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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

'BEN-HUR': TERCEIRA VERSÃO PARA OS CINEMAS DA CLÁSSICA HISTÓRIA NADA ACRESCENTA ÀS ANTERIORES - MAS TEM RODRIGO SANTORO SENSACIONAL COMO JESUS


SINOPSE:

A família do nobre Judah Ben Hur (Jack Huston) acolheu e criou o romano Messala (Toby Kebbell) como se fosse um filho.

Entretanto, a vida leva os dois a diferentes caminhos.

Depois de um mal entendido, Judah é acusado injustamente de traição pelo próprio irmão e condenado à ser um escravo.

Anos depois, ele consegue escapar de seu cárcere e promete vingar-se de Messala e do império romano, que oprime o povo de Jerusalém, no momento em que Jesus Cristo (Rodrigo Santoro) aparece como a nova esperança para todos.

CRÍTICA:

A novela best seller de Lee Wallace já tinha virado filme ainda no cinema mudo e, depois, uma superprodução dirigida por William Wyler e estrelada por Charlton Heston  em 1959, que ganhou nada menos que 11 Oscar.

O feito jamais foi superado: recentemente, só 'Titanic' e 'O Senhor dos Anéis' conseguiram 11 estatuetas da Academia.

Como ninguém se lembrava do filme mudo, o longa de 1959 fez grande sucesso mundo afora e até hoje, os mais velhos relembram com emoção várias de suas cenas - principalmente a da 'corrida de bigas', feita numa época em que tudo era feito sem muitas trucagens ou efeitos especiais.

Se remakes de grandes clássicos não são vistos com bons olhos, o diretor Timur Bekmambetov sentiu na pele as críticas quando anunciou a ousada empreitada de "recriar" a produção de 1959 e lutou para calar a críticas - mas em vão.

Apesar do cineasta argumentar que 'Ben-Hur', em exibição em 807 salas em todo o Brasil, não é um remake  do longa premiado e sim de uma nova adaptação da livro de Lew Wallace, as diferenças entre as duas versões são bem poucas e basicamente, o novo longa transforma a alegoria de vingança em uma história sobre perdão e redenção, deixando o filme ainda mais perto da categoria "bíblico" e praticamente acabando com seu impacto.

Jack Huston como Judah Ben-Hur, em cena do longa - fotos dessa postagem: Divulgação/Paramount Pictures do Brasil
Na trama, o nobre Judah Ben-Hur (Jack Huston) e o romano Messala (Toby Kebbel) foram criados como irmãos, mas acabam seguindo caminhos diferentes.

Messala se torna um centurião do exército romano e tenta conseguir apoio de sua família de criação a favor de Roma.

Entretanto, ao perceber que Judah está mais inclinado a apoiar o povo judeu, ele usa de um mal-entendido para acusá-lo injustamente de traição e enviá-lo para ser escravizado nas galés dos romanos.

Anos depois, o protagonista consegue escapar e jura vingança.

O novo longa não consegue alcançar a magnitude do clássico de William Wyler e com duração bem menor, as grandiosas cenas de batalha e os combates em slow motion – ingredientes de todo épico que se preze – ficam de lado, sendo compensadas pela cena da corrida de bigas, quase ao final do longa, muito bem feita e que nada fica a dever ao filme de 1959.

No longa de 1969, Messala era vivido por um grande ator, Stephen Boyd, coisa que Toby Kebbell não é.

O ator se sai bem melhor em personagens onde faz captura de movimentos - como a recente versão de 'Planeta dos Macacos'.

Toby Kebbell em cena como Messala
Boyd deu ao personagem uma tensão sexual - que tinha combinado com o diretor Wyler mas não com Charlton Heston, que nunca toparia -  e, assim, o espectador logo entendia que Messala era apaixonado por Ben-Hur e, por não ter esse amor correspondido, fez o que fez.

Toby Kebbell também não aparece como o antagonista que se espera e em nenhum momento convence de que terá coragem de trair o irmão.

Quanto ao protagonista, se o Ben-Hur vivido por Jack Huston (neto do lendário diretor John Huston) perdeu a característica de "macho alfa" que Charlton Heston sempre transmitia nas suas interpretações,  ao menos consegue ser mais carismático, mesmo que fique difícil convencer o espectador da sua jornada por vingança.

Ben-Hur : Foto Jack Huston
Jack Huston em cena do longa
Morgan Freeman aparece mais uma vez no papel do mentor do protagonista, e seu Ilderim não compromete o resultado final.

Morgan Freeman, em cena do longa
Finalmente, o Jesus Cristo interpretado por Rodrigo Santoro aparece pouco, mas sua presença no longa é muito tocante, com o ator brasileiro arrasando em cada cena, principalmente na da crucificação, uma das mais emocionantes.

Poderia aparecer mais, o longa só teria a ganhar com sua interpretação segura e absolutamente cativante.

Rodrigo Santoro: arrebatador como Jesus Cristo
Os efeitos são mais elaborados, só que sozinhos não conseguem segurar a trama, já que a verdade é que não havia necessidade de recriar uma produção desse porte e que não acrescenta nada à versão oscarizada.

Para quem não viu o 'Ben-Hur' de William Wyler, a versão de Bekmambetov pode até trazer certa emoção e divertir.

Mas para quem teve o prazer de ver, numa sala de cinema e em formato Cinemascope, toda a intensidade e grandiosidade do anterior, considerado até hoje um dos melhores filmes feitos por Hollywood em todos os tempos, não vai se impressionar.

O remake é um drama mediano e um épico meia boca, mas que vale por trazer essa boa história sobre traição e ressurreição para as novas gerações.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'BEN-HUR'
Título Original:
BEN-HUR
Gênero:
Drama
Direção:
Timur Bekmambetov
Roteiro:
John Ridley, Keith R. Clarke
Elenco:
Alan Cappelli Goetz, Ayelet Zurer, David Walmsley, Haluk Bilginer, Jack Huston, Julian Kostov, Marwan Kenzari, Moises Arias, Morgan Freeman, Nazanin Boniadi, Pilou Asbæk, Rodrigo Santoro, Sofia Black-D'Elia, Toby Kebbell, Yasen Atour
Produção:
Duncan Henderson, Joni Levin, Mark Burnett, Sean Daniel
Fotografia:
Oliver Wood
Duração:
123 min.
Ano:
2016
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
18/08/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Paramount Pictures
Estúdio:
Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Paramount Pictures / Sean Daniel Company
Classificação:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 2 de junho de 2016

'WARCRAFT - O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS': LONGA BASEADO NO GAME SOFRE COM EXCESSO DE CGI E NÃO AGRADA NEM AOS FÃS


SINOPSE:

A região de Azeroth sempre viveu em paz, até a chegada dos guerreiros Orc.

Com a abertura de um portal, eles puderam chegar à nova Terra com a intenção de destruir o povo inimigo.

Cada lado da batalha possui um grande herói, e os dois travam uma disputa pessoal, colocando em risco seu povo, sua família e todas as pessoas que amam.

Baseada no jogo de estratégia em tempo real lançado pela Blizzard Entertainment em 1994, e no famoso MMORPG, World of Warcraft.

CRÍTICA:

'Warcraft - O Primeiro Encontro De Dois Mundos' - desde hoje em cartaz em 672 salas em todo o Brasil - poderia ser o filme capaz de mudar a tristeza que vimos até agora nas adaptações de videogames.

Se o longa tinha um universo rico e bem desenvolvido para explorar, visual inspirado e personagens marcantes, a obra de Duncan Jones ('Lunar') não consegue atingir seu potencial.

O resultado final ficou parecendo um filme 'B" que teve verba de produção e CGI demais e inspiração de menos.

Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos : Foto
Cena do longa - Fotos dessa postagem - Divulgação/Universal Pictures do Brasil
Em termos de computação gráfica, por sinal, nesse ano não tem pra ninguém: o longa tem mais CGI que 'Batman Vs Superman' (que já era exageradíssimo) e até mesmo cenários reais, desses construídos de fato no set de filmagens, parecem estar carregados de efeitos.

Embora o visual dos Orcs seja bem feito, a pós-produção exagerou ao tentar criar um ar fantástico e colorido demais, com abuso de luzes e brilhos e retoques por computador, mesmo quando estes não eram necessários - e esse nem é o maior problema do filme.

A trama, baseada na invasão Orc em busca de um novo mundo, Azeroth, e sua luta para trazer sua raça inteira para o novo lar, era uma boa premissa, até pelas tensões internas da Horda e da Aliança diante da nova realidade de ambos os lados.

Só que a narrativa está repleta de clichês, as motivações dos personagens não fazem sentido, os diálogos são ridículos e até os combates são toscos, mal coreografados e ruins.

mas o que irrita, mesmo, e é o vai e vem de personagens: o longa não sabe como usar o recurso das magias de teletransporte, que poderiam agilizar a trama, mas apenas a deixam mais arrastada.

O Guardião (Ben Foster) é o personagem que mais viaja dessa forma, sempre por motivos supérfluos, fazendo o personagem ir para sua torre e para o campo de batalha constantemente, sem motivo real.

O Guardião (Ben Foster)
O elenco também foi muito mal escalado.

Aqui, Travis Fimmel repete o mesmo personagem que faz na série 'Vikings', sem a mesma seriedade, o que o deixa caricato demais como Anduin Lothar.

Travis Fimmel como Anduin Lothar
Paula Patton como Garona está mais interessada em ser sexy com sua maquiagem verde do que em justificar as repentinas mudanças de atitude de sua personagem.

Paula Patton como Garona
Ben Foster não convence como Guardião e Dominic Cooper é tão bonzinho como Rei Llane Wrynn que fica difícil de engolir que ele é mesmo o líder de alguma coisa.

Dominic Cooper como Rei Llane Wrynn
O pior personagem, porém, é o Khadgar de Ben Schnetzer, mago que decide investigar a magia negra conhecida como Vilania e acaba sendo o escolhido por uma entidade esquisita para salvar o mundo.

O ator é fraco e seu arco não faz o menor sentido, sua existência parece apenas uma justificativa fraca para mostrar mais poderes mágicos nas lutas e explorar superficialmente lugares famosos da franquia, os quais não teriam espaço de outra forma, como a cidade da facção dos magos Kirin Tor.

Ben Schnetzer como  Khadgar 
Curiosamente, os Orcs se safam também das críticas de interpretação, apesar de os atores estarem escondidos pelo CGI.

O arco de Durotan (Toby Kebbell) é mais interessante do que de todos os personagens da Aliança juntos, embora a trama paralela dos invasores também sofra com momentos aleatórios e atitudes inexplicáveis.

 Durotan (Toby Kebbell) 
Esse é mais um dos problemas de roteiro presentes ao longo de toda a obra,que sofre com a necessidade autoimposta de agradar aos fãs do MMORPG, fenômeno mundial até hoje, mas faz tudo isso de um jeito simplório, sem, de fato, ser capaz de capturar a atenção desses jogadores, modificando demais alguns elementos e incluindo outros desnecessários.

Parece que, em um determinado momento, algum produtor resolveu que era preciso incluir todas as referências possíveis na tentativa de agradar.

A necessidade de atrair novos públicos e de encher o longa de elementos reconhecíveis pelos fãs são os principais problemas de praticamente todos os filmes baseados em videogames, que são mídias complexas, com diversos pontos a serem explorados e capazes de atrair pessoas por motivos diferentes.

Agora, tentar enfiar tudo isso num longa de duas horas é um erro absurdo, capaz apenas de criar obras desconexas e confusas, como temos visto acontecer faz tempo.

'Warcraft' possui um universo incrível, assim como Marvel e DC nos quadrinhos, e o melhor jeito de explorá-lo era começar de forma discreta e ir crescendo a cada novo filme.

Aqui, a pressa de apresentar tudo ao mesmo tempo faz esse filme absolutamente dispensável, que não vai agradar, nem os fãs e muito menos quem não conhece o universo do game..

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'WARCRAFT - O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS'
Título Original:
WARCRAFT
Gênero:
Aventura
Direção:
Duncan Jones
Roteiro:
Charles Leavitt, Duncan Jones
Elenco:
Andre Tricoteux, Anna Van Hooft, Ben Foster, Ben Schnetzer, Burkely Duffield, Callum Keith Rennie, Clancy Brown, Dan Payne, Daniel Cudmore, Daniel Wu, Dean Redman, Dominic Cooper, Donnie MacNeil, Dylan Schombing, Jill Morrison, Kyle Rideout, Michael Patric, Paula Patton, Raj Lal, Robert Kazinsky, Ruth Negga, Ryan Robbins, Terry Notary, Toby Kebbell, Travis Fimmel, Valérie Wiseman
Produção:
Alex Gartner, Charles Roven, Jon Jashni, Thomas Tull
Fotografia:
Simon Duggan
Montador:
Paul Hirsch
Trilha Sonora:
Ramin Djawadi
Duração:
123 min.
Ano:
2016
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
02/06/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Universal Pictures Brasil
Estúdio:
Universal Pictures
Classificação:
10 anos
Informação complementar:
Adaptação do MMORPG de sucesso da Blizzard 'World of Warcraft'

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

'QUARTETO FANTÁSTICO': SEM SABER COMO ADAPTAR A HQ, DIRETOR TRANSFORMA LONGA NUMA CATÁSTROFE


SINOPSE:

No reboot, quatro adolescentes são conhecidos pela inteligência e pelas dificuldades de inserção social.

Juntos, são enviados a uma missão perigosa em uma dimensão alternativa.

Quando os planos falham, eles retornam à Terra com sérias alterações corporais.

Munidos desses poderes especiais, eles se tornam o Senhor Fantástico (Miles Teller), a Mulher Invisível (Kate Mara), o Tocha Humana (Michael B. Jordan) e o Coisa (Jamie Bell).

O grupo se une para proteger a humanidade do ataque do Doutor Destino (Toby Kebbell).

CRÍTICA:

Se o longa dirigido por Josh Trank tivesse outro nome, sobre adolescentes gênios que fazem besteira e ganham poderes, seria um filme que até passaria batido e ninguém lembraria que existiu.

O problema é que a trama da Fox apresenta Sue Storm, Johnny Storm, Dr. Reed e Ben contra Dr. Doom, uma das sagas dos quadrinhos que os fãs da Marvel mais adoram e o filme, um dos mais aguardados do ano, naufraga de cara.

Oficialmente, esse 'Quarteto Fantástico' -  que chegou hoje a 541 salas em todo o Brasil. - é um reboot do longa de 2005, que também não agradou.

Mesmo lançado na época de 'X-Men 2', 'Homem-Aranha 2' e outras adaptações bem-sucedidas de quadrinhos nos anos 2000, o longa de Tim Story conseguiu fazer tudo que não deveria e nos lembrou do motivo para Hollywood ter demorado tanto para adaptar histórias tão boas.


Quarteto Fantástico : Foto Kate Mara, Miles Teller
Kate Mara e Miles Teller como Sue e Reed, em cena do longa - fotos dessa postagem: Divulgação: 20th Century Fox
Pior: lançado depois de excelentes adaptações de HQs da Marvel - 'Guardiões Da Galáxia' e 'X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido'  - esse reboot conseguiu estragar tudo.

A trama, apesar de baseada na aclamada versão Ultimate, apresenta Reed Richards (Miles Teller), um gênio desde criança e que tem como meta inventar o teletransporte.

Ainda garoto, é capaz de mandar objetos para outra dimensão, apesar de achar que os envia para outras partes do planeta.


Quarteto Fantástico : Foto Jamie Bell
Jamie Bell interpreta o Coisa por captura de movimentos
Anos depois, recebe a oportunidade de fazer exatamente o mesmo trabalho para uma fundação científica e, assim, se junta a Victor Von Doom (Toby Kebbell), Sue (Kate Mara) e Johnny Storm (Michael B. Jordan) e inventa uma maneira de humanos irem e voltarem de outro plano em segurança.

A corporação por trás do projeto fica feliz com a oportunidade de novos recursos e tenta roubar o sonho dos jovens gênios.


Quarteto Fantástico : Foto Michael B. Jordan
Michael B. Jordan é o Tocha Humana
Porém Reed, Doom e Johnny não aceitam seu destino e em questão de horas decidem usar a máquina ilegalmente para escreverem seus nomes na história e do nada, ainda chamam Ben (Jamie Bell), que nem no projeto está  e viajam para outro plano de existência.

Assim, grande parte do filme perde um tempão mostrando a construção do aparelho, tentando sem sucesso criar uma relação entre os personagens.

Se as HQs do Quarteto sempre foram sobre família, Josh Trank preferiu focar no desenvolvimento dos personagens, sem sucesso, sem ao menos tentar fazer direito.

Os personagens são mais rasos que um pires: tem personalidade simplória, sem profundidade e, para piorar, tudo isso combina com seus poderes.

O mais triste para os fãs do Quarteto - eu incluso -  é que os protagonistas nem mesmo parecem ser amigos, muito menos uma família, e o espectador tem dificuldades para se interessar ou torcer por qualquer um deles.

Até o momento de maior tensão entre Reed e Doom, a paixão do futuro vilão por Sue – que, por sinal, não parece assim tão interessada no Senhor Fantástico – seu marido nos quadrinhos - deixa a trama arrastada e sem sem sentido.

Dr. Doom surge com um visual ridículo, bem distante das HQs.

As motivações do vilão são patéticas e seu plano só não é mais óbvio porque não dá pra ser mais óbvio.


O visual ridículo do  Doutor Destino (Toby Kebbell)
Kebbell é um ator extremamente limitado, em momento algum segura um personagem complexo como Dr. Doom e consegue a façanha de ir piorando sua performance à medida em que o longa avança.

Enfim, como a produção desperdiça um personagem marcante das HQs como esse?

Melhor seria ter colocado o Quarteto contra um outro vilão.

Se os efeitos dos poderes de Sue, Johnny e Coisa funcionam na telona (muito melhor do que em 2005), só isso não segura a atenção do espectador nos protagonistas.

O final é a prova definitiva de que o diretor perdeu - feio - a mão.

Com um figurino horrendo, o longa também deixa a desejar muito no visual.

Apesar do orçamento de US$ 122 milhões, a narrativa se passa, na maior parte do tempo, em galpões secretos, com maquinários pouco interessantes.

Quando poderia empolgar, ao mostrar a outra dimensão, o exagero de CGI atrapalha, tudo fica escuro e é difícil acreditar que o local é real – não por ser esquisito, mas por ser tão artificial ao ponto de nos lembrar constantemente de que aquilo tudo foi criado em um computador.

Quarteto Fantástico : Foto
Cena do longa
É triste ver Trank, responsável pelo interessante 'Poder Sem Limites', reunir grandes atores para compor a equipe, mas os utilizando mal ao ponto de transformar seus personagens em caricaturas desinteressantes.

Além disso, o longa perde tempo demais e quando as coisas parecem que finalmente vão acontecer, o filme acaba, sem mistérios ou grandes conflitos.

O fã, decepcionado, permanece estático, sentado no cinema e esperando ao final dos letreiros a tão comentada ligação com o universo dos X-Men.

Desculpe estragar sua expectativa - mas você pode levantar e ir embora, pois a ligação não existe.

Quarteto Fantástico : Foto
Cena do longa
Apesar dos problemas de ritmo, construção de personagem e roteiro, o peso de chamar esse longa de 'Quarteto Fantástico' sem saber como adaptar esses personagens ao cinema transforma esse longa em uma catástrofe.

Ou esse grupo de heróis dos anos 60 talvez não tenha lugar nos cinemas no século XXI ou precise de alguém capaz de entendê-los profundamente para trazê-los à vida.

Enquanto isso não acontece, basta dizer que Stan Lee não fez sua tradicional participação no longa – seria vergonha?

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'QUARTETO FANTÁSTICO'
Título Original:
FANTASTIC FOUR
Gênero:
Aventura
Direção:
Josh Trank
Roteiro:
Simon Kinberg
Elenco:
Adam Fristoe, Anthony Ramsey, Anthony Reynolds, Ben VanderMey, Chet Hanks, Christopher Heskey, Deneen Tyler, Don Yesso, Evan Hannemann, Gretchen Koerner, Gus Rhodes, Han Soto, Jamie Bell, Jane Rumbaua, Jaylen Moore, Jerrad Vunovich, Jodi Lyn Brockton, John L. Armijo, Kate Mara, Lance E. Nichols, Marco St. John, Mary Rachel Dudley, Mary-Pat Green, Melissa McCurley, Michael B. Jordan, Michael D. Anglin, Miles Teller, Owen Judge, Patrick Kearns, Reg E. Cathey, Shauna Rappold, Sue-Lynn Ansari, Tim Blake Nelson, Toby Kebbell, Wayne Pére
Produção: Gregory Goodman, Hutch Parker, Matthew Vaughn, Simon Kinberg
Fotografia:
Matthew Jensen
Montador:
Elliot Greenberg
Trilha Sonora:
Marco Beltrami, Philip Glass
Duração:
106 min.
Ano:
2015
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
06/08/2015 (Brasil)
Distribuidora:
Fox Film
Estúdio:
Genre Films / Twentieth Century Fox Film Corporation
Classificação:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 24 de julho de 2014

'PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO' : ANDY SERKIS SENSACIONAL EM HISTÓRIA QUE FAZ PENSAR E AINDA DIVERTE


Dez anos após a conquista da liberdade de César (Andy Serkis), ele e os demais macacos vivem em paz na floresta próxima a San Francisco, onde desenvolveram uma comunidade própria, baseada no apoio mútuo.

Enquanto isso, os humanos enfrentam uma das maiores epidemias de todos os tempos, causada por um vírus criado em laboratório, chamado vírus símio.

Quando um grupo de sobreviventes encontra os macacos, cabe a Malcolm (Jason Clarke) e César negociarem uma trégua que pode não durar.

E pensar que quando o primeiro 'Planeta dos Macacos' estreou em 1968, a macacada era interpretada por atores e atrizes dos bons, usando máscaras de látex absolutamente inovadoras para a época e que obrigaram a Academia a criar uma nova categoria no Oscar - a de Melhor Maquiagem.

Agora, a interpretação usando a captura de movimentos dos atores deixou as máscaras de látex absolutamente constrangedoras, tal a veracidade dos macacos apresentados tanto em 'Planeta dos Macacos: A Origem', como na continuação, 'Planeta dos Macacos: O Confronto', que estreia hoje em 569 salas em todo o Brasil.

Quando o reboot de 'Planeta dos Macacos' foi anunciado, poucos podiam adivinhar que 'A Origem' seria o bom filme que mostrou ser e logo ficou claro que temas recorrentes da franquia são tão relevantes hoje quanto no passado.

E a sequência trabalha ainda melhor esses aspectos, pois é mais inteligente e profunda do que qualquer outro da série cinematográfica, funciona em todos os aspectos e ainda é capaz de causar reflexões ao espectador enquanto diverte, coisa rara em blockbusters.

A sequência se passa dez anos depois de César (Andy Serkis) liderar os macacos inteligentes à liberdade: nesse tempo, ele criou uma sociedade complexa nas florestas ao redor de São Francisco e, enquanto isso, o mesmo vírus que aumentou as capacidades cerebrais dos macacos também foi o responsável por eliminar boa parte da humanidade.

Planeta dos Macacos: O Confronto : Foto
O protagonista César (Andy Serkis) - Fotos dessa postagem: Divulgação - Fox Film do Brasil
Quando sobreviventes humanos reencontram os símios, desentendimentos ameaçam começar uma guerra que pode acabar com ambas as espécies e cabe a César, protagonista da trama, controlar a sede de vingança de seus comandados enquanto negocia trégua com Malcom (Jason Clarke).

Embora a trama gire em torno da tensão entre as duas raças, a narrativa não deixa de fora questões políticas internas de cada grupo, além de motivações individuais dos personagens.

Esses elementos aprofundam o enredo, garantem diferentes camadas ao longa e refletem a complexidade de nossa própria sociedade.

Malcom (Jason Clarke)
A franquia, conhecida por trabalhar questões políticas e sociais, volta a tocar nessas questões sem entediar os espectadores, diferente de 'A Origem', que simplificou demais esses aspectos.

Grandes atuações garantem que esses elementos não sejam desperdiçados: Gary Oldman aparece pouco, mas, grande ator, domina suas cenas; Jason Clarke consegue ser um coadjuvante a altura de César e a dinâmica dos dois é um dos pontos fortes da produção.

Planeta dos Macacos: O Confronto : Foto Gary Oldman
Gary Oldman, em cena do longa
Ator especializado em interpretações por captura de movimentos, Andy Serkis impressiona cada vez mais e consegue transmitir emoções cada vez mais complexas, principalmente por boa parte das conversas dos macacos ser feita apenas por linguagem de sinais.

Chamar Serkis de gênio da interpretação, aqui, é muito pouco para o que ele e seu César entregam.

Planeta dos Macacos: O Confronto : Vignette (magazine) Andy Serkis
Andy Serkis usando todo o aparato de captura de movimentos para dar vida ao protagonista César
O diretor Matt Reeves fez um grande acerto, ao trazer de volta os companheiros de César do filme anterior.

Personagens que poderiam ter sido substituídos agora ganham destaque - principalmente Koba (Toby Kebbell), Maurice (Karin Konoval) e Rocket (Terry Notário).

Diferente do primeiro, focado nos humanos, este segundo poderia facilmente ter apenas macacos na telona e ainda funcionaria, mas, mesmo assim, o longa procura fechar o ciclo iniciado no longa anterior, relembrando até mesmo a amizade de César com Will Rodman (James Franco).

Aliás, a relação entre César e Koba garante alguns dos principais momentos do longa, pois o macaco mais velho questiona a abordagem de César em relação aos seres humanos e, quando discutem, Koba implora por perdão com uma mão estendida e postura de submissão.

No começo, o líder pega a mão do amigo com vontade e aceita seu pedido de desculpas, afinal ele entende a dificuldade da situação, mas, conforme a cena se repete, pequenas variações mostram que algo na amizade entre os dois está mudando, sutilmente, mas impactante.

Visualmente, o filme é muito bonito e mesmo cenas simples como dois macacos conversando mostram a atenção ao detalhe da equipe de direção de arte e efeitos especiais.

Além disso, outro elemento clássico da série retorna de forma marcante: macacos montados em cavalos observando, de longe, os humanos, em cenas inesquecíveis que remetem ao original sem parecerem cópias.

O que faz 'O Confronto' ser tão bom é o fato de partilhar com a série antiga a exposição de problemas enfrentados no mundo real, onde noções relevantes, como família, andam lado a lado com questões como pena de morte, isolacionismo e preconceito.

Longa capaz de tratar de assuntos relevantes e ainda divertir, algo que todo amante de cinema merece.

E mesmo sendo um pouco longo e não precisar ser visto em 3D, é ótima escolha para todas as idades.

Confira o trailer do longa:


*****
'PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO'
Título Original:
DAWN OF THE PLANET OF THE APES
Gênero:
Ação
Direção:
Matt Reeves
Roteiro:
Amanda Silver, Mark Bomback, Rick Jaffa, Scott Z. Burns
Elenco:
Alaine Huntington, Andy Serkis, Angela Kerecz, Christopher Berry, Enrique Murciano, Gary Oldman, J.D. Evermore, Jason Clarke, John L. Armijo, Judy Greer, Karin Konoval, Keir O'Donnell, Keri Russell, Kevin Rankin, Kirk Acevedo, Kodi Smit-McPhee, Larramie Doc Shaw, Lee Ross, Lombardo Boyar, Lucky Johnson, Steven Wiig, Terry Notary, Toby Kebbell
Produção:
Amanda Silver, Dylan Clark, Peter Chernin, Rick Jaffa
Fotografia:
Michael Seresin
Montador:
Stan Salfas, William Hoy
Trilha Sonora:
Michael Giacchino
Duração:
131 min.
Ano:
2014
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
24/07/2014
Distribuidora:
Film do Brasil
Estúdio:
Chernin Entertainment
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau: