Explicar o que é a cultura LGBT pode ser uma tarefa difícil, porque a trajetória deste grupo é complexa e está repleta de nuances emocionais e sociais. Contudo, caso você queira abraçar a causa, ou apenas entender melhor os ideais que defendemos, algumas produções artísticas podem ajudar
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Um exemplo disso é RuPaul’s Drag Race.
A competição é um marco para a televisão, e ao mesmo tempo, conseguiu reforçar o quanto as pessoas gays são esforçadas, fortes e determinadas a superarem os obstáculos de uma sociedade que as rejeita constantemente.
Pose, de Ryan Murphy, também confirma a força da comunidade LGBT em manter um espírito positivo em meio à tantas injustiças.
Por isso, separamos as melhores séries para você comemorar o mês do orgulho LGBT+ e mergulhar nesse universo.
Confira:
1. POSE
A série da Netflix, assinada por Ryan Murphy (Hollywood, American Horror Story, The Politician), retrata o cenário LGBT na cidade de Nova York durante os anos 80.
Em sua primeira temporada, a série acompanha Bianca, uma transexual que abre a casa Evangelista para abrigar jovens homossexuais que foram expulsos de casa.
Além de oferecer moradia, ela também organiza competições de talentos para empoderar as minorias.
2. LOOKING
Em Looking, da HBO, acompanhamos três amigos vivendo diversas experiências românticas em São Francisco.
Cada um deles possui personalidades distintas, e buscam objetivos discrepantes: Patrick está tentando voltar a namorar depois de descobrir que seu ex está noivo, Agustín está prestes a assumir um relacionamento sério, e Don está enfrentando uma crise de meia-idade.
Todas essas histórias nos introduzem ao universo homossexual, e retratam os dramas vividos por essa comunidade.
Por mais que os problemas passados por nós sejam universais, eles acabam ganhando novas camadas no universo LGBT.
3. ENGAJADOS
A plataforma Looke irá disponibilizar a série francesa Engajados no dia 11 de junho.
Na trama, o jovem Hicham foge de sua casa em busca de Thibaut, um garoto ativista por quem se apaixonou.
Descrita como festiva e política, a produção promete abordar discussões importantes entre as minorias.
4. COM AMOR, VICTOR
Love Victor é um drama adolescente que irá estrear no dia 19 de junho, na plataforma de streaming Hulu.
A trama gira em torno da autodescoberta, e acompanha Victor, um jovem que enfrenta desafios em casa e lida com a sua sexualidade.
A série pode inspirar muitos garotos ao redor do mundo que estejam passando por problemas semelhantes, e queiram saber como aceitar a si mesmos.
Além disso, a produção é leve, e retrata a temática gay por óticas despojadas.
Um filme que conseguiu fazer isso recentemente é Com Amor, Simon.
5. PLEASE LIKE ME
Please Like Me, da Netflix, é um drama ácido, honesto e sensível.
Além de abordar o preconceito contra os homossexuais, a produção também toca em pontos universais, como a depressão, suicídio, câncer, HIV e outros tópicos que afetam a vida de milhões ao redor do mundo.
A trama começa com Josh descobrindo que é gay.
Ao mesmo tempo, sua mãe tenta se suicidar, e o pai acaba deixando um affair vir à tona.
Da mesma forma que a vida, a história de Please Like Me é imprevisível, e não abandona tons melancólicos e hilários.
6. RUPAUL’S DRAG RACE
Em RuPaul’s Drag Race, que aqui no Brasil pode ser encontrada no catálogo da Netflix, nós acompanhamos uma série de drag queens disputando para vencer uma competição de talentos.
Para ganhar, é necessário exceder em categorias como carisma, originalidade, coragem e talento.
Contudo, além da disputa, o foco da produção está em abordar as dificuldades da comunidade LGBT.
A cada episódio, ouvimos histórias sobre jovens que foram expulsos de casa, ou rejeitados pelos pais.
Além disso, os participantes refletem sobre a situação política de seus países, e sobre os desafios internos que precisaram superar para seguir suas carreiras como artistas de sucesso.
Toda esta profundidade transformou RuPaul's Drag Race em uma das produções mais importantes do mundo.
Além de entreter, ela também representa uma grande parcela de garotos homossexuais pelo mundo.
Acoplada à reflexão, também está a diversão do reality show:
Ao mesmo tempo em que choramos e ficamos pensativos, também rimos e nos encantamos com as roupas, danças, piadas e esforços apresentados pelas drag queens.
No Mês de Orgulho LGBT+, canal infantil revelou o que todos já sabíamos
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Em um tweet para celebrar o Mês do Orgulho LGBT+, o canal Nickelodeon assumiu oficialmente que seu mais famoso personagem, o ‘Bob Esponja‘ é um personagem LGBT.
Além da imagem de Bob, a postagem também traz as imagens de Michael D. Cohen de ‘Henry Danger‘, que é trans, e a Korra, de ‘Avatar: A Lenda de Korra‘, que é bissexual.
Confira a publicação:
"Celebrando o Orgulho com a Comunidade LGBTQ+ e seus aliados nesse e em todos os meses" - é a tradução do texto que acompanha as imagens,
Vale lembrar que o longa ‘Bob Esponja – O Incrível Resgate‘ será lançado nos cinemas nacionais no dia 01 de Outubro.
Estamos no Mês do Orgulho e é indiscutível a importância de se abrir cada vez mais espaço à comunidade LGBTQ+ e ampliar o diálogo sobre a luta por seus direitos na sociedade
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No meio cinematográfico, os filmes com essa temática vêm ganhando mais visibilidade e quebrando alguns estereótipos.
Confira seis longas LGBTQ+ que você precisa assistir:
6 - Me Chame Pelo Seu Nome
A história acompanha Elio, um garoto que vê sua vida mudar quando Oliver, um jovem acadêmico, se hospeda na casa de sua família. O longa se tornou um clássico no cinema LGBTQ+ e chegou a ser indicado à categoria de Melhor Filme no Oscar de 2018.
5 - Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
O filme nacional acompanha Leonardo, um adolescente cego que busca sua independência. Quando conhece Gabriel, percebe que o amor é um dos caminhos para ser livre. A produção foi duplamente premiada no Festival de Berlim em 2014.
4 - Rafiki
Na trama, Kena e Ziki se apaixonam perdidamente, mas as jovens vivem em um país que ainda criminaliza a homossexualidade. O longa queniano dirigido pela diretora Wanuri Kahiu chegou a ser censurado no país devido à temática abordada.
3 - Uma Mulher Fantástica
Marina é uma mulher trans que sonha em ser uma cantora bem-sucedida, mas uma perda muda para a sempre a vida dela. O filme é estrelado pela atriz transexual Daniela Vega e venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018.
2 - Moonlight - Sob A Luz Do Luar
O grande vencedor do Oscar de 2017 conta em três capítulos a história de Chiron, jovem que trilha uma jornada de autoconhecimento e descobrimento de sua sexualidade.
1 - Carol
Estrelado por Cate Blanchett e Rooney Mara, o filme segue a história de Therese, uma jovem que leva uma vida entediante até conhecer Carol, uma elegante e bem-sucedida mulher que a apresenta uma nova realidade com o amor.
Dessa vez, migraremos do cenário cinematográfico para o musical – afinal, ao longo dos anos, diversos artistas se posicionaram a favor da comunidade LGBTQ+ através de canções que ganharam a indústria mainstream e de letras ácidas de respeito e contra o preconceito que enfrentamos todos os dias
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Por isso, o maior trabalho foi reduzir a quantidade incrível de iterações que poderiam integrar essa matéria e, assim, nosso Top de Músicas Queeer Indispensáveis relaciona os 20 maiores hinos LGBTQ+ da história (sejam explícitos ou reapropriados), viajando no tempo e trazendo nomes desde Culture Club a Lady Gaga, com menção honrosa à também poderosa Taylor Swift.
CONFIRA O TOP 20:
20. DANCING QUEEN, ABBA
Assim como diversas outras produções musicais, “Dancing Queen”, da banda sueca ABBA, não falava originalmente sobre a comunidade queer.
Entretanto, a canção foi reapropriada como uma das representantes famosas da cultura LGBTQ+, funcionando como uma celebração de todas as rainhas e reis que viveram às escondidas por muito tempo e agora têm a oportunidade de se expressarem.
19. KARMA CHAMELEON, Culture Club
O ícone original gender-fluid do pop Boy George nunca deixou de se afastar da normatividade binária – e, desde os anos 1980, quando ainda integrava o famoso grupo Culture Club, provocou a mente conservadora e reacionária de quem o ouvia.
Com “Karma Chameleon”, George usa seus vocais soulful para falar sobre a fluidez da orientação sexual – dizendo, eventualmente, que a ideia de gênero é uma mera construção social.
18. TAINTED LOVE, Soft Cell
Quando Ed Cobb escreveu “Tainted Love” em 1964, não poderia ter imaginado que ressoaria com tanta força duas décadas mais tarde.
Em 1980, a sensual e futurística canção viria a representar o medo da comunidade LGBTQ+ no começo da crise da AIDS.
Sua versão mais conhecida (e a melhor delas, diga-se de passagem), ganhou os palcos em 1981 através da voz de Marc Almond, tornando-se um sucesso sem precedentes.
17. IT’S RAINING MEN, The Weather Girls
Não há uma pessoa no mundo que nunca tenha ouvido alguma versão de “It’s Raining Men”, a canção mais conhecida do grupo The Weather Girls.
Co-escrito por Paul Shaffer e Paul Jabara, a rendição foi descartada por ninguém menos que Donna Summer por seu conteúdo “blasfemo”.
No final das contas, coube a Martha Wash encabeçar uma performance espetacular e quase dêitica de um dos maiores hinos dos anos 1980 – e até mesmo do século XX.
16. THE JEAN GENIE, David Bowie
A espetacular carreira de David Bowie é constantemente homenageada por artistas da nova geração – afinal, ele veio a inspirar a lendária Lady Gaga em toda sua estética performativa e musical.
E “The Jean Genie” segue como uma de suas iterações mais incríveis e tocantes, sutil e metaforicamente deixando o country-rock flertar com sua persona andrógena e sua bissexualidade.
15. ALL THE LOVERS, Kylie Minogue
A artista australiana Kylie Minogue percebeu que havia se tornado um ícone LGBTQ+ no final dos anos 1980, alguns anos depois de começar a fazer sucesso mundial.
Hoje, Minogue é dona de músicas indispensáveis para se ouvir no Mês do Orgulho – e uma delas prova seu status como Rainha do Dance: “All The Lovers”, uma synth-ballad de tirar o fôlego com um clipe espetacular que fala sobre o amor verdadeiro.
E, se você está procurando por um hino de superação, temos também a icônica “Get Outta My Way”.
14. I WANT TO BREAK FREE, Queen
Freddie Mercury é um dos melhores cantores e compositores de todos os tempos e, ao lado do Queen, entregou rendições memoráveis e imortalizadas dos mais diversos jeitos.
O electro-rock de “I Want To Break Free”, lançado sete anos antes de sua morte, insurge do modo mais inesperado como uma declaração de libertação e de amor (“eu me apaixonei pela primeira vez” e “eu quero ser livre”) que dialoga inclusive com sua bissexualidade.
13. YMCA, Village People
O irreverente grupo Village People sempre brincou com os estereótipos masculinizados da sociedade norte-americana dos anos 1970.
Criado por Jacques Morali, o sexteto tem como uma de suas músicas principais o dançante “YMCA” – que faz uma alusão à sexualidade escondida de seus membros e de um lugar em que a orientação sexual não seria motivo de vergonha.
O estrondo musical teve como resultado nada menos que 10 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo – e um legado que é visto em cada festa de casamento ou reunião festiva.
12. MAKE ME FEEL, Janelle Monáe
Janelle Monáe entregou um dos melhores álbuns da década passada com ‘Dirty Computer’ – e o hino “Make Me Feel” é apenas uma das muitas narrativas críticas das quais se dispõe.
Modernizando o R&B com habilidade impecável, a música é uma declaração de sua pansexualidade com clareza dançante e envolvente, nos convidando para a pista de dança em uma memorável performance.
11. BORN NAKED, RuPaul
RuPaul Charles é a drag queen mais famosa do mundo e está no cenário artístico queer desde a primeira vez que subiu num par de saltos altos.
Ao longo de sua extensa carreira – que inclui inúmeros protestos a favor da comunidade LGBTQ+ e negra -, ela nos entregou algumas músicas de amadurecimento e de superação frente às adversidades, incluindo o rock-pop “Born Naked” ao lado de Clairy Browne.
A canção é regida pela premissa de “todos nós nascemos nus e o resto é drag” como forma de mostrar que somos todos iguais independente da orientação sexual e de nossas preferências artísticas.
10. YOU MAKE ME FEEL (MIGHTY REAL), Sylvester
Sylvester talvez seja conhecido por ter um falsetto extremamente pristino e expressivo – chegando até mesmo ao patamar de Prince.
O cantor, abertamente gay e um dos ícones do gender-fluid e da não-binariedade, ganhou fama pela rendição disco de “You Make Me Feel (Mighty Real)”, que ganha os ouvidos de várias gerações até hoje.
Sua ode à felicidade em uma época em que a homossexualidade e a transsexualidade eram encaradas como doenças apenas transforma a canção em uma importante declaração de amor à vida.
9. CLOSER, Tegan and Sara
A dupla de irmãs canadenses Tegan and Sara mostraram o mais puro retrato da amizade queer ao descrever com uma elegíaca letra que o amor entre duas pessoas não existe apenas no âmbito sexual, mas também no sentido mais sentimental.
“Closer”, um dos principais singles do aclamado EP ‘Heartthrob’ é uma produção que não poderia ficar de fora da nossa lista no Mês do Orgulho.
8. BELIEVE, Cher
Sendo a patrona da música pop e uma das deusas da indústria fonográfica, Cher é um dos ícones mais poderosos da comunidade LGBTQ+ e nunca deixou de se posicionar a nosso favor.
Com “Believe” sendo reestruturada para os dias atuais, a canção é um hino de esperança para aqueles que não acreditam no poder do amor – ou nem mesmo que são destinados a encontrar em alguém.
Lançada em 1998, a faixa promocional de seu álbum homônimo é uma das mais importantes de sua carreira e uma das músicas mais lembradas quando pensamos em Comunidade Queer.
7. LET’S HAVE A KIKI, Scissor Sisters
Apesar da batida bastante familiar (e um tanto quanto cansativa), “Let’s Have a Kiki” é uma das músicas com maior quantidade de gírias LGBTQ+ de todos os tempos.
Encabeçada pelo excêntrico e adorável grupo The Scissor Sisters (cujo próprio nome faz alusão à comunidade queer), a música é acompanhada de um vídeo instrucional atemporal e divertido que cai no gosto popular desde seu lançamento até os dias de hoje.
6. I WILL SURVIVE, Gloria Gaynor
Gloria Gaynor, a Rainha do disco-music, é a voz por trás de obras-primas da esfera fonográfica – incluindo “I Will Survive”.
Apesar da motivação real ter vindo de tragédias pessoais, Gaynor reconheceu a importância de seu hino de superação para a comunidade queer, visto que sua letra enaltecedora começou a ser declamada e repetitiva como uma infusão de forças para seguir em frente e enfrentar as mais duras adversidades.
Atualmente, a música virou o hino da sobrevivência pós pandemia de coronavírus.
5. VOGUE, Madonna
Madonna colocou sua carreira em xeque ao postar-se a favor dos LGBTQ+ em uma época de puro descaso e estigmatização.
Em 1990, colocou a cultura transsexual dos ballrooms no cenário mainstream com “Vogue”, chegando ao topo das paradas do mundo inteiro.
Acompanhado de um vídeo preto-e-branco art-déco e fazendo menções a ícones do cinema de várias épocas, a música é uma rendição escapista e de altivez acompanhada de um liricismo irretocável, digno das melhores construções da Rainha do pop clássico.
4. DANCING ON MY OWN, Robyn
Considerada até hoje uma das melhores músicas de todos os tempos, a comovente e emocionante balada electro-disco regada a sintetizadores da cantora e compositora sueca Robyn foi reclamada pela comunidade queer com força descomunal.
Na verdade, se pegarmos a impecável elegia romântica que ela escreve, temos uma protagonista que representa as pessoas marginalizadas e isoladas que dançam por conta própria em vez de se esconderem em casa.
3. TRUE TRANS SOUL REBEL, Against Me!
Em seu livro de memórias ‘Tranny: Confessions of Punk Rock’s Most Infamous Anarchist Sellout’, publicado em 2016, a líder da banda Against Me!, Laura Jane Grace, se recorda do momento em que começou a fazer a transição de gênero – desaparecendo em quartos de motéis para praticar o uso de vestidos e esperando que ninguém a visse.
Foram esses dias que inspiraram a aclamada música “True Trans Soul Rebel”, uma rendição punk-western cuja letra fala sobre mulheres transsexuais lutando para viver.
2. I’M COMING OUT, Diana Ross
A lendária Diana Ross é conhecida por sua discografia impecável e alguns dos melhores hits de todos os tempos.
Também posicionando-se sempre a favor da comunidade LGBTQ+, o anthem regado pelo dance-music “I’m Coming Out” foi reavido como um majestoso solilóquio de empoderamento, cuja conhecida letra é basicamente uma ode a aceitar quem realmente somos e não nos escondermos (não é à toa que o título serve de mote para quando nos revelamos queer).
1. BORN THIS WAY, Lady Gaga
Don’t be a drag, just be a queen.
Demorou até 2011 para que a indústria fonográfica finalmente começasse a falar com todas as letras as múltiplas orientações sexuais que se afastavam da binariedade.
E a declaração de amor-próprio viria com ninguém menos com Lady Gaga, um dos maiores nomes do século XXI e uma das maiores ativistas LGBTQ+ da história.
Desde sua ascensão à fama em 2008, Gaga mostrou ser extremamente grata para a comunidade queer, nunca deixando de incluí-los em monólogos e discursos de respeito.
Mas foi com “Born This Way” que a artista viria a provar sua gratidão: a incursão dance-pop, contemporânea e clássica ao mesmo tempo, não se valeria de metáforas e alusões, mas sim de versos claros o suficiente para deixar exposto que todos somos iguais e merecemos respeito e oportunidades.
“Não importa gay, hétero, bi, lésbica, transgênero, estou no caminho certo, eu nasci para sobreviver”.
De fato, não há frase que mais represente essa constante e cada vez mais forte e endossada luta para existirmos em um sociedade tão hipócrita e preconceituosa.
MENÇÃO HONROSA: You Need To Calm Down, Taylor Swift
Um dos ícones atuais da música pop, Taylor Swift desenvolve um trabalho significativo junto aos seus jovens fãs.
"You Need To Calm Down", chegou com uma letrapoderosa, que fala de homofobia, feminismo, redes sociais tóxicas, rivalidade feminina, preconceitos e liberdade.
Além da lista, a plataforma divulgou uma pesquisa com os personagens queer das séries que ajudam a gerar mais empatia no público
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Junho é comemorado o Mês do Orgulho LGBTQ+ e a Netflix criou o canal especial Netflix.com/Orgulho para reunir uma lista de filmes, séries e documentários que celebram e ajudam a conhecer melhor a história da comunidade queer.
Além da programação especial para entender melhor o movimento, o streaming e a GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation) divulgaram uma pesquisa em parceria constatando que as séries favoritas do público também ajudam a criar empatia entre os espectadores que não se identificam como LGBTQ+.
Séries como Elite, Sex Education e Orange is the New Black - que contam com personagens LGBTQ+ - foram citadas por pelo menos 80% dos entrevistados como as responsáveis por ajudar a melhorarem o relacionamento com a própria vida.
De acordo com a diretora de mídia latinx e representação em língua espanhola do GLAAD, Monica Trasandes, a representação nas telas importa mais do que nunca.
"A Netflix e os criadores de todo o mundo têm a oportunidade de aumentar a aceitação da comunidade LGBTQ+ por meio do entretenimento. Séries como Sex Education e Elite não são apenas grandes histórias, elas permitem que mais pessoas vejam suas vidas na tela – aumentando a empatia e a compreensão", explica.
PERSONAGENS QUEER NAS SÉRIES DA NETFLIX AJUDAM A CRIAR EMPATIA
Mesmo que a representação das telas da comunidade LGBTQ+ hoje seja maior do que há dois anos, ainda existem muitas áreas e relacionamentos do mundo queer que precisam ser aprimorados, como as narrativas com pais e famílias LGBTQ+, maior diversidade racial e situações que abordem a imagem corporal.
O fato de, atualmente, existirem mais personagens LGBTQ+ nas produções além da categoria de drama, cada um com suas particularidades e histórias diferentes, também ajudou a comunidade se sentir mais representada e a criar empatia entre os não membros.
Não por acaso, entre os personagens citados estão alguns muito amados e populares na cultura pop e teen em geral: Casey Gardner (Atypical), Eric Effiong (Sex Education), Lito Rodriguez (Sense8), Omar Shanaa (Elite), Piper Chapman (Orange is the New Black), Robin Buckley (Stranger Things), RuPaul (RuPaul’s Drag Race), Theo Putnam (O Mundo Sombrio de Sabrina).
No Mês de Orgulho LGBTQ+, confira nosso breve resumo da evolução da luta queer no Cinema e nas Séries
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28 de junho de 1969. Stonewall Inn, Nova York.
Já fazia sete anos desde que a homossexualidade havia sido “descriminalizada”.
Afinal, ainda que o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não terminasse em prisões ou pena de morte, a comunidade LGBTQ+ ainda sofria diversos abusos e preconceitos por parte de uma “majoritária” parcela heterossexual, que os observava e tratava com descaso e nojo.
Não foi até a uma e vinte da manhã do dia em questão que o movimento queer tornou-se o que conhecemos hoje e mudou inclusive as relações entre esse grupo e como a mídia os representava.
Afinal, a brutalidade policial no único e precário bar abertamente gay localizado numa escura viela do Greenwich Village foi a fatídica gota d’água para aqueles que desejam apenas viver – e, desde então, a luta por representatividade ganhou proporções gigantescas.
Entretanto, é só agora que o cenário está começando a mudar – e a passos bastante curtos.
Mesmo com a suposta aceitação por parte de Hollywood e dos outros grande monopólios do entretenimento, é inegável dizer que os LGBTQ+ foram sempre tratados como motivo de chacota, escapes cômicos ou se restringiam a personagens rasos ou estereotipados, transformando-se em personas reais só há poucos anos.
Quando ‘Moonlight: Sob a Luz do Luar’, drama baseado em fatos reais e que reuniu todas as minorias em uma mesma narrativa, levou para casa a estatueta de Melhor Filme na cerimônia do Oscar 2017, renovou nossas esperanças.
Porém, foram quase cinquenta anos desde a insurgência do movimento contemporâneo até que isso se tornasse verdade – e, apesar do aumento esporádico da diversidade, a batalha é mais árdua do que parece.
1895-1989: O SÉCULO PERDIDO
O cinema surgiu no final do século XIX na França - com os Irmãos Lumière - e nos Estados Unidos - com Thomas Edison.
Desde aquela época, representava-se personagens LGBTs – mas não pensem que era da melhor forma possível.
Em ‘The Gay Brothers’ (1895), Edison criava uma curtíssima narrativa de dezoito segundos que simplesmente dançam ao som pós-introduzido de um violino e que servem mais como escape cômico do que qualquer outra coisa.
Cena de ‘The Gay Brothers’ (1895): Fotos dessa Postagem - Divulgação
Em 1923, Ralph Ceder dirigiria outra produção trazendo Stan Laurel - o Magro da icônica dupla com o Gordo - como um gay afeminado cujo arco era marcado pela mais “pura” comédia.
Sua construção era superficial por demais e restringia a presença queer apenas para tramas desse tipo.
Tudo mudaria - para pior - nas décadas seguintes.
Em 1967, o canal CBC abria seu primeiro segmento televisivo LGBT; mas para aqueles que pensam que o programa era apresentado por membros da comunidade, as pautas funcionavam como compilados de estereótipos negativos do homem gay.
Ou seja, além da manutenção de preceitos infundados e vistos como anormalidades, a mídia apagava por completo as lésbicas, os bissexuais e os transgêneros.
Ainda bem que tudo estaria condenado a mentiras e a preconceitos.
A ABC, em clara resposta ao canal CBC, criaria um dos primeiros shows de comédia com um personagem homossexual complexo encarnando o protagonista.
‘That Certain Summer’ (1972) trazia Hal Holbrook e Martin Sheen como um casal que procurava o melhor jeito de criar sua família e o resultado foi a transmissão da série pioneira que simpatizava com os LGBTs.
Lembrando que Sheen interpreta atualmente outro gay, Robert Hanson, na série da Netflix 'Grace and Frankie'.
‘That Certain Summer’ (1972)
O mesmo aconteceria com ‘The Jeffersons’ e ‘SOAP’ (1977), duas sitcoms que abriam espaço para o protagonismo gay.
Porém, as emissoras americanas seguiam ignorando as mulheres lésbicas.
‘The Rejected’ (1961) e ‘The Homosexuals’ (1967), os primeiros documentários gays, descaradamente as excluíam, enquanto na mídia ficcional, eram retratadas como serial killers ou então as vítimas.
Em 1974, a NBC estreou o episódio ‘Flowers of Evil’ da série estrelada por Angie Dickinson ‘Police Woman’, em que os estereótipos lésbicos ganhavam uma dimensão assustadora ao trazer um trio de mulheres homossexuais (descritas, é época, como a Sapatão, a Vadia e a Femme Fatale) que roubavam e assassinavam os residentes de um asilo.
A iteração, recheada de argumentos preconceituosos, foi recebida negativamente pela Associação Liberal Feminista Lésbica, que arquitetou um protesto na frente da sede da emissora.
A partir da década de 1980, com a emergência da AIDS e sua errônea associação à comunidade queer, grande parte dos espectadores promoveram boicote aos filmes e às séries que trouxessem temática LGBT.
A entidade responsável por esse embargo era a AFA (Associação da Família Americana), que argumentava que o “estilo de vida homossexual” era decadente.
Dessa forma, a já mínima porcentagem representativa cairia drasticamente, mantendo-se dessa forma até o início do século XXI.
OS ANOS 1990: PERPETUANDO OS ESTEREÓTIPOS
Se a década de 1980 ficou conhecida por seu expressivo número de filmes de terror slasher, os próximos dez anos ganhariam fama pela quantidade inefável de comédias românticas ou rom-coms – e procurando abrir espaço para uma questionável diversidade midiática, trouxe personagens LGBTQ+ dentro das devidas restrições e estereótipos.
‘As Patricinhas de Beverly Hills’ e ‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’ são, sem dúvida, clássicos dessa época que até hoje inspiram algumas obras cinematográficas.
E enquanto Alicia Silverstone e Julia Roberts se tornavam as queridinhas do público, os gays deveriam se contentar com papéis supérfluos e que falavam explicitamente sobre suas “condições”.
Porém, suas breves subtramas não poderiam trazer nada muito escandaloso – ou seja, pra eles, beijos e sexo.
‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’
Nessas obras, gays funcionavam, na verdade, como máquinas de frases prontas, dicas de moda e referências artísticas para enaltecer a protagonista ou deixá-la mais humana.
O exagero e a tragédia também eram muito comuns – ainda que não fossem encontrados apenas nas rom-coms.
Tom Hanks levou um Oscar por ‘Filadélfia’ ao interpretar um jovem homossexual lutando contra os efeitos da AIDS e, apesar de trazer um protagonismo relevante, ainda permaneceu numa infeliz zona de conforto.
Tom Hanks em 'Filadélfia'
Robin Williams, por sua vez, deu vida ao estereótipo ambulante Armand Goldman na versão americana de ‘A Gaiola das Loucas’ – cujo próprio título já nos dá uma ideia do que o filme se trata.
Com a expressiva presença da comunidade trans no âmbito mainstream - com a notável ajuda de Madonna e sua apropriação do vogue, movimento criado pelas mulheres transexuais do Harlem e do Brooklyn vinte anos antes - tais figuras também apareceram em alguns longas-metragens, mas não do jeito que desejavam.
Reveja o clipe de 'Vogue':
Mulheres que eram usadas como artifícios para reafirmar a masculinidade do macho-alfa dos filmes, as quase inexistentes personagens trans eram o terror dos homens héteros.
Obras como ‘Traídos pelo Desejo’ ainda buscavam fugir das fórmulas, mas “comédias” de mal gosto como ‘Ace Ventura: Um Detetive Diferente’ caíam em gosto popular por trazerem cenas nas quais uma sala cheia de homens vomitavam ao descobrir que a antagonista era “um homem”.
Mulheres transexuais eram frequentemente objetos de escárnio e repulsa, tratadas como criaturas aberrativas nada confiáveis.
Até bem-intencionados como ‘To Wong Foo, Thanks for Everything! Julie Newmar’ zombavam dessas complicadas discussões sobre gênero.
Cena de To Wong Foo, Thanks for Everything! Julie Newmar
Era quase impossível encontrar produções em que LGBTQs se comportassem como qualquer outra pessoa, sendo tratados como alienígenas.
Nessa época havia, além dos convencionalismos mencionados, a lésbica rebelde e louca (‘Mulher Solteira Procura’, ‘Instinto Selvagem’), o gay psicótico (‘O Silêncio dos Inocentes’), e a lésbica que estava apenas esperando por Ben Affleck (‘Procura-se Amy’) para apagar sua bissexualidade.
Caso não usassem dessas “regras”, as obras audiovisuais sofriam boicote generalizado, como aconteceu com a famosa apresentadora de talk show Ellen DeGeneres em 1997, quando se assumiu lésbica em sua sitcom homônima.
Apesar do episódio em questão ter levado para casa um Emmy Award, e ter sido capa da Time - abaixo - o show foi cancelado uma temporada depois pelos baixos índices de audiência.
Ela tentou retornar aos holofotes com ‘The Ellen Show’ em 2001, mas a CBS cancelou o programa após seu ano de estreia (pelos mesmos motivos). Felizmente, Ellen deu a volta por cima e hoje apresenta um dos talk-shows de maior audiência da TV americana.
Entretanto, algumas obras mostravam outros lados do cotidiano LGBTQ+ e davam espaço para a comunidade queer.
O icônico documentário ‘Paris Is Burning’ abriu a década ao trazer sequências gravadas nos anos anteriores e colocar em cena drag queens das classes mais baixas de Nova York.
Paris Is Burning
O reality ‘The Real World’ transmitiu a primeira cerimônia matrimonial homossexual da televisão, além de trazer discussões sobre HIV e AIDS.
‘Roseanne’ quebrou recordes ao reunir mais de 30 milhões de telespectadores para presenciar o beijo lésbico entre Roseanne Barr e Mariel Hemingway.
E até mesmo ‘Friends’ trouxe um casamento entre duas mulheres com a presença de Carol (Jane Sibbett) e Susan (Jessica Hecht), ainda que não selassem seus votos com o tradicional beijo.
Will & Grace
‘Will & Grace’, sitcom da NBC indicada a mais de 80 prêmios, livrava-se de grande parte dos estereótipos quando trouxe dois homens gays como protagonistas – um deles trabalhando como advogado – e, nas palavras do vice-presidente da emissora Joseph R. Biden Jr., “fez mais para educar o público do que praticamente todo mundo havia feito até então”.
2000-2019: A VISIBILIDADE AUMENTA
Com a chegada dos anos 2000, a presença queer já era bastante considerável na televisão e no cinema.
O canal Showtime tornou-se pioneiro ao inaugurar o primeiro drama de uma hora de duração com ‘Queer as Folk’, uma série com elenco majoritariamente homossexual (tanto com gays quanto com lésbicas).
Queer as Folk
Anos depois, a emissora voltaria a fazer história com ‘The L Word’, cuja narrativa girava em torno de um grupo de amigas lésbicas e bissexuais – dando-lhes o espaço renegado nas décadas anteriores.
É claro que alguns programas ainda cediam a certos estereótipos.
‘Desperate Housewives’, da ABC, introduziu um personagem gay em suas primeiras temporadas com Andrew, filho de Bree.
Aqui, o criador Marc Cherry fez grande questão em explorar temas familiares e que, eventualmente, culminavam em um final feliz no qual a conservadora mãe o aceitava de braços abertos.
Entretanto, por outro lado, a série perpetuou estereótipos com o extremista casal formado por Bob e Lee, e a “ex-lésbica” Katherine Mayfair.
Entretanto, é inegável dizer que a comunidade começou a ganhar um delicioso protagonismo que não se exilava apenas em histórias água com açúcar, e sim que viajam entre diversas décadas como forma de reparação histórica.
Apenas nos primeiros anos do novo milênio, longas como ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, ‘De Irmão Pra Irmão’, ‘Hedwig – Rock, Amor e Traição’ e ‘Milk: A Voz da Igualdade’ mostravam vários outros gêneros que não a comédia romântica que tinham capacidade e habilidade para exaltar a diversidade de personalidades LGBTQ+.
O Segredo de Brokeback Mountain
Com o passar dos anos, o movimento queer aumentaria exponencialmente – e sua presença na industria audiovisual americana seguiria o mesmo padrão.
Cate Blanchett e Rooney Mara viveriam um romance lésbico na década de 1950 com ‘Carol’.
Carol
Colin Firth lidaria com sua sexualidade no drama ‘Direito de Amar’.
‘Com Amor Simon’ ganharia uma crível rom-com liderada por Nick Robinson.
E até mesmo séries animadas se renderiam a essa tão necessária representatividade (como ‘Superdrags’ e ‘Steven Universo’).
Superdrags
Segundo a pesquisa da organização GLAAD, 2018 seria o ano em que a televisão disponibilizaria a maior porcentagem de obras lideradas por personagens LGBTQ+.
O número de bissexuais protagonistas aumentaria de 18% em 2017 para 33% e a gigante do streaming Netflix seria a principal plataforma com esse tipo de produções, incluindo shows de humor ácido como ‘BoJack Horseman’, a série não-ficcional ‘Queer Eye’ e a compra dos direitos do reality ‘RuPaul’s Drag Race’ para exibição internacional.
Queer Eye
No cinema, as coisas, porém, não andaram como gostaríamos.
Pesquisas indicaram que, no ano passado, apenas 12,8% dos 109 maiores filmes incluiriam um personagem queer, contra 18,4% de 2017.
E, mesmo assim, os papéis seriam insuficientes, ou seja, com breves menções – como a governante Georgina, de ‘Corra!’ e os dois supostos personagens gays de ‘Alien: Covenant’.
É necessário dizer que a LGBTfobia ainda permanece, mesmo de forma velada.
Os estereótipos de gênero se mantêm como, por exemplo, a fetichização de personagens lésbicas com as últimas temporadas de ‘Friends’, o aclamado ‘Azul É a Cor Mais Quente’ e a superestimação do corpo “perfeito” de diversas produções – como os coadjuvantes queer de ‘American Gods’.
A heteronormatividade também configurou-se como uma problemática social que continua a desmerecer principalmente gays afeminados, colocando-os em papéis secundários ou em pouquíssimas posições de destaque.
Uma das exceções, por exemplo, é o Eric, brilhantemente interpretado por Ncuti Gatwa na série da Netflix ‘Sex Education’ e o melhor casal das atuais séries, Ander e Omar (Arón Piper e Omar Ayuso) da série espanhola "Elite', também da Netflix.
Elite
Mesmo com o aumento em questão, as esferas cinematográfica e televisiva insistem em cometer erros bastante condenáveis – e um deles é visto desde os primórdios da expansão do entretenimento: a falta de diversidade racial.
A QUESTÃO RACIAL
Os anos 1990 trouxeram um crescimento interessante, ainda que paradoxal, para personagens queer em produções mainstream.
Apesar da representação de personagens pretos ter aumentado também, a maior parte dos protagonistas e até mesmo coadjuvantes sempre se restringiu a homens gays brancos.
As primeiras pesquisas do GLAAD (mencionado acima) acerca da responsabilidade histórica dos estúdios, indicaram que, dos 101 grandes filmes lançados em 2012, apenas 14 traziam personagens LGBTs.
Dentro deles, 31 se identificavam com algum gênero/orientação sexual que diferia dos heterossexuais e, entre eles, apenas quatro eram afrodescendentes.
Em 2016, nove dos personagens queer eram negros.
Além disso, tais personas se mantinham presas a outros estereótipos: os gays negros eram normalmente representados como afeminados bastante agressivos – como Keith Charles na série ‘Six Feet Under’.
Lafayette Reynolds, que apareceu em ‘True Blood’, tangenciava esses convencionalismos.
Já as lésbicas negras eram associadas ao erotismo, ao exótico (as femmes) e as masculinizadas (as butches).
No thriller ‘Até As Últimas Consequências’, a personagem Ursula (Samantha MacLachlan) é vista apenas como objeto sexual, enquanto Cleo (Queen Latifah) é enxergada como o “homem da relação” e extremamente violenta.
Em outra perspectiva, as mulheres transexuais são mostradas geralmente como pessoas passivas no meio de outras mulheres, incluindo lésbicas.
No geral, são retratadas de modo artificial, desproporcional e alvos dos mais variados tipos de preconceito que renegam sua existência.
A série ‘Orange Is the New Black’ utiliza esses temas para explorar os estereótipos como forma de conscientização – afinal, Sophia Burset (a transexual Laverne Cox) é uma detenta da penitenciária de Litchfield assediada o tempo todo por suas “colegas”.
Laverne Cox
Como resultado, as representações em questão também auxiliam para perpetuar ideias infundadas de que os negros ou são pobres, ou agressivos, ou usuários de drogas.
Só nos últimos anos da década de 2010 que o cenário realmente começou a mudar.
Ryan Murphy fez história ao criar ‘Pose’, a obra audiovisual com maior elenco transgênero e negro da história e que tornou-se uma das séries mais aclamadas de todos os tempos ao retratar a vida da comunidade LGBTQ+ nas décadas de 1980 e 1990. Foi desse movimento, retratado na série, que Madonna criou 'Vogue'.
O show, inclusive, foi responsável pelo aumento exponencial da porcentagem de pessoas pretas em grandes produções: 50% contra 49% brancos.
Pose
O auge da luta contra a disparidade racial viria, como já falamos, com ‘Moonlight: Sob a Luz do Luar’.
A trama, ambientada em Liberty City, Miami, mostra o jovem Chiron, pobre e negro num cenário caótico, no qual era obrigado a lidar com sua mãe viciada em drogas e os múltiplos preconceitos que sofreria até a vida adulta - tudo isso, em meio à descoberta de sua orientação sexual.
O resultado foi um belíssimo e comovente drama vencedor de três estatuetas do Oscar – incluindo o prêmio de Melhor Filme.
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Muito foi conquistado, mas muito se tem ainda a conquistar.