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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

R.I.P.: CONCHATA FERRELL, A BERTA DE 'TWO AND A HALF MEN'

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Ela foi indicada a dois Emmy por sua atuação como Berta na comédia onde brilhou ao lado de Charlie Sheen e Jon Cryer 
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 A atriz Conchata Ferrell, conhecida por sua atuação como a diarista Berta na série "Two and a Half Men", morreu aos 77 anos nesta segunda(12). 

 De acordo com o site Deadline, a causa da morte foi complicações causadas por uma parada cardíaca. 

 Ferrell estava cercada pela família em um hospital na Califórnia, nos Estados Unidos. 

 Ela recebeu duas indicações como atriz coadjuvante no Emmy por seu trabalho na série cômica, intitulada de "Dois homens e meio" no Brasil.
Conchata Ferrell chega ao Emmy em 2007 — Foto: Chris Pizzello/AP Photo 

 "Uma querida absoluta, uma profissional completa, uma amiga genuína, uma perda chocante e dolorosa. Berta, seu trabalho no lar era um pouco suspeito, seu trabalho com as pessoas era perfeito", escreveu o ator Charlie Sheen, um dos atores originais da série, em seu perfil no Twitter.
Em cena com Charlie Seen - Divulgação/WB TV 

 "Estamos tristes pela perda de Conchata Ferrell e gratos pelos anos que ela nos trouxe risadas como Berta, que viverá para sempre", escreveu o perfil da Warner Bros. Television. 

 Ela também foi indicada ao Emmy como atriz coadjuvante em drama por sua atuação em "L.A. Law", em 1992. 

 Na TV, esteve em séries como "Plantão Médico", "Buffy: A Caça-Vampiros", "Grace e Frankie" e "O rancho"

 A atriz ainda fez trabalhos no cinema, em filmes como "Edward Mãos de Tesoura" (1990), "Erin Brockovich, uma Mulher de Talento" (2000) e "A Herança de Mr. Deeds" (2002).
Jon Cryer, Angus T. Jones, Charlie Sheen e Conchata Ferrell no TV Land Awards, em 2009 — Foto: Matt Sayles/AP Photo 

 Em julho, o marido de Ferrell, Arnie Anderson, divulgou que ela estava internada desde maio depois de sofrer um infarto. 

 A atriz passou mais de quatro semanas na unidade de terapia intensiva (UTI), e depois foi transferida a um centro de tratamento a longo prazo, onde ficou ligada a um respirador e fazia diálise. 

 Eterna Berta: depois do Charlie, era a melhor da série.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

'TWO AND A HALF MEN' - ÚLTIMO EPISÓDIO: CHARLIE HARPER APARECE, MAS CHARLIE SHEEN NÃO


O último episódio de "Two and a Half Men" foi ao ar nos Estados Unidos na noite de ontem (19) e, para decepção dos fãs, não contou com a participação do ator Charlie Sheen, que interpretou o protagonista Charlie Harper em oito das doze temporadas da série.

Mas isso não quer dizer que Charlie Harper não tenha aparecido!!

Segundo o "Hollywood Reporter", o último episódio da sitcom contou com várias referências ao personagem e ao fim dele, apareceu na tela uma mensagem do criador da série, Chuck Lorre, contando que Sheen havia sido convidado para fazer uma participação especial, mas recusou a oferta.

Também convidado, Angus T. Jones, o Jake, aceitou o convite e apareceu no episódio.

Em entrevista à "Variety", Lorre confirmou o ocorrido:

"Eu tomei uma decisão mais ou menos um mês atrás – havia tanta demanda, tanta animação de ver Charlie voltar para o final, que o certo a fazer criar alguma coisa com a qual pudéssemos nos divertir, brincar com toda essa loucura. Isso foi apresentado para ele. Ele não gostou. E nós não gostamos do que ele queria fazer. Então não foi para a frente".

Antes, Chuck Lorre já tinha  pelas suas redes sociais como seria a volta de Sheen à série:

"Sei que muitos de vocês estão decepcionados por não terem visto Sheen no episódio final. Para registro, foi oferecido um papel a ele. Nossa ideia era fazer ele andar até a porta da frente, tocar e campainha, virar, olhar diretamente para a câmera e dar início a um discurso inflamado sobre os perigos do vício em drogas. Ele então iria explicar que esses perigos se aplicavam apenas a pessoas normais. Que ele estava longe de ser normal. Ele era um ninja guerreiro de Marte. Ele era invencível.

E então nós jogaríamos um piano na cabeça dele. Nós achamos que era engraçado. Ele não. AO invés disso, ele queria que nós escrevêssemos uma cena afetiva que iria marcar seu retorno ao horário nobre em uma nova sitcom chamada 'The Harpers', estrelando ele e Jon Cryer. Nós achamos isso engraçado também".

Angus T. Jones (Jake), Conchata Ferrell (Berta), Ashton Kutcher (Walden) e Jon Cryer (Alan), em cena do último episódio de 'Two and a Half Men' - CBS

Sheen deixou "Two and a Half Men" em 2011: em meio a sérios problemas com drogas, o ator foi internado na reabilitação durante a oitava temporada da série e criticou publicamente Chuck Lorre e a emissora que exibia a série, a CBS.

Seu personagem, Charlie Harper, então foi morto e, então, entrou em cena Walden, um homem rico e solitário, interpretado por Ashton Kutcher.

Na época, Sheen chegou a processar a Warner Bros. Television (produtora da série) em US$ 100 milhões, mas fechou um acordo fora dos tribunais.

Lorre disse à "Variety" que ficou decepcionado com a recusa de Sheen em aparecer na série.

"Acho que teria sido uma forma bem legal de terminar o último episódio, dar a ele um momento verdadeiro para falar diretamente com a câmera, fazer o que ele faz e arrasar no final. Mas não era para ser", afirmou o produtor, que confirmou que não fala com o ator há anos e que o convite foi feito por intermediários.

Se Sheen não voltou, o mesmo não se pode dizer de outro ator afastado da produção, Angus T. Jones, o Jake.

Ele deixou de aparecer na série em 2013, poucos meses depois de se tornar um fundamentalista cristão e de causar um enorme mal-estar, por pedir aos espectadores que deixassem de assistir à atração.

Mas Lorre garantiu que não há problemas entre ele e a equipe e contou que o público que acompanhou as gravações do episódio final aprovou a volta do ator.

"Se nós realmente tivéssemos exibido a resposta do público quando Angus entrou no palco... Foi alta e exuberante. Nós tivemos que abaixá-la para a transmissão. Eles estavam muito animados por vê-lo. Tudo isso são águas passadas. Ele pediu desculpas pouco depois. Estamos bem. Nós entramos em contato e ele ficou animado e ansioso para participar. Foi como nos velhos tempos, com a exceção de que ele não tem mais oito anos".

CONFIRA COMO FOI O EPISÓDIO FINAL:

O episódio final, duplo, teve todo o elenco titular - Jon Cryer, Ashton Kutcher, Conchata Ferrell - ,  as participações especiais de Arnold Schwarzenegger, John Stamos e Christian Slater e Charlie Harper!

Se Charlie Sheen não voltou para fazer a tão aguardada participação especial, isso não quer dizer que Charlie Harper não esteve presente na história (afinal, o personagem reinou por oito dos 12 anos da produção).

A trama como um todo fez homenagens e referências à série e ao próprio criador Chuck Lorre, com piadas do tipo:
 “Que incrível que você ganhou tanto dinheiro com piadas estúpidas” ou “Charlie era insubstituível” (corta pro Kutcher) e por aí vai.

Mas a “grande” revelação foi a de que Charlie Harper,  na verdade não “morreu no metrô e explodiu como um balão de carne”.

Rose (Melanie Lynskey) , a vizinha que o perseguia e que acabou virando a sua mulher, o manteve por quatro anos dentro de um poço no porão de casa.

O episódio abriu com esta revelação e seguiu “escondendo” o personagem até um flashback que mostrou Charlie em uma versão animada tosca -  estilo 'Silvio Santos dançarino do SBT'.

Na lua de mel, Charlie traiu Rose com a camareira do hotel, um mímico e uma cabra (...) e na real quem morreu espatifada no metrô foi a cabra!!!!

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Em versão animada, Charlie Harper passeia com Rose por Paris - CBS
Resumindo: Rose prendeu o marido infiel no porão, ele escapou e no final voltou pra se vingar de todo mundo. 

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Na cena acima, ao ver um pote de açúcar derrubado na mesa em Paris, Charlie fica “doidão”, seu nariz vira um aspirador e ele inala todo o pó - CBS

Além dessa história principal, o episódio de despedida  foi hilário, principalmente pelas piadas que satirizavam a própria série. 

No meio disso tudo Jake (Angus T. Jones) também retornou pra dizer que agora é um milionário e que tem uma família no Japão.

Jake começou a fazer piadas sem graça e comentários impróprios até ser interrompido por Walden  (Ashton Kutcher), que se espantou: 
“Incrível como você [Jones] conseguiu ganhar tanto dinheiro com piadas estúpidas”. 

Depois disso, Jones, Kutcher e Cryer olharam para a câmera e sorriram.

Teve várias situações parecidas com essa:  Kutcher também se virou para a câmera, logo no começo do episódio, e disse: “Espero que isso acabe logo” e foi firme ao rebater um comentário feito pela empregada Berta (Conchata Ferrell) - ela falou para Alan: “Se Charlie aparecer, você for embora e Walden ficar, podemos continuar com isso por mais cinco anos”. 
Walden, sem hesitar, devolveu: “Eu acho que não.”

Outro instante que Kutcher brinca com a estadia dele na série nas quatro temporadas finais é quando Walden está como intrometido na reunião familiar entre Evelyn, Alan e Jenny, que estavam discutindo se Charlie estava vivo ou não: ao fazer um comentário impróprio, Evelyn reage com raiva: “Por que você está aqui?” - e Walden responde: “Faço essa pergunta para mim desde o primeiro dia.”


Quando Alan e Walden vão para uma delegacia explicar a possível aparição repentina de Charlie, o tenente de plantão, Wagner, interpretado por  Arnold Schwarzenegger,  fica espantado com o que eles descrevem e  demonstra espanto ao recapitular a história envolvendo Alan, Walden e Charlie

Ele faz um resumo completo da série, desde o piloto (quando Alan, separado da mulher, vai viver com o irmão solteirão) até o falso casamento gay entre Alan e Walden, forjado para que pudessem adotar uma criança. 

E  Wagner finaliza: " toda essa história é rídicula". 
E a cena do piano, imaginada por Lorre?

Evidentemente, Charlie acabou morto pelo piano que encomendou para celebrar seu retorno.

O instrumento estava sendo transportado de helicóptero para a casa de praia e caiu do céu na cabeça dele, no momento em que ele (um dublê que nunca mostra o rosto) iria fazer a aparição triunfal.

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Charlie Harper - interpretado por um dublê, de costas, aparece na cena final - CBS
Logo após o acidente, um travelling de câmera revelou o estúdio da Warner onde a série é gravada e, da cadeira de diretor, Chuck Lorre assistia a tudo exclamando: “#Winning” ... 

...até um piano cair em cima da cabeça do próprio criador da comédia!

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Chuck Lorre aparece momentos antes de um piano cair também sobre ele - CBS
Foi o 'The End'  final da série, após 12 temporadas.

Mas nem tudo foram flores no último episódio: ainda segundo o "Hollywood Reporter", os membros da equipe da sitcom ficaram chateados por não terem recebidos presentes pelo fim da série – diferentemente do que aconteceu com os atores.

Fontes consultadas pela publicação informaram que era esperada uma grande festa para comemorar o fim da produção, mas só foram colocados à disposição da equipe alguns 'food trucks' no estacionamento do complexo de estúdios da Warner Bros. em Burbank, cidade da grande Los Angeles onde as 12 temporadas da série foram rodadas.

Um veterano da produção disse à revista que os atores ganharam relógios de US$28 mil de presente e acrescentou que a equipe está "completamente chocada" com o gesto da produção.

"Que vergonha desses produtores, da CBS e da Warner Bros.", afirmou.

Uma pessoa ligada à Warner, porém, garantiu que tudo não passou de um mal-entendido e que os presentes estão a caminho.

"Nunca em nossa história fizemos algo para mostrar o contrário", falou a fonte, acrescentando que a equipe recebeu presentes para comemorar o 100º e o 200º episódios.

As filmagens de "Two and a Half Men" acabaram no dia 6 de fevereiro - portanto poucos dias antes da exibição do episódio final, exibido ontem à noite pela CBS.

O último episódio da série será exibido aqui no Brasil na próxima quinta,  dia 05 de março, às 20h, no Warner Channel.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

ESPECIAL: 'TWO AND A HALF MEN' ACABA NA QUINTA COM CHARLIE SHEEN DE VOLTA COMO CHARLIE HARPER?


Uma das melhores séries de TV de todos os tempos, 'Two and a Half Men' exibe seu último episódio nesta quinta (19) nos EUA, ainda envolta no mistério sobre o retorno de seu principal protagonista, Charlie Sheen.

Se a comédia politicamente incorreta nunca atingiu o topo na concorrida disputa por audiência nos Estados Unidos, durante suas 12 temporadas, conseguiu manter um público cativo, formado em 90% por homens - inclusive aqui no Brasil, onde é exibida pelo Warner Channel e pelo SBT.

Com a saída tumultuada de Charlie Sheen em 2011 - após brigar com o criador e produtor da série, Chuck Lorre - a comédia se perdeu com uma história confusa, mesmo com a entrada de Ashton Kutcher - ator queridinho do público americano - no elenco.

Agora, na temporada final, o falso casamento gay entre Alan Harper (Jon Cryer) e Walden Schmidt (Kutcher) e a adoção de um garotinho afro americano fizeram com que a série voltasse ao modelo original e retomasse o sucesso.

Intitulado 'Ele Não Está Morto', o derradeiro episódio pode surpreender - principalmente por amarrar todas as tramas e pelo fato de que todo mundo aposta que Charlie Sheen vai aparecer, vivo ou como o fantasma de Charlie Harper.

Produzida pela Warner Bros. Television e gravada na sede do estúdio em Burbank - cidade da grande Los Angeles - 'Two and a Half Men' estreou na CBS com sucesso em em 22 de setembro de 2003, alcançando um público de 18,44 milhões de telespectadores americanos.

Charlie Sheen, Jon Cryer e Angus T.Jones, oa protagonistas originaos da série - Fotos dessa postagem - Divulgação/CBS
Esse piloto, considerado um dos melhores episódios iniciais de todos os tempos, atraiu um número de telespectadores que acompanhariam a série nos anos seguintes.

Porém, a comédia jamais foi líder absoluto de audiência - a de maior audiência foi a sexta temporada (2008-2009), com média de 15,06 milhões de telespectadores por episódio, o que deixou a série em décimo lugar no ranking das maiores audiências da TV norte-americana, melhor posição em 11 anos.

As aventuras amorosas de Charlie Harper (Sheen), que se relacionou com mais de 40 mulheres na série, fidelizaram o público, interessado em saber qual seria a próxima acompanhante do bon vivant californiano, um milionário compositor de jingles para propaganda e que morava sossegado numa esplêndida casa na praia de Malibu.

Até que seu irmão, Alan (Jon Cryer), recém divorciado e sem ter onde morar, bater à sua porta pedindo abrigo e levando de contrapeso seu pequeno filho Jake (Angus T. Jones) - o 'meio homem' do título traduzido da atração, 'Dois Homens e Meio'.

Os micos pagos por Alan também agradavam os fãs, assim como as tiradas ácidas do garoto Jake, que o público viu crescer e se tornar um pós adolescente durante a série.

Confira os erros de gravação da quarta temporada:


A vizinha Rose (Melanie Lynskey) - que após tomar um pé na bunda de Charlie esta sempre perseguindo-o e vigiando-o - e principalmente, a empregada Berta (Conchata Ferrell)  foram bem vindas adições ao elenco regular.

Berta é a que eu mais gosto: com suas tiradas rápidas e inteligentes, desbocada, beberrona, maconheira, mãe de muitos filhos, ela mais passeia do que trabalha na casa de Malibu, foi mandada embora diversas vezes, demitiu-se diversas vezes e é a personagem coadjuvante  mais longeva da série - está presente em todas as temporadas.

Conchata Ferrell como Berta, em cena com Charlie Sheen
Só que a grande força da série era Charlie Harper, graças à magistral interpretação de Charlie Sheen, filho do também astro Martin Sheen e irmão do correto ator Emilio Estevez.

Sheen já era um astro do cinema - com atuações elogiadas em 'Platoon', 'Wall Street', 'Top Gang' e 'Os Três Mosqueteiros' - quando aceitou o convite de Chuck Lorre para protagonizar a comédia televisiva.

A maior audiência em um único episódio com Sheen no elenco foi no 22º capítulo da segunda temporada, onde Jake passou uma noite na casa da avó, a ricaça corretora de imóveis Evelyn (Holland Taylor, soberba), deixando-a louca.

Holland Taylor como Evelyn, contracena com Charlie Sheen
Enquanto isso, Charlie e Alan aproveitaram o tempo livre do pestinha em um barzinho, paquerando as mulheres do lugar - a audiência foi de 24,24 milhões de telespectadores.

Só que no final da oitava temporada, o caldo entornou: Sheen vivia momentos difíceis, entrando e saindo seguidas vezes do 'rehab' e seus atrasos tumultuavam muito as filmagens da série.

Até a briga homérica com seu até então melhor amigo Chuck Lorre - criador e produtor da série - que, inconformado, pediu a cabeça do ator à Warner - que o demitiu sem mais delongas.

Confira os erros de gravação da Sétima Temporada:


Charlie Sheen entrou então para um seleto grupo de protagonistas de série que foram demitidos no auge do sucesso - o primeiro foi Dick York, intérprete de James (Darren) Stevens,  marido da bruxa Samantha (Elizabeth Montgomery), que foi demitido na  temporada  da série 'A Feiticeira' (1966-1972) por faltar muito por seguidos problemas de saúde, sendo substituído até o final da série por Dick Sargent.

Sem tempo para fechar a série, Warner e Lorre resolveram então matar Charlie Harper e até na morte do personagem a comédia lucrou.

Alan (Jon Cryer) em episódio do funeral do irmão, Charlie

A próxima temporada foi confirmada - com Ashton Kutcher no lugar de Sheen -  e sua estreia, no primeiro episódio da nona temporada, foi a maior audiência da série.

Atentos 28,74 milhões de telespectadores queriam saber como a atração continuaria sem o astro maior, além da curiosidade em saber como o personagem de Kutcher, o bilionário Walden Schmidt, se encaixaria na história.

A CBS apostou alto em Kutcher: então nome popular nas comédias românticas do cinema e vindo de um tumultuado divórcio com a estrela Demy Moore, ele passou a ser o ator mais bem pago da TV, recebendo nada menos que US$ 700 mil dólares por episódio.

Depois das telonas, Kutcher voltava assim ao veículo que o consagrou - ele se tornou astro logo no começo da carreira, como um adolescente ingênuo em That '70s Show (1998-2006) - onde conheceu a atual mulher, Mila Kunis.

A série seguiu com mais baixos que altos até 2013, quando o intérprete de Jake, Angus T. Jones, já um homem feito, virou um fundamentalista cristão dos mais chatos, inclusive gravando um polêmico vídeo em que, ao lado do seu pastor, pedia para os telespectadores que não assistissem à série, por ela ser "suja e repleta de maus exemplos e palavrões".

Angus T.Jones e sua nova face de fundamentalista cristão - E! Online
Como na trama, Jake tinha virado um soldado do exército enviado ao oriente médio, a produção foi diminuindo sua participação até ele sumir de vez - agora, Jake sequer é citado.

Sem Sheen e T. Jones, Jon Cryer era o único remanescente do elenco original e com a inclusão da atriz Amber Tambly (como Jenny, filha lésbica de Charlie Harper), o formato 'dois homens e meio' se perdeu e, assim, a série caminhou para os seus piores anos.

Do expressivo número de 28,74 milhões de telespectadores, a série chegou ao patamar abaixo dos 10 milhões.

Com exceção de Alan, agora todos os protagonistas não tinham um padrão de comportamento - a mudança constante era para ver qual delas agradaria mais ao público.

Sem sucesso, os roteiristas decidiram agir e arriscar com uma história radical - e não é que a trama de 'um casal gay numa série de macho' deu certo?

Jon Cryer e Ashton Kutcher se beijam na temporada final de 'Two and a Half Men'

O produtor Lorre já tinha dito que essa décima segunda temporada seria a última - e ela estreou com o comentadíssimo casamento gay entre Walden e Alan.

Não, os dois machos alfa não viraram gays: a união entre os dois tem um propósito, que é permitir que Walden possa adotar um filho.

A aposta arriscada trouxe um novo e bem vindo fôlego à série, principalmente nas cenas onde Cryer, ator soberbo, arrasa como um Alan gay - em uma cena, ele diz a Walden que tem nove entre dez características de uma boa mulher.

Kutcher, mesmo sendo apenas um razoável ator, também faz uma boa mescla entre os momentos gays e hétero de Walden.

Eles conseguem adotar um garoto afro americano, Louis (Edan Alexander), que ganha o sobrenome Schmidt.

Ashton Kutcher, Edan Alexander e Jon Cryer, em cena da atual temporada


Assim, para a alegria dos fãs, e mesmo que que tenham ocorrido protestos de fãs mais raivosos contra essa nova abordagem da série, o formato original  ('dois homens e meio') foi recuperado e 'Two and a Half Men' voltou a ser manchete mundo afora pela ousadia.

Essa última temporada realmente tem sido um primor de texto, direção e boas interpretações e agora, os fãs se perguntam: 
Afinal, Charlie Sheen volta mesmo para o episódio final?

A começar pelo título do episódio - 'Ele Não Está Morto' - passando pela recente entrevista de Ashton Kutcher a Ellen DeGeneres - onde ele praticamente confirmou que Sheen estará, sim - até as recentes declarações dúbias do próprio Sheen, tudo leva a crer que o maior protagonista da série estará em cena para encerra-la com chave de ouro.
Confira um trailer de um dos últimos episódios desta temporada:


Warner, Chuck Lorre e demais responsáveis pela produção, no entanto, evidentemente negam o retorno, o que faz a despedida de 'Two and a Half Men' ser uma das melhores da história.

Vamos aguardar o Warner Channel - que exibe a comédia toda quinta, 20 h - exibir esse episódio aqui, o que deve acontecer semana que vem.

Confira as aberturas - da primeira à décima primeira temporadas:


*****
'TWO AND A HALF MEN' - ÚLTIMO EPISÓDIO DA SÉRIE
Quando: 
Quinta (19)
Onde: 
CBS (EUA)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

'FRANKENWEENIE': TIM BURTON REVISITA SEU PASSADO E ESPALHA AMOR GÓTICO NA TELONA


Timothy William Burton (*25.8.1958) nasceu e cresceu em Burbank - pequena cidade da Grande Los Angeles onde ficam localizados a Walt Disney Company e a Warner Bros.

Menino estranho e introspectivo, foi até natural que Tim Burton enveredasse pelo mundo mágico do cinema, que ele respirava à porta de casa.

Burton começou na indústria cinematográfica como desenhista da Disney, mas tinha um mundo todo próprio na cabeça e que ele precisava botar pra fora.

Imagens dessa postagem: Divulgação -Disney
Tim Burton segura um dos muitos bonecos do cachorro Sparky, utilizados nas filmagens de "Frankenweenie" (2012)

Um dia, e como ele mesmo diz, "cansado de desenhar raposas fofas", e já tendo participado da criação dos fofos "João e Maria" e "Vincent" ( ambos de 1982),  Burton propôs à Disney uma animação gótica - que depois viraria a marca registrada do diretor - sobre um menino muito ligado a seu cachorro.

Victor e seu cão Sparky, protagonistas do longa que estreia hoje

Quando o cachorro morre, o menino, à la "Frankestein" de Mary Shelley, ressuscita o cão, para espanto da cidadezinha onde moravam.

Nascia aí o curta "Frankenwweenie" (1984), onde Burton, em preto e branco, já colocava toda a sua gama de personagens sombrios e excêntricos, rodeados de cenários góticos.

Na época, infelizmente, a diretoria da Disney achou tudo mundo escuro e estranho, e resolveu não lançar o curta nos cinemas.

Felizmente, e por muito tempo, a Disney nem percebeu que o curta correu o mundo, ficando inclusive muito tempo postado no YouTube - evidente, o estúdio já o retirou de lá recentemente.

Desprestigiado na Disney, Tim Burton partiu então para o outro estúdio seu vizinho, e na Warner Bros. fez, entre outros, "As grandes Aventuras de Pe-wee" (1985) e "Os Fantasmas se Divertem" (1988), até ser catapultado ao panteão dos grandes diretores de Hollywood com "Batman" (1989), longa que encheu os cofres da Warner com bilheterias vindas de todo o mundo.

Victor ressuscita Sparky: sensacional!

Na Warner, Burton fez "Edward Mãos de Tesoura" (1990) - início de sua longa parceria com o ator Johnny Depp - , "Batman, o Retorno" (1992) - agora com controle total sobre a produção -, e, entre muitos outros, "Ed Wood" (1994) e o remake de "Planeta dos Macacos" (2001).

Burton voltaria à Disney para fazer o remake de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (2005), levando na bagagem seu ator favorito -  Depp -  e a sua já esposa - a fantástica atriz britânica Helena Bonham Carter.

Fez assim outro grande sucesso de sua carreira, como também o foi a sua mais que especial visão do livro clássico que Walt Disney já tinha levado aos cinemas como animação - "Alice no País das Maravilhas" (2010).

A cachorra Persephone tem o visual da atriz Elsa Lanchester, em "A Noiva de Frankestein", cult filme de 1935

Mas, e "Frankenweenie", nunca seria lançado comercialmente?

Para topar fazer "Alice...", Burton fez uma jogada de mestre: faria, desde que a Disney também topasse produzir uma nova versão da história do menino e seu cachorro, agora em stop-motion, modo de fazer filmes quadro a quadro onde Burton é mestre - basta conferir "O Estranho Mundo de Jack" (1993) e "A Noiva Cadáver" (2005).

O ator Robert Capron dá voz ao personagem Bob

Assim, Tim Burton volta ao passado com o lançamento da animação "Frankenweenie" (2012), onde o cineasta retoma a infância e revisita a estética de Dia das Bruxas que o tornou famoso - não por acaso, o longa foi lançado hoje aqui no Brasil, dias depois do Halloween.

Recontando a história do curta de 28 anos atrás, e com todos os recursos que a produção de se fazer filmes hoje dispõe, o diretor nos dá uma simples, porém tocante e envolvente história em preto e branco, do amor entre um garoto e seu cão.

A mãe de Bob tem a voz da atriz Conchata Ferrell, que interpreta a divertida empregada da série de TV "Two and a Walf Men"

Agora um longa-metragem, captado no formato 3D e em stop-motion, "Frankenweenie" mostra a história de Victor Frankenstein, um garoto comum que adora seu cachorro, Sparky.

Introvertido - está na cara que Victor é um alter ego de Burton - não é exagero dizer que o personagem tem mais empatia pelo animal do que pelos colegas na escola, vizinhos e habitantes da cidade de New Holland.

A atriz Winona Ryder dá voz à personagem Elsa

Retratado como apenas mais um entre os jovens desajustados e inofensivos do local, Victor tem sua vida virada do avesso, quando Sparky morre após ser atropelado.

Inconsolável, Victor só encontra alegria quando evoca a tradição de seu sobrenome - uma das muitas referências aos filmes de horror tão admirados pelo cineasta - tenta trazer à vida o seu amigo morto - e consegue!

Sr. Rzykruski tem o rosto e gestual da lenda dos filmes de terror, Vincent Price.

Com o professor Rzykruski, Victor descobre que é possível conduzir eletricidade através do corpo de um cadáver e, ao ver a contração dos músculos causada pela passagem dos elétrons, tem a ideia de utilizar todo tipo de eletrodoméstico durante uma noite de tempestade para ressuscitar Sparky.

O resultado é um ainda mais divertido animal, que continua a amar o seu dono e não consegue mais engolir alimentos - agora, para viver, o bicho-cadáver precisa apenas de uma recarga elétrica.

Edgar "E" Gore é um menino que não tem amigos, e que está desesperado para ser o parceiro de Victor na Feira de Ciências: em suas tentativas para ser aceito, "E" só estraga as coisas e, mesmo prometendo não revelar o segredo de Victor, sem querer, ele acabará revelando-o

As crianças da cidade, mordidas de inveja do feito de Victor, começam a forçá-lo a revelar o segredo por trás da façanha, com uma série de momentos engraçados repletos de eletricidade e do visual gótico que marca as produções de Burton.

Aqui, o diretor celebra o espírito de curiosidade e observação típicos da ciência, com um filme leve, encantador e com muitos momentos que envolvem o mundo da física.

Nassor é um menino muito inteligente, sério e insistente e tem uma visão muito mais apocalíptica e obscura da vida do que a maioria das crianças de New Holland: a princípio, ele é o mais cético quanto aos rumores sobre as experiências de Victor, mas, uma vez convencido do resultado, busca determinadamente revelar seu segredo

Além do experimento com seu cachorro, Victor derruba um monstro usando eletricidade e a cidade chega a debater os métodos de ensino do mestre Rzykruski, que encarna um professor bravo, mas apaixonado por ciência e é mal interpretado quando os pais revoltados questionam a existência de animais retornados do mundo dos mortos e apontam o professor como responsável.

Vem aí o melhor do filme, já que, absolutamente fiel ao conhecimento, o professor afirma querer "entrar na cabeça das crianças" para estimulá-las a pensar com liberdade, só que o ponto de vista tosco dos cidadãos da pequena cidade transforma as palavras do mestre em algo a ser temido, como se Rzykruski fosse um monstro malvado tentando roubar a mente de criancinhas.

A defesa da ciência estimulada por Burton caminha lado a lado com a reprodução do universo próprio dos filmes do cineasta - um exemplo é a vizinhança da casa de Victor, um bairro de subúrbio muito parecido com o de "Edward Mãos de Tesoura".

Outro ponto alto do longa é o grande número de personagens, cada um com personalidade e expressões corporais próprios e ligados à remontagem do universo infantil que Burton propõe.

Assim, temos a garota com olhar obcecado na escola, o vizinho ordeiro e bisbilhoteiro, os pais carinhosos e preocupados, os garotos invejosos e uma fauna com bichos com os traços fantamagóricos que são esperados a cada filme do cineasta.

Menina Esquisita não tem esse nome à toa: ela gosta de divagar sobre os sonhos e seu gato, o sr. Whiskers, fala frases fatais em tom monótono. 
As outras crianças acabam ficando com um certo medo dela...

Mas qual seria a fórmula para o sucesso do experimento de Victor?

Burton sugere a mais doce das respostas à visão revisitada do diretor sobre o próprio passado: amor.

Simples assim.

"Frankenweenie" e um dos melhores longas da carreira de Burton - e da própria Disney, que agora, como a maior empresa de entretenimento do mundo, já não se presta mais ao triste papel de engavetar um trabalho tão bom, como também foi o curta de 1984.

Como curiosidades, mais de 200 bonecos e cenários foram criados para o filme, e vários nomes de personagens - Victor, Elsa Van Helsing, Edgar “E” Gore e Mr. Burgermeister - foram inspirados em filmes clássicos de terror.

Filmaço.

Confira o trailer do filme:

*****
"FRANKENWEENIE"
Diretor:
Tim Burton
Elenco de Vozes da Versão Original:
Winona Ryder, Catherine O'Hara, Martin Short, Conchata Ferrell, Tom Kenny, Martin Landau, Atticus Shaffer, Charlie Tahan, Robert Capron, James Hiroyuki Liao, Christopher Lee
Produção:
Allison Abbate, Tim Burton
Roteiro:
John August
Fotografia:
Peter Sorg
Trilha Sonora:
Danny Elfman
Duração:
87 min.
Ano:
2012
País:
EUA
Gênero:
Animação
Cor:
Preto e Branco
Distribuidora:
Disney
Estúdio:
Walt Disney Pictures / Tim Burton Productions / Tim Burton Animation Co.
Classificação:
10 anos
Cotação do Klau: