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quinta-feira, 15 de março de 2018

'MARIA MADALENA': PROTAGONISTA DA SUA HISTÓRIA, CONTROVERSO PERSONAGEM BÍBLICO FINALMENTE GANHA FILME À ALTURA DA SUA IMPORTÂNCIA


SINOPSE:

A história de uma das figuras mais enigmáticas e incompreendidas da história bíblica: Maria Madalena (Rooney Mara).

Em busca de uma nova maneira de viver, contrariando as pressões da sociedade, sua família e o machismo de alguns apóstolos, como Pedro (Chiwetel Ejiofor) a jovem pescadora junta-se a Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix) em sua incansável missão de propagar a fé.

CRÍTICA:

Mulher mais controversa da Bíblia, Maria Madalena é uma personagem tão importante quanto misteriosa, descrita de diferentes maneiras ao longo dos séculos.

É a “apóstola dos apóstolos”, a prostituta apedrejada, a atormentada por sete demônios, a esposa de Jesus ou a irmã de Marta e Lázaro, dependendo da fonte.

Os únicos consensos são sua proximidade com Cristo, o privilegiado testemunho da ressurreição e a ligação com a aldeia de nome Magdala.

Agora, finalmente a controversa personagem ganhou um longa que conta a sua trajetória, à altura da sua importância para o cristianismo.

'Maria Madalena', filme de Garth Davis que estreia nesta quinta aqui no Brasil, se presta a contar a verdadeira história da enigmática figura, não a colocando uma vez mais como coadjuvante de Jesus, mas sim como protagonista - não apenas observada e descrita por homens, mas dona do ponto de vista.

Joaquin Phoenix e Rooney Mara, em cena do longa - Fotos dessa Postagem - Divulgação - Universal Pictures
Não espere, no entanto, uma visão da Paixão por um ângulo inédito, já que as passagens mais famosas do texto sagrado não são os trechos fundamentais desta narrativa.

A primeira lição que o filme nos ensina é o descolamento da imagem de prostituta.

Interpretada por Rooney Mara, Madalena é uma jovem pescadora, que aqui não exala a extrema sensualidade anteriormente mostrada Debra Messing, Barbara Hershey e Monica Bellucci, algumas de suas intérpretes anteriores na telona.

Moça de família, tímida e religiosa, seu maior pecado é não querer casar, envergonhando irmãos e pai.

Seu grito desesperado de liberdade é mal interpretado e a última esperança de salvação da débil e aparentemente endemoniada moça torna-se o curador cada vez mais famoso nas redondezas - Jesus, óbvio.

A revelação é gradual para o público e Maria, ambos ansiosos pelo primeiro contato com aquele sobre o qual tanto já ouviram falar.

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Tahar Rahim brilha como um comovente Judas 
Encerrado o breve suspense, o Jesus de Joaquin Phoenix explode na telona e o espectador fica inevitavelmente frustrado, ao ver o Cristo dono de olhar entre o perdido e o infantil, oscilando entre o riso bobo e a melancolia pela dor do inevitável destino.

A aproximação dos dois é um forte flerte, com direito a negação familiar e desnecessário apelo sexual via seminudez.

 Confira como foi a trajetória de Rooney Mara, Joaquin Phoenix e Chiwetel Ejiofor durante as gravações:


Mas o diretor não toma o polêmico caminho do estabelecimento do casal, seguido por 'O Código da Vinci' e 'A Última Tentação de Cristo'.

Aqui, a relação dos dois é retratada o amor como um sentimento profundo, com entrega apaixonada e união total, uma conexão intensa e exclusiva - mas sem os beijos e o sexo dos homens.

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Joaquin Phoenix como Jesus de Nazaré
Num outro contexto as trocas de olhares, conversas íntimas, ciúmes e afagos configurariam tensão carnal, mas aqui Maria Madalena realmente passa como uma mulher comprometida com o divino e Jesus é o incompreendido solitário que tem um pouco do peso que carrega aliviado por esse novo braço direito, promissora aprendiz.

Mais do que isso. Madalena aqui é retratada como seu equivalente feminino, já que os dois salvam vidas usando os mesmos gestos encantadores – ela transmitindo paz, ele operando milagres – e enquanto ela leva às mulheres que não ousam se juntar aos homens as palavras do mestre e também as batiza, ambos encaram sem medo os romanos.

Ao ver seu Rabi sofrer, Madalena igualmente desmorona de dor.

Ou seja: finalmente temos aqui um roteiro - assinado por Helen Edmundson e Philippa Goslett - bastante progressista, que afirma a valente Maria Madalena como substituta natural do Salvador em termos de pregação e liderança e a coloca ao seu lado na Santa Ceia.

O roteiro é bastante didático nesse sentido – e em todos os outros – ressaltando a todo momento o machismo responsável pelo seu apagamento e a grande proximidade entre Madalena e Jesus.

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Rooney Mara como Madalena: grande protagonista
Road movie de caminhada com muitas elipses e avanço temporal indiscriminado, o longa adapta bem as mensagens do Filho de Deus, mas coloca na boca dos outros personagens frases ridículas e engessadas.

Em mais uma atuação extremamente contida , mas sensacional, Rooney Mara às vezes lembra a Therese Belivet de 'Carol', observadora e silenciosa.

O arco das duas é semelhante: ambas levam uma vida infeliz até que despertam graças ao amor e por ele se jogam na estrada sem destino ou garantias, numa jornada também de amadurecimento pessoal.

Enquanto o final do romance de Todd Haynes encontra uma Therese por completo diferente da inicial, aqui a transformação é notada exclusivamente em seu discurso, a partir da compreensão do real significado palavras de Jesus.

Mas Mara se sai muito bem na tarefa.

Maria Madalena : Foto Chiwetel Ejiofor
Chiwetel Ejiofor  é Pedro
Chiwetel Ejiofor interpreta o antagonista Pedro, vilão egoísta que desde o começo rejeita Maria Madalena e condena a intromissão feminina no apostolado; Tahar Rahim brilha como um comovente Judas e estrela um dos momentos mais emocionantes da trama; e Ariane Labed, Denis Ménochet e Lubna Azabal fazem pequenas participações.

Elenco talentoso e internacional, algumas atuações são acima da média e apesar de Jesus ainda ser branco, há diversidade no elenco, enfim.

Pena que o cineasta parece preso a um estilo de cinema ultrapassado, apegado a pomposos planos, usando música incidental exagerada em drama e ininterrupção e comandando tudo da forma mais conservadora possível.

A maior ousadia – ou falta de noção – talvez seja um movimento de câmera do casal principal para a lua - aquela mesma cena que já vimos centenas de vezes no cinema e na TV.

Em seu terceiro longa, Garth Davis ainda não mostrou a que veio: salvo pela fofura de Sunny Pawar em 'Lion - Uma Jornada Para Casa', desta vez ele ao menos ganha pontos extras pelo louvável revisionismo.

Afinal, o filme prova que os apóstolos homens entenderam tudo errado e tivesse a voz de Maria Madalena superado a de Pedro, hoje teríamos um catolicismo completamente diferente, com uma toada mais suave.

Enfim, um Evangelho segundo o Feminismo.

Vale uma olhada.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
MARIA MADALENA
Título Original:
MARY MAGDALENE
Gênero:
Drama
Direção:
Garth Davis
Elenco:
Ariane Labed, Chiwetel Ejiofor, Denis Ménochet, Hadas Yaron, Irit Sheleg, Joaquin Phoenix, Lubna Azabal, Rooney Mara, Ryan Corr, Tahar Rahim, Tcheky Karyo
Roteiro:
Helen Edmundson, Philippa Goslett
Produção:
Emile Sherman, Iain Canning, Liz Watts
Fotografia:
Greig Fraser
Trilha Sonora:
Hildur Guðnadóttir, Jóhann Jóhannsson
Montador:
Alexandre de Franceschi, Melanie Oliver
Estúdio:
Film4, Porchlight Films, See-Saw Films, Universal Pictures International Production (UPIP)
Distribuidora:
Universal Pictures
País:
Reino Unido
Ano de Produção:
2017
Duração:
120 min.
Estréia no Brasil:
15/03/2018
Classificação Indicativa:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quarta-feira, 7 de março de 2018

'MARIA MADALENA': DRAMA BÍBLICO ESTRELADO POR ROONEY MARA GANHA SEGUNDO TRAILER

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Longa estreia em 15 de março
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A Universal Pictures divulgou o novo trailer de 'Maria Madalena'.

Assista:


A trama nos revelará uma das figuras mais enigmáticas e incompreendidas da história bíblica: Maria Madalena (Rooney Mara).

Em busca de uma nova maneira de viver, contrariando a sociedade, sua familia tradicional e o machismo de alguns apóstolos, a jovem junta-se a Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix) em sua incansável missão de propagar a fé.

Além de Mara e Phoenix, o elenco conta também com Chiwetel Ejiofor como Pedro, Tahar Rahim como Judas Iscariotes, Ariane Labed como Raquel, Michael Moshonov como Mateus e Denis Ménochet como Daniel, entre outros.

A direção é de Garth Davis e o roteiro, de Philippa Goslett e Helen Edmundson.

A Universal Pictures estreia 'Maria Madalena' em 15 de março.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

'CAROL': UM TAPA NA CARA DA SOCIEDADE, QUE AINDA VÊ IMORALIDADE QUANDO DUAS PESSOAS DO MESMO SEXO SE AMAM


SINOPSE:

Na década de 1950, a jovem Therese Belivet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos em Nova York.

Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha.

Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida.

As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

CRÍTICA:

Adaptação de Todd Haynes para o romance "O Preço do Sal", de Patricia Highsmith, 'Carol', em exibição em 54 salas em todo o Brasil, mostra a luta de duas mulheres apaixonadas lutando na Nova York de 1952 contra uma sociedade americana extremamente fechada.

Além de uma delicada história de amor, o longa traz discussões que ainda são contemporâneas, sobre a liberdade da mulher e direitos dos homossexuais, questões que ainda precisam ser muito analisadas e discutidas por nossa atrasada sociedade.

Haynes foi o diretor certo para esse longa, que completa a obra do diretor sobre pessoas que ultrapassam as limitações impostas pela sociedade em busca daquilo que as fazem felizes.

Na trama, Therese Belivet (Rooney Mara) trabalha em uma loja de departamentos de Manhattan quando conhece Carol Aird (Cate Blanchett), mulher além de seu tempo, presa em um casamento fracassado.

Já no primeiro encontro, ambas sentem uma atração imediata e começam um jogo de sedução.

Uma das realizações mais notáveis do filme é que, apesar das diferenças óbvias de classe social e de background, Therese e Carol se conectam instantaneamente.

Uma faz bem a outra e o vínculo que dividem é tão profundo que nem precisa ser discutido - escolha que funciona não apenas para uma época em que seu amor enfrentaria barreiras ainda maiores do que atualmente, mas também pela forma como Haynes trabalha a imagem de forma a não precisar de palavras.

A belíssima cena do restaurante, logo no começo da amizade, é o principal momento em que a conversa das duas nada diz, enquanto olhares e linguagem corporal revelam tudo - o que denota que Cate Blanchett e Rooney Mara são atrizes extraordinárias, que tem aqui papéis notáveis e inesquecíveis.

Segundo romance de Highsmith, publicado sob o pseudônimo de Claire Morgan para evitar ser condenada por lidar com a homossexualidade, 'Carol' era uma espécie de sensação nos círculos literários LGBT, justamente por ser muito mais positivo do que romances semelhantes da época.

O inteligente roteiro de Phyllis Nagy mantém a dinâmica essencial para o romance aflorar de forma verdadeira, enquanto muda detalhes importantes como o interesse profissional de Therese por fotografia e ao encurtar a viagem pelo país que ocupa grande parte da segunda metade do livro.

O mais importante é que a narrativa sempre mantém o foco na relação das duas e nas dificuldades que enfrentam, mesmo quando o suspense toma conta do terceiro ato.

Blanchett impressiona como, Carol, uma mulher brilhante, capaz de levar sua vida de forma independente enfrentando as adversidades de frente, mas ainda com força o suficiente para mudar quando sente que é preciso.

Já a Therese de Rooney Mara é a personagem em desenvolvimento, reativa, que procura seu caminho ao longo do filme, mas é capaz de perceber o que quer e criar sua própria história.

Graças em grande parte à forma como Mara conduz sua personagem, a cena final, sem diálogo algum, tem imenso impacto, de deixar o espectador prostrado na cadeira.

Haynes, ao lado do diretor de fotografia Ed Lachman, que rodou magistralmente o filme em 16 mm, favorece closes dos protagonistas em momentos dramáticos.

Imagens distantes ou com personagens atrás de portas semiabertas e outros elementos de cenários para criar distanciamento inicial, ou mantendo as personagens nos cantos do quadro, como se isoladas uma da outra devido à situação fazem de cada fotograma uma pequena obra de arte.

O longa possui uma textura realista e a direção de arte recria de forma soberba a Nova York dos anos 50, sendo possível sentir a todo momento o peso dá época na história do casal.

'Carol' é um tapa na cara da sociedade, que ainda vê algo imoral na relação entre duas pessoas que se amam, não importa sexo, origem, etnia, etc.

Forte candidato às seis categorias do Oscar 2016 em que foi indicado hoje, o filme é composto de nuances e os detalhes são muito importantes, tratados com cuidado por Haynes e todo o elenco.

Inteligentemente adaptado e com grandes atuações, esse é um grande filme, que não só conta uma bela história de forma incrível, mas também levanta questões sociais cada vez mais relevantes num mundo que, na superfície, parece mais tolerante do que o de 60 anos atrás, mas na verdade está cada vez mais tomado pelo ódio, intolerância e caretice.

Filmaço.

TRAILER:



INDICAÇÕES AO OSCAR 2016:
Melhor Atriz - Cate Blanchett
Melhor Atriz Coadjuvante - Rooney Mara
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Figurino
Melhor Fotografia
Melhor Trilha Sonora

FICHA TÉCNICA:
'CAROL'
Título Original:
CAROL
Gênero:
Drama
Direção:
Todd Haynes
Roteiro:
Phyllis Nagy, baseada no livro de Patricia Highsmith
Elenco:
Bella Garcia, Blanca Camacho, Carrie Brownstein, Cate Blanchett, Chandish Nester, Cory Michael Smith, Giedre Bond, Jake Lacy, Jayne Houdyshell, Jim Dougherty, Jim Owens, John Magaro, Kevin Crowley, Kyle Chandler, Misty M. Jump, Rileigh McDonald, Rooney Mara, Ryan Wesley Gilreath, Sarah Paulson, Steven Andrews, Trent Rowland, William Willet
Produção:
Christine Vachon, Elizabeth Karlsen, Stephen Woolley, Tessa Ross
Fotografia:
Edward Lachman
Montador:
Edward Lachman
Trilha Sonora:
Carter Burwell
Duração:
118 min.
Ano:
2015
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
14/01/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Mares Filmes
Estúdio:
Film4 / Killer Films / Number 9 Films
Classificação:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

'PETER PAN': LONGA FOGE DA GÊNESE DO PERSONAGEM E VALE POR VISUAL E 3D ESPETACULARES


SINOPSE:

Peter (Levi Miller) é um garoto de 12 anos que vive em um orfanato em Londres, no período da Segunda Guerra Mundial.

Um dia, ele e várias crianças são sequestradas por piratas em um navio voador, que logo é perseguido por caças do exército britânico.

O navio escapa e logo ruma para a Terra do Nunca, um lugar mágico e distante onde o capitão Barba Negra (Hugh Jackman) escraviza crianças e adultos para que encontrem pixum, uma pedra preciosa que concentra pó de fada.

Em pleno garimpo, Peter conhece James Hook (Garreth Hedlund), que tem planos para fugir do local.

CRÍTICA:

Desde que o escritor escocês J.M. Barrie a criou em 1904, a aventura do menino que não quer crescer ganhou inúmeras versões para o cinema, teatro e televisão.

O que até então nunca tinha sido mostrado com detalhes é a origem de Peter Pan e como ele foi parar na Terra do Nunca - 'Hook - A Volta Do Capitão Gancho' (1991), dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Dustin Hoffman e Robin Williams mostrou essa gênese de maneira bem sutil.

Dirigido por Joe Wright ('Anna Karenina'), 'Peter Pan', que estreia hoje em 514 salas em todo o Brasil, procura mostrar ao espectador como um menino se tornou o herói que conhecemos hoje, uma pergunta que qualquer fã do personagem gostaria de ver respondida.

Peter Pan : Foto Levi Miller (II)
Levi Miller é o protagonista Peter Pan - Fotos dessa Postagem: Divulgação/© Warner Bros Entertainment
História de aventura bem infantil, que traz boas cenas de ação, um herói mirim simpático, vilões clichês malignos (Hugh Jackman entrega uma atuação convincente e segura como Barba Negra), criaturas fantásticas e uma viagem com grandes desafios, a trama traz momentos divertidos, como a chegada de Peter (Levi Miller) à Terra do Nunca, lugar onde presencia um afinado coro acapella de 'Smell Like Teens Spirit', clássico da banda Nirvana, liderado pelo vilão central.

Se esse longa tinha a pretensão de ser uma nova versão de Peter Pan, não funciona nesse aspecto, pois não consegue aproveitar da melhor maneira possível os elementos clássicos da história criada por Barrie.

Peter Pan : Foto Hugh Jackman
Hugh Jackman é o vilão Barba Negra
Aqui, a icônica fadinha Tinker Bell , a Sininho, tem uma participação relâmpago, o Hook interpretado por Garrett Hedlund está mais para um Don Juan do que para um futuro e icônico pirata e Peter não está nem um pouco determinado em não crescer ou proteger seus amigos acima de tudo - suas principais características.

Claro que faz sentido os personagens terem características diferentes nesse momento, pois estamos falando de algo que ainda não foi contado, um prelúdio da história que conhecemos e amamos, mas a verdade é que um ponto importante da essência da obra de Barrie se perdeu no caminho de inovação.

Trata-se justamente do verdadeiro encanto da história, que vem do aspecto da Terra do Nunca ser um lugar da imaginação onde qualquer um pode ser criança para sempre.

O prazer de estar lá e a vontade de nunca crescer praticamente não são citados no filme.

Peter Pan : Foto Garrett Hedlund
Garrett Hedlund é James Hook, o futuro Capitão Gancho
A trama começa com Peter sendo deixado pela mãe (Amanda Seyfried) em um orfanato da cidade de Londres.

Sua aventura começa para valer aos 12 anos, quando é raptado pelos capangas de Barba Negra (Hugh Jackman) e é levado a um lugar mágico e bem distante.

Chegando lá, o menino é escravizado junto com outros garotos pelo temido pirata para tentar encontrar o pixum, uma pedra preciosa que concentra o pó de fada.

Depois de conseguir fugir com James Hook (Garrett Hedlund), Peter encontra nativos do local, que passam a acreditar que ele é o escolhido para se tornar o grande herói da tribo.

Com Tigrinha (Rooney Mara) e companhia, o garoto inicia uma rebelião contra o Barba Negra.

Peter Pan : Foto Rooney Mara
Rooney Mara é Tigrinha
Mesmo deixando a desejar em vários aspectos (a origem da lenda do herói está longe de estar totalmente explicada), o filme - produzido por Greg Berlanti, o visionário por trás das séries 'Arrow', 'The Flash' e 'Supergirl' -  vale ser assistido, se não pela forma como os personagens lendários são construídos e apresentados, ao menos pelo visual que, além de espetacular, conta com um 3D bem calibrado e acima da média, elementos capazes de garantir a diversão dos públicos de todas as idades.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
Peter Pan : Poster
'PETER PAN'
Título Original:
PAN
Gênero:
Aventura
Direção:
Joe Wright
Roteiro:
Jason Fuchs
Elenco:
Aaran Mitra, Aaron Monaghan, Adeel Akhtar, Adnan Mustafa, Alexander Bracq, Amanda Seyfried, Ami Metcalf, Amy Morgan, Anastasia Harrold, Andres Austin Bennett, Ben Smith, Cara Delevingne, Chris Marchant, Clem So, Deborah Rosan, Debra Leigh-Taylor, Emerald Fennell, Gabriel Andreu, Garrett Hedlund, Harry Lister Smith, Hugh Jackman, Jack Charles, Jack Lowden, Jacob Greener-Tofts, Jamie Beamish, Jamie Wilson, Jimmy Vee, Joe Kennard, Julian Seager, Kathy Burke, Kurt Egyiawan, Kwame Augustine, Leni Zieglmeier, Levi Miller, Lewis MacDougall, Nicholas Agnew, Nicholas Marshall, Nonso Anozie, Oliver Payne, Oscar Hatton, Paul Kaye, Phill Martin, Rafael Pereira-Edwards, Rooney Mara, Spencer Wilding, Tae-joo Na, Tomislav English
Produção:
Greg Berlanti, Paul Webster, Sarah Schechter
Fotografia:
Seamus McGarvey
Montador:
Paul Tothill
Trilha Sonora:
Dario Marianelli
Duração:
111 min.
Ano:
2015
País:
Estados Unidos / Reino Unido
Cor:
Colorido
Estreia:
08/10/2015 (Brasil)
Distribuidora:
Warner Bros.
Estúdio:
Berlanti Productions
Classificação:
Livre

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

'ELA': HOMEM APAIXONADO PELO SISTEMA OPERACIONAL DO SEU SMARTPHONE É GRANDE METÁFORA DA ATUALIDADE COM ATUAÇÕES PRECISAS DE JOAQUIN PHOENIX E SCARLETT JOHANSSON


'Ela',dirigido por Spike Jonze e que entra em cartaz hoje em 59 salas em todo o Brasil, fala sobre todos os relacionamentos, no que os amarra mas também os destrói: a comunicação.

Pop ao extremo e caprichando num estilo retrô/futurista, o longa é uma das obras mais bonitas e sensíveis dos últimos tempos.

Esteticamente, tem uma direção de arte perfeccionista baseada em cores marcantes, além de um trabalho delicado de fotografia.

A trilha sonora composta por Arcade Fire e canções interpretadas pelos protagonistas - com direito a ukulele, aquele cavaquinho havaiano eternizado nas telonas por Marilyn Monroe em 'Quanto Mais Quente Melhor' (1959) - ambientam de forma nostálgica a composição da trama, que certamente o público alternativo amará.

Aqui, Theodore (vivido pelo ótimo Joaquin Phoenix em seu melhor papel nas telonas) passa seu tempo entre escrever belas cartas por encomenda, jogar videogame e acessar chats para conhecer garotas, até conhecer um novo Sistema Operacional muito semelhante ao 'Siri' da Apple, que  ele configura com o nome de Samantha.

O protagonista Theodore (Joaquin Phoenix) - Fotos dessa postagem: Divulgação/Sony Pictures
O mérito do argumento está em colocar o processo de evolução humana também em Samantha, mas em um nível muito mais avançado em termos de conhecimento e de emoções: ler um livro em fração de segundos e apreender experiências emocionais para toda a vida são passos simples para ela, configurada a partir de informações de Theodore.

Se Phoenix está ótimo, quem surpreende demais, porém, é Scarlett Johansson, que dá vida à essa voz.

Se a atriz não era a primeira opção do diretor, que preferia uma desconhecida do público, essa opção final impactou todo o imaginário do filme, construído em torno da figura de Scarlett com seu papel de musa no mundo real.

O fato de não possuir um corpo torna complexa a relação dos protagonistas - Samantha chega a ter ciúmes e até planejar um' ménage à trois' numa das sequências mais interessantes do filme.

Rooney Mara vive a mulher de Theodore, Catharine

Se sabemos que ninguém é o que mostra num perfil das redes sociais, a passagem se assemelha à decepção do que sai da tela para a realidade e, assim, o mote maior do longa é o de ser uma grande metáfora dos dias atuais.

Essas limitações do corpo remetem às limitações da morte na medida em que a possibilidade de comunicação nos moldes conhecidos vai desaparecendo - relação que fica evidente em uma das últimas falas de Samantha.

Amy (Amy Adams), amiga de Theodore, aparece a certa altura para trazer um toque de realidade à trama, ao pensar na paixão como uma forma de loucura, já que Theodore nunca alcançará a comunicação pós-verbal de Samantha e ela nunca lhe será exclusiva, pois a tecnologia se espalha rapidamente.

Amy Adamns é Amy

O protagonista está se separando da esposa Catharine (Rooney Mara) e as passagens nas quais recorda a ex são extremamente bonitas - pois geram reflexões acerca da evolução necessária do outro e como os dois tornam-se estranhos e dispensáveis.

Ao aproximar a tecnologia dos sentimentos mais humanos possíveis, o longa deixa de lado julgamentos e evidencia os limites da realidade a partir da percepção de cada um.

Além disso, decreta: não importa o tipo de material - nada dura para sempre.

Confira o trailer do longa:

*****
'ELA'
Título Original:
HER
Gênero:
Comédia Dramática
Direção:
Spike Jonze
Roteiro:
Spike Jonze
Elenco:
Amy Adams, Artt Butler, Bill Hader, Brian Johnson, Chris Pratt, Dane White, David Azar, Dr. Guy Lewis, Evelyn Edwards, Gracie Prewitt, James Ozasky, Joaquin Phoenix, Kristen Wiig, Luka Jones, Matt Letscher, May Lindstrom, Melanie Seacat, Nicole Grother, Olivia Wilde, Pramod Kumar, Rooney Mara, Samantha Sarakanti, Scarlett Johansson, Steve Zissis
Produção:
Megan Ellison, Spike Jonze, Vincent Landay
Fotografia:
Hoyte Van Hoytema
Montador:
Eric Zumbrunnen, Jeff Buchanan
Trilha Sonora:
Owen Pallett
Duração:
126 min.
Ano:
2013
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
14/02/2014
Distribuidora:
Sony Pictures
Estúdio:
Annapurna Pictures
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 17 de maio de 2013

'TERAPIA DE RISCO': SHOW VISUAL DE SODERBERGH E ATUAÇÕES MARCANTES DE ROONEY MARA E CHANNING TATUM



Steven Soderbergh é para mim um dos mais competentes diretores de todos os tempos.

Se às vezes faz filmes muitos ruins, ele acerta a mão em 'Terapia de 'Risco', um thriller intenso e inteligente, com clara inspiração em Hitchcock e elementos de sua própria obra - logo no começo, a homenagem ao clássico 'Psicose', com uma tomada aérea de Nova York até encontrar um apartamento com uma trilha de sangue.

Na trama, acompanhamos Emily Taylor (Rooney Mara) visitando seu marido Martin Taylor (Channing Tatum) na prisão - ele será liberado no dia seguinte, mas ela dá sinais profundos de depressão.

Rooney Mara e Channing Tatum como Emily e Martin Taylor, em cena do longa - fotos dessa postagem: Divulgação/Diamond Films

Com o marido em casa, ela joga seu carro contra uma parede e o Dr. Jonathan Banks (Jude Law), supervisionado pela Dra. Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones) aparecem para averiguar a tentativa de suicídio.

Assim, o espectador começa a mergulhar num complexo drama sobre abuso de drogas controladas, depressão e poder das indústrias farmacêuticas - temas complicados que mostram os perigos potenciais de remédios receitados indiscriminadamente por médicos patrocinados por corporações gigantescas e diante de pacientes facilmente manipuláveis pela mídia.

Jude Law como o Dr. Jonathan Banks, em cena do filme

Falar mais seria entregar as boas surpresas do roteiro , que funciona bem também como thriller, com personagens intensos e com clima de opressão construído aos poucos.

Ainda assim, o roteiro tem falhas e do meio para o final algumas situações são mal exploradas e ficam inverossímeis dentro do contexto realista apresentado até então - sem falar no clímax, extremamente explicativo.

Só que o longa tem a atuação soberba de Rooney Mara, atriz acima da média que, após seu criticado desempenho na versão americana de 'Millennium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres', prova saber interpretar demais quando é bem dirigida.
Sua personagem é extremamente perturbada e misteriosa, capaz de instigar a curiosidade do espectador a cada cena.

Channing Tatum, ator ao meu ver muito irregular, também se serve da boa direção de atores, e entrega sua melhor interpretação em muito tempo, o mesmo acontecendo com os sempre competentes Jude Law e Catherine Zeta-Jones, aqui fazendo um contraponto muito bom ao casal protagonista.

Soderbergh entrega um longa esteticamente muito atraente, onde a câmera pinta cenários que parecem terem saído de sonhos, mesmo se mantendo todo o tempo em Nova York.

Dra. Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones), em cena do longa

A montagem é ótima e ajuda a construir o clima de opressão, sem falar na fotografia fria, com fortes contrastes de luz e sombra e efeito dramático, tudo emoldurado magnificamente pela trilha sonora de Thomas Newman, que aprofunda a depressão e ajuda a compor o cenário.

É impossível não ver esse longa como uma espécie de portfólio da carreira de Soderbergh: temos a tensão interpessoal de 'Sexo, Mentiras e Videotape', as reviravoltas ao estilo 'Onze Homens e um Segredo', a luta de uma única pessoa contra o sistema como vimos em 'Erin Brockovich', e, finalmente, a loucura, tema recorrente em suas obras, como 'Kafka'.

Rooney Mara e Channing Tatum, em cena do filme: desempenhos acima da média

Esses elementos proporcionam um tom de nostalgia ao longa, que poderia ser muito melhor caso seguisse um caminho mais claro desde o início e evitasse surpresas desnecessárias e nem sempre lógicas.

Ainda assim, a obra é capaz de deixar o espectador ligado do início ao fim.

Confira o trailer do filme:

*****
'TERAPIA DE RISCO'
Título Original:
Side Effects
Diretor:
Steven Soderbergh
Elenco:
Channing Tatum, Rooney Mara, Jude Law, Catherine Zeta-Jones, Mamie Gummer, Vinessa Shaw, David Costabile, Greg Paul e outros
Produção:
Scott Z. Burns, Lorenzo di Bonaventura, Gregory Jacobs
Roteiro:
Scott Z. Burns
Fotografia:
Peter Andrews
Trilha Sonora:
Thomas Newman
Duração:
114 min.
Ano:
2013
País:
EUA
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Diamond Films
Estúdio:
Di Bonaventura Pictures / Endgame Entertainment
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: