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quarta-feira, 28 de março de 2012

MADONNA DESAFIA PODER RUSSO, DIZ QUE A LEI ANTI-GAY DE SÃO PETERBURGO É ATROCIDADE E LANÇA NOVO CLIPE, CENSURADO PELO YOU TUBE


A Diva das Divas Madonna entrou na briga e prometeu desafiar uma lei medieval promulgada recentemente contra a "propaganda" homossexual na cidade natal do presidente russo Vladimir Putin, São Petersburgo, em sua próxima turnê pelo país no verão.

Chamando a legislação, que impõe multas para quem promover a homossexualidade entre menores, de "atrocidade ridícula" em sua página no Facebook, ela disse que iria resolver o problema durante o seu show.
"Eu irei a São Petersburgo para falar pela comunidade gay, para apoiar a comunidade gay", disse ela.

Sua turnê russa começa em agosto, meses após a abertura de sua academia particular em Moscou, cujo nome vem do álbum dela de 2008, "Hard Candy".
Reuters
A Diva, no intervalo do Super Bowl, em fevereiro último

A homossexualidade, punida com penas de prisão na União Soviética, só foi descriminalizada na Rússia em 1993, mas grande parte da comunidade homossexual continua escondida, já que o preconceito é forte.

A lei foi assinada em março pelo prefeito de São Petersburgo - e aliado de Putin - Georgy Poltavchenko, e impõe uma multa de até 500.000 rublos - 17.100 dólares - para quem espalhar o que a lei chama de "propaganda homossexual", que poderia "prejudicar a saúde, desenvolvimento moral e espiritual do menor de idade", definidos como menores de 18 anos.

A lei tem causado preocupações na comunidade gay, que teme que ela poderia ser usada para reprimir as raras demonstrações públicas na Rússia de homossexualidade, como as paradas gays.

Ativistas de direitos dos homossexuais em Moscou e São Petersburgo programaram duas paradas gays durante a turnê de Madonna, de acordo com o site GayRussia.eu.

Inúmeras tentativas de realizar protestos gays em Moscou, considerados ilegais pelas autoridades, acabaram em prisões e confrontos com vários cristãos ultra-ortodoxos que dizem que os homossexuais devem ser punidos ou tratados em hospitais por "doença".

Em 2010, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos multou a Rússia por banir paradas homossexuais em Moscou, no que os ativistas dos direitos gays descreveram como uma vitória histórica.

Madonna provocou protestos de ativistas da Igreja Ortodoxa Russa em uma visita a Moscou em 2006, quando ela cantou "Live to Tell" em um crucifixo enquanto usava uma coroa de espinhos.

No último sábado, a Diva questionou a censura de seu novo clipe, "Girl Gone Wild", no YouTube, que classificou o vídeo como impróprio para menores de 18 anos nos últimos dias - porém, o clipe foi lançado com a definição "clean" no título e pode ser visto por qualquer usuário no canal oficial da cantora.

Durante um bate-papo moderado pelo apresentador Jimmy Fallon, do programa "Late Night", e transmitido ao vivo pelo Facebook no sábado (24), a rainha do pop riu sobre a polêmica:
"Eu tenho que ser uma garota descontrolada no clipe! Como você pode se descontrolar sem rebolar? É isso que as pessoas deveriam perguntar."

Dirigido pelos fotógrafos especializados em moda Mert e Marcus, o clipe em preto e branco mostra uma sequência de performances sensuais da popstar e de dançarinos sem camisa, com calças coladas e sobre saltos altíssimos.

"Analisamos todos os vídeos sinalizados pelos nossos usuários e que vão contra as nossas diretrizes. Em alguns casos, restringimos por idade o material sinalizado que, embora não quebre as normas, contém material inapropriado para menores de idade", disse um sem noção representante do YouTube ao jornal "New York Post" - que feio, Google!

Para Liz Rosenberg, porta-voz da Madonna, isso não é novidade.
"Algumas coisas nunca mudam. É um retorno aos anos 90, quando a MTV se recusou a exibir 'Justify My Love'".

Para encerrar essa postagem em homenagem a essa grande mulher, vamos ver os clipes de:

"Girl Gone Wild":

e
"Justify My Love":

quarta-feira, 14 de março de 2012

EM PLENO SÉCULO 21, RÚSSIA APROVA LEI CONTRA DIREITOS HOMOSSEXUAIS


O mais importante jornal do mundo - o "The New York Times" - deu matéria de capa para o seu repórter Michael Schwirtz: a Assembleia Legislativa de São Petesburgo aprovou uma lei com o objetivo de eliminar o que seus defensores chamam de “propaganda” sobre a homossexualidade entre menores de idade, deixando grupos de defesa dos direitos dos homossexuais temerosos quanto a uma repressão iminente contra suas atividades, uma vez que outras cidades também prometeram pensar em adotar medidas similares.

A lei, que segue leis similares aprovadas em outros lugares recentemente, parece ser uma reação a iniciativas cada vez mais expressivas por parte dos grupos de defesa dos direitos dos homossexuais, particularmente em São Petesburgo e Moscou, para atrair atenção para o assunto.

Vitaly V. Milonov, principal redator da lei e defensor declarado da Igreja Ortodoxa russa, que se referiu aos gays como “pervertidos”, acusou os ativistas pelos direitos dos homossexuais de fazerem uma campanha agressiva de conversão entre os jovens da Rússia, com o apoio de governos ocidentais.
AFP/Getty Images
Na montagem, imagens de como o governo russo trata seus cidadãos gays

“Esta é uma declaração da soberania moral russa”, disse Milonov em comentários para a televisão logo depois da sessão legislativa.

De acordo com a nova lei, que foi aprovada por 29 votos contra 5, “ações públicas dirigidas à propaganda da sodomia, lesbianismo, bissexualidade e transgeneridade entre menores” serão punidas com multas de até US$ 17 mil.

A lei define a propaganda sobre homossexualidade como “a disseminação descontrolada e direcionada de informações facilmente acessíveis capazes de prejudicar a saúde, a moral e o desenvolvimento espiritual de menores”, particularmente daquelas informações que podem criar “uma impressão distorcida” de “relações maritais”.

Igor Kochetkov, chefe da Rede GLBT Russa, um grupo de defesa de direitos com sede em São Petersburgo, disse que o argumento da lei é “absurdo”.

“Eles também podem adotar uma lei contra que apaguem a luz do sol, mas ninguém tem a capacidade de fazer isso”, disse Kochetkov.
“Mesmo que alguém quisesse, por mais propaganda que se faça, não é possível transformar um heterossexual em gay.”

Ele disse temer que a lei possa ser usada para coibir as iniciativas dos ativistas pelos direitos dos homossexuais, que só recentemente vêm discutindo o tema de forma aberta o suficiente a ponto de atrair atenção.

“Esta é uma lei que pode ser usada, e será usada, para rastrear organizações e evitar ações públicas”, disse ele.
“Mais importante que isso, ela será usada para a propaganda oficial. Oficialmente, a homossexualidade será considerada ilegal, uma coisa incorreta e que não pode ser discutida com as crianças. A lei criará uma atmosfera negativa na sociedade em torno dos gays e lésbicas, bem como em torno de nossas organizações.”

A discussão aberta sobre a homossexualidade praticamente não existia na Rússia até poucos anos atrás.

Uma lei da era soviética que punia com prisão as relações entre pessoas do mesmo sexo foi revogada em 1993, mas o tema continuou sendo um tabu fora de um punhado de bares e clubes nas grandes cidades russas.

Nos últimos anos, as tentativas de realizar manifestações pelos direitos homossexuais foram vistas com desprezo e hostilidade por parte de oficiais e grupos religiosos, e via de regra acabaram em violência.

Mas gradualmente o tema começou a atrair a atenção da mídia russa, inclusive da TV controlada pelo governo, que algumas vezes serviu como uma plataforma para os defensores de direitos iguais para os gays.

Como costuma acontecer, a aprovação da nova lei ajudou a elevar o nível da discussão nacional sobre o tema: a lei desencadeou um frenesi da mídia quando foi apresentada no ano passado, e tem sido alvo de debates acalorados na televisão.

Num debate num programa popular sobre política, os oponentes da lei gritaram para Milonov depois que ele acusou os grupos de defesa dos direitos dos homossexuais de “atacar” crianças e “tentar maltratá-las sexualmente”.

Em determinado momento, o apresentador vestiu uma bandeira de arco-íris como se fosse uma capa, numa provocação contra outro legislador de São Petesburgo que sugeriu proibir essas bandeiras por causa de sua associação com os direitos dos homossexuais.

Grupos internacionais de defesa dos direitos humanos e governos ocidentais pediram aos legisladores para não aprovarem a lei, e alguns grupos de oposição na Rússia a condenaram.

“Considero essa lei uma provocação com a intenção de dividir a sociedade numa questão que poderia ser usada para ensinar as pessoas a serem compreensivas”, disse Aleksandr Korbinsky, membro da oposição no Parlamento de São Petesburgo que votou contra a medida, à rádio Ekho Moskvy.
“Precisamos ajudá-los a se tornarem membros da sociedade com todos os direitos, e não fazer com que eles se sintam como cidadãos de segunda classe.”

Defensores da nova medida insistem que há um amplo apoio na sociedade russa para leis destinadas a proteger o que eles chamam de valores tradicionais russos.

Numa pesquisa de 2010 feita pelo Centro Levada - agência de pesquisa com sede em Moscou - 84% dos 1.600 adultos entrevistados disseram que são contra dar a casais do mesmo sexo o direito de se casar.

A pesquisa mostrou que 45% dos entrevistados disseram que homens e mulheres homossexuais deveriam ter os mesmos direitos que os demais russos, 41% disseram que eles não deveriam, e 15% estavam indecisos.

Segundo a pesquisa, 18% dos entrevistados disseram que os homossexuais deveriam ser isolados da sociedade -  a pesquisa tem uma margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais.

A nova lei deve enfrentar oposição do governador de São Petesburgo, que precisa assiná-la antes que ela entre em vigor.

As assembleias legislativas de Arkhangelsk e Ryazan aprovaram leis similares, e outras disseram que seguirão o mesmo caminho.

Valentina I. Matviyenko, presidente da câmara alta do Parlamento russo e ex-governadora de São Petesburgo, sugeriu que a medida pode ser adotada em nível federal.

Tomara que o governador vete essa lei medieval e absurda.

Desde já, toda sorte e solidariedade aos gays russos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

MINISTÉRIO DA SAÚDE ABAIXA A CABEÇA PARA BANCADA EVANGÉLICA, E NÃO VEICULA VÍDEO ANTI-AIDS PROTAGONIZADO POR GAROTOS GAYS NA CAMPANHA DE CARNAVAL


O Ministério da Saúde mais uma vez baixou a cabeça para as forças pré-históricas que ainda mandam nesse país e retirou do Portal sobre Aids, Doenças Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais - que mantém na internet - um vídeo com cenas de um casal homossexual trocando carícias em uma boate.

O filme fazia parte da campanha de prevenção a doenças transmissíveis por relações sexuais lançada para o carnaval deste ano.

De acordo com a assessoria de imprensa do ministério, "o vídeo foi feito para ser exibido exclusivamente em locais fechados, que recebem público homossexual, e não deveria ter sido disponibilizado na internet".

Confira o vídeo:

Segundo o ministério, a postagem do vídeo no portal foi "um equívoco" - a bancada evangélica, sempre ela, comemorou muito mais esse ato medieval em pleno século 21.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o vídeo que vem sendo exibido nas TVs abertas mantém a estratégia do governo de priorizar, na campanha deste ano, o público homossexual.

No vídeo protagonizado por Michel Teló, os primeiros versos do hit do verão “Ai Se Eu Te Pego” foram substituídos por “No carnaval ou na balada. Se a pegação começou a rolar. Você com a pessoa mais linda. E camisinha pra não vacilar”.

Confira:

Vocês viram alguma referência ou prioridade aos "jovens gays" no vídeo acima? Eu não vi.

Segundo o ministério, a campanha "é focada em jovens gays com idades entre 15 e 24 anos e será veiculada também depois das festas, com a intenção de conscientizar a população sobre a importância de se fazer o teste para detectar o HIV, vírus causador da AIDS".

Mais hipócrita, impossível.

Enquanto isso, o aumento da incidência da aids nos jovens foi de 10,1%, conforme dados divulgados pelo governo federal no fim do ano passado.

Em 2010, para cada dez heterossexuais com aids, havia 16 homossexuais soropositivos - em 1998, a relação era de dez para 12.

Até quando políticas de saúde pública no Brasil ficarão à mercê do crivo medievalista/religioso?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

KASSAB VETA O 'ORGULHO HOMOFÓBICO' E AGORA SÃO OS HÉTEROS AS VÍTIMAS DA VEZ NA PAULISTA


O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, vetou o "Dia Municipal do Orgulho Heterossexual", segundo publicação do Diário Oficial do município de hoje.

O prefeito já havia declarado à imprensa que não aprovaria o projeto.

Os vereadores da Câmara de São Paulo aprovaram no último dia 2, em segunda votação, o Projeto de Lei número 294/05, de autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM), que incluiria a data no calendário oficial da cidade e que seria comemorada em dezembro.

Apolinário negou estar incentivando a violência contra os homossexuais e disse que "o projeto é um protesto contra os privilégios (!) dados aos gays."

De acordo com o texto publicado hoje, o projeto contraria o interesse público, é inconstitucional e ilegal.

Folhapress
Prefeito Kassab: bola dentro

Segundo o veto, o texto da justificativa que acompanhou o projeto de lei é impregnado, em vários trechos, "de sentimentos de intolerância com conotação homofóbica".

Além disso, o prefeito argumenta que não há sentido em comemorar "o orgulho de pertencer a uma maioria que não sofre qualquer tipo de discriminação".

"Ao invés de promover o entendimento das diferenças e, pois, a paz social, função maior da Política, o projeto de lei milita a serviço do confronto e do preconceito, razão primeira da sua contrariedade ao interesse público", diz o veto.

Agora, o projeto volta à Câmara Municipal de São Paulo - para manter o veto, são necessários os votos de ao menos 19 vereadores.

Veja São Paulo
O vereador paulistano e líder do DEM Carlos Apolinário

O vereador Apolinário mais uma vez quis misturar a coisa pública com suas convicções pessoais - é pastor da famigerada assembléia de deus - e, desde que a marcha pra jesus foi retirada da av.Paulista vem usando seu mandato para projetos sem noção como esse.

A Paulista é palco de três grandes festas: a corrida de São Silvestre, o Reveillon e a Parada LGBT, e Apolinário e sua turma ficaram mordidos pelo fato de a  prefeitura ter mantido a Parada e retirado a marcha da Paulista.

Lógico, Kassab sofreu pressão não só dos LGBT mas de todo paulistano com um mínimo de discernimento.

Afinal, héteros não são enxovalhados, diminuídos e assassinados aos montes na cidade de São Paulo só pelo fato de serem héteros, e um dia de orgulho hétero seria, SIM, um dia de exaltação a toda sorte de violências que os LGBT vem enfrentando em São Paulo.

Enquanto essa corja evangélica conseguir fazer barulho, nunca ficaremos sossegados.

Aliás, a defesa dos LGBT pelas forças policiais na cidade ainda é muito falha: na madrugada de sábado, dois héteros foram atacados na entrada da estação Consolação do Metrô, novamente na Paulista, por um grupelho que os chamou de "viadinhos".

Os dois rapazes revidaram e os covardes dispersaram, não sem antes machucarem muito os dois, que ontem precisaram levar pessoalmente os laudos do IML à delegacia de crimes de ódio e raciais, já que a polícia, passadas 48 horas do crime, ainda nem tinha se mexido.

"Vim pessoalmente ao Decradi porque acho que é um crime que precisa ser punido. Se fosse algo menor, nem insistiria tanto", afirmou o arquiteto Bruno Chiaroni Thomé, 33, uma das vítimas, acompanhado de seu amigo também agredido, o também arquiteto Rafael de Medeiros Ramos, 30.

Thomé levou sete pontos na cabeça e quebrou um dedo, e Ramos ficou com hematomas pelo corpo.

Nessas horas, dá vergonha de ser paulistano.
*****

VISIBILIDADE FAZ INTOLERÂNCIA SER AINDA MAIS CONTUNDENTE

Casos de agressão física a homossexuais ou pessoas supostamente homossexuais que vêm a público têm aumentado. 

Para analisar essas ocorrências, é preciso tomar o crescimento da visibilidade LGBT e de suas demandas por direitos como algo ambíguo.

Por um lado, faz com que essa violência se torne mais divulgada. 

Por outro, leva parlamentares, religiosos e gangues intolerantes a se manifestar de modo mais contundente.

Em pesquisa realizada na Parada do Orgulho LGBT de 2009 pelo Pagu (núcleo da Unicamp especializado em problemas de gênero) com 320 LGBTs maiores de 18 anos e moradores da Grande SP, 81% dos entrevistados relataram pelo menos uma situação de agressão motivada pela sexualidade e 75%, uma ou mais situações de agressão.

O cenário indica que as vítimas são pessoas tomadas como um casal homossexual ou como "afeminadas" ou "masculinizadas". 

Trata-se de um fenômeno preocupante, que demanda políticas públicas que promovam o respeito à diversidade.

REGINA FACCHINI é antropóloga, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e professora do Programa de Doutorado em Ciências Sociais, ambos da Unicamp

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

DATENA FALOU BESTEIRA, E O MINISTÉRIO PÚBLICO O FEZ DESCER DE SUA ARROGÂNCIA

O MPF - Ministério Público Federal - entrou com ação civil pública da Justiça para obrigar a TV Bandeirantes a exibir durante o programa "Brasil Urgente" uma retratação pelas declarações ofensivas do apresentador José Luiz Datena contra os ateus.


Durante a exibição de uma reportagem, no dia 27 de julho, Datena e o repórter Márcio Campos relacionaram o crime com pessoas que não acreditam em Deus.

“...porque o sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites, é por isso que a gente vê esses crimes aí”.

Reprodução

Além disso, o apresentador atribuiu os males do mundo aos ateus.

“É por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais, entendeu? São os caras do mal. Se bem que tem ateu que não é do mal, mas, é ..., o sujeito que não respeita os limites de Deus, é porque não sei, não respeita limite nenhum”, disse o sem noção.

Em todo o tempo em que a matéria ficou no ar, o apresentador associava aos ateus a ideia de que só quem não acreditava em Deus poderia ser capaz de cometer crimes, e ainda debochou dos telespectadores que assistiam ao programa: “Quem é ateu pode desligar a televisão, ou mudar de canal pois eu não faço questão nenhuma de que assistam o meu programa”.

O programa ainda realizou uma pesquisa interativa para saber a opinião da audiência sobre a relação entre violência e ateísmo.

Diante de um grande de ligações que não concordavam com a tese do apresentador, Datena disse: “Muitos bandidos devem estar votando do outro lado".

Para o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão Jefferson Aparecido Dias, autor da ação, ao veicular as declarações preconceituosas contra pessoas que não compartilham o mesmo modo de pensar do apresentador, a emissora descumpriu a finalidade educativa e informativa, com respeito aos valores éticos e sociais da pessoa, prestou um desserviço para a comunicação social, uma vez que encoraja a atuação de grupos radicais de perseguição de minorias, podendo, inclusive, aumentar a intolerância e a violência contra os ateus.

“Evidentemente, houve atitudes extremamente preconceituosas uma vez que as declarações do apresentador e do repórter ofenderam a honra e a imagem das pessoas ateias. O apresentador e o repórter ironizaram, inferiorizaram, imputaram crimes, 'responsabilizaram' os ateus por todas as 'desgraças do mundo'”, afirma o procurador.

O procurador ainda ressalta que todos têm direito a receber informações verídicas, não importando raça, credo ou convicção político-filosófica, tendo em vista que grande parte da sociedade forma suas convicções com base nas informações veiculadas em programas de rádio e televisão.

Na ação, o MPF pede ainda que a emissora apresente um quadro com esclarecimentos à população sobre a diversidade religiosa e da liberdade de consciência e de crença no Brasil, com duração de no mínimo o dobro do tempo usado para exibição das mensagens ofensivas - segundo o MPF, Datena criticou os ateus durante mais de 50 minutos.

A Procuradoria quer ainda que a União, através da Secretaria de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, seja obrigada a fiscalizar o programa.

Que o Datena é bocudo, ninguém duvida, mas eu fui um dos que protestaram veementemente, inclusive junto ao Ministério Público, por essas declarações do apresentador.

Quem sabe agora, com prejuízo ao seu bolso, Datena deixe de ser arrogante e dono da verdade.

Afinal, até quem acredita em deus desinteressadamente sempre fala no tal de "livre arbítrio", onde cada um escolhe para si o que mais lhe convém.

Para um grande número de pessoas - e eu me incluo aí - não acreditar em deus ou religião nenhuma não é "o mal", mas sim uma maneira de ser um Ser Humano pleno, completo, sem amarras, culpas e sofrimentos que as religiões impõe.

Volto a afirmar aqui: religião e século 21 são tão díspares como água e óleo, e eu ainda prefiro viver no século 21.

Meus sinceros parabéns ao Ministério Público Federal, e que esse processo siga, nas formas da lei, até o final.


domingo, 21 de novembro de 2010

COM LIVRO-ENTREVISTA A JORNALISTA ALEMÃO, PAPA BENTO 16 FINALMENTE CHEGOU AO SÉCULO 12

O livro-entrevista com o papa Bento de 16 feito por um jornalista alemão com lançamento na próxima terça-feira (23) na Alemanha e na Itália - teve alguns trechos publicados na imprensa neste domingo, repercutindo vários assuntos polêmicos.

Bento 16 chegou a dizer que o uso de preservativos é aceitável "em certos casos", especialmente para reduzir o risco de infecção do HIV, mas insiste que não é a "verdadeira" maneira para combater a Aids, já que para ele é necessária uma "humanização da sexualidade".

Hoje, o Vaticano assegurou que as palavras do papa sobre o uso do preservativo não são "uma mudança revolucionária", mas uma "visão compreensiva" para levar a humanidade "culturalmente muito pobre rumos ao exercício responsável da sexualidade".

O livro, que tem como título "Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times" (Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais do Tempo), é baseado em 20 horas de entrevistas conduzidas pelo jornalista alemão Peter Seewald

A agência Reuters informou que as versões em inglês, francês e alemão do livro citam o termo "prostituto masculino" enquanto o jornal do Vaticano usa "uma prostituta". A divergência na tradução ainda não foi esclarecida.

Leia algumas respostas de Bento 16 na entrevista, divulgados pela Reuters:

PRESERVATIVOS

"Há possibilidades no caso de alguns indivíduos, como talvez quando um prostituto masculino usa preservativo, no qual isso pode ser um primeiro passo em direção à moralização, uma primeira aceitação de responsabilidade, no caminho rumo à recuperação da atenção de que nem tudo é permitido ou se pode fazer de qualquer forma que alguém quiser.

Mas essa não é realmente a maneira para lidar com o mal da infecção por HIV. Isso só pode realmente mentir apenas sobre uma humanização da sexualidade.

Ela [a Igreja] não diz respeito a isso [uso das camisinhas], como um real ou moral solução, mas, nesse caso, não há nada mais com o objetivo de reduzir o risco de infecção, como um primeiro passo no movimento rumo a um forma diferente. e mais humana, de viver a sexualidade."

ABUSOS SEXUAIS NA IGREJA

"Sim, isso é uma grande crise, nós temos que admitir. É entristecedor para todos nós.

De repente, tanta imundice. Foi realmente como uma cratera de um vulcão, fora da qual surgiu uma tremenda nuvem de imundicie, escurecendo e desgraçando, de modo que tudo acima do clero repentinamente pareceu ser um lugar de vergonha e todo padre estava sob suspeita de ser igual também".

"Sim, se o papa realmente se dá conta de que ele não está fisicamente, psicologicamente e espiritualmente capaz de lidar com os deveres do sacerdócio, então ele tem o direito e, em algumas circunstâncias, também a obrigação, de se resignar.

MULHERES E HOMOSSEXUAIS

"Quando, por exemplo, em nome da não discriminação, as pessoas tentam forçar a Igreja Católica a mudar sua posição sobre a homossexualidade ou a consagração de mulheres, então isso significa que ela não está mais permitida de viver sua identidade e que, em vez disso, uma religião negativa e abstrata está criando um padrão tirânico que todos devem seguir.

Isso parece ser aparentemente bem mais liberdade - pela exclusiva razão de que isso é liberação da situação prévia.

"A Igreja não tem autoridade de ordenar uma mulher. A ponto de que nós não estamos dizendo que não queremos fazê-lo. O Senhor nos deu a Igreja na forma de doze [homens apóstolos] e, como seus sucessores, com os bispos e seus presbíteros, os padres.

"Essa forma de Igreja não é algo que nós mesmos produzimos. É como Ele constituiu a Igreja."

"O assunto em questão aqui é a intrínseca verdade do significado da sexualidade humana na constituição do ser humano.

Se alguém tem inclinações homossexuais arraigadas - e isso ainda é uma pergunta aberta se essas inclinações são realmente natas ou se surgem na primeira infância - se, de qualquer forma, elas têm poder sobre ele, isso é um grande desafio para ele, assim como outros desafios podem afligir outras pessoas também.

Mas isso não significa que a homossexualidade portanto se torna moralmente correta. Melhor, ela permanece contrária à essência do que Deus originalmente desejou".

BURCAS

"Quanto à burca, não veria razão para uma abolição geral. Alguns dizem que muitas mulheres não usariam a burca voluntariamente e que isso de fato é uma violação à mulher.

Alguém pode, com certeza, não concordar com isso. Mas se elas querem usar voluntariamente, não compreendo por que deva ser proibido."

PROTESTANTES

"Nós devemos reconhecer que o Protestantismo tomou passos que o levaram longe de nós, mais do que próximo de nós; mulheres ordenadas e a aceitação de parcerias homossexuais são apenas dois de muitos exemplos.

Há ainda outras posições éticas, outras instâncias de conformismo com o espírito da época presente, que faz o diálogo mais difícil".

PAPA JOÃO PAULO 2º

"Eu simplesmente disse a mim mesmo que sou o que sou. Não tento ser outra pessoa. O que posso dar eu dou, e o que não posso dar não tento dar.

Não tento fazer de mim mesmo algo que eu não sou. Sou a pessoa que ocorreu de ser escolhida - os cardeais também são culpados por isso - e faço o que posso fazer."

PAPA PIO 12

"Como no presente momento, nós temos novas pessoas sábias que dizem que, enquanto nós de fato salvamos muitas vidas, nós tivemos ideias atrasadas sobre os judeus que desabaram no 2º Conselho do Vaticano (1962-65).

Mas essa não é a questão. A coisa decisiva é que o que ele fez e o que ele tentou fazer, e é nessa consideração que devemos reconhecer, creio, que ele foi um dos grandes homens honrados e que ele salvou mais judeus que qualquer outro."

*****

O que posso dizer aqui - depois de ler atentamente esses trechos - principalmente nos trechos onde ele claramente diz mulheres são seres inferiores - e por isso não merecem ser ordenadas - e que o Papa Pio 12 "salvou mais judeus que qualquer outro", quando se sabe que esse Papa fechou os olhos para as atrocidades nazistas, objeto até hoje de profunda mágoa do povo judeu com os católicos?

Só posso deduzir que, finalmente, sua santidade chegou ao século 12!

Quem sabe, com mais entrevistas, o Cardeal Joseph Ratinzger - homem tido como culto e inteligente - consiga avançar rumo ao século 21.

Com essa entrevista, ainda faltam 9 longos séculos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ABORTO, MISTURADO À POLÍTICA E À RELIGIÃO: NADA A VER


Quem se opõe à descriminalização do aborto defende não a vida, mas uma crença religiosa



Algum tempo atrás, o presidente Luiz Inácio previu que, nas eleições deste ano, todos os candidatos à Presidência seriam de esquerda.

Realmente, os três mais votados candidatos do primeiro turno são considerados de esquerda.

Só que pensaria o contrário quem, sem nada saber dos candidatos, visse as fotos diárias que a imprensa publica de cada um deles a assistir à missa; ou suas declarações de fé; ou suas confraternizações com pastores e políticos evangélicos; ou as promessas de obediência que fazem a líderes religiosos; ou suas renegações da proposta da descriminalização do aborto...

Dias atrás, afirmando que uma eleição é o pior momento para debater qualquer questão que seja, o psicanalista e colunista da "Folha", Contardo Calligaris, postergou uma discussão sobre o aborto, no que ele estava certíssimo.

Só que, cansado de ler - e ouvir - inúmeros ataques à tese de que o aborto deve ser descriminalizado, mas nenhum argumento a favor disso, resolvi lembrar aqui alguns que me parecem decisivos.

Para mim, os argumentos mais decisivos são os do filósofo francês Francis Kaplan no seu livro "O Embrião É um Ser Vivo?".

Segundo Kaplan, deve-se distinguir entre "estar vivo" e "ser um ser vivo".

Um ser vivo não é apenas um ser que tem funções - pois várias partes do ser vivo têm funções -, mas um ser que tem todas as funções necessárias para estar vivo.

Assim é um ser humano, por exemplo.
Já o olho do ser humano, na medida em que lhe faculta enxergar, está vivo, mas não é um ser vivo.
O olho está vivo somente na medida em que faz parte do ser vivo que é o ser humano.

Assim também o embrião está vivo somente enquanto parte de outro ser vivo, que é a sua mãe.
Por si mesmo, "as funções vitais de que ele precisa para estar vivo são as da mãe. É graças à função digestiva da mãe que ele recebe o alimento, que pode usar somente por lhe chegar previamente digerido pela mãe; é graças à função glicogênica do fígado da mãe que ele recebe a glicose; é graças à função respiratória da mãe que os glóbulos vermelhos de seu sangue recebem o oxigênio; é graças à função excretória da mãe que ele expulsa materiais prejudiciais, dejetos que, de outro modo, o envenenariam", relata Kaplan.

E ele continua: "Não é o embrião que se desenvolve: é a mãe que, por meio da produção da serotonina periférica no sangue, determina, durante mais da metade da gestação, o desenvolvimento neurobiológico e a viabilidade futura do organismo que carrega".

Kaplan explica que, pelo menos até o terceiro mês da concepção, o feto não tem atividade cerebral.
Acontece que, como ele observa, "um homem sem atividade cerebral é considerado clinicamente morto".

Ora, "o prazo de três meses é o prazo dentro do qual a maioria das mulheres que quer abortar aborta, mesmo que possam legalmente fazê-lo mais tarde".

Dito isso, vê-se que não é verdadeiro, como se supõe às vezes, que o embrião esteja para uma criança como uma semente para uma árvore ou um ovo para uma ave.

Uma semente largada na terra pode tornar-se uma árvore; e um ovo pode, sendo incubado, tornar-se uma ave; um embrião, porém, não é capaz de se tornar uma criança fora do corpo da mãe.

Concluindo, não se pode comparar a destruição de uma semente com a derrubada de uma árvore nem se pode comparar quebrar um ovo com matar uma ave, menos ainda se pode comparar o aborto, como querem alguns religiosos, com o assassinato de uma pessoa.

Sobre a tese de que a vida da mãe não vale mais que a do feto,
diga-se a verdade: quem se opõe à descriminalização do aborto defende não a vida, como alega, mas sim uma crença religiosa segundo a qual nem o prazer sexual pode ser um fim em si mesmo nem o ser humano é dono de si próprio ou do seu corpo.

Cada um tem o direito à crença religiosa que bem entender, mas o Estado, que deve ser laico, não pode adotar nenhuma delas em particular.

Nenhuma mulher recorre ao aborto por prazer, mas por sofrimento e para evitar ainda maior sofrimento para si, para sua família e para a criança que nasceria.

E é uma grande crueldade que o Estado penalize ainda mais justamente as mulheres pobres que, sem recursos, são obrigadas a praticar o aborto nos açougues das esquinas brasileiras.

Pior que isso, só o Holocausto, e o Poder Público tem o dever de prover os seus cidadãos de meios que mantenham sua saúde em níveis aceitáveis, olhando o aborto
como um problema de saúde pública, e não moral ou religiosa.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ABORTO E A ELEIÇÃO NO SÉCULO XII

O destaque nesse segundo turno da campanha à presidência, é o tema da descriminalização do aborto.

Questão complexa, que por envolver convicções pessoais e religiosas, só poderia ser decidida legitimamente pela mulher que deseja abortar, ou por meio de uma consulta popular, o tal "plebiscito sobre", de que tanto martelou no primeiro turno Tia Marina Silva Clorofila ex-Malafaia.

Nem por isto é fora de questão que o tema se torne presente no debate eleitoral, já que é direito do eleitor conhecer as opiniões dos candidatos sobre o tema.

Só que, em vez de ocasionar uma discussão racional e franca, a disputa sucessória tem-se caracterizado por uma atitude retrógrada, ignorante e obscurantista.

Obscurantista, não pela rasa identificação que se costuma fazer entre a firmeza de convicções religiosas e um espírito medieval de caça às bruxas, já que se pode perfeitamente ser contra o aborto em qualquer circunstância, sem ser um fanático fundamentalista - e mesmo sem professar nenhuma religião como eu, que sou ateu.

O obscurantismo marca a campanha eleitoral quando o que se procura é, antes, confundir o eleitor do que esclarecer as próprias posições.

O exemplo maior disso é o slogan do "direito à vida", que aparece na propaganda eleitoral de ambos os candidatos ao segundo turno.

Como se sabe, essas palavras têm um sentido claro para o eleitorado católico - e cristão de modo geral -, já que podem ser traduzidas como uma condenação do aborto, mesmo nos casos já admitidos na lei brasileira -o de gravidez por estupro e o de risco de morte para a mãe.

Nenhum dos dois candidatos propõe a revogação desse dispositivo mas, que lancem mão ao lema do tal "direito à vida" é sintoma da dificuldade de ambos em defender o que já existe na legislação, contrário às ideias dos eleitores que pretendem conquistar.

Pessoalmente, considero que a legislação vigente deve ser flexibilizada, de modo a permitir que, já sofrendo numa circunstância evidentemente dramática e dolorosa, qualquer mulher em solo brasileiro possa interromper a gravidez, sem que seja considerada criminosa por isso.

Cerca de 1,1 milhão de abortos clandestinos são feitos anualmente no país, na grande maioria das vezes em condições precaríssimas, em ambientes que mais parecem um açougue de quinta categoria do que uma sala de cirurgia.

Os abortos mal feitos dão um gasto de mais de R$ 850 milhões por ano ao SUS, e são a terceira causa de mortalidade materna no Brasil.

Em 56 países, que representam 40% da população mundial, o aborto é permitido sem restrições até a 12ª semana de gravidez - limite máximo que se poderia admitir, e com o qual eu concordo.


Com certeza, políticas públicas de esclarecimento e garantia de acesso a meios anticoncepcionais - como a pílula do dia seguinte -, poderiam, se amplas, intensivas e duradouras, prevenir a gravidez indesejada e reduzir de maneira drástica o número de mulheres que se valem, numa situação extrema, do traumático recurso.

Só que alguns setores religiosos, como é certo e sabido, são contra até mesmo o uso de anticoncepcionais e da camisinha - que nos dias atuais não serve só para não ter filhos, mas principalmente para evitar contágio por doenças sexualmente transmissíveis.

A sociedade felizmente evoluiu na direção oposta, e hoje os jornais já trazem a informação que o tema do aborto só fez cerca de 1% dos eleitores mudarem seu voto em 3 de outubro.

Fica provado, assim, que tivemos segundo turno muito mais pelo tráfico de influência da companheira Erenice na Casa Civil - e o salto alto de Dona Dilma, Luiz Inácio e companhia bela - do que pela pregação religiosa/medievalesca que pastores e padres fizeram contra a petista.

O Brasil precisa com urgência de um plebiscito sobre o aborto, para que a população seja esclarecida sobre os vários aspectos envolvidos na questão, longe das religiões todas que, para mim, só servem para levar a Humanidade ao começo do século 12, para dizer o mínimo.

Confira a coluna de hoje em vídeo, já postado no YouTube e no UOL:

terça-feira, 3 de agosto de 2010

MALAFAIA, DESCENDO A LADEIRA

No começo de abril, Silas Salafrária, quero dizer, Malafaia, lançou em parceria com outro "pastor" norte-americano, Mike Murdock, um plano para arrecadar R$ 1 bilhão.

E ele se ferrou...


O dinheiro seria empregado em "evangelização" em todo o mundo e manutenção de programas de TV em pelo menos 140 países.

Malafaia batizou o plano de "Clube de 1 milhão de Almas", onde cada fiel que aceitasse colaborar teria de doar R$ 1 mil.

Por causa do plano, o pastor recebeu severas críticas de setores não só da Assembleia de Deus - a seita a que ele e a tia Marina pertencem - mas também de outras seitas evangélicas, e por causa das críticas, o pastor teria se afastado da AD.

Quatro meses depois, o tal plano é um fracasso numérico e financeiro.

Até ontem, menos de 5.000 pessoas tinham aderido ao programa, embora Malafaia esteja fazendo propaganda ostensiva em horários que adquire na TV e no rádio.

Pelo andar da carruagem, o "pastor" levará 330 anos para completar o milhão de almas pretendido, e o acordo que ele disse ter fechado para exibir programas em outros países é válido apenas para este ano.

O "sócio" de Malafaia no mirabolante plano, o tal Murdock, é pregador conhecido nos EUA como ferrenho defensor da teologia da prosperidade - aquela que prega que o fiel pode obter ganhos financeiros e materiais única e exclusivamente através de sua fé, e que essa fé deve ser demonstrada com uma espécie de generosidade para com a igreja com que ele, fiel, frequenta.

Ao doar parte do que tem, o fiel teria uma contrapartida divina garantida, já que "Deus é fiel" - em seu acordo com os humanos.

É o mesmo discurso da Igreja Universal do Reino de Deus - do Edir Macedo - e da Renascer em Cristo - do casal de bandidos internacionais Sônia e Estevão Hernandes - usam para tomar uma grana no mole de quem as frequenta.

Esse tipo de seita lança constantemente "desafios" para seus seguidores, que, quase sempre, resultam na doação de dinheiro para esta ou aquela "causa" da "igreja".

A Universal atualmente está pedindo - e recebendo - dinheiro dos tontos, quero dizer, fiéis, para construir uma réplica do templo de Salomão, e a Renascer pede grana dos otários, quero dizer, fiéis, para reconstruir sua sede na Avenida Lins de Vasconcelos, aqui em Sampa.

Quanto ao Malafaia, só posso ficar contentíssimo em ver um explorador contumaz da fé alheia se ferrar.

Afinal, "DEUS TARDA, MAS NÃO FALHA".

Fonte: Coluna do Ricaldo Feltrin - UOL
Texto final: Cláudio Nóvoa

sábado, 31 de julho de 2010

TESTES COM CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS? TIA MARINA É CONTRA!

O mundo acordou mais feliz hoje, com o anúncio do início dos testes com células-tronco embrionárias em seres humanos nos EUA.

Esse é o primeiro grande passo para a cura da paraplegia e da tetraplegia, que vitima atualmente muitos jovens, inclusive aqui no Brasil.

Só que a ERA MEDIEVAL sempre está a postos, e a candidata do PV à Presidência, Tia Marina Silva Clorofila Malafaia, reafirmou hoje em Recife (PE) que é contra esse tipo de experiência.

"Não tenho uma posição favorável à pesquisa com célula-tronco embrionária, e eu já disse isso. Eu sou favorável à pesquisa com célula-tronco adulta".

Se ela fosse melhor informada, leria - e saberia - que pesquisas com células-tronco adultas não tem tido êxito, e que as células-tronco embrionárias tem cido citadas por todos os pesquisadores como o futuro na cura de muitas doenças, neurológicas inclusas.

Arquivos do Klau
Tia Marina ficou irritadinha ao ser perguntada sobre o assunto e ainda teve a cara de pau de questionar os jornalistas: "Por que vocês nunca se interessam pelas coisas que a gente está fazendo? Isso que aconteceu aqui não tocou ninguém?", referindo-se ao que viu na sua visita à comunidade do Coque, uma das mais violentas da cidade, onde chorou várias vezes ao ser homenageada por crianças na Escola Popular de Direito Constitucional "Pequeno Cidadão", que cantaram "Coração de estudante" e "Para não dizer que não falei de flores".

Mais tarde, em entrevista a uma rádio local, a candidata disse que tem sofrido preconceito por ser cristã evangélica.
"Mas eu não sou uma cristã envergonhada, eu digo a minha fé".

A senadora declarou ainda que participará da campanha eleitoral "mostrando sempre que estamos elegendo o presidente da República, e não o pastor da igreja" e que não fará "a satanização dos outros candidatos."


*****

Querida Titia:
O povo está se lixando em saber se você é atualmente evangélica, ex-católica ou segue caninamente a seita do Pastor Salafrária, quero dizer, Malafaia.

O que nós, brasileiros queremos, é que posições tão retrógradas quanto a sua não sejam mais levadas em conta, por mais ninguém, em pleno ano de 2010.

O pior é que eu não posso nem mandar a Senhora lamber sabão, para o mofo e o ranço saírem da sua boca.

A Senhora lambe mesmo é aqueles - ótimos - sabonetes da Natura, empresa do seu vice, que a Senhora não está morta nem nada, não é?

Chega de posar de moderninha, ecológica e vanguardista.

Perto da Senhora, a Dona Dilma e o Serra Nomuro são modernérrimos em questões como essa, por incrível que pareça.

sábado, 17 de julho de 2010

ARGENTINA, SEMPRE À FRENTE DO BRASIL QUANDO SE TRATA DE FUTURO E PESSOAS

Nós, brasileiros, incansáveis na arte de fazer piadinhas sobre os argentinos,não podemos negar: o povo argentino, quando se trata de modernidade e defesa das minorias, dá de lavada nos brasileiros, que ainda insistem em dizer que aqui não temos discriminação, nem de raça, nem de gênero, muito menos de sexo.

Um exemplo?
Após catorze horas de debates, os senadores argentinos ratificaram, na madrugada desta quinta-feira, o projeto de lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país.

Apesar da votação apertada - 33 votos a favor e 27 contra - a Argentina passa a ser o primeiro país da América Latina a autorizar o casamento gay.
O texto já tinha sido aprovado, no mês passado, pela Câmara dos Deputados, e agora vai para sanção da presidente Cristina Kirchner - que já sinalizou que deverá sanciona-lo - para virar lei

A cidade de Buenos Aires já permitia a união civil entre pessoas do mesmo sexo, o que dava aos casais gays alguns direitos municipais iguais aos dos casais heterossexuais.
Com o casamento, porém, casais homossexuais que se casem em qualquer lugar do país terão todos os direitos iguais aos casais formados por homem e mulher, incluindo direito à adoção e a herança.

Na América Latina, o Uruguai e a cidade do México já tem leis permitindo a união civil entre homossexuais, mas a lei argentina é a primeira a permitir o casamento, seguindo outros países como Portugal, Espanha, Holanda, Bélgica, Noruega, Suécia, Islândia, Canadá e África do Sul.

Apesar do frio de 3ºC, simpatizantes da iniciativa, com bandeiras e balões brancos, permaneceram em frente ao Congresso Nacional, ao ar livre, até o fim da votação.
Após o resultado, eles continuaram no local, dançando e cantando, comemorando a aprovação do texto.
Foto: AP
Debaixo de frio, argentinos comemoram

O projeto de lei vinha gerando fortes disputas entre o governo e a Igreja Católica e motivou protestos contra e a favor da medida.

Na véspera da votação no Senado manifestantes realizaram um ato em frente ao Parlamento, convocados pela Igreja Católica e por grupos evangélicos.
Eles levaram balões laranja e faixas que diziam: “As crianças têm direito a uma mãe e um pai”.
Nos últimos dias, padres de diferentes pontos do país leram, durante as missas, um documento defendendo “o bem inalterável do casamento e da família”.

Também na véspera da votação, mil pessoas se reuniram em outro ponto conhecido da cidade, em frente ao Obelisco, com vuvuzelas e panelaços, em apoio ao projeto.

Dias antes, simpatizantes já tinham realizado manifestação a favor do casamento em frente ao Congresso. Eles levavam cartazes que diziam:
“O mesmo amor, os mesmos direitos”.

A postura da Igreja Católica levou a presidente a declarar que “o discurso da igreja recorda os tempos da inquisição”, no que eu concordo inteiramente.

O líder do governo no Senado, senador Miguel Pichetto, disse, durante os debates no Senado: “Aqui não haverá mais casamentos do mesmo sexo só porque aprovamos esta lei. O objetivo desta norma é eliminar a discriminação”.

A senadora Maria Eugenia Estenssoro, da opositora Coalición Cívica, argumentou que o projeto é “necessário” para os casais do mesmo sexo. “Esta lei permitirá que os homossexuais possam assumir publicamente suas relações”, disse ela.

O senador socialista Rubén Giustiniani, que votou a favor da lei, disse que o perfil da sociedade argentina mudou e por isso era o momento da aprovação do texto.
Segundo ele, dados oficiais indicam que 59% das famílias argentinas já não atendem ao perfil tradicional de pai, mãe e filhos, mas de mães solteiras, casais separados e casais homossexuais.

Para o senador opositor Gerardo Morales, da UCR, apesar das polêmicas e disputas, “ganhou o debate cultural” no país, diante da participação da sociedade na discussão.

Confesso que morri de inveja, não só da Lei, mas principalmente da mobilização popular, não só de gays, mas da sociedade argentina como um todo, que garantiu sua aprovação.

Enquanto aqui milhões vão às festivas "paradas" que nada produzem de concreto para a causa, um grupo de abnegados gatos pingados promete ir "depois da eleição" a Brasília pressionar nosso Congresso para aprovar uma Lei igual à dos argentinos, que segue engavetada.

Triste, muito triste.