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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

'WEN WE RISE': MINISSÉRIE DE GUS VAN SANT SOBRE MOVIMENTO LGBT GANHA TRAILER E FOTOS

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Produção da ABC terá oito episódios
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Uma minissérie protagonizada por Guy Pearce, Mary-Louise Parker e Whoopi Goldberg, com roteiro de Dustin Lance Black ('Milk: A Voz da Igualdade') e produzida e dirigida por Gus Van Sant ('Milk', 'Elefante', 'Gênio Indomável').

Essa é 'When We Rise', minissérie em oito capítulos da ABC TV e que promete ser uma lembrança de que a luta por direitos do movimento LGBT está longe de chegar ao fim.

Nessa semana, a nova produção ganhou o primeiro trailer e as primeiras imagens.

O trailer:


Todos os oito episódios foram dirigidos por Van Sant.

A minissérie narra as lutas pessoais e políticas, avanços e retrocessos de uma diversa família de homens e mulheres LGBT que ajudaram a fundar o movimento civil nos EUA, do turbulento início no século 20 até os dias atuais.

As imagens:











ABC TV

Na trama, Guy Pearce interpreta o ativista Cleve Jones e Mary-Louise Parker, a líder do movimento feminista Roma Guy.

Rachel Griffiths será sua esposa Diane e Michael K. Williams será um organizador do movimento negro, Ken Jones.

Por fim, Ivory Aquino será a ativista dos direitos transgêneros Cecelia Chung.

Com produção executiva de Dustin Lance Black, Gus Van Sant, Laurence Mark e Bruce Cohen, a série é produzida pela ABC Studios e tem lançamento previsto para 2017.

domingo, 17 de maio de 2015

FESTIVAL DE CANNES 2015: CONFIRA TUDO O QUE DE MELHOR ACONTECEU - DE QUARTA A DOMINGO


A 68º edição do Festival de Cannes, um dos mais importantes festivais de cinema do mundo, começou na Riviera Francesa na última quarta (13).

Nessa postagem, você vai conferir o que de melhor aconteceu, de quarta a domingo (17).

Confira:
FESTIVAL COMEÇA COM JORNALISTAS BARRADOS EM SESSÃO INAUGURAL, QUE TEVE 'LA TÊTE HAUTE' E 'UMIMACHI DIARY'
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'MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA' FAZ ESTREIA MUNDIAL ESTRONDOSA EM CANNES
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NATALIE PORTMAN ESTREIA COMO DIRETORA
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'THE LOBSTER': LONGA FUTURISTA COM COLIN FARRELL CHAMA ATENÇÃO
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WOODY ALLEN REVELA PORQUÊ NUNCA FILMOU NO BRASIL
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FILME HÚNGARO É O PRIMEIRO FAVORITO À PALMA DE OURO E FILME ITALIANO EMOCIONA TODOS
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DOCUMENTÁRIO SOBRE AMY WINEHOUSE FOI OVACIONADO POR PÚBLICO E CRÍTICA
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'THE SEA OF TREES': NOVO FILME DE VAN SANT É VAIADO DUAS VEZES
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EM CANNES, CATE BLANCHETT JÁ E A FAVORITA AOS OSCAR 2016
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Veja:

FESTIVAL COMEÇA COM JORNALISTAS BARRADOS EM SESSÃO INAUGURAL, QUE TEVE 'LA TÊTE HAUTE' E 'UMIMACHI DIARY'

O Festival de Cannes, maior festival de cinema do mundo começou na quarta (13) com o filme ‘La Tête Haute‘, de Emanuelle Bercot, sendo exibido para convidados.

Pela manhã, quando os jornalistas começaram a ver os filmes da Mostra Competitiva, já rolou confusão, pois nem todo mundo conseguiu assistir a ‘Umimachi Diary‘, de Hirokazu Kore-eda - relata a jornalista Janaína Pereira, do CinePop.

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Jornalistas barrados na sessão de abertura - AFP
‘La Tête Haute‘ conta a história de Malony (Rod Paradot)  e de sua educação dos 6 aos 18 anos de idade - período no qual um juiz da vara da infância e um assistente social tentam salvá-la.

Filmado nas regiões de Nord-Pas de Calais, Ródano Alpes e Paris, o filme conta com a participação de Catherine Deneuve, Benoit Magimel e Sara Forestier.

Confira cenas e matéria:


Já ‘Umimachi Diary‘ acompanha três irmãs que vivem juntas em uma casa grande na cidade de Kamakura.

Quando seu pai – ausente da casa da família nos últimos 15 anos – morre, eles viajam para o interior para seu funeral, e conhecem Suzu, sua tímida meia-irmã adolescente.

A organização do Festival de Cannes terá júri presidido pelos irmãos diretores Joel e Ethan Coen - esta será a primeira vez que o júri do festival é presidido por uma dupla.

Segundo os organizadores, a ideia é celebrar o “cinema de irmãos” este ano, aproveitando o 120º aniversário da invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière.

O Festival de Cannes 2015 vai até o dia 24 de maio.

'MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA' FAZ ESTREIA MUNDIAL ESTRONDOSA EM CANNES

Exibido na manhã de quinta (14) para a imprensa no Festival de Cannes, o filme ‘Mad Max: Estrada da Fúria‘, de George Miller, foi aplaudido varias vezes pelos jornalistas durante a sessão.

Na coletiva de imprensa, o protagonista Tom Hardy distribuiu autógrafos e tirou selfies, esbanjando simplicidade e simpatia e logo depois, deu um senhor exemplo de humildade para uma estrela do porte dele.

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Tom Hardy, na coletiva de imprensa na quinta (13), em Cannes - AFP
À noite, com toda pompa e gala, aconteceu a première mundial do filme no Festival, que já está em cartaz aqui no Brasil.


Hardy revelou durante a Coletiva de Imprensa que só conseguiu assistir ao filme completo ontem, depois de passar mais de 100 dias filmando a ação pós-apocalíptica no deserto da Namíbia.

O ator inglês foi questionado sobre os problemas ao longo da produção e revelou que devia ao diretor um pedido de desculpas.

“Eu devo um pedido de desculpas a George [Miller], por ser tão míope… A coisa mais frustrante durante as filmagens foi tentar entender o que ele queria que eu fizesse. Eu só compreendi sua visão quando a vi na tela” - revelou.

Em uma sala cheia de jornalistas, Hardy deu a entender que teve problemas de comunicação com o diretor ao longo das filmagens.

“Eu tenho que me desculpar com você [Miller], porque eu fiquei frustrado enquanto filmávamos. E hoje entendo que George não iria conseguir me explicar sua visão de maneira alguma, enquanto estavamos na areia tentando terminar as filmagens. [Miller] foi brilhante, mas eu não sabia o quão brilhante até que eu assisti ao filme”, concluiu, em uma  atitude cada vez mais rara entre seus pares.

Relembre o trailer do longa:


Miller enfrentou vários problemas durante as filmagens, que deveriam ter início em 2010 mas foram adiadas por dois anos, por conta da ironia da natureza, que transformou o deserto da Austrália em uma floresta.

“Estava tudo pronto para filmarmos, no deserto australiano, e então veio uma tempestade sem igual e transformou a terra inóspita em um jardim. Toda aquela região plana de terras vermelhas agora está repleta de lagos, peixes e pássaros”, afirmou o diretor.

Foi então que os produtores tiveram que encontrar uma nova locação, no deserto na Namíbia.

No longa de ação pós-apocalíptico, Tom Hardy assume o papel que foi  de Mel Gibson nos três longas anteriores da saga, como um guerreiro das estradas e tem como missão resgatar um grupo de garotas envolvidas em uma guerra mortal.

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Hardy e Miller, nas filmagens do longa - Warner Bros.
Miller falou também sobre a possibilidade de rodar mais filmes da franquia ‘Mad Max’ e admitiu que ainda “não está recuperado” para uma sequência imediata de ‘Mad Max: Estrada da Fúria’.

“Mas você sabe que esses personagens vivem na sua cabeça e temos muitas histórias de apoio”, continuou.

“Se tivermos tempo de ir de novo à terra vazia, há outros filmes que gostaríamos de fazer. Então sim, essa é a resposta que posso dar agora”, revelou em entrevista à Reuters.

Questionado se uma grande bilheteria do novo filme poderia influenciar ou adiantar seus planos de produzir um quinto ‘Mad Max’, Miller disse que isso era como perguntar a uma mulher que acabou de dar à luz se ela planeja ter outro filho.

NATALIE PORTMAN ESTREIA COMO DIRETORA

Após ganhar um Oscar por ‘Cisne Negro‘, Natalie Portman decidiu tentar a sorte atrás das câmeras.

A atriz, que em breve será vista como Jacqueline Kennedy nas telonas, lançou seu primeiro filme como diretora no Festival de Cannes na sexta (15), fora de competição.

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Natalie Portman e o marido, na sexta (15) em Cannes - AFP
O longa-metragem é baseado em ‘De Amor e Trevas‘ ('A Tale Of Love And Darkness'), autobiografia do escritor israelense Amos Oz.

Além de dirigir, Portman também interpretará a mãe de Oz.

Confrontado com o suicídio da mãe aos doze anos, três anos depois Oz declara sua independência e volta as costas para o mundo em que crescera a fim de assumir uma nova identidade num novo lugar: o kibutz Hulda, na fronteira com o mundo árabe.

O livro foi vencedor do Prêmio France Culture de 2004 e do Prêmio Goethe do mesmo ano.

Confira um clipe do longa:


“Ela leu De Amor e Trevas e me pediu os direitos para fazer uma adaptação para os cinemas, há cinco anos. Concordei por causa da minha alta estima pelo trabalho dela, que é um excelente atriz”, afirmou o ator do livro.

Vale lembrar que Portman nasceu em Jerusalém, filha de pai israelense.

‘A Tale of Love and Darkness’ ainda não tem data de estreia no circuito comercial.

Confira um vídeo dos bastidores das filmagens:



'THE LOBSTER': LONGA FUTURISTA COM COLIN FARRELL CHAMA ATENÇÃO

Considerado lento para uns, mas interessante para outros, o longa ‘The Lobster‘, do diretor grego Yorgos Lanthimos, chamou a atenção no Festival de Cannes.

Estrelado por Colin Farrell, o filme se passa no futuro, quando uma lei proíbe que as pessoas fiquem solteiras.

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Colin Farell em Cannes - AFP
Qualquer homem ou mulher que não estiver em um relacionamento é preso e enviado ao Hotel, onde terá 45 dias para encontrar seu parceiro e caso não consigam encontrar alguém, são transformados em animais e soltos na Floresta - só que um dos homens se apaixona após ser solto na floresta, algo extremamente proibido pelo sistema.

WOODY ALLEN REVELA PORQUÊ NUNCA FILMOU NO BRASIL

Outro grande nome do dia no Festival foi o diretor Woody Allen, que veio lançar seu novo filme, ‘O Homem Irracional‘ (Irrational Man), estrelado por Joaquin Phoenix e Emma Stone.

O ator americano, no entanto, não deu as caras na coletiva de imprensa e Woody não fez a menor questão de posar para fotos - mas falou, inclusive com a imprensa brasileira presente.

Allen foi questionado se um dia filmaria no Brasil e revelou que o projeto ainda não aconteceu porque ele nunca visitou o país.

“Eu nunca estive no Brasil, então ainda não tive uma ideia para filmar no Rio de Janeiro. Fico em casa bolando ideias e daí penso em uma cidade que já estive que seria ideal para a trama. Sendo assim, não sei como começar uma história passada no Brasil, mas assim que algo me ocorrer e for perfeito para o Brasil, farei na hora”, afirmou.

Woody Allen em Cannes - AFP
Em 2013, a prefeitura do Rio de Janeiro revelou que bancaria um filme do cineasta se ele filmasse na capital carioca.

“Eu quero muito que ele venha”, disse  à época o prefeito Eduardo Paes para 'O Globo'.

“Já fiz de tudo. Falei com a irmã dele, mandei bilhete via [o arquiteto Santiago] Calatrava, que é vizinho dele em Nova York, e pago o que for para que ele venha filmar aqui. O Reage Artista vai me matar quando eu der os milhões que o Woody pedir. Mas eu pago 100% da produção.”

O prolífico diretor já filmou em diversos cartões postais do mundo, como foi o caso de ‘Vicky Cristina Barcelona’, ‘Meia-Noite em Paris’ e ‘Para Roma com Amor’.

Ele também rodou alguns longas em Londres, incluindo ‘O Sonho de Cassandra’ e ‘Ponto Final – Match Point’.

Seu cenário mais tradicional, porém, é sua Nova York natal: boa parte de seus filmes mais famosos e celebrados, como ‘Manhattan’, ‘Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’ e ‘Hannah e Suas Irmãs’, se passam na cidade.

‘O Homem Irracional’ estreia nos cinemas nacionais em agosto.

Confira o trailer do longa:


FILME HÚNGARO É O PRIMEIRO FAVORITO À PALMA DE OURO E FILME ITALIANO EMOCIONA TODOS

O cineasta italiano Nanni Moretti levou a imprensa às lágrimas na manhã deste sábado (16) no Festival de Cannes.

‘Mia Madre‘, novo filme do diretor, mostra uma cineasta envolvida entre uma filmagem e os cuidados com a mãe doente.

A personagem, alter ego do diretor (que participa do filme como irmão da protagonista), é de uma sensibilidade imensa, e todo o filme transcorre entre delicadeza, tristeza e o bom humor do personagem de John Tuturro, que transforma esse comovente drama em uma das mais belas homenagens às mães.

Confira o trailer de 'Mia Madre':


Por outro lado, ‘Saul Fia‘ (‘Son of Saul’), do húngaro Laszlo Nemes,  já desponta como favorito ao prêmio máximo do Festival de Cannes.

O longa conta a história de Saul Auslander, um deportado judeu forçado a participar na Solução Final em Auschwitz, no Sonderkommando, unidade de prisioneiros que trabalhava nas câmaras de gás.

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Cena do Longa
Um dia Saul descobre um rapaz que sobrevive, mas apenas brevemente ao gás, e no qual ele acredita ter reconhecido seu filho.

Desolado, ele fará de tudo para fazer o enterro de seu suposto filho.

DOCUMENTÁRIO SOBRE AMY WINEHOUSE FOI OVACIONADO POR PÚBLICO E CRÍTICA

'Amy', documentário sobre Amy Winehouse dirigido por Asif Kapadia (do premiado ‘Senna’), foi ovacionado pelo público e crítica durante sua exibição, neste sábado (16).

Com testemunhos inéditos, o documentário foi apresentado fora da competição, mas conquistou a todos e foi aplaudido ao final da exibição.

Amy Winehouse faleceu em julho de 2011, aos 27 anos, por consumo excessivo de álcool.

Revelador, o documentário desvenda nove segredos sobre a vida da cantora inglesa, que a revista Variety anotou.

Confira:

1. Ela dispensou Justin Timberlake, e riu quando descobriu que sua nova música chamava ‘What Goes Around… Comes Around?’.

2. Winehouse sofria de depressão e anorexia desde adolescente, após o divórcio de seus pais.

3. Ela nunca gostou de ser associada com as Spice Girls.

4. Amy não desejava ser famosa.

5. Seu pai perdeu uma oportunidade de salvar a filha das drogas em 2005, quando os amigos de Winehouse tentaram uma intervenção para levá-la para a reabilitação após abuso de drogas e álcool. Seu pai lhe disse que ela não precisava ir para a reabilitação.

6. O seu marido Blake Fielder-Civil foi quem lhe deu cocaína e crack pela primeira vez.

6. Seu pai ainda tenta lucrar com sua fama.

8. Ela quase invadiu um show de Tony Bennett para tentar fazer um dueto.

9. Os paparazzi não paravam de persegui-la.

Deu pra perceber porquê a família vampira tem se mostrado revoltada e contra o documentário?

O filme, que chegará aos cinemas do Reino Unido no dia 3 de julho, mês que marca o aniversário de quatro anos da morte da cantora britânica, examina a história de Winehouse através do ponto de vista da própria, usando várias imagens raras dos bastidores e da vida da artista, além de canções inéditas.

De acordo com o Deadline, os direitos de distribuição internacional de ’Amy’ estão sendo negociados neste momento, por isso o filme segue sem previsão de lançamento nos EUA, no Brasil e demais mercados.

Confira trailer:


'THE SEA OF TREES': NOVO FILME DE VAN SANT É VAIADO DUAS VEZES

Após ser vaiado em duas sessões para a imprensa, o filme ‘The Sea of Trees’ (Mar de Árvores, em tradução literal) passou por seu teste definitivo na coletiva, realizada neste sábado (16) no Festival de Cannes.

O diretor Gus Van Sant e os atores Matthew McConaughey e Naomi Watts encararam com muita seriedade os jornalistas, e defenderam o filme com unhas e dentes.

“Eu li uma crítica nesta manhã, e ela era muito definitiva. Eu estava imaginando que todo mundo era como a pessoa que havia escrito, e eu pensei “agora eu sei onde estamos”. Foi bom, mas mais tarde eu fiquei nervoso”, disse o diretor.

THE SEA OF TREES
Matthew McConaughey e Ken Watanabe em cena do longa - Divulgação
Já McConaughey, que ano passado ganhou o Oscar de Melhor Ator por ‘Clube de Compras Dallas‘, foi bastante aplaudido pelos jornalistas quando entrou na sala, e defendeu seu personagem.

“Ele passa por um isolamento para chegar à salvação. O filme mostra como enfrentar a morte ajuda você a encontrar a vida”, refletiu.

O ator, que tem uma longa cena de choro na trama, poderia ter alguma chance de ganhar prêmio, se o filme não tivesse sido apontado como o pior do festival até agora.

‘The Sea of Trees‘ conta a história de um norte-americano (McConaughey) que viaja para o Japão para entrar na floresta Aokigahara e se matar, depois da morte da sua mulher (Naomi Watts).

Lá, ele encontra um japonês (Ken Watanabe) e os dois iniciam uma jornada de autorreflexão e sobrevivência.

Segundo a crítica especializada, o filme foi o pior apresentado até agora na 68ª edição do Festival de Cannes.

EM CANNES, CATE BLANCHETT JÁ E A FAVORITA AOS OSCAR 2016

Já na primeira cena de ‘Carol‘, Cate Blanchett mostrou que não estava para brincadeiras.

Linda e loira, usando um figurino impecável em tons de vermelho, a atriz tem uma de suas melhores atuações no filme de Todd Haynes (‘Longe do Paraíso’) e é a favorita absoluta ao prêmio de interpretação feminina em Cannes.

O filme se passa na Nova York da década de 1950 e Cate vive a Carol do título, uma lésbica que não pode assumir sua opção sexual por conta dos preconceitos da época, e por isso mantém um casamento de aparências, em especial para não perder a guarda da filha.

Enquanto está iniciando o processo de separação do marido (Kyle Chandler), Carol encontra Therese (Rooney Mara), uma atendente de loja de luxo.

A jovem se encanta por Carol e vice-versa e, assim, iniciam uma história que une paixão e intelecto, já que Therese admira a elegância e inteligência de Carol, e Carol gosta da fragilidade e meiguice de Therese

Haynes conduz o filme com muita sensibilidade, deixando sempre para depois as cenas mais aguardadas - um beijo entre Cate e Rooney e uma ousada cena de sexo, que expõe as duas atrizes de forma poucas vezes vista em Hollywood.

Porém, nada tão evasivo como em ‘Azul é a Cor Mais Quente’, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2013 e ficou famoso pela longa cena de sexo (cerca de oito minutos) entre as atrizes Adèle Exarchopoulos e Lèa Seydoux.

Na coletiva de imprensa realizada neste domingo (17) em Cannes, uma discreta Cate Blanchett revelou que, ao contrário do que foi publicado recentemente, ela nunca fez sexo com mulheres.

“Pelo que eu me lembre, o repórter me perguntou: você já teve relações com mulheres? Sim. Com sexo? Não”, disse.

Cate, que foi pouco sorrisos e não posou para fotos após a coletiva, pareceu querer encerrar o assunto.

“A questão é que, em 2015, quem liga para isso? Há uns 70 países no mundo onde a sexualidade é algo ilegal. Vivemos em tempos muitos conservadores. Se achamos que não, estamos sendo ingênuos”, criticou.

‘Carol‘ já tem distribuição garantida no Brasil, mas sua data de lançamento ainda não foi anunciada.

Confira make-off:

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Até +!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

'INQUIETOS' SÓ PROVA QUE QUANTO O TEMA É JUVENTUDE, GUS VAN SANT É MESTRE


Na melhor estreia nas telonas brasileiras desse final de semana, Inquietos, do diretor Gus Van Sant só prova, mais uma vez, que, quando o foco são os jovens e seus problemas, relacionamentos, dúvidas e incertezas, o diretor é um mestre.

Diferentemente do que demonstrou em Paranoid Park (2007) ou Garotos de Programa (1991),  temos aqui o foco sobre uma desesperada,intensa e bonita história de amor, que nos remete em parte à dupla Harold e Maude de Ensina-me a Viver (1971), mas atualizada com uma delicadeza que Van Sant consegue demonstrar muito bem.

O protagonista é o jovem Enoch - o belo, talentoso e acima da média Henry Hopper, filho de Dennis Hopper, aqui estreando no cinema - que, depois de sobreviver a um acidente que matou seus pais, vive em depressão  e encontra uma maneira especialíssima para lidar com a morte: torna-se penetra de funerais.

Divulgação
Mia Wasikowska e Henry hooper, em cena do filme: química mais que perfeita

E é justamente num velório que Enoch conhece sua alma gêmea, Annabel - Mia Wasikowska, protagonista de  Alice no País das Maravilhas  e também uma atriz acima da média - que tem outro tipo de relação com a morte - sofre de um câncer terminal e tem poucos meses de vida - mas decidiu que seus últimos dias serão cheios de alegria ao máximo.

A princípio relutante, Enoch torna-se o parceiro desta jornada.

Van Sant consegue um equilíbrio difícil ao introduzir um toque onírico num terceiro personagem, o fantasma Hiroshi Takahashi - Ryo Kase - , sempre vestindo uniforme de piloto kamikaze da Segunda Guerra Mundial.

Se logo se pode imaginar a verdadeira natureza do fantasma, nem por isso suas conversas com Enoch são menos saborosas, já que ele funciona como uma mistura de alter ego e observador do amigo e de seu romance - a quem não falta uma fina ironia.

Divulgação
Ryo kase interpreta um fantasma de um kamikase da segunda guerra, melhor amigo de Enoch

Não há grandes segredos nem revelações no cotidiano dos dois adolescentes, que dançam pelo filme com uma graça natural, vivendo pequenos momentos, criando brincadeiras que cabem perfeitamente em sua idade e situação, podendo lidar com a iminência da tragédia de uma forma muito diversa do que se fossem mais velhos - e tirando proveito disso.

Divulgação
Mia e Henry: fazia tempo que eu não via um casal tão bunito na telona

Embalado nessa espécie de aura - absolutamente espontânea - do casal de protagonistas, o filme - exibido na seção Um Certo Olhar  do Festival de Cannes 2011 - transpira uma doçura juvenil, romance e lirismo onde só os mal-humorados não vão simpatizar.

Confira o trailer do filme:

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INQUIETOS
Título original:
Restless
Diretor:
Gus Van Sant
Elenco:
Mia Wasikowska, Jane Adams, Schuyler Fisk, Henry Hopper, Ryo Kase, Lusia Strus, Jane Adams, Paul Parson, Thomas Lauderdale, Christopher D. Harder, Morgan Lee
Produção:
Brian Grazer, Bryce Dallas Howard, Ron Howard
Roteiro:
Jason Lew
Fotografia:
Harris Savides
Trilha Sonora:
Danny Elfman
Duração:
91 min.
Ano:
2011
País:
EUA
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Sony Pictures
Estúdio:
Imagine Entertainment / 360 Pictures Inc. / Columbia Pictures
Cotação do Klau:

sábado, 15 de outubro de 2011

FESTIVAL DO RIO: GUS VAN SANT FAZ A MORTE VIRAR CONTO DE FADAS


O tema da morte sempre rondou o cinema de Gus van Sant - basta lembrar Gerry (2002), Elefante (2003) ou Paranoid Park (2007).

A diferença, desta vez, é que ele resolveu transformar a morte em conto de fadas: Inquietos pode ser definido como um "love story" juvenil.
"Não acho que tenha feito uma 'love story' tradicional. Acho apenas que fiz algo novo na minha carreira", disse o diretor, em entrevista concedida durante o Festival de Cannes, em maio passado.

"As reações ruins, neste caso, podem ser boas, porque fiz o que não esperam de mim. Pela primeira vez, tentei estar a serviço do roteiro, tentei, simplesmente, contar uma história", completou.

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O diretor Van Sant, a atriz Mia Wasikowska e o ator Henry Hopper, antes da exibição de "Inquietos/Restless" no festival de Cannes 2011

O roteiro assinado pelo estreante Jason Lew conta a história de dois jovens que, por diferentes motivos, são obrigados a lidar com a morte.
"Jason escreveu uma fantasia que é, ao mesmo tempo, pura realidade. O roteiro, de cara, me remeteu à velha tradição dos contos russos", afirmou o cineasta.
"Ele colocou sua nostalgia da infância e da juventude nesses personagens."

O que os dois protagonistas do filme têm em comum, além do tema da morte a rondá-los e das roupas que parecem saídas de um filme de época, é o mundo que inventaram para poder sobreviver.

Como outros personagens de Van Sant, Annabel - Mia Wasikowska - e Enoch - Henry Hopper - se sentem apartados do mundo "normal".
"O Velho Oeste era o lugar a partir do qual John Ford via o mundo e contava histórias. A juventude é o meu terreno", disse Gus van Sant, para explicar o que, às vezes, é tomado por obsessão.
"É a partir dos jovens que eu consigo investigar os temas que me interessam."

Em Inquietos, o cineasta, que já transformou vários "garotos lindos" em atores de respeito -basta lembrar River Phoenix (1970-2003), Keanu Reeves, Ben Affleck e Matt Damon -, nos revela um outro rosto marcante: o de Henry Hopper, filho da lenda Dennis Hopper (1936-2010).
"Gosto de trabalhar com atores não conhecidos para que o espectador olhe para o personagem sem ter nenhuma outra referência."

Hopper, também artista plástico, encarou seu primeiro papel de protagonista no cinema com esse trabalho, e forma um par perfeito -e absolutamente apaixonante- com Wasikowska, a nova queridinha de Hollywood.

Confira o trailer de "Inquietos/Restless":

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Matéria de Ana Paula Sousa, para a Folha de S.Paulo

sexta-feira, 13 de maio de 2011

CANNES 2011: DIRETORAS DOMINAM COM TEMAS SOMBRIOS, RIO FAZ LOBBY, FRANCÊS, DIANA, E NOVO VAN SANT AGITAM A SEXTA


ABERTURA DO FESTIVAL É DOMINADO POR DIRETORAS E TEMAS SOMBRIOS

As diretoras de cinema, que ficaram de fora da principal competição de filmes em Cannes em 2010, dominaram a abertura do evento deste ano com contos sombrios de assassinato, prostituição, estupro e suicídio.

Três das quatro mulheres que disputam a Palma de Ouro pelo melhor filme em Cannes 2011 apresentaram os seus filmes para a imprensa nos dois primeiros dias do evento, e, ainda que as obras variem muito entre si e tenham tido respostas díspares da crítica, todas mostram uma visão perturbadora do mundo.

AFPA diretora australiana Julia Leigh

A atriz francesa e diretora Maiwenn foi a última mulher na competição deste ano a apresentar o seu filme, "Polisse", nesta sexta (13), um drama forte sobre a unidade de proteção a menores da polícia francesa.

Getty ImagesA atriz e diretora francesa Maiwenn

Ela seguiu a australiana Julia Leigh com o seu filme de estréia "Bela Adormecida" ,sobre uma estudante que passa a praticar uma estranha forma de prostituição, e a escocesa Lynne Ramsay com "Presisamos Falar sobre Kevin", sobre uma problemática relação entre mãe e filho.

Getty ImagesA diretora escocesa Lynne Ramsay

A última do quarteto é a japonesa Naomi Kawase com "Hanezu No Tsuki", o seu terceiro filme na competição.

Getty ImagesA diretora japonesa Naomi Kawase

Especialistas em cinema disseram que não foi coincidência que mais mulheres foram escolhidas para Cannes neste ano emblemático.
"O maior número de diretoras em competição em Cannes mostra uma tendência crescente",
disse Annette Insdorf, professora de cinema da Universidade de Columbia, EUA, que está em Cannes.

E ela ainda completa:
"Eu não acredito que é possível separar a vitória de Kathryn Bigelow no Oscar com 'Guerra ao Terror' ou o sucesso de crítica e público de Lisa Cholodenko com 'Minhas Mães e Meu Pai'".


CIDADE DO RIO DE JANEIRO FAZ CAMPANHA DURANTE O FESTIVAL

Com anúncio pago na revista "Variety" - considerada a "bíblia" do mercado de entretenimento - e um trabalho de comunicação eficaz, a cidade do Rio de Janeiro dá prosseguimento em Cannes à sua campanha para tornar-se parte importante do cenário cinematográfico mundial.

A cidade procura vender, para o mercado mundial, não apenas suas locações "exóticas", mas também vantagens fiscais e uma estrutura de produção.

O desenho animado "Rio", que teve o lançamento mundial na cidade, e o evento do filme "Velozes e Furiosos 5", também rodado em parte na cidade, foram os primeiros grandes acertos da RioFilme, que tem hoje uma subsidiária que só se dedica à prospecção de projetos estrangeiros.

DivulgaçãoA animação "Rio", que teve premiére mundial na cidade maravilhosa

A visibilidade internacional proporcionada pela Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, costuma ser citada pelas reportagens das publicações especializadas como mais um fator de "atração".

É a cidade brasileira mais conhecida em todo o mundo finalmente saindo da paralisia que a violência a tinha relegado.


FILME FRANCÊS ABORDA O COMBATE AO CRIME CONTRA CRIANÇAS, E IMPRESSIONA JORNALISTAS E CRÍTICOS

A pedofilia, os maus-tratos às crianças, o abuso de menores; "Polisse", da diretora francesa Maiwenn, que disputa a Palma de Ouro, é um olhar sobre o trabalho cotidiano da Brigada de Proteção de Menores (BPM) da polícia de Paris.

O filme da atriz e cineasta de 35 anos atinge com força o espectador, que se vê no obscuro mundo da BPM e no dia a dia de seus policiais.

O primeiro dos quatro filmes franceses na disputa pela Palma de Ouro, o terceiro da carreira da diretora - Maiween Le Besco, conhecida apenas pelo primeiro nome -, é uma viagem ao lado mais pesado da miséria humana, porque suas vítimas são criaturas indefesas.

Getty ImagesDiretora Maiwenn Le Besco (de azul) é fotografada em Cannes com atores de "Polisse"

Na entrevista coletiva, a cineasta, que lutou por muito tempo para receber a autorização para passar um tempo com a BPM, disse que testemunhou ou ouviu de policiais tudo o que é retratado no filme.

A ideia do filme, que impressionou os jornalistas e críticos, surgiu ao assitir um documentário sobre a brigada na televisão francesa.
"Me encantou a paixão destes policiais pelo trabalho. Compreendi rapidamente que cada um deles tinha boas razões pessoais para estar ali", disse.

Confira o trailer de "Polisse":


Interpretado por atores profissionais - Karine Viard, Joey Starr, Marina Fo¯s, Nicolas Duvauchelle, Sandrine Kiberlaine - com exceção de um menino francês que comoveu a sala com suas lágrimas, o filme tem um ritmo trepidante e a intensidade de um documentário, e também é um reflexo da sociedade contemporânea francesa, mostrando famílias africanas em condições precárias, acampamentos de ciganos e tráfico.

Maiwenn disse ter ficado muito impressionada com a "banalização da sexualidade entre os adolescentes, dispostos a tudo por um telefone celular ou um aparelho de MP3".

Algumas cenas mais impactantes são as de pedófilos que tentam minimizar a importância de seus desvios sexuais, o que provoca a revolta dos policiais.

"Em temas assim é necessário ser preciso, realista e fiel, sobretudo na maneira de mostrar os interrogatórios", declarou a atriz Emmanuelle Bercot, uma das roteiristas do filme.


NÃO QUIS SER SENSACIONALISTA", DIZ DIRETOR SOBRE SEU FILME QUE ABORDA MORTE DE DIANA SOB A ÓTICA DO ATENTADO

O diretor Keith Allen defendeu nesta sexta (13) seu documentário
"Unlawful Killing", sobre a morte da princesa Diana, em meio a acusações de que o documentário seria um ataque unilateral contra o que ele chamou de "establishment" britânico e que teria sido integralmente financiado por Mohamed al-Fayed - empresário cujo filho Dodi, namorado de Diana, também morreu no acidente de carro em Paris (1997).

Fayed sustenta há muito tempo que o casal foi morto por ordem do marido da rainha Elizabeth II, príncipe Philip, por acreditar que a família real britânica não queria que Diana se casasse com um muçulmano.

Os membros da realeza, especialmente Philip de Edimburgo, os juízes e os meios de comunicação estão na mira constante do documentário, que garantiu sua estreia mundial em Cannes - enquanto sua distribuição no Reino Unido ainda não tem previsão -e põe principalmente em cheque a reputação de Philip, que é apontado em fotografias nas quais é visto acompanhado de dirigentes nazistas nos anos 1930.

Em uma coletiva de imprensa em alguns momentos caótica em Cannes - o documentário foi lançado fora do festival oficial de cinema - o diretor descreveu o documentário como "forense" - descrição questionada por alguns dos presentes.

O filme foca em parte sobre o inquérito sobre a morte de Diana realizado em 2007/08 e argumenta que a imprensa britânica não refletiu corretamente as conclusões do inquérito, devido a pressões indiretas da família real.

Getty ImagesDodi al-Fayed e Diana, dias antes de morrerem

"Achei importante que o público pudesse entender de maneira forense o que aconteceu no inquérito",
disse Allen, mais conhecido como ator de televisão britânico, falando a repórteres em Cannes.

"Eu não quis fazer um filme sensacionalista. Não acho que seja um filme sensacionalista. Acho que é uma análise muito forense de um processo legal britânico e acho que revela certas coisas que não 'batem'."

"Acredito que essas coisas devem ser questionadas. Foi por isso que fiz o filme. Espero que ele mostre às pessoas que nada é o que parece ser."

Confira o trailer de "Unlawful Killing":


Allen foi criticado diretamente por um jornalista por não ter deixado claro que o filme foi financiado 100% por Fayed - custou 2,5 milhões de libras (4,1 milhões de dólares), cifra citada em Cannes por um homem que afirmou ser representante de Fayed, que não esteve em Cannes para apresentar o filme.

"Ele deu o dinheiro, porque ninguém mais se dispôs", disse Allen.
"Se eu pudesse ter obtido o dinheiro de outra fonte, eu o teria feito. Mas não consegui. Consegui dele."

Investigações das polícias francesa e britânica concluíram que as mortes de Diana e Dodi foram fruto de um acidente trágico provocado por um motorista que dirigia em alta velocidade, e que depois se descobriu, estava embriagado - ambas as investigações rejeitaram as teorias de Fayed.

Getty ImagesMohamed Al Fayed, milionário egípcio radicado na Inglaterra, na pré-estreia de "Bruno", em Londres (17/06/2009)

Indagado o que há de novo em "Unlawful Killing", Allen disse:
"Acho que não há tanta coisa que seja nova. Existe em nosso país um velho ditado segundo o qual os segredos mais bem guardados estão nas estantes da Biblioteca Britânica. Estão todos lá, basta você ir procurá-los, e meu filme não é um ataque à monarquia. Na realidade, ele questiona o papel do establishment, e, ao fazê-lo, vai deixar claro que existem ligações entre a real Casa de Windsor e o establishment."

O documentário inclui uma foto de Diana agonizando logo após o acidente - elemento que a imprensa britânica focou nos últimos dias, embora Allen tenha minimizado sua importância - e uma imagem do rosto de uma séria Elizabeth II o encerra, relacionando o comportamento de seu marido com o de um psicopata e racista, expressão que Al Fayed utiliza em repetidas ocasiões na entrevista sobre o filme.


COM FILME SOBRE MORTALIDADE, GUS VAN SANT ABRE SEÇÃO "UM CERTO OLHAR"

O cineasta americano Gus Van Sant, acostumado a transitar pelas linhas comercial e independente, volta ao cinema com "Inquietos", um romance que conta a história de um casal de jovens preocupados com a mortalidade.

E foi com essa obra que ele abriu a prestigiosa seção "Um Certo Olhar" de Cannes, na sexta (13).

Após perder o avião e cancelar sua presença prevista para quinta-feira, o diretor compareceu um dia depois, rodeado do elenco juvenil do longa, produzido também pela atriz Bryce Dallas Howard, protagonista de "A Vila" - Van Sant já ganhou a Palma de Ouro e o prêmio de melhor diretor em Cannes, por "Elefante" (2003), e recebeu duas indicações ao Oscar de melhor diretor por "Gênio Indomável" (1997) e "Milk - A Voz da Igualdade" (2009).

Getty ImagesGus Van Sant (centro) com os atores Henry Hopper e Mia Wasikowska, protagonistas de "Inquietos"

"Com a história de Will Hunting 0 "Gênio Indomável" -, foi a primeira vez que atuei em uma atmosfera mais 'mainstream', e descobri que podia olhar algo de um ponto de vista otimista. Suponho que haja uma parte de mim assim", explicou Van Sant.

Porém, essa história de superação não tinha sobre si o peso da morte, como pode ser visto em "Inquietos", filme em que o estreante Henry Hopper - filho do ator Dennis Hopper - e a atriz Mia Wasikowska - a protagonista de "Alice no País das Maravilhas", de Tim Burton - vivem uma história de amor, enquanto a jovem enfrenta o câncer.
"Quando um adolescente está enfrentando uma doença catastrófica, embora não necessariamente terminal, sente a necessidade do sentimento de negação do que realmente é", afirmou Van Sant, que explica que "nestes casos, a família é muito superprotetora".

EFEO casal Protagonista de "Inquietos", Henry Hooper e Mia Wasikowska, em cena do filme

Segundo ele, "a irmã de Annabel não quer brincar, nem falar de ideias existencialistas sobre passagem do tempo" e é por isso que recorre ao personagem de Enoch, "uma pessoa mais próxima, mas não da família, pode se transformar em seu melhor amigo nessas circunstâncias".

O diretor aposta em um ambiente encantador, passado na cidade de Portland, e cria esses pequenos momentos de excentricidade mágica - os jovens se conhecem em um funeral -, ajudando a superar o estorvo de contar uma história mil vezes já vista na telona - principalmente em "Love Story - Uma História de Amor" (1970) e "Doce Novembro" (2001).

Trata-se de uma maneira de atingir a autenticidade da emoção e levar a plateia às lágrimas, ainda mais em um ambiente tão sério como o de Cannes.
"Há no filme, inclusive, uma homenagem ao cinema francês", disse o cineasta, que 'pinta' Wasikowska como Jean Seberg e transforma Henry Hooper em um boêmio atemporal.

Confira o trailer de "Inquietos/Restless":


Jason Lew, autor do roteiro, é filho de um oncologista pediátrico, conviveu com crianças que morreram precocemente e frequentava funerais na infância, como a personagem de Hooper.

Depois de trabalhar com Tim Burton, Mia Wasikowska está feliz de trabalhar com Van Sant.
"A Annabel é uma menina que tem que lidar com uma situação extrema. Ela está morrendo, mas consegue apreciar os momentos simples da vida".

Bryce Dallas, atriz de "A Vila" e "Além da Vida" e filha do diretor Ron Howard, é uma das produtoras do filme.
"Não me planejei para me tornar produtora, mas aconteceu. Trabalho como atriz durante o dia, mas sobra muito tempo livre à noite", brincou.

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Com Reuters, UOL, France Presse e Getty Images