potencial para o desenvolvimento de discussões e personagens interessantes. É preciso corrigir a questão do ritmo e dos diálogos expositivos, tão comuns na TV aberta, mas se tiver coragem para fazer isso, Coisa Mais Linda é uma aposta promissora (e encantadora) para o futuro. CONFIRA O ANÚNCIO DA SEGUNDA TEMPORADA:
CONFIRA ENTREVISTA COM O ELENCO:
TRAILER:
FICHA TÉCNICA:
Coisa Mais Linda Status:
Em andamento (2019- )
Estrelando:
Maria Casadevall, Pathy Dejesus, Fernanda Vasconcellos, Mel Lisboa
Dante (Cauã Reymond) é o coordenador de produção da PLT-137, uma plataforma petrolífera recordista de acidentes.
Ele sonha em se tornar gerente do local, mas fica revoltado quando percebe que precisa competir com a recém-chegada Júlia (Maria Casadevall) pelo cargo.
No entanto, é no meio dessa disputa que acaba surgindo uma paixão entre os dois, capaz de mudar o rumo de suas vidas.
CRÍTICA:
Aos poucos, o serviço de streaming Globoplay abandona a ideia de ser apenas um arquivo das produções Globo, ofertando conteúdo exclusivo para os seus assinantes, como a série americana 'The Good Doctor' e também em produções nacionais, como o drama 'Assédio'.
Agora, chegou a vez de da série de drama e ação 'Ilha de Ferro', uma superprodução que usa a complicada rotina dos petroleiros para contar a história de Dante (Cauã Reymond), que fica indignado ao ver a novata Júlia (Maria Casadevall) assumir o cargo de gerente no trabalho. Júlia é neta de João Bravo (Osmar Prado), líder sindical e um dos expoentes da campanha 'O petróleo é nosso', que levou à criação da Petrobras em 1950 - e tem muito orgulho disso.
Cauã Reymond é o protagonista Dante - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Globoplay
Sua vida pessoal também não está fácil, já que ele descobre que sua mulher, Leona (Sophie Charlotte) e seu irmão, o piloto de helicópteros Bruno (Klebber Toledo) são amantes. Leona aparece sempre chapadíssima e agora, vai ser obrigada a cuidar do cunhado/amante, em estado vegetativo após um acidente. Tirante a trama do quarteto protagonista, é a qualidade técnica da série que impressiona.
A direção de Afonso Poyart (2 Coelhos, Mais Forte que o Mundo) apresenta um visual impecável, como no movimento da câmera para acompanhar as dificuldades diárias dos petroleiros, contribuindo para transmitir o desespero de tal situação.
Mas o auge fica mesmo na fotografia, no uso de cores e luzes vibrantes em sequências surreais, que servem para complementar os sentimentos de determinados personagens.
Essa fuga da realidade é bem-vinda, não atrapalha o ritmo da história e ainda traz algo singular ao focar no aspecto psicológico.
Leona (Sophie Charlotte) e Bruno (Klebber Toledo), em cena da série
Observando o elenco apenas nesse capítulo inicial, Cauã Reymond enche a tela, numa presença que promete ser marcante o suficiente para carregar toda a narrativa, já que a história de Adriana Lunardi e Max Mallmann não tem medo de trazer grandes reviravoltas e cenas dramáticas para seu Dante no piloto — principalmente o emocional conflito envolvendo o irmão e a mulher.
Quanto a Sophie Charlotte, evidentemente que ela já rouba a cena, provando sua entrega física à Leona, ao mesmo tempo que deixa o espectador intrigado por tentar compreender tal conturbada personalidade.
Por fim, uma rivalidade entre o protagonista e Astério (Milhem Cortaz) também indica uma possível subtrama interessante.
Elenco reunido
Por fim, o motivo da expressão "superprodução": já em seu piloto, 'Ilha de Ferro' traz complicadas sequências com helicópteros; cenas envolvendo efeitos visuais, fogo e oceano; além da necessidade de construir toda uma cidade cenográfica para dar vida à PLT-137.
Para os próximos episódios, ainda surgem promessas de investir em outros gêneros, como o suspense e ação, muita ação, já que um grupo terrorista toma a plataforma e, enquanto a marinha não chega, os petroleiros terão de se virar para se manterem vivos e contra atacarem os bandidos.
A Globo segue apostando no projeto, que já foi renovado até a terceira temporada, mesmo antes da estreia oficial.
Só o tempo dirá se a série conseguirá manter o bom resultado apresentado em seu piloto.
Mas a ousadia de estilo já conta como um belo ponto a seu favor.
TRAILER INTERNACIONAL:
FICHA TÉCNICA:
ILHA DE FERRO
Formato:
Série
Gênero:
Drama, Ação, Aventura
Elenco:
Cauã Reymond, Maria Casadevall, Sophie Charlotte, Klebber Toledo, Cássia Kis, Osmar Prado, Jonathan Azevedo, Taumaturgo Ferreira, Milhem Cortaz, Herbert Richers Jr, Moacyr Franco, João Bravo, Bruce Gomlevsky