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sábado, 24 de fevereiro de 2018

'ALTERED CARBON': NOVA SÉRIE DA NETFLIX É DESLUMBRANTE, MAS TEM ELENCO FRACO E TRAMA SEM PROFUNDIDADE


SINOPSE:

No futuro, a sociedade se acostumou à prática da troca de corpos: após armazenar a consciência de uma pessoa, ela pode ser transferida a outra "capa", podendo viver várias vidas.

O mercenário Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman) acorda após 250 anos em outro corpo.

Além de se adaptar a esta situação e à nova sociedade, ele é contratado por um homem riquíssimo para descobrir o autor de seu próprio assassinato.

Tak conta com a ajuda de uma policial mexicana, Kristin Ortega (Martha Higareda), um ex-militar tentando ajudar sua filha e um robô equipado com inteligência artificial.

CRÍTICA:

Se você ainda não ouviu falar de 'Altered Carbon', nova série original Netflix baseada nos livros de Richard K. Morgan, veja primeiramente o trailer, que você encontra mais abaixo nessa página.

Basicamente, essa série traz elementos Cyberpunk, pós-humanistas e parece uma mistura dos longas 'Blade Runner' e 'Matrix' com as séries 'The Expanse' e 'Black Mirror', trabalhando bem temas típicos de sci-fi, enquanto cria uma boa atmosfera de mistério com uma intrigante história de detetive.

Se aparentemente a série entrega mais do mesmo, logo no começo já vemos que, pelo tom da história sobre a investigação do assassinato de um Matusa - como são chamado os ricaços praticamente imortais desse mundo - não é bem assim.

Vemos a vítima voltando à vida graças a uma tecnologia, implantada na base do cérebro em todas as pessoas e responsável por guardar memórias e personalidade para que todos - os que podem pagar, evidente - tenha direito à vida eterna.

A sociedade se acostumou à prática da troca de corpos: afinal, com a consciência de todas as pessoas armazenadas, ela pode ser transferida entre cápsulas diferentes com facilidade e a morte real só acontece se o backup for destruído.

O problema é que tentaram apagar também os backups do ricaço, quase conseguindo apagá-lo da existência.

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Joel Kinnaman é o protagonista, Takeshi Kovacs - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Netflix
Ambientado em Bay City, antiga San Francisco, no ano de 2384, a série abusa da estética cyberpunk vista em animes e no já citado 'Blade Runner', com direito até à famosa 'chuva perpétua'.

Nesse cenário, o mercenário Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman, o protagonista de 'Robocop' de José Padilha) acorda após 250 anos, contratado para descobrir o autor do assassinato de Laurens Bancroft.

Escolhido por fazer parte de um grupo de elite no passado, Tak conta com a ajuda da policial Kristin Ortega (Martha Higareda), um ex-militar, Vernon Elliot (Ato Essandoh) e uma inteligência artificial, Poe (Chris Conner), que tem o visual do famoso escritor de 'O Corvo'.

O visual é incrível, a metrópole é bela e decadente e enquanto as ruas de Bay City lembram 'Blade Runner', a arquitetura interna tem um aspecto único, como se o mundo digital se mesclasse com o real.

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Kristin Ortega (Martha Higareda) em cena
As lutas são muito bem coreografadas, a tecnologia presente é interessante e a podridão dessa sociedade aparece por todos os lados.

Além disso, a série mostra temas como divisão de classes e questões religiosas sobre corpo e alma, enquanto apresenta uma trama interessante de investigação estilo neo-noir, com elementos reconhecíveis para quem gosta do gênero, mas sem cair no óbvio.

Depois das coisas boas, vamos às falhas, que existem e não são poucas.

Comecemos pelo elenco, que não funciona tão bem como deveria e raramente entrega boas atuações.

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Ato Essandoh é Vernon Elliot
Kinnaman é um ator bonito, fotografa bem, mas é tão sem carisma que dar a ele mais uma vez o papel de protagonista é um perigo, ainda mais com um personagem aparentemente frio, calculista e complexo.

Geralmente nas séries, quando o protagonista não é bom, o elenco de coadjuvantes até salva a coisa.

Só que aqui, a maioria dos coadjuvantes não ajuda também, com exceção de Poe, a A.I. do Hotel O Corvo que é realmente ótimo.

Assim, tudo desmorona porquê, com elenco fraco, os diálogos ficam muito inconsistentes, já que, com muitos nomes tecnológicos e questões que precisam ser explicadas ao público, os personagens têm o hábito de fazer longos diálogos explicando tudo - e esse monte de palavras, ditas sem talento, cansa muito o espectador.

Ortega e Kovacs ainda incomodam mais, porque cada nova informação vêm acompanhada de um diálogo explicativo interminável.

Outro problema é que a narrativa demora para engatar.

Se no primeiro episódio parece que teremos um bom ritmo, já que conceitos básicos estão estabelecidos, a trama para de evoluir e passa a perder tempo demais em questões já vistas.

A impressão que dá é que tudo poderia ter sido reduzido a um filme de 2 horas e meia.

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Chris Conner é a inteligência artificial Poe: melhor do elenco
Apesar dessas falhas, 'Altered Carbon' é uma série única, com visual impressionante, temática intrigante e um universo bastante criativo.

É uma série que mantém a curiosidade do espectador do começo ao fim, mesmo quando o capítulo não funciona tão bem - é o melhor da Netflix, né? - tudo pode melhorar no episódio seguinte.

É verdade que a narrativa ainda precisa evoluir, tanto nos personagens quanto de aprofundamento de temas e relações, mas os elementos estão lá e ainda é possível se tornar algo tão complexo quanto 'The Westworld' ou 'The Expanse no futuro'.

Vamos aguardar.

INFORMAÇÕES PÓS ESTREIA:

A ficção científica, que já sofreu acusações de embranquecimento e pode perder seu fraco protagonista, Joel Kinnaman, para a segunda temporada, também não é o sucesso esperado pela Netflix.

Dados da agência Nielsen, especializada em analisar a audiência televisiva nos Estados Unidos, indicam que 'Altered Carbon' registrou uma queda progressiva de visualização: menos de 20% dos usuários que começaram a ver o seriado não chegaram até o final da primeira da temporada (via Deadline).

Lançado no dia 2 de fevereiro, o seriado atraiu quase 6 milhões de espectadores em seu dia de estreia.

Contudo, a atenção do público não foi cultivada e apenas 1 milhão de assinantes da Netflix assistiram aos 10 primeiros capítulos.

Ainda que comparar a estreia de uma obra com o retorno de uma série popular não seja justo, fato é que Altered Carbon registrou uma audiência muito inferior à de 'Stranger Things 2', cuja parte dos fãs poderiam ter sido cativados pelo novo sci-fi.

Apesar dos contratempos, 'Altered Carbon' parece seguir firme e forte nos planos da Netflix.

De acordo com Richard Morgan, autor do livro que deu origem à série e consultor executivo da obra televisiva, mais quatro temporadas estão previstas para a ficção científica.

Como não costuma cancelar seus seriados e levando em consideração que 'Altered Carbon' não encontrou grandes problemas com a crítica ou com o público apesar da queda de audiência, a probabilidade da confirmação de uma segunda temporada é alta.

Resta saber, de qualquer forma, como os novos capítulos serão desenhados e se o fraco Kinnaman retornará ou não.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
ALTERED CARBON
Gênero:
Policial, Ficção científica, Suspense
Criado por:
Laeta Kalogridis
Diretor:
Miguel Sapochnik
Elenco Principal:
Joel Kinnaman, James Purefoy, Martha Higareda, Kristin Lehman, Renée Elise Goldsberry, Ato Essandoh
Roteirista:
Laeta Kalogridis
País:
EUA
Ano de produção:
2018
Status:
Em andamento
Duração:
58 minutos
Lançamento:
02 de fevereiro de 2018
Produção:
Skydance Productions
Distribuição internacional / Exportação:
Netflix

COTAÇÃO DO KLAU:


sexta-feira, 22 de março de 2013

'THE FOLLOWING': KEVIN BACON ESTREIA NA TELINHA EM TRAMA BEM AMARRADA SOBRE UM SERIAL KILLER E SEUS SEGUIDORES



Morto há 163 anos, Edgar Allan Poe é responsável por um dos principais sucessos da temporada da TV em 2013.

É bebendo dos escritos do autor americano, bisavô dos gêneros suspense e mistério, que a série "The Following", do Warner Channel, vem sacudindo a audiência da televisão aberta, tanto nos EUA, quanto aqui no Brasil - no primeiro episódio, foi vista por 10 milhões de americanos.

A série, que estreou em 21 de fevereiro aqui no Brasil, mostra a caçada de um ex-detetive do FBI,  Ryan Hardy (Kevin Bacon, excepcional) contra os seguidores de um serial killer (James Purefoy) - a série marca a estreia de Bacon como protagonista na TV.

No enredo, o assassino Joe Carroll era um professor universitário especializado na poesia de Edgar Allan Poe e que usou referências dessas obras ao matar 14 de suas alunas.

O então detetive Hardy consegue prendê-lo, mas anos depois, uma rede de dezenas de discípulos do assassino retoma a matança.

O seriado não é caso isolado de inspiração na obra de Poe: de "Os Simpsons" a atrações como "Os Sopranos", "Gilmore Girls" e "CSI", a filmes como "O Corvo" (1994), suas histórias seguem na mira de adaptações e recriações - em abril, a Fox estreará no Brasil "Contos do Edgar", seriado em cinco capítulos trazendo à realidade paulistana histórias do escritor, sob a produção da O2 Filmes.

Kevin Bacon como o agente Hardy, em cena da série - foto: divulgação

"Embora seja um autor clássico e canonizado, Edgar Allan Poe encontrou um espaço na cultura pop atual, alimentando nossos medos e criando nossos terrores", diz Leo Braudy, professor de literatura americana da University of Southern California.

"Poe deixou uma vasta descendência artística, como Hitchcock, Debussy e Stephen King. Até na capa de um disco dos Beatles lá está ele", completa Jeanette Rozsas, autora do livro "Edgar Allan Poe, o Mago do Terror".

"Tínhamos uma lista dos atores que gostaríamos de trabalhar e, antes de começar os contatos, recebemos uma ligação do agente do Kevin, dizendo que ele havia lido o roteiro e queria fazer", conta o diretor e produtor-executivo Marcos Siega, que afirma estar impressionado com o trabalho de Bacon à frente do programa.

"Ele é demais. Filmar uma série de TV é muito difícil e bem diferente de fazer cinema, são muito mais horas de trabalho diariamente e ter alguém como Kevin, que aparece preparado, nunca é um problema e dá o tom para os outros atores é um privilégio. Todos querem impressioná-lo no set. Porque ele é tão bom, preparado e nunca reclama, todos fazem o mesmo."

Carregado de cenas de violência, o programa - criado por Kevin Williamson ("Vampire Diaries" e "Dawson's Creek") - coloca Bacon na pele de um mocinho, depois de sucessivos papéis de vilão nas telonas.

"'The Following' não é uma série tradicional. Quando você assiste, cairá de amores por personagens que nem sempre são os bonzinhos. Isso porque nós estamos sempre preenchendo as lacunas, contando histórias das pessoas nesse culto, ao mesmo tempo que o FBI tenta capturá-los. E, como audiência, você vai responder ao lado humano da história. Não buscamos só assustar as pessoas. É um drama verdadeiro", defende Siega, que nasceu em NY e é filho do jogador de futebol brasileiro Jorge Siega - que jogou com Pelé no time New York Cosmos nos 70 - com uma francesa.

O diretor Marcos Siega (esquerda)  dirige o ator James Purefoy em cena de "The Following" - foto: Divulgação

"Meu pai é gaúcho. Na infância, passei muitas férias e fim de ano no Brasil. Sempre fui ligado ao futebol", afirma ele num português perfeito a jornalistas brasileiros, reconhecendo que não conhece muito a produção audiovisual brasileira.

A carreira na TV começou com a música: antes de dirigir ficções como "Fastlane" (2002-03), "Veronica Mars" (2004-05), "Dexter" (2007-09) e "Vampire Diaries" (2009-11), comandou videoclipes de bandas como Weezer, Blink 182 e System of a Down.

"Parte foi sorte e parte foi porque fazia um bom trabalho. Mas foi 'Dexter que me levou para outro patamar" - os fãs do serial killer mais amado da TV o agradecem, de joelhos, até hoje.

O ator britânico James Purefoy interpreta o assassino em série Joe Carroll - foto: Divulgação

O ator James Purefoy interpreta o serial killer Joe Carroll, antagonista de Ryan Hardy, vivido por Kevin Bacon.

Em entrevista ao Hollywood Watch, Purefoy conta que, para criar o universo sombrio de seu personagem, ficou uma semana trancado em um quarto cercado por livros, filmes e fotos sobre assassinos reais.

“Só assim consegui chegar a um consenso sobre o que os torna quem são”, explica o ator britânico.

Na pele de seu personagem, Purefoy fala manso, é educado e gentil, um homem bem apessoado que só se sente feliz matando mulheres jovens.

"Ele mata arrancando os olhos das vítimas", ele explica com aflição na voz, durante a entrevista por telefone de Londres.

Só isso seria suficiente para deixar Hannibal Lecter, vilão de "O Silêncio dos Inocentes", meio incomodado, mas Purefoy insiste que a série não é definida pela sanguinolência.

"Tudo revolve em torno do personagem do Kevin Bacon e o meu", define.
"É uma briga boa... ele é um ótimo ator. A relação entre eles é curiosa e interessante e fico feliz de poder contracenar com um cara tão incrível."

Os dois atores raramente são vistos na telinha juntos, mas, apesar disso, a química é impressionante.

"Só queria que eles se beijassem", brincou um repórter numa coletiva recente, fazendo com que Bacon nem piscasse em dar uma beijoca estalada na bochecha de Purefoy.

A primeira temporada terá 15 episódios e devido ao sucesso, uma segunda já está nos planos da Fox - que exibe a atração nos Estados Unidos.

*****
CRÍTICA

"The Following" começa com a fuga de Carrol (James Purefoy) - um serial killer prestes a ter a sentença de morte executada - da prisão.

Ao escapar, ele começa a matar novamente e passa a usar a internet para criar uma seita de serial killers, o que força o agente Hardy (Kevin Bacon), responsável pela primeira prisão de Carrol, voltar da aposentadoria, agora como consultor do FBI, para tentar coloca-lo de volta atrás das grades.

Hardy sabe exatamente como o criminoso age, conhecendo-o melhor do que qualquer um, mas ele não é a mesma pessoa de anos atrás, já que traz feridas físicas e psicológicas ligadas ao caso.

Apesar de seu grande conhecimento, Hardy é visto como um problema para o time encarregado do caso - entre eles os agentes Mike Weston e Jennifer Mason - mas prova ser de grande valia quando descobre que Carroll está se comunicando com uma rede de criminosos, seus seguidores, mesmo preso novamente.

Carroll usa uma rede de contatos - inclusive sua advogada - para mandar mensagens cifradas para seus seguidores - os 'followings' do título da série - o que fica evidente que escapar da prisão era apenas o primeiro passo de algo muito maior, envolvendo assassinos diversos e desconhecidos.

Carroll está focado em terminar aquilo que começou nove anos antes, colocando Hardy como uma peça importante de seu tabuleiro.

Enquanto isso, Hardy terá uma segunda chance de capturar seu grande inimigo, enquanto lida com  o culto de serial killers.

O diretor Marcos Siega é, para mim, um dos melhores diretores da TV de todos os tempos, ao conseguir dar ritmo e coerência às cenas carregadas de emoção da série, que tem fotografia de cinema e um elenco simplesmente sen-sa-cio-nal.

É a melhor série de 2013, disparado.

Confira um trailer da série:

*****
'THE FOLLOWING'
Onde: Warner Channel
Quando: Quintas
Horário: 22:45h.
Classificação: 14 anos
Cotação do Klau: