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sábado, 5 de fevereiro de 2011

NATALIE PORTMAN: "Nunca estive tão em forma"

Durante uma década Darren Anofosky e Natalie Portman conversaram sobre fazer um filme juntos. Havia um tema específico. Tratava-se de um filme sobre uma primeira bailarina obcecada por perfeição. “Toda vez que nós nos encontrávamos eu dizia: 'Darren, eu não estou ficando mais jovem…. Quando vamos conseguir fazer aquele filme de balé?'”, disse a atriz, referindo-se à história que chegou às telas do Brasil na sexta ( 4 ) .“Era realmente uma situação complicada”, complementou Aronofsky. "Desenvolver o roteiro do conceito original até o ponto onde eu estava confiante no material já era uma tarefa complicada. E conseguir levantar financiamento de produção para um filme assim – um drama no mundo do balé – foi-se tornando progressivamente mais difícil à medida em que o tempo passava e a recessão piorava.”

Portman estava com 28 anos quando começou a treinar para o papel de Nina - a protagonista de "Cisne Negro" - e 29 quando as filmagens se encerraram, “uma idade um pouco perigosa para começar a ser uma bailarina”, ela diz, sorrindo. “Natalie é muito rigorosa com ela mesma”, Aronofsky comenta. “ O esforço que ela fez foi incrível. Bailarinas levam em média 20 anos para realmente moldarem o corpo, adquirirem a força e a flexibilidade necessárias. E ainda por cima eu queria que ela fosse uma primeira bailarina!”

"Cisne Negro", desenvolvido por um time de três roteiristas a partir de uma ideia original de Aronofsky - inspirada por O Duplo, de Dostoievski - segue a jornada de Nina, recém-nomeada “prima ballerina” de uma companhia dirigida pelo tirânico Thomas - Vincent Cassel. A personagem enfrenta o desafio de protagonizar uma nova montagem de Lago dos Cisnes sob as múltiplas pressões da responsabilidade, da percebida ameaça de uma bailarina mais jovem - Mila Kunis - e a vigilância de uma mãe controladora - Barbara Hershey.

O trabalho de criar uma companhia de balé fictícia mas verossímel para "Cisne Negro", dentro do modestíssimo orçamento de 17 milhões de dólares representou esforços e sacrifícios de toda a equipe. Nem o diretor nem os astros – Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder – tinham trailers para descansar entre as tomadas. “Estávamos todos ou no set ou em camarins, o que realmente dava a sensação de sermos uma companhia de balé”, diz Kunis, que faz a bailarina Lilly, substituta de Nina na produção de "Lago dos Cisnes" que é o foco da trama. “Vivíamos um pouco como bailarinos: ou estávamos treinando ou estávamos trabalhando.”

Portman submeteu-se a um rigoroso programa de cinco horas diárias de exercícios: uma hora de natação, uma hora com pesos e aparelhos e três horas de balé. Isto combinado a uma dieta de muita proteína e baixa gordura. Nos últimos dois meses antes das filmagens o coreógrafo Benjamin Millepied começou a trabalhar com Natalie nos aspectos coreográficos do filme, adicionando mais três horas ao seu preparo. “Era uma vida muito monástica, muito rigorosa.” diz Natalie. “Foi como se eu estivesse no convento por um ano. Mas nunca estive tão em forma, dez quilos mais magra, super flexível. Mas confesso que assim que acabaram as filmagens eu saí para minha primeira refeição fora do convento! Massa, sorvete, pão… Sou uma pessoa que preza muito os prazeres. Adoro comida.”

Aronofsky e seu diretor de fotografia Mathew Libatique - parceiro desde os tempos em que ambos eram alunos do American Film Institute - completaram o preparo com sua própria imersão no universo da dança, vendo o máximo de produções de "Lago dos Cisnes", acompanhando a temporada do American Ballet Theater em Nova York e, finalmente, contando com a ajuda e assistência técnica do Royal Ballet britânico. “O mundo do balé é muito fechado em si mesmo, muito insular”, Aronofsky conta, “Foi preciso muita paciência, muita demonstração da nossa seriedade de intenções para que houvesse colaboração. Ainda mais porque, desde o começo, eu pedi acesso às coxias, aos ensaios. Isso é tabu no ballet, é fechado aos de fora. Mas para mim, como realizador, era claro que eu precisava compreender todo o processo. E Mat precisava compreender os movimentos dos bailarinos. Desde o começo queríamos filmar a experiência de dentro para fora. Do palco, não da plateia.”

Embora a história seja 100% fictícia, todos no elenco e na criação de "Cisne Negro" enxergam um paralelo com a verdadeira trajetória de George Balanchine, o carismático bailarino e coreógrafo russo que criou o American Ballet nos anos 1950, responsável por uma das versões atuais do balé e famoso por eleger e destronar suas primas ballerinas. “Há um paralelo, sim”, diz Vincent Cassel.”E no início o personagem de Thomas era russo. O paralelo está na obsessão com a perfeição, na busca de algo sempre melhor, e no modo como ele abraçava sua sensualidade. No palco o balé clássico pode parecer algo abstrato, mas na verdade estamos lidando com corpos, com pessoas no auge da forma física. Balanchine tornou-se sinônimo dessa dualidade.”

Os elementos finais de "Cisne Negro" vieram com o uso de efeitos digitais e com a trilha de outro colaborador assíduo de Aronofsky, Clint Mansell, que criou variações em cima da música de Tchaikovsky. “Queria um uso muito preciso e sutil dos efeitos”. Diz Aronosfsky. “O espelho é um elemento muito importante no filme, e usamos vários efeitos muito precisos para criar o ambiente que eu queria. Minha maior alegria foi quando exibimos o filme para o American Ballet Theater, e quando exibimos para o pessoal da Pixar e as duas plateias adoraram! Pensei: se conseguimos convencer essa turma, o filme deve ser bom…”

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Matéria de ANA MARIA BAHIANA
Especial para o UOL, de Los Angeles, EUA

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"BIUTIFUL": JAVIER BARDEM LEVA O FILME NAS COSTAS

O drama mexicano "Biutiful", do diretor Alejandro González Iñárritu, reúne alguns dos temas caros à filmografia do diretor - como a morte, o espiritualismo, além de um denso mergulho no problema da exploração do trabalho de imigrantes clandestinos na Europa: é numa Barcelona surpreendentemente sombria que o protagonista Uxbal - Javier Bardem - luta pela sobrevivência.

Apesar de europeu, ele não tem outra escolha a não ser tornar-se agenciador do trabalho de imigrantes chineses e africanos para sustentar seus dois filhos pequenos, e a extrema dedicação às crianças, aliás, é um dos traços que redime este homem extremamente dividido.

DivulgaçãoJavier Bardem, em cena do filme

O diretor Iñárritu, que corroteirizou o filme, disse à Reuters que "a complexidade da natureza de Uxbal era justamente o que me interessava nele. Ele não é bom nem mau. Não é fácil julgá-lo".

A imigração ilegal entrou na história a partir de uma ampla pesquisa, que incluiu entrevistas do diretor com dezenas de africanos e chineses - alguns deles estão no elenco como atores secundários.
"Precisava entender como viviam, sua relação com as populações locais e as autoridades. O trabalho desses não-atores, inclusive, dá ao filme essa verdade, porque é um documento hiper-realista".

Para Iñárritu, a imigração ilegal "é a escravidão do século 21".

A morte interfere na trajetória de Uxbal em mais de um momento, quando ele se vê diante de uma grave enfermidade, e também pelos riscos que seus trabalhadores correm diariamente pelas precárias condições de alojamento e trabalho.

Paralelamente, o personagem tem um dom mediúnico, com o qual não lida muito bem - embora eventualmente e a contragosto dê consultas e receba dinheiro por isso.

Falando da morte, que entra sempre em seus filmes - como "Amores Brutos" (2002),
"21 Gramas" (2003) e "Babel" (2006) - o diretor explica:
"Eu sempre observo a morte a partir da vida. Mais que a morte, me interessa a vida. E é ao sentir que pode morrer que Uxbal, paradoxalmente, sente que a vida está ganhando significado. Ele encontra esse sentido no amor, na compaixão".

Já a espiritualidade é um tema que há muito tempo intriga o diretor.
"Senti-me sempre estimulado pela ideia de vida após a morte. É fascinante este debate se somos mais do que corpo, sangue e carne, embora eu esteja sempre em conflito entre crer e não crer. Ainda assim, me interessou colocar isso no diálogo do filme".

Para este tema, o diretor entrevistou diversas pessoas, algumas das quais tinham conflitos com seu dom, como Uxbal.
"Foram estas que me impactaram".

Integrante do trio de diretores e produtores mexicanos de maior circulação internacional, ao lado de Alfonso Cuarón - de "Filhos da Esperança" - e Guillermo Del Toro -
"O Labirinto do Fauno" -, Inárritu comenta como vê o fato de filmar em vários países fora do seu:
"Interessa-me o ser humano, além da geografia, do idioma, do lugar onde se filma. Na alteridade, encontro a mim mesmo. Somos todos similares em tantos aspectos".

Neste momento, o diretor - que deveria ter vindo ao Brasil para lançar "Biutiful" mas teve que cancelar por problemas pessoais - já está envolvido na escrita de alguma nova história, mas nada para já.

"Geralmente levo dois anos num roteiro. Não gosto de análise demais, senão isto gera paralisia. Gosto de ir encontrando o tom e o ritmo do filme aos poucos. Filmando, encontro mais este ritmo. Mas na montagem é que o encontro realmente".

Iñárritu abandonou aqui as múltiplas histórias entrecortadas e montagem frenética de "Babel" e "Amores Brutos" para se dedicar a apenas um personagem, onde o cineasta mexicano mergulha na dor de um pai quase como um processo terapêutico.

"Biutiful" atinge a intensidade pretendida ao sufocar seu personagem, e mesmo sem um roteiro poderoso, o diretor tenta consertar quase tudo na câmera.

Na maioria das vezes consegue, e apresenta um filme deliberadamente nauseante e desconfortável, assim como a vida de Uxbal, que de "biutiful", como escreve sua filha, não tem nada.

Na última quarta (19) o filme apareceu na pré-lista de nove filmes que disputam as cinco vagas concorrentes ao Oscar de filme estrangeiro 2011, e no último domingo, era o favorito para levar o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, mas não levou.

A obra teve melhor sorte no último Festival de Cannes, com opiniões bastante distintas entre si, mas todas apontando para este como um dos menores trabalhos do cineasta mexicano - Bardem levou o prêmio de Melhor Ator.

Reutersjavier Bardem abraça o diretor Iñárritu, após ser anunciado como Melhor Ator em Cannes 2010, sob o olhar de sua mulher, a Diva Penélope Cruz (à direita)

No entanto, uma opinião é unânime: Javier Bardem leva o filme nas costas, tendo um dos seus melhores desempenhos de sempre - o ator espanhol é uma das apostas para uma nomeação ao Oscar de Melhor Ator.

Confira o trailer do filme:


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"BIUTIFUL"
Título original:
Biutiful
Diretor: Alejandro González Iñárritu
Elenco:
Javier Bardem
Maricel Álvarez
Hanaa Bouchaib
Guillermo Estrella
Gênero: Drama
Duração: bons 147 minutos
Ano: 2010
Data da Estreia: 21/01/2011
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos
País: Espanha, México
COTAÇÃO DO KLAU:

domingo, 23 de maio de 2010

CANNES: IMAGENS DOS PREMIADOS

Encerrando as postagens sobre o Festival de Cannes, veja as imagens da premiação:


Getty Images
A mostra "Um Certo Olhar" ("Un Certain Regard", no nome original) premiou os filmes "Ha Ha Ha", "Octubre" e as atrizes Eva Blanco, Victoria Raposo e Adela Sanchez, de "Los Labios"


Getty Images
A mostra foi apresentada pela presidente Claire Denis, e os membros do júri Patrick Ferla, Serge Toubiana e Kim Dong-Ho


Getty Images
O diretor coreano Sang-soo Hong recebeu o prêmio "Un Certain Regard" por sua comédia "Ha Ha Ha"


Getty Images
O belíssimo ator Jun-Sang Yu sorri. Ele está no elenco da comédia coreana "Ha Ha Ha"


Getty Images
Eva Bianco divide o prêmio de atuação da mostra "Un Certain Regard" com mais duas atrizes do longa "Los Labios", de Ivan Fund e Santiago Loza, Victoria Raposo e Adela Sanchez


Getty Images
Victoria Raposo, que atua no filme argentino "Los Labios", se emociona ao receber o prêmio de interpretação da mostra "Un Certain Regard"


Getty Images
O diretor Ivan Fund vê Victoria Raposo, Eva Bianco e Adela Sanchez, todas atrizes de seu filme "Los Labios", conquistarem o prêmio de interpretação da mostra "Um Certo Olhar"


Getty Images
Diego Vega (na foto) e Daniel Viega conquistaram o prêmio do juri com o filme "Octubre", na mostra "Um Certo Olhar"


AFP
Mathieu Amalric vence prêmio de Melhor Diretor em Cannes


AFP
Mahamat-Saleh Haroun, após receber o prêmio do júri por ''Un Homme Qui Crie'' (''A Screaming Man'')


AFP
Michael Rowe recebe o prêmio Camera D'Or por ''Ano Bisiesto''. O prêmio, presidido por Gael García Bernal (esquerda) homenageia o melhor diretor estreante


AFP
Os atores Javier Bardem e Elio Germano dividiram o prêmio de melhor ator. Ao lado deles está a atriz Diane Kruger


Reuters
Juliette Binoche posa com o prêmio de melhor atriz por seu papel em ''Copie Conforme'', de Abbas Kiarostami


AP
Mathieu Amalric, Melhor Diretor em Cannes


AFP
Juliette Binoche segura placa com o nome do diretor iraniano Jafar Panahi, que protesta com greve de fome em seu país e ainda segue preso pela ditadura iraniana


AP
O diretor Xavier Beauvois, vencedor do Grande Prêmio do Júri por ''Des Hommes et des Dieux'', abraça Salma Hayek na premiação


EFE
O diretor francês Mathieu Amalric - melhor diretor, o diretor Xavier Beauvouis - Grande Prêmio do Júri - a atriz Juliette Binoche - melhor atriz - e Javier Bardem - melhor ator - posam juntos


EFE
O diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul - de branco - vencedor da Palma de Ouro, aparece cercado por outros cineastas premiados


Reuters
Javier Bardem abraça o diretor de ''Biutiful'', Alejandro González Iñarritu, após ganhar o prêmio de melhor ator.
Na platéia, sua namorada - a Diva Penélope Cruz - aplaude.


AFP
O presidente do júri Tim Burton chega à cerimônia de premiação




























CANNES: OS GANHADORES


Pessoal:

Quero aqui agradecer, de coração, a receptividade que vocês deram às postagens sobre o Festival de Cannes.

Até ontem à noite, foram exatos 536 comentários, de pessoas apaixonadas por Cinema como eu, a maioria muito mais versadas no tema do que eu.

São essas coisas, são essas mensagens de incentivo ao meu trabalho que, atualmente, me deixam mais feliz.

Continuem comentando e participando.

Afinal, esse blog não é mais meu faz tempo, ele é de VOCÊS.

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Confira agora todos os premiados na 63a. Edição do Festival de Cinema de Cannes:

Palma de Ouro:
"Lung Boonmee Raluek Chat", dirigido pelo tailandês Apichatpong Weerasethakul.

Grande Prêmio:
"Des Hommes et des Dieux", dirigido pelo francês Xavier Beauvois.

Prêmio de Melhor Direção:
O francês Mathieu Amalric, por seu filme "Tournée".

Prêmio de Melhor Roteiro:
O sul-coreano Lee Chang-dong, pelo filme "Poetry".

Prêmio de Interpretação Feminina:
A francesa Juliette Binoche, por "Copie Conforme".

Prêmio de Interpretação Masculina:
O espanhol Javier Bardem, por "Biutiful", compartilhado com o italiano Elio Germano, por "La Nostra Vita".

Prêmio do Júri:
"Um Homme qui Crie", dirigido pelo chadiano Mahamat-Saleh Haroun.

Prêmio "Câmera de Ouro" à melhor estreia:
"Año Bisiesto", do mexicano Michael Rowe.

Palma de Ouro de Melhor Curta-Metragem:
"Chienne d'Histoire", dirigido pelo armênio-francês Serge Avédikian.

Prêmio do Júri (Curta-metragem):
"Micky Bared", dirigido pela sueca Frida Kempff.

Prêmio Un Certain Regard (Um Certo Olhar):
"Hahaha", dirigido pelo sul-coreano Hong Sangsoo.

Prêmio do Júri em Un Certain Regard (Um Certo Olhar):
"Octubre", dos peruanos Daniel e Diego Vega.

Prêmio de Interpretação Feminina de "Um Certo Olhar":
As argentinas Victoria Raposo, Eva Bianco e Adela Sánchez,
pelo filme "Los Labios".

Primeiro prêmio da Cinéfondation:
"Taulukauppiaat", dirigido pelo finlandês Juho Kuosmanen.

Segundo prêmio da Cinéfondation:
"Coucou-les-nuages", dirigido pelo francês Vincent Cardona.

Terceiro prêmio da Cinéfondation:
ex-aequo para "Hinkerort Zorasune", dirigido pelo libanês Vatche Boulghourjian, e para "Ja vec jesam sve ono sto zelim da imam", dirigido pelo sérvio Dane Komljen.

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Até 2011!

CANNES: JULIETTE BINOCHE É A MELHOR ATRIZ

E não deu outra: a Diva Juliette Binoche - musa do 63º Festival de Cinema de Cannes - levou o prêmio de interpretação feminina, pelo desempenho no filme "Copia Conforme", do iraniano Abbas Kiarostami.

"Copie Conforme" foi rodado em Florença, com produção franco-italiana, e mostra o encontro entre um escritor britânico, James (William Simell), que faz uma palestra na cidade e uma fã sua (Juliette Binoche), nunca nomeada.
James está lançando o livro “Cópia Certificada”, cujo subtítulo é polêmico: “Esqueça o original e procure uma boa cópia”.

Eles passeiam pela cidade e começam a discutir se a cópia de uma obra tem o mesmo valor que o original, a responsabilidade dos parceiros numa relação amorosa e outras grandes questões. De repente, ela começa um jogo fascinante: começa a conversar com o escritor como se ele fosse seu marido, desafiando-o a lembrar memórias que ele não tem e discutindo a relação em profundidade, num diálogo que se reveza em três línguas: inglês, francês e italiano.

Foto: AP
Juliette Binoche recebe sua Palma de Melhor Atriz, agora a pouco

Nascida em Paris em 1964, Binoche já recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante - em 1996 - pela interpretação no filme "O Paciente inglês", do britânico Anthony Minghella.

Em sua trajetória como atriz, destaco a sua estupenda interpretação em "Azul", e "Je vous salue, Marie", o polêmico filme de Jean Luc Godard.

Neste ano, é dela a imagem do cartaz do Festival de Cannes, que aparece no alto de todos os textos que postei sobre o festival.

CANNES: MELHOR DIRETOR, PRÊMIO DO JÚRI, ROTEIRO E CÂMARA DE OURO


Mathieu Amalric vence prêmio de
Melhor Diretor

O prêmio de Melhor Diretor foi concedido ao francês Mathieu Amalric, pelo filme "Tournée".

AP
O diretor de "Tournée" Mathieu Amalric abraça as atrizes Mimi Le Meaux, Evie Lovelle e Kitten na cerimônia de premiação

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Cannes premia primeiro filme africano em competição há 13 anos

O filme "Um homem que grita" - do chadiano Mahamat-Saleh Haroun, e que conquistou o prêmio do júri - é a primeira produção africana em competição há 13 anos.

"Um homem que grita", deve seu título ao poeta da Martinica Aimé Cesaire -"um homem que grita não é um urso que dança"- e resume a essência da tragédia do Chade e sua guerra civil através de uma pequena história familiar.

Fala, principalmente, das vítimas dessa guerra fantasmagórica, que parece despertar com focos súbitos de grande violência, uma violência que o diretor sofreu na própria carne. Em 1980 foi ferido gravemente.

As imagens são consideradas esplêndidas e os atores, impecáveis, com grande presença.

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Roteiro do sul-coreano Lee Chang-dong
é premiado

O prêmio de roteiro foi concedido a "Poetry" , do sul-coreano Lee Chang-dong.

O cineasta, que voltou a Cannes três anos depois do premiado "Secret Sunshine", apresentou um retrato intenso e emocionado de uma avó que encontra na poesia maneira ideal de fugir das dificuldades de seu mundo.

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Mexicano "Año bisiesto" ganha a
Câmara de Ouro

"Año bisiesto", primeiro longa-metragem do diretor Michael Rowe representando o México na Quinzena de Realizadores, ganhou a Câmara de Ouro.

O júri 2010 foi presidido pelo ator e diretor mexicano Gael Garcia Bernal.


CANNES: "DES HOMMES ET DES DIEUX" LEVA GRANDE PRÊMIO


O filme francês "Des Hommes et des Dieux" - do diretor Xavier Beauvois - venceu o Grande Prêmio do Festival de Cannes.

Protagonizado pelo francês Lambert Wilson, o filme aborda a história ambientada num mosteiro, entre montanhas na Argélia, durante os anos 1990.

Frades católicos viviam em harmonia com seus irmãos muçulmanos, até que trabalhadores estrangeiros foram massacrados por um grupo islâmico. A partir daí, uma onda de violência permearia o local.

O filme já havia ganhado ontem no Festival o prêmio do Júri Ecumênico, que homenageia filmes com conteúdos que elogiem os valores humanos e solidários

CANNES: JAVIER BARDEM E ELIO GERMANO SÃO OS MELHORES ATORES


Surpreendentemente, o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes deste ano foi dividido entre o espanhol Javier Bardem - de "Biutiful" - e o italiano Elio Germano - de "La nostra vita".

Javier Bardem mostrou atuação intensa e sóbria em "Biutiful" - do diretor mexicano Alejandro González Iñarritu -* que lhe valeu mais uma grande recompensa do cinema mundial, o prêmio de melhor ator em Cannes, após receber um Oscar em 2008 por sua interpretação no filme dos irmãos Ethan e Hoel Coen ("Onde os fracos não têm vez").

Bardem - o principal ator espanhol de sua geração - nasceu no dia 1 de março de 1969 em Palmas de Gran Canaria, de uma família marcada pela arte.

Neto de atores, filho da atriz Pilar Bardem, sobrinho do famoso diretor Juan Antonio Bardem e irmão dos atores Carlos e Mónica Bardem, não há dúvida de que tem a arte nas veias.

Pisou em Hollywood em 2001, ao ser indicado a um Oscar por sua magistral "reencarnação" do escritor homossexual cubano Reinaldo Arenas em "Antes que anoiteça", de Julian Schnabel.

Ele era para muitos o ator destinado a ser o novo "latin lover" de Hollywood, substituindo o já famoso compatriota Antonio Banderas, mas os personagens que escolheu o levaram para longe desse clichê.

Entre suas incursões no cinema internacional também destacam-se "Os fantasmas de Goya", de Milos Forman, "Amor em tempos de cólera", de Mike Newell, e "Vicky Cristina Barcelona", de Woody Allen.

Foto: AFP
Bardem e Germano, recebendo o prêmio de melhor ator da atriz Diane Kruger, agora a pouco

Já o italiano Germano foi revelado em 2002 na Semana da Crítica com "Respiro", antes de filmar com Ettore Scola e Abel Ferrara, que o converteram em um importante expoente do cinema italiano.

Em "La nostra vita", de Daniele Luchetti, o ator de 29 anos seduziu o juri de Cannes com uma charmosa e emocionada composição de um capataz de obras que vê sua vida dar uma guinada de um dia para o outro.

Nascido em 25 de setembro de 1980 em Roma, Elio Germano, que muitos comparam com o jovem Robert de Niro, começou a ficar conhecido ao atuar no filme "Respiro", de Emanuele Crialese, em 2002, e posteriormente ser escolhido por Abel Ferrara para "Mary".

Ele trabalhou ainda com Luchetti em "Meu irmão é filho único", apresentado em Cannes em "Um Certo Olhar" e premiado com um David di Donatello do cinema italiano.

Em "La Nostra Vita", Elio Germano encarna Claudio, que vive feliz em Roma com sua esposa Elena (Isabella Ragonese) e seus dois filhos pequenos.

CANNES: CINEASTA TAILANDÊS LEVA A PALMA DE OURO E CHAMA A ATENÇÃO PARA O MOMENTO DIFÍCIL DE SEU PAÍS

O tailandês Apichatpong Weerasethakul, de 39 anos - ganhador da Palma de Ouro do 63º Festival de Cannes, com "Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives" - é autor de filmes experimentais e singulares que ultrapassam o sobrenatural.

"Na selva, nas colinas e nos vales, nossas vidas anteriores, em forma de animal e outras, ressurgem para mim", afirma o protagonista do filme premiado, o tio Boonmee, um idoso que chegou no fim de sua vida.

Afetado por uma insuficiência renal aguda, prepara-se para a morte conversando com sua cunhada, e com a mesma naturalidade fala com sua esposa e seu filho, mortos anos antes.

Seus fantasmas aparecem para ele, um com forma humana, o outro com forma de macaco, e o tio Boonmee também se prepara para sua última viagem, sinônimo de reencarnação para Apichatpong Weerasethakul.

"Acredito na transmigração das almas entre os homens, as plantas, os animais e os fantasmas".
Além disso, me interessei (no filme) pelos processos de destruição e extinção das espécies e culturas. Nestes últimos anos na Tailândia, o nacionalismo incitado pelos golpes de Estado provocou confrontos de ordem ideológica".

Nascido em 1970, Apichatpong Weerasethakul é autor de um cinema singular que foge das convenções cinematográficas e do tratamento do tempo, mescla atores profissionais e amadores, concede um espaço considerável a uma natureza fascinante e sobrenatural.

Originário de uma província do nordeste da Tailândia, na fronteira com a Birmânia, estudou arquitetura antes de viajar para Chicago, onde aprendeu sobre cinema experimental e arte contemporânea.

De volta à Tailândia, iniciou um trabalho como artista plástico, montou instalações de vídeo antes de filmar seu primeiro longa-metragem, "Mysterious object at noon", que estreou em 2000.

Com sua própria produtora, chamada Kick the Machine Filmes, pôde realizar um cinema independente e experimental à margem da indústria tailandesa do cinema, mais dedicada à produção do cinema de ação.

Fora do sistema tailandês de produção, realizou seu segundo filme, "Blissfully yours", que enviou por correio ao Festival de Cannes, onde conquistou o Prêmio da mostra "Um Certo Olhar".

Dois anos depois, voltava ao festival com "Tropical malady", história de amor entre um soldado e sua amante filmada na selva tropical. O filme, que mesclava mitologia e imaginário, venceu o Prêmio do Juri graças a sua grande beleza plástica.

Em 2006, "Syndromes and a century", autorretrato centrado em suas lembranças de infância, foi o primeiro filme tailandês candidato ao Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Foi uma escolha ousada, mas maravilhosa e muito justa.

O júri presidido por Tim Burton concedeu a Palma de Ouro a um filme difícil mas encantador.

E Burton foi honesto com aquilo que mais lhe atrai nos seus próprios filmes: a magia e a fantasia. “O mundo está mais ocidentalizado, e esse é um filme de outro país que usa elementos de fantasia de uma outra maneira. É um sonho estranho e bonito como não costumamos ver”, declarou após a premiação.

“Obrigado ao público por me dar uma chance de compartilhar meu mundo com vocês. Agradeço todos os espíritos e fantasmas da Tailândia que me permitiram estar aqui”, agradeceu Apichatpong.


Getty Images
O cineasta, agora a pouco, recebendo a Palma de Ouro em Cannes

Ele ainda lembrou advertiu a situação que vive seu país.

"A Tailândia precisa de esperança. A situação é muito grave, estamos muito deprimidos", em alusão aos tensos momentos que atravessa seu país, onde o Governo anunciou hoje uma nova prorrogação do toque de recolher em Bangcoc e em 23 províncias.

"Espero que a notícia de que a Tailândia ganhou aqui um prêmio cultural represente um pouco de ar fresco para acalmar a situação", acrescentou o cineasta.

Para ele, seu país necessita de "mais diversidade".

Weerasethakul ressaltou que "todos estamos submetidos a uma cultura única, temos todos a mesma forma de contar as histórias, de dizer as coisas".

Segundo o diretor, o cinema tailandês precisa de financiamento internacional. "O cinema pode contribuir para uma melhor compreensão das diferenças culturais".

sábado, 22 de maio de 2010

CANNES: FILME RUSSO É O ÚLTIMO A SER EXIBIDO - GAEL GARCIA BERNAL, DESFILANDO SEU CHARME PELA RIVIERA


Mijalkov apresenta sua visão da
Segunda Guerra Mundial

O diretor russo Nikita Mikhalkov apresentou hoje na seção oficial a segunda parte de seu aclamado "Burnt By The Sun 2: Exodus", sua visão pessoal da Segunda Guerra Mundial que mistura o drama com um aterrorizante senso de humor através da história de um pai e uma filha.

Um filme de duas horas e meia em sua versão internacional - a russa tem 30 minutos a mais - que é a primeira das duas partes editadas para o cinema, um resumo das 15 horas rodadas para a televisão pelo mestre russo.

O filme foi o último filme em exibição dos 19 que concorrem a Palma de Ouro - não foi bem recebido em sua primeira mostra para a imprensa, e dividiu opiniões.

Mikhalkov recupera nesta obra os personagens da primeira parte e os situa uma década depois, em plena Segunda Guerra Mundial.

O líder militar, interpretado por Mikhalkov; sua filha - papel no qual repete a filha do diretor, Nadezhda - e o ressuscitado Mitya, de novo Oleg Menshikov.

Um filme surgiu da vontade de Mikhalkov mostrar sua visão sobre a Segunda Guerra Mundial, do papel dos russos, sempre subvalorizados contra o dos aliados.

"A primeira vez que senti o desejo de fazer este filme foi depois de assistir "O Resgate do Soldado Ryan", de Steven Spielberg.

Spielberg é um grande diretor e conseguiu seu objetivo com esse filme, que era dar sua versão da história. "Eu tinha vontade de mostrar meu ponto de vista.

Uma visão na qual não cabia uma guerra com final feliz, mas na qual mostrava o sofrimento dos soldados russos durante a disputa.

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Gael García Bernal, do júri do "Camera D'or":
charme latino em Cannes

O ator mexicano Gael García Bernal - um dos homens mais interessantes e lindos que eu já vi pessoalmente na minha vida! - falou hoje da sua satisfação por fazer parte do júri do prêmio "Camera D'or" no Festival, onde se apresentou como diretor e produtor e disse estar "vacinado" depois de ver tantos filmes.
Foto: Getty Images

Gael: beleza e charme em Cannes


"Vi coisas muito boas, foram muitos filmes, uns 24. Estou vacinado", brincou, em declarações à Agência Efe, depois de apresentar à imprensa "Revolución", uma coleção de curtas-metragens.

"Sinto que por algum tempo não verei filmes, mas também estou muito inspirado e contente pelo que vi e pela sorte que tive de poder ver diretores novos. O júri do qual fiz parte só viu obras-primas".

O ator é presidente do júri que premia o melhor filme de diretor estreante e afirmou que todas as facetas de sua carreira artística são interessantes.

"A verdade é que cada uma tem sua particularidade e gosto muito de poder fazer parte de um grupo de gente que faz algo, gosto da sensação de equipe".

Para Bernal, "Revolución", uma coleção de curtas apresentada em Cannes por um grupo de diretores mexicanos, expõe "versões pessoais" da revolução mexicana, que teve início em 1910.

"Da revolução mexicana existem as versões oficial e as outras", as quais Bernal chamou de "pessoais" e para as quais durante muitos anos "quase não houve espaço".

O ator dirigiu o curta "Lucio", sua contribuição em "Revolución".

CANNES: A PALMA DE OURO, UM DOS TROFÉUS MAIS COBIÇADOS DO MUNDO

Confeccionada numa joalheria famosa, o maior objeto do desejo de todos que participal do Festival de Cannes - a Palma de Ouro - nasceu em 1955 e pesa 118 gramas de ouro puro.

O primeiro desenho foi feito pela designer de joias Lucienne Lazon, e faz referência às palmeiras da Croisette - avenida à beira mar de Cannes - e também é encontrada nos símbolos da cidade da riviera francesa.

Foto: Arquivo do Klau
A Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes

O filme "Marty" - do americano Delbert Mann - foi o primeiro a recebê-la, concedida por um júri presidido pelo escritor e cineasta francês Marcel Pagnol.

Em 1964, a Palma deixou de ser entregue e foi adotado um "Grande Prêmio", como acontecia antes do nascimento do troféu, prática que durou até 1975.

As explicações sobre essas mudanças são muitas.

"A escolha da Palma se impôs pela referência ao escudo da cidade e a suas palmeiras, mas, sem dúvida, também às palmas honorárias da antigüidade", afirma Pierre Billard, crítico e historiador de cinema.

Só cinco realizadores fazem parte do ciclo dos duas vezes premiados:
Francis Coppola (palma de ouro em 1979 e recebedor do Grande prêmio em 1974, denominação anterior), Shoei Imamura (1983 e 1997), Bille August (1988 e 1992), Emir Kusturica (1985 e 1995) e os irmãos Dardenne (1999 e 2005).

A Palma de Ouro só foi entregue uma vez a uma mulher, Jane Campion, com "La leçon de piano" ("O Piano"), em 1993.

No cinquentenário do Festival, em 1997, uma "Palma das Palmas" foi concedida a Ingmar Bergman, e entregue em sua ausência à filha Linn Ullmann.

No ano seguinte, o famoso troféu foi modernizado por Caroline Gruosi-Scheufele, uma das presidentes da Chopard, a joalheria suíça que fornece anualmente a palma graciosa, avaliada em mais de 20.000 euros.

Delicadamente curvada, a haste, ornada de 19 folhas esculpidas a mão, forma em sua base um coração, símbolo da casa que festeja neste ano seu 150º aniversário.

Uma segunda palma de ouro não datada fica sempre de reserva, em caso de acidente, ou concessão de prêmio ex-aequo, de igual mérito.

Até sua entrega, fica guardada nos cofres da joalheria.

O troféu é trabalhado num molde de cera, depois fixado numa almofada de cristal de rocha talhada na forma de diamante.

"A natureza não cria dois cristais de rocha idênticos, por isso cada palma é absolutamente única", comenta a desenhista Gruosi-Scheufele.

Desde 2000, duas palmas menores recompensam os agraciados em melhor interpretação - feminina e masculina.
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Agora, você confere todos os ganhadores desse belo prêmio (em francês Palme d'Or), um dos mais cobiçados do mundo:

2009:
"A Fita Branca", de Michael Haneke, Áustria

2008:
"Entre os Muros da escola", de Lauren Cantet, França

2007:
"4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" (4 luni, 3 saptamini si 2 zile) de Cristian Mungiu, Romênia

2006:
"Ventos da Liberdade" (The Wind That Shakes the Barley) Ken Loach, Irlanda

2005:
"A Criança" (L'Enfant) Luc e Jean-Pierre Dardenne, Bélgica

2004:
"Fahrenheit 11 de Setembro" (Fahrenheit 9/11) Michael Moore, Estados Unidos

2003:
"Elefante" (Elephant) Gus Van Sant, Estados Unidos

2002:
"O Pianista" (The Pianist) Roman Polanski, Polônia

2001:
"O Quarto do Filho" (La stanza del figlio) Nanni Moretti, Itália

2000:
"Dançando no Escuro" (Dancer in the Dark) Lars von Trier, Dinamarca

1999:
"Rosetta", de Luc e Jean-Pierre Dardenne, Bélgica

1998:
"A Eternidade e um Dia", de Theo Angelopoulos, Grécia

1997:
"Sabor de Cereja", de Abbas Kiarostami, e "Irã e A Enguia", de Shohei Imamura Japão
1996:
"Segredos e Mentiras" (Secrets & Lies), de Mike Leigh, Reino Unido

1995:
"Underground "(Mentiras de Guerra", de Emir Kusturica, Iugoslávia

1994:
"Pulp Fiction", de Quentin Tarantino, Estados Unidos

1993:
"O Piano", de Jane Campion (Austrália) e "Adeus minha Concubina", de Chen Kaige (China)

1992:
"As Melhores Intenções" (Den goda viljan), de Bille August, Dinamarca

1991:
"Barton Fink " , de Joel e Ethan Coen, Estados Unidos

1990:
"Coração Selvagem" (Wild at Heart), de David Lynch, Estados Unidos

1989:
"Sexo, Mentiras e Videotape" (Sex, Lies, and Videotape), de Steven Soderbergh, Estados Unidos

1988:
"Pelle, o Conquistador" (Pelle erobreren), de Bille August, Dinamarca

1987:
"Sob o Sol de Satã" (Sous le soleil de Satan), de Maurice Pialat, França

1986:
"A Missão" (The Mission), de Roland Joffé, Reino Unido

1985:
"Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios", de Emir Kusturica, Iugoslávia

1984:
"Paris, Texas", de Wim Wenders, Alemanha Ocidental

1983:
"A Balada de Narayama", de Shohei Imamura, Japão

1982:
"Missing, Desaparecido" (Missing), de Costa-Gavras, Estados Unidos; e "Yol", de Yilmaz Güney, Turquia

1981:
"O Homem de Ferro", de Andrzej Wajda, Polônia

1980:
"All That Jazz - O Show Deve Continuar" (All That Jazz), de Bob Fosse, Estados Unidos; e "Kagemusha, A Sombra do Samurai", de Akira Kurosawa, Japão

1979:
"Apocalypse Now", de Francis Ford Coppola, Estados Unidos; e
"O Tambor" (Die Blechtrommel) , de Volker Schl¶ndorff, Alemanha Ocidental

1978:
"A Árvore dos Tamancos" (Lâ??arbero degli zoccoli), de Ermanno Olmi, Itália

1977:
"Pai Patrão (Padre padrone)", de Paolo e Vittorio Taviani, Itália

1976:
"Taxi Driver", de Martin Scorsese, Estados Unidos

1975:
"Crônica dos Anos de Fogo" (Chronique des années de braise), de Mohammed Lakhdar-Hamina, Argélia

Não houve entrega da Palma de Ouro no período
de 1964 a 1974

1963:
"O Leopardo" (Il Gattopardo), de Luchino Visconti, Itália

1962:
"O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte, Brasil

1961:
"Uma Tão Longa Ausência" (Une aussi longue absence), de Henri Colpi, França
e "Viridiana", de Luis Buñuel Espanha

1960:
"A Doce Vida" (La dolce vita), de Federico Fellini, Itália

1959:
"Orfeu Negro" (L'Orphée Noir), de Marcel Camus, França

1958:
"Quando Voam as Cegonhas", de Mikheil Kalatozishvili, União Soviética

1957:
"Sublime Tentação" (Friendly Persuasion), de William Wyler, Estados Unidos

1956:
"O Mundo do Silêncio" (Le monde du silence), de Jacques-Yves Cousteau e Louis Malle, França

1955:
"Marty", de Delbert Mann, Estados Unidos

CANNES, PENÚLTIMO DIA: COMEÇAM AS PREMIAÇÕES E AS APOSTAS PARA OS PRINCIPAIS PRÊMIOS SE INTENSIFICAM


"Octubre" ganha o Prêmio do Júri da competição
'Um Certo Olhar'

O filme peruano "Octubre" - dos irmãos Daniel e Diego Vega - ganhou hoje o Prêmio do Júri da seção oficial 'Um Certo Olhar', que também escolheu as três atrizes da produção argentina "Los labios" - Victoria Raposo, Eva Bianco e Adela Sánchez.
"Los labios" é uma produção de Iván Fund e Santiago Loza.

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Prêmio ecumênico vai para o francês
"Des hommes et des dieux"

O filme francês "Des hommes et des dieux" (De Homens e Deuses) - de Xavier Beauvois - foi agraciado hoje com o prêmio do Júri Ecumênico, que homenageia os filmes com conteúdos que elogiem os valores humanos e solidários.

O júri também concedeu duas menções especiais: a "Another year" -do britânico Mike Leigh - e "Poetry", do coreano Lee Chang-dong.

"Des hommes et des dieux" - que conta o assassinato de sete monges franceses na Argélia em 1996 - foi premiado pela "profunda humanidade dos monges, seu respeito ao Islã e sua generosidade com seus vizinhos", segundo comunicado do júri.

Protagonizado por Lambert Wilson, Michael Lonsdale e Jacques Herlin, é um filme "de uma grande beleza plástica, com uma destacada interpretação coletiva e com um ritmo marcado pela alternância de trabalhos e liturgia", acrescenta a nota.

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"Todos vos sódes capitáns" conquista
prêmio da crítica

O filme espanhol "Todos vós sodes capitáns" - primeiro longa-metragem do diretor Oliver Laxe - recebeu agora a pouco o Prêmio FIPRESCI da crítica internacional.

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Filme coreano "Hahaha" vence prêmio
"Un Certain Regard"

O filme sul-coreano "Hahaha", dirigido por Hong Sang-soo, recebeu o prêmio da mostra Un Certain Regard - Um certo Olhar, o principal desta seleção paralela do Festival.

O júri, presidido pela produtora francesa Claire Denis, decidiu este prêmio "por unanimidade", apesar de consideraram que a qualidade dos 19 filmes em competição era "muito boa".

"Hahaha" conta a história de um diretor sul-coreano, Jo, que se reúne com seu amigo Bang, um crítico de cinema.
Na conversa, ambos descobrem que os dois estiveram recentemente em Tongyeong (Coreia do Sul) e trocam lembranças da viagem.


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Sem favoritos à Palma de Ouro, Javier Bardem continua à frente nas apostas


Nesse ano, as apostas estão muito pulverizadas sobre quem será o vencedor da Palma de Ouro - que será entregue amanhã.

A única unanimidade é com relação a Javier Bardem que deve levar o prêmio de melhor ator, com a permissão dos monges franceses liderados por Lambert Wilson.

Neste ano nenhum filme despertou fortes aplausos n- em grandes defesas - e as apostas dos críticos incluem títulos como "Another year", de Mike Leigh; "Des hommes et des dieux", de Xavier Beauvois; "Poetry", de Lee Chang-soo, e "Biutiful", de Alejandro González Iñárritu.

Mas o que todo mundo parece concordar é com relação à grande atuação de Bardem em "Biutiful", e também de que a única alternativa a Bardem seria um prêmio conjunto para os monges do filme "Des hommes et des dieux".

Lambert Wilson, como o principal da comunidade, mas, sobretudo, Michael Lonsdale como o irmão Luc e o veteraníssimo Jacques Herlin, de 83 anos, fizeram interpretações maravilhosas - poderiam receber um prêmio conjunto, o que já ocorreu várias vezes em Cannes.

Entre as mulheres, as apostas se concentram em dois nomes: a Diva francesa Juliette Binoche e a coreana Yun Jung-hee.

Binoche - é a imagem do cartaz desta 63ª edição de Cannes - interpreta sua Elle em "Copie conforme" - do iraniano Abbas Kiarostami - em uma história sobre a dificuldade de amar e para a qual a atriz se inspirou na italiana Anna Magnani.

Não menos brilhante está a veterana Yun Jung-hee em sua volta ao cinema após dez anos de ausência com a poética "Poetry".

Um filme que entra forte nas apostas para a Palma de Ouro, o Grande Prêmio e os prêmios de melhor diretor, roteiro e o especial do júri.

Um heterogêneo júri presidido por Tim Burton e que tem entre seus nomes o espanhol Victor Erice, o porto-riquenho Benicio del Toro e à atriz britânica Kate Beckinsale, será o encarregado de elaborar a lista de premiados que será conhecida amanhã à noite.

De seus gostos dependerá para quem vão os prêmios, sem esquecer que os grandes festivais tendem a levar em conta elementos que vão além das qualidades cinematográficas dos filmes no concurso.

Nesse esquema de elementos exteriores poderia entrar no histórico o filme de Kiarostami - que já levou a Palma de Ouro em 1997 com o "O sabor das cerejas".

O iraniano não está entre os favoritos, mas com um prêmio ao seu filme se enviaria uma senhora mensagem de apoio ao cineasta iraniano Jafar Panahi, detido em 1º de março acusado de fazer um filme contra o regime - Panahi deveria fazer parte do júri desta edição, mas sua detenção impediu sua saída do Irã, e no domingo passado ele iniciou uma greve de fome.

Em um contexto político diferente poderia ser concedido um prêmio para "Des hommes et des dieux", um das obras que trata das tensas relações entre a França e a Argélia.

O outro é "Foras da lei", de Rachid Bouchareb, cuja exibição esteve rodeada de medidas de segurança ostensivas, pelas duras acusações contra si por ser considerado um filme antifrancês.

Fora das considerações políticas, a crítica internacional gostou muito do retrato de Mike Leigh, que já conseguiu em Cannes a Palma de Ouro, em 1996 por "Segredos e Mentiras" e o prêmio ao melhor diretor por "Naked" em 1993.

E também não fica fora das apostas, apesar da divisão de opiniões, o último trabalho de Iñárritu.

"Biutiful" agradou tanto quanto decepcionou, mas seu nome aparece em todas as apostas.
Iñárritu já ganhou em Cannes o prêmio de melhor diretor em 2006 com "Babel" e agora poderia ir mais alto.

Levando em consideração que o presidente do júri é Tim Burton, pode-se dizer com certeza que haverá alguma surpresa.

Uma hipótese é que poderá ser escolhido um filme mais experimental, como a história de relação entre humanos e fantasmas que o tailandês Apichatpong Weerasethakul conta em "Lung Boonmee raluek chat"; o drama da guerra africana em sua versão chadiana, "Um homme qui crie", de Mahamat-Saleh Haroun, e a potente "Schastye moe", do ucraniano Sergei Loznitsa.

O que parece mais distante é a possibilidade de que nomes tão veteranos como os de Bertrand Tavernier, Nikita Mikhalkov e Ken Loach figurem no histórico.

Mas nem os mais veteranos no Festival de Cannes entendem a lógica dos prêmios, e, portanto, qualquer coisa é possível.