Mostrando postagens com marcador travestis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador travestis. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A SEMANA NA DIVERSIDADE TEM MILHEM CORTAZ TRAVESTI, CAMPEÃO DE BOXE GAY E HIPOCRISIA BRASILEIRA AO FALAR DE ÓRGÃOS SEXUAIS


Nessa semana, separei três matérias muito legais para vocês:

MILHEM CORTAZ, TRAVESTI
*****
ASSUMIR-SE GAY DEU SORTE PARA O BOXEUR ORLANDO 
CRUZ: MANTEVE SEU TÍTULO E AGORA SORRI À TOA
*****
REVISTA 'TRIP' ABORDA A HIPOCRISIA BRASILEIRA DE NÃO FALARMOS SOBRE CARALHOS
*****

Leia:

MILHEM CORTAZ, TRAVESTI

O mais macho dos machos do cinema nacional surpreendeu mais uma vez!

Milhem Cortaz, presente em nove de dez filmes brasileiros mais falados, é um travesti no ensaio "TransforMANtion", assinado pelo fotógrafo Chico Muniz.

O ator, que foi convidado para o projeto por Milton M. Filho, interpreta um homem que foge de sua rotina para viver sua identidade secreta, um travesti.

Confira as fotos, publicadas pelo site Ego:

Fotos: Chico Muniz/Divulgação




ASSUMIR-SE GAY DEU SORTE PARA O BOXEUR ORLANDO CRUZ: MANTEVE SEU TÍTULO E AGORA SORRI À TOA

O boxeur porto-riquenho Orlando Cruz venceu o mexicano Jorge Pazos por decisão unânime na madrugada deste sábado, na Flórida, mantendo o cinturão latino dos pesos pena da Organização Mundial de Boxe.

Foi sua primeira luta após chamar a atenção da imprensa mundial ao assumir-se publicamente homossexual.

AP
Orlando Cruz e seus dois cinturões de campeão mundial peso pena da OMB

Em um combate equilibrado, o mexicano tentou se aproveitar do maior alcance para surpreender o rival, mas viu Cruz utilizar um ótimo jogo de pernas para se esquivar de seus socos.

No final, os juízes decidiram manter o cinturão com o porto-riquenho, que venceu por 118-110, 116-111 e 118-110.

AP
Depois de sair do armário, Cruz agora sorri à toa...

Com o resultado, o boxeador soma 19 vitórias, nove por nocaute, e duas derrotas na carreira, além de um empate.

Cruz se emocionou muito como o grande apoio que recebeu dos torcedores antes da luta, afirmando que o público o viu como um lutador, um atleta e um homem em todos os sentidos da palavra.

AP
O campeão em nova pose

Após a vitória, o ainda campeão dos penas contou que a vitória deve abrir a porta para maiores lutas no futuro, defendendo que o objetivo agora é buscar um título mundial.

Tá vendo como não dói - senhores atletas de vários outros esportes que insistem em não sair do armário?

REVISTA 'TRIP' ABORDA A HIPOCRISIA BRASILEIRA DE NÃO FALARMOS SOBRE CARALHOS

Num ótimo texto para a revista "Trip", o editor Paulo Lima tenta entender o porquê dos brasileiros não falarem abertamente sobre órgãos sexuais e também porquê sua exposição - no país tido pelos estrangeiros como um dos mais sensuais e liberais do mundo - ainda ser tabu.

'DO CACETE'

Há uma analogia curiosa – e bastante defensável – que explica o Brasil como nação, comparando-o a uma jovem na adolescência.

Assim, ao mesmo tempo em que é sensual e atraente, nossa terra alterna situações em que é desengonçada, envergonhada e trapalhona.

Toma atitudes e decisões destrambelhadas aqui e ali, mas segue seu rumo e vai crescendo mesmo assim.

É esperta, surpreendente e ágil em alguns momentos, lenta, contraditória e titubeante em outros.

Tem ímpeto e coragem, mas volta e meia sofre tombos e invertidas que doem e geram feridas difíceis de fechar.

Imagem: Internet
Quem nunca viu um caralho desenhado num banheiro público?

É possível que a tendência predominante de excessiva “genitalização” da sexualidade em nossos domínios tenha algo a ver com isso.

Já falamos sobre isso por aqui.
É como se todo o universo ligado ao amor, ao sexo, às relações humanas, ao prazer e à reprodução ficasse contido exclusivamente nas terminações nervosas desses côncavos e convexos localizados.

Assim, entre outras consequências diretas da compreensão rasa e do equívoco, a simples menção às palavras pênis ou vagina já causa, quase invariavelmente, algum desconforto, risadas nervosas e a ânsia velada pela mudança de assunto.

Os órgãos sexuais ainda são as “partes privadas”, espécies de lugares proibidos sobre os quais a nação sensual, morena e liberada prefere não falar muito.

Basta dizer que fomos convidados a não distribuir os exemplares desta edição da Trip com a capa que carrega a régua, em uma parte importante dos pontos de venda de revistas, por um único e exclusivo motivo: a palavra pênis aparece em destaque e teria sido considerada ofensiva ou inconveniente para os olhos dos clientes desses canais.

Difícil encontrar argumento mais veemente para justificar a importância de uma edição inteira da Trip dedicada ao olhar desarmado e amplo para um dos maiores tabus do planeta.

Imagem:Internet
Agora, precisa ter coragem pra tatuar um caralho no braço!

É verdade que, em algumas partes do mundo, a questão é abordada de maneira muito diversa.

Já mostramos em nossas páginas, por exemplo, templos na Índia e em outras partes da Ásia dedicados à adoração do falo como símbolo do divino, da semente que gera a vida e perpetua a espécie.

Quem já visitou o pequeno país chamado Butão, incrustado no Himalaia e espremido entre a China e a Índia, certamente se surpreendeu ao ver que, nas fachadas de quase todas as casas de família, há pinturas bastante realistas mostrando pênis eretos ejaculando, em geral sobre as portas ou janelas das residências.

Alamy Other Images
No Butão, imagens assim são comuns nas fachadas das casas

A imagem é entendida por lá como celebração da fartura, da perenidade da humanidade e da saúde plena dos moradores e dos visitantes.

Do lado de cá do mundo, porém, não estamos sozinhos com nossos receios e pruridos moralistas.

Se vale comparar o Brasil com uma garota adolescente sensual e atrapalhada, talvez seja lícito traçar um paralelo entre países do Velho Mundo, como a Espanha, e aquelas senhoras entradas nos anos, que tentam se maquiar e se vestir como jovens, mas que, por mais recursos cosméticos de que lancem mão, não conseguem se ver livres das contradições entre suas mais entranhadas crenças conservadoras e o discurso moderninho que declamam.

Enquanto associarmos o falo a poder e comando na já capenga sociedade construída em torno da testosterona e enrubescermos diante de discussões sobre tamanhos e formatos, assistiremos a uma indústria pulsante e encorpada, que vai do humor à medicina, se alimentar das angústias e vergonhas geradas por essas compreensões estreitas e equivocadas.

Basta ver, só pra começar, quantos milhões de mensagens eletrônicas com o título “aumente seu pênis” são disparadas e recebidas por dia no planeta.

Por isso tudo, talvez tenha valido a pena dedicar alguns meses à compilação dos artigos, fotos, vídeos, reflexões, curiosidades e ideias...

Que sirvam para nos fazer pensar, varrer, arejar e abrir as janelas do quartinho escuro onde ainda ficam escondidas certas questões, em pleno ano cristão de 2012.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

DA PARAÍBA, DO INTERIOR DE SP E DE FLORIANÓPOLIS, CONHEÇA TRÊS CANDIDATOS LGBT ELEITOS NO DOMINGO


Com as eleições 2012, parece que o Brasil finalmente entrou numa nova era, onde o povo reconhecidamente votou melhor e onde a Diversidade também se fez presente.

Em Pilar - Paraíba, Piracicaba - São Paulo e Florianópolis - SC, a população deu os maiores exemplos de Diversidade dessas eleições, elegendo três ótimos candidatos, batalhadores e íntegros.

Confira:

MÃE DE SANTO, TRAVESTI SE ELEGE VEREADORA NA ZONA DA MATA PARAIBANA

A cidade de Pilar - na região da Mata Paraibana, a 52 km de João Pessoa -, elegeu a primeira vereadora travesti da história da Paraíba, informa Hyldo Pereira, do Portal Correio.

Shirley Costa, 51 anos, foi eleita com 273 votos pelo Partido Progressista (PP).

Adepta do candomblé há 38 anos, a vereadora eleita é também conhecida na cidade de pouco mais de 11 mil habitantes como 'Mãe Shirley´.

Ela disse que sua fórmula da vitória foi "o trabalho de humanização" que desenvolve no hospital da cidade, onde é lotada no setor administrativo.

Para Shirley, sua espiritualidade contribuiu em seu equilíbrio nos dois meses de campanha.
Levo carinho aos pacientes do hospital. Muitas vezes são pessoas pobres com ausência de afetividade. Converso com eles, brinco e isso me motivou a entrar na política para ajudar os mais necessitados”, comentou, lembrando ainda o incentivo de familiares e amigos.

Com poucos recursos, Shirley repudiou "a compra de votos que existiu na cidade" e disse que fez uma campanha "à base da honestidade, boas propostas" e isso agregou muitos simpatizantes.
“Minha campanha foi simples. Recebi apoio da majoritária e alguns gastos foram pagos com recursos próprios”, disse.

Portal Correio
A vereadora eleita Shirley Costa

A chapa majoritária a que ela se refere foi encabeçada pela atual prefeita Virgínia Veloso Borges (PP) - reeleita para o cargo, e que é mãe do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro.

Apenas com primeiro grau completo, a vereadora eleita disputou o mandato eletivo pela primeira vez e garantiu que no Legislativo municipal vai "levantar a bandeira de combate ao homicídio e em defesa de um atendimento mais humanizado na saúde pública. Vou ser a voz da luta contra o preconceito. Não podemos nos calar para a discriminação não apenas de sexo, mas de raça e cultura”, discursou a parlamentar.

O município de Pilar está localizado na microrregião de Sapé e, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2010 sua população era estimada em 11.191 habitantes em uma área territorial de 102 quilômetros quadrados.

O município era uma antiga aldeia de índios Cariris e Coremas e é a terra natal do escritor José Lins do Rêgo, autor de livros como 'Fogo Morto', 'Menino de Engenho' e 'Doidinho'.

MADALENA, A PRIMEIRA VEREADORA TRAVESTI DE PIRACICABA (SP)

Travesti, gay, homossexual, ele ou ela: muitos têm dúvidas sobre como se referir a Madalena, que não escolhe nenhuma das etiquetas.

"Para mim tanto faz a maneira como me chamam. Quando eu me olho no espelho, vejo um homem de muita coragem. Vou usar terno e gravata na posse e quando precisar durante as reuniões. Ainda não sei se vou usar meus lenços ou fazer tranças no cabelo, mas vou continuar a ser a mesma Madalena de sempre", disse esse ser piracicabano iluminado, quando a Justiça Eleitoral da cidade paulista encerrou a apuração dos votos das eleições desse ano, no domingo (7).

Luiz Antônio Leite de Moura, de 57 anos, mais conhecido como Madalena, se tornou a primeira travesti eleita vereadora na história da cidade, relata o Portal G.1 .

Quase um personagem folclórico para os piracicabanos, Madalena - que sempre chamou a atenção por andar pelas ruas usando roupas e acessórios femininos - recebeu 3.035 votos e teve o segundo melhor desempenho do PSDB no pleito.

Para evitar que sua futura função se confunda com a imagem irreverente e quase caricata, a futura parlamentar - que é líder comunitário há 25 anos - decidiu trocar as roupas femininas pelo terno e gravata na posse.

G.1
Madalena experimenta o terno para a posse

Madalena trabalha desde a adolescência como cozinheira e faxineira em casas de família e repartições públicas.

Como líder social, é presidente do centro comunitário do bairro Boa Esperança e já foi candidata a vereadora quatro vezes (1988, 2004 e 2008 e 2012), mas só neste ano obteve votos suficientes para se eleger.

Ela conta que o nome de batismo foi substituído por Madalena quando tinha 15 anos, já assumido como homossexual.
"Eu trabalhava de faxineira com a minha mãe em uma república chamada 'Canecão' e os moradores fizeram um concurso para escolher um nome de mulher para mim. Aí ganhou Madalena. Eu gostei e ficou o nome."

Apesar de os votos recebidos representarem apenas 1,57% do total de eleitores, a impressão de quem acompanha Madalena pelas ruas é a de que toda Piracicaba  votou nela: seja na casa de familiares no Jardim Oriente, no Centro ou na região da Vila Sônia, um dos seus principais redutos eleitorais, todos que a reconhecem acenam ou correm para cumprimentá-la.
"Desde que saiu a notícia da minha vitória, o telefone não parou de tocar. Muita gente ligou para me parabenizar."

A campanha para vereadora não contou com equipe ou dinheiro.
Amigos e familiares ajudaram com pequenas quantias para colocar gasolina no carro de som de um dos cabos eleitorais.

"A campanha foi feita sem muitos recursos. Usei os santinhos que recebi do partido, não paguei para ninguém e nem fiz churrasco. Usei apenas um carro de som de um amigo para divulgar meu número com uma música", disse a vereadora eleita.

Entre as causas que pretende defender durante o mandato na Câmara de Piracicaba, Madalena destaca levar melhorias para a região onde mora.
"Como líder comunitária ajudei a trazer a cobertura da quadra de uma escola do bairro, na reforma de uma creche e outras melhorias. Agora vou brigar por uma praça no bairro, pois as pessoas estão precisando", completou.

GAY, NEGRO, NASCIDO EM FAVELA E VEREADOR MAIS VOTADO DE FLORIANÓPOLIS

Encerrada a apuração no domingo, Tiago Silva (PDT) de 29 anos,conhecido como o organizador da Parada Gay da cidade, foi declarado o vereador mais votado da história da Câmara de Florianópolis - com 6.860 votos.

Conforme relata Renan Nunes de Oliveira, do UOL, é a segunda tentativa dele de chegar à Câmara: filho de uma empregada doméstica, nascido no morro do Mocotó (a principal favela da capital), ele estava exultante.
" A esperança venceu o medo", disse, em entrevista no TRE (Tribunal Regional Eleitoral).

UOL
Tiago Silva, logo após votar no domingo

"Eu não esperava ser o mais votado nem nos meus melhores sonhos. O melhor de tudo foi bater as famílias tradicionais que sempre venceram na política florianopolitana".

Sorte para todos os três!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A SEMANA NA DIVERSIDADE


Separei para essa postagem três matérias muito boas:

A PRESSÃO INTERNACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA
*****
SENADO SÓ VAI COMEÇAR A VOTAR PROJETO ANTI HOMOFOBIA DEPOIS DAS ELEIÇÕES
*****
RS JÁ EMITIU 119 RGs COM NOMES SOCIAIS DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS
*****
Leia:

A PRESSÃO INTERNACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA

Rita Colaço é historiadora, mestre em políticas sociais, e tem se debruçado em diversos artigos para apontar um dos caminhos possíveis para acabar com o total descaso dos vários governos federais, inclusive o atual, em relação aos direitos da população LGBT.

Colaço acredita que uma pressão internacional conseguirá pelo menos cobrar posições mais efetivas dos nossos governantes sobre as questões dos direitos civis dos homossexuais, bissexuais e transgêneros.

O Brasil passou agora em setembro por uma avaliação sobre o cumprimento de leis que protejam os direitos humanos, entre eles, os dos gays.
A chamada Revisão Periódica Universal (RPU ou UPR, em inglês) do Conselho de Direitos Humanos da ONU na primeira averiguação, em 2008, o país teve 15 recomendações, agora teve 170 e isto é bem significativo de como estes direitos estão sendo (des)tratados no país.

Enfim, o governo brasileiro aceitou 150, dez foram parcialmente aceitas e uma foi rejeitada como o fim da Polícia Militar.

O Blogay entrevistou Rita Colaço, que falou sobre pressão internacional, o que pode ser eficaz nas denúncias e como fazê-las.

Portal em Pauta
A historiadora Rita Colaço

Blogay – Muitos acreditam que o governo federal com os acordos com as bancadas fundamentalistas, uma forma de conseguir alguma lei ou que o assunto sobre os LGBTs no Brasil não fique pra debaixo do tapete é tentar a pressão internacional. Você acredita neste caminho, por quê?
Rita Colaço - Sim. Sou uma das pessoas que vem defendendo há tempos essa alternativa. Entendo que, diante da conformação que temos tido no Congresso desde a Constituinte [1988], com bancadas teocráticas, obscurantistas, reacionárias, teocráticas, que tem atuado em total desrespeito ao primado do estado secular e, via de consequência, da própria República, da Constituição e da democracia – regime no qual os direitos das minorias devem ser protegidos e respeitados –, torna-se necessário o recurso aos organismos internacionais de proteção aos direitos humanos, como se deu, por exemplo, para a criação da Comissão da Verdade, para a promulgação da Lei Maria da Penha e mesmo para que se realizasse o julgamento do crime praticado contra a Maria da Penha pelo seu marido.

Diante dessa conjuntura, somente a intervenção dos organismos internacionais é que garantirá que o Brasil cumpra a sua Constituição e os acordos e tratados internacionais de direitos humanos que assinou e finalmente promulgue a lei punindo todas as formas de discriminação – inclusive aquela em face da identidade de gênero e da orientação sexual.

A defesa das minorias é algo previsto na nossa Constituição?
Veja: a Constituição, que é de 1988, determina a edição de lei fixando sanções para qualquer prática discriminatória dos direitos e liberdades fundamentais (art. 5º, XLI). Estamos em 2012. Ou seja, há 24 anos o nosso Congresso vem se recusando a tornar efetivo aquilo que a Constituição determina e precisamente em questão central para a vida democrática, que é o respeito à dignidade da pessoa, de qualquer pessoa. Em outras palavras, o nosso Poder Legislativo há 24 anos tem mantido o país em débito constitucional.

Não podemos aceitar – e não apenas os LGBTs, mas todos os cidadãos comprometidos com a democracia – que em nosso país as convicções religiosas de parcela da sociedade, independentemente se majoritária, sejam impostas à totalidade da população. Nosso país é diverso étnica, cultural e religiosamente. E assim deve continuar.

Defender a edição de lei punindo ações discriminatórias também em face da orientação sexual e ou da identidade de gênero – assim como a todas as demais formas de discriminação –, é defender o chamado mínimo legal, isto é, a garantia de uma vida livre de humilhação e violência. Ninguém tem o direito de pretender manter um indivíduo ou conjunto de indivíduos à margem da proteção de sua dignidade pessoal.

O que está sendo feito de importante neste sentido, de pressionar os órgãos internacionais?
Penso que o mais importante é a tomada de consciência da própria comunidade LGBT, a sua percepção de que são eles, cada um deles, os verdadeiros ativistas, os verdadeiros agentes de transformação de sua vida e história. Somente após essa conscientização é que se começou a oferecer denúncias aos organismos internacionais e a exigir isonomia na punição à discriminação.

Não pode haver hierarquia entre as motivadoras da discriminação. Todas elas devem ser combatidas e penalizadas por igual. É inadmissível se pretender que os LGBTs aceitem ver a violência fóbica a eles cotidianamente desferida receber um tratamento legal diferente das outras manifestações de preconceito – como a religiosa e a étnica, por exemplo.

A Conectas Direitos Humanos, a Justiça Global, a SPW (Observatório de Sexualidade e Política), a ABIA, a Plataforma Dhesca Brasil, o grupo Católicas pelo Direito de Decidir (CDD BR) e diversos militantes independentes tem efetuado denúncias tanto na OEA quanto na ONU e cobrado posição coerente do governo brasileiro.

Temos agora o PT no poder federal com seus acordos com bancadas reacionárias e ao mesmo tempo muitos militantes gays estão envolvidos com  este  partido. Isto prejudica no que fazer a tal pressão internacional?
O atrelamento do movimento LGBT ao Partido dos Trabalhadores, como a qualquer partido, produziria a perda da autonomia do movimento. Contra isso parte majoritária dos militantes da primeira geração do movimento homossexual sempre se bateu. Era uma das suas características mais fortes. A defesa da autonomia e da independência era algo tão visceral que levou a alguns equívocos, como por exemplo, a recusa de determinados ativistas em participar de manifestações de outros movimentos sociais.

Lamentavelmente os ativistas LGBT do PT, que se hegemonizaram na condução do movimento através do modelo ONGs de prestação de serviços assistenciais, não mantiveram a necessária separação entre os interesses do partido e os do movimento. Deixaram-se pautar pelos interesses do partido, com suas coalisões entre os setores mais reacionários e obscurantistas e pelos interesses de sobrevivência suas ONGs, em razão do financiamento governamental aos seus projetos sociais. No conflito de interesses entre o governo de coalisão com o que há de mais reacionário e fundamentalista, a viabilidade de suas ONGs s e o movimento LGBT, permaneceram e permanecem à reboque daquele.

Há quem diga que o governo Lula fez muito mal aos movimentos sociais, precisamente pela desmobilização e, em alguns casos, cooptação que produziu. Com o movimento LGBT foi exatamente isso o que ocorreu. Desde 2001, que é a data do projeto de lei que se transformou no PLC 122/06, os números da violência fóbica contra LGBTs só tem aumentado. E ao longo de todo esse tempo não se viu ações firmes, vigorosas por parte dos ativistas hegemônicos. Sem independência e autonomia, dominados pelo conflito de interesses, ficaram paralizados defendendo o discurso oficial do governo.

Teve algum caso que a causa partidária foi maior que a militância LGBT?
Um exemplo eloquente nesse sentido é o caso Renildo José dos Santos, o vereador assumidamente gay de Coqueiro Seco, Alagoas, barbaramente assassinado em 1993. Até hoje, passados 19 anos, os réus, condenados, não foram recolhidos ao cárcere. Todos permanecem em liberdade, impetrando recurso após recurso, tentando visivelmente obter a prescrição punitiva (prescrição no direito do Estado em executar a pena fixada). O mandante do crime, agora com a sua avançada idade, provavelmente jamais cumprirá a pena.

Ao longo de todos esses dezenove anos jamais qualquer ativista hegemônico colocou os seus conhecimentos, tempo e recursos para denunciar essa infâmia perante as organizações internacionais de direitos humanos. – Por que? Por que, se participaram da elaboração do projeto de resolução da ONU pró-dignidade LGBT, apresentado pelo governo brasileiro em 2004 – retirado depois, em razão da intransigência e retaliação dos países árabes? Porque apresentar tal proposta de resolução colocava o Brasil em posição de vanguarda no âmbito internacional, atendia aos desejos de preeminência internacional do país governado pelo PT. Denunciar os “malfeitos” nacionais, ao contrário, revelava ao mundo a verdadeira face da impunidade e violência existente no país. Daí porque durante muitos e muitos anos o Grupo Gay da Bahia e sua tenaz e sistemática mensuração possível da homofobia nacional, desde 1981, era repudiada e desqualificada, com acusações de que disseminava uma péssima imagem do país. Para certos militantes, o problema não é a ilegalidade, a impunidade; o problema é que isso seja divulgado internacionalmente.

Como podemos ajudar a pressionar os órgãos internacionais e quais que valem a pena serem acionados?
Penso que todas as pessoas que entendem a democracia como um valor podem e devem ajudar. E em todos os espaços possíveis.

O país apresentou o seu posicionamento sobre as recomendações recebidas por ocasião da Revisão Periódica Universal (RPU) do Conselho de Direitos Humanos da ONU – se aceita (e quais aceita) ou rejeita (e quais rejeita).

Precisávamos garantir que o governo se posicione acatando as propostas da Finlândia (que recomenda a garantia efetiva da isonomia sociojurídica entre as conjugalidades homo e heterossexuais e o efetivo combate à violência homo, lésbica e transfóbica, inclusive com a edição de lei específica).

Precisávamos tambem garantir que o governo rejeite as recomendações do Vaticano e da Namíbia, pois violam o princípio da apartação entre religião e estado e instituem uma discriminação em função do tipo de família, o que é expressamente proibido pela Constituição.

Infelizmente, o Brasil já apresentou a sua posição sobre a RPU-ONU. E, mais uma vez, mostrou-se incapaz de posições firmes. Por um lado, agrada ao Vaticano e à Namíbia com as suas recomendações sobre família “natural” e ensino religioso; por outro, sai pela tangente no que diz respeito à recomendação da Finlândia, sobre o reconhecimento do casamento igualitário.

Fora isso, na página da OEA existem informações sobre como efetuar as denúncias. Há tambem grupos auxiliando esses encaminhamentos.

É o caso das lésbicas, cujas violações específicas devem ser encaminhadas sob a forma de breve relato para cesarmacego@ig.com.br. Também é o caso do Grupo de Trabalho da Unidade para os Direitos das Lésbicas, Gays, Pessoas Trans, Bissexuais e Intersex (Unidade) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, cujo email é cidh_lgtbi@oas.org.

Outra forma importante de exercício do civismo, isto é, do compromisso com a democracia, com a Constituição e com a construção de um país mais justo é não eleger religiosos que buscam se utilizar do cargo (parlamentar ou executivo) para impingir a sua convicção religiosa privada a toda a população. Nosso país é uma república democrática constitucional, não religiosa.

O voto é fruto de longas décadas de muita luta. Muita gente sofreu, foi perseguida, presa, espancada, morta apenas porque reivindicava a prerrogativa de votar como um direito de todos.

Hoje votam as mulheres, os pobres, os jovens de dezesseis e dezessete anos, os analfabetos. É uma grande conquista dos movimentos sociais. É preciso que tenhamos consciência desse significado e dessa história. O voto é um direito, uma arma que dispomos para fazer com que nossa voz tenha representação. O parlamentar e os chefes dos executivos (municipal, estadual e federal) são nada mais do que representantes da população. Detem um mandato, falam e agem em nosso nome, não em nome próprio. O seu poder vem do povo e não ao contrário.

É um momento de muita seriedade, muita responsabilidade, as eleições. Essas pessoas, eleitas, realizarão ações que atingirão a nossa vida, os nossos direitos, o nosso patrimônio, a nossa liberdade. É necessário muita atenção, cautela. Há que se pesquisar sobre os reais interesses e compromissos dos candidatos. Um aspecto bastante importante é o volume de recursos empregado na campanha. Campanhas muito caras desconfie. Os grupos financiadores estão realizam um investimento e irão cobrar o retorno, depois. E nós estamos cansados de saber as formas pelas quais esse investimento vem sendo pago às custas dos tributos que nós pagamos e que não revertem em benefício da população. Nós, todos nós, temos alguma responsabilidade diante desse estado de coisas. A nossa omissão fortalece esses esquemas espúrios.

(Matéria do BloGay, assinado pelo jornalista Vítor Ângelo)

SENADO SÓ VAI COMEÇAR A VOTAR PROJETO ANTI HOMOFOBIA DEPOIS DAS ELEIÇÕES

Segundo o portal iG, o Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS) avisa que só escolherá depois das eleições o relator do projeto de criminalização da homofobia - a PLC 122.

"Antes disso, só aumentaria a polêmica em torno do assunto", disse Paim ao "Poder Online".

iG
O senador Paulo Paim (PT-RS)

Paim já foi procurado pela feminista Lídice da Mata (PSB-BA) e pelo evangélico Magno Malta (PR-ES), interessados em relatar o projeto, mas está mais propenso a entregá-lo ao líder do PT, Walter Pinheiro (BA), que pertence à ala progressista da Igreja Batista.

"Ele tem demonstrado posições muito ponderadas", afirma o presidente da CDH.

Antes ainda, Paulo Paim revela que a comissão especial do novo Código Civil tratará da homofobia.

"Tenho informações de que eles pretendem dar uma definição bastante nítida ao tema. Então vou esperar por isso também".

Esperamos, caro senador, que a PLC 122 seja votada ainda esse ano, pois, a cada dia que passa, mais e mais gays são alvitados, violentados e mortos por todo o Brasil.

RS JÁ EMITIU 119 RGs COM NOMES SOCIAIS DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS

O uso do nome social é determinante para travestis e transexuais pois, sem isso, são discriminados em todos os ambientes e circunstâncias, desde a hora da chamada na sala de aula até ocasiões públicas, como em consultórios médicos, lojas, entre outros momentos em que são tratadas pelo nome de registro, com o qual não se identificam.

Raras iniciativas têm reduzido esse constrangimento: o estado de São Paulo, por exemplo, por meio do Decreto 55.588, de 2010, prevê o tratamento de travestis e transexuais pelo nome por eles escolhido para usar socialmente de acordo com sua identidade de gênero,mas a medida restringe-se à administração pública estadual direta e indireta.

No entanto, vem do governo do Rio Grande do Sul algo que pode indicar a redução da marginalização: a Carteira de Nome Social (CNS), que começou a ser emitida em 16 de agosto passado, por meio da qual travestis e transexuais poderão ser identificados nos serviços públicos do estado gaúcho - com sorte, a sociedade em geral vai entender e aceitar também.

A carteira, elaborada pela Secretaria de Segurança Pública em parceria com a Secretaria de Justiça e dos Direitos Humanos, dentro do programa RS sem Homofobia, é emitida pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) com o mesmo método da Carteira de Identidade - até agora, foram emitidas 119 CNSs.

Rede Brasil Atual
Travestis de Porto Alegre fazendo o pedido de suas CNSs

No Departamento de Identificação, em Porto Alegre, houve 100 solicitações; no Posto de Identificação de Caxias do Sul, houve cinco; no de Pelotas, duas; em Santo Ângelo, uma, e no Presídio Central, 11.

A criação da carteira social estava prevista no Decreto 48.118/2011, assinado pelo governador Tarso Genro (PT).

Em 17 de maio passado, Dia Estadual de Enfrentamento à Homofobia, o governador entregou simbolicamente a primeira CNS à travesti Simone Rodrigues.
Na data também foi criado o Comitê Gestor dos Direitos Humanos, para cuidar, entre outros, dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).

O secretário da Segurança Pública do estado, Airton Michels, explicou que a carteira social remete ao RG, portanto, a pessoa pode usá-la porque vai ser imediatamente identificada, já que possui a mesma numeração.

Ele explica que o uso da CNS não exclui a necessidade de portar o RG, mas é uma garantia de respeito ao nome social.
"É claro que a carteira tem seus limites. Em um cartório, por exemplo, a pessoa pode até se identificar com a carteira social e ser tratada pelo nome social, mas o contrato, por exemplo, tem de ser feito com o nome de registro. A mudança pode valer para o tratamento desse grupo na escola, na delegacia, até numa loja ou em qualquer estabelecimento privado, embora não tenhamos como forçá-los a aceitar", esclareceu Michels.

Mas, para ele, com um mínimo de sensibilidade o atendente vai confrontar a carteira social com o RG e vai tratar a pessoa por seu nome social.
"O decreto prevê aceitação na Administração Pública e no Poder Executivo, mas estamos negociando com o Poder Judiciário, e a discussão está evoluindo. Porém, o Judiciário está muito sensível a essa questão", disse o secretário.

Ele afirmou que os policiais já começam a ser preparados para aprender a lidar com a questão e a respeitar a validade do documento.
"Este ano vamos capacitar alguns policiais em algumas delegacias. Os novos policiais militares já recebem informações nesse sentido, mas isso carece de mais capacitação", admitiu - o estado tem 6 mil policiais civis e 24 mil policiais militares.

"Não é de um dia pro outro, mas à medida que a mídia divulgue e que fique claro que a Secretaria de Segurança Pública adota esse sistema, as coisas vão mudar", disse Michels, acrescentando que este é apenas o início para que o preconceito e a intolerância sejam extirpados do estado gaúcho.

A advogada Maria Berenice Dias, especialista em direito homoafetivo, destacou a importância da iniciativa.
"A ideia é levar a aceitação a todas as autoridades públicas", disse.

A ex-desembargadora lembrou que travestis e transexuais de outros estados também podem usufruir desse benefício - é preciso solicitar Carteira de Identidade no mesmo pedido da CNS.
"Esse é um grupo marginalizado, sofre desde cedo com a expulsão de casa, a perda de convívio familiar, sofre humilhações na escola e dificuldades no mercado de trabalho", disse Berenice.

Ela defende a existência de uma lei federal que combata a homofobia e garanta direitos, como o uso do nome social.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a emissão do documento destinado a travestis e transexuais começou em Porto Alegre no dia 16 agosto.

Para solicitar a CNS, são necessários certidão original, conforme o estado civil, ou a Carteira de Identidade, em bom estado de conservação e expedida no Rio Grande do Sul.

A primeira via será gratuita e a segunda via custará R$ 45,50, mesmo preço da Carteira de Identidade.

A CNS terá prenome, foto, assinatura e número do RG.

(Matéria da Rede Brasil Atual)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A SEMANA NA DIVERSIDADE


Nessa postagem, você vai ler as três matérias destaques da semana:

MANUAL DE COMUNICAÇÃO QUER REDUZIR USO INADEQUADO E PRECONCEITUOSO DE ATOS E PALAVRAS QUE AGRIDEM A DIGNIDADE DOS LGBT

O futuro - e antenado - jornalista Diogo Oliveira postou dia desses no Facebook a notícia de que existe um Manual de Comunicação LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais -, voltado para profissionais, estudantes e professores da área de comunicação - Jornalistas, Radialistas, Publicitários, Relações Públicas, Bibliotecários - entre outras pessoas.

Divulgação
A capa do Manual impresso

Um dos objetivos da atual diretoria da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, e de ativistas ligados ao segmento LGBT no Brasil é o de reduzir o uso inadequado e preconceituoso de terminologias que afetam a cidadania e a dignidade de 20 milhões de LGBT no país, seus familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho, pois ainda existe um longo caminho a ser percorrido pelo Movimento e pela mídia para garantir uma transmissão de informações com maior qualidade e comprometimento com as causas sociais.

Você pode fazer o download do manual - em PDF - clicando aqui.



OS PIORES LUGARES DO MUNDO PARA OS GAYS

Segundo matéria da revista Exame, em pelo menos 40 países no mundo ser homossexual é ilegal.

Segundo um levantamento sobre direitos humanos realizado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, com dados de 2011, as penas vão desde multas até prisão perpétua.

Alguns desses países são, inclusive, destinos turísticos muito procurados e onde não se imagina encontrar esse tipo de punição.

Divulgação
Arte com as bandeiras dos países que punem relações homossexuais

Confira alguns deles:

EGITO
No Egito, a lei não criminaliza explicitamente a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo, mas permite que a polícia prenda homossexuais sob o argumento de "libertinagem", segundo o relatório do Departamento de Estados dos Estados Unidos, que também destaca que gays e lésbicas enfrentam um significativo estigma na sociedade e nos ambientes de trabalho, o que dificulta sua organização em movimentos sociais.

JAMAICA
Na Jamaica, a lei proibe atos de "indecência grosseira" entre pessoas do mesmo sexo, em lugares públicos ou privados - a punição chega a dez anos de prisão.

A homofobia é bastante espalhada pelo país e, através de músicas e do comportamento de alguns músicos, a cultura local auxilia a perpetuar o preconceito, segundo o relatório.

Grupos locais relatam abusos aos direitos humanos, incluindo "sequestros corretivos" e ataques e a polícia não costuma investigar os incidentes.

O relatório destaca que o clima de medo leva pessoas a abandonarem o país e as leis as deixam vulneráveis a extorsões de vizinhos.

IRÃ
No Irã, a lei criminaliza a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo - um homem pode ser condenado à morte por esse motivo.

A punição dos homossexuais não-muçulmanos é pior caso seu parceiro seja muçulmano e a pena para os homens também é pior que a das mulheres.

Ao contrário de alguns países em que a lei que pune os homossexuais com a morte não é seguida, no Irã ocorreram execuções por esse motivo.

No ano passado, três pessoas foram executadas por sodomia, primeira vez em muitos anos que indivíduos foram executados somente por esse motivo, já que normalmente a causa é combinada a outros crimes, como sequestro, roubo com uso de armas ou crimes contra a ordem nacional.

Uma unidade voluntária do Poder Judiciário do país monitora e relata "crimes morais", segundo o relatório e buscas em casas e monitoramento de sites em busca de informações sobre homossexuais também ocorrem.

O governo censura materiais relativos a assuntos LGBT.

EMIRADOS ÁRABES
Nos Emirados Árabes, a lei civil e a lei islâmica criminalizam atos homossexuais.

Pela lei islâmica, a punição é a morte, de acordo com o relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Em 2011 não houve nenhum processo por esse motivo, segundo o levantamento mas, não raro, o governo submete pessoas a tratamento psicológico e aconselhamento.

O cross-dressing (pessoas que se vestem com artigos do sexo oposto) é considerado uma ofensa e pode ser punido.

LÍBANO
Durante 2011, a discriminação oficial de gays, lésbicas e simpatizantes permaneceu no Líbano, segundo o documento.

As leis do país proibem o "ato sexual não-natural" e a punição pode chegar a um ano de prisão, mas é raramente aplicada.

Há um relato de um homem que foi delatado à polícia pela própria mãe e, no país, existem ONGs LGBT que realizam encontros regulares.

Em 2010, uma ONG local observou menos de 10 execuções.

TUNÍSIA
Na Tunísia, relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo seguem sendo ilegais sob o código penal, que prevê penas de até três anos de prisão, segundo o relatório.

Há também evidências de discriminação, incluindo relatos de que policiais, às vezes, prendem homossexuais e os acusam de serem "transmissores de HIV".

Não há, no entanto, relatos de pessoas presas por causa da homossexualidade, mas um ativista LGBT do país já relatou violência, perseguições e ataques de indivíduos descritos pelas vítimas como Salafistas.

INDONÉSIA
Uma lei de 2008 proibe a atividade homossexual, segundo o relatório e há também regulações locais que criminalizam o ato, com relatos de que o governo não faz muitas ações para prevenir a discriminação.

Organizações LGBT e ONGs atuam abertamente, mas alguns grupos religiosos, esporadicamante, interrompem organizações LGBT - e as pessoas, vez ou outra, são vítimas de abuso policial.

Em 2011, um festival de cinema limitou sua divulgação em decorrência dos protestos de que foi vítima em 2010.

UGANDA
Em Uganda, atos homossexuais são criminalizados por uma lei da era colonial, a pena chega à prisão perpétua e já houve tentativas para que a pena de morte fosse incluída em alguns casos.

As pessoas não chegam a ser condenadas diretamente pela lei, mas por "ofensas relacionadas", como "práticas indecentes".

A discriminação priva pessoas de serviço médico e impede que grupos LGBT registrem-se como ONGs.

No começo de 2011, David Kato - um ativista local que havia processado um jornal do país que publicou uma foto sua e o classificou como homossexual - foi espancado até a morte.

A Corte do país determinou que o jornal havia violado os direitos constitucionais à privacidade das pessoas que tiveram suas fotos, identidades e endereços publicados na matéria.

RÚSSIA
Na Rússia, há grande discriminação aos membros da comunidade LGBT e ativistas afirmam que muitos homossexuais escondem sua orientação com medo de perder seus empregos ou casas ou de serem tratados com violência.

Em Moscou, as autoridades não permitem a realização de uma Parada Gay, apesar de alegações de que a proibição viola os direitos de liberdade.

No entanto, várias paradas anti-gays acontecem pelo país, com o apoio do governo e da igreja ortodoxa russa.

GUIANA
Na Guiana, país vizinho ao Brasil na fronteira norte, há a punição com prisão perpétua para a atividade sexual entre homens, segundo o relatório.

Há relatos de alguns processos desse tipo, mas não há números e é comum que a polícia use essa lei para intimidar supostos casais gays.

O relatório destaca que o ministro da saúde, em um discurso em uma conferência sobre AIDS, disse que essa lei é contraditória à liberdade de expressão individual.

SÃO CARLOS (SP) PEITA O PRECONCEITO E CRIA POLÍTICAS DE INCLUSÃO PARA TRAVESTIS

A travesti Patrícia D'Brown, de 26 anos, faz programas sexuais desde os 17, depois de ter sido demitida do emprego de empacotadora em um mercado por puro preconceito.

Tornou-se uma pessoa fria para o amor por conta dos perrengues que já enfrentou na noite e zanzou muito tempo pelas ruas, época em que foi roubada pelo menos seis vezes.

Também já foi abandonada por alguns clientes, outros tentaram levar seu dinheiro e houve um que atirou na moça porque ela se recusou a transar sem preservativo.

Chegou a fazer perto de 20 programas em uma noite, mas de dois anos para cá só dá atendimento a conhecidos, que a contatam pelo celular, em encontros que podem durar de cinco minutos a duas horas.

Tem em mente a possibilidade de viajar no ano que vem para a Europa estimulada pelos relatos de uma amiga que conseguiu um bom dinheiro "fazendo a vida" em Roma, na Itália.

Patrícia acompanhou a reportagem da Rede Brasil Atual pelas ruas da cidade de São Carlos, no interior paulista, onde vive, detalhando todas as características, como os pontos de prostituição de mulheres, os de travestis, e os de tráfico de drogas - todos em avenidas próximas à rodovia Washington Luiz, a SP-310.

Gabou-se de conhecer a região como a palma de sua mão e lembrou do tempo em que a polícia era violenta com as meninas.
“Antes eles batiam, hoje não mais. Se o governo faz políticas públicas, a polícia respeita”, comentou, acrescentando que se os policiais flagram a travesti com alguém em lugar impróprio eles apenas pedem para saírem.
“As coisas melhoraram muito, mas antes a gente apanhava muito.”

A política pública à qual Patrícia referiu-se tem origem na fundação da ONG Visibilidade LGBT, em 2009.

Logo depois de criada, a entidade cobrou do município a realização de uma conferência para discutir políticas públicas, e hoje a legislação local garante a realização do encontro de dois em dois anos.

Divulgação
A cidade de São Carlos, no interior de SP, à noite

No mesmo ano, foi criado o Conselho da Diversidade Sexual, em 2011, a Divisão de Políticas para Diversidade Sexual, e em 2012, o Plano de Políticas para Diversidade Sexual, que prevê ações e metas para a próxima década.

Com isso, São Carlos é a primeira cidade do país a completar o tripé da Cidadania LGBT”, disse o chefe da Divisão de Políticas para a Diversidade Sexual, Alexandre Sanches.
“A cidade consolidou as ações e tornou-se referência na política de atenção às minorias”, afirmou.

Para incentivar a inclusão do grupo LGBT no mercado de trabalho, a Divisão de Políticas para Diversidade Sexual, em parceria com a ONG Visibilidade LGBT, desenvolveu o programa de empregabilidade.

No primeiro semestre, por exemplo, foi ministrado um curso de confecção de biojoias de 36 horas com foco, não exclusivo, nas travestis, e já eram planejados outros – de chaveiro, trançadeira, de confecção de sacolas e de imãs de geladeira, ainda em fase de implementação.

No caso das biojoias, por exemplo, a aluna adquiria um kit com peças por R$ 100 e conseguia faturar R$ 400.

Parece pouco, mas é um começo: uma porta que pode se abrir na direção contrária à prostituição, porquê é por falta de aceitação da sociedade que as travestis abandonam os estudos e, por consequência, têm limitadas as possibilidades de atuação profissional, daí a fazerem a vida nas ruas, um problema que começa dentro de casa, com a rejeição dos pais e, em geral, a expulsão do convívio familiar.

O bullying se estende para o ambiente escolar, onde as travestis enfrentam ataques, em especial porque não são tratadas por seus nomes sociais, aqueles que adotam quando se assumem de outro sexo.
É muito cruel para um homem que nasceu com identidade de gênero feminina, e aceita essa condição se travestindo, ser chamado pelo nome de registro - na hora da chamada, por exemplo, os colegas se acabam de rir quando a menina é chamada por nome masculino.

Essa situação é enfrentada diariamente por três inseparáveis amigas do bairro da periferia de São Carlos: Antenor Garcia, Tiffanny, de 15 anos, Melissa, de 16, e Rhayara, de 16.

Na escola onde estudam a diretora relutou em aceitar o uso do nome social e as meninas sentiam-se frequentemente humilhadas pelos colegas e professores.

A decisão de tratar as três pelo nome que escolheram só veio depois de a escola ser obrigada pela Secretaria de Educação, com base no decreto 55.588, de 2010, que prevê o uso do nome social no âmbito da administração direta e indireta do estado.

Alexandre Sanches comentou que a diretora é uma pessoa autoritária e que ainda não apresentou uma solução para o uso do banheiro pelas travestis, uma situação constrangedora porque se elas vão ao banheiro masculino têm de aguentar as piadas dos garotos e no das meninas são impedidas de entrar.

Resta a elas um banheiro nos fundos da biblioteca que sempre está trancado, o que expõe as três a mais constrangimento.
“É uma situação muito perversa”, lamentou o chefe da Divisão de Políticas para Diversidade Sexual.

Tiffanny, Melissa e Rhayara estão muitos passos além da maioria das travestis pois, diferentemente da maioria, elas têm aceitação e apoio dos familiares, não desistiram de estudar e vislumbram um futuro muito bacana longe da prostituição.

A primeira quer estudar moda, a segunda ainda não sabe a vocação e a terceira sonha ser advogada.

Tiffanny até passou raspando "na vida": saiu uma vez para fazer um programa, mas não gostou do que teve de vivenciar, e pulou fora.

Questionadas sobre como vão enfrentar os preconceitos que podem aumentar cada vez mais, concordam que nada na vida é fácil, pois para tudo há barreira e, se for preciso “virar homem”, para se defender elas não pensarão duas vezes.

Na tarde de uma segunda-feira ensolarada, as meninas andavam tranquilamente pelas ruas do bairro e não receberam, nem piadinhas nem afrontas - segundo Sanches, elas são protegidas pelos traficantes locais.
“Eles não querem confusão, nada que atraia a polícia para o bairro. Por isso, elas são respeitadas”, relatou.

Ainda falta, segundo Phamela, instrumentos de denúncia contra a homofobia na cidade. "Denunciar a homofobia para os moradores do interior do estado é inviável porque no decorrer do processo é preciso estar na capital inúmeras vezes para as audiências", disse.

O decreto estadual 10.948, de 2011, estabeleceu diferentes formas de punição a atitudes discriminatórias relacionadas aos grupos de pessoas que têm manifestação sexual perseguida por homofóbicos e intolerantes.

Só para lembrar: continua engavetado no Congresso Nacional o Projeto de Lei 122, que prevê a criminalização da discriminação gerada por diferentes identidades de gênero e orientação sexual.
*****
Até +!