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domingo, 30 de agosto de 2020

'SOB PRESSÃO': SÉRIE MÉDICA TERÁ DOIS EPISÓDIOS ESPECIAIS, FOCADOS NA COVID 19

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Carolina e Evandro estão de volta em mini-temporada sobre o novo coronavírus
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Uma das mais aclamadas séries da Globo, Sob Pressão é conhecida por mostrar os problemas da saúde pública no país e terá uma "mini-temporada" de dois episódios para mostrar os personagens em um hospital de campanha batalhando contra o novo coronavírus.

Os dois episódios de Sob Pressão - Plantão Covid mostrarão os médicos Carolina (Marjorie Estiano) e Evandro (Júlio Andrade) sendo chamados de volta ao Rio de Janeiro para trabalhar em um hospital de campanha, montado para tratar pacientes com Covid-19.

O desespero dos médicos diante de um vírus desconhecido é o grande foco da temporada, que traz de volta o elenco da série, composto por Bruno Garcia, Pablo Sanábio, Drica Moraes, Julia Shimura e Josie Antelio.

Marjorie Estiano é indicada ao Emmy por seu papel em "Sob Pressão"; veja os  indicados - Jetss
O elenco da série - Globo
A nova temporada terá também novos personagens, o neurocirurgião Mauro (David Junior) e Marisa (Roberta Rodrigues).

Para gravar esses dois episódios, a Globo montou em seus estúdios um hospital de campanha.

"Recriamos o hospital de campanha e, dentro dele, estamos trabalhando como se estivéssemos realmente no enfrentamento", explica Andrucha Waddington, diretor da série.

Sob Pressão, ao lado da temporada final das novelas Amor de Mãe e Salve-se Quem Puder, marcam a retomada das gravações de teledramaturgia nos Estúdios Globo.

A estreia está prevista para ainda este ano.

sábado, 20 de julho de 2019

'SOB PRESSÃO' TERÁ UMA QUARTA TEMPORADA

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Mas somente em 2021
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A voz dos fãs foi ouvida e a Globo decidiu renovar a elogiada série Sob Pressão para uma quarta temporada, segundo informações da coluna de Flavio Ricco no portal UOL.

Inicialmente, o plano era encerrar o drama em sua terceira temporada, que terá o seu último episódio exibido na próxima quinta.

Porém, a boa repercussão com público e crítica acabou resgatando a trama do cancelamento.

Porém, Sob Pressão só retornará em 2021, já que seus protagonistas também têm compromissos com outros projetos.

Enquanto a Conspiração Filmes desenvolve a quarta temporada, Marjorie Estiano já foi confirmada na supersérie O Selvagem da Ópera, de Maria Adelaide Amaral, para a Globo.

Por sua vez, Júlio Andrade deve seguir dividindo seu tempo entre atrações da Globo e da Fox.

Sob direção geral de Andrucha Waddington, as três temporadas da série também estão disponíveis no catálogo do GloboPlay.

terça-feira, 2 de abril de 2019

'SOB PRESSÃO': CONFIRA O QUE VEREMOS NA TERCEIRA TEMPORADA

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Médicos vivem no limite da tensão na terceira temporada de uma das melhores séries da atualidade
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A rotina caótica e sempre emergencial dos médicos Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) continua na terceira temporada de Sob Pressão, que tem estreia prevista para maio.

Após o fechamento do hospital Luiz Carlos Macedo, o plano do casal é embarcar com a organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras para o interior do Brasil.

Só que enquanto isso não acontece, eles fazem um trabalho temporário no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Porém, um dia caótico por causa da greve de caminhoneiros no Rio de Janeiro muda completamente seus destinos.

Na tentativa de contornar os obstáculos causados pela falta de abastecimento durante um atendimento de urgência, Evandro e Carolina buscam ajuda no São Tomé Apóstolo, hospital religioso, onde agora Décio (Bruno Garcia) atua como clínico-geral.

Na unidade, eles colocam em prática a experiência de anos adquirida nas emergências públicas e, diante do salvamento de uma criança, acabam sendo convidados para trabalhar no local.

A proposta é feita pela Irmã Graça (Joana Fomm), Madre Superiora do local, que enxerga no desempenho do casal uma grande oportunidade para reerguer o local, que está com o centro cirúrgico desativado.

Evandro e Carolina aceitam o convite e ele ocupa o cargo de diretor. 

Carolina assume a chefia da emergência da unidade, localizada próxima a uma comunidade liderada pela milícia.

Ao lado do trio de cirurgiões, o São Tomé Apóstolo conta ainda com profissionais remanescentes do Macedão: Charles (Pablo Sanábio), Keiko (Julia Shimura) e Rosa (Josie Antello).

A equipe médica ainda é formada pelo anestesista Gustavo (Marcelo Batista), pela enfermeira Simone (Jana Guinond) e pela recém-chegada infectologista Vera, interpretada por Drica Moraes.

Com direção artística de Andrucha Waddington e direção de Mini Kerti, Rebeca Diniz, Pedro Waddington e Julio Andrade, Sob Pressão é uma coprodução da Globo com a Conspiração Filmes.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

'CHACRINHA - O VELHO GUERREIRO': CINEBIOGRAFIA NÃO VEIO PARA EXPLICAR, SÓ VENERAR UM DOS MAIORES COMUNICADORES DE TODOS OS TEMPOS


SINOPSE:

Cinebiografia de José Abelardo Barbosa de Medeiros (Stepan Nercessian) desde a época de sua juventude (Eduardo Sterblitch), quando decide largar a faculdade de Medicina para se aventurar como locutor em uma rádio.

Após começar a fazer barulho no rádio, Chacrinha é convidado a se aventurar na televisão e revoluciona os programas de auditório, apresentando vários nomes importantes da música brasileira, se tornando um dos maiores comunicadores que o Brasil já viu.

CRÍTICA:

Diretor de filmes cultuados como 'Gêmeas', 'Eu Tu Eles' e 'Casa de Areia', Andrucha Waddington optou por um cinema mais comercial nos últimos trabalhos, em especial com 'Os Penetras' e 'Os Penetras 2 - Quem Dá Mais?'.

Agora, o diretor chega aos cinemas com 'Chacrinha - O Velho Guerreiro', cinebiografia com apelo comercial e destinada não só aos fãs do apresentador, como também às novas gerações, que não puderam conhecer o seu trabalho, em emissoras como Band e Globo.

Chacrinha, como era conhecido José Abelardo Barbosa de Medeiros, foi um dos maiores nomes do rádio e da televisão brasileira, influenciando e lançando inúmeros sucessos da música nacional. 

Chacrinha - O Velho Guerreiro : Foto
Eduardo Sterblitch vive Abelardo quando jovem - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Downtown Filmes
filme procura traçar a história de início, meio e fim da vida do artista e, até por isso, tem dificuldade em ser bem sucedido.

O longa tenta mostrar coisa demais, então é impossível não sentir que estamos diante de algo superficial.

São vários os pulos no tempo e muitas vezes estes acabam fazendo com que momentos mais desafiadores da carreira do artista, especialmente no início, fiquem parecendo simplórios.

Eduardo Sterblitch vive Abelardo quando jovem, retratando o início dele no Rio de Janeiro e suas aventuras no rádio.

Ainda que um pouco exagerado, Sterblitch tem bons momentos e revela ao grande público sua faceta de ótimo ator que sempre foi.

Quando mais velho, Chacrinha é vivido por Stepan Nercessian, numa performance divertida e sensacional: a impressão é que o ator, que já havia vivido a personagem num aclamado musical nos palcos, incorporou o Velho Guerreiro, tamanha a perfeição.

Chacrinha - O Velho Guerreiro : Foto
Stepan Nercessian interpreta Chacrinha mais velho
Valorizando mais as polêmicas e o temperamento forte, o filme, porém. deixa a desejar ao retratar a importância do artista na vida cultural e televisiva brasileira.

Com uma produção bem inferior ao visto recentemente em 'Bingo - O Rei das Manhãs', para citar outro filme sobre uma personalidade da TV nacional,
a vida pessoal de Chacrinha é explorada, mas sempre de forma a privilegiar o folclore ao invés dos dramas íntimos do artista.

Chacrinha - O Velho Guerreiro : Foto
Gianne Albertoni é Elke Maravilha
Mesmo o acidente que abalou sua família - um de seus filhos, então noivo da cantora Wanderléa, ficou tetraplégico - é retratado de forma rápida e pouco desenvolvida.

Mas o que importa mesmo é que o longa conta com um vasto leque musical, retratando inúmeras canções, artistas e bandas que participaram dos programas de Chacrinha.

Neste sentido, temos cenas divertidas e atrativas para os espectadores, com atores caracterizados como ícones da música como Clara Nunes e Raul Seixas, dentre vários outros.

Imagem relacionada
Karen Junqueira é Rita Cadillac
E lógico, as duas mulheres ícone da carreira do Velho Guerreiro - Rita Cadillac (Karen Junqueira) e Elke Maravilha (Gianne Albertoni) - estão presentes, com boa participação no longa, que conta com bom figurino e design de produção.

Como sabemos, o projeto vira série da Globo no ano que vem - o que deve fazer com que todas essas falhas temporais e histórias superficiais sejam devidamente corrigidas.

Quanto ao filme, quem conhecia pouco sobre Chacrinha seguirá sem saber muito - mas quem o conhecia, vai se deliciar.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'CHACRINHA - O VELHO GUERREIRO'
Título Original:
CHACRINHA - O VELHO GUERREIRO
Gênero:
Biografia, Drama
Direção:
Andrucha Waddington
Elenco:
Stepan Nercessian, Eduardo Sterblitch, Gianne Albertoni, Carla Ribas, Gustavo Machado, Rodrigo Pandolfo, Laila Garin, Antonio Grassi, Karen Junqueira, Marcelo Serrado
Roteiro:
Cláudio Paiva
Trilha Sonora:
Antonio Pinto
Produtores:
Angelo Salvetti, Altino Pavan, Cosimo Valerio, Andrucha Waddington, Lupa Mendes
Produtor Executivo:
Fernando Zagallo
Produtor Associado:
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni)
Diretor de Fotografia:
Fernando Young
Montador:
Thiago Lima
Figurinista:
Marcelo Pires
Produção:
Paris Filmes
Distribuição:
Downtown Filmes
País:
Brasil
Ano de Produção:
2017
Estreia (Brasil): 
8 de novembro de 2018
Duração: 
1h54min
Classificação Indicativa:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

'CHACRINHA: O VELHO GUERREIRO' GANHA PRIMEIRO TRAILER

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Cinebiografia do famoso apresentador ganhou seu primeiro trailer oficial
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Veja:


No filme, conheceremos o perfeccionismo de Abelardo Barbosa em contraste com a espontaneidade do que representava como Chacrinha, a relação conturbada do apresentador com a família e as críticas enfrentadas ao estilo original que mais tarde o consagraria.

O filme narra sua trajetória desde o momento em que larga a faculdade de medicina para se aventurar como locutor de rádio e se transformar no alter ego mais conhecido do Brasil, o nosso velho guerreiro: Chacrinha.

No elenco, Stepan Nercessian faz o Chacrinha mais velho e Eduardo Sterblitch,o jovem Abelardo Barbosa.

A direção é de Andrucha Waddington.

A Downton Filmes lança o longa em 25 de outubro - em 2019, o trabalho será exibido em formato de minissérie pela Globo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

"LOPE": MESMO COM CRÍTICAS DOS ESPANHÓIS, ANDRUCHA WADDINGTON FEZ UM BELO FILME

Se fizermos uma comparação rasteira, podemos dizer que o escritor Lope de Vega (1562-1635) é o William Shakespeare da Espanha: escreveu mais de 400 comédias, 42 autos e centenas de poemas.

A juventude de Lope é retratada neste filme que estreia hoje, dirigido com bastante liberdade pelo brasileiro Andrucha Waddington - de "Eu Tu Eles" e "Casa de Areia" -, aqui em seu primeiro trabalho internacional - na Espanha, "Lope" venceu dois Goya, o principal prêmio cinematográfico do país: melhor canção original, para "Que el soneto nos tome por sorpresa", do uruguaio Jorge Drexler, e melhor figurino.

Como define o diretor, o filme foca "o Lope antes do Lope", o jovem poeta antes da transformação em mito.

Andrucha assina um filme de época sem a pasmaceira e escuridão habituais do gênero, e, suprema heresia do ponto de vista dos espanhóis, escalou um ator argentino, Alberto Ammann, para interpretar o protagonista - os espanhóis puristas não pouparam o sotaque do protagonista, e, para quem conhece, um argentino tem sotaque muito diferente de um espanhol.
Com roteiro de Jordi Gasull e Ignacio Del Moral, o filme flui nas tramas, especialmente amorosas - que, nessa fase da vida do personagem, estão totalmente implicadas no seu início profissional.

Lope vem de uma família modesta: filho da viúva Paquita - interpretada pela Diva Sônia Braga, com uma excelente maquiagem de envelhecimento que a deixa irreconhecível - e tem um irmão, Juan - Antonio de La Torre.
Os dois acabam de voltar da guerra, e tentam encontrar trabalho para sobreviver, o que na época era dificílimo.

Lope, por sua vez, só pensa na poesia e no teatro, e faz sucesso com a mulherada por conta de sua destreza com as palavras - e uma delas , Elena Osorio, interpretada por Pilar López de Ayala, também será seduzida pela verve do jovem poeta.

DivulgaçãoPilar López de Ayala e Alberto Ammann, em cena de "Lope"

Casada, com marido vivendo distante, e pai sendo um poderoso empresário teatral em Madri - Velasquez, interpretado por Juan Diego - a paixão de Elena se torna muito conveniente para Lope, que acaba encenando suas peças no teatro de Velasquez, mesmo sem muitas compensações financeiras - o esperto empresário explora seu sucesso em proveito próprio.

O coração do dramaturgo bate também por Isabel de Urbina - Leonor Watling, de "Fale com Ela"-, uma jovem de família rica e bem mais pudica e religiosa do que Elena, e, por conta desse enrosco amoroso, Lope logo se verá em apuros, inclusive nos tribunais.

Selton Mello interpreta aqui um nobre português, o marquês de Navas - que costuma encomendar versos a Lope para fazer bonito nas festas e conquistar namoradas.

O filme também foi criticado pelas assumidas liberdades em relação à fidelidade histórica, e em pelo naturalismo nos cenários e figurinos.

É uma Madri suja que vemos na telona, com personagens usando roupas gastas e puídas -o diretor, baseado em pesquisas, garante que eram assim mesmo na época que o filme retrata, o século 16 - Andrucha completou sua ambientação com referências da obra de diversos pintores da época, como Velázquez.

Alberto Ammann é um ator magnético, que passa verdade em cada cena em que aparece - o bom roteiro também o ajuda, e muito.

E a Diva Sônia Braga está simplesmente magnífica, como fazia tempo que eu não a via tão entregue assim a uma personagem.

A direção de arte é muito boa, a fotografia é acima da média, e Andrucha fez aqui sua melhor direção até agora, disparado - é um diretor de atores muito bom, e se saiu muito bem nas cenas de ação.

Confira o trailer do filme:
*****

"LOPE"
Título original:
Lope
Diretor: Andrucha Waddington
Distribuição: Warner
Elenco:
Alberto Ammann
Leonor Watling
Sônia Braga
Luis Tosar
Pilar López de Ayala
Antonio de la Torre
Selton Mello
Miguel Ángel Muñoz
Gênero: Baseado em fatos reais, Drama, Romance
Duração: Agradáveis 106 min.
Ano: 2010
Data da Estreia: 04/03/2011
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
País: Espanha, Brasil
COTAÇÃO DO KLAU:


ALBERTO AMMAN:
"TRABALHAR COM SÔNIA BRAGA FOI UM SONHO"

Nascido em 1978, na Argentina, e criado na Espanha, Alberto Ammann tinha apenas um longa-metragem no currículo antes de ser convidado a fazer um teste para o papel-título de "Lope": "Celda 211", foi um sucesso em seu país de origem, e valeu ao argentino um prêmio Goya de melhor ator revelação.

As diretoras de elenco que haviam trabalhado com Ammann no primeiro e único filme dele até aquele momento o sugeriram ao diretor Andrucha Waddington.
"Na segunda etapa dos testes, interpretei com Pilar [López de Ayala] e Leonor [Watling], e Andrucha estava presente", disse ele em entrevista ao UOL Cinema, em um hotel da região Oeste de São Paulo, onde ficou hospedado.
"Foi então que eu o conheci e simpatizamos imediatamente. Houve muito boa energia entre nós."

O fato de ser argentino não foi empecilho para a escolha de Ammann para o papel - o sotaque castelhano, aliás, era o menor dos problemas a se resolver nos 25 dias que faltavam para o início das filmagens.
"Tinha que aprender a andar a cavalo bem. Porque eu sabia cavalgar, mas mal. [Tinha que aprender a] usar espadas, fazer leituras de roteiro. Ou seja, era muito trabalho."

Filho do escritor, jornalista e político Luis Alberto Ammann e Nélida Rey, Ammann nasceu em Córdoba e, com poucos meses, mudou-se com os pais para Madri.

Em 1982, com o fim da ditadura, a família voltou para a Argentina, mas o jovem Alberto ainda retornaria para a Espanha, a fim de terminar os estudos.

Ele não pensava em iniciar carreira como ator, até que apareceu o teatro e depois o cinema.

A ideia de interpretar Lope de Vega, a quem conhecia superficialmente dos estudos escolares, o deixou preocupado, mas não o imobilizou.

Com três projetos engatilhados no cinema, um nos EUA, outro entre Brasil e Argentina e outro na Argentina, ele investe na carreira de ator, e celebra ter trabalhado ao lado de uma das atrizes mais celebradas do cinema brasileiro, Sônia Braga.

Leia os principais trechos da entrevista, abaixo:

Getty Images

O ator Alberto Ammann

Como foi a rotina de trabalho antes de fazer o filme?

Todos os dias tínhamos trabalho de leitura de roteiro.
Ou com todos os atores, com a maioria deles, ou com as atrizes - trabalho de mesa. Com Andrucha, fui à casa de Lope de Vega.
Sempre estávamos em contato, falando muito.
O ritmo nesses dias foi muito louco.
Levantava de manhã, ia treinar com Ignácio Carreño, que era o especialista em equitação.
Depois, ia para a esgrima.
Saia de lá, ia comer.
Depois ia para o treinamento de sotaque.
Depois, para a leitura de roteiro com Andrucha.
E no caminho de um lugar para o outro, ia lendo sobre a biografia Lope de Vega.
Não tinha tempo. Dormia quatro horas.
E não foram só os 25 dias de preparação.
Foram também os 45 de rodagem.
Ou seja, 70 dias dormindo quatro horas por dia.
E de estar todos os dias com os livros, o roteiro, a espada e tudo.

O que você conhecia de Lope de Vega?

Conhecia sobretudo suas obras, o que estudei.
Um pouquinho na Universidade, na Argentina, em Córdoba, e no secundário.
Suas três principais obras, seus sonetos, suas poesias.
Da biografia, que foi sacerdote no fim da vida e que sempre esteve ligado à nobreza. Ou seja, que desejou a vida inteira entrar na nobreza, mas nunca haviam deixado.
Por causa do seu currículo de mulherengo, jogador, festeiro.
Até aí.
Na Argentina, é como se fosse uma pincelada.
Na Espanha, o estudam mais a fundo.

Na sua cabeça, como era incorporar este personagem, em um filme espanhol dirigido por um brasileiro?

Antes de Andrucha me oferecer o personagem, esse pensamento estava disparado. Essa pergunta: Onde vamos parar?
Porque não conhecia Andrucha, porque o cinema brasileiro lamentavelmente não chega até a Espanha.
Depois, investiguei, e quando soube quem era, pensei isso.
E quando ele me ofereceu o personagem, me pareceu justo.
Mas esses pensamentos duraram pouco.
Esse café com Andrucha foi muito bom.
Eu perguntei a ele que filme seria esse se trabalhássemos juntos.
E ele me falou que queria colocar Lope perto da gente jovem, que os jovens pudessem se identificar com um rapaz que chega da guerra, não sabe o que fazer, apaixona-se imediatamente pelo teatro, por duas mulheres de uma vez só, que briga por esse sonho e se joga.
Um pouco trazer o Lope dos céus e colocá-lo na terra.
Isso me ajudou a baixar o nível de exigência.
Não estamos contando a história de Lope de Vega.
Esqueçamos dele.
Por isso, o chamaremos de Lope.
Estamos contando a história de um jovem daquela época que aparece e está em uma situação determinada, limite.
E empenha-se em ir adiante, com seus problemas e suas aventuras.

Sônia Braga faz o papel de sua mãe no filme.
Qual a sensação de trabalhar com uma das grandes atrizes do cinema brasileiro, além de um dos nossos símboloso sexuais interpretando uma senhora?

Eu era apaixonado por Sonia Braga quando tinha 8 ou 9 anos.
E meu pai, os dois.
Víamos os filmes dela em Córdoba, na Argentina.
Para mim, foi um sonho trabalhar com ela.
Ela é maravilhosa.
No primeiro dia, quando nos conhecemos foi como se fossemos filho e mãe.
É uma mulher incrível, belíssima.
Além disso, tem essa coisa de atriz, de estar completamente a serviço da história, do personagem, do que estamos contando.
Tem atores que não gostam de muita maquiagem porque pode estragar sua imagem.
E ela não teve essa vaidade.
E eram horas de processo.
Essas coisas que eu vejo e digo isso tem a ver com ser ator, esquecer da imagem própria.

Você tem outros projetos em mente?

Ammann - Sim, adoraria.
A visão vai além de trabalhar em outras línguas.
Quero crescer artisticamente, como ator, e para isso tenho que aprender idiomas, participar de trabalhos que me produzam medo e insegurança.
Isso é alimento rico.

E o que tem de projetos?

Tenho um projeto em inglês.
Uma coprodução brasileira e argentina.
Não posso falar nada porque ainda não há nada concreto.
Li o roteiro.
Mas não sei em que fase está, acho que ainda está tomando forma.
Não tem data de início de rodagem, nem nada.

Com Walter Salles?

(Risos) Não, não.
Adoraria trabalhar com ele, mas não é o caso.
E tem também um projeto na Argentina.
Mas todos estão em desenvolvimento.
Por isso tenho que guardar segredo.