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quinta-feira, 10 de março de 2016

'A SÉRIE DIVERGENTE - CONVERGENTE': LONGA ENTREGA MAIS DO MESMO E É FEITO SÓ PARA OS FÃS DOS LIVROS


SINOPSE:

Após a mensagem de Edith Prior ser revelada, Tris (Shailene Woodley), Quatro (Theo James), Caleb (Ansel Elgort), Peter (Miles Teller), Christina (Zoë Kravitz) e Tori (Maggie Q) deixam Chicago para descobrir o que há além da cerca.

Ao chegarem lá, eles descobrem a existência de uma nova sociedade.

CRÍTICA:

A história já foi vista dezenas de vezes, mostrando sempre mais do mesmo: um grupo de jovens possui uma característica especial, uma liderança nata e coragem além da conta para enfrentarem organizações antagonistas, que querem controla-los e destruÍ-los.

Nessa linha, já tivemos recentemente 'Maze Runner', 'Jogos Vorazes', 'A Quinta Onda' e agora, 'A Saga Divergente: Convergente', terceiro filme da franquia baseada nos livros de Veronica Roth e que estreia hoje,  em 702 salas em todo o Brasil.

A trama acompanha Tris (Shailene Woodley), Quatro (Theo James), Peter (Miles Teller) e Christina (Zoe Kravitz), que agora, tentam escapar para além do misterioso muro que circunda a cidade futurista de Chicago, para fugir de sua opressora sociedade.

Lá, descobrem um cenário completamente destruído, coberto por uma estranha lama vermelha.

A Série Divergente: Convergente : Foto Ansel Elgort, Maggie Q, Miles Teller, Shailene Woodley, Theo James
Elenco principal em cena do longa - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Paris Filmes
Próximo dali também há uma cidade altamente desenvolvida, habitada por sobreviventes que são usados como cobaias de uma organização que pretende reunir todas as pessoas com código genético puro e, coincidente, Tris é uma delas - ou seja, nada novo.

Eles são convencidos pelo vilão David (Jeff Daniels, a melhor coisa do longa) de que o projeto será benéfico a todos, Quatro percebe que o líder da organização tem um interesse em especial por sua amada, mas Tris parece cada vez mais investida no projeto, apesar de toda a história não parecer boa coisa.

Novamente, o romance entre os personagens ganha mais espaço do que deveria, algo que 'Divergente' fez pior do que o costume.

Ao menos, o filme acerta ao explorar o clima de tensão dentro do grupo de Tris, um elemento que nasce naturalmente e até funciona.

A Série Divergente: Convergente : Foto Shailene Woodley
Tris (Shailene Woodley), em cena do longa
Enfim, entre as franquias adolescentes que inundaram as telonas recentemente, a aventura de Tris é a mais fraca, poucas coisas fazem sentido, os personagens são fracos, o mix de gêneros incomoda e o sistema da sociedade não faz sentido - ao menos num roteiro de cinema.

Os elementos desse mundo que conhecemos quando os protagonistas vão além da muralha reforçam ainda mais essa questão.

Pior: o visual dos dois primeiros e desse longa fica abaixo até mesmo do congênere 'Maze Runner', as tecnologias apresentadas não são tão originais assim, a fotografia é medíocre, o CGI é óbvio e a direção de arte não está nem perto de ser original.

Se Jeff Daniels (série 'The Newsroom') é a melhor coisa do longa, seu vilão, porém, é muito inferior à personagem de Kate Winslet em 'Insurgente'. e o elenco como um todo parece pouco inspirado.

A Série Divergente: Convergente : Foto Jeff Daniels
Jeff Daniels é o vilão David
Enfim, a terceira parte segue as outras duas e entrega mais do mesmo.

Para quem já é fã, o longa deve agradar, pois não abandona os elementos que fizeram da saga um sucesso - especialmente como livro - apesar dos elementos dispensáveis como o romance dos protagonistas.

Porém, para quem não é fã, a sensação de perda de tempo sentado na sala de cinema será absurda.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
A SÉRIE DIVERGENTE - CONVERGENTE
Título Original:
THE DIVERGENT SERIES: ALLEGIANT
Gênero:
Aventura
Direção:
Robert Schwentke
Roteiro:
Adam Cooper, Bill Collage, Noah Oppenheim, Stephen Chbosky
Elenco:
Al Vicente, Ansel Elgort, Autumn Dial, Bill Skarsgård, Bradley Bowen, Jackie Dallas, Jeff Daniels, Jonathan Yaskoff, Jonny Weston, Keiynan Lonsdale, Kimberly Battista, Lyon Beckwith, Maggie Q, Marisol Correa, Miles Teller, Naomi Watts, Shailene Woodley, Theo James, Zoë Kravitz
Produção: 
Douglas Wick, Lucy Fisher, Pouya Shahbazian
Fotografia:
Florian Ballhaus
Duração:
121 min.
Ano:
2016
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
10/03/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Lionsgate / Summit Entertainment
Classificação:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

'QUARTETO FANTÁSTICO': SEM SABER COMO ADAPTAR A HQ, DIRETOR TRANSFORMA LONGA NUMA CATÁSTROFE


SINOPSE:

No reboot, quatro adolescentes são conhecidos pela inteligência e pelas dificuldades de inserção social.

Juntos, são enviados a uma missão perigosa em uma dimensão alternativa.

Quando os planos falham, eles retornam à Terra com sérias alterações corporais.

Munidos desses poderes especiais, eles se tornam o Senhor Fantástico (Miles Teller), a Mulher Invisível (Kate Mara), o Tocha Humana (Michael B. Jordan) e o Coisa (Jamie Bell).

O grupo se une para proteger a humanidade do ataque do Doutor Destino (Toby Kebbell).

CRÍTICA:

Se o longa dirigido por Josh Trank tivesse outro nome, sobre adolescentes gênios que fazem besteira e ganham poderes, seria um filme que até passaria batido e ninguém lembraria que existiu.

O problema é que a trama da Fox apresenta Sue Storm, Johnny Storm, Dr. Reed e Ben contra Dr. Doom, uma das sagas dos quadrinhos que os fãs da Marvel mais adoram e o filme, um dos mais aguardados do ano, naufraga de cara.

Oficialmente, esse 'Quarteto Fantástico' -  que chegou hoje a 541 salas em todo o Brasil. - é um reboot do longa de 2005, que também não agradou.

Mesmo lançado na época de 'X-Men 2', 'Homem-Aranha 2' e outras adaptações bem-sucedidas de quadrinhos nos anos 2000, o longa de Tim Story conseguiu fazer tudo que não deveria e nos lembrou do motivo para Hollywood ter demorado tanto para adaptar histórias tão boas.


Quarteto Fantástico : Foto Kate Mara, Miles Teller
Kate Mara e Miles Teller como Sue e Reed, em cena do longa - fotos dessa postagem: Divulgação: 20th Century Fox
Pior: lançado depois de excelentes adaptações de HQs da Marvel - 'Guardiões Da Galáxia' e 'X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido'  - esse reboot conseguiu estragar tudo.

A trama, apesar de baseada na aclamada versão Ultimate, apresenta Reed Richards (Miles Teller), um gênio desde criança e que tem como meta inventar o teletransporte.

Ainda garoto, é capaz de mandar objetos para outra dimensão, apesar de achar que os envia para outras partes do planeta.


Quarteto Fantástico : Foto Jamie Bell
Jamie Bell interpreta o Coisa por captura de movimentos
Anos depois, recebe a oportunidade de fazer exatamente o mesmo trabalho para uma fundação científica e, assim, se junta a Victor Von Doom (Toby Kebbell), Sue (Kate Mara) e Johnny Storm (Michael B. Jordan) e inventa uma maneira de humanos irem e voltarem de outro plano em segurança.

A corporação por trás do projeto fica feliz com a oportunidade de novos recursos e tenta roubar o sonho dos jovens gênios.


Quarteto Fantástico : Foto Michael B. Jordan
Michael B. Jordan é o Tocha Humana
Porém Reed, Doom e Johnny não aceitam seu destino e em questão de horas decidem usar a máquina ilegalmente para escreverem seus nomes na história e do nada, ainda chamam Ben (Jamie Bell), que nem no projeto está  e viajam para outro plano de existência.

Assim, grande parte do filme perde um tempão mostrando a construção do aparelho, tentando sem sucesso criar uma relação entre os personagens.

Se as HQs do Quarteto sempre foram sobre família, Josh Trank preferiu focar no desenvolvimento dos personagens, sem sucesso, sem ao menos tentar fazer direito.

Os personagens são mais rasos que um pires: tem personalidade simplória, sem profundidade e, para piorar, tudo isso combina com seus poderes.

O mais triste para os fãs do Quarteto - eu incluso -  é que os protagonistas nem mesmo parecem ser amigos, muito menos uma família, e o espectador tem dificuldades para se interessar ou torcer por qualquer um deles.

Até o momento de maior tensão entre Reed e Doom, a paixão do futuro vilão por Sue – que, por sinal, não parece assim tão interessada no Senhor Fantástico – seu marido nos quadrinhos - deixa a trama arrastada e sem sem sentido.

Dr. Doom surge com um visual ridículo, bem distante das HQs.

As motivações do vilão são patéticas e seu plano só não é mais óbvio porque não dá pra ser mais óbvio.


O visual ridículo do  Doutor Destino (Toby Kebbell)
Kebbell é um ator extremamente limitado, em momento algum segura um personagem complexo como Dr. Doom e consegue a façanha de ir piorando sua performance à medida em que o longa avança.

Enfim, como a produção desperdiça um personagem marcante das HQs como esse?

Melhor seria ter colocado o Quarteto contra um outro vilão.

Se os efeitos dos poderes de Sue, Johnny e Coisa funcionam na telona (muito melhor do que em 2005), só isso não segura a atenção do espectador nos protagonistas.

O final é a prova definitiva de que o diretor perdeu - feio - a mão.

Com um figurino horrendo, o longa também deixa a desejar muito no visual.

Apesar do orçamento de US$ 122 milhões, a narrativa se passa, na maior parte do tempo, em galpões secretos, com maquinários pouco interessantes.

Quando poderia empolgar, ao mostrar a outra dimensão, o exagero de CGI atrapalha, tudo fica escuro e é difícil acreditar que o local é real – não por ser esquisito, mas por ser tão artificial ao ponto de nos lembrar constantemente de que aquilo tudo foi criado em um computador.

Quarteto Fantástico : Foto
Cena do longa
É triste ver Trank, responsável pelo interessante 'Poder Sem Limites', reunir grandes atores para compor a equipe, mas os utilizando mal ao ponto de transformar seus personagens em caricaturas desinteressantes.

Além disso, o longa perde tempo demais e quando as coisas parecem que finalmente vão acontecer, o filme acaba, sem mistérios ou grandes conflitos.

O fã, decepcionado, permanece estático, sentado no cinema e esperando ao final dos letreiros a tão comentada ligação com o universo dos X-Men.

Desculpe estragar sua expectativa - mas você pode levantar e ir embora, pois a ligação não existe.

Quarteto Fantástico : Foto
Cena do longa
Apesar dos problemas de ritmo, construção de personagem e roteiro, o peso de chamar esse longa de 'Quarteto Fantástico' sem saber como adaptar esses personagens ao cinema transforma esse longa em uma catástrofe.

Ou esse grupo de heróis dos anos 60 talvez não tenha lugar nos cinemas no século XXI ou precise de alguém capaz de entendê-los profundamente para trazê-los à vida.

Enquanto isso não acontece, basta dizer que Stan Lee não fez sua tradicional participação no longa – seria vergonha?

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'QUARTETO FANTÁSTICO'
Título Original:
FANTASTIC FOUR
Gênero:
Aventura
Direção:
Josh Trank
Roteiro:
Simon Kinberg
Elenco:
Adam Fristoe, Anthony Ramsey, Anthony Reynolds, Ben VanderMey, Chet Hanks, Christopher Heskey, Deneen Tyler, Don Yesso, Evan Hannemann, Gretchen Koerner, Gus Rhodes, Han Soto, Jamie Bell, Jane Rumbaua, Jaylen Moore, Jerrad Vunovich, Jodi Lyn Brockton, John L. Armijo, Kate Mara, Lance E. Nichols, Marco St. John, Mary Rachel Dudley, Mary-Pat Green, Melissa McCurley, Michael B. Jordan, Michael D. Anglin, Miles Teller, Owen Judge, Patrick Kearns, Reg E. Cathey, Shauna Rappold, Sue-Lynn Ansari, Tim Blake Nelson, Toby Kebbell, Wayne Pére
Produção: Gregory Goodman, Hutch Parker, Matthew Vaughn, Simon Kinberg
Fotografia:
Matthew Jensen
Montador:
Elliot Greenberg
Trilha Sonora:
Marco Beltrami, Philip Glass
Duração:
106 min.
Ano:
2015
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
06/08/2015 (Brasil)
Distribuidora:
Fox Film
Estúdio:
Genre Films / Twentieth Century Fox Film Corporation
Classificação:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

'WHIPLASH - EM BUSCA DA PERFEIÇÃO': LIMITES EXTREMOS, DESEMPENHOS MEMORÁVEIS


SINOPSE:

O solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria.

Após chamar a atenção do reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (JK Simmons), Andrew entra para a orquestra principal do Conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos.

Entretanto, a convivência com o abusivo maestro fará Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo de tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo que isso coloque em risco seus relacionamentos com sua namorada e sua saúde física e mental.

CRÍTICA:

'Whiplash - Em Busca da Perfeição', que estreou na quinta (8) em 18 salas em todo o Brasil, é um olhar eletrizante e agressivo sobre o que é preciso para forjar um verdadeiro mestre em sua arte.

Ao desafiar o culto da mediocridade, a obra argumenta que parabenizar crianças por fazer o necessário cria adultos mal preparados para um mundo que, na verdade, não considera ninguém extraordinário simplesmente por fazer sua parte.

Só que, ao mesmo tempo, faz isso por meio de uma péssima relação entre mestre / aprendiz, vai ao extremo oposto e força reflexão sobre até que ponto levar as pessoas ao limite é produtivo.

Como resultado, o longa visceral tem ritmo alucinante e Miles Teller - jovem ator que estará no próximo 'Quarteto Fantástico' como o Homem Elástico Reed Richards - acompanha o ritmo num papel que é o primeiro de sua carreira que permite a ele demonstrar seu imenso talento.

Whiplash - Em Busca da Perfeição : Foto Miles Teller
Miles Teller como Andrew - Fotos dessa postagem: Divulgação/© 2014 Sony Pictures Releasing GmbH
O jovem ator interpreta Andrew, ambicioso estudante de bateria do melhor conservatório dos Estados Unidos.

O garoto é obcecado por se tornar o próximo grande nome do Jazz e acredita que o homem capaz de ajudá-lo é Terence Fletcher (JK Simmons em atuação genial e indicada ao Globo de Ouro).

Conhecido pelos fãs da franquia 'Homem Aranha' como JJ Jameson, o editor do jornal  'Clarim', onde Peter Parker trabalha, Simmons está simplesmente fantástico como o
professor que trava uma verdadeira guerra psicológica com seus alunos.

Brutal e implacável, ele impulsiona os garotos além de suas próprias limitações, muitas vezes de forma cruel.

Whiplash - Em Busca da Perfeição : Foto J.K. Simmons, Miles Teller
JK Simmons como o professor Terence Fletcher: sensacional
Embora as cenas musicais sejam excepcionais - principalmente devido à montagem perfeita entre ator e seus dublês músicos, a grande força da produção é a imensa carga emocional das atuações.

Tanto Simmons - já indicado ao Globo de Ouro - quanto Teller devem entrar na luta pelo Oscar - o que seriam merecidas vitórias.

Com olhar desafiador, Simmons dá medo, enquanto incorpora alguém que acredita estar ajudando esses garotos a tornarem-se lendas.

Já Andrew enfrenta o desafio à altura, mesmo quando Fletcher coloca estudante contra estudante, os ofende e os agride fisicamente.

A pressão é tanta que ele continua o abuso mesmo após sangue, suor e lágrimas, literalmente, caírem sobre a bateria - afinal, para o professor, se necessário, tudo na vida, inclusive a saúde física e mental, é descartável na busca da excelência.

Whiplash - Em Busca da Perfeição : Foto
Sangue, suor e lágrimas sobre a bateria
O abuso de Fletcher não encontra barreiras, e em contraste com o amoroso extremado pai de Andrew (Paul Reiser), o torna ainda mais monstruoso.

Sem facilitar nada para o espectador, que passa todo o tempo entre o atônito e o maravilhado, nunca sabemos se o talento despertado nesses garotos é fruto da loucura de um homem ou algo capaz de surgir com dedicação dentro dos limites do bom senso.

Whiplash - Em Busca da Perfeição : Foto J.K. Simmons, Miles Teller
Um professor que dá medo
Reiterando todo o tempo de que as dificuldades nos impulsionam a superar nossas limitações, felizmente, o diretor Damien Chazelle nem tenta apresentar respostas definitivas e não deixa claro se Fletcher inspira seus alunos ou simplesmente utiliza sua posição para liberar seu lado sombrio e botar pra fora sua própria angústia.

Filmaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'WHIPLASH - EM BUSCA DA PERFEIÇÃO'
Título Original:
WHIPLASH
Gênero:
Drama
Direção:
Damien Chazelle
Roteiro:
Damien Chazelle
Elenco:
Adrian Burks, April Grace, Austin Stowell, C.J. Vana, Charlie Ian, Damon Gupton, J.K. Simmons, Jayson Blair, Jocelyn Ayanna, Kavita Patil, Kofi Siriboe, Melissa Benoist, Michael D. Cohen, Miles Teller, Nate Lang, Paul Reiser, Rogelio Douglas Jr., Tarik Lowe, Tian Wang, Tony Baker
Produção:
David Lancaster, Helen Estabrook, Jason Blum, Michel Litvak
Fotografia:
Sharone Meir
Montador:
Tom Cross
Trilha Sonora:
Justin Hurwitz
Duração:
106 min.
Ano:
2014
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
08/01/2015
Distribuidora:
Sony Pictures
Estúdio:
Blumhouse Productions / Bold Films / Right of Way Films
Classificação:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 6 de maio de 2011

EM "REENCONTRANDO A FELICIDADE" É NICOLE KIDMAN QUEM SE REENCONTRA COM PAPÉIS À SUA ALTURA

Nos primeiros minutos de "Reencontrando a Felicidade", as personagens conversam, mas o espectador logo nota que não falam sobre tudo.

Sentimos no ar um certo receio, e logo entendemos o porquê: oito meses atrás, o casal Becca - Nicole Kidman, em interpretação indicada ao Oscar 2011 - e Howie - o acima da média Aaron Eckhart - perdeu o filho pequeno e ainda tenta conviver com essa dor.

DivulgaçãoNicole Kidman e Aaron Eckhart, em cena do filme

Para isso, procuram um grupo de ajuda, que parece funcionar melhor para Howie, enquanto sua mulher entra em conflito com pessoas que vivem a mesma situação e buscam explicações, quando, sabemos todos, não há.

Becca prefere fechar-se em seu próprio eu, parecendo que a dor é mais um conforto do que algo a ser superado.

Aparentemente, essa história não parece ser a ideal para o terceiro filme de John Cameron Mitchell - de "Shortbus" e "Hedwig - Rock, Amor e Traição", filmes em que a questão da sexualidade, até explícita, era o centro da trama - já que Becca e Howie são praticamente assexuados, embora exista uma tentativa frustrada de sedução.

Só que o diretor monstra aqui ter sensibilidade na medida certa para compreender as nuances do roteiro de David Lindsay-Abaire - baseado em sua peça ganhadora do Pulitzer - já que boa parte da força da trama vem de seu texto, dos bons diálogos e da forma como a narrativa se abre, com a tensão crescendo de forma gradativa.

É assim que uma das melhores cenas que eu vi nos últimos tempos acontece quando Howie e Becca começam a discutir sobre um assunto e culminam numa disputa para saber qual dos dois tem mais culpa na morte do filho - eles não culpam um ao outro, mas cada um a si mesmo.

E a situação fica ainda mais desconfortável quando a irmã de Becca, Izzy - interpretada por Tammy Blanchard -, engravida e a mãe delas, Nat - a excepcional Dianne Wiest - insiste em comparar a morte do neto com a do seu próprio filho.

DivulgaçãoNicole Kidman e Tammy Blanchard, que interpreta sua irmã, em cena do filme

O que nenhuma das personagem parece perceber - inclusive Becca - é que ela não está preparada para "lidar com a dor" ou "seguir em frente", termos mentirosos que os grupos de ajuda tanto gostam de usar, já que ninguém tem a coragem de dizer francamente a ela que procure outros tipos de apoio.

E as dúvidas que brotam a todo momento?
O que fazer com as roupas e e os brinquedos do filho morto?
O que fazer com o cachorro?
E como lidar quando vir por acaso o motorista que dirigia o carro que matou o filho dela?

Para nossa felicidade, o filme evita o caminho seguro e fácil dos clichês e segue de forma sutil, dando espaço para que as personagens vivenciem suas histórias, sem empurrá-las numa ladeira de desespero -e é uma enorme surpresa quando Becca se torna amiga de Jason - Miles Teller -rapaz causador do acidente que matou seu filho.

DivulgaçãoMiles Teller, que interpreta o causador do acidente, e Nicole Kidman, em cena do filme

O filme atinge seu clímax aí, já que não há segundas intenções nos encontros entre eles, que afinal querem apenas conversar, partilhar um trauma mútuo, em diferentes proporções e com significados diferentes, onde cada um pode beneficiar-se da presença do outro.

Nicole tem aqui cenas de tirar o fôlego, e é muito bom ver - e saber - que os papéis que ela vinha fazendo últimamente serão facilmente esquecidos, se comparados com essa maravilhosa Becca - papel que ela escolheu a dedo, já que também é produtora do filme, e que só poderia ser feito pela excepcional atriz que Nicole é.

DivulgaçãoNicole Kidman en cena do filme: atuação excepcional

Enquanto isso, o marido Howie insiste em frequentar um grupo de apoio em que pessoas se encontram, algumas há vários anos, para falar sobre a morte dos filhos, e Eckart consegue brilhar também, excepcional ator que é.

O título original do filme, "Rabbit Hole" - "toca do coelho" em tradução livre -, faz uma referência clara ao universo de "Alice no País das Maravilhas", mas também ganha outros sentidos ao longo da história, onde vemos que é necessário uma vida paralela, um mundo de fantasia, para superarmos os nossos traumas, as nossas dores.

É preciso escapismo para enfrentar a vida, e quando o filme levanta questões como essa, encontra-se a grande humanidade e beleza que residem em suas personagens, e é quando mais nos identificamos com eles.

Filmaço.

Veja o trailer do filme:


*****
"REENCONTRANDO A FELICIDADE"
Título Original:
Rabbit Hole
Diretor:
John Cameron Mitchell
Elenco:
Nicole Kidman
Aaron Eckhart
Sandra Oh
Dianne Wiest
Jon Tenney
Giancarlo Esposito
Tammy Blanchard
Miles Teller
Mike Doyle
Patricia Kalember
Julie Lauren
Ursula Parker
Produção:
Nicole Kidman
Per Saari
Gigi Pritzker
Leslie Urdang
Dean Vanech
Roteiro:
David Lindsay-Abaire, baseado em sua peça ganhadora do Prêmio Pulitzer
Fotografia:
Frank G. DeMarco
Trilha Sonora:
Anton Sanko
Duração:
Inesquecíveis 91 min.
Ano:
2010
País:
EUA
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdios produtores:
Olympus Pictures
Blossom Films
Odd Lot Entertainment
COTAÇÃO DO KLAU: