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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

'HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO' É O FILME BRASILEIRO ESCOLHIDO PARA CONCORRER NO OSCAR 2015


O Ministério da Cultura anunciou  hoje o escolhido para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015.

‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, longa-metragem baseado no curta 'Eu Não Quero Voltar Sozinho' e também dirigido por Daniel Ribeiro, foi o escolhido.

Na trama, Leonardo (Ghilherme Lobo) é um adolescente cego que, como qualquer adolescente, está em busca de seu lugar.

Desejando ser mais independente, precisa lidar com suas limitações e a superproteção de sua mãe.

Para decepção de sua inseparável melhor amiga, Giovana (Tess Amorim), ele planeja libertar-se de seu cotidiano fazendo uma viagem de intercâmbio.

Porém a chegada de Gabriel (Fabio Audi), um novo aluno na escola, desperta sentimentos até então desconhecidos em Leonardo, fazendo-o redescobrir sua maneira de ver o mundo.

O cartaz do longa - Divulgação

Essa trama simples fez do último trabalho do roteirista e diretor Daniel Ribeiro um dos longas mais aguardados do ano e que já começou sua trajetória ao fazer um sucesso absurdo no último Festival de Berlim, de onde saiu com o prêmio da Firepresci (Federação da Crítica Internacional) na seção Panorama e também com o 'Teddy Bear', Urso de melhor longa com temática gay.

O  curta-metragem de 2010, que inspirou o longa,  já havia levado os prêmios do júri oficial, da crítica e do público no Festival de Paulínia.

Sabendo que a história poderia render bem mais, Ribeiro dirigiu com extrema ternura o que é para mim o melhor filme brasileiro do ano, de roteiro impecável e com interpretações do jovem elenco muito acima da média, de colocar medalhões do nosso cinema no chinelo de tão boas.


Destronando medalhões como 'Getúlio', 'Praia do Futuro', 'Serra Pelada' e 'Tatuagem', entre outros, 'Hoje eu Quero Voltar Sozinho' era o meu longa favorito da lista com 18 obras divulgada no começo da semana para concorrer a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015.

Filme simples e singelo, tem tudo para fazer bonito em Hollywood.

Estamos na torcida, Daniel!

+ Relembre o trailer do longa:

quinta-feira, 10 de abril de 2014

'HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO': MELHOR FILME NACIONAL DO ANO, HISTÓRIA DE AMOR ENTRE DOIS MENINOS É SENSÍVEL E VERDADEIRA


Leonardo (Ghilherme Lobo) é um adolescente cego em busca de sua independência até que seu cotidiano, a relação com a melhor amiga, Giovana (Tess Amorim) e a sua forma de ver o mundo ganham novos caminhos, com a chegada de Gabriel (Fabio Audi), um menino que vai fazê-lo descobrir coisas que ele nem imagina, inclusive o amor.

Essa trama simples fez do novo trabalho do roteirista e diretor Daniel Ribeiro um dos longas mais aguardados desse ano, 'Hoje eu Quero Voltar Sozinho', que estreia hoje em 28 salas em todo o Brasil e que já começou sua trajetória ao fazer um sucesso absurdo no último Festival de Berlim, de onde saiu com o prêmio da Firepresci (Federação da Crítica Internacional) na seção Panorama e também com o 'Teddy Bear', Urso de melhor longa com temática gay.

Gabriel (Fabio Audi) e Leonardo (Ghilherme Lobo) em cena do longa - Fotos dessa postagem: Divulgação/Vitrine Filmes

O longa nasceu de um curta-metragem homônimo de 2010 também dirigido e roteirizado por Ribeiro, que levou os prêmios do júri oficial, da crítica e do público no Festival de Paulínia.

Sabendo que a história poderia render bem mais, Ribeiro dirigiu com extrema ternura o melhor filme brasileiro do ano, de roteiro impecável e com interpretações do jovem elenco muito acima da média, de colocar medalhões do nosso cinema no chinelo de tão boas.

Na trama, Leonardo (Ghilherme Lobo) é um adolescente cego, que sofre bullying por parte de alguns colegas de sala, é ignorado por outros e tem em Giovana (Tess Amorim) a única companheira de classe com quem tem afinidade.

Giovanna (Tess Amorim) e Leonardo
Descontente com o cotidiano - que inclui a atenção exacerbada dos pais - Leo sonha em deixar a vida que leva e fazer um intercâmbio, mas tudo muda quando começa a descobrir sua sexualidade após a chegada de um novo aluno na sua turma, Gabriel (Fabio Audi).

Poucos filmes, brasileiros ou não, trataram a sexualidade de um adolescente com tanta beleza e a sutileza está no conjunto e não apenas na construção do arco dramático do personagem.

Trilha sonora, fotografia, edição e elenco de apoio trabalham em sintonia de relógio suíço, mas sempre vibrante, com uma carga de verdade impregnando toda a produção, a ponto de o espectador, mergulhado desde a cena inicial, se esquecer completamente que está vendo um filme e não a vida real.

Tanto, que quando o longa acaba,  Leo e seus amigos parecem seguir o espectador para fora do cinema.

Os três amigos, em cena do longa

Se no curta os mesmos personagens enfrentavam o medo do primeiro beijo, no longa, o debate se amplia para o amor em geral e para as perspectivas de independência do adolescente em crise no seu duplo tabu (gay e cego), funcionando como inteligente ferramenta narrativa.

Leonardo não é visto como arquétipo social, como "o garoto cego" ou "o garoto gay", não é um símbolo único de uma dessas duas comunidades e suas dificuldades são usadas como metáforas para os conflitos de qualquer jovem, que também pode se sentir diferente por ser ruivo, obeso, órfão, disléxico ou simplesmente tímido, ruim em esportes etc.

Este é, enfim, a grande sacada do filme: tratar as particularidades do protagonista como trataria as especificidades físicas e de temperamento de qualquer adolescente.

Sem pretensões militantes (exceto na cena final), o roteiro evita fazer apologias das particularidades de Leonardo e, assim, quando vemos o dia a dia do personagem, ele já está devidamente inserido na sociedade, estudando em uma escola para adolescentes sem deficiência, indo e voltando para casa com a amiga Giovana.

Não vemos o baque da chegada do garoto cego à escola, nem a descoberta do próprio Leonardo de seu desejo por homens, pois o roteiro - também de Ribeiro - ultrapassa os típicos relatos cinematográficos de autodescoberta para ir direto ao próximo passo: a autoafirmação.

Um pequeno buylling

O longa costura os conflitos da trama de maneira leve e terna e os poucos momentos de bullying praticados por um grupo de colegas não deixam grandes marcas em Leonardo, assim como as brigas com os pais se dissipam em minutos e as disputas com Giovana sempre caminham para a reconciliação.

A fotografia abusa do desfoque da imagem para representar a falta de visão de Leonardo, o som direto evita ruídos em quartos e salas de aula e a trilha nunca é ostensiva.

E o longa segue extremamente acadêmico: uma personagem sempre espera a outra concluir seu diálogo para começar o seu, as cenas iniciam quando um personagem está prestes a dizer alguma frase e os enquadramentos seguem a lógica de plano e contra-plano, tudo feito para que nenhuma cena se destaque ou choque muito, ou seja: o espectador dificilmente vai ver cena mais natural do que o primeiro selinho entre dois garotos.

Gabriel e Leonardo, em cena do longa

O longa sempre nos lembra que estamos vivenciando situações de jovens brancos, urbanos, de classe média alta, onde ninguém pensa em fugir de casa ou se vingar dos pais, apenas fazer uma viagem de intercâmbio - financiada pelos próprios pais, lógico.

O desejo sexual também é retratado de maneira muito particular, com a edição interrompendo a cena no momento em que esta sugere uma masturbação ou uma ereção, o que lembra a todo instante que este não é um filme sociológico ou psicológico, e sim um retrato intimista de tendência universal.

Mas o espectador pode ficar tranquilo com relação ao romance entre os dois garotos: o tom sempre é de ternura e cumplicidade, delicado (sem a conotação pejorativa) e muito sincero, o que faz do longa, simples em suas pretensões artísticas, um belo tratado de afetos, sejam eles entre dois garotos, entre um amigo e sua amiga ou entre os pais e os filhos.

Destaque para a cena onde Leonardo conversa com sua avó (Selma Egrei, excelente na sua volta às telonas) a respeito de relacionamentos e que mostra o talento do diretor para retratar um amor natural e otimista.

Filmaço.

Confira o trailer do longa:

*****
'HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO'
Gênero:
Drama
Direção e Roteiro: 
Daniel Ribeiro
Elenco:
Eucir de Souza, Fabio Audi, Ghilherme Lobo, Isabela Guasco, Júlio Machado, Lúcia Romano, Naruna Costa, Selma Egrei, Tess Amorim, Victor Filgueiras
Produção:
Daniel Ribeiro, Diana Almeida
Fotografia:
Pierre de Kerchove
Montador:
Cristian Chinen
Duração:
96 min.
Ano:
2014
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
10/04/2014
Distribuidora:
Vitrine Filmes
Estúdio:
Lacuna Filmes
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau:

sábado, 15 de fevereiro de 2014

BERLINALE 2014: LONGA CHINÊS 'BLACK COAL, THIN RICE' LEVA O URSO DE OURO E BRASILEIRO 'HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO' É O MELHOR FILME PELA CRÍTICA


O longa "Black Coal, Thin Ice", do diretor chinês Diao Yinan, foi anunciado agora pouco como o vencedor do Urso de Ouro da 64ª edição da Berlinale.

Na cerimônia realizada na noite deste sábado (15), o longa também levou o Urso de Prata de Melhor Ator,  para Liao Fan.

O nome foi recebido com surpresa em um dia que as manchetes anunciavam como favorito "Boyhood", de Richard Linklater - que levou o Urso de Melhor Diretor.

Os chineses foram destaque desde o início da competição, quando foram elogiados pelo curador Wieland Speck por revolucionar o cinema com suas novas formas de contar histórias.

A China ainda marcou presença com "The Midnight After", de Fruit Chan e "That Demon Within", de Dante Lam, ambos na Mostra Panorama - "Blind Massage", de Zeng Jian, foi reconhecido como Excelente Contribuição Artística.

Em "Black Coal, Thin Ice", o ex-policial Zhang Zili (Liao Fan) decide investigar uma série de assassinatos por conta própria e descobre Wu Zhizhen (Gwei Lun Mei), uma jovem que trabalha em uma lavanderia e possível autora dos crimes.

Em um clima que mistura filmes clássicos de investigação e estética noir, Zili se apaixona por Zhizhen e precisa lidar com a dualidade do romance em um thriller de suspense destacado por suas técnicas inovadoras de cinematografia.

"Ficamos felizes com o prêmio de Liao, não imaginávamos que receberíamos um prêmio por Melhor Filme", disse Yinan.

"Nos últimos anos o cinema tem se tornado muito comercial na China, por isso, nosso principal desafio era misturar o lado comercial com um jeito independente e artístico de fazer um filme", completou.

Em relação à dificuldade de produzir filmes no cenário político chinês, Yinan comentou que "ainda existem dificuldades, mas a presença do filme reflete uma abertura."

Tomara.

Confira o trailer de "Black Coal, Thin Ice":


*****
O 'Jury Grand Prix' escolheu como favorito o filme de abertura do evento, "The Grand Budapest Hotel", do americano Wes Anderson, rodado na Alemanha.

Como Anderson não estava presente, a jurada Greta Gerwig foi escolhida para fazer o agradecimento - o diretor levou pela primeira vez um Urso na carreira.

Presidido pelo produtor James Chamus, o júri contou ainda com as avaliações do ator austríaco Christopher Waltz, do cineasta francês Michael Gondry, da atriz dinamarquesa Trine Dyrholm, do diretor iraniano Mitra Farahani e do ator chinês Tony Leung.

Outro destaque foi "Boyhood", que rendeu o segundo Urso de Prata a Linklater, que ganhou o mesmo prêmio em 2005 com a primeira parte da trilogia "Antes do Amanhecer".

Desta vez, o diretor apresenta nos cinemas a infância e adolescência de Mason (Ellar Coltrane, Ethan Hawke), em uma trama escolhida como favorita pelo público alemão e que recebeu prêmios do jornal Morgenpost e dos críticos do Guild of German Art House Cinemas.

O prêmio de Melhor Atriz ficou com a japonesa Haru Kuroki,  de "The Little House"; o Urso de  Melhor Roteiro foi para os irmãos alemães Dietrich e Anna Brüggemann com o dramático "Stations of The Cross" e o Melhor Curta-Metragem ficou com "As Long as Shotguns Remain", de Caroline Poggi e Jonathan Vinel.

Entre os concorrentes ao Urso neste ano estavam o brasileiro "Praia do Futuro", de Karim Aïnouz, "71", de Yann Demange, "History of Fear", do argentino Benjamin Naishtat e "Jack", de Edward Berger.

Mas o brasileiro que mais brilhou na Berlinale desse ano foi o diretor Daniel Ribeiro.

Seu longa 'Hoje eu Quero Voltar Sozinho', que conta a sutil descoberta de um garoto cego sobre sua homossexualidade, foi destaque nas premiações paralelas do festival.

Além de ter sido escolhido como Melhor Filme pela crítica, foi um dos melhores avaliados pelo público da Mostra Panorama  - ficou em segundo lugar - e de quebra, ainda levou o prêmio Teddy de Melhor Filme, que premia histórias e personagens gays e que tem como missão promover a tolerância e a igualdade.

Relembre o trailer de 'Hoje eu Quero Voltar Sozinho':


*****

Confira todos os Vencedores da 64ª edição do Festival de Cinema de Berlim:

Melhor Filme
"Black Coal, Thin Ice", de Diao Yinan
O diretor chinês  Diao Yinan recebe o urso de ouro de melhor filme, ao lado de  Liao Fan, urso de prata como melhor ator e Haru Kuroki, do filme "The Little House",  melhor atriz - REUTERS/Tobias Schwarz

Melhor Diretor
Richard Linklater, de "Boyhood"
O diretor Richard Linklater, recebe o urso de prata de melhor diretor -AFP PHOTO / JOHANNES EISELE
Melhor Ator
Liao Fan de "Black Coal - Thin Ice"
Liao Fan levou o urso de prata como melhor ator  - REUTERS/Tobias Schwarz
Melhor Atriz
Haru Kuroki de "The Little House"
Haru Kuroki, do filme "The Little House", também recebe de Christoph Waltz seu urso de prata como melhor atriz no Festival de Berlim - REUTERS/Tobias Schwarz
Curta-Metragem
*Urso de Ouro para "As Long as Shotguns Remain", de Caroline Poggi e Jonathan Vinel

*Urso de Prata para "Laborat", de Guillaume Cailleau

* Revelação para "Gueros", do mexicano Alonso Ruizpalacios

Contribuição Artística
"Blind Massage", do chines Zeng Jian

Melhor Roteiro
Dietrich e Anna Brüggemann, com "Kreuzweg - Stations of The Cross"
Dietrich e Anna Brüggemann recebem o urso de prata de melhor roteiro -REUTERS/Tobias Schwarz
Alfred Bauer Prize (Filme que abriu novas perspectivas)
"Life of Riley", do frances Alain Resnais

Grand Pix do Jury  
"The Grand Budapest Hotel", de Wes Anderson
Pôster do filme - Divulgação

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

FESTIVAL DE BERLIM: LONGA BRASILEIRO 'HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO' LEVA PRÊMIO DA CRÍTICA E O VETERANO ALAN RESNAIS TAMBÉM É PREMIADO


O longa brasileiro "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" ganhou nesta sexta o prêmio da Firepresci (Federação da Crítica Internacional), na seção Panorama do Festival de Berlim.

O filme de Daniel Ribeiro narra a luta de Leonardo (Guilherme Lobo), um jovem gay e cego de 15 anos, que procura ser independente em uma sociedade super protetora e acaba se apaixonando por um colega de escola, Gabriel (Fabio Audi), ao mesmo tempo em que desperta sentimentos em Giovana (Tess Amorim).

Na semana passada, Ribeiro disse que o trunfo do filme é que os meninos se descobrem gay de uma forma não sexual.

"Os adolescentes gays querem ser associados ao amor e ao afeto. Percebo que quando esses jovens contam aos pais ou no trabalho que são gays, as pessoas já imaginam o sexo. A parte romântica é esquecida. O filme é uma maneira de jovens dizerem aos pais: 'olha, é isso o que eu sinto'".

Já hoje, momentos depois da premiação, Ribeiro disse que não esperava que seu longa fosse o escolhido pela crítica.

"A gente está muito feliz, acabamos de sair da cerimônia, não imaginávamos essa possibilidade. Foi surpresa muito boa ser escolhido entre 50 filmes", afirmou, dizendo ainda que foi sem expectativa a Berlim por "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" ser seu primeiro longa-metragem.

De acordo com o diretor, o prêmio ajuda na campanha de divulgação do filme, fazendo com que fique conhecido e tenha a possibilidade de ser comercializado em mais países.

"Os distribuidores gostam muito desse prêmio da crítica", disse ele, que já negociou a distribuição do longa em oito países durante o festival - entre eles Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França.

Neste sábado (15) será anunciado o vencedor do Urso de Ouro da edição 2014 do festival.

Por estar na mostra Panorama, o longa de Ribeiro não concorre a esse prêmio, mas ainda pode ser escolhido como melhor filme da Panorama pelo público, numa cerimônia que acontece no domingo (16).

O longa "Praia do Futuro", do cearense Karim Aïnouz, está na competição oficial e concorre ao Urso de Ouro.

Relembre o trailer de "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho":


Já o filme de Alain Resnais, "Aimer, boire et chanter" acabou como o premiado da competição oficial pelos críticos da Firepresci.

O longa do veterano diretor francês, que toma o formato de teatro filmado, tem no elenco vários nomes conhecidos, como Sabine Azéma e André Dussoller.

A trama gira em torno de três casais amigos e as situações que surgem entre eles diante da morte do sétimo personagem, um eterno galã que cortejou e segue cortejando as três esposas.

Confira o trailer de "Aimer, boire et chanter":


Os prêmios Fipresci foram entregues, como já é habitual, na véspera da cerimônia final da Berlinale, quando o júri, presidido pelo produtor americano James Schamus, divulgará os ganhadores dos Ursos.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

FESTIVAL DE BERLIM: LEMBRANÇAS DE SEYMOUR HOFFMAN, DANIEL RIBEIRO E SEU CINEMA GAY, LARS VON TRIER E SHIA LABEOUF


O dia a dia do 64º Festival de Cinema de Berlim , você vê aqui:

BERLINALE RELEMBRA PHILIP SEYMOUR HOFFMAN

A morte do ator norte-americano Philip Seymour Hoffman por uma aparente overdose de drogas entristeceu todos os participantes da Berlinale 2014. 

Diretores, atores e atrizes se mostraram muito tristes com a ausência de Hoffman, que era esperado em Berlim para promover seu filme "God's Pocket", sucesso no último Festival de Sundance.

O presidente do júri - produtor cinematográfico e roteirista James Schamus - disse que Hoffman estará lá em espírito.

O presidente do júri da Berlinale 2014, James Schamus - Zimbio.com

"Aquela notícia foi muito dura para todos nós", disse Schamus em uma entrevista coletiva na qual todos os membros do júri estavam presentes.

"Philip Seymour Hoffman estará aqui...e eu sei que muitos de seus amigos vão se reunir para recordá-lo. São lugares como Berlim que concedem um espaço para lembrar, lamentar e celebrar, e acho que vocês podem ficar sossegados porque ele estará aqui."

'HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO': BRASILEIRO SELECIONADO À MOSTRA PANORAMA LEVA ROMANCE GAY SEM SEXO A BERLIM

O cineasta Daniel Ribeiro fará a estreia de seu primeiro filme de um jeito especial: "Hoje eu Quero Voltar Sozinho" - que foi exibido na telona pela primeira vez na mostra Panorama do Festival de Berlim hoje - já conta com uma página no Facebook com mais de 40 mil seguidores.

O sucesso antecipado do longa se deve em boa parte pelo curta na qual a nova produção é baseada, "Eu Não Quero Voltar Sozinho", premiado no Festival de Paulínia, em 2010.

O filme vem conquistando fãs por trazer a descoberta da homossexualidade pelo viés romântico, que antecede o sexo.

Em entrevista a Mariane Zendron (UOL), Ribeiro disse que depois do Festival, a equipe decidiu colocar o curta no YouTube e  a partir daí, a história da amizade de Leonardo, Giovana e Gabriel foi ganhando fãs - já conta com mais de 2 milhões de visualizações.

Com isso, o diretor viu que, com um longa, teria mais tempo para desenvolver os conflitos do filme, que trata do despertar sexual de Leo, um jovem estudante do Ensino Médio que se apaixona por Gabriel ao mesmo tempo em que desperta sentimentos em Giovana.

Segundo o diretor, o trunfo do filme é que os meninos se descobrem gays de uma forma não sexual.
"Os adolescentes gays querem ser associados ao amor e ao afeto. Percebo que quando esses jovens contam aos pais ou no trabalho que são gays, as pessoas já imaginam o sexo. A parte romântica é esquecida. O filme é uma maneira de jovens dizerem aos pais: 'olha, é isso o que eu sinto'".

O diretor Daniel Ribeiro - UOL

Ribeiro deixa claro que é a favor de filmes que tragam o sexo gay, como "Tatuagem" (2013), de Hilton Lacerda, mas reforça que "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" funciona mais como uma introdução ao tema.
"Acho importante cenas de sexo e o cinema é um lugar bom para discutir assuntos mais parrudos. Diferentemente do que acontece na televisão, os limites do cinema são mais flexíveis".

Aos 32 anos, com dois curtas sobre a homossexualidade (o outro é "Café com Leite", 2007) e agora um longa, Daniel chama de "conservadorismo besta" a dificuldade em retratar a homossexualidade na TV ou exibir um simples beijo entre pessoas do mesmo sexo. 
"Isso é medo de incomodar o anunciante. Só isso justifica o medo de exibir um beijo gay. A sociedade parece meio adolescente discutindo isso".

Por outro lado, Daniel reconhece o mérito da TV ao "levar o assunto para a mesa do jantar".
"Há 15 anos, as pessoas não conheciam muitos gays. Eu mesmo, quando me descobri gay, não tinha um milhão de exemplos, nem na TV e nem na vida. A televisão ajudou as pessoas a se assumirem. Não dá para tirar o mérito dela".

Com a intenção de discutir mais profundamente a questão da sexualidade, Daniel criou um protagonista com deficiência visual. 
"Quando o personagem é gay vem o questionamento: você escolhe ou não ser gay? Um dia fiquei pensando de onde vem a atração sexual de uma pessoa que já nasce cega. Vem do cheiro? Do toque? Da voz?. O filme não responde a essas perguntas, mas olha para isso. Muitas pessoas querem saber como alguém 'se torna' gay, mas é uma coisa que vem de dentro, que vem quando você nasce".

O ator Guilherme Lobo - que não é deficiente visual - surpreendeu a equipe ao fazer o teste para interpretar Leo, com apenas 15 anos de idade.
"Disse a ele que não precisava interpretar um cego no teste. Só queria ver como ele lidava com as falas, mas ele quis fazer o personagem completo e nos surpreendeu muito. Todo mundo me pergunta se ele é mesmo deficiente visual".

Três anos depois, com os atores um pouco mais velhos e o longa em Berlim, Daniel comemora que a história tocou não apenas a comunidade gay ou os deficientes visuais.
"Percebi que seria muito melhor tratar tudo com naturalidade, tanto a homossexualidade como a deficiência visual. Todo mundo pode ser relacionar com esse personagem porque as grandes questões dele são universais. Todo mundo se apaixona pela primeira vez, todo mundo tem duvidas se vai ser correspondido, todo mundo quer ter um amigo na volta para casa. Isso derruba os preconceitos".

O filme estreia no dia 28 de março - em São Paulo e no Rio de Janeiro - mas Daniel disse que ele e sua equipe estão trabalhando duro para expandir o lançamento para várias cidades brasileiras, já que tanta gente já se identificou com os dilemas apresentados no longa.

Confira o trailer do longa "Hoje eu Quero Voltar Sozinho" :


DE SURPRESA, LARS VON TRIER APARECE NA BERLINALE PARA CAUSAR

Quando o assunto é polêmica, não há limites para o diretor dinamarquês Lars Von Trier: ele apareceu no Festival de Berlim, neste domingo (9), vestindo uma camiseta com o símbolo do Festival de Cannes, da França, e a frase: "persona non grata".

O cineasta ganhou o rótulo após declarar no evento francês, em 2011, que sentia empatia por Adolf Hitler.

Há dois anos, quando lançava "Melancolia" em Cannes, ele foi questionado sobre sua ascendência alemã.

Na ocasião, Von Trier disse que entendia Hitler, afirmando que era "nazista".

A organização do festival francês pediu que ele voltasse atrás em seus comentários e o baniu do evento, declarando-o "persona non grata".

Agora, em Berlim, ele promove o filme "Ninfomaníaca": a primeira parte do longa, que já estreou no Brasil, foi exibida no festival com seis cenas adicionais, focando em detalhar os dramas da personagem principal Joe (Charlotte Gainsbourg).

O diretor Lars Von Trier em Berlim - Tobias Schwarz/Reuters

A exibição arrancou aplausos e risadas da plateia, mas quem espera pelas prometidas cenas de sexo tórridas e transgressoras terá que esperar pela segunda parte.

A previsão é de que a segunda parte de "Ninfomaníaca" faça sua estreia justamente em Cannes em maio.

A  informação ainda não foi confirmada - nem negada - pela equipe do festival francês.

"A segunda parte é mais devagar, vai mais no coração do tema que Lars escolheu, é mais explícito", adiantou a produtora Louise Vesth, sem revelar maiores detalhes.

EM BERLIM PARA PROMOVER 'NINFOMANÍACA' SHIA LABEOUF DESPIROCA DE VEZ

Os atores e atrizes do filme "Ninfomaníaca – Volume 1", do diretor Lars Von Trier participavam de uma entrevista coletiva no Festival de Berlim, quando o ator Shia LaBeouf não gostou quando foi perguntado sobre sua atuação nas cenas de sexo e abandonou a coletiva.

O artista citou uma frase do jogador de futebol francês Eric Cantona depois de ser detido em 1995 por agredir um torcedor:
"Quando as gaivotas seguem o barco é porque pensam que as sardinhas serão lançadas ao mar".

Seus colegas de elenco Christian Slater, Uma Thurman, Stacy Martin e Stellan Skarsgard decidiram permanecer.

Veja:


Depois de abandonar a coletiva de imprensa, o ator chegou para a pré-estreia do filme em que atua,  de smoking e usando um saco de papel na cabeça escrito: 
"Eu não sou mais famoso".

Shia LaBeouf em Berlim - AP

Desde o dia 13 de janeiro ele vem publicando a mesma frase, diariamente,  em sua página no Twitter.

Desde o ano passado, Shia vem sendo acusado de copiar textos para roteiros de seus projetos pessoais e, recentemente, disse que abandonaria a vida pública.

Agora, parece ter despirocado de vez.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

BERLINALE 2014: DURANTE DEZ DIAS, BERLIM SERÁ A CAPITAL MUNDIAL DO SEXO - CONFIRA PROGRAMAÇÃO


A 64ª edição da Berlinale - Festival de Cinema de Berlim -  quer provocar seus espectadores.

Além de exibir a versão sem cortes de "Ninfomaníaca - Parte 1" e desfilar o sex-appeal de George Clooney pelo tapete vermelho, a partir de hoje e até o próximo dia 16.2,  o Festival na capital alemã - um dos mais importantes do mundo -   vai levar aos 500 mil espectadores discussões apimentadas e documentários que revelam análises criativas e diversificadas sobre sexo.

Cena de 'Ninfomaníaca' - Divulgação
Aproveitando o espaço aberto que já existe na mostra Panorama para levantar discussões, serão aprofundados temas como o dever político da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) de se manifestar em tempos de intolerância e o preconceito nas relações entre transgêneros e transsexuais.

Os temas procuram ir além do beijo gay, um amadurecimento da questão e uma tentativa de retratar o que existe depois do preconceito.

Abrindo a programação da mostra, o documentário "The Dog" reconstrói a trajetória do bissexual John Wojtowicz, famoso por roubar um banco no Brooklyn, em Nova York, para financiar a cirurgia de troca de sexo do seu amante em 1972 -  e que já foi tema do longa 'Um Dia de Cão', de MIchael Cimino e com Al Pacino no papel de Wojtowicz.

Ainda no universo masculino, entre suor e testosterona no futebol, "Land of Storm" conta a história de Szabolcs, um jogador húngaro que sai do armário e tenta fugir da mídia buscando tranquilidade na fazenda do avô.

Cena de 'Land of Storm' - Divulgação
O filme trouxe a tona o caso do alemão Thomas Hitzlsperger, ex-jogador do Bayern de Munique, que recentemente declarou ser gay.

Dirigido pelos alemães Ulrike Zimmermann e Claudia Richarz, o documentário "Vulva 3.0" mostra como o órgão feminino é visto no século 21 em meio a tabus relacionados à educação sexual e ao mercado de cirurgias plásticas.

Em uma experimentação com sete diretores, "Fucking Different XXY" reúne transsexuais e transgêneros compartilhando suas impressões cinematográficas variadas e explícitas sobre a sexualidade e o corpo humano.

Cena de 'Fucking Different XXY' - Divulgação
Ao mesmo tempo que traz novos temas para debate, a programação sexual divide espaço com romances.

Na ficção, o destaque fica com as descobertas juvenis e o bullying sofrido pelo casal de garotos sul-coreanos em "Night Fight"; e o triângulo amoroso adolescente em "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", do brasileiro Daniel Ribeiro.

Cena de 'Hoje Eu Quero Voltar Sozinho' - Divulgação
A cereja no bolo do arco-íris é a apresentação da trajetória bem sucedida do estilista francês  de origem argelina Yves Saint Laurent na moda,  em cinebiografia homônima interpretada por Piérre Niney.

O ator francês Piérre Niney personifica o mestre Yves Saint Laurent - Divulgação
Para o curador da mostra, Wieland Speck, os filmes são um retrato espontâneo da produção relacionada ao assunto, que tem crescido nos últimos anos.

"É um assunto delicado, a sexualidade é usada para classificar as pessoas, para mantê-las dentro de um determinado intervalo de comportamento. E a homossexualidade é apenas uma vítima da atitude geral em relação à sexualidade e seu uso indevido. É sempre um tópico para discutir. E, para alguns, ainda é uma razão para fazer um filme."


Outras curiosidades do Festival de Berlim:

Musicais de Nick Cave e Belle & Sebastian
Entre os filmes musicais que serão exibidos no festival estão dois longas que passaram pela última edição de Sundance, em janeiro: o britânico "20,000 Days on Earth", documentário dramático sobre a vida Nick Cave; e "God Help The Girl", filme inspirado pelo álbum homônimo da banda Belle & Sebastian, estreia na direção do músico Stuart Murdoch.

A China é o novo indie
Os filmes chineses são a promessa da vez.
Os curadores do festival adotaram os jovens cineastas orientais como revolucionários em suas formas de contar histórias.
Entre os participantes das mostras estão "Black Coat, Thin Ice", "The Midnight After" e "That Demon WithIn".

Professores Greta Gerwig e Michel Gondry
Uma das palestras mais aguardadas pelos estudantes do Talent Campus é a desengonçada combinação de Greta Gerwig, a bailarina espevitada de "Frances Ha", com Michel Gondry, de "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", com dicas para tirar o roteiro do papel e começar seu próprio filme.

Diferentes fases históricas de Berlim
Alguns dos filmes mais importantes da mostra competitiva foram filmados na cidade e em estúdios próximos a capital alemã. 
"Caçadores de Obras-Primas" e "Beauty and The Beast" utilizaram as florestas e estúdios da cidade de Brandenburgo: o primeiro filme para relatar parte da Segunda Guerra Mundial, e o segundo para remontar a vegetação que inspirou os contos de fadas alemães dos Irmãos Grimm.
"Grand Budapest Hotel" teve boa parte de seu hotel filmado na cidade de Görlitzer, que ainda preserva uma imagem pré-guerra, com prédios clássicos.
Já o brasileiro "Praia do Futuro", com Wagner Moura, foi rodado mostrando um pouco de como a cidade é hoje - durante as filmagens em 2012.

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Acompanhe tudo o que de melhor acontecer na Berlinale 2014 aqui.