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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

'CAÇADORES DE EMOÇÃO - ALÉM DO LIMITE': O ORIGINAL DE 1991 DÁ DE DEZ A ZERO


SINOPSE:

Um jovem agente do FBI, Johnny Utah (Luke Bracey) tem como missão se infiltrar em meio a atletas de esportes radicais, suspeitos de cometerem uma série de roubos nunca vistos até então.

Não demora muito para que ele se aproxime de Bodhi (Édgar Ramirez), o líder do grupo, e conquiste sua confiança.

CRÍTICA:

Muito antes de ganhar o Oscar por 'Guerra Ao Terror' (2008), Kathryn Bigelow dirigiu 'Caçadores De Emoção' (1991), um longa de aventura estrelado por Patrick Swayze e Keanu Reeves, que virou cult, ganhou uma legião de fãs e até hoje é reprisado na TV aberta.

A trama, que mistura esportes radicais com crimes ousados,  ganha agora uma nova versão.

'Caçadores De Emoção - Além Do Limite', que estreia hoje em 233 salas em todo o Brasil, infelizmente perde muito na tentativa de atualizar  a trama ao século 21.

Caçadores de Emoção - Além do Limite : Foto Edgar Ramírez, Luke Bracey
Edgar Ramirez e Luke Bracey, em cena do longa - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Warner Bros.
A ideia central é a mesma: um ex-atleta de esportes radicais, Johnny Utah (Luke Bracey, de 'O Melhor De Mim') entra para o FBI e logo ganha a missão de se infiltrar em uma gangue, cujo líder, Bodhi (Edgar Ramirez, de 'Joy: O Nome Do Sucesso') é carismático ao extremo.

Conforme a amizade entre os dois se fortalece, Utah questiona sua tarefa – muito semelhante, por sinal, ao que já vimos em 'Velozes E Furiosos' (2001), por exemplo.

Se no longa de 1991, a atração sexual entre os dois protagonistas ficava subentendida mas evidente, neste remake uma personagem feminina é simplesmente jogada no meio da história: a pseudo-hippie Samsara (Teresa Palmer, de 'Meu Namorado É Um Zumbi') fica zanzando no meio da turma dos criminosos esportistas e se interessa por Utah.

Caçadores de Emoção - Além do Limite : Foto
As icônicas máscaras dos 'presidentes' do longa de 1991 foram substituídas por capacetes com as imagens pintadas
O grande problema é que dos anos 1990 para cá muita coisa mudou e a trama precisa de novidades que prendam a atenção do espectador e uma delas é a inserção do tema 'ecoterrorismo'.

Caçadores de Emoção - Além do Limite : Foto Teresa Palmer
Teresa Palmer é Samsara
Aqui, Bodhi comete os crimes mais audaciosos como forma de passar uma mensagem de ativista.

Outra alteração importante: enquanto o filme original recebeu classificação indicativa R (Rated – apenas maiores de 17 anos podem assistir), por toda a temática adulta, este remake recebeu o famigerado PG-13 (para maiores de 13 anos) - ou seja: a busca cega pelo púbico familiar, o que mais gasta em bilheterias mundo afora, sacrifica as belas cenas de tiroteio e sangue que no original, eram simplesmente sensacionais.

Caçadores de Emoção - Além do Limite : Foto Edgar Ramírez
O líder da gangue, Bodhi (Edgar Ramirez)
Nesse remake, o espectador fica é atordoado com a avalanche de esportes radicais e paisagens estonteantes, o longa sabe bem que sua força reside agora nisso - e se esforça em valorizar esses aspectos.

Para tanto, o filme é lançado em 3D, mas a direção não tira proveito máximo do tipo de projeção e assim, o verdadeiro esforço fica com a produção do longa, que foi rodado por quase um ano ao redor do mundo – há cenas em quatro continentes.

O uso de efeitos visuais usando a tela verde foi minimizado e se apostou alto nos dublês e na estrutura, para captação de imagens nesses cenários.

Assim, vários tipos de câmera foram usados e o resultado, uma verdadeira salada de estilos, parece com documentários de canais de viagem e esporte radicais.

Caçadores de Emoção - Além do Limite : Foto Luke Bracey
Luke Bracey é  Johnny Utah, agente do FBI infiltrado na gangue
Só faltou investir na dramaturgia - na direção do elenco e nos diálogos, fracos, com o roteiro se esforçando para incluir locações exuberantes e se esquecendo de contar uma história cativante.

Se em alguns filmes o foco não está na narrativa, mas em outros atrativos – carros tunados, figurinos de grife, ou explosões - mesmo assim, é preciso de alguma conexão com a história contada.

No fim das contas, o espectador sai da sala de cinema impressionado com as paisagens, mas não se conecta em momento algum aos personagens, uma falha grave a qualquer filme narrativo.

O original de 1991 dá de dez a zero.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'CAÇADORES DE EMOÇÃO - ALÉM DO LIMITE'
Título Original:
POINT BREAK
Gênero:
Ação
Direção:
Ericson Core
Roteiro:
Kurt Wimmer
Elenco:
Alexander Araya López, Bojesse Christopher, Clemens Schick, Delroy Lindo, Édgar Ramírez, Glynis Barber, Jaymes Butler, Jeff Burrell, Judah Lewis, Luke Bracey, Matias Varela, Nikolai Kinski, Ray Winstone, Senta Dorothea Kirschner, Teresa Palmer, Tobias Santelmann
Produção:
Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Chris Taylor, David Valdes, John Baldecchi, Kurt Wimmer
Fotografia:
Ericson Core
Montador:
Thom Noble
Trilha Sonora:
Junkie XL
Duração:
113 min.
Ano: 
2015
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
28/01/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Warner Bros
Estúdio:
Alcon Entertainment / DMG Entertainment / Ehman Productions
Classificação:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

'JOY: O NOME DO SUCESSO': IRREAL, CINEBIOGRAFIA IRREGULAR SÓ SE SEGURA GRAÇAS AO TALENTO DE JENNIFER LAWRENCE


SINOPSE:
Criativa desde a infância, Joy Mangano (Jennifer Lawrence) entrou na vida adulta conciliando a jornada de mãe solteira com a de inventora e tanto fez que tornou-se uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos.

CRÍTICA:

'Joy: O Nome Do Sucesso', em exibição em 178 salas em todo o Brasil, chamou a atenção do público após o seu bem montado primeiro trailer, que parecia contar de forma bela a história real de uma das maiores empreendedoras americanas, ter sido apresentado, meses atrás..

A atuação da ganhadora do Oscar Jennifer Lawrence parecia indicar que veríamos um bom filme com cara de Oscar: uma mulher que, sozinha, conquista a fama e a fortuna depois de passar por poucas e boas.

Só que não.

Joy: O Nome do Sucesso : Foto Jennifer Lawrence
Jennifer Lawrence é a protagonista, Joy Mangano - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Fox Film
A opção por um tom mais folhetinesco, escolha pensada pelo diretor David O. Russell de criar uma 'soap opera' - aquelas novelinhas sem graça que a TV americana exibe de manhã - para o cinema, e o dramalhão exagerado não ajudam a narrativa, sem ritmo do começo ao fim.

Se a produção leva ao extremo a lógica hollywoodiana de que para um personagem ser vitorioso, precisa enfrentar adversidades, no entanto, simplesmente mostrar esses obstáculos desde o início não é suficiente, é preciso mostrar o crescimento do protagonista e das pessoas à sua volta, além das dificuldades e problemas resolvidos fazerem sentido.

No longa, vemos um exagero de problemas e quando o triunfo acontece, parece algo mágico e mal explicado, pois o caminho percorrido é frustrante e demasiadamente fantasioso.

Joy: O Nome do Sucesso : Foto Isabella Rossellini, Robert De Niro
A família disfuncional de Joy - o pai é interpretado por Robert De Niro, sempre histriônico
Livremente baseado na vida da inventora Joy Mangano, até hoje uma rainha dos canais de vendas da TV americana, o longa trata da criação do esfregão mágico - depois da palha de aço, considerado um dos mais úteis objetos de limpeza de todos os tempos.

Quebrada, Joy (Jennifer Lawrence) vive com sua família desfuncional e, nos primeiros 30 minutos de filme, o expectador vivencia todos os seus problemas: sua mãe (Virginia Madsen) só assiste novelas; sua avó (Diane Ladd) é otimista até demais; seu ex-marido (Édgar Ramírez) vive no porão e nunca vai ser um cantor de sucesso; seu pai (Robert De Niro) também vive no porão, aparece constasntemente irritado e um negócio a caminho da falência e sua irmã (Elisabeth Röhm), retratada como grande vilã da trama, parece desejar apenas o mal de Joy.

Joy: O Nome do Sucesso : Foto Edgar Ramírez, Jennifer Lawrence
Édgar Ramirez interpreta o marido
O filme, sufocante, deixa evidente que só Joy faz as coisas direito na família - até que, de repente, tudo muda.

Uma grande sonhadora quando criança, ela decide que cansou de sua vida deprimente e resolve voltar a inventar coisas.

Quando mais obstáculos surgem, ela decide ignorar tudo, não aceitar "não" como resposta e seguir adiante, para enfrentar ainda mais obstáculos.

As dificuldades são tantas que lá pela metade do filme fica difícil até se importar com o novo problema a ser resolvido e o cansaço toma conta do espectador, que já se mostra incomodado na poltrona do cinema.

O que falta mesmo aqui é a boa e velha reviravolta na trama, que mostre como Joy superou a sua vida desastrosa e chegou ao triunfo.

Infelizmente, tudo o que o filme faz é mostrar a protagonista como um saco de pancadas passivo que, de repente, consegue realizar seu sonho e se tornar milionária.

Seu sucesso, do jeito que é mostrado, é inacreditável e, se não fosse um filme baseado em alguém real, poderia ser considerado uma fantasia absurda em todos os aspectos.

E Jennifer Lawrence, mesmo sendo a melhor atriz da sua geração, coitada, faz de um tudo pela história, aparece ferozmente determinada quando necessário ou à beira da loucura quando tudo dá errado.

É a atriz e seu imenso talento quem sustentam o filme com mais uma boa atuação.

Por tudo isso, se ela ganhar novamente um Oscar por esse papel, vai ser o prêmio mais injusto da história da Academia.

Bradley Cooper é Neil Walker
O elenco de apoio, apesar de histérico (principalmente Robert De Niro, sempre fora do tom), consegue vender a ideia de uma soap opera no cinema e fazem um trabalho aceitável - até Bradley Cooper, que como o descobridor da invenção de Joy, Neil Walker, aparece bem como o dono do programa de televendas que tornou a moça uma estrela americana.

Se queria ser uma história real de luta e superação, o longa é exagerado, as resoluções parecem milagrosas e os personagens não são realistas.

Quando a protagonista atinge o sucesso, seus problemas não desaparecem, pois ela agora é rica - é como se a moral da história fosse: basta ter grana para alcançar a felicidade, o resto não importa.

Mais raso que um pires, esse longa é exatamente como a maioria das novelas: podem ter momentos interessantes, mas são, mesmo, histórias facilmente esquecidas.

Até agora, é o mais fraco concorrente ao Oscar 2016 a estrear aqui no Brasil.

INDICAÇÕES AO OSCAR 2016:
Melhor Atriz (Jennifer Lawrence)

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'JOY: O NOME DO SUCESSO'
Título Original:
JOY
Gênero:
Drama
Direção:
David O. Russell
Roteiro:
Annie Mumolo, David O. Russell
Elenco:
Allie Marshall, Bradley Cooper, Chaunty Spillane, Dascha Polanco, Diane Ladd, Donna Mills, Drena De Niro, Édgar Ramírez, Elisabeth Röhm, Erica McDermott, Isabella Crovetti-Cramp, Isabella Rossellini, Jennifer Lawrence, Jimmy Jean-Louis, John Enos III, Madison Wolfe, Melissa McMeekin, Robert De Niro, Virginia Madsen
Produção:
John Davis, John Fox, Jonathan Gordon, Ken Mok, Megan Ellison
Fotografia:
Linus Sandgren
Montador:
Alan Baumgarten, Jay Cassidy, Tom Cross
Trilha Sonora:
Danny Elfman
Duração:
124 min.
Ano:
2015
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
21/01/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Fox Film
Estúdio:
Annapurna Pictures / Davis Entertainment
Classificação:
10 anos

COTAÇÃO DO KLAU: