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sábado, 12 de setembro de 2015

ESPECIAL - FESTIVAL DE VENEZA: ROMANCE GAY 'DESDE ALLÁ' VENCE A 72ª EDIÇÃO

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A 72ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza divulgou seus vencedores neste sábado (12)
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Acabada mais uma edição do mais antigo festival de cinema do mundo, tivemos duas grandes surpresas: um filme venezuelano e outro argentino foram os grandes ganhadores.

O Leão de Ouro,  principal prêmio do festival,  fo para a produção venezuelana/mexicana de temática gay ‘Desde Allá‘.

Dirigido pelo venezuelano Lorenzo Vigas, a trama acompanha Armando (Alfredo Castro), um homem que vaga  pela cidade à procura de jovens rapazes para  fazer sexo em troca de dinheiro.

Dono de um conceituado laboratório de próteses dentárias, ele acaba conhecendo o problemático Elder (Luis Silva), um jovem de 18 anos e chefe de uma violenta gangue.

A partir daí, eles se apaixonam e iniciam um romance devastador.

A obra aborda, além da homossexualidade, paternidade e problemas de gênero rechaçados pela sociedade atual.

Assista ao trailer de ‘Desde Allá‘:


Já o argentino Pablo Trapero ("Elefante Branco") ficou com o Leão de Prata de melhor direção por "El Clan".

O longa estreou no dia 13 de agosto na Argentina e já arrebatou mais de 2 milhões de espectadores em seu país.

Sua trama mostra a história real da família Puccio, responsável por sequestros e assassinatos em um bairro de classe média alta na Buenos Aires dos anos 80.

O grande prêmio do júri foi para "Anomalisa",  de Charlie Kaufman Duke Johnson.

O júri foi  presidido por Alfonso Cuaròn ('Gravidade') e integrado por Emmanuel Carrère, Nuri Bilge Ceylan, Pawel Pawlikowski, Francesco Munzi, Hou Hsiao-hsien, Diane Kruger, Lynne Ramsay e Elizabeth Banks.

A italiana Valeria Golina levou o prêmio de Melhor Atriz por ‘Per Amor Vostro’, enquanto o francês Fabrice Luchini, de ‘L’Hermine‘, ganhou o prêmio de melhor ator.

O filme pernambucano "Boi Neon", dirigido por Gabriel Mascaro, venceu o prêmio especial do júri na mostra Horizontes.

A premiação foi anunciada pelo cineasta Jonathan Demme, também na tarde deste sábado.

Gabriel Mascaro, diretor do filme pernambucano “Boi Neon" venceu o prêmio especial do júri na mostra Horizontes do Festival de Veneza. AP
A menção é a segunda mais importante desta mostra, cujo vencedor foi "Free In Deed", de Jake Mahaffy.

Mascaro mostra o mundo de Iremar (Juliano Cazarré), um homem encarregado de cuidar dos touros da vaquejada, mas que sonha em ser estilista feminino; de Galega (Maeve Jinkings), motorista de caminhão que transporta os animais de uma arena à outra e que de noite faz striptease; de Cacá (Alyne Santana), a filha pré-adolescente de Galega; e de Zé (Carlos Pessoa), colega de trabalho de Iremar.

As atrizes brasileiras Valentina Herszage, Mari Oliveira, Júlia Roliz e Dora Freind também venceram o, prêmio especial Bisato de Ouro,  por suas atuações no filme 'Mate-me por Favor', da cineasta carioca Anita Rocha da Silveira, também na mostra Horizontes.

Conheça os vencedores das categorias principais:

Leão de Ouro: ‘Desde Allà‘, de Lorenzo Vigas

Lorenzo Vigas, diretor de 'Desde Allá' (From Afar) segura seu  leão de ouro - Stefano Rellandini/ Reuters
Leão de Prata – Melhor Diretor: Pablo Trapero, por ‘El Clan‘

Pablo Trapero segura seu Leão de Prata de Melhor Diretor - AFP
Grande Prêmio do Júri: ‘Anomalisa‘, de Charlie Kaufman e Duke Johnson

Charlie Kaufman e Duke Johnson recebem o Grande Prêmio do Júri - AFP
Melhor Ator: Fabrice Luchini, por ‘L’Hermine‘

O ator francês Fabrice Luchini (direita) posa ao lado do diretor Christian Vincent em Veneza - AFP
Melhor Atriz: Valeria Golino, por ‘Per Amor Vostro‘

Valeria Golino e seu troféu de melhor atriz - Vanity Fair
Prêmio Marcello Mastroianni para Ator Revelação: Abraham Attah, por ‘Beasts of No Nation‘

O Ator Revelação Abraham Attah - Getty Images

sexta-feira, 29 de março de 2013

'DENTRO DA CASA': A BOA LITERATURA A SERVIÇO DA DESTRUIÇÃO DE UMA FAMÍLIA


Sou suspeito para fazer dos filmes do diretor francês François Ozon - gostei de tudo o que ele filmou até agora.

O que inquieto Ozon propõe agora em 'Dentro da Casa' - que estreia hoje aqui no Brasil - é se uma obra de ficção pode fazer alguém perder o senso da realidade e até que ponto a arte não destitui o artista de sua vida, apropriando-se dela.

O longa tenta responder a essas questões por meio da história de um adolescente, Claude (Ernst Umhauer, sensacional) com potencial para literatura, cuja vontade de escrever ultrapassa conceitos éticos e morais e que precisa fazer uma redação por semana como exercício proposto por seu professor de literatura, Germain (Fabrice Luchini).

Ernst Umhauer e Fabrice Luchini, em cena de 'Dentro de Casa' - fotos dessa postagem: Divulgação/Califórnia Filmes

Porém, o aluno começa a retratar a vida do colega de classe, Rapha, de maneira muito íntima, revelando pormenores de seu cotidiano com o pai (que também chama-se Rapha) e com a mãe Esther (Emmanuelle Seigner) - ou seja: em termos literários, constrói uma obra; em termos éticos, começa a destruir uma família.

Esse é o grande dilema do longa e do professor Germain: dar asas à imaginação de um adolescente com grande potencial - mesmo pressentindo consequências nefastas - ou restringir suas atitudes?

Na medida em que aprende literatura, Claude começa a escrever sua “ficção” com primor e o longa ganha descrições poéticas sob seu ponto de vista.

E com o estímulo de criar “personagens” mais convincentes, deixa todos em dúvida sobre a realidade das situações narradas.

Cena do filme

Apesar de não ser original, o roteiro - de Ozon e Juan Mayorga - caprichado e bem desenvolvido, prende a atenção até o final e o longa funciona bem com tomadas simples e diretas, prezando mais pelas palavras do que pela forma.

O primeiro e dramático desfecho escrito para Rapha Jr. e a reação do professor mostram o nível de influência da ficção sob o leitor ou espectador em uma das melhores sequências do filme.

Consequências reais começam a ficar em segundo plano em prol de uma boa história e é aqui que surge outra questão, dessa vez sobre a arte: ela deveria ter limites e quem define isso?

Aqui, o jovem protagonista tem destaque absoluto - tanto, que daqui a alguns anos muitos assistirão esse filme só para ver o início da carreira de Ernst Umhauer, que apesar da pouca idade segura brilhantemente um personagem denso, complexo -  e justamente por isso, inesquecível.

Além disso, os personagens coadjuvantes são muito verossímeis e tem profundidade nas mãos de um ótimo elenco.

Cena do filme

O desfecho deixa a sensação de que Claude poderia muito bem ser uma metáfora, a idealização do futuro bem-sucedido na perspectiva de um professor frustrado - vários filmes já usaram a metalinguagem para expressar o dilema entre real e ilusão na era da imagem, das verdades editadas.

Aqui, o longa deixa no espectador uma infinidade de perguntas, aquelas que pairam no ar por tempos, até o próprio espectador encontrar (ou não) alguma resposta.

No ano passado, o longa foi indicado a Melhor Filme no Festival de Londres e arrebatou o prêmio de Melhor Filme e Melhor Roteiro no Festival de San Sebastián - Espanha.

Filmaço.

Confira o trailer do filme:


*****
'DENTRO DA CASA'
Título Original:
Dans La Maison
Diretor:
François Ozon
Elenco:
Ernst Umhauer, Kristin Scott Thomas, Fabrice Luchini, Emmanuelle Seigner, Denis Ménochet, Bastien Ughetto e outros
Produção:
Eric Altmeyer, Nicolas Altmeyer, Claudie Ossard
Roteiro:
François Ozon, Juan Mayorga
Fotografia:
Jérôme Alméras
Trilha Sonora:
Philippe Rombi
Duração:
106 min.
Ano:
2012
País:
França
Gênero:
Suspense
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Califórnia Filmes
Estúdio:
Mandarin Films / Mars Distribution / France 2 Cinéma / FOZ / Canal+ / Ciné+ / France Télévision / La Banque Postale Images 5 / Palatine Étoile 9 / Région Ile-de-France / Cofimage 23
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau:

sábado, 11 de fevereiro de 2012

'AS MULHERES DO SEXTO ANDAR' SE APOIA TOTALMENTE NO TALENTO DO ATOR FABRICE LUCHINI E NAS ESTRELAS DO CINEMA ESPANHOL


Jean-Louis  é um homem comum, de hábitos comuns, casado com Suzanne - interpretada por Sandrine Kiberlain - com dois filhos vivendo em um colégio interno.

Seu cotidiano se restringe ao trabalho e a pequenos problemas domésticos, como a insubordinação da empregada bretã, que acaba se demitindo.
Divulgação
Cena de "As Mulheres do Sexto Andar"

Como sua mulher tem horror a cuidar da casa, ele contrata uma moça espanhola, Maria - Natalia Verbeke - para ser sua nova serviçal - no início da década de 1960, era comum que franceses empregassem espanholas, que chegavam às pencas fugindo da ditadura franquista.

Aqui, o diretor e roteirista Philippe Le Guay desenvolve dois conflitos: o primeiro e mais evidente é o social, ao mostrar as condições precárias em que Maria e suas colegas vivem no sexto andar do edifício onde trabalham, onde os discursos da socialista Carmen - Lola Dueñas - e as situações cômicas que envolvem essas mulheres são o foco.
(Nota: até a bem pouco tempo, as coberturas dos prédios na França eram destinadas à moradia das empregadas que trabalhavam no edifício)

Segundo: existe o encantamento crescente de Jean-Louis - interpretado por Fabrice Luchini - por Maria, onde o ator exibe uma interpretação contida que ressalta na timidez de seu personagem frente à beleza da espanhola, e onde, mesmo em uma cena de ciúmes provocada por um garçom mulherengo, ele é cauteloso para aproximar-se de Maria.

Le Guay também explora em seu roteiro o choque desses mundos, pois é a partir do envolvimento cada vez maior de Jean-Louis com as espanholas de seu edifício que o diretor brinca com o deslumbramento de seu herói pela vivacidade de outra cultura, que tanto falta em sua vida e em seus impulsos.
Divulgação
Natalia Verbeke e Fabrice Luchini, em cena do filme

Contando ainda com a participação especialíssima da Diva espanhola Carmen Maura - no papel de Concepción - "As Mulheres do Sexto Andar" é um filme todo certinho, na forma e conteúdo,  e se escora principalmente pelo trabalho de ator de Fabrice Luchini -  pois, sem ele, o filme nada seria.

Confira o trailer do filme:
*****
"AS MULHERES DO SEXTO ANDAR"
Título original:
Les Femmes du 6eme Étage
Diretor:
Philippe Le Guay
Elenco:
Fabrice Luchini, Sandrine Kiberlain, Natalia Verbeke, Carmen Maura, Lola Dueñas, Berta Ojea, Nuria Solé, Concha Galán, Marie-Armelle Deguy, Muriel Solvay
Produção:
Etienne Comar, Philippe Rousselet
Roteiro:
Philippe Le Guay, Jérôme Tonnerre
Fotografia:
Jean-Claude Larrieu
Trilha Sonora:
Jorge Arriagada
Duração:
104 min.
Ano:
2010
País:
França
Gênero:
Comédia
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Vinny Filmes
Estúdio:
Vendôme Production / France 2 Cinéma/ Canal+/ SND/ CinéCinéma / France Télévision/ Banque Postale Image 4/ Cofinova 7 / Uni Étoile 8
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 24 de junho de 2011

DIVA FRANCESA, CATHERINE DENEUVE ZOA A SI MESMA EM "POTICHE - ESPOSA TROFÉU"


É certo e sabido que a Diva das Divas francesa Catherine Deneuve detesta a mídia e raramente sai da França para promover seus filmes.

Por tudo isso, foi com extrema satisfação que seus fãs brasileiros - eu incluso - receberam Madame Deneuve numa rápida visita a São Paulo, para promover esse filme que estreia hoje, e também para falar sobre o Festival Varilux de Cinema Francês, que trouxe à cidade um cardápio de bons filmes.

Na coletiva de imprensa, fumando muito - o hotel Tivoli, onde ficou hospedada, foi multado por isso - a Diva, visivelmente contrariada, dava curtas e secas respostas aos repórteres, mas ainda parecia simpática.

Até que um, mais inexperiente, resolveu fazer a pergunta chavão:
"O que a senhora está achando da cidade de São Paulo?"
Catherine nem pestanejou:
"Tem pouca cor, poucas árvores e muitos fios expostos".

Rápida no gatilho e seca pessoalmente, Catherine Deneuve se transforma quando ilumina a tela com seu charme, suas interpretações seguras e seu enorme talento de uma das atrizes mais sensacionais de todos os tempos.

Juntando todas essas suas facetas às do diretor francês François Ozon, craque em misturar clichês de melodrama e comédia de boulevard, a receita final é maravilhosa.

Em Potiche - Esposa Troféu, filme que estreou no último Festival de Cannes, Ozon conta com um elenco estelar e afiado para abordar um formidável arsenal de temas prementes, especialmente o sexismo, a hipocrisia de costumes e as semelhanças e diferenças entre direita e esquerda.
Divulgação
A Diva das Divas em cena

Aqui, Deneuve interpreta uma burguesa, Suzanne Pujol, uma rainha do lar - "potiche" pode ser traduzido como "vaso" - rica , fútil e submissa, que é compelida a sair de seu mundinho cor de rosa ao assumir a direção de sua empresa de guarda-chuvas, herdada de seu pai, mas dirigida com mão de ferro por seu marido, Robert - o inacreditável Fabrice Luchini - em meio a uma greve, que provoca uma crise cardíaca no marido, logo depois de ser mantido refém pelos grevistas.

A reviravolta na vida de Suzanne permite que o roteiro inclua uma série de comentários irônicos sobre a política, já que, com o marido afastado do negócio, a verdadeira Suzanne desabrocha.
Divulgação
A cena onde o sindicalista propõe que Madame Pujol assuma a fábrica

Se no começo, ela é recebida na fábrica com as batidas piadas de loiras burras, logo Suzanne revela um inesperado talento para renovar o clima de trabalho, inclusive em proveito próprio.

Seu talento para os negócios a encaminha em direção a uma carreira política - detalhe que ressoou no lançamento do filme na França, em 2010, três anos depois de uma disputada campanha eleitoral em que, pela primeira vez na história francesa, uma mulher, a socialista Segolène Royal, teve reais chances de vencer.

Já nos limites onde ela era a rainha - a sua casa - Suzanne começa a ver que sua família perfeita não é tão perfeita assim, quando começa a descobrir o caso mantido a anos entre seu marido e sua dedicada secretária, Nadège - Karin Viard.

Somos também apresentados ao passado nada certinho da própria Madame Pujol, que esconde um antigo e quentíssimo caso com o prefeito comunista e sindicalista, Babin - interpretado por Gérard Depardieu.

A farsa ambientada nos anos 70 é habilmente sustentada pelo design dos cenários e figurinos - que foram idealizados por duas colaboradoras habituais de Ozon, a diretora de arte Katia Wysztop e a figurinista Pascaline Chavanne - e a comédia ganha muito com a maravilhosa trilha sonora, que ressuscita alguns sucessos dos anos 70, como Emmène-moi danser ce soir, com Michèle Torr, More Than a Woman, dos Bee Gees - que acompanha uma deliciosa cena à la Embalos de Sábado à Noite, com Deneuve e Depardieu - e C'est beau la vie, interpretada pela própria Deneuve!
Divulgação
A Diva das Divas ensaia, com o diretor Ozon, cena de "Potiche"

Enfim, o que se tem de melhor no filme é a desenvoltura com que estes dois ícones do cinema francês se entregam sem nenhum pudor à auto-sátira.

A história e o público ganham muito com isso.

Confira o trailer do filme:

*****
POTICHE - ESPOSA TROFÉU
Título Original:
Potiche
Diretor:
François Ozon
Elenco:
Catherine Deneuve
Gérard Depardieu
Fabrice Luchini
Karin Viard
Judith Godrèche
Jérémie Renier
Sergi López
Produção:
Eric Altmeyer
Nicolas Altmeyer
Roteiro:
François Ozon
Trilha Sonora:
Philippe Rombi
Duração:
Nada cansativos 103 min.
Ano:
2010
País:
França
Gênero:
Comédia
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imovision
Estúdio:
Mandarin Films
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: