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sábado, 21 de julho de 2012

'BEM AMADAS': CATHERINE DENEUVE E SUA FILHA, CHIARA MASTROIANNI, CANTAM E ENCANTAM


Tendo como trilha sonora uma versão francesa de "These boots are made for walkin'" - famosa na voz de Nancy Sinatra - mulheres experimentam sapatos na Paris dos anos 60.

É assim, com essa bonita cena, que começa "Bem Amadas", novo musical do diretor francês Christophe Honoré, que finalmente chega às salas paulistanas - estreou no Rio no último dia 13.

A trama passeia pela década de 60 e os dias atuais.

Nos 60, vemos Madeleine - interpretada por Ludivine Sagnier -, primeiro como vendedora da loja de sapatos da cena inicial, depois se tornando prostituta, até ser resgatada por um médico tcheco, Jaromil - Radivoje Bukvic - e com quem tem uma filha.

Ela se muda para Praga, mas não fica muito por lá - o que pesa não é nem a infidelidade do marido, mas a turbulência política do então Tchecoslováquia no final dos anos 60.

Imagens: Divulgação - Imovision
Chiara Mastroianni é Vera, e Catherine Deneuve é Madeleine, em cena de "Bem Amadas"
O passado e o presente se entrelaçam na trajetória de Madeleine - que nos dias atuais é a Diva Catherine Deneuve -  e sua filha, Vera - interpretada por Chiara Mastroianni, filha da Diva com Marcello Mastroianni.

Vera sofre com os deslizes da mãe ao longo da vida e ela mesma parece sempre se apaixonar pelo homem errado - o mais recente é Henderson - Paul Schneider -, músico e gay norte-americano radicado na Europa.

Só que Vera também tem um rolo com um colega de trabalho, o professor Clément - Louis Garrel - e, enquanto sofre por amor, canta - porque está apaixonada, porque não é correspondida, porque quer conquistar seu amado gay...

Chiara Mastroianni e Louis Garrel, em cena de "Bem Amadas"
Jaromil, pai de Vera, volta para França - agora interpretado pelo cineasta tcheco Milos Forman -, volta a ser amante de Madeleine, que não abre não do seu atual marido, François - Michel Delpech - mas não resiste ao seu antigo amor.

O que Honoré propõe, enfim, é um círculo vicioso a que estes personagens se submetem.

Amar é sofrer, e amar num filme de Honoré é sofrer e ser punido por isso, já que nenhum personagem sai incólume, nem o infiel, nem o apaixonado, nem o marido devotado.

Caprichando na direção de arte, figurino e cores, Honoré cria um passado remoto, ao mesmo tempo palpável, mas também um pesadelo.

As músicas acontecem não como números e a ação não se interrompe para que os personagens cantem e figurantes dancem com eles.

As canções de Alex Beaupain tentam traduzir em versos e acordes os sentimentos, com algumas músicas interessantes.

Milos Forman, Catherine e Chiara, em cena de "Bem Amadas"
E só de ver a telona se encher de luz, com Catherine e Chiara, cantando e interpretando, já vale o ingresso desse musical, que encerrou o Festival de Cannes 2012.

Confira o trailer do filme:
*****
'BEM AMADAS'
Título Original:
(Les Bien-Aimés
Diretor:
Christophe Honoré
Elenco:
Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Ludivine Sagnier, Louis Garrel, Milos Forman, Paul Schneider, Radivoje Bukvic, Michel Delpech, Omar Ben Sellem, Dustin Segura-Suarez
Produção:
Pascal Caucheteux
Roteiro:
Christophe Honoré
Fotografia:
Rémy Chevrin
Trilha Sonora:
Alex Beaupain
Duração:
139 min.
Ano:
2011
País:
França/Reino Unido/República Checa
Gênero:
Drama Musical
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imovision
Estúdio:
Why Not Productions / France 2 Cinéma / Sixteen Films / Canal+ / France Télévision / Orange Cinéma Séries / Région Ile-de-France / Negativ / Le Fonds d'Action de la Sacem
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau:

sábado, 21 de maio de 2011

CANNES 2011: FESTIVAL CHEGA AO ÚLTIMO DIA COM CATHERINE DENEUVE E FILME SOBRE GREVE DE SEXO

Confira os destaques do Festival de Cannes deste sábado (21):

PARA CATHERINE DENEUVE, ESTRELA DO FILME DE CHRISTOPHE HONORÉ EXIBIDO HOJE, A MÍDIA "FEZ USO CHOCANTE DAS DECLARAÇÕES DE VON TRIER"
***
FILME SOBRE GREVE DE SEXO ENCERRA EXIBIÇÕES
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COMPETIÇÃO OFICIAL É ENCERRADA
***
E agora, leia as matérias:

PARA CATHERINE DENEUVE, ESTRELA DO FILME DE CHRISTOPHE HONORÉ EXIBIDO HOJE, A MÍDIA "FEZ USO CHOCANTE DAS DECLARAÇÕES DE VON TRIER"

A polêmica em torno das declarações nazistas de Lars Von Trier continuaram neste sábado, último dia da competição no Festival.

Catherine Deneuve, estrela do filme de encerramento do festival, “Les Bien Aimés”, se irritou quando uma repórter lhe perguntou o que achou das declarações do cineasta.

“As declarações de Lars foram chocantes, mas é ainda mais chocante a maneira como vocês da imprensa fizeram uso dela. Sei como essas coisas funcionam: de tudo o que estou falando aqui, duas ou três frases fora de contexto podem ser usadas, e a coisa se espalha ainda mais rápido com a internet”, declarou.

Getty ImagesCatherine Deneuve prestigia a sessão do filme "Les Bien-Aimes", do qual é protagonista

A Diva e Von Trier trabalharam juntos no filme “Dançando no Escuro” (2000), Palma de Ouro em Cannes.

O ator Louis Garrel, que também atua no filme, aproveitou para criticar a postura dos franceses quanto às questões da Segunda Guerra.

“A questão do colaboracionismo (os franceses que colaboraram com os nazistas durante a Segunda Guerra) é uma neurose e um trauma na França. As pessoas não falam abertamente sobre isso. Por que hoje a Alemanha lida melhor com a xenofobia? Porque eles trabalharam essa questão. Enquanto a França ainda recebe críticas pelo tratamento dado aos ciganos, por exemplo”, disse.

Polêmicas à parte, Deneuve e Garrel estão muito à vontade em “Les Bien Aimés”, um filme muito parecido com “Canções de Amor”, que o mesmo diretor, Christophe Honoré, dirigiu em 2007.

O novo filme começa nos anos 60, quando a jovem Madeleine se apaixona por um tcheco e se muda para Praga.

Já nos anos 90, Madeleine - agora interpretada por Deneuve - voltou à França, casou-se com outro homem, mas não resiste a algumas escapadas com o ex-marido.

A filha Vera - interpretada por Chiara Mastroianni, filha de Deneuve com Marcello Mastroianni - vive então os seus próprios conflitos de amor, quando se apaixona por um rapaz gay.

O elenco ainda reúne a francesa Ludivigne Seigner, o americano Paul Schneider e o tcheco Milos Forman - diretor de “Um Estranho no Ninho” (1975), ganhador dos Oscars de filme, ator - Jack Nicholson -, atriz - Louise Fletcher -, diretor e roteiro.

Como em “Canções de Amor”, todos os personagens cantam seus sofrimentos em cena, mas com uma diferença: o primeiro filme foi escrito a partir de músicas que já tinham sido compostas por Alex Beaupain - em “Les Bien Aimés”, Beaupain pegou o roteiro e a partir daí escreveu as músicas.

Getty ImagesO diretor Christophe Honoré - de camisa azul -, a Diva Deneuve e o ator Louis Garrel - à sua esquerda, e o elenco de “Les Bien Aimés”, hoje em Cannes

A Diva francesa adorou voltar a cantar – lembro aqui que um de seus papéis mais famosos e mais lembrados é no musical “Os Guarda-Chuvas do Amor” (1964), de Jacques Demy.
“Cantar é muito liberador, é um meio de expressão para além do natural. Produz um efeito físico imediato, é muito agradável”, comentou.

Musa de “A Bela da Tarde” (1967), a atriz entende as escapadas da personagem.
“Há casais infiéis que são fiéis a eles mesmos. A fidelidade é interessante, mas também muito difícil.”

E comentou uma frase de seu personagem:
“Acredito na vida, e não na felicidade. A frase é justa. A felicidade não é um estado constante; temos apenas momentos de felicidade. Mas a vida é a vida”, filosofou.

Confira o trailer de "Les Bien Aimés":


Ao filmar “Les Bien Aimés”, o diretor Christophe Honoré quis confrontar o amor com a passagem do tempo.
“Comecei a comparar a minha vida com aquilo que eu imagino que foi a vida amorosa dos meus pais nos anos 60. Temos a ideia de que aquela foi a época de ouro das histórias de amor.”

E defendeu o direito de fazer musicais nostálgicos no século 21.
“Nunca acreditei que o cinema foi feito para filmar a vida. Mas ao mesmo tempo, quero que ele seja muito vivo.”


FILME SOBRE GREVE DE SEXO ENCERRA EXIBIÇÕES

O júri do 64º Festival de Cannes começou a deliberar neste sábado, após a exibição do último dos 20 filmes que disputam a Palma de Ouro, e que conta a história de uma aldeia muçulmana no Marrocos onde as mulheres declaram greve de sexo para conseguir água.

"La source des femmes", do cineasta francês de origem romena Radu Mihaileanu, abriu o último dia da competição recebendo aplausos da imprensa, mas também críticas de alguns especialistas, que acharam a história "muito piegas".

Mihaileanu decidiu abordar no filme a questão do machismo, do islamismo radical e das dificuldades da mulher para ter acesso à educação, sendo submetidas ao poder dos homens - após ler uma reportagem no jornal francês Libération.
"Pareceu-me uma história incrível sobre a falta d'água e sobre o que as mulheres estavam dispostas a fazer para consegui-la", disse o cineasta em uma coletiva de imprensa ao final da exibição do filme.

Getty ImagesO diretor Radu Mihaileanu, hoje em Cannes

"Quis contar essa história do nosso tempo, marcada pela mudança climática, as secas, a desertificação. É uma história específica de sucesso numa aldeia do norte da África",
acrescentou.
"Mas é ao mesmo tempo uma história universal sobre o precário acesso à educação, o que pode acontecer em qualquer país do terceiro mundo", lamentou.

Confira o trailer de "La source des femmes":


Apesar de não falar o árabe, o cineasta se esforçou para que o filme fosse produzido nesta língua.

"Estava claro que o filme deveria ser contado em árabe para ser autêntico. Passei muito tempo na aldeia de Warielt, numa região montanhosa a uma hora de viagem de Marrakesch. Eu queria mostrar a vida na aldeia, o cotidiano dessas mulheres cheias de luz", explicou.

Questionado acerca das revoluções que recentemente agitaram esta região do mundo, Mihaileanu salientou que vê as mulheres como "geradoras da mudança, da abertura democrática e das conquistas na educação".
"Acredito que muitas mulheres participaram da revolução nas ruas da Tunísia. Elas estão se movendo em busca da direção certa", considerou o cineasta, que em seu filme apresenta uma versão do Islamismo sem radicalismos. "Há um Islã cheio de luz",
ressaltou.


COMPETIÇÃO OFICIAL É ENCERRADA

A competição oficial do Festival de Cannes encerrou com a exibição de "La source des femmes".

Os membros do júri oficial, presidido pelo ator Robert de Niro, serão levados para uma mansão e lá ficarão até decidir sobre a Palma de Ouro, o Grande Prêmio, o Prêmio do Júri, as melhores interpretações masculina e feminina, o melhor roteiro e melhor diretor.

Getty Images
O presidente do júri de Cannes 2011, Robert de Niro, na abertura do Festival

Será também decidido quem levará a Câmera de Ouro, prêmio dado ao melhor curta-metragem, sem falarmos em outros eventuais prêmios excepcionais, que poderão ser concedidos por de Niro.

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Com Reuters, AP e Getty Images
redação Final: Cláudio Nóvoa