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domingo, 22 de maio de 2016

FESTIVAL DE CANNES: BRITÂNICO 'I, DANIEL BLAKE' LEVA A PALMA DE OURO - BRASILEIRO 'AQUARIUS' SAI SEM PRÊMIOS

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'A Moça Que Dançou com o Diabo', de João Paulo Maria Miranda, foi aclamado pela quebra de padrões de representação social
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Aclamado pela crítica internacional quando estreou no Festival de Cannes, o brasileiro "Aquarius" saiu sem nenhum prêmio da cerimônia de premiação neste domingo (22).

A derrota brasileira já podia ser sentida antes de a cerimônia começar, já que nem a protagonista Sonia Braga, nem o diretor Kleber Mendonça, foram vistos no tapete vermelho para a cerimônia.

A Palma de Ouro foi para o drama social britânico "I, Daniel Blake", de Ken Loach, sobre um operário doente que não consegue receber seu seguro-desemprego devido à imensa burocracia do sistema social no Reino Unido.

Confira o trailer de "I, Daniel Blake":


Loach aproveitou para criticar veementemente o crescimento dos governos de direita pelo mundo.

"A política neoliberal trouxe a miséria, da Grécia a Portugal, com um pequeno número de pessoas que enriquecem com isso", afirmou.

"Defendo um cinema de protesto, que coloca os fracos contra os poderosos. Um outro mundo não é só possível, mas necessário".

Ken Loach recebe a Palma de Ouro de Mel Gibson e do presidente do júri, George Miller - Reuters

É a segunda vez que o diretor britânico vence a Palma de Ouro – a primeira foi com "Ventos da Liberdade", há dez anos.

A filipina Jaclyn Jose, do drama "Ma'Rosa", tirou as chances de Sonia Braga e levou a Palma de melhor atriz.

Ela vive a mãe do título, uma mulher que vende drogas para sustentar os filhos e acaba indo presa.

Jaclyn Jose (à esquerda, segurando o diploma) se emociona com a filha, Andi Eigenmann, e o diretor Brillante Mendoza pela Palma de melhor atriz - Reuters

Como grande surpresa, o Grande Prêmio do Júri (segundo melhor filme da competição) foi para o canadense Xavier Dolan, 27, com o drama "Juste la Fin du Monde" (Apenas o Fim do Mundo), sobre um rapaz que volta para casa depois de muitos anos longe para anunciar à família que vai morrer em breve.

Menino-prodígio criado por Cannes, com cinco de seus seis filmes exibidos no festival, ele já havia sido premiado com um Prêmio do Júri por "Mommy" (2014).

"Prefiro a loucura dos pacientes à sabedoria dos indiferentes", disse Dolan, ao receber o prêmio.

Xavier Dolan recebe o Grande Prêmio do Júri (segundo melhor filme da competição) - Montreal Gazette

O prêmio mais polêmico foi o de direção - para o francês Olivier Assayas pelo suspense "Personal Shopper", com Kristen Stewart, muito vaiado em sua primeira sessão.

A vaia se repetiu na sala de imprensa quando o prêmio foi anunciado.

Olivier Assayas posa com Kristen Stewart, protagonista do seu longa 'personal Shopper', em Cannes - AFP

O prêmio de direção foi dividido com o romeno Cristian Mungiu, por "Graduation" – o diretor já ganhou a Palma de Ouro por "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias".

O cineasta alertou para o pouco espaço dado ao cinema de autor no mundo hoje.

"American Honey", com Shia Laboeuf, sobre jovens americanos que vendem revistas viajando os EUA numa van enquanto levam uma vida selvagem de sexo e drogas, levou o Prêmio do Júri.

Confira o trailer e comentários de "American Honey":


O iraniano "The Salesman", de Asghar Farhadi – o mesmo de "A Separação", vencedor do Oscar –, que foi incluído por último na Competição, levou dois prêmios: melhor roteiro e ator para o iraniano Shahab Hosseini pelo professor que precisa lidar com uma provável tentativa de estupro da mulher.

O Brasil, que tinha muita expectativa de levar algum prêmio com o longa "Aquarius" na disputa pela Palma de Ouro, levou um prêmio menor, uma menção especial do júri (um segundo lugar) para o curta "A moça que dançou com o diabo", de João Paulo Miranda Maria.

Ao narrar o périplo de uma jovem criada em seio religioso para buscar seu próprio Paraíso, o diretor de 'Command Action' (2015) quebra padrões de representação social, construindo uma reflexão irônica.

A Palma de Ouro na categoria foi para um curta espanhol, "Time Code".

Antes do início da cerimônia, o júri deu a entender que a decisão dos prêmios foi difícil e cheia de discordâncias.

"Foi muito difícil. Mas aqui estamos", disse o ator dinamarquês Mads Mikkelsen, astro da série "Hannibal".

"Não foi muito fácil", declarou o húngaro Laszlo Nemes, diretor de "O Filho de Saul".

A cerimônia de premiação tentou imitar o Oscar e apresentou números musicais, tudo muito chato, tão chato quanto o prêmio americano.

Na apresentação, um grupo de músicos no palco tocavam músicas da trilha sonora de filmes vencedores da Palma de Ouro, como "Pulp Fiction" e "Dançando no Escuro".

Ken Loach recebe a Palma de Ouro em Cannes neste domingo - Reuters

CONFIRA OS VENCEDORES DO FESTIVAL DE CANNES 2016:

Palma de Ouro
"I, Daniel Blake", de Ken Loach (Reino Unido)

Grande Prêmio do Júri
"Juste la Fin du Monde" (Apenas o Fim do Mundo), de Xavier Dolan (Canadá/França)

Melhor diretor
Olivier Assayas, por "Personal Shopper" (França), e Cristian Mungiu, por "Graduation" (Romênia) (empate)

Melhor atriz
Jaclyn Jose, por "Ma' Rosa", de Brillante Mendoza (Filipinas)

Melhor ator
Shahab Hosseini, por "The Salesman", de Ashgar Farhadi (Irã)

Melhor roteiro
Asghar Farhadi, por "The Salesman" (Irã)

Prêmio do Júri
"American Honey", de Andrea Arnold (Reino Unido/EUA)

Prêmio Caméra d'Or (melhor primeiro filme)
"Divines", de Houda Benyamina (Afeganistão)

Melhor curta-metragem
"Time Code", de Juanjo Gimenez (Espanha)

Menção especial – curta-metragem
"A Moça que Dançou com o Diabo", de João Paulo Miranda Maria (Brasil)

Palma de Ouro Honorária
Jean-Pierre Léaud, ator dos filmes de François Truffaut como "Os Incompreendidos"
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quinta-feira, 12 de maio de 2016

FESTIVAL DE CANNES 2016: EVENTO COMEÇA COM SEGURANÇA REFORÇADA E BRASILEIRO NA DISPUTA

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Café Society', drama de Woody Allen, abriu a mostra
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A 69º edição do Festival de Cannes começou nesta quarta (11).

A cerimônia de abertura no Palais des Festivals, sede do evento, contou com a exibição de 'Café Society', novo drama de Woody Allen estrelado por Kristen Stewart e Jesse Eisenberg.

Com cartaz homenageando o cineasta francês Jean-Luc Godard - com uma imagem de "O Desprezo" (1963) estampada, acima - o evento desse ano terá segurança reforçada para evitar ameaças terroristas, como a que esvaziou a sede oficial na última terça(10), e não atrapalhar a tradicional festa, que terá destaques do cinema do mundo todo.

O trailer de 'Café Society':


O evento também marca o retorno do Brasil à disputa da Palma de Ouro, com 'Aquarius', filme do diretor Kleber Mendonça Filho.

Concorrendo ao seu lado estão 'Julieta', de Pedro Almodóvar, 'Personal Shopper', de Olivier Assayas e 'Juste la fin de Monde' de Xavier Dolan.

Confira cena de 'Aquarius', com Sônia Braga e Irandhir Santos:


O drama de Almodóvar - responsável por clássicos como 'Mulheres À Beira De Um Ataque De Nervos', 'Tudo Sobre Minha Mãe' e 'Volver', narra a vida de uma mulher que fica à beira da loucura após perceber que sua vida agitada e festeira mudou completamente a medida em que ela envelheceu.

Esses 30 anos de história são retratados com muita sensibilidade pelo cineasta, que tenta vencer a Palma de Ouro pela quinta vez.

O trailer de 'Julieta':


'Personal Shopper' traz Kristen Stewart no papel de uma jovem americana que mora em Paris e trabalha como "personal shopper", uma espécie de compradora profissional, para uma famosa artista.

Mas a garota manifesta dons sobrenaturais que a permitem conversar com o mundo dos mortos.

Um teaser de 'Personal Shopper':


O canadense Xavier Dolan apresenta no evento o drama 'Juste la fin de Monde', em que retrata o reencontro do escritor Louis (Gaspard Ulliel) com seu passado após passar doze anos longe de casa.

O trailer de 'Juste la fin de Monde':


O festival ainda conta com reincidentes, como é o caso dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, que já venceram a Palma de Ouro por duas vezes e agora retornam à competição com 'La fille inconnue', drama sobre uma médica que nega atendimento a uma garota, que é encontrada morta logo depois.

Acometida pela culpa, ela tenta a todo custo descobrir a identidade da garota e localizar sua família.

Cena de 'La fille inconnue', de  Luc e Jean-Pierre Dardenne - Divulgação
Se tem algum nome que seja sinônimo de esperança, esse é o do americano Jim Jarmusch, que já está em sua décima tentativa com 'Paterson', que traz Adam Driver - o Kylo Ren de 'Star Wars: O Despertar Da Força' - como um motorista de ônibus que gosta de escrever poesias.

Um teaser de 'Paterson':


O grande vencedor da Palma de Ouro, prêmio máximo em Cannes, será escolhido após o veredito do júri, presidido neste ano por George Miller - diretor de 'Mad Max: Estrada Da Fúria' - e composto por mais quatro homens e quatro mulheres.

A competição também contará com "I, Daniel Blake", de Ken Loach, "Toni Erdmann", de Maren Ade, "Ma'Rosa", de Brillante Mendoza, e "The Fast Face", do americano Sean Penn.

A edição desse ano também contará com uma homenagem à Lenda americana Robert De Niro, por sua brilhante trajetória no cinema, que inclui sete indicações ao Oscar e duas estatuetas - por 'Touro Indomável' e 'O Poderoso Chefão II'.

Seu último longa, o drama 'Hands of Stone', onde De Niro interpreta um treinador de boxe e acompanha a trajetória do lutador panamenho Robert Duran (Edgar Ramirez), entre as décadas de 70 e 80,  foi confirmada fora da categoria competitiva,

Quem já viu, diz que a atuação de De Niro pode garantir mais uma indicação ao Oscar para seu já consagrado currículo.

O trailer de 'Hands of Stone':


Fora da categoria competitiva, também se destacam 'Jogo do Dinheiro', de Jodie Foster, 'O Bom Gigante Amigo', de Steven Spielberg, 'La forêt de Quinconces', de Grègoire Leprince-Ringuet e 'Gimme Danger', documentário sobre os Stooges.

Quem já viu 'O Bom Gigante Amigo', garante: Spielberg fez para a Disney seu melhor filme infanto-juvenil desde que fez 'E.T' para a Universal Pictures.

O trailer de 'O Bom Gigante Amigo':


O Festival de Cannes acontece até dia 22 na bela cidade balneária francesa e pela primeira vez, terá o vencedor da Palma de Ouro como filme de encerramento.

sábado, 24 de maio de 2014

FESTIVAL DE CANNES: APÓS 32 ANOS, FILME TURCO LEVA A PALMA DE OURO E JULIANNE MOORE, A PALMA DE MELHOR ATRIZ


O filme turco 'Winter Sleep', do premiado Nuri Bilge Ceylan ('Era uma Vez na Anatólia'),  acabou de levar a Palma de Ouro do festival de Cannes 2014 - a  cerimônia terminou agora pouco.

"Dedico este prêmio a todos os jovens que perderam a vida ao longo do último ano", agradeceu o diretor, referindo-se aos que morreram nos protestos contra o governo em Istambul.

Confira matéria da AFP:


É a segunda vez que a Turquia leva o prêmio máximo do festival: a primeira foi para 'O Caminho', de Yilmaz Guney e Serif Goren, em 1982, há 32 anos.

O prêmio foi apresentado por Uma Thurman e Quentin Tarantino, comemorando os 20 anos da Palma de Ouro dada a 'Pulp Fiction' - John Travolta também estava lá.

John Travolta, Uma Thurmam e Quentin Tarantino, agora pouco, em Cannes - The Independent

Com três horas e quinze minutos de duração, 'Winter Sleep' conta a história de Aydin, dono de um pequeno hotel na Anatólia.

Ele escreve artigos sobre a moral, a religião e a busca da felicidade para um jornal local, mas sua jovem esposa Nihal e sua irmã Necla vão lhe mostrando pouco a pouco como ele é um sujeito egocêntrico e manipulador.

O filme tem longos diálogos de mais de 20 minutos e é um belo conto sobre a complexidade e as contradições da alma humana, inspirado por Tchecov e Doistoiévski.

Depois da premiação, a diretora neozelandesa Jane Campion ('O Piano') explicou a escolha do júri presidido por ela:

"Quando li sobre o filme, fiquei com medo das três horas e quinze minutos. Pensei: meu deus, vou precisar de um banheiro! (risos). Mas o filme tem um ritmo tão bonito que me envolveu, eu podia ficar mais tempo ali. É como uma historia de Tchecov, com os personagens se torturando o tempo todo. Eu me vi em todos os personagens. É um filme muito sofisticado", afirmou.

Confira o trailer de 'Winter Sleep':


A Diva Julianne Moore tirou o favoritismo das canadenses de 'Mommy' e venceu a Palma de melhor atriz por seu papel de uma atriz neurótica atormentada pelo jovem fantasma da mãe em 'Maps to the Stars', de David Cronenberg.

Pena que Moore não estava mais em Cannes para receber o prêmio.

Confira Julianne Moore em ação, no trailer de 'Maps to the Stars':


Mais conhecido como o Wormtail da série 'Harry Potter', o britânico Timothy Spall ficou com a Palma de melhor ator pelo papel do pintor embrutecido de 'Mr. Turner', de Mike Leigh, sobre um grande pintor inglês precursor do impressionismo.

O celular do ator tocou bem no momento em que ele agradecia o prêmio no palco, provocando risos na plateia.

Spall lembrou que não pôde estar em Cannes quando Leigh ganhou a Palma de Ouro em 1996 com 'Segredos e Mentiras' porque fazia um tratamento contra a leucemia.

Veja Timothy Spall em ação no trailer de 'Mr. Turner':


O Grande Prêmio do júri - espécie de segundo lugar - ficou para 'Le Maraviglie' ('As Maravilhas'), da italiana Alice Rohrwacher.

O Prêmio do Júri foi para o canadense 'Mommy', do jovem Xavier Dolan (25 anos), o mais novo cineasta da competição - mas o júri também deu uma menção para 'Adieu au Langage', de Jean-Luc Godard, que, por sua vez, foi o cineasta mais velho entre os selecionados.

O prêmio para Godard foi bastante vaiado pelos jornalistas na sala de imprensa - o pior é que o júri ignorou o pedido do próprio Godard, que declarou numa entrevista preferir não levar nenhum prêmio especial em reconhecimento da carreira.

Veja o trailer de 'Mommy':


O americano Bennet Miller (de 'O Homem que Mudou o Jogo' e 'Capote'), venceu o prêmio de melhor diretor por 'Foxcather', que fez com que o Steve Carrell fosse cotado inclusive para o Oscar de melhor ator, pelo papel de John Du Pont, milionário que decide montar um centro de treinamento para lutadores em sua imensa propriedade na Pensilvânia e convidar para o projeto os irmãos Schultz, Mark (Channing Tatum) e Dave (Mark Ruffalo), medalhistas de vários campeonatos.

Confira o trailer de 'Foxcather':


O russo 'Leviathan', sobre um homem comum que perde a casa e a família após uma série de contratempos, ficou com a Palma de melhor roteiro.

Em seu último ano à frente do festival, Gilles Jacob foi ovacionado de pé quando entrou no palco para apresentar o prêmio 'Caméra d'Or', para o melhor filme de estreia - que foi para o francês 'Party Girl', sobre uma ex-dançarina de boate aos 60 anos e sua família e onde os papéis do filme são feitos pelas próprias pessoas que as inspiraram, e a protagonista é mãe de um dos diretores.

O prêmio de melhor curta ficou para 'Leidi', do diretor colombiano Simón Mesa Soto.

O francês 'Aïssa' e o norueguês 'Javi Elsker' receberam menções especiais do júri, presidido pelo diretor Abbas Kiarostami.

A cerimônia foi apresentada pelo ator francês Lambert Wilson - da trilogia 'Matrix' e 'Homens e Deuses'.

O júri que decidiu os prêmios foi presidido pela neozelandesa Jane Campion, diretora de 'O Piano', e incluía Willem Dafoe, Gael García Bernal, Sofia Coppola, Carole Bouquet, a atriz iraniana Leila Hatami ('A Separação'), o chinês Jia Zhang-Ke ('Um Toque de Pecado'), o dinamarquês Nicolas Winding Refn ('Drive') e a atriz coreana Jeon Do-Yeon.

Depois de ser ovacionado por cinco minutos quando foi exibido em Cannes, o documentário 'O Sal da Terra', sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, foi escolhido na sexta (23) para receber o prêmio especial do júri da mostra 'Un Certain Regard', presidido pelo cineasta argentino Pablo Trapero.

O filme tem direção do alemão Wim Wender e de Juliano Salgado, filho de Sebastião.

Confira matéria da AFP:


O prêmio principal de melhor filme ficou com o húngaro 'White Gods', longa que mostra ataques de cães selvagens pelas ruas de Budapeste, filmados com cães reais.

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Com Agências Inrernacionais

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FESTIVAL DE CANNES: NOVO LONGA DE XAVIER DOLAN EMOCIONA


A relação entre pais e filhos sempre rendem filmes acalorados, mas nada chega perto ao exagero poético que o jovem cineasta canadense Xavier Dolan impôs em 'Mommy', um dos destaques desta quinta, 22, no Festival de Cannes.

Aos 25 anos, Dolan chega com seu novo filme em Cannes apenas oito meses depois de exibir 'Tom na Fazenda' no Festival de Veneza.

A velocidade que o cineasta produz é tão assustadora quanto sua maturidade para tocar em assuntos delicados, como no caso de 'Mommy'.

A trama aborda a relação entre Diane, uma mãe viúva (Anne Dorval) e Steve, seu filho problemático (Antonie Olivier Pilon).

O adolescente sofre de ADHD, o que o torna extremamente agressivo.

A doçura do menino é despertada graças a Kyla (Suzanne Clement), a vizinha que sofre de gagueira - a vida dos três, até então limitada a seus problemas, ganha uma nova dimensão à partir desta amizade.

O diretor Xavier Dolan - de paletó azul - e o elenco de 'Mommy' em Cannes - People Fr.

Além da ótima atuação dos atores - com destaque para Anne Dorval, que já aparece como principal rival de Marion Cotillard e Julianne Moore ao prêmio de atriz – Dolan mostra todo seu talento fazendo várias cenas brincando com o tamanho da tela, uma alusão ao olhar dos personagens para a vida.

A cena em que Steve anda de skate ao som de Oasis e a tela – até então pequena – se expandindo a partir do movimento das mãos do personagem é de um lirismo absurdo - a cena está no trailer, abaixo.

Tocante, 'Mommy' é sim um filme exagerado, cheio de gritos e histeria, como se espera de uma história de Xavier Dolan.

Mas não é só isso. 

É também um filme belíssimo sobre o amor de mãe e filho, a amizade, a esperança e a aceitação da realidade - e deixa a mensagem que, por mais que a vida seja dolorida, vale sempre a pena se jogar nela.

Confira o trailer de 'Mommy':


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Texto: Janaína Pereira

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

FESTIVAL DE VENEZA: PETER LANDESMAN, TOM WELLING, TERRY GILLIAM E XAVIER DOLAN APRESENTAM SEUS LONGAS E SÃO APLAUDIDOS


Nessa postagem, tudo o que de melhor aconteceu no Festival de Veneza ontem (1) e hoje (2).

Confira:

'PARKLAND': MORTE DE KENNEDY É TRATADA COM REALISMO
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'THE ZERO THEOREM': NOVO LONGA DE TERRY GILLIAM - QUE FEZ SEUS ATORES "SUAREM COMO PORCOS" - É APLAUDIDO
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'TOM À LA FERME': DIRIGIDO PELO PRODÍGIO CANADENSE XAVIER DOLAN É OVACIONADO
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Veja:

'PARKLAND': MORTE DE KENNEDY É TRATADA COM REALISMO

A ausência do ídolo teen Zac Efron – destaque do elenco do quarto concorrente norte-americano ao Leão de Ouro, "Parkland", de Peter Landesman, na pele de um médico residente – foi uma decepção na manhã deste domingo (1º) no Festival de Veneza.

Mas logo passou: o diretor veio para a coletiva de imprensa com o outro astro do filme, Tom Welling.
O Clark Kent da ótima série 'Smallville' tem aqui sua primeira grande oportunidade nas telonas, após o término da série - que durou dez temporadas.

O filme, muito aplaudido nas sessões matinais de imprensa, rendeu a polêmica esperada, ao ressuscitar em detalhes impressionantes o dramático final de semana do assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy - que completa exatos 50 anos no próximo dia 22 de novembro.

Deixando de lado as teorias da conspiração que cercaram o crime – centro do drama "JFK", de Oliver Stone, e inspirando-se num livro de Vincent Bugliosi ("Reclaiming History: The Assassination of John Fitzgerald Kennedy") –, Landesman focou na "emoção crua daquele final de semana", segundo suas próprias palavras.

Sobre as teorias de conspiração em torno da morte, afirmou que "há poucas provas em qualquer direção" e que não era esse seu interesse.

Repórter experiente na cobertura de diversas guerras e famoso por uma reportagem sobre escravas sexuais no jornal "The New York Times" - que inspirou o filme "Trade", de Marco Kreuzpaintner - Landesman disse ter procurado retratar "as pessoas que estavam no centro dos acontecimentos, colocando-nos no lugar delas".
E completou: "Procuramos contar uma história real, que sabemos ser verdadeira. Sabemos que tudo aquilo aconteceu àquelas pessoas e arruinou suas vidas".

Esses personagens no centro de "Parkland", mais do que os famosos, são as pessoas comuns, médicos, enfermeiros, agentes secretos, policiais, um padre e outros que viram de perto ou estiveram envolvidos no atendimento e transporte do presidente após ser baleado em Dallas, Texas, e ser levado ao Hospital de Parkland - que dá nome ao filme.

Usando sua experiência como jornalista, Landesman entrevistou alguns dos personagens fundamentais, como o agente do FBI James Hosty (John Livingston), que destruiu o arquivo referente a Lee Harvey Oswald, o alegado assassino de Kennedy (que também foi morto pouco depois).

A participação de Hosty nesse episódio polêmico não é muito conhecida, apesar de tanto ter sido noticiado e discutido a respeito da morte de Kennedy nas últimas cinco décadas.
Mas o diretor do filme garante que "nada estava escondido, Hosty não era uma pessoa cuja existência fosse desconhecida. Esteve sempre ali.Tive a sorte de estar com ele quatro dias antes de sua morte e ele parecia aliviado de estar finalmente falando sobre isso (a destruição do arquivo sobre Oswald no FBI)" - Hosty morreu em 2011.

Ator Tom Welling e o diretor Peter Landesman posam na sessão de fotos do filme "Parkland" no Festival de Veneza 2013 - Alessandro Bianchi/Reuters

Um personagem menos conhecido é o irmão de Lee Oswald, Robert Oswald (interpretado por James Badge Dale).
"Quem diabos sabia que ele tinha um irmão? E, para ele, aquele final de semana foi terrível. Ele acordou achando que seria um dia normal e, de repente, descobriu que seu irmão era o demônio. Sua missão naqueles dias foi de entender o que estava acontecendo até, finalmente, ter que sepultar o irmão", disse o diretor.

Indagado se não teria demonstrado uma certa "simpatia" pelo assassino de Kennedy em seu retrato no filme, o diretor negou:
"Eu não diria simpatia, porque isso já é um tipo de defesa. Prefiro o termo 'humanidade'. Tudo que estou tentando é reconhecer sua humanidade, seja patológica ou não. Em meu filme, não temos tempo para qualquer julgamento. Não alego que haja qualquer verdade escondida. Estamos apenas tentando atravessar aqueles dias".

Indagado sobre detalhes como a impressionante quantidade de sangue que se vê nas roupas de médicos e enfermeiras e também nas dos agentes que conduziram o presidente, Landesman comentou que foi bastante fiel à realidade:
"Nosso objetivo era mostrar uma verdade visceral e não apenas física. Feridas na cabeça (Kennedy foi baleado na cabeça) sangram muito e ele recebeu duas transfusões. Havia mesmo muito sangue nas roupas de todos. Também achei que havia algo shakespeariano nisto".

Outro elemento realista é o uso em "Parkland" de trechos do famoso filme super-8 do assassinato feito pelo comerciante Abraham Zapruder (Paul Giamatti).
"Este é um filme muito visto, muito conhecido, mas eu queria usá-lo como cineasta, mostrá-lo como ele (Zapruder) e outros o viram pela primeira vez. Tivemos a sorte de conseguir a confiança da família dele, que tem sido muito reservada, e eles confiarem em nós", disse Landesman - a família de Zapruder, inclusive, veio ao set acompanhar as filmagens.

Para o diretor, "ainda há muito a ser descoberto sobre todas essas pessoas".

Ele cita que há materiais, como as gravações da conversas entre os irmãos Oswald, quando ele estava na cadeia e os depoimentos de todos os agentes, que não têm recebido atenção.

Confira o trailer de 'Parkland':


'THE ZERO THEOREM': NOVO LONGA DE TERRY GILLIAM - QUE FEZ SEUS ATORES "SUAREM COMO PORCOS" - É APLAUDIDO

Já na manha dessa segunda, a nova distopia futurista do diretor norte-americano Terry Gilliam, "The Zero Theorem", foi recebida com muitos aplausos.

O filme é encabeçado por um elenco estelar: o austríaco Christoph Waltz na pele do especialista em computadores Qohen Leth, atormentado pela busca de sentido na vida, e pela figura misteriosa da Administração, interpretado pelo americano Matt Damon.

Nem Waltz nem Damon estiveram na disputada entrevista coletiva do filme, a que compareceram os atores David Thewlis ("Cavalo de Guerra") e Mélanie Thierry ("Missão Babilônia")  e em que Gilliam comandou a cena com respostas espirituosas e algumas declarações surpreendentes.

Como a de que as filmagens em Bucareste não tiveram as habituais restrições de segurança de uma produção cinematográfica.
"Cada um tinha que cuidar da própria vida. Estávamos livres! Felizmente, tudo deu certo", declarou o diretor, arrancando gargalhadas dos jornalistas.

Gilliam também surpreendeu ao admitir que, devido a limitações de orçamento – as mesmas que o levaram a optar por Bucareste, preterindo a Inglaterra e a Itália – o levaram a ter que usar tecidos muito baratos no colorido e criativo figurino do filme. 
"Felizmente, descobrimos um mercado chinês nos arredores de Bucareste, onde se podia comprar tecido a quilo, não a metro. O tecido era péssimo! Por causa disso, Matt Damon e os outros atores suavam como porcos ali dentro. Felizmente, na tela ficou lindo".

Pelo trailer - que você confere abaixo - o diretor tem toda razão: ficou tudo muito lindo mesmo!

Terry Gilliam posa com a atriz Melanie Thierry na sessão de fotos do filme "The Zero Theorem", em Veneza - Alessandro Bianchi/Reuters

O orçamento restrito e a rapidez das filmagens (dois meses) também pressionaram os atores.
"Não tivemos tempo de ensaiar. Acho que até por isso fazer este filme foi mais divertido do que os outros, porque não tivemos tempo de ser responsáveis", disse o diretor, que também contou: por conta de compromissos de Matt Damon, só pode contar com ele por quatro dias e que David Thewlis, que fazia simultaneamente outro filme no Canadá, ficou indo e voltando à Romênia.

A tecnologia - que está no centro do roteiro, escrito pelo professor universitário Pat Rushin - teve um papel concreto para a realização de "The Zero Theorem".

Segundo Gilliam, houve três momentos do filme gravados por iPhone.
"Como um em que precisei de um áudio de Mélanie Thierry e ela estava no sul da França. A tecnologia nos salvou!", lembrou.

Entretanto, como o protagonista do filme, o cineasta admite que tem uma relação ambígua com a tecnologia e a era da internet. 
"Não sou um 'geek', claro, mas cada vez mais me sinto seduzido pelo computador. Minha mulher se pergunta o que está nos acontecendo com os seres humanos. Também me pergunto. Acho que isso começa a consumir sua vida. Quanto mais estamos conectados, mais entendemos essas coisas".

O diretor destacou que "se preocupa" com o aumento das relações virtuais entre as pessoas.
"Cada vez mais as pessoas se conectam via computador, usam nomes falsos. A publicidade na TV vende um mundo belo, perfeito, como se fôssemos todos deuses. Mas não somos assim. Isso me preocupa".

Lamentou, também, os desvios de alguns movimentos deflagrados pela internet:
"O que chamamos de Primavera Árabe tornou-se o Inverno Impossível"
Entretanto, destacou "não ter respostas" sobre essa questão e que fez esse filme "para discutir tudo isso".

Quebrando a seriedade, Gilliam negou a hipótese de que "The Zero Theorem" seja o último capítulo de uma trilogia futurista em sua obra, iniciada com "Brazil: O Filme" (1985) e "Os Doze Macacos" (1995).
"Não, não é uma trilogia. Apenas costumo dizer isso porque soa mais inteligente, profundo e acadêmico e parece melhor para dizer à imprensa", disse, rindo - mas admitiu ver "referências" a "Brazil: O Filme" no novo longa.

Na mesma linha, o ator inglês David Thewlis - que interpreta na tela um supervisor da firma de computação - afirmou que "se sente mal quando passa tempo demais diante do computador" e que toma atitudes do tipo usar papel e caneta para combater isso.
"As pessoas gastam tempo e coração demais na tecnologia. Este filme fala sobre isso".

E a atriz francesa Mélanie Thierry contou que não está no Facebook ou no Twitter por opção.
"Tudo isso anda me aborrecendo", afirmou.

Confira o trailer de "The Zero Theorem":


'TOM À LA FERME': DIRIGIDO PELO PRODÍGIO CANADENSE XAVIER DOLAN É OVACIONADO

O canadense Xavier Dolan, 24 anos, apresentou nesta segunda, no Festival de Veneza, um intrigante thriller psicológico sobre identidade sexual, hipocrisia e mentiras,

"Tom à la ferme", ovacionado por crítica e espectadores tem Dolan como protagonista, um dos roteiristas e até montador do filme e é uma adaptação da peça teatral de Michel Marc Bouchard.

Depois de ter recebido elogios e prêmios em Cannes desde sua estreia em 2009 - com "Eu Matei a Minha Mãe" - Dolan compete em Veneza com seu quarto longa-metragem.

O novo filme de uma das promessas do cinema mundial, que até agora falava sobre amores impossíveis, é uma obra madura sobre os mecanismos íntimos e perversos das relações, não apenas amorosas.

Com ritmo impecável, combinado com suspense, tensão e drama, Dolan confirma seu notável talento cinematográfico:
"Um filme irresistível", definiu a crítica italiana, que já considera "Tom a la ferme" um dos favoritos para levar o Leão de Ouro.

Xavier Dolan, hoje em Veneza - Getty/AFP

A trama narra a história do jovem publicitário Tom - interpretado por Dolan - que está profundamente deprimido com a morte do amante.

Ele decide conhecer a família do companheiro morto, que vive em uma fazenda, onde descobre que a mãe não sabia da orientação sexual do filho e estava convencida que o jovem tinha uma relação amorosa com uma garota, Sarah.

A partir deste momento, Tom entra em um macabro jogo de mentiras, ameaças e perversões com o irmão do namorado, Francis, que exige que ele não revele a verdade para a mãe com o objetivo de evitar outro sofrimento.

"É um jogo perigoso. Assumir o papel de outro pode mudar a pessoa. Mentir assim enlouquece Tom", explicou o cineasta.

Na fazenda isolada em meio à paisagem de Quebec, entre grandes campos de milho e uma longa estrada de ligação com a cidade, surgem ingredientes bem dosados por meio da trilha sonora de Gabriel Yared, que oscila entre obras clássicas e canções modernas: o suspense, o medo, o nervosismo e a angústia reinam como nos melhores filmes de Hitchcock.

"Não pretendo inovar. Queria apenas contar a angústia dos personagens", explicou Dolan, que começou a dirigir filmes aos 18 anos e admite que não gosta de revelar de onde tira suas ideias.

"Para mim, a influência deve ser camuflada", afirma o diretor, um admirador cineastas como Pasolini, De Sica e Jonathan Demme.

Confira um vídeo do 'red carpet' de "Tom à la ferme", hoje em Veneza:


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Com agências internacionais