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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

GÊNIO DA TV BRASILEIRA, BONI FINALMENTE LANÇA LIVRO DE MEMÓRIAS E DETONA "PÂNICO", "CQC" E "BIG BROTHER"


José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, por mais de trinta anos foi o todo poderoso da Rede Globo.

É considerado um dos fundadores da televisão brasileira moderna - ao lado do executivo Walter Clark  - e sob sua batuta decolaram telenovelas e programas de estrondoso sucesso.

Boni também arquitetou a matriz estratégica da Globo, integrando as áreas de produção, entretenimento e jornalismo, e teve papel fundamental no projeto de integração nacional da emissora.

Se hoje a Globo detém 45% da audiência e 72% do faturamento publicitário entre as TVs, deve grande parte disso a seu legado.

Boni precisou de 4 meses para colocar em mais de 400 páginas as suas memórias profissionais em O Livro do Boni, lançado na semana passada pela Editora Casa da Palavra.

Rafael Andrade/Folhapress
Boni, que esta lançando sua autobiografia, posa para fotos em seu escritório no bairro do Leblon
Boni, que está lançando sua autobiografia, posa para fotos em seu escritório no bairro do Leblon

Os capítulos iniciais dão conta de seus primeiros passos no universo da comunicação.

Ele conta que desde criança gostava de assistir televisão, inclusive a "chuvinha na tela" quando saía do ar.

Publicitário de mão cheia, criou slogans como o famoso "Varig, Varig... Varig!" e foi dono de gravadora, de produtora, passou por várias rádios e TVs até chegar na Globo.

É quando o livro esquenta.
Recheado de histórias de bastidores, Boni desfia suas glórias e angústias.

As idiossincrasias dos artistas que passaram pela casa.
O conturbado relacionamento com os governos (militares e pós militares).
Roberto Marinho em pessoa.

Dirigindo atualmente a TV Vanguarda - retransmissora da Globo na região do Vale do Paraíba, que fatura 80 milhões de dólares por ano e da qual é dono - Boni recebeu o repórter da Folha Morris Kachani em seu escritório no Baixo Leblon, no Rio de Janeiro, de onde se avista o mar nas janelas frontais, e o Cristo Redentor na parte de trás.

Pergunta - Como compara a televisão do seu tempo com a de hoje?
Boni - Acho que se perdeu muito do espírito artístico da coisa. A TV Globo teve três fases: a primeira, que é a minha, em que o artístico comandava a empresa. Depois a da Marluce onde o administrativo comandava. E hoje temos a fase do Octavio Florisbal, que pelo menos é mais saudável, onde é o comercial que comanda. No meu entender, a finalidade última da TV é artística, e não comercial, nem administrativa. A TV não pode obrigatoriamente estar a serviço do mercado.

As novelas estão em crise, perdendo audiência.
Antes havia uma densidade maior, os autores tinham a preocupação não só de entender problemas relativos à audiência, mas sim com o conteúdo: havia diálogos maiores, interpretação melhor, uma direção mais sofisticada, menos gritos. Obedecia-se aos mesmos princípios básicos do folhetim, mas era menos superficial.

O futuro estaria nas sitcoms?
A novela não se exauriu. O problema é que hoje há uma repetição exaustiva da fórmula. E se produz demais, desnecessariamente. Fica tudo com cara de minissérie. Quando a coisa se fecha e bate palma pro próprio umbigo, fica crítica. Já o sitcom, é muito difícil de acertar. É um gênero que a gente não domina. Não há nada mais difícil do que escrever comédia de situação.

A grade da Globo continua parecida com a que você criou há 40 anos.
Essa grade de hoje já foi pro espaço. O modelo de TV que a gente segue atualmente está exaurido. Vai existir por mais um tempo, mas, com internet e TV a cabo, é fundamental mudar. No futuro, ninguém vai ficar sentado esperando que a TV passe um programa. Serão modificações radicais.

Onde visualiza o futuro da comunicação?
Evidente que venho correndo pra internet. Especialmente aplicativos para dispositivos móveis onde se tem a possibilidade de acesso imediato e específico daquilo que você quer. Vejo que o futuro esta aí nos tabletes, smartphones e smart-TV. A TV não vai morrer, como continuou a existir o rádio. Mas precisa se reinventar.

E a publicidade?
O negócio do anúncio de 30 segundos morreu. Note que as garotas propaganda voltaram: outro dia vi Ana Maria Braga fazendo uma propaganda-reportagem que durou quatro minutos.

Que achou das Olimpíadas na Record?
Do ponto vista de audiência, não será importante. Mas do prestígio, sim. Uma emissora líder não pode perder essa transmissão.

Que acha de programas como o "Chaves"?
Eu não teria na Globo, mas pensando bem não acho que os Trapalhões sejam diferentes.

E Silvio Santos?
É o "Chaves", de novo você está me perguntando a mesma coisa.

E o "BBB"?
Também não acho que seja um programa, eu teria escondido, embora o Boninho faça o melhor "BBB" do mundo inteiro. Mas eu não quero ouvir aquele texto, em dois minutos tenho vontade de quebrar a TV.

E o "CQC"?
Eles gritam muito, se "paniqueirizaram". Quando criticam, tudo bem. Mas quando agridem, não. Tinha tudo pra ser um programa perfeito. O que tenho mais horror hoje na TV é o grito, como no "Pânico". Sou inocente! Por que estão gritando comigo?

E do que você gosta?
Notícias, jornalismo. E "Mad Man", "House".

Como foi a relação da Globo com o governo militar?
Dr. Roberto ficou entre a cruz e a espada. Ideologicamente, sempre apoiou a economia de mercado. Gostou que os militares vieram para evitar o comunismo, venerava isso. Mas depois do AI-5, viu que aquilo ia demorar e ficou aflito. Passou de poderoso para ameaçado.

Por que você saiu da Globo?
Saí no auge do lucro, do controle orçamentário e da qualidade, porque saí não sei (risos).

Qual o lado b do Boni?
Eu triturei minha vida pessoal trabalhando para televisão. Assistia todas as gravações e depois do Jô ainda ia jantar. Das três famílias que tive, pelo menos duas botei no liquidificador. Minha parte pessoal sempre foi desequilibrada, não soube administrar com a mesma eficiência da televisão.

Título:
O Livro do Boni
Autor:
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho
Editora:
Casa da Palavra
Edição:
1
Ano:
2011
Idioma:
Português
Especificações:
Brochura | 352 páginas
Quanto:
R$33,90
Onde Comprar:
 Livraria da Folha 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

RAFAEL PRIMOT LANÇOU SEU NOVO LIVRO ONTEM EM SP


O multimídia Rafael Primot recebeu centenas de amigos ontem à tarde, na Livraria da Vila da Al. Lorena, aqui em São Paulo, onde lançou seu mais novo livro, O Livro dos Monstros Guardados.

Fotos: Revista RG - André Ligeiro
O ator, diretor e autor Rafael Primot segura sua mais nova obra


O Livro dos Monstros Guardados é um  texto que virou peça e deu ao ator/dramaturgo o prêmio de melhor autor no Shell de 2009


Debora Falabella e sua filha Nina; a  atriz é amiga de Primot e protagonista do seu primeiro longa, a caminho


O ator Daniel Alvim também compareceu


Christiano Chadad e Cristina Cardoso são amigos de Primot desde sua cidade natal, Itapeva, SP


Danny Oliveira, Rafael Primot e Leandro Luna


Samir Yazbek, dramaturgo e diretor teatral, também foi


 Os editores do livro, Tatiana Passarelli e Sergo Salvia Coelho


Sergio Cavalcant está no novo elenco da série "Força Tarefa" e Fabricio Pietro é apresentador do programa "Espaço Mix" e ator da peça que se baseou no livro


Primot gastou caneta e a mão, de tantas dedicatórias


O livro está á venda na Livraria da Vila,  e no site da Editora Terceira Margem, ao  preço de R$ 30,00. 


segunda-feira, 4 de julho de 2011

LIVRO SOBRE FILMES COM TEMÁTICA LGBT TEM BOA PESQUISA, MAS TEXTO DEIXA A DESEJAR


A pesquisa feita para o livro Cine Arco-Íris é dedicada, extensa e abrange 115 anos de filmes com personagens homossexuais, bissexuais ou transexuais, onde não faltam exemplares de cinematografias diversas, do predomínio de produções americanas ao cinema tailandês - do diretor Apichatpong Weerasethakul, passando por alguns argentinos - dirigidos por Lucía Puenzo e Marcelo Piñeyro, alemães - Fassbinder - e portugueses  - João Pedro Rodrigues - , muitos italianos - especialmente Pasolini -, franceses e brasileiros.

Também não faltam escolhas corajosas, como incluir os filmes de Hitchcock - Festim Diabólico e Rebecca – A Mulher Inesquecível , onde o tema é apenas insinuado -  ou Spartacus - de Kubrick -, e Conta Comigo, de Rob Reiner - onde o homoerotismo é subliminar. 

Divulgação
Cena de "Spartacus", de Stanley Kubrick

A escolha dos cerca de 270 filmes que integram o livro é muito interessante e tem mínima sofisticação de olhar, e, dividindo  as produções por décadas, permite ao leitor perceber a evolução da liberdade homossexual no cinema.

Se a pesquisa é bem feita, não se pode dizer o mesmo quanto aos textos. 
Autor do livro, o jornalista Stevan Lekitsch tem uma predileção pelo cinema clássico e seus filhotes, opção que, por si só, não implicaria problema algum, só aparece quando o texto torce o nariz para quem foge do padrão.

Matou a Mulher e Foi ao Cinema, de Bressane, recebe um comentário:  “O filme é estranho, meio sem pé nem cabeça” e se encerra com “Mas fica só nisso, porque o filme é completamente bagunçado” - parece que ele nem viu o filme.

Sobre Amarelo Manga, um anti-cartão-postal de Recife, sobre o qual Lekitsch diz: “Se não fosse brasileiro, poderíamos jurar que se tratava de um filme de Almodóvar”. (!)

Sobre O Menino e O Vento, de Carlos Hugo Christensen: “De beleza plástica incomparável (mesmo em preto e branco)”, o que dá a entender que, antes do advento do cinema colorido não houve filmes de “beleza plástica incomparável”? 

No prefácio, o jornalista Marcos Brandão tenta  defender que “o maior mérito deste livro não está no que se diz sobre este ou aquele filme, e sim em sua declarada intenção de seduzir o leitor a conhecer, ou rever, o maior número possível deles e, assim, elaborar e emitir seu próprio julgamento de valor”
Estranha argumentação, já que uma das funções da crítica, como define Michel Ciment, é justamente "compartilhar filmes e leituras".

Divulgação
"O Segredo de Brokeback Mountain" - de Ang Lee -  recebe no livro um  comentário raso sobre a trama e fofocas dos bastidores

Em Cine Arco-Íris, Lekitsch parece, na maioria das vezes, encher linguiça para cada produção com comentários supérfluos  - se ganhou Oscar, se o ator ou atriz era lindo, conta-se muito do enredo, valor do orçamento etc - e fica num meio termo entre guia com informações técnicas, com curiosidades e texto superficialmente opinativo.

No mais, o livro é uma compilação de lugares-comuns: “direção firme”, “filme forte”, “boas interpretações”, “denso”. 

Um cinema como o de John Walters, por exemplo, é para Lekitsch  "bizarro e esquisito", sem se cogitar que, naquele momento, seu grande desejo era cutucar o establishment.

O livro também perde  muito com a ausência de três filmes e de um cineasta em especial: Good Bye, Dragon Inn, de Tsai Ming-Liang,  Romance, de Sérgio Bianchi -  melhor filme brasileiro sobre o ser gay nos anos 80 - e Onde Andará Dulce Veiga, de Guilherme de Almeida Prado, limados por absoluta falta de espaço.

Mas uma ausência imperdoável é ao menos uma menção ao cinema de Jacques Nolot, de Avant que J’oublie e La Chatte a Deux Têtes, filmes do mais agressivo cineasta homossexual da atualidade, que trata o sexo de maneira delirante e mercantilizada, ao mesmo tempo.

Talvez fique para a próxima edição.

Cine Arco-Íris
Título: Cine Arco-Íris
Autor: Stevan Lekitsch
Editora: Edições GLS
Edição: 1
Ano: 2011
Idioma: Português
Especificações: Brochura, 272 páginas
Quanto: R$ 65,90
Onde Comprar: Livraria da Folha
Cotação do Klau:

segunda-feira, 30 de maio de 2011

GUIA AJUDA A ENTENDER MELHOR O UNIVERSO DE "HOUSE"

Rabugento, irônico, sarcástico e nem um pouco preocupado com seus pacientes.

Apesar dessas características serem absurdas para um médico, Gregory House faz sucesso exatamente por elas.

Personagem-título da série de sucesso mundial, e que entrará agora na sua oitava - e possivelmente, última temporada - House prefere o mistério da doença misteriosa ao prazer de ver seu paciente melhor.

Sua meticulosidade faz com que os casos mais estranhos cheguem em suas mãos: sintomas que não combinam, desconhecidos, doenças improváveis, desde que seja complexo e um verdadeiro quebra-cabeça, ele aceita.

House - interpretado magistralmente por Hugh Laurie - montou sua equipe com pessoas de personalidades diferentes, e justamente por isso todos são a ajuda essencial para diagnosticar as doenças apresentadas, episódio após episódio, tudo permeado pelas vidas de  House ,  do seu melhor amigo, o oncologista James Wilson - papel de Robert Sean Leonard e de Cudy, a médica supervisora do hospital onde trabalham - vivida por Lisa Edelstein - e interesse amoroso do difícil doutor.

Divulgação
Elenco de Dr. House
O elenco atual  de House

A análise do perfil de cada um deles é apenas um dos pontos de O Guia Oficial de House, recém lançado pela editora Best Seller.

Além dos personagens vistos nas telas, ele apresenta outros de extrema importância, mas que trabalham nos bastidores, como David Shore, criador da série; Katie Jacobs, responsável pelo casting para o programa-piloto; Greg Yaitanes, diretor de produção; e Gare Tatersall, o elogiado diretor de fotografia.

Para os fãs do seriado, o guia ainda tem curiosidades dos episódios e outros detalhes da produção e da consultoria médica da série.

De ler de um fôlego só, e, por isso mesmo, imperdível.

O Guia Oficial de House
Título: O Guia Oficial de House
Autor: Ian Jackman
Tradução:Elena Gaidano e fatima Santos
Editora: Best Seller
Edição: 1
Ano: 2011
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 432 páginas
Quanto: R$ 44,90
Onde Comprar: Livraria da Folha
COTAÇÃO DO KLAU:

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

MAIOR DESENHISTA DE FORMAS FEMININAS, ILUSTRADOR BENÍCIO LANÇA LIVRO, FAZ EXPOSIÇÃO, E DIZ QUE MULHERES "ESTÃO PERDENDO AS CURVAS"

A editora Reference Press lança nesta quarta-feira (16), em São Paulo, o livro "Sex & Crime - The Book Cover Art of Benicio", o primeiro dedicado exclusivamente à obra do ilustrador José Luiz Benicio, ou simplesmente Benicio, autor de mais de 300 cartazes para o cinema, três mil ilustrações para livros de bolsos e anúncios para grandes marcas, como Coca-Cola, Esso e Banco do Brasil.

DivulgaçãoCapa do livro, que Benício lança hoje

Paralelamente, o Ilustrador fará uma exposição, de hoje a sábado, onde o público poderá apreciar, em tamanho real, suas obras de arte - confira abaixo.

DivulgaçãoPeça publicitária de Benício e Nilton Ramalho

Na publicação, além das famosas personagens Giselle e Brigitte Montfort - estrelas dos livros de bolso de literatura "pulp Fiction" da editora Monterrey - aparecem pin-ups criadas para a revista "Playboy", e para peças publicitárias.

Divulgação A agente secreta - e líder de vendas de "pulp fiction" - Brigitte Montfort

Em entrevista, o ilustrador falou sobre o lançamento, sobre a mudança do corpo feminino nos últimos anos - "[as mulheres] estão ficando fortes, perdendo aquelas curvas".

DivulgaçãoUm dos rótulos brasileiros mais famosos de todos os tempos - da Catuaba Selvagem - também é criação de Benício

Benício também fala sobre o recente caso de plágio envolvendo a capa de disco do MC alemão Morlockk Dilemma, que plageia arte sua feita para o álbum "Amar Pra Viver ou Morrer de Amor", de Erasmo Carlos.
Na exposição que será aberta hoje, oitenta obras originais - feitas a guache - poderão, além de serem apreciadas, adquiridas.

Leia a entrevista:

Você chegou a fazer mais de duas mil capas de livros. Como conseguiu produzir tanto?

A minha prática de desenhar com rapidez ajudou, mas outros fatores também contrbuíram, como o fato das capas não exigirem detalhes no plano de fundo, serem basicamente a fotografia da personagem.

Em 2006, o jornalista Gonçalo Júnior escreveu “Benício – Um perfil do mestre das Pin-Ups e dos Cartazes de Cinema”. Agora ocorre o lançamento de “Sex & Crime – the book cover art of Benício”. Como você vê este recente interesse pelo seu trabalho por parte das editoras?

Eu nunca analisei este interesse da juventude pela minha obra, mas acredito que se deve muito ao fato do meu nome estar ligado ao desenho de mulheres, de pin-ups.

Divulgação
Carmen Miranda, no traço de Benício

Como é o seu processo de criação?

Varia de acordo com o produto. As personagens dos livros criei com base na descrição do autor. Assim surgiram Giselle, "Espiã Nua Que Abalou Paris"; e Brigitte Montfort [ambas personagens de livros de bolso da editora Monterrey que eram vendidos em bancas de jornal] . Para o cinema, ou criava a partir de still (fotografia das cenas), ou o artista posava para mim, ou então ia na base também da descrição do autor. O cartaz de "A Super Fêmea", com Vera Fischer, um dos que mais gosto, por exemplo, foi feito a partir de conversas com o diretor. Não tive o prazer de receber a Vera em meu estúdio (risos).

Divulgação
Pôster de Benício para o filme "A Super Fêmea", que lançou Vera Fischer ao estrelato

Por falar em Vera Fischer, qual atriz atualmente você gostaria de retratar em um cartaz?

Existem muitas, mas uma que se destaca é a Maria Fernanda Cândido. Ela é bonita, elegante, tem curvas. Se parece, aliás, com as musas de tempos atrás.

Antigamente existiam mais musas?

O que acontece é que hoje em dia as mulheres estão masculinizadas. Elas estão ficando fortes, perdendo aquelas curvas. Um processo que, a meu ver, está ligado à competição com os homens em todas as áreas.

O cartaz de "Dona Flor e Seus Dois Maridos" é um dos mais conhecidos, não?

Sim, principalmente por conta do sucesso da obra nos cinemas. Mas tem também os cartazes dos filmes dos Trapalhões e muitos outros.

Divulgação
Pôster de Benício para "Dona Flor e seus Dois Maridos", um dos maiores sucessos do cinema brasileiro até hoje

Quando falam de seus desenhos, sempre o comparam a Norman Rockwell [pintor e ilustrador norte-americano do século 20]. É uma fonte de inspiração do seu trabalho?

Obviamente a obra dele é muito maior do que a minha. O Rockwell é incomparável, um ícone. Mas existe uma semelhança em nosso trabalho no fato de uniirmos realidade e ficção nos desenhos.

E o trabalho em publicidade? Você é um dos criadores da parte visual do Rock in Rio?

Eu sempre trabalhei com publicidade, e o Rock in Rio foi idealizado pela agência Artplan quando eu estava lá. Mas quem cuidou do visual do festival foi mais o Cid Castro, que estava diretamente ligado ao evento. Eu só dei alguns palpites, não fazia parte do departamento.

Como está o processo envolvendo o músico alemão Morlockk Dilemma, que plagiou a capa do disco "Amar Pra Viver ou Morrer de Amor", de Erasmo Carlos, feita por você?

Um site brasileiro, o "ilustrasite", viu isso e me informou. Contratei um advogado e o processo está em andamento. Aquilo não se trata de uma inspiração ou de uma homenagem, e sim cópia mesmo. Praticamente só mudou o rosto do modelo.

Divulgação - Montagem: Cláudio Nóvoa
às esquerda, o trabalho de Benício para a capa do disco de Erasmo; à direita, a cópia descarada do alemão Morlockk Dilemma


"SEX & CRIME: A ARTE DE BENICIO EM LIVRO E EXPOSIÇÃO"
Abertura:
Quarta (16) das 19h às 22h.
Dias: Quinta (17) a Sábado (19), das 11h às 20h
Onde: Cartel 011
Endereço: Rua Artur de Azevedo 517, Pinheiros, São Paulo-SP.
Tel.: 0/xx/11/3081-4171
Quanto: Grátis

*****
Entrevista: Cadu Ramos - UOL
Redação Final: Cláudio Nóvoa

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

MARILYN MONROE: A DIVA DAS DIVAS DAS DIVAS, ESCRITORA E EM IMAGENS INÉDITAS

A solidão, o pânico diante de cada filmagem e sua paixão pela literatura estão entre as revelações de "Fragments", a coleção de escritos íntimos da Diva das Divas das Divas
Marilyn Monroe, que será publicada no mundo todo graças ao empenho de um editor francês.

Os fãs - eu incluso - poderão ter contato com esses textos inéditos da Diva americana
(1926-1962), que estavam em poder de Anna, viúva de Lee Strasberg, diretor do Actor's Studio e uma de suas melhores amigas, e que foram editados por Bernard Comment para a casa francesa Seuil.

O editor afirma que conseguiu os textos por uma quantia não revelada, mas admite que pagou um preço incrivelmente baixo, já que havia o interesse de Anna Strasberg em encontrar um editor "com personalidade literária", não ansioso por encher os bolsos com "outro livro sobre Monroe".

São 272 páginas, com fac-símiles das notas de Marilyn escritas em papel de cartas de hotéis, folhas soltas, diários e cartas que durante 48 anos mantiveram oculto o mundo interior do mito de Hollywood, uma mulher espetacular por fora que quis sê-lo também por dentro.

"Como posso interpretar uma menina tão feliz, juvenil e cheia de esperanças?" questiona-se em um fragmento sem data (só há referência a "27 de agosto") no qual a atriz confessa, em plena filmagem: "buscar a maneira para interpretar este papel, desde sempre minha vida inteira me deprimiu".

O livro começa com notas de 1943, quando ela tinha 17 anos; Norma Jean Mortenson casa-se com Jim Dougherty e afirma: "com certeza era uma grande tímida, mas, como gostava das pessoas e tinha amigos em todas as partes, fazia esforço em conservá-los, minha vida chegou a ser equilibrada".

No início dos anos 50, em um caderno preto, a protagonista de "Quanto Mais Quente Melhor"
(1959) e "Nunca fui Santa" (1956), e imagem do desejo para milhões de homens e mulheres, pede socorro: "Só! Estou só. Sempre estou, aconteça o que acontecer".

Pouco depois confessa sobre seu trabalho como atriz: "(...) tenho medo de fazer novos filmes porque talvez não tenha capacidade de fazê-los, as pessoas vão pensar que não sou uma boa atriz, vão rir ou, inclusive, vão pensar que não sei atuar".

"Tento me recuperar dizendo a mim mesma que fiz coisas bem feitas e que tive momentos excelentes, mas mesmo assim não tenho confiança (...), sou deprimida (...), louca", acrescenta nas notas, que coincidem com os anos do auge da carreira cinematográfica da atriz.

Marilyn fala nas passagens da vida com o escritor Arthur Miller - "ultimamente nada em minhas relações pessoais (e profissionais) me aterrorizou tanto, exceto ele. Várias vezes me senti muito mal com ele", afirma.

E a Diva divagava: "A verdadeira razão pela qual tenho medo é porque acho que sou homossexual", diz Marilyn em uma "agenda italiana" datada em 1955 e 1956, que correspondem a sua estadia na clínica Payne Whitney de Nova York e refletem o sofrimento da atriz, sua tendência à depressão e seu medo de enlouquecer, como sua mãe.

Em carta a Lee e Paula Strasberg, confessa: "tenho certeza que acabarei louca se continuar vivendo esse pesadelo" - para depois escrever: "Por favor, Lee, ajude-me, este é o último lugar no qual deveria estar. Talvez chamando o doutor Kris e dizendo que tenho uma boa saúde mental e que preciso fazer aulas para me preparar melhor para 'Rain'", continua, quase gritando nessa carta desesperada.

Em outro momento deste compêndio de escritos, Marilyn diz que o doutor Kris, interessado em saber se sua depressão ajuda-a a interpretar melhor seus papéis no cinema, responde: "Greta Garbo, Charlie Chaplin e talvez também Ingrid Bergman, às vezes, trabalharam quando estavam deprimidos".

O livro - que será colocado à venda em todo o mundo a partir da edição francesa - revela o interesse da atriz pela literatura, através da qual parece que sempre quis construir uma rica vida interior.

Duas fotografias a mostram: uma "lendo" as últimas páginas de "Ulisses", de James Joyce, em um parque nova-iorquino, e outra na capa da mesma revista francesa, que agora adianta as notas, em uma publicidade de perfume.

Marilyn Monroe é uma das personalidades mundiais sobre quem já foram escritos muitos livros, e o grande público nem suspeitava que no interior de seu desejado corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta.

Seus textos mostram como Marilyn busca nela mesma sua própria verdade, para dar vida a seus melhores papéis, e para enfrontar os grandes textos, e o ideditismo desse livro está justamente no fato de que agora, é ela mesma quem escreve.

Leitora compulsiva, Marilyn possuía uma imponente biblioteca, onde estavam presentes todos os grandes escritores - biblioteca que foi dispersada em um grande leilão da Christie's em 1999, em benefício de uma associação de caridade para escritores carentes.
Mesmo depois de morta, Marilyn continua fazendo sonhar.

*****
Enquanto aguardo esse livro com extrema ansiedade, me divirto com mais um livro sobre a Diva: a Calla Editions acabou de lançar uma obra que traz mais de 100 imagens inéditas de Marilyn, em preto e branco.

Calla Editions/Divulgação







"Marilyn: August 1953" tem fotografias tiradas no verão de 1953 - quando ela tinha 27 anos - e foi realizado por John Vachon para a revista "Look" em Alberta no Canadá, onde a atriz filmava "O Rio das Almas Perdidas/River of No Return"(1954), com Robert Mitchum e direção de Otto Preminger e Jean Negulesco.







Entre as fotos, Marilyn aparece ao lado de seu noivo na época, o jogador de beisebol Joe DiMaggio, com o pé esquerdo enfaixado por conta de uma torção, motivo de a Diva também aparecer em algumas imagens usando muletas.

É uma obra imperdível, pois é muito bem feito, a edição é de primeira e o melhor: é barato.

"MARILYN: AUGUST 1953"
Editora:
Calla Editions
Quanto: US$ 19.80
Onde Comprar: Amazon.com
COTAÇÃO DO KLAU:


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CLÁSSICOS DA LITERATURA EM HQ: ALÉM DA ESPECTATIVA

A editora Larousse lançou uma coleção muito boa.

A "HQ Clássicos" tem três lançamentos de peso, já lidos por mim: "Frankenstein" - de Mary Shelley , "Macbeth" e "Romeu e Julieta" - ambos de William Shakespeare - todos com páginas coloridas e papel especial - as obras foram desenhadas por uma equipe de artistas da editora inglesa Classical Comics.

O que achei mais relevante, é que as partes descritivas estão representadas nas imagens, mas foram mantidos os textos originais, o que torna as obras um mix muito bom de se ler - de HQs e livros.

Em "Macbeth" e "Romeu e Julieta", os atos e cenas foram conservados intactos, o que pode ser uma ótima fonte de inspiração para encenadores, principalmente os amadores.
Pena que os desenhos não façam jus às obras, o que não acontece com "Frankenstein", que tem desenhos espetaculares.

Na apresentação da coleção, a editora diz que a idéia é que, além de entretenimento, a obra também seja usada como material de aprendizado na sala de aula.

A Larrousse ajuda com essa coleção a combater um preconceito com adaptações e quadrinhos em geral, que hoje já não tem mais sentido algum.

Entre os próximos títulos estão "A Christmas Carol", "Great Expectations", de Charles Dickens, e "A Tempestade", de William Shakespeare.

Quer uma maneira melhor de apresentar os clássicos às crianças?

Editora: Larousse
Edição: Nº:1
Páginas: 144
Formato: 15,5 x 24 cm
Quanto: R$ 44,82
Onde Comprar com Desconto: Editora Escala - www.escala.com.br
COTAÇÃO DO KLAU:
*****

Editora: Larousse
Edição: Nº:1
Páginas: 168
Formato: 16,5 x 24 cm
Quanto: R$ 44,82
Onde Comprar com Desconto: Editora Escala - www.escala.com.br
COTAÇÃO DO KLAU:
*****

Editora: Larousse
Edição: Nº:1
Páginas: 144
Formato: 16,5 x 24 cm
Quanto: R$ 44,82
Onde Comprar com Desconto: Editora Escala - www.escala.com.br
COTAÇÃO DO KLAU: