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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

'BACURAU': ESPETACULAR, UM DOS MELHORES FILMES DOS ÚLTIMOS ANOS


SINOPSE:

Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa.

Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez.

Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados.

Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.

CRÍTICA:

Kleber Mendonça Filho, dessa vez ao lado de Juliano Dornelles, resolveu deixar de lado a calma reflexiva de seus filmes anteriores (O Som Ao Redor, Aquarius) para criar uma perturbadora trama sobre violência, opressão e esquecimento.

Situado no sertão brasileiro, Bacurau - que finalmente estreia hoje, após ser aclamado em festivais de cinema mundo afora - é um grito de desafio contra a atual situação do Brasil.

O vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019 completa a sua crítica ao atual presidente nos créditos finais, quando uma mensagem aponta que 'a produção criou 800 empregos' - uma das críticas recorrentes do atual presidanta aos gastos com a cultura.

Na trama, Bacurau é um pequeno povoado do sertão brasileiro, que dá adeus a Dona Carmelita, mulher forte e querida, falecida aos 94 anos.

Dias depois, os moradores da cidade percebem que a comunidade não consta mais nos mapas e as coisas começam a ficar cada vez mais estranhas e violentas.

Mistura de drama, faroeste e ficção científica, o longa mostra um vilarejo do interior pernambucano, esquecido pelos seus governantes, mas ameaçado por forças externas, ambientado num Brasil ainda mais desigual e desumano em um futuro próximo e opressor.

É um futuro sombrio, mas também traz uma história muito atual e até por isso é capaz de levantar questões importantes para o país nesse momento de insegurança.

O filme é uma crítica pesada e chega bem em meio a ameaças do governo federal de censurar projetos apoiados pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), órgão que o presidanta já ameaçou extinguir - afinal, cultura é uma afronta para os opressores.

Porém a crítica vem de antes, é também sobre o fato do Brasil não enxergar seus oprimidos, não querer enxergar suas dificuldades e não querer abrir mão da situação de colônia diante do imperialismo.

Temos aqui um longa de ação capaz de nos remeter a filmes de faroeste do Clint Eastwood, que resulta num filme provocador, estranho, incômodo e que segura o espectador na poltrona do cinema do começo ao fim.

O elenco é incrível, tanto os brasileiros - Sonia Braga, Silvero Pereira - quanto estrangeiros - a lenda alemã Udo Kier tem um papel sensacional - e também os moradores locais do povoado de Barras, onde o filme foi rodado.

A veracidade e o realismo são extremante importantes para essa obra funcionar.

O longa é estranho, mas num bom sentido.

É violento, porém com sentido.

É opressivo, de forma intencional.

E é uma crítica importante nesse momento.

Longa de qualidade técnica incrível e uma história cativante, Bacurau poderia ser um pouco mais curto, o que deixaria a narrativa mais fluída - mas ainda assim é um dos melhores filmes dos últimos anos.

Filmaço.

GALERIA DE IMAGENS:
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Bacurau : Foto Barbara Colen

Bacurau : Foto Udo Kier

Bacurau : Foto Sônia Braga

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Bacurau : Foto Allison Willow, Chris Doubek

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
BACURAU
Título Original:
BACURAU
Gênero:
Suspense
Direção:
Juliano Dornelles, Kleber Mendonça Filho
Elenco:
Alli Willow, Antonio Saboia, Barbara Colen, Brian Townes, Buda Lira, Chris Doubek, Clebia Sousa, Edilson Silva, Jonny Mars, Julia Marie Peterson, Karine Teles, Rodger Rogério, Rubens Santos, Silvero Pereira, Sonia Braga, Thomas Aquino, Udo Kier, Uirá dos Reis, Valmir do Côco, Wilson Rabelo
Roteiro:
Juliano Dornelles, Kleber Mendonça Filho
Produção:
Emilie Lesclaux, Michel Merkt, Olivier Père, Saïd Ben Saïd
Trilha Sonora:
Mateus Alves, Tomaz Alves Souza
Montador:
Eduardo Serrano
Estúdio:
Arte France Cinéma, Cinemascópio Produções, SBS Films, Símio Filmes
Distribuidora:
Vitrine Filmes
Ano de Produção:
2019
Duração:
131 min.
Estréia:
29/08/2019
Classificação Indicativa:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 25 de maio de 2019

FESTIVAL DE CANNES: BRASILEIROS FIZERAM BUNITO

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Longas brasileiros levaram os importantes prêmios da Mostra Um Certo Olhar e o prêmio do Júri
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O cinema brasileiro fez bonito, levando dois dos mais importantes prêmios na 72º Festival de Cannes.

Confira:

KARIM AÏNOUZ LEVA O 'UM CERTO OLHAR' COM 'A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO'

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, coprodução de Brasil e Alemanha, foi o grande vencedor da mostra Um Certo Olhar e se tornou o primeiro brasileiro a levar uma das mais importantes premiações do evento.

Dirigido por Karim Aïnouz (Madame Satã) e estrelado por Fernanda Montenegro e Carol Duarte, o longa narra a trajetória de duas irmãs cariocas nos anos de 1950, cujos sonhos são soterrados pelo peso de uma sociedade machista.

Júlia Stockler, Gregório Duvivier, Marcio Vito e Nikolas Antunes também estão no elenco do filme, baseado no romance homônimo de Martha Batalha.

"É um grande prazer representar o Brasil", afirmou o diretor ao receber o prêmio, segundo o The Hollywood Reporter.

"Nós estamos passando por algo no Brasil agora que é muito muito difícil e tem algo a ver com intolerância."

Karim Aïnouz recebe seu prêmio em Cannes - Metro Jornal

"É um importante prêmio do cinema mundial e muito importante para o cinema brasileiro em um ano em que tivemos uma representação maravilhosa, com o filme do Kleber Mendonça e do Juliano Dornelles, o da Alice Furtado e o filme produzido pelos irmãos Gullane. Antes de qualquer coisa, é importante que este prêmio possa incentivar o futuro do cinema brasileiro, a diversidade da nossa cultura para que tenhamos um Brasil melhor do que estamos vivendo agora. Queria dedicar especialmente para a minha amada Fernanda Montenegro, para todas as atrizes do filme e para todas as mulheres do mundo", comemorou o diretor.

"Esse prêmio é muito importante para o Brasil, principalmente no momento atual, quando a cultura precisa ser abraçada. Um filme brasileiro vem para Cannes e ganha esse prêmio prova que o investimento que se fez em educação e cultura no Brasil foi muito importante. E que a gente continue fazendo isso para que a cultura brasileira permaneça muito bem representada lá fora", comentou Rodrigo Teixeira, produtor do longa.

A mostra Um Certo Olhar celebra obras com linguagem experimental.

Neste ano, seu júri foi presidido pela atriz e diretora libanesa Nadine Labaki.

Confira o trailer de 'A Vida Invisível De Eurídice Gusmão':


'BACURAU' LEVA O GRANDE PRÊMIO DO JÚRI

'Bacurau', dirigido pelos brasileiros Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, venceu o Prêmio do Júri junto com 'Les Miserables', de Ladj Ly, no 72º Festival de Cannes.

Na descrição de seus diretores, “Bacurau é um filme de aventura ambientado no Brasil ‘daqui a alguns anos’”.

Depois do sucesso internacional de 'Aquarius' (2016), que também teve sua estreia mundial na principal mostra do Festival de Cannes três anos atrás, 'Bacurau' é a segunda coprodução entre a CinemaScopio do Recife ('O Som ao Redor') e a SBS em Paris ('Mapas Para as Estrelas', de David Cronenberg).

‘Bacurau’ ganha prêmio do Júri em Cannes - THR

A história se passa em Bacurau, um pequeno povoado do sertão brasileiro, e dá adeus a Dona Carmelita, mulher forte e querida, falecida aos 94 anos.

Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a comunidade não consta mais nos mapas.

No elenco internacional, veremos Sonia Braga, Barbara Colen, Udo Kier, Thomas Aquino, Silvero Pereira e Johnny Mars, entre outros.

Distribuído pela Vitrine Filmes (que também distribuiu 'O Som ao Redor' e 'Aquarius') 'Bacurau' deve estrear em 14 de Novembro no Brasil.

Confira o trailer de 'Bacurau':


VITÓRIA DE 'BACURAU' É BOFETADA NO BOLSONARISMO

Por Tiago Barbosa

A vitória do filme pernambucano Bacurau, em Cannes, é a bofetada da cultura no governo Bolsonaro e um antídoto à peste obscurantista instalada no Brasil.

O governo refratário a artistas e professores, capaz de mutilar a educação com cortes ideológicos e extinguir o ministério da Cultura, precisa engolir a reverência do mundo aos talentos nacionais.

À consagração literária de Chico Buarque no mais importante prêmio da Língua Portuguesa, o Camões, o presidente ficou indiferente.

À façanha dos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles, deve torcer o nariz.

Não é só esnobismo.
É inveja, ressentimento e burrice em estado bruto.

O prestígio desfrutado pelos artistas brasileiros contrasta com o total desprezo internacional conferido ao pária Bolsonaro, ser medíocre intelectualmente, limítrofe e alçado ao cargo pela combinação abjeta de ódio, fake news e torpor coletivo.

A glória conquistada no principal festival de cinema no mundo só realça a distância entre o Brasil bem-sucedido e o presidente fracassado e o consolida como a treva diante da luz, a antítese da criatividade, dos ventos civilizatórios.

A arte desconstrói, assim, a perseguição deflagrada pelo conceito oco de marxismo cultural e outros penduricalhos caça-otários para mostrar a todos como é necessário respirar resistência em meio à asfixia de uma atmosfera imbecilizante.

Outra narrativa é sempre possível.