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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

'AD ASTRA - RUMO ÀS ESTRELAS': PRETENSIOSO E MONÓTONO, LONGA TEM VISUAL ARREBATADOR


SINOPSE:

Roy McBride (Brad Pitt) é um engenheiro espacial que decide empreender a maior jornada de sua vida: viajar para o espaço, cruzar a galáxia e tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, um astronauta que se perdeu há vinte anos no caminho para Netuno.

CRÍTICA:

Versão sci-fi de O Coração das Trevas - romance escrito por Joseph Conrad em 1902 - ou Apocalypse Now de Francis Ford Coppola - por sua vez, inspirado no livro em questão - Ad Astra - Rumo Às Estrelas, que estreia hoje, poderia ser um filme divertido sobre exploração espacial ou filosófico e reflexivo sobre a busca por Deus e o lugar da humanidade no universo.

Poderia, já que decide ser mais do mesmo com ar pretensioso e tom monótono.

No longa, Brad Pitt é Roy, um astronauta com a missão de viajar a Netuno para encontrar seu pai perdido (Tommy Lee Jones), que pode ou não ter criado uma estrutura capaz de ameaçar a humanidade.

Roy atravessa um espaço hostil, em guerra por recursos, enquanto contempla o que pode ter acontecido com seu pai e, por fim, com ele mesmo.

Talvez o grande mérito do longa seja o mundo criado para contar essa história.

Podemos realmente ver um futuro próximo com bases lunares semelhantes a aeroportos, gangues de piratas atacando comboios na lua e terapia feita por computadores - tudo muito bem construído e realista.

Além disso, as cenas espaciais também são de tirar o fôlego, com fotografia lindíssima, ambientes espaciais inspiradores e veículos com design bastante realista - sem falar que os efeitos especiais são de muita qualidade.

O problema é que a narrativa se perde pouco depois de uma incrível sequência dentro de uma espaçonave abandonada, com direito a ataque de uma criatura bizarra e muito sangue.

Só que logo depois desse grande momento, as coisas ficam lentas e contemplativas, mas sem fornecer conteúdo suficiente para reflexão.

A exploração dos problemas de pai e filho se tornam o centro da obra e o roteiro passa a explorar uma série de metáforas sobre Deus - ou a falta dele e o sentido da vida.

Até é interessante, mas faltam profundidade e principalmente reviravoltas para tirar as coisas da monotonia ou, ao menos, chocar.

Por boa parte do filme, é como se estivéssemos vendo uma cópia de 2001, mas sem o final impactante.

Ad Astra é sim um thriller inteligente para adultos, mas definitivamente falha por pesar tanto cada questão desnecessária e deixar de explorar outros pontos realmente fascinantes.

Com isso, o próprio impacto emocional do filme é prejudicado e o longa se torna uma obra de um tom só, extremamente cansativo e menos estimulante ou reflexivo do que certamente o diretor James Gray (Os Donos Da Noite) gostaria.

Belo e frustrante, com parte técnica absolutamente impressionante e trilha que funciona, o longa chega a ter profundidade de roteiro e personagem em sua primeira metade, mas aos poucos perde tudo isso ao tentar se tornar irritantemente contemplativo e, paradoxalmente, raso.

GALERIA DE IMAGENS:
Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto Brad Pitt

Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto Tommy Lee Jones

Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto

Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto

Ad Astra - Rumo às Estrelas : Foto Brad Pitt

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
AD ASTRA - RUMO ÀS ESTRELAS
Título Original:
AD ASTRA
Gênero:
Thriller
Direção:
James Gray
Elenco:
Alyson Reed, Anne McDaniels, Brad Pitt, Daniel Sauli, Donald Sutherland, Donnie Keshawarz, Elisa Perry, Greg Bryk, Jamie Kennedy, John Finn, John Ortiz, Kimberly Elise, Kimmy Shields, LisaGay Hamilton, Loren Dean, Nicholas Walker, Ravi Kapoor, Ruth Negga, Sasha Compère, Sean Blakemore, Tommy Lee Jones
Roteiro:
Ethan Gross, James Gray
Produção:
Anthony Katagas, Brad Pitt, Dede Gardner, Doug Torres, James Gray, Jeremy Kleiner, Rodrigo Teixeira
Fotografia:
Hoyte Van Hoytema
Trilha Sonora:
Thomas Newman
Montador:
John Axelrad, Lee Haugen
Estúdio:
Keep Your Head, MadRiver Pictures, New Regency Pictures, Plan B Entertainment
Distribuidora:
Fox Film do Brasil
Estréia:
26/09/2019
Ano de Produção:
2019
Duração:
122 min.
Classificação Indicativa:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 12 de julho de 2019

'AD ASTRA': BRAD PITT VAI AO ESPAÇO EM NOVO TRAILER

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O segundo trailer de 'Ad Astra' mostra a preparação de Brad Pitt para encarar a missão que pode salvar o planeta
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Assista:


Na trama, Roy McBride (Pitt) é um engenheiro espacial, portador de um leve grau de autismo, que decide empreender a maior jornada de sua vida: viajar para o espaço, cruzar a galáxia e tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, um astronauta que se perdeu há vinte anos atrás no caminho para Netuno.

A direção é de James Gray e além de Brad Pitt, veremos no elenco Ruth Negga e Tommy Lee Jones.

Ad Astra ainda não tem data oficial, mas a Fox Film do Brasil promete que o longa chega aos cinemas brasileiros ainda em 2019.

terça-feira, 4 de junho de 2019

'AD ASTRA'; NOVO LONGA DE BRAD PITT GANHA PRIMEIRO TRAILER

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Drama espacial com ares existencialistas chega aos cinemas norte-americanos em setembro
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A Fox Film divulgou o primeiro trailer de Ad Astra, novo drama espacial protagonizado por Brad Pitt e dirigido por James Gray (Z - A Cidade Perdida).

Veja:


A ficção científica acompanha Roy McBriden (Pitt), um astronauta cujo pai nunca voltou de uma missão interestelar secreta.

Quando a Terra começa a enfrentar uma ameaça perigosa e desconhecida, McBride é enviado em uma missão na fronteira do sistema solar, encarregado de encontrar o próprio pai e descobrir o que poderia salvar a humanidade.

Com Tommy Lee Jones, Liv Tyler, Ruth Negga e Donald Sutherland no elenco, o longa é um drama com toques de ficção científica.

O roteiro foi escrito por Gray em parceria com Ethan Gorss e a produção é da New Regency junto à Plan B, produtora de Brad Pitt.

A parceria entre as duas empresas, vale lembrar, deu origem a longas como 12 Anos de Escravidão e A Grande Aposta.

Ad Astra ainda não tem data de estreia no Brasil, mas chega aos cinemas norte-americanos em 20 de setembro - provavelmente já visando uma campanha para o Oscar 2020.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

'ERA UMA VEZ EM NOVA YORK': HISTÓRIA MANJADA SOFRE COM FALTA DE FESCOR E RITMO


SINOPSE:

Em 1921, as irmãs polonesas Magda (Angela Sarafyan) e Ewa Cybulski (Marion Cotillard) partem em direção a Nova York, em busca de uma vida melhor.

Mas, assim que chegam, Magda fica doente e Ewa, sem ter a quem recorrer, acaba nas mãos do cafetão Bruno (Joaquin Phoenix), que a explora em uma rede de prostituição.

A chegada de Orlando (Jeremy Renner), mágico e primo de Bruno, mostra um novo amor e um novo caminho para Ewa, mas o ciúme do cafetão acaba provocando uma tragédia.

CRÍTICA:
(por Francisco Russo)

Apontado por muitos como um dos diretores mais promissores do século 21, especialmente devido ao seu trabalho à frente dos pequenos e bons 'Amantes' e 'Os Donos da Noite', James Gray é daqueles casos que cresceram à margem do cinemão produzido em Hollywood.

Seus filmes costumam ter um toque autoral no estilo de narrativa, favorecendo a fotografia e a direção de arte.

Diante deste histórico, existia uma boa expectativa para seu filme mais ambicioso até então: 'Era Uma Vez em Nova York', exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2013 e que finalmente estreia hoje - em 25 salas - em todo o Brasil.

A história acompanha a saga de Ewa Cybulski (Marion Cotillard, excepcional), uma polonesa que, em 1921, deixa o país natal rumo a Nova York em busca de uma vida melhor e logo na imigração, enfrenta um grande problema: é separada da irmã, Magda (Angela Sarafyan), que enfrenta problemas de saúde.

Ameaçada de ser deportada, ela consegue escapar graças à ajuda de Bruno (Joaquin Phoenix), sem saber que ele na verdade é um cafetão e deseja ganhar dinheiro às custas da prostituição de Ewa.

Era Uma Vez em Nova York : Foto Joaquin Phoenix, Marion Cotillard
Marion Cottilard (Ewa) e Joaquin Phoenix) Bruno, em cena do longa - Fotos dessa postagem: Divulgação/Califórnia Filmes
Melodrama assumido, o longa traz a típica história do imigrante em busca do sonho americano que se depara com uma realidade inesperada, resultando em uma vida bastante sofrida e para tanto, conta com o talento de Marion - que capricha no sotaque polaco, assim como mantém sempre uma certa altivez, por mais que tenha uma profunda vergonha do meio através do qual sobrevive.

Mas quem brilha de fato é Joaquin Phoenix, como o cafetão que se apaixona por sua prostituta.

Suas explosões de raiva são, de longe, o que o filme traz de melhor.

As irmãs Ewa e Magda são separadas assim que chegam a NY
Entretanto, o longa-metragem peca justamente na obviedade e por mais que possua uma ambientação caprichada - traço marcante na carreira do diretor - a narrativa caminha rumo a um triângulo amoroso sem sal entre Ewa, Bruno e Orlando (Jeremy Renner), mágico e primo do cafetão.

Se por um lado Bruno é passional e representa o que há de pior no capitalismo selvagem americano (ainda que seja situado no início do século 20), Orlando é a esperança de um mundo melhor. 

O conflito esperado entre eles caminha de modo arrastado e lento, em um filme que anuncia seu desfecho bem antes dele, enfim, acontecer.

Ewa (Marion Cottilard) e Orlando (Jeremy Renner), em cena do longa
No fim das contas, temos aqui um filme que promete bem mais do que cumpre e apesar das boas atuações, falta ritmo e algum frescor a uma história tão manjada.

TRAILER DO LONGA:


FICHA TÉCNICA:
Era Uma Vez em Nova York : Poster
'ERA UMA VEZ EM NOVA YORK'
Título original:
THE IMMIGRANT
Gênero:
Drama
Direção:
James Gray
Roteiro:
James Gray, Ric Menello
Elenco:
Al Linea, Angela Sarafyan, Antoni Corone, Dagmara Dominczyk, DeeDee Luxe, Dylan Hartigan, Elena Solovey, Francesca Murdoch, Francine Daveta, Gabriel Rush, George Aloi, Gil O'Brien, Glenn Fleshler, Ilia Volokh, James Colby, James Thomas Bligh, Jeremy Renner, Jicky Schnee, Joaquin Phoenix, John Mitchell, Julian Murdoch, Kevin Cannon, Marion Cotillard, Matthew Humphreys, Nancy Digonis, Patrick Husted, Ross Brodar, Susan Gardner, Tom Stratford
Produção:
Anthony Katagas, Christopher Woodrow, Greg Shapiro, James Gray
Fotografia:
Darius Khondji
Montador:
John Axelrad, Kayla Emter
Trilha Sonora:
Christopher Spelman
Duração:
120 min.
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
11/09/2014
Distribuidora:
Europa Filmes
Estúdio:
Keep Your Head / Kingsgate Films / Worldview Entertainment
Classificação:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 24 de maio de 2013

FESTIVAL DE CANNES: DECEPÇÃO NO LONGA DE JOAQUIN PHOENIX, MADS MIKKELSEN EM ÉPICO DE AÇÃO, IRANIANO OVACIONADO E FESTA DE ARRECADAÇÃO DE FUNDOS CONTRA AIDS LEVANDO LEO DICAPRIO AO ESPAÇO


Havia muita expectativa em torno de "The Immigrant" - novo filme do americano James Gray ("Amantes", "Os Donos da Noite"), um filme lindo, sensível e muito bem dirigido, mas que deve sofrer com esse excesso de expectativa na reta final do festival.

Boa parte da imprensa saiu decepcionada da sessão na manhã desta sexta.

O longa foca a história de Ewa (Marion Cotillard), imigrante polonesa que desembarca em Nova York em 1921.

Sua irmã é detida por estar com tuberculose, e ela só consegue entrar nos EUA com a ajuda de um estranho, Bruno (Joaquin Phoenix) e lógico, Bruno não vai ajudá-la por nada, já que mantém um negócio de exploração sexual de mulheres e quer incluir Ewa no esquema.

Só que ele também se apaixona por ela e passa a tratá-la de forma diferente e as coisas se complicam quando seu primo, o mágico Orlando (Jeremy Renner) também se apaixona por ela, despertando o ciúme furioso de Bruno.

Conhecido por seu temperamento difícil com a imprensa, Joaquin Phoenix nem mesmo deu as caras em Cannes.
"Acreditem, Joaquin queria muito vir. Mas neste momento ele está rodando o novo filme de Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)", disse o diretor.

Já Cotillard passou uma saia justa ao chegar para a sessão de fotos do filme: um cisco entrou em seu olho e ela teve que abandonar os holofotes às pressas.

Antes, disse que seu maior desafio em "The Immigrant" foi aprender o polonês.
"É uma língua bem complicada de aprender. Eu tinha 20 páginas de roteiro em polonês e apenas duas palavras que eu entendia", contou a atriz, que usou um professor para ajudá-la.

Gray brincou ao contar como escolheu a atriz para o papel.
"Estávamos jantando e Marion jogou um pão na minha cara quando eu disse que não gostava de certo ator. A expressão no rosto dela era incrível", disse.

O diretor fez uma defesa do imigrante nos EUA nos dias de hoje.
"A imigração mantém um país vital, interessante, flexível. Se você pega as várias ondas de imigrantes desde 1840, irlandeses ou italianos, as mesmas coisas era ditas contra eles: são sujos, burros, preguiçosos. E provaram que vieram para ficar. Quando vejo as mesmas palavras usadas para os latinos hoje, gostaria de lembrar que este é o mesmo argumento usado há mais de cem anos", defendeu.

O diretor James Gray, a atriz Marion Cottilard e o ator Jeremy Renner, hoje em Cannes - foto: AFP

Gray se inspirou em filmes como "O Poderoso Chefão 2" e "O Portal do Paraíso" para construir o visual do filme.
"Eu busquei algo como uma ópera, com emoções grandiosas. Queria a sinceridade das emoções. Kubrick dizia que queria fazer filmes mais ousados e mais sinceros. Quero fazer filmes tão sinceros, sem ironia, que se tornem ousados", explicou.

Se não cair nas graças do júri de Steven Spielberg para a Palma de Ouro, "The Immigrant" bem mereceria um prêmio de ator para Joaquin Phoenix ou de atriz para Cotillard.

Confira o trailer de "The Immigrant":


O ator dinamarquês Mads Mikkelsen - estrela da ótima série 'Haniball' e vencedor do prêmio de Melhor Ator em 2012 - voltou ao Festival de Cannes como protagonista do filme "Michael Kohlhaas", uma produção histórica de ação que reflete sobre o poder e a justiça.

Exibido nesta sexta e também na disputa pela Palma de Ouro, o filme do francês Arnaud des Pallieres e ambientado no século XVI nas montanhas de Cevennes (centro da França) é uma adaptação do livro de mesmo nome do alemão Heinrich von Kleist (1777-1811).

"Descobri este texto quando iniciava minha formação de cinema, aos 25 anos, e desde então não parei de pensar nele", explicou o diretor.

"Michael Kohlhaas" conta a história de um próspero comerciante de cavalos, que depois de ser vítima da injustiça de um homem poderoso termina criando um exército e recorre à violência para obter o que exige.

"É muito difícil julgar o personagem. Há uma resposta por espectador. O espectador pode chamá-lo de terrorista, justiceiro ou revolucionário e tomar partido, e esta era a base do meu projeto"", disse Pailleres.

O ator Mads Mikkelsen, hoje em Cannes - foto: AFP

O diretor destaca em particular o momento em que Kohlhaas, à frente de uma revolta que está perto de conquistar o poder, renuncia ao objetivo, baixa as armas e volta para casa - talvez por falta de recursos, a ação mostrada no filme não corresponde à trama relatada.

Pailleres, cuja câmera parece fascinada pelo rosto do ator dinamarquês, destacou "a sutileza, a gentileza e a intensidade da interpretação de Mads Mikkelsen, que consegue conservar a complexidade" do personagem de Kleist.

Mikkelsen recebeu em 2012 o prêmio de Melhor Ator em Cannes pelo papel de um professor injustamente acusado de pedofilia em "A Caça" e declarou na coletiva de imprensa que "um ano depois é muito gratificante estar em Cannes, deveria virar uma tradição".

Confira um trailer de "Michael Kohlhaas":


Um cineasta iraniano que foi preso sob a acusação de propaganda antigoverno em 2010 lançou nesta sexta em Cannes um novo filme sobre opressão estatal, que ele rodou em segredo em seu país.

Mohammad Rasoulof foi considerado culpado por "ações e propaganda contra o sistema", depois de tentar fazer um documentário sobre os distúrbios que se seguiram à controversa reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2009.

Ele foi condenado a 6 anos de prisão e proibido de fazer filmes e de deixar o Irã por 20 anos, mas, após recurso, a sentença foi reduzida para um ano de prisão e a Justiça removeu as proibições de viajar e fazer cinema.

Depois de todo esse calvário, a plateia ovacionou de pé seu novo filme, "Dast-Neveshtehaa Nemisoosand" (Manuscritos Não Queimam), em uma exibição para a imprensa.

Rasoulof disse que o filme foi baseado na história verdadeira de 21 escritores e acadêmicos iranianos que viajavam num ônibus e foram alvo de um atentado fracassado, ao qual sobreviveram.

O diretor Mohammad Rasoulof, hoje em Cannes - foto: The Independent

O cineasta descreveu o ataque como um "episódio obscuro" na comunidade intelectual iraniana, que se concentra especialmente em um autor que escreve secretamente suas memórias sobre o período em que foi prisioneiro político e as tentativas das autoridades para destruir sua obra.

Rasoulof disse que o filme nunca será mostrado no Irã por causa do tema: ele não tentou obter uma licença para rodá-lo, pois sabia que seria recusada, e se esforçou para reunir elenco e equipe de filmagem.

"Demorou dois anos para juntar as pessoas que poderiam fazer os papéis e que aceitariam fazer isso e cooperar com a gente", declarou Rasoulof à Reuters TV em entrevista realizada num jardim perto da orla de Cannes.

A película não tem créditos.
"Decidimos em conjunto permanecer no anonimato o quanto for possível, já que sabíamos que poderia haver consequências", disse Rasoulof, que pretende voltar para o Irã em breve.

O presidente do festival, Gilles Jacob, descreveu o festival como "uma terra de acolhimento", citando os esforços ao longo dos anos para prover uma plataforma de refúgio para os cineastas de todo o mundo que são perseguidos ou censurados pelos seus governos.

O filme anterior de Rasoulof, "Goodbye", sobre um jovem advogado de Teerã tentando obter um visto para deixar o país, ganhou o prêmio de melhor diretor na exibição "Um Certo Olhar" - mostra paralela de Cannes, na qual são apresentadas obras de cineastas emergentes e inovadores - em 2011.

A mulher dele recebeu o prêmio, já que Rasoulof estava em liberdade sob fiança no Irã e aguardava a decisão judicial sobre o recurso contra sua sentença de prisão.

O diretor e o elenco de "Dast-Neveshtehaa Nemisoosand", hoje em Cannes - foto: Reuters

A sexta se encerrou com um dos principais eventos de benemerência do mundo, quando, com a Diva Sharon Stone no comando, a amfAR - fundação americana criada por Elizabeth Taylor e que luta contra a Aids - arrecadou 25 milhões de euros em uma cerimônia de gala no Festival de Cannes.

Nicole Kidman, Leonardo DiCaprio, Janet Jackson, Duran Duran, Kylie Minogue e outros 900 convidados compareceram ao evento de caridade, que completou 20 anos na França.

A Diva Sharon Stone chega á festa da amfAR - fotos: Getty Images

Dame Shirley Bassey, que interpretou durante a noite vários clássicos - como o tema de 007, "Goldfinger" - Kristin Scott Thomas, o produtor Harvey Weinstein, Adrien Brody, os franceses Guillaume Canet, Mélanie Laurent, Ludivine Sagnier e Audrey Tautou também estavam presentes.

O evento, reservado a personalidades, grandes empresas e marcas de luxo, tem mesas de 10 lugares ao custo de 120.000 euros, enquanto o convite individual custa 3.000.

Uma viagem ao espaço com Leonardo DiCaprio arrecadou 1,2 milhão de euros - o ator surgiu como o convidado misterioso para acompanhar o vencedor de um voo da Virgin Galactic para o espaço.

O leilão começou em 1 milhão de euros e Sharon Stone disse que o vencedor iria passar três dias em treinamento com DiCaprio no México antes da decolagem.
"Você não consegue ir ao espaço todos os dias com um astro bonito do cinema", disse Sharon.

O catálogo para a noite de gala repleta de celebridades realizada no Hotel du Cap-Eden-Roc, em Antibes, perto de Cannes, revelou que DiCaprio e o vencedor estariam entre as primeiras mil pessoas a deixar o planeta.

O vencedor, Vasily Klyukin, de 37 anos, um russo que mora em Mônaco, disse que sempre quis ir para o espaço.
"Eu quero ser um pouco ousado", disse Klyukin, que trabalha no setor imobiliário, à Reuters.
"Vou ter que deixar de fumar agora, com certeza!".

Leonardo DiCaprio no evento da amfAR - foto: Getty Images

Após o lance vencedor de Klyukin - que também comprou um colar de ouro e diamantes por 400 mil euros - Sharon anunciou que dois outros lugares estavam disponíveis no voo - eles levantaram mais 1,8 milhão de euros.

No total, o leilão arrecadou 25 milhões de euros, mais do que o dobro dos 11 milhões de euros levantados no ano passado.

Desde 1993, esta prestigiosa festa, criada pela Diva das Divas Elizabeth Taylor - já arrecadou 62 milhões de euros - revertidos totalmente para pesquisas de tratamento e cura da Aids.

DROPS DE CANNES

1.
Os curtas brasileiros "Pátio" e "Pouco mais de um mês" marcaram presença em mostras paralelas do Festival de Cannes, concorrendo com outras oito produções.

"Pátio", de Ali Muritiba, retrata o dia a dia de presos que jogam futebol, dançam capoeira e falam sobre liberdade - a filmagem é feita de trás das grades do presídio e a produção compete com outras oito na Semana da Crítica do festival.

O Brasil também está representado na Quinzena dos Realizadores, com "Pouco mais de um mês", de André Novais Oliveira, que explora jogos de luz para contar a história de um casal que se conheceu recentemente, na vida real e na ficção - o cineasta prepara seu primeiro longa, "Ela volta na quinta".

2.
Apesar de não haver nenhum representante da América Latina entre os nove curtas que disputam a Palma de Ouro neste domingo, o Festival de Cannes exibiu criações de vários autores latinos em várias seções.

Além do Brasil, há filmes de Colômbia, Chile e Argentina - em alguns casos, são prévias de projetos cinematográficos mais ambiciosos.

3.
Além dos filmes que passaram pelas seleções oficial e paralela, há em Cannes o Short Film Corner, um fórum de discussões e contatos em estão inscritos centenas de curtas-metragens do mundo inteiro.

4.
Um poodle branco com catarata ganhou a Palma Canina: se críticos presentes ao prestigiado festival francês elogiaram muito Michael Douglas por sua interpretação do pianista Liberace - em "Atrás do Candelabro", de Steven Soderbergh - foi o chamativo cãozinho cego do pianista no longa, "Baby Boy", quem conquistou uma premiação.

A cerimônia de entrega da Palma Canina é realizada paralelamente à mostra oficial de cinema, todos os anos, para homenagear o desempenho mais memorável de cães no festival - o nome é uma referência bem-humorada à Palma de Ouro, principal honraria concedida pelo Festival de Cannes.

O organizador, Toby Rose, disse que as plateias ficaram extasiadas com a atuação de "Baby Boy", que, ao ficar doente, numa cena do filme, acaba reaproximando Liberace de seu novo amante.

5.
O homem que enganou celebridades, fotógrafos e organizadores do Festival de Cannes ao se passar pelo cantor coreano Psy é um francês de 34 anos, chamado Denis Carré, e que vive em uma área rural do país.

As informações são do jornal francês "The Local", que publicou que Denis começou a se passar pela estrela pop sul-coreana em 2012, após ter sido cercado por fãs do cantor em um clube noturno de Dublin.

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Com Thiago Stivaletti (UOL), AFP, Reuters e site do festival