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terça-feira, 2 de agosto de 2011

WARNER LANÇA BOX COM O MELHOR DA OBRA DE KUBRICK


Stanley Kubrick é um dos grandes cineastas da história, e seus trabalhos figuram em diversas listas de filmes que não podem deixar de ser vistos, revistos e guardados em lugar de destaque na sua videoteca.

Para facilitar a tarefa, a Warner reuniu alguns de seus principais trabalhos em um box, com todos os longas remasterizados em alta definição para a tecnologia Blu-ray.

AP/Warner Bros.
O diretor Stanley Kubrick, morto em 1999
O diretor Stanley Kubrick, morto em 1999


O primeiro filme é Lolita (1962), adaptação caprichada do clássico do russo Vladimir Nabokov, que narra a história de um professor completamente obcecado por uma garota recém-entrada na adolescência.

O segundo é 2001 - uma Odisseia no Espaço (1968) que não pode faltar na coleção de nenhum cinéfilo.
Cenas clássicas sucedem-se enquanto a evolução humana é mostrada na tela, do homem pré histórico ao espaço e o computador HAL - corruptela de IBM -, que ganha vida própria durante uma missão.
Até hoje, a estética do diretor usada nesse filme é copiada descaradamente em filmes que abordam o tema viagens espaciais.

Chegamos à terceira obra do box: Kubrick dirige aqui um de seus filmes mais cultuados,Laranja Mecânica (1971), uma obra visceral que choca do início ao fim, seja mostrando a violência da gangue do neo-punk Alex, cuja diversão é perturbar as tranquilas noites de sua cidade, ou na segunda parte do filme no qual ele é submetido a um tratamento de choque ao som de Beethoven.
A estética futurista que o diretor usou aqui também foi muito copiada, e eu fiquei sem ouvir Beethoven durante um bom tempo.

O quarto filme do box, o drama de época Barry Lyndon (1975), não conseguiu fazer frente ao sucesso anterior, mas acabou sendo lembrado pelos fãs com carinho ao longo dos anos, principalmente pela belíssima fotografia toda feita à luz de velas - ganhadora do Oscar.

Na década de 1980, Kubrick resolveu filmar um dos livros mais cultuados de Stephen King.
Jack Nicholson encarou um sujeito pra lá de psicótico no clássico do terror O Iluminado e, apesar de King não gostar do resultado, a cena na qual Nicholson destrói a porta do quarto com um machado é citada constantemente como uma das  mais horripilantes das telonas.

Com este período marcado pelas consequências da Guerra do Vietnã, em 1987 Kubrick fez Nascido para Matar.
O longa acompanha o treinamento de fuzileiros para enfrentar a difícil disputa vietnamita e aqui, mais uma vez, o diretor fez o que os críticos chamam de "filme definitivo" a respeito do tema.

Para encerrar a coleção, o filme finalizado no ano de sua morte: De Olhos Bem Fechados foi sua última produção.
Protagonizada pelo então casal Tom Cruise e Nicole Kidman, que vivem uma vida erótica bizarra para realizar os desejos da mulher insatisfeita, Kubrick usou e abusou das vidas dos atores sem dó nem piedade por mais de um ano, deixando-os frágeis ao ponto de logo depois desfazerem o casamento.
O filme é hermético, denso, cansativo, mas é uma senhora obra de arte.

FICHAS TÉCNICAS/SINOPSES DOS FILMES:

LOLITA /1962 
O acadêmico Humbert Humbert (James Mason) está obcecado com uma alegre adolescente (Sue Lyon) em uma comédia negra baseado no romance de Vladimir Nabokov.

2001 - UMA ODISSEIA NO ESPAÇO /1968
"O mais incrível, belo e mentalmente estimulante filme de ficção científica de todos os tempos" (Danny Peary, Guide for the Film Fanatic)

BARRY LYNDON /1975 
O conto visualmente fascinante de um pobre irlandês do século 18 (Ryan O'Neal) que ascende socialmente.

O ILUMINADO /1980
Nesta obra-prima macabra adaptada a partir do romance de Stephen King, Jack Nicholson fica à mercê de forças que assombram um resort em montanhas geladas.

NASCIDO PARA MATAR /1987
Recrutas dos fuzileiros americanos encaram duro treinamento nas mãos de um sargento durão, para então serem jogados no inferno do Vietnã.

DE OLHOS BEM FECHADOS /1999 
Quando sua esposa admite ter desejos insatisfeitos, um médico de Manhattan mergulha em uma odisseia erótica bizarra

LARANJA MECÂNICA /1971 
No mundo do futuro, o neo-punk Alex ( Malcolm McDowell ) se torna cobaia para um tratamento do governo para sua tendência a exercer a "velha ultraviolência"

Coleção Stanley Kubrick
COLEÇÃO STANLEY KUBRICK - BLU-RAY
Estúdio:
Warner Home Video
Data de lançamento:
19/07/2011
Tipo de mídia:
Blu-Ray
Quantidade de discos:
8
País de produção:
Estados Unidos
Duração:
1014 minutos
Preto e Branco/Colorido:
Colorido e Preto e Branco
Classificação indicativa:
18 anos
Idiomas:
Inglês
Legendas:
Inglês e Português
Quanto:
R$ 229,90
Onde Comprar:
COTAÇÃO DO KLAU:



sábado, 19 de março de 2011

"LOVE STORY" AINDA PROVOCA UM MAR DE LÁGRIMAS

É improvável que alguém aqui no Brasil se refira ao filme "Love Story" pelo nome que recebeu aqui - a tradução "Uma História de Amor" - já que o título original "pegou".

Megassucesso de bilheteria em 1970, o filme fez muito mais do que tornar célebre a frase "Amar é nunca ter de pedir perdão", repetida em duas cenas cruciais do enredo.

"Love Story" virou sinônimo de dramalhão para chorar, e ainda hoje causa esse efeito - tanto que filmes lançados depois dele exibiam cartazes com frases promocionais tipo "Mais emocionante do que "Love Story'!".

No Brasil, com um povo que sempre avacalha tudo, "Love Story" virou gíria para denominar situações em que as pessoas exageravam no tom dramático - exemplo: "Larga de ser tão "love story'"...

Desde o lançamento, muita gente tenta entender as razões desse sucesso, sem chegar a uma conclusão.

Nos extras do DVD, os comentários do diretor Arthur Hiller não ajudam a solucionar esse mistério, mas o bom e pequeno documentário que mostra a repercussão do filme dá uma ideia da dimensão do fenômeno.

O americano Erich Segal escreveu um roteiro sobre o envolvimento de um rapaz rico com uma garota pobre, que depois, descobre-se, sofre de doença terminal.

A Paramount comprou o texto em 1969, e, para reforçar a divulgação do filme, pediu que o autor escrevesse também um livro, para ser lançado nas lojas no Dia dos Namorados do ano seguinte, semanas antes de o longa ir para os cinemas.

Nem preciso dizer aqui que a estratégia funcionou, né?

Confira cena do filme:


"Love Story" - o romance - foi o livro mais vendido nos Estados Unidos em 1970, traduzido para 33 idiomas.

"Love Story" - o filme - rendeu US$ 106 milhões - na época foi a sexta maior bilheteria na história do cinema americano.

Nos papéis centrais, Ryan O'Neal e Ali MacGraw tinham 30 anos - quase uma década a mais do que os personagens.

Os dois nunca repetiram o sucesso em suas carreiras: O'Neal fez comédias menores, e MacGraw faturou com vídeos de ioga.

Na trama, Oliver, mocinho rico, estuda direito em Harvard, e Jennifer, pobrinha, dá duro para pagar uma faculdade de menor prestígio.

A família dele se opõe ao romance, eles se casam e Oliver perde a ajuda financeira do pai - interpretado pela lenda Ray Milland.

Arquivos do KlauO casal protagonista de "Love Story"

Tempos depois, o choque: ela tem uma doença incurável - o roteiro não deixa claro, mas é leucemia.
Quando a doença se agrava, ele acaba se reaproximando do pai.

As interpretações de todos são apenas corretas - porque Artur Hiller era um diretor correto, sem maior talento - mas o sucesso rendeu prêmios.

Foram cinco Globos de Ouro, incluindo melhor filme e melhor atriz para Ali MacGraw, que só fez o papel por ser namorada de Robert Evans, poderoso produtor da época.

No Oscar, teve sete indicações, mas só levou melhor trilha sonora, para Francis Lai.

O filme abriu a era mais lucrativa no cinema dos anos 1970, os "filmes de doença", que produziram baldes de lágrimas antes que a moda acabasse - tivemos outra, a dos "filmes catástrofe", com mais baixos do que altos.


É interessante lembrar aqui que Ryan O'Neal viveu a mesma dor de Oliver na vida real, ao perder sua paixão de muitos anos, Farrah Fawcett, também abatida por um câncer.

Assistir a "Love Story" agora, em pleno 2011, despertou em mim um certo prazer "arqueológico".

E eu confesso que até curti.

"LOVE STORY"
Direção:
Artur Hiller
Distribuidora: Paramount Pictures
Elenco:
Ali MacGraw
Ryan O'Neal
John Marley
Ray Milland
Russell Nype
Katharine Balfour
Sydney Walker
Robert Modica
Walker Daniels
Tommy Lee Jones
John Merensky
Andrew Duncan
Quanto: R$ 35 (em média)
Classificação: 12 anos
COTAÇÃO DO KLAU: