Mostrando postagens com marcador Henry Hopper. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Henry Hopper. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

'INQUIETOS' SÓ PROVA QUE QUANTO O TEMA É JUVENTUDE, GUS VAN SANT É MESTRE


Na melhor estreia nas telonas brasileiras desse final de semana, Inquietos, do diretor Gus Van Sant só prova, mais uma vez, que, quando o foco são os jovens e seus problemas, relacionamentos, dúvidas e incertezas, o diretor é um mestre.

Diferentemente do que demonstrou em Paranoid Park (2007) ou Garotos de Programa (1991),  temos aqui o foco sobre uma desesperada,intensa e bonita história de amor, que nos remete em parte à dupla Harold e Maude de Ensina-me a Viver (1971), mas atualizada com uma delicadeza que Van Sant consegue demonstrar muito bem.

O protagonista é o jovem Enoch - o belo, talentoso e acima da média Henry Hopper, filho de Dennis Hopper, aqui estreando no cinema - que, depois de sobreviver a um acidente que matou seus pais, vive em depressão  e encontra uma maneira especialíssima para lidar com a morte: torna-se penetra de funerais.

Divulgação
Mia Wasikowska e Henry hooper, em cena do filme: química mais que perfeita

E é justamente num velório que Enoch conhece sua alma gêmea, Annabel - Mia Wasikowska, protagonista de  Alice no País das Maravilhas  e também uma atriz acima da média - que tem outro tipo de relação com a morte - sofre de um câncer terminal e tem poucos meses de vida - mas decidiu que seus últimos dias serão cheios de alegria ao máximo.

A princípio relutante, Enoch torna-se o parceiro desta jornada.

Van Sant consegue um equilíbrio difícil ao introduzir um toque onírico num terceiro personagem, o fantasma Hiroshi Takahashi - Ryo Kase - , sempre vestindo uniforme de piloto kamikaze da Segunda Guerra Mundial.

Se logo se pode imaginar a verdadeira natureza do fantasma, nem por isso suas conversas com Enoch são menos saborosas, já que ele funciona como uma mistura de alter ego e observador do amigo e de seu romance - a quem não falta uma fina ironia.

Divulgação
Ryo kase interpreta um fantasma de um kamikase da segunda guerra, melhor amigo de Enoch

Não há grandes segredos nem revelações no cotidiano dos dois adolescentes, que dançam pelo filme com uma graça natural, vivendo pequenos momentos, criando brincadeiras que cabem perfeitamente em sua idade e situação, podendo lidar com a iminência da tragédia de uma forma muito diversa do que se fossem mais velhos - e tirando proveito disso.

Divulgação
Mia e Henry: fazia tempo que eu não via um casal tão bunito na telona

Embalado nessa espécie de aura - absolutamente espontânea - do casal de protagonistas, o filme - exibido na seção Um Certo Olhar  do Festival de Cannes 2011 - transpira uma doçura juvenil, romance e lirismo onde só os mal-humorados não vão simpatizar.

Confira o trailer do filme:

*****
INQUIETOS
Título original:
Restless
Diretor:
Gus Van Sant
Elenco:
Mia Wasikowska, Jane Adams, Schuyler Fisk, Henry Hopper, Ryo Kase, Lusia Strus, Jane Adams, Paul Parson, Thomas Lauderdale, Christopher D. Harder, Morgan Lee
Produção:
Brian Grazer, Bryce Dallas Howard, Ron Howard
Roteiro:
Jason Lew
Fotografia:
Harris Savides
Trilha Sonora:
Danny Elfman
Duração:
91 min.
Ano:
2011
País:
EUA
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Sony Pictures
Estúdio:
Imagine Entertainment / 360 Pictures Inc. / Columbia Pictures
Cotação do Klau:

sábado, 15 de outubro de 2011

FESTIVAL DO RIO: GUS VAN SANT FAZ A MORTE VIRAR CONTO DE FADAS


O tema da morte sempre rondou o cinema de Gus van Sant - basta lembrar Gerry (2002), Elefante (2003) ou Paranoid Park (2007).

A diferença, desta vez, é que ele resolveu transformar a morte em conto de fadas: Inquietos pode ser definido como um "love story" juvenil.
"Não acho que tenha feito uma 'love story' tradicional. Acho apenas que fiz algo novo na minha carreira", disse o diretor, em entrevista concedida durante o Festival de Cannes, em maio passado.

"As reações ruins, neste caso, podem ser boas, porque fiz o que não esperam de mim. Pela primeira vez, tentei estar a serviço do roteiro, tentei, simplesmente, contar uma história", completou.

Photocall
O diretor Van Sant, a atriz Mia Wasikowska e o ator Henry Hopper, antes da exibição de "Inquietos/Restless" no festival de Cannes 2011

O roteiro assinado pelo estreante Jason Lew conta a história de dois jovens que, por diferentes motivos, são obrigados a lidar com a morte.
"Jason escreveu uma fantasia que é, ao mesmo tempo, pura realidade. O roteiro, de cara, me remeteu à velha tradição dos contos russos", afirmou o cineasta.
"Ele colocou sua nostalgia da infância e da juventude nesses personagens."

O que os dois protagonistas do filme têm em comum, além do tema da morte a rondá-los e das roupas que parecem saídas de um filme de época, é o mundo que inventaram para poder sobreviver.

Como outros personagens de Van Sant, Annabel - Mia Wasikowska - e Enoch - Henry Hopper - se sentem apartados do mundo "normal".
"O Velho Oeste era o lugar a partir do qual John Ford via o mundo e contava histórias. A juventude é o meu terreno", disse Gus van Sant, para explicar o que, às vezes, é tomado por obsessão.
"É a partir dos jovens que eu consigo investigar os temas que me interessam."

Em Inquietos, o cineasta, que já transformou vários "garotos lindos" em atores de respeito -basta lembrar River Phoenix (1970-2003), Keanu Reeves, Ben Affleck e Matt Damon -, nos revela um outro rosto marcante: o de Henry Hopper, filho da lenda Dennis Hopper (1936-2010).
"Gosto de trabalhar com atores não conhecidos para que o espectador olhe para o personagem sem ter nenhuma outra referência."

Hopper, também artista plástico, encarou seu primeiro papel de protagonista no cinema com esse trabalho, e forma um par perfeito -e absolutamente apaixonante- com Wasikowska, a nova queridinha de Hollywood.

Confira o trailer de "Inquietos/Restless":

*****
Matéria de Ana Paula Sousa, para a Folha de S.Paulo

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O FESTIVAL DE CANNES FICOU MAIS BUNITO COM ELES!

Um dos principais festivais de cinema do mundo, Cannes 2011 se encerrou no domingo com um desfile de bons filmes, outros nem tanto, lindas mulheres e homens bunitos.

Separei alguns dos mais belos que desfilaram pela riviera francesa - e é o que vocês verão agora:

Getty Images
De óculos escuros e cavanhaque, Brad Pitt mostra que envelhecer faz bem para homens bonitos. Ao lado de Angelina Jolie, ele participou sessão de gala de "A árvore da vida"

Getty Images
O francês Louis Garrel, antes da exibição de 'Beloved', fez sucesso com seu cabelão e barba por fazer

Getty Images
Nesta edição de Cannes, o britânico Jude Law não teve nenhum filme exibido, mas foi um dos jurados da competição


Getty Images
O francês Tahar Rahim tem descendência argelina e já estudou cinema, e esteve em Cannes apresentando o filme em que atua, "Les Hommes Libres" 

The Guardian
O ator inglês Malcolm Mcdowell esteve em Cannes para a exibição do filme de Kubrick, "Laranja Mecânica" em cópia restaurada, e embelezou a riviera com seu charme maduro

Getty Images
Ryan Gosling foi a Cannes para divulgar seu novo filme, "Drive"

Getty Images
Johnny Depp esteve na Riviera Francesa para divulgar "Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas"; para mim, Depp nem precisa ser listado - sua beleza é "hour concour"

Getty Images
Edgar Ramirez, na exibição de "La Source Des Femmes"

Getty Images
Henry Hopper é filho do consagrado ator Dennis Hopper, e participou em Cannes do lançamento de seu segundo filme, 'Restless'

Getty Images
Com seu charme maduro, Sean Penn passou pelo tapete vermelho para a exibição de "This Must Be The Place"

Getty Images
E para encerrar, ELE: Antonio Banderas desfilou seu charme e beleza mediterrâneos no balneário francês, na apresentação de "A Pele que Habito", novo filme de Pedro Almodóvar 

terça-feira, 24 de maio de 2011

CONHEÇA NOVAS CARAS DE HOLLYWOOD QUE ACONTECERAM EM CANNES

O Festival de Cinema de Cannes se encerrou mostrando várias caras novas da industria americana.


Confira aqui os principais:


RYAN GOSLING


Esse canadense de 30 anos já foi indicado ao Oscar de melhor ator em “Half Nelson – Encurralados” (2006). 
AFP
Anne-Christine Poujoulat/AFP
Ryan Gosling, protagonista de "Drive"
No ano passado em Cannes, ele chamou a atenção ao fazer par romântico com Michelle Williams em “Namorados para Sempre”, - que estreia por aqui  em 10 de junho. 
Neste ano, com “Drive”, Gosling ganhou ainda mais respeito dos críticos ao encarnar um motorista que quase nunca abre a boca, dando conta sem diálogos de um personagem que é ao mesmo tempo um psicótico violento e um romântico apaixonado. 
Em agosto, ele aparece bem à vontade na comédia romântica “Amor à Toda Prova”, ao lado de Julianne Moore e Steve Carell.

JESSICA CHASTAIN

Essa linda californiana de 30 anos precisou esperar três anos para ver seu rosto na tela – tempo que o diretor Terrence Malick levou montando “A Árvore da Vida”, em que faz a esposa carinhosa e compreensiva de Brad Pitt. 
AFP
François Guillot/AFP
A atriz Jessica Chastain em Cannes
Mas 2011 será mesmo o seu ano: em Cannes, ela ainda brilhou em “Take Shelter”, filme mais premiado da Semana da Crítica, no qual interpreta a esposa de um homem acometido por visões apocalípticas. 
Ainda este ano, ela poderá ser vista como a versão mais jovem do personagem de Helen Mirren no thriller de espionagem “A Dívida”, ao lado de Sam Worthington.


HENRY HOPPER

O belo filho de Dennis Hopper bem que pensou em não seguir a carreira do pai, mas não resistiu ao convite para estrelar um filme de Gus Van Sant. 
EFE
Ian Langsdon/EFE
O ator Henry Hopper
Em “Restless”, exibido no festival, ele é um moço lindo, gentil e melancólico que gosta de frequentar funerais e se apaixona por um garota com câncer , interpretada por Mia Wasikowska, de “Alice no País das Maravilhas”.
Henry leu o roteiro do filme bem na época em que seu pai lutava contra o câncer – Dennis morreu no ano passado. 
Ainda lhe falta maturidade como ator, mas a beleza e o carisma devem trazer novos convites.

ELIZABETH OLSEN

As gêmeas Ashley e Mary-Kate Olsen podem lá fazer seus filminhos e bombar na internet, mas a caçula Elizabeth acabou de tomar a dianteira da família. 
EFE
Ian Langsdon/EFE
A atriz Elizabeth Onsen em Cannes
Ela encara um papel pra lá de difícil como a moça que leva todos os nomes do filme “Martha Marcy May Marlene”
Martha, ou Marcy May, é uma garota que segue um namorado maluco que lidera uma seita de fanáticos. 
Dois anos depois, ela volta para para a casa da irmã com a cabeça totalmente transtornada. 
Neste ano, Elizabeth ainda aparece na comédia dramática “Peace, Love & Misunderstading”, ao lado da Diva  Jane Fonda e Chace Crawford - da série “Gossip Girl”.

ALEXANDER SKARSGARD

O sueco ficou conhecido como o charmoso vampire Eric da série “True Blood”, da HBO. 
Seu pai, Alexander Skarsgard, participou de inúmeros filmes de Lars Von Trier, como “Ondas do Destino”
Divulgação
Divulgação
O ator Alexander Skarsgard
Agora, foi a sua vez de trabalhar com Von Trier, como o noivo da moça melancólica vivida por Kirsten Dunst. 
Neste ano, ele ainda aparece no thriller “Straw Dogs”, refilmagem de “Sob o Domínio do Medo” (1971), e no ano que vem em “Battleship”, filme sobre uma batalha naval que estrela ao lado de Liam Neeson e da cantora Rihanna.

EMILY BROWNING

Essa ruivinha australiana de apenas 22 anos  emendou três filmes em que interpreta garotas pra lá de perturbadas. 
Getty Images
Getty Images
A atriz Emily Browning em Cannes
Ela sai de um sanatório para reencontrar a irmã em “O Mistério das Duas Irmãs”, entra no sanatório e começa a alucinar em “Sucker Punch – Mundo Surreal”, e em “Sleeping Beauty”, exibido em competição em Cannes, ela é uma garota que topa tomar sonífero para oferecer seu corpo dormente a clientes muito, muito bizarros. 
Pelo visto, comédia romântica não vai ser seu forte.

MICHAEL SHANNON

Nascido no Kentucky, Shannon já tem 34 anos e trabalha no cinema há 18. 
Também conhecido por seus personagens perturbados, como em “Possuídos” (2006), ele filmou com o grande Werner Herzog  - “Vício Frenético" - e foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante por  “Foi Apenas um Sonho” (2009). 
Getty Images
Getty Images
O ator Michael Shannon, no último Festival de Sundance
Em Cannes, ele brilhou com mais um papel neurótico, o operário em crise existencial que começa a ter visões apocalípticas no premiado “Take Shelter”. 
Agora, ele se prepara para entrar no mundo dos blockbusters como o vilão General Zod de “Man of Steel”, filme que vai retomar as aventuras do Superman.

TOM HIDDLESTON

De rosto misterioso e entonação de Shakespeare, este britânico acabou de despontar como Loki, o irmão perverso do deus do trovão em  “Thor”. 
Em Cannes, ele apareceu numa pequena e divertida participação como o escritor Scott Fitzgerald, autor de “O Grande Gatsby”, no novo filme de Woody Allen, “Meia-Noite em Paris”
AFP
Gabriel Bouys/AFP
O ator Tom  Hiddleston
Em 2012, ele retoma o vilão Loki em “Os Vingadores”, filme que vai reunir os quatro grandes heróis da Marvel  - Thor, Homem de Ferro, Hulk e Capitão América -, além de Scarlett Johansson como a Viúva Negra.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

CANNES 2011: DIRETORAS DOMINAM COM TEMAS SOMBRIOS, RIO FAZ LOBBY, FRANCÊS, DIANA, E NOVO VAN SANT AGITAM A SEXTA


ABERTURA DO FESTIVAL É DOMINADO POR DIRETORAS E TEMAS SOMBRIOS

As diretoras de cinema, que ficaram de fora da principal competição de filmes em Cannes em 2010, dominaram a abertura do evento deste ano com contos sombrios de assassinato, prostituição, estupro e suicídio.

Três das quatro mulheres que disputam a Palma de Ouro pelo melhor filme em Cannes 2011 apresentaram os seus filmes para a imprensa nos dois primeiros dias do evento, e, ainda que as obras variem muito entre si e tenham tido respostas díspares da crítica, todas mostram uma visão perturbadora do mundo.

AFPA diretora australiana Julia Leigh

A atriz francesa e diretora Maiwenn foi a última mulher na competição deste ano a apresentar o seu filme, "Polisse", nesta sexta (13), um drama forte sobre a unidade de proteção a menores da polícia francesa.

Getty ImagesA atriz e diretora francesa Maiwenn

Ela seguiu a australiana Julia Leigh com o seu filme de estréia "Bela Adormecida" ,sobre uma estudante que passa a praticar uma estranha forma de prostituição, e a escocesa Lynne Ramsay com "Presisamos Falar sobre Kevin", sobre uma problemática relação entre mãe e filho.

Getty ImagesA diretora escocesa Lynne Ramsay

A última do quarteto é a japonesa Naomi Kawase com "Hanezu No Tsuki", o seu terceiro filme na competição.

Getty ImagesA diretora japonesa Naomi Kawase

Especialistas em cinema disseram que não foi coincidência que mais mulheres foram escolhidas para Cannes neste ano emblemático.
"O maior número de diretoras em competição em Cannes mostra uma tendência crescente",
disse Annette Insdorf, professora de cinema da Universidade de Columbia, EUA, que está em Cannes.

E ela ainda completa:
"Eu não acredito que é possível separar a vitória de Kathryn Bigelow no Oscar com 'Guerra ao Terror' ou o sucesso de crítica e público de Lisa Cholodenko com 'Minhas Mães e Meu Pai'".


CIDADE DO RIO DE JANEIRO FAZ CAMPANHA DURANTE O FESTIVAL

Com anúncio pago na revista "Variety" - considerada a "bíblia" do mercado de entretenimento - e um trabalho de comunicação eficaz, a cidade do Rio de Janeiro dá prosseguimento em Cannes à sua campanha para tornar-se parte importante do cenário cinematográfico mundial.

A cidade procura vender, para o mercado mundial, não apenas suas locações "exóticas", mas também vantagens fiscais e uma estrutura de produção.

O desenho animado "Rio", que teve o lançamento mundial na cidade, e o evento do filme "Velozes e Furiosos 5", também rodado em parte na cidade, foram os primeiros grandes acertos da RioFilme, que tem hoje uma subsidiária que só se dedica à prospecção de projetos estrangeiros.

DivulgaçãoA animação "Rio", que teve premiére mundial na cidade maravilhosa

A visibilidade internacional proporcionada pela Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, costuma ser citada pelas reportagens das publicações especializadas como mais um fator de "atração".

É a cidade brasileira mais conhecida em todo o mundo finalmente saindo da paralisia que a violência a tinha relegado.


FILME FRANCÊS ABORDA O COMBATE AO CRIME CONTRA CRIANÇAS, E IMPRESSIONA JORNALISTAS E CRÍTICOS

A pedofilia, os maus-tratos às crianças, o abuso de menores; "Polisse", da diretora francesa Maiwenn, que disputa a Palma de Ouro, é um olhar sobre o trabalho cotidiano da Brigada de Proteção de Menores (BPM) da polícia de Paris.

O filme da atriz e cineasta de 35 anos atinge com força o espectador, que se vê no obscuro mundo da BPM e no dia a dia de seus policiais.

O primeiro dos quatro filmes franceses na disputa pela Palma de Ouro, o terceiro da carreira da diretora - Maiween Le Besco, conhecida apenas pelo primeiro nome -, é uma viagem ao lado mais pesado da miséria humana, porque suas vítimas são criaturas indefesas.

Getty ImagesDiretora Maiwenn Le Besco (de azul) é fotografada em Cannes com atores de "Polisse"

Na entrevista coletiva, a cineasta, que lutou por muito tempo para receber a autorização para passar um tempo com a BPM, disse que testemunhou ou ouviu de policiais tudo o que é retratado no filme.

A ideia do filme, que impressionou os jornalistas e críticos, surgiu ao assitir um documentário sobre a brigada na televisão francesa.
"Me encantou a paixão destes policiais pelo trabalho. Compreendi rapidamente que cada um deles tinha boas razões pessoais para estar ali", disse.

Confira o trailer de "Polisse":


Interpretado por atores profissionais - Karine Viard, Joey Starr, Marina Fo¯s, Nicolas Duvauchelle, Sandrine Kiberlaine - com exceção de um menino francês que comoveu a sala com suas lágrimas, o filme tem um ritmo trepidante e a intensidade de um documentário, e também é um reflexo da sociedade contemporânea francesa, mostrando famílias africanas em condições precárias, acampamentos de ciganos e tráfico.

Maiwenn disse ter ficado muito impressionada com a "banalização da sexualidade entre os adolescentes, dispostos a tudo por um telefone celular ou um aparelho de MP3".

Algumas cenas mais impactantes são as de pedófilos que tentam minimizar a importância de seus desvios sexuais, o que provoca a revolta dos policiais.

"Em temas assim é necessário ser preciso, realista e fiel, sobretudo na maneira de mostrar os interrogatórios", declarou a atriz Emmanuelle Bercot, uma das roteiristas do filme.


NÃO QUIS SER SENSACIONALISTA", DIZ DIRETOR SOBRE SEU FILME QUE ABORDA MORTE DE DIANA SOB A ÓTICA DO ATENTADO

O diretor Keith Allen defendeu nesta sexta (13) seu documentário
"Unlawful Killing", sobre a morte da princesa Diana, em meio a acusações de que o documentário seria um ataque unilateral contra o que ele chamou de "establishment" britânico e que teria sido integralmente financiado por Mohamed al-Fayed - empresário cujo filho Dodi, namorado de Diana, também morreu no acidente de carro em Paris (1997).

Fayed sustenta há muito tempo que o casal foi morto por ordem do marido da rainha Elizabeth II, príncipe Philip, por acreditar que a família real britânica não queria que Diana se casasse com um muçulmano.

Os membros da realeza, especialmente Philip de Edimburgo, os juízes e os meios de comunicação estão na mira constante do documentário, que garantiu sua estreia mundial em Cannes - enquanto sua distribuição no Reino Unido ainda não tem previsão -e põe principalmente em cheque a reputação de Philip, que é apontado em fotografias nas quais é visto acompanhado de dirigentes nazistas nos anos 1930.

Em uma coletiva de imprensa em alguns momentos caótica em Cannes - o documentário foi lançado fora do festival oficial de cinema - o diretor descreveu o documentário como "forense" - descrição questionada por alguns dos presentes.

O filme foca em parte sobre o inquérito sobre a morte de Diana realizado em 2007/08 e argumenta que a imprensa britânica não refletiu corretamente as conclusões do inquérito, devido a pressões indiretas da família real.

Getty ImagesDodi al-Fayed e Diana, dias antes de morrerem

"Achei importante que o público pudesse entender de maneira forense o que aconteceu no inquérito",
disse Allen, mais conhecido como ator de televisão britânico, falando a repórteres em Cannes.

"Eu não quis fazer um filme sensacionalista. Não acho que seja um filme sensacionalista. Acho que é uma análise muito forense de um processo legal britânico e acho que revela certas coisas que não 'batem'."

"Acredito que essas coisas devem ser questionadas. Foi por isso que fiz o filme. Espero que ele mostre às pessoas que nada é o que parece ser."

Confira o trailer de "Unlawful Killing":


Allen foi criticado diretamente por um jornalista por não ter deixado claro que o filme foi financiado 100% por Fayed - custou 2,5 milhões de libras (4,1 milhões de dólares), cifra citada em Cannes por um homem que afirmou ser representante de Fayed, que não esteve em Cannes para apresentar o filme.

"Ele deu o dinheiro, porque ninguém mais se dispôs", disse Allen.
"Se eu pudesse ter obtido o dinheiro de outra fonte, eu o teria feito. Mas não consegui. Consegui dele."

Investigações das polícias francesa e britânica concluíram que as mortes de Diana e Dodi foram fruto de um acidente trágico provocado por um motorista que dirigia em alta velocidade, e que depois se descobriu, estava embriagado - ambas as investigações rejeitaram as teorias de Fayed.

Getty ImagesMohamed Al Fayed, milionário egípcio radicado na Inglaterra, na pré-estreia de "Bruno", em Londres (17/06/2009)

Indagado o que há de novo em "Unlawful Killing", Allen disse:
"Acho que não há tanta coisa que seja nova. Existe em nosso país um velho ditado segundo o qual os segredos mais bem guardados estão nas estantes da Biblioteca Britânica. Estão todos lá, basta você ir procurá-los, e meu filme não é um ataque à monarquia. Na realidade, ele questiona o papel do establishment, e, ao fazê-lo, vai deixar claro que existem ligações entre a real Casa de Windsor e o establishment."

O documentário inclui uma foto de Diana agonizando logo após o acidente - elemento que a imprensa britânica focou nos últimos dias, embora Allen tenha minimizado sua importância - e uma imagem do rosto de uma séria Elizabeth II o encerra, relacionando o comportamento de seu marido com o de um psicopata e racista, expressão que Al Fayed utiliza em repetidas ocasiões na entrevista sobre o filme.


COM FILME SOBRE MORTALIDADE, GUS VAN SANT ABRE SEÇÃO "UM CERTO OLHAR"

O cineasta americano Gus Van Sant, acostumado a transitar pelas linhas comercial e independente, volta ao cinema com "Inquietos", um romance que conta a história de um casal de jovens preocupados com a mortalidade.

E foi com essa obra que ele abriu a prestigiosa seção "Um Certo Olhar" de Cannes, na sexta (13).

Após perder o avião e cancelar sua presença prevista para quinta-feira, o diretor compareceu um dia depois, rodeado do elenco juvenil do longa, produzido também pela atriz Bryce Dallas Howard, protagonista de "A Vila" - Van Sant já ganhou a Palma de Ouro e o prêmio de melhor diretor em Cannes, por "Elefante" (2003), e recebeu duas indicações ao Oscar de melhor diretor por "Gênio Indomável" (1997) e "Milk - A Voz da Igualdade" (2009).

Getty ImagesGus Van Sant (centro) com os atores Henry Hopper e Mia Wasikowska, protagonistas de "Inquietos"

"Com a história de Will Hunting 0 "Gênio Indomável" -, foi a primeira vez que atuei em uma atmosfera mais 'mainstream', e descobri que podia olhar algo de um ponto de vista otimista. Suponho que haja uma parte de mim assim", explicou Van Sant.

Porém, essa história de superação não tinha sobre si o peso da morte, como pode ser visto em "Inquietos", filme em que o estreante Henry Hopper - filho do ator Dennis Hopper - e a atriz Mia Wasikowska - a protagonista de "Alice no País das Maravilhas", de Tim Burton - vivem uma história de amor, enquanto a jovem enfrenta o câncer.
"Quando um adolescente está enfrentando uma doença catastrófica, embora não necessariamente terminal, sente a necessidade do sentimento de negação do que realmente é", afirmou Van Sant, que explica que "nestes casos, a família é muito superprotetora".

EFEO casal Protagonista de "Inquietos", Henry Hooper e Mia Wasikowska, em cena do filme

Segundo ele, "a irmã de Annabel não quer brincar, nem falar de ideias existencialistas sobre passagem do tempo" e é por isso que recorre ao personagem de Enoch, "uma pessoa mais próxima, mas não da família, pode se transformar em seu melhor amigo nessas circunstâncias".

O diretor aposta em um ambiente encantador, passado na cidade de Portland, e cria esses pequenos momentos de excentricidade mágica - os jovens se conhecem em um funeral -, ajudando a superar o estorvo de contar uma história mil vezes já vista na telona - principalmente em "Love Story - Uma História de Amor" (1970) e "Doce Novembro" (2001).

Trata-se de uma maneira de atingir a autenticidade da emoção e levar a plateia às lágrimas, ainda mais em um ambiente tão sério como o de Cannes.
"Há no filme, inclusive, uma homenagem ao cinema francês", disse o cineasta, que 'pinta' Wasikowska como Jean Seberg e transforma Henry Hooper em um boêmio atemporal.

Confira o trailer de "Inquietos/Restless":


Jason Lew, autor do roteiro, é filho de um oncologista pediátrico, conviveu com crianças que morreram precocemente e frequentava funerais na infância, como a personagem de Hooper.

Depois de trabalhar com Tim Burton, Mia Wasikowska está feliz de trabalhar com Van Sant.
"A Annabel é uma menina que tem que lidar com uma situação extrema. Ela está morrendo, mas consegue apreciar os momentos simples da vida".

Bryce Dallas, atriz de "A Vila" e "Além da Vida" e filha do diretor Ron Howard, é uma das produtoras do filme.
"Não me planejei para me tornar produtora, mas aconteceu. Trabalho como atriz durante o dia, mas sobra muito tempo livre à noite", brincou.

*****
Com Reuters, UOL, France Presse e Getty Images