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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

'DESCENDENTES 3' - CRÍTICA: VISUAL NOVO DEMAIS, HISTÓRIA DE MENOS


SINOPSE:

Mal (Dove Cameron) vive em paz em Auradon, onde deve se tornar a nova rainha ao lado de Ben (Mitchell Hope).

No entanto, ao trazerem mais crianças da Ilha dos Perdidos, vilões indesejados conseguem atravessar a fronteira, e ameaçam a paz no reino.

É preciso tomar uma decisão sobre esta travessia: seria melhor erguer um muro definitivo entre os povos?

Mal ainda precisa enfrentar a ira de Audrey (Sarah Jeffery), revoltada por não ter sido escolhida por Ben.

Aos poucos, a nova rainha percebe que precisará contar não apenas com a ajuda dos amigos Carlos de Vil (Cameron Boyce), Evie (Sofia Carson) e Jay (Booboo Stewart), mas também com a suporte daqueles que considerava seus adversários: Uma (China Anne McClain), Gil (Dylan Playfair) e Harry Hook (Thomas Doherty).

CRÍTICA:

Quando o primeiro filme da franquia ‘Descendentes’ foi lançado em 2015, os fãs das princesas foram à loucura, pois a proposta da Disney era justamente jogar uma nova luz nos famosos contos de fadas, atualizando-os para a linguagem e as temáticas importantes para a juventude.

Agora, quatro anos depois, o terceiro filme da franquia, Descententes 3, chega diretamente ao Disney Channel trazendo muitas perucas e pouca história.

Para quem viu os dois filmes anteriores: Mal (Dove Cameron) conquistou Ben (Mitchell Hope) meio que sem querer, e, embora os dois tenham se apaixonado, Mal não estava exatamente à vontade com a ideia de ser rainha de Auradon e deixar a Ilha dos Perdidos de lado.

Se isso já foi o tema do filme 2 - e achamos que tinha terminado tudo bem ali - voltamos ao mesmo draminha na nova continuação.

Afinal, quando esses dois vão se decidir?

Ou, melhor: quando esses dois vão decidir que casamento não é uma boa ideia enquanto ambos não amadurecem?

Enfim, temos uma força obscura ameaçando a paz de Auradon, só que essa força obscura aparece e desaparece bem aleatoriamente, sem ser aprofundada.

Aliás, aqui nada é aprofundado: os personagens vão de um ponto a outro sem uma razão forte, dando a sensação de que estão vagando pelo cenário para ocupar o tempo; um encanto que é jogado desaparece quando a pessoa entra na ilha, ok, mas quando volta a Auradon, o encanto não retorna; o relacionamento entre os personagens está mais superficial do que nunca, ao ponto de alguns deles sequer ter mais que três falas; as músicas não entretêm, não animam e não trazem nenhuma mensagem tocante para quem assiste – aliás, com exceção da primeira, todas as outras surgem do nada, apenas para preencher um buraco.

Tudo isso é por conta do roteiro preguiçoso de Sara Parriott e Josann McGibbon (que também fizeram os anteriores), e que, com o intuito de trazer uma mensagem de que “todos somos capazes de sermos bons e maus, independentemente de que lado da barreira estamos” (dita na última cena, para ficar bem evidente), criou e argumentou uma história com muitas falhas, pouca ação e ainda menos coerência.

Cabia a Kenny Ortega, diretor do longa, ter tentado corrigir essas questões tão evidentes da versão final, ou mesmo de ter tentado acertar tudo isso na hora de filmar, já que ele também foi responsável pelos filmes anteriores.

Uma vez que – novamente – a história toda recai sobre Mal, a atuação de Dove Cameron fica em evidência, e chama a atenção como a atriz de 23 anos cresceu, encorpou e mudou um bocado desde o último filme.

Mas quem rouba a cena mesmo é Uma (China Anne McClain), com sua desenvoltura natural tanto para cantar e dançar quanto para desdenhar das princesinhas.

Destaque também para Celia (Jadah Marie), filha do Dr. Facilier (‘A Princesa e o Sapo’), super carismática, apesar de não ter ganhado muito espaço nessa trama, assim como a queridinha Evie (Sofia Carson), que também ficou apagada.

Vale ainda uma menção honrosa a Doug (Zachary Gibson), que está parecendo filho do Nicolas Cage; para os filhos do Smee (Christian Convery e Luke Roessler), que estão parecendo filhos do Doc, de ‘De Volta Para o Futuro’; e para Harry (Thomas Doherty), filho do Gancho, que não só ganhou mais falas como também em sua primeira cena está parecendo filho do Loki.

Para quem é fã dos filhos dos vilões, os elementos de que mais gostamos estão lá: os novos cabelos coloridos e novos penteados, roupas com design super descolado, e o principal: apesar de tudo, a franquia ‘Descendentes’ continua centrando sua história em protagonistas femininas, sejam elas boas ou más - e isso é realmente legal.

‘Descendentes 3’ não é um filme para se ver muitas vezes, mas, quem é fã, deve assistir, até porque há uma pontinha que não só dá brecha para uma continuação, como anuncia a chegada de personagens queridos.

É inevitável, porém, nos sentirmos tristes com a ideia de que este foi o último filme do Carlos (Cameron Boyce), morto recentemente.

Fica o legado de um rapaz jovem e sorridente, que conseguiu fazer um cachorro falar e contribuir para o imaginário do mundo Disney.

A HOMENAGEM DA DISNEY A CAMERON BOYCE:


GALERIA DE IMAGENS:




TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
Descendentes 3 : Poster
DESCENDENTES 3
Título Original:
Descendants 3
Gêneros:
Aventura, Fantasia, Família, Musical
Direção:
Kenny Ortega
Elenco:
Dove Cameron, Sofia Carson, Booboo Stewart e outros
Nacionalidade:
EUA
Produção:
Disney
Exibição:
Disney Channel
Duração:
1h51min
Data de lançamento:
9 de agosto de 2019

COTAÇÃO DO KLAU:

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

'AMERICAN HORROR STORY - CULT': MELHOR TEMPORADA DA SÉRIE DEIXA DE LADO O SOBRENATURAL PARA DESTACAR OS MAIORES PERIGOS DA ATUALIDADE: A VAIDADE E O MEDO


SINOPSE:

Após as eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016, a cidade de Brookfield Heights, no Michigan, fica dividida.

A proprietária do restaurante local, Ally Mayfair-Richards, está completamente perturbada pela vitória de Donald Trump e várias de suas fobias de longa data, incluindo a coulrofobia, a hemofobia e a tripofobia, se intensificam com os recentes acontecimentos e ela tenta conseguir a ajuda de sua esposa, Ivy, e seu psiquiatra, Dr. Rudy Vincent, para curar suas fobias.

Um dos residentes de Brookfield Heights, um sociopata manipulador chamado Kai, se alegra com os resultados das eleições e fica inspirado a seguir o poder político.

Então, Kai forma um culto para conseguir realizar suas ideologias, contando com a ajuda de seus seguidores; entre eles, sua irmã Winter, os vizinhos Harrison e Meadow, além do detetive Jack Samuels e da repórter local Beverly Hope.

CRÍTICA:

Em novembro de 2016, em meio a toda a loucura provocada pela disputa entre Hillary e Trump pela presidência dos EUA, o YouTube começou a ser tomado por vídeos amadores que mostravam pessoas fantasiadas de palhaços pelas ruas, amedrontando e assustando moradores de cidades pequenas.

A polícia chegou a atentar para o “fenômeno” depois que alguns casos chamaram a atenção pelo seu teor quase terrorista.

A sociedade estava reagindo de algum jeito e olhando para trás na história, períodos de grandes transformações sociopolíticas também são incubadoras de organizações extremistas.

A vitória de Trump era o pontapé para a criação de um novo culto.

Ryan Murphy, criador de 'American Horror Story' juntamente com Brad Falchuk, ,declarou que os palhaços eram uma das inspirações para a história da temporada e que Charles Manson, seria a outra.

Os assuntos são completamente convergentes: os palhaços representam o registro contemporâneo visual e Manson - um dos mais famosos assassinos americanos, morto recentemente - representa o impacto de um culto dentro da cultura pop.

Nos anos 60, ele liderou um grupo que se autoproclamava hippie e que espalhou terror e pânico assassinando pessoas em Los Angeles sob a justificativa de que preparavam o terreno para uma guerra e para a reconfiguração do mundo.

Nesse mundo os negros seriam subjugados, homossexuais banidos e mulheres submetidas aos homens, só fazendo refeições depois dos cães, inclusive.

Ou seja: qualquer semelhança com a tomada absurda de reacionarismo político e social não é mera coincidência.

'American Horror Story: Cult', que o canal FX acabou de exibir, começou exatamente no momento em que a vitória de Donald Trump é declarada.

O mundo estupefato é representado pela reação da personagem de Sarah Paulson, Ally, uma mulher bem-sucedida, gay, casada com uma chef e que juntas criam seu filho - e simbolizam o resultado de uma América que fora salva por valores supostamente democratas.

Sarah Paulson é Ally
Elas idolatram Obama e celebram conquistas e vitórias que são importantes para minorias oprimidas no curso da história.

Porém, a maneira hiper dramática com a qual essa reação é exposta tem um propósito: Murphy não quer perder de vista que extremismo não se combate com mais intolerância e há um perigo rondando aquela casa que não tem raízes na vitória de Trump.

Do outro lado está Kai (Evan Peters, sensacional e irrepreensível), que começa o enredo não sendo mais que um jovem cheio de ideias distorcidas sobre o mundo.

Evan Peters, aqui com sua gangue de palhaços assassinos, é Kai
Cabelo colorido de azul, filho da era digital, do armamento, da classe média fingida e dissimulada, ele poderia ser qualquer um desses jovens que vão para as redes sociais defender opiniões reacionárias, questionar o valor de leis de proteção ao negro, aos gays, às mulheres, porque “se todos são iguais ninguém devia receber benefícios por ser diferente”.

Kai é o tipo que simpatiza pela causa nazista, mas quando indagado sempre diz que “a suástica, o nazismo, são muito mais que genocídio, são uma ideologia protecionista e legítima”.

Quando Trump vence, ele ganha a oportunidade de puro, de exercer sua oratória e garantir sua oportunidade de 'ser especial'.

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Sally é casada com Ivy, interpretada por Allison Pill
A dramaturgia da temporada se constrói de forma extremamente complexa.

Kai convence os seus seguidores de que o mundo precisa temer mais e mais, para que passe a aceitar ser liderado por quem realmente está disposto a fazer “uma limpeza”.

E isso é coerente com a realidade de formas enervantes, porque a ascensão de políticos de extrema-direita, que defendem muros cercando fronteiras, repressão de gênero e a matança indiscriminada de bandidos, só foi possível porque a sociedade vive um profundo momento de insegurança e foi convencida de que “os valores precisam ser recuperados para que a família se sustente”.

Por isso, Kai organiza um culto (todos vestidos de palhaços sombrios, claro) e instaura o medo, matando e mutilando, até que todos temam tanto, que aceitem qualquer tipo de ajuda.

Já a Ally que Sarah Paulson magistralmente interpreta é toda construída de medos e fobias.

Dominada por eles, ela segue por metade da temporada sendo um mero joguete nas mãos daqueles que a deviam proteger.

Dedicada ao papel, Paulson tenta se esquivar da semelhança de trajetória que já vivera em 'Asylum' e 'Coven', em que suas personagens também eram muito humilhadas antes de buscarem vingança - e ela consegue.

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Sarah Paulson, espetacular
A partir do ponto em que o culto é revelado e Ally entende tudo que lhe foi feito, a temporada entra numa espiral de tensões movidas pela vingança.

Além disso, os fracassos políticos de Kai pioram seus rompantes egomaníacos e assim como aconteceu com David Koresh, Jim Jones, Manson e tantos líderes de cultos que atravessaram o tempo (e que foram devidamente ilustrados nos episódios), seu propósito passa a ser apenas o de se tornar um “ídolo”.

A temporada tem grandes dois protagonistas, Sarah Paulson e Evan Peters, curiosamente, também os únicos dois membros do elenco original a participar de todos os anos da série até aqui.
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Peters e Paulson, os protagonistas
'American Horror Story' vem passando por uma evidente descaracterização de elenco e algumas perdas são sentidas.

Por ter nascido antologicamente, funcionando quase como uma trupe de teatro, a série tinha no seu cast um fator predominante de familiaridade.

'Roanoke', mesmo sem a presença magnética de Jessica Lange - estrela incontestável até então - ainda tinha Kathy Bates, Angela Bassett, Lily Rabe e até Lady Gaga, que também virou uma espécie de ícone da série.

'Cult' é a temporada com mais rostos novos e por isso mesmo, a que mais soa distanciada da atmosfera original.

Os pontos fracos estão justamente nas atuações de um elenco despreparado para enfrentar o peso da série.

A ideia do homossexual reacionário não é bem defendida por Billy Eichner, Alison Pill tem seu nome nos créditos de abertura, mas Adina Porter não tem e faz um trabalho muito melhor.

Isso sem falar em Billie Lourd, que é apática, monocórdia e não consegue esquecer sua personagem em 'Scream Queens'.

O desnível de atuações é problemático e prejudica a soberania do programa, algo que nunca foi um problema antes.

Além disso, os tropeços de texto e edição no episódio focado em Manson (logo ele), quebraram muito a expectativa da finale.

Porém, essa temporada tem o ótimo episódio focado em Valerie Solanas, uma líder feminina que redime a série de um discurso antidireita e ainda faz aquilo que a série tem de mais charmoso: sua capacidade de brincar com elementos da cultura pop.

Como estamos falando de Ryan Murphy e de seu profundo engajamento em questões de gênero e de defesa dos direitos das minorias (ele tem até uma fundação que prioriza mulheres e afro-americanos na direção, produção e autoria de trabalhos para a TV), o final da temporada não poderia deixar de encerrar os ponderamentos sobre o papel da mulher na sociedade.

Afinal, o discurso de Kai é velho, imbecil, nojento e cheio de sabedoria fingida.

Os que o seguem são gatinhos assustados que precisam de alguém que lhes dê a mão.

Ally sepulta esse terror promovido pela ignorância, mas o grande pesar do espectador ficou na hora de desligar a TV.

Sem monstros, criaturas e fantasmas, 'American Horror Story' fez sua temporada mais assustadora.

E o perigo, vejam vocês, somos nós.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'AMERICAN HORROR STORY - CULT'
Título Original:
American Horror Story
Criação:
Ryan Murphy,Brad Falchuk
Elenco Principal:
Sarah Paulson, Evan Peters, Billy Eichner, Alison Pill, Adina Porter, Billie Lourd
País:
EUA
Classificação:
16 anos
Exibição no Brasil:
Canal FX
Duração:
60 min.

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

'THE CROWN': SÉRIE SOBRE OS PRIMEIROS ANOS DE REINADO DE ELIZABETH II É IRRESISTÍVEL E ESPETACULAR


SINOPSE:

A trama da nova série original Netflix, em dez episódios, é focada na família real mais poderosa do mundo, escancarando seus bastidores não muito nobres e também nas audiências semanais realizadas entre a Rainha Elizabeth II (Claire Foy) e os primeiros-ministros britânicos, de 1952 até os dias de hoje - o primeiro a aparecer é Winston Churchill (John Lithgow).

A primeira temporada vai do casamento de Elizabeth com Philip Mountbatten (Matt Smith), o duque de Edimburgo, em 20 de novembro de 1947 -  e termina dez anos depois.

Baseada na peça 'The Audience', encenada por Dame Hellen Mirren.

CRÍTICA:

A série 'The Crown' é uma superprodução de US$ 124 milhões (R$ 400 milhões),  que pretende humanizar a biografia da Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, de 90 anos, além de mostrar um outro lado da Casa de Windsor.

O drama conta como Elizabeth Alexandra Mary (Claire Foy), filha de George VI (Jared Harris), o rei gago, deixou de ser Princesa para virar a comandante do Império Britânico, numa ascensão marcada por desavenças e barracos típicos de uma família plebeia.

A atriz britânica Claire Foy interpreta a rainha Elizabeth em The Crown, nova série da Netflix - Divulgação/Netflix
A atriz britânica Claire Foy interpreta a rainha Elizabeth - Netflix

Com dez episódios, a primeira temporada tem como ponto de partida o casamento de Elizabeth com Philip Mountbatten (Matt Smith), o duque de Edimburgo, em 20 de novembro de 1947, e termina dez anos depois.

Cada temporada da série pretende mostrar uma década da vida da Rainha.

A entrada de Philip na família real britânica foi cheia de controvérsias: primo de segundo grau da então futura rainha, ele não tinha muito dinheiro e era considerado estrangeiro, por ser filho de pai grego.

Suas três irmãs não foram convidadas para o casamento porque eram casadas com nobres alemães - supostamente nazistas.

Pouco mais de quatro anos após o matrimônio, o Rei George VI morreu e Elizabeth, sua filha, foi nomeada Rainha.

A mudança afetou Philip, que se incomodava com o fato de não poder mais andar ao lado da mulher - o protocolo o fazia ficar sempre atrás.

O casal discutiu muito por causa disso - e a série reconstitui os diálogos.


Vanessa Kirby é a princesa Margaret, a irmã atrevida da rainha Elizabeth- Netflix

Enquanto Elizabeth se casava e ganhava a coroa, sua irmã ficava cada vez mais afastada da rotina de sua família.

Alvo preferido dos paparazzi da época, a Princesa Margaret (Vanessa Kirby) tinha uma vida social ativa e não saía das colunas sociais.

Ela protagonizou um grande escândalo quando vazou para a imprensa a notícia de que iria se casar com um homem divorciado - os jornais detonaram a ideia e taxaram o caso como um "romance real que coloca a monarquia em risco".

Mas Elizabeth tinha um reino para cuidar, fazia reuniões semanais com o primeiro-ministro Winston Churchill (John Lithgow) - e eles discutiam sobre tudo, incluindo qual deveria ser o sobrenome do marido dela.

A Rainha procurava não se intimidar frente ao experiente político e evitava ceder às suas pressões.

Elizabeth era bem avaliada pela classe política, por ser progressista e contemporânea, ao contrário do conservador Churchill.

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 Claire Foy como Elizabeth e Matt Smith como Phillip  - Netflix

 Assinado por Michele Clapton, vencedora do Emmy e conhecida pelo trabalho em 'Game of Thrones', da HBO, o luxo do figurino chama a atenção.

Em entrevista para o site Fashionista, a figurinista contou que buscou ser muito fiel à história e que, basicamente, replicou o que foi documentado em fotos.

Só na primeira temporada, foram usadas cerca de 7.000 roupas, das quais 350 feitas feitas à mão.

Algumas peças tiveram de ser adquiridas nos Estados Unidos, de mulheres que viveram no período logo após a Segunda Guerra Mundial.

Com tudo isso, se você for ver a série, esperando um "The Real Housewives" da família real, esqueça.

O criador Peter Morgan - que divide a função de showrunner com o diretor Stephen Daldry ('Billy Elliot', 'As Horas' e 'O Leitor') - assina os dez episódios da primeira temporada de e segue o clima de 'A Rainha' (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar por Melhor Roteiro Original).

A tensão é estabelecida através de olhares e gestos.

Em determinado momento, uma briga violenta entre Elizabeth e seu marido, Philip (Matt Smith) é apresentada ao espectador sem áudio, mas transmite a gravidade da situação.

A série não tem medo de tomar seu tempo para acompanhar os acontecimentos históricos e muitos vão se surpreender ao perceber que Elizabeth não é o centro das atenções do piloto.

O problema é que, muitas vezes, esse ritmo se torna repetitivo e pode perder a atenção do espectador.

Pensando em sua totalidade, a série apresenta certa falta de consistência ao dosar conflitos políticos e dramas pessoais.

Enquanto alguns episódios são tão completos que poderiam gerar filmes, outros pecam pela lentidão ou por seguir um caminho educativo demais.

Numa situação paradoxal, a série apresenta subtramas dispensáveis e/ou pouco desenvolvidas, mas é agraciada com um elenco eficiente.

Como Rainha Elizabeth II, a performance de Claire Foy merece aplausos, de pé.

Desde o primeiro momento, seu trabalho traz humanidade para a monarca, capaz de derrubar todos os preconceitos que giram ao redor de sua figura.

Ao longo da temporada, a doce e tímida moça cede lugar para a firme governante -  e essa transformação é feita com maestria pela atriz, muitas vezes sem uso de palavras.

Quem também rouba a cena é John Lithgow, numa composição singular do polêmico Primeiro-Ministro Winston Churchill.

Foto John Lithgow
John Lithgow interpreta o Primeiro-Ministro Winston Churchill
Sua atuação é incrível e mostra uma interessante dinâmica com a protagonista, mesmo com seu personagem só apresentando novas camadas emocionais no final da temporada.

Já Matt Smith como Phillip apresenta um trabalho bem diferente de 'Doctor Who', retratando um homem contraditório: dono de ideais modernos, mas frustrado ao ser subordinado da esposa numa sociedade (ainda mais) machista.

Vanessa Kirby aproveita a chance de brilhar e representa sua Princesa Margaret com charme e emoção.

Inclusive, seu drama - que eu não vou contar aqui - é um dos melhores dilemas do show, capaz de mobilizar o espectador até o sensacional embate final entre as duas irmãs, que é de cortar o coração.

Jared Harris, Eileen Atkins e Alex Jennings também trazem os lados humanos de grandes figuras públicas e ajudam na identificação com o público.

Por enquanto, uma segunda temporada de 'The Crown' não foi confirmada, mas rumores apontam que a pré-produção de novos episódios já começou.

Caso aconteça, não será surpresa, já que as performances do elenco principal devem atrair atenção da crítica especializada e o drama tem muito potencial.

Sem falar que histórias interessantes não irão faltar.

Afinal, são 64 anos do reinado de Elizabeth II... até agora...

Série irresistível e espetacular.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'THE CROWN'
Título Original:
The Crown
Série Original Netflix
Gênero:
Drama, Histórico, Biografia
Número de Episódios:
10
Duração dos episódios:
60 minutos
Criada por:
Peter Morgan, Stephen Daldry
Produtores Executivos:
Andy Harries, Robert Fox, Matthew Byam-Shaw
Elenco Principal:
Claire Foy, Matt Smith, John Lithgow, Jared Harris, Eileen Atkins, Alex Jennings
País:
EUA
Status:
Em produção
Direção do ep 1:
Vermin Catcher
Roteiro do ep 1:
Peter Morgan
Exibição:
Netflix

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

'SUPERGIRL': SEGUNDA TEMPORADA APRESENTA SUPERMAN NOVAMENTE SOLAR E KARA VIRANDO REPÓRTER

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A aguardada aparição do Superman na série estrelada por sua prima foi melhor do que se esperava
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O Canal Warner estreou nesta quarta (26) a segunda temporada de 'Supergirl', agora produzida pelo canal The CW, o mesmo das outras séries de super-heróis da DC que o canal brasileiro exibe.

E por falarmos em 'super-herói da DC': um dos seus maiores nomes, o Superman, é primo da Supergirl e no primeiro ano da série, foi citado várias vezes, mas só "apareceu" em silhueta, logo no episódio de estreia.

Depois, a Supergirl Kara Danvers (Melissa Benoist) sempre esteve em contato com o primo, principalmente em bate-papos online ou trocas de mensagens via celular.

Na maioria das vezes, ela pedia conselhos sobre como ser uma mulher super poderosa que vira protetora de uma cidade - Supergirl é a protetora de National City e Superman, de Metrópolis.

As menções ao Homem de Aço facilitaram a introdução do personagem nessa segunda temporada  - e ele veio muito melhor do que todos esperavam.

Afinal, as últimas aparições do último filho de Krypton, interpretado por Henry Cavill nos longas 'O Homem de Aço' (2013) e 'Batman Vs. Superman: A origem da Justiça' (2015) tinha deixado os fãs decepcionados.

É que o Superman sempre foi um personagem solar, iluminado colorido, um ser super poderoso que se esconde na identidade secreta do atrapalhado repórter Clark Kent.

Basta lembrarmos as capas da minissérie 'Os melhores do Mundo': Gotham e o Batman sempre escuros, noturnos e Metrópolis e o Superman, claros, luminosos, coloridos e diurnos em cada quadrinho.

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Capa da minissérie 'Os melhores do Mundo' - DC Comics/Panini
Se a visão que o diretor Zack Snyder deu ao personagem nesses dois longas foi sombria, triste e confusa, não é culpa do ator Henry Cavill, que soube tirar leite de pedra das limitações de composição que o diretor lhe impôs e vem fazendo uma interpretação até que digna, mesmo não sendo amado pelos fãs - que até acharam que o Superman, escuro e sem humor, teria se transformado numa espécie de 'Batman que voa'.

Felizmente, a série 'Supergirl' já vinha desde sua primeira temporada sendo solar, luminosa, colorida e bem humorada, com diálogos maravilhosos, efeitos especiais muito superiores e um elenco - a começar da protagonista - muito acima das outras séries de super-heróis da DC.

E foi justamente por tudo isso que os fãs brasileiros aguardavam com ansiedade como seria o Superman interpretado Tyler Hoechlin, que vinha de 'Teen Wolf' com a missão de dar corpo, alma e ação à segunda temporada da série protagonizada pela sua prima.

Afinal, entre mais acertos do que erros, Superman/Clark Kent já tinha sido interpretado antes por nada menos que 14 atores - entre eles, as lendas George Reeves (da série dos anos 1950) e Christopher Reeve, de Superman: O Filme (1978),

E Hoechlin se saiu muito bem.

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Melissa Benoist e Tyler Hoechlin, em cena da segunda temporada de 'Supergirl' - Fotos: The CW
Ele está ótimo nos papéis, tanto como Clark Kent, quanto como Superman e deu um novo fôlego para a segunda temporada de 'Supergirl'.

A primeira missão conjunta dos dois é salvar da queda na Terra uma nave espacial sabotada e após se reencontrarem, a heroína convida o primo para uma visita ao DEO (Departamento de Operações Extranormais), organização do governo norte-americano criada para monitorar a presença de vida extraterrestre na Terra e quem tem como líder J'onn J'onzz, o Caçador de Marte (David Harewood).

A estadia de Superman em National City o faz ajudar Supergirl na captura dos criminosos mais banais da cidade - juntos, até apagam um incêndio - mas eles terão de unir forças ao descobrirem que existe um ser com poder suficiente para destruí-los.

Clark e Kara na Catco
O Superman é familiar aos personagens da série, já que ele logo se mostra amigo de Alex Danvers (Chyler Leigh), a irmã adotiva de Kara, e de J'onn J'onzz.

Foi aí que vimos a primeira treta entre eles: J'onn J'onzz explicou depois a Alex que anos atrás, ele o o Superman tinham encontrado um meteoro verde - o Superman ficou fraco e desmaiou.

Alex pergunta: "Kryptonita?' - e J'onn J'onzz: "Sim, inclusive fui eu quem deu esse nome ao minério"  - e explica que a treta se deve ao fato dele não ter destruído a kryptonita como uma prevenção, caso os poderes de Clark ou Kara saiam do controle.

Logo depois, confrontado pelo Superman, ele não sabe responder o porquê ainda guarda o minério.

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Superman, cara a cara com J'onn J'onzz: primeira treta da temporada
O jornalista Clark Kent já trabalhou com o repórter fotográfico James Olsen (Mechad Brooks) no Planeta Diário, e eles são melhores amigos - James agora é colega de trabalho de Kara na empresa de mídia CatCo Worldwide.

Como sempre, as cenas de mais humor e os diálogos mais legais foram da chefe do conglomerado, Cat Grant (Calista Flockhart) - que nessa temporada deixou de ser personagem regular para ser recorrente.

Primeiro, ela se atrapalha toda ao ver Clark com Kara na sua empresa.

Os dois se conheceram quando Cat trabalhava no Planeta Diário (ele era a colunista de fofocas) e disputava o amor do jornalista com Lois Lane.

Tentando ser casual, Cat cumprimenta Clark e imediatamente dispara: 
"Olá Clark, você ainda está com a Lois? Eu apostei no bolão que esse namoro não duraria e ainda não recebi os meus 20 dólares...".

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Kara com Cat - cenas sempre sensacionais
Depois, em várias cenas, ela confronta Kara e pede insistentemente que ela lhe diga logo o que ela (Kara) gostaria de fazer CatCo Worldwide, ao mesmo tempo que grita sempre que chama sua nova assistente, Senhorita Tatsmacher - mesmo nome da assistente de Lex Luthor no longa de 1978, o que já é sensacional.

Quando Kara finalmente diz a Cat que quer ser repórter, ela dá à moça um envelope: dentro, o currículo de Kara quando ela começou a trabalhar lá, que Cat já tinha rabiscado em vermelho a palavra 'repórter' - o que prova que Cat Grant pode ser o que for, mas que ela tem um feeling apuradíssimo, ela tem.

Outro personagem introduzida nessa segunda temporada foi Lena Luthor (Katie McGrath): irmã de Lex, ela é vista primeiro com desconfiança por Clark, que a entrevista, levando Kara junto -  e que gosta, daí a opção da moça por ser repórter.

Logo, os primos se convencem que Lena não tem nada a ver com as vilanices do irmão ("condenado a 31 perpétuas", ela diz), já que tem alguém tentando matar a moça.

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Lena Luthor (Katie McGrath): irmã de Lex recebe Kara e Clark para uma entrevista
Lena quer salvar a Lex Corp da falência, quer mudar o nome da empresa para L Corp para que ninguém mais lembre do que Lex fez e prova que não teve nada a ver com a sabotagem da nave espacial do começo do episódio.

Só que o bandido que tentava mata-la - e sabotou a nave - é capturado no final do episódio e vai parar no projeto Cadmus (sempre presente nas HQs do Superman), onde é transformado em ... Metallo, um ciborgue com coração de kryptonita e que é outro vilão clássico do Super. 

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Visual do vilão Metallo
Tivemos também, logo no início, a chegada de mais um pod (nave) kryptoniano na cidade e dentro dele, um rapaz, que logo saberemos que é Mon-El (Chris Wood).

Mon-El é um personagem que apareceu muito nas Hqs do Superman e da Legião de Super-Heróis.

Nativo do planeta Daxam do sistema Valor, onde os Daxamitas são descendentes dos kryptonianos - estes fundaram uma colônia que se expandiu a grandes cidades.

O sol de Daxam também é vermelho e chamado de Valor (na crença kryptoniana Valor era o irmão gêmeo desaparecido de Rao) que para eles foi encontrado neste planeta.

Mon-El foi o único inocente aprisionado na Zona Fantasma e seus poderes são muito semelhantes aos dos primos Kara e Clark.

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Chris Wood como Mon-El
De todas as séries que voltaram agora, 'Supergirl' foi a melhor desenvolvida, pois não perdeu tudo de bom que já tínhamos visto e gostado e agora só somou mais coisas legais.

Uma curiosidade: na primeira temporada, James Olsen comentou com Kara sobre como ela voa mais rápido e é mais veloz do que o primo - e nós pudemos conferir isso já que, no episódio de estreia da segunda temporada, Supergirl chega na frente do Superman em duas oportunidades.

Pena que em meio à correria, Kara diz a Olsen que não terá tempo para se dedicar ao romance que começava a começar.

Com tudo isso, não à toa, o episódio de estreia da segunda temporada foi assistido por 3 milhões de espectadores e conseguiu 1.2 de rating no público predileto dos anunciantes, na faixa etária de 18 a 49 anos nos EUA.

O The CW viu sua audiência triplicar - o que mostra que a DC acertou em tirar a série da CBS e reuni-la com as outras.

Ah, sim: nos EUA, a série mudou de nome e agora se chama “The Adventures Of Supergirl”, que remete a “The Adventures Of Superman”, série de TV dos anos 50 estrelada por George Reeves.

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Elenco da série reunido para entrevista
“The Last Children of Krypton”, o segundo episódio da segunda temporada, promete mais, além de, é claro, o começo da participação da Diva Lynda Carter (a Mulher-maravilha da série dos anos 1970) como a presidente dos EUA.

No vídeo divulgado da segunda temporada - reveja abaixo - deu para perceber uma clara referência à “Crise nas Infinitas Terras” na cena em que o Superman segura em seus braços a Supergirl desfalecida.

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Montagem com a imagem icônica da saga “Crise nas Infinitas Terras” e cena do segundo episódio da temporada - Movie Pilot

Por mais que “Supergirl” nos desperte a vontade de ver e rever seu primo, aqui a série é sobre Kara - e tem que ser assim.

Até por que Melissa Benoist possui um charme,  talento e presença cênica raramente vistos em Hollywood.

Não é só bonita, tem aquele “algo mais”, sem o estereótipo machista de que super-heroínas precisam vestir trajes minúsculos e terem corpões esculturais.

Melissa é o tipo de pessoa que olhamos, escutamos – tipo o Grant Gunstin de “The Flash” – e logo queremos ser amigos, dar um abraço, trocar uma ideia, tomar um café...

Enfim, que a série continue assim e abra, cada vez mais, margens para que tenhamos um universo da DC completo na televisão.

Não apenas os fãs, mas todos aqueles que procuram um mundo mais diversificado e com alguma esperança agradecerão.

REVEJA O TRAILER:



FICHA TÉCNICA:
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'SUPERGIRL - SEGUNDA TEMPORADA'
Gênero:
Drama, Aventura, Ação, Ficção científica
Baseada em personagens de:
Jerry Siegel e Joe Shuster
Elenco Principal:
Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Floriana Lima, Chris Wood, Calista Flockhart, Katie McGrath, Lynda Carter, Tyler Hoechlin
Desenvolvedor(es):
Greg Berlanti, Ali Adler, Andrew Kreisberg
País de origem:
Estados Unidos
Idioma original:
Inglês
Cinematografia:
Michael Barrett, David Stockton, Jeffery C. Mygatt
Distribuída por:
Warner Bros. Television Distribution
Compositor da música tema:
Blake Neely
Produção:
Berlanti Productions, DC Entertainment, Warner Bros. Television
N.º de temporadas:
2
N.º de episódios:
20 (1ª temporada), 22 (2ª temporada)
Duração dos episódios:
45 min. (aproximadamente)
Emissoras de televisão americanas:
CBS (1ª temporada), The CW (2ª temporada)
Emissora de televisão Brasileira:
Warner Channel
Dia/horário de exibição:
Quartas, 22h30

COTAÇÃO DO KLAU: