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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

'O MORDOMO DA CASA BRANCA': FAVORITO AO OSCAR É AUDACIOSO EM CONTAR 80 ANOS DE VIDA DE UM NEGRO AMERICANO


O diretor Lee Daniels ('Preciosa - Uma História de Esperança') teve muita coragem para tentar condensar os 80 anos da vida de um homem - e também a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos - num mesmo filme de pouco mais de duas horas.

Se foi audacioso, também foi bem-sucedido.

Afinal, 'O Mordomo da Casa Branca' - que estreia em 36 salas em todo o Brasil - não se detém por muito tempo, nem em períodos da vida de seu protagonista, nem em momentos históricos marcantes, conseguindo sintetizar sem fazer com que nada pareça desimportante aos olhos do espectador, que começa a conhecer Cecil Gaines (Forest Whitaker, quando adulto) ainda criança trabalhando em campos de algodão do sul dos Estados Unidos.

Sem tempo a perder, mergulhamos no racismo contra os negros numa sequência cruel e inquietante, que marca o destino do menino, que sai da lavoura e passa a "negro da casa", aprendendo serviços de copa que posteriormente serão determinantes para seu futuro.

Ainda menino, Cecil trabalha nas plantações de algodão - fotos dessa postagem: Divulgação/Diamond Films

Gaines certamente não esperava ir tão longe quando abandonou a fazenda, trabalhou em casas de aristocratas e hotéis de luxo até entrar, sem querer, para o time de mordomos da Casa Branca.

Assim, à medida em que acompanhamos sua vida, somos testemunhas também de como preconceitos, veleidades e obstinação podem afetar a vida das pessoas - para melhor ou pior - com a humanização eficiente dos sete presidentes que Cecil viu passar pela sede do poder americano.

O curto tempo para contar história tão longa não impediu Daniels e o roteirista Danny Strong de explorar as contradições destes personagens: Dwight D. Eisenhower (Robin Williams), por exemplo, tem de lidar com uma escola secundária que se recusa a aceitar alunos negros; o na época vice-presidente Richard Nixon (John Cusack) vai à cozinha onde Cecil e seus colegas de trabalho estão para fazer campanha; Lyndon Johnson (Liev Schreiber) - o homem que assinou o Ato dos Direitos Civis em 1964 - grita impropérios sentado num vaso sanitário.

Robin Williams interpreta o presidente Dwight D. Eisenhower

A outra metade do filme nos mostra a vida pessoal de Cecil, que tem de enfrentar o alcoolismo da mulher Gloria (Oprah Winfrey, sen-sa-cio-nal  - e que deveria mais e mais explorar seu lado de atriz) e a rebeldia do filho mais velho Louis (David Oyelowo), que acha o pai submisso e faz parte de grupos em luta pela igualdade racial.

Conflitos não faltam, rendem boas atuações e Whitaker e Winfrey certamente devem receber indicações ao Oscar por suas estupendas atuações.

O longa é baseado na vida de Eugene Allen, que trabalhou na Casa Branca entre as décadas de 1950 e 1980 e o quanto de verdade sobre sua história está no Cecil do filme é difícil dizer, o que, na verdade, não importa.

Opha e Forest, como Gloria e Cecil: espetaculares

Se resumir a vida de alguém em algumas horas é impossível, assim como tentar sintetizar um período complexo da história americana, aqui, o que interessa mesmo é que não há dúvidas de que Lee Daniels é um diretor talentoso e inteligente, que sabe manipular bem o material que tem em mãos para contar uma boa história.

Apressado pela necessidade e melodramático por opção, não deixa seu filme ser uma sucessão de "quases", graças o domínio que tem da técnica cinematográfica.

História emocionante e desde já um dos longas favoritos aos Oscar 2014.

Confira o trailer do longa:

*****
'O MORDOMO DA CASA BRANCA'
Título Original:
THE BUTLER
Gênero:
Drama
Direção:
Lee Daniels
Roteiro:
Danny Strong, Lee Daniels
Elenco:
Alan Rickman, Colman Domingo, Cuba Gooding Jr., David Oyelowo, Forest Whitaker, Jane Fonda, Jesse Williams, John Cusack, Liam Neeson, Matthew McConaughey, Mila Kunis, Oprah Winfrey, Terrence Howard
Produção:
Hilary Shor, Pamela Oas Williams
Fotografia:
Andrew Dunn
Montador:
Joe Klotz
Trilha Sonora:
Rodrigo Leão
Duração:
132 min.
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
01/11/2013
Distribuidora:
Diamond Films
Estúdio:
Laura Ziskin Productions
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau:

quinta-feira, 24 de maio de 2012

FESTIVAL DE CANNES: COM ELENCO DE ASTROS, 'THE PAPERBOY' NARRA VIOLÊNCIA, RACISMO E ABUSO NO SUL DOS EUA NOS 60


A exibição de "The Paperboy", filme de Lee Daniels hoje na competição oficial de Cannes reuniu os protagonistas estrelados - como Nicole Kidman, Matthew McConaughey, Zac Efron e John Cusack em uma história violenta de racismo e abusos no sul dos Estados Unidos no final dos anos 60.

A história atraiu o cineasta por conter "personagens únicos" que retratavam pessoas conhecidas pelo diretor na vida real: seu irmão esteve na prisão por assassinato, sua irmã escrevia a presos, sua família foi empregada de ricos durante muito tempo e ele, homossexual, viveu os problemas por ser visto em público com homens brancos.

Essas histórias enlaçam o roteiro de "The Paperboy".

No filme, um jornalista - McConaughey - retorna para casa, na Flórida, acompanhado de um companheiro negro, para investigar a condenação de um homem - Cusack - pela morte de um xerife e, enquanto isso, o irmão do jornalista - Efron - o ajuda.

Há ainda uma mulher apaixonada pelo condenado - interpretada por Nicole, em uma atuação fantástica.
A personagem, uma mulher que vive sua sexualidade de forma muito aberta para o ambiente opressivo da Flórida de 1969, vive entre a inocência e a perversão.

Nove anos depois de "Dogville", do polêmico cineasta dinamarquês Lars Von Trier, Nicole Kidman retorna à mostra oficial de Cannes na pele de uma "Barbie hiperssexualizada", com cabelo louro, unhas vermelhas e longos cílios postiços.

Na entrevista coletiva, a atriz australiana disse que as cenas sexuais não a incomodaram.
"Eu gosto de dar mais um passo e buscar algo mais arriscado em termos de interpretação", explicou Nicole, que apareceu na entrevista coletiva com um vestido vermelho que contrastava com sua palidez - estava maravilhosa.
Getty Images
Nicole Kidman desfila pelo red carpet de Cannes 2012

Em uma cena, ela mostra que é capaz de provocar um orgasmo em um detento sentado diante dela, sem qualquer contato de pele, desempenho que provocou muitos comentários dos críticos.

A cena seria um desafio para qualquer atriz, mas Kidman tem um desempenho perfeito.
"Queria fazer algo mais cru e perigoso", disse a atriz.

"Não me incomodou, em absoluto. Mas ainda não vi o filme", completou, provocando risadas dos críticos.

Nicole ainda falou que procura fazer com que seus personagens sejam verdadeiros e que, para alcançar tal condição neste filme, disse ter conversado muito com Daniels e até mesmo ter, ela mesma, cortado seu cabelo, destaque no filme.

Além disso, se reuniu com mulheres que escreviam a presos, como Charlotte e, nesse momento, disse ter tido medo "não estar à altura do personagem".

A história contada no filme era uma realidade comum nos Estados Unidos dos anos 60.
"As pessoas acreditam que Obama chegou de repente. Mas uma coisa é a realidade que se vê no cinema e outra a que vivem os negros", disse o diretor.

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar almejou levar para o cinema o livro "The Paperboy", mas não conseguiu, afirmou o diretor americano.
"Almodóvar escreveu um rascunho, muito interessante. Mas depois abandonou o projeto por alguma razão, como acontece muitas vezes em Hollywood", disse Daniels - indicado ao Oscar pela pequena obra prima "Preciosa - Uma História de Esperança".
"Em Hollywood os filmes mudam facilmente de diretor ou de atores", completou o diretor.

Entre declarações sérias, Daniels fazia brincadeiras e uma delas teve como alvo Zac Efron: quando o cineasta foi perguntado pela razão do ator aparecer em muitas cenas só de cuecas, ele disse: "Ele é muito bonito. Sou gay, o que querem?".

Diferente de seus papéis anteriores em filmes de adolescentes, Efron, de 24 anos, surpreendeu com uma interpretação muito madura.
"Um ator tem que enfrentar seus medos e experimentar um sentimento de abandono em direção ao personagem que vá interpretar", disse o ator.

Efron ainda falou sobre seus planos para o futuro.
"O que fiz no passado é passado e agora pretendo atravessar novas fronteiras, é um sonho. Espero poder seguir fazendo filmes como este", completou.

Mattew  McConaughey, seu irmão no filme, é um homossexual que esconde o que sente.
O ator exaltou o "espírito intuitivo" de Daniels, que "encontra camadas nos personagens".

Enquanto isso, John Cusack, que cria um personagem repulsivo, explicou que Daniels está constantemente mudando de opinião.
"Se você o escuta, se arrisca a não entender o que quer dizer".

No entanto, destacou que o diretor se contradiz "com paixão" para dar a cada personagem todas as características necessárias.

"É um filme louco, sobre sexo, sobre racismo e discriminação. Um desses filmes que visto pela quinta vez, ainda se descobre algo novo", explicou a cantora Macy Gray, que também atua no longa.

Confira o trailer de "The Paperboy":

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Com Alicia García de Francisco - da EFE