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terça-feira, 17 de maio de 2011

CANNES 2011: A TERÇA TEVE CHINÊS ERÓTICO EM 3D, IRANIANO LIBERADO, JODIE FOSTER, IMIGRANTES E ALESSANDRA NEGRINI

Confira os destaques da terça (17 de maio) do Festival de Cannes:

ERÓTICO CHINÊS EM 3D FATURA ALTO EM CANNES
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ALEGRIA EM CANNES:MOHAMMAD RASOULOF PODE DEIXAR IRÃ E PARTICIPAR DO FESTIVAL¨
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COM FOCO NOS IMIGRANTES QUE VIVEM NA FRANÇA, "LE HAVRE" ARREBATOU A PLATEIA
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BASEADO EM CANÇÃO DE CHICO BUARQUE, "O ABISMO PRATEADO" É APRESENTADO EM CANNES
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JODIE FOSTER ACREDITA QUE AMIGOS SÃO PARA SEMPRE, E REITERA AMIZADE COM MEL GIBSON
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E agora, curta as matérias, com muita informação, fotos e trailers:


ERÓTICO CHINÊS EM 3D FATURA ALTO EM CANNES

Longe dos holofotes do tapete vermelho, “3D Sex and Zen: Extreme Ecstasy” faz sucesso no mercado de Cannes, porquê está sendo vendido como o primeiro filme erótico em 3D da história do cinema.

Produzido em Hong Kong, passou com folga a bilheteria de “Avatar” no fim de semana de estreia no país - custou US$ 4 milhões e já faturou US$ 7 milhões.

DivulgaçãoO pôster do filme

Baseado num livro da dinastia Ming escrito há 200 anos, “Sex and Zen” mistura comédia pastelão e cenas eróticas inacreditáveis de tão absurdas.

Wei, um discípulo da dinastia, acredita que a vida é curta e deve ser aproveitada com muito sexo, Apaixona-se pela filha de um sábio chinês, mas antes resolve aproveitar a vida.

Duas cenas inacreditáveis: Wei tansplantando seu membro pelo de um cavalo, e um rival que transa com uma de suas discípulas voando pelo ar pendurado por uma corrente, como Tarzan!

O 3D serve como arma de propaganda, mas não muda grande coisa no filme - a não ser talvez no close nos peitos - pequenos - de uma das concubinas.

Confira o trailer do filme:


Mesmo com tema impróprio para salas “normais”, “Sex and Zen” já garantiu algumas vendas no festival.

Depois de estrear em Taiwan, Austrália e Nova Zelândia, em Cannes já foi vendido para distribuidores do Peru, Turquia e Tailândia.


O povo, realmente, adora uma sacanagem diferente, né?



ALEGRIA EM CANNES:MOHAMMAD RASOULOF PODE DEIXAR IRÃ E PARTICIPAR DO FESTIVAL

O Festival manifestou nesta terça (17) a sua "satisfação" com a notícia da autorização de deixar o Irã concedida ao cineasta iraniano Mohammad Rasoulof, que teve sua última obra, "Adeus", exibida em Cannes.

As autoridades iranianas retiraram a proibição de deixar o país imposta ao cineasta de 37 anos, que era mantido em prisão domiciliar por propaganda hostil ao regime, anunciou nesta terça-feira seu advogado.

Getty Images

O diretor iraniano Mohammad Rasoulof

Mas os diretores do Festival ressaltaram que "só ficarão felizes" se a apelação de sua condenação de 6 anos de prisão der resultado.
"Estamos satisfeitos, se for confirmado, que Rasoulof pode vir, e voltaremos a exibir seu filme, mas apenas ficaremos felizes quando seu recurso em apelação e o de Jafar Panahi derem resultado", declarou à AFP o delegado geral do festival,
Thierry Frémaux.

O festival ainda não tem "confirmação" de sua chegada a Cannes, disseram as fontes.

Rasoulof foi condenado a seis anos de prisão em dezembro, junto com seu compatriota Jafar Panahi, de 50 anos - a ditadura iraniana também proibiu Panahi de dirigir filmes por 20 anos, e o diretor iraniano mais conhecido do mundo atualmente permanece em prisão domiciliar em Teerã.

Os dois cineastas apelaram da decisão da justiça, foram liberados, mas não podem deixar o Irã.

Nesta terça-feira, o advogado de Rasoulof, Iman Mirza Zadeh, declarou à agência de notícias Isna que tinha recebido a confirmação oficial de que as autoridades haviam retirado a proibição imposta ao cineasta de deixar o país.

"Adeus", de Rasoulof, foi apresentado no domingo e será exibido novamente se o diretor for a Cannes.

O longa-metragem de Jafar Panahi "In Film Nist/Este não é um Filme" -, filmado "em condições quase clandestinas", deve ser exibido na sexta (20).


COM FOCO NOS IMIGRANTES QUE VIVEM NA FRANÇA, "LE HAVRE" ARREBATOU A PLATEIA

Com o mérito de estar à altura do que se espera dele, o finlandês Aki Kaurismäki apresentou nesta terça (17) em Cannes outra porção do humor estático e do romantismo residual que o caracterizam, mas com um adicional de conteúdo social.

O diretor de "O Homem sem Passado" e "Nuvens Passageiras" concorre pela quarta vez à Palma de Ouro com este filme protagonizado por um engraxate da estação de Le Havre, na França, que, enquanto sua mulher está internada em um hospital, acolhe um adolescente africano perseguido pela Polícia.
"A imigração é um problema muito grande para dar respostas. Tudo vem da colonização e é um pouco tarde para resolver isso, mas se os políticos saíssem de seus quartos de hotel e de seus Mercedes, talvez as coisas começassem a mudar um pouco", disse o mais famoso dos produtores finlandeses.

"Le Havre", embora apresente uma guinada rumo à trama social, se sobrepõe aos gêneros.

Apesar de ser filmado na França e em francês, tudo nele remete à Finlândia, graças ao trabalho de iluminação tênue e parcial e o código de conduta dadaísta dos personagens - o universo de Kaurismäki, mais uma vez, está acima das coordenadas de espaço e tempo.
"A cidade de Le Havre era minha última esperança e a verdade é que é um lugar triste, embora não o suficiente para o que eu queria fazer. Mas era o mais longe que minha cabeça podia estar da Finlândia", explicou em entrevista coletiva o diretor que poderia ser um personagem de seus próprios filmes.

Francois Durand/Getty ImagesO diretor Aki Kaurismäki em Cannes

Em "Le Havre", o cineasta constrói esse microcosmo pausado e cômico no qual, apesar do ambiente gélido, um coração frágil bate dentro de cada personagem.
"Finlândia e Suécia são os únicos países que não poderiam ter sido cenário deste filme, porque ninguém ficaria tão desesperado para ir para lá", afirmou Kaurismäki.

A partir desta observação, a entrevista coletiva se transformou em um tipo de extensão de "Le Havre".

Quando Karuismäki foi repreendido pelo moderador por acender seu cigarro elétrico, disse:
"Não posso apagá-lo, precisaria um cinzeiro elétrico", para em seguida enfiá-lo na boca do lado contrário.

Quando um jornalista começou a perguntar "Te parece irônico...", ele cortou para responder: "Tudo!". E quando acabou a pergunta com um "... que a esperança exista só nos filmes e não na vida?", o diretor ainda contra-atacou: "Se a vida te parece decepcionante terá que perguntar a ela, não a mim".

Confira o trailer de "Le Havre":


Ao lado de Kaurismäki estavam os integrantes do elenco do filme: sua musa habitual, Kati Outinen, que volta a emprestar seu físico de governanta para a heroína romântica, e os atores franceses Jean-Pierre Darroussin - figura carimbada do cinema de Robert Guédiguian - e André Wilms, com o qual volta a trabalhar após
"La Vie de Bohéme".
"O personagem também se chama Marx. É um flerte do filme que ninguém viu com este que ninguém verá", prosseguiu o diretor, que também colocou no elenco a cadela Laika, "atriz canina" de quinta geração.

Com ela e os atores franceses, Kaurismäki não pôde se comunicar abertamente, já que não domina o idioma deles - nem o canino, nem o francês -, mas disse: "Sou burro, mas não idiota" em cristalino português, para depois acrescentar que sabe "reconhecer quando um ator está atuando bem em qualquer idioma".

Mas o cineasta, que já levou a Palma de Ouro com "O Homem sem Passado", volta com vontade de vencer.
"Agora quem fala é o Kaurismäki produtor. O diretor e o roteirista foram pescar. Estou muito contente de estar em Cannes", afirmou.


Ao fim da entrevista coletiva, os presentes aplaudiram quase tanto quanto no próprio filme.



BASEADO EM CANÇÃO DE CHICO BUARQUE, "O ABISMO PRATEADO" É APRESENTADO EM CANNES

O diretor brasileiro Karim Ainouz apresentou nesta terça (17) "O Abismo Prateado", a história de uma separação amorosa inspirada na canção "Olhos nos olhos", de Chico Buarque, na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do Festival.

Violeta - interpretada por uma sensual Alessandra Negrini - é uma dentista moradora do Rio de Janeiro, casada e mãe de um menino de 15 anos.

O casal parece viver bem no novo apartamento que acabou de comprar e a paixão parece estar acesa, uma vez que o filme começa com uma tórrida cena de amor.

Porém, pouco tempo depois um "terremoto" abala a vida de Violeta, quando seu marido - interpretado por Otto Jr - envia a ela de Porto Alegre uma mensagem dizendo:
"Meu amor, já não te amo mais. Sinto que estou sufocado ao teu lado e vou embora para a Patagônia".

O filme conta as 24 horas que se seguem na vida de Violeta, sua peregrinação, seu desespero, seu desejo de partir imediatamente até Porto Alegre para buscar o marido.

A roteirista Beatriz Bracher disse que o filme "não pretende explicar as razões psicológicas da separação. Ele começa com uma forte cena de amor para que logo seja sentida a ausência do homem", explicou.


Já Ainouz falou da canção de Chico Buarque que o inspirou a pensar na história.
"Uma certa noite, quando eu estava num trecho de Copacabana onde o mar bate muito forte e a onda já levou muita gente, notei esse perigo, o abismo", explicou.

"A separação para ela é como um terremoto e a canção é a partida do processo. Talvez dentro de algum tempo, quem sabe daqui a uns 10 anos, será melhor. A personagem da qual trata 'Olhos nos olhos' também é uma mulher abandonada", analisa.

"Chico Buarque é um dos maiores compositores do Brasil, muitas de suas músicas têm a ver com o Rio de Janeiro, onde há esse forte contraste entre a natureza e a civilização. Queria que o Rio fosse como um personagem, como um espelho da personagem de Violeta", considerou.

"Venho do Nordeste do Brasil, onde existe uma estrutura matriarcal muito forte, uma vez que muitos homens abandonam suas mulheres. Queria falar dos maridos que se vão. Este me parece ser um tema muito importante para as mulheres brasileiras", acrescentou.

Na sua solidão, Violeta se encontra com um jovem pai e sua filha, abandonados pela mulher.
"Isso a faz sair de dentro de si mesma e se dar conta de que outras pessoas vivem a mesma situação que ela", afirma o diretor.

Alessandra Negrini disse que "a separação ocorre após uma ligação telefônica, só se escuta a voz, enquanto a canção de Chico Buarque entoa algo como 'se voltar e olhar nos meus olhos, verá que terei rejuvenescido".

"O importante para mim era entrar nesse estado de espírito da mulher abandonada, onde não há um enredo, tudo se dá através da emoção, do sentimento",
afirmou a atriz.

Numa das cenas do filme, vê-se Violeta dançando sozinha em uma boate ao som da música "Maniac", da trilha sonora de Flashdance.

"Esta música acessa a memória, é uma música muito importante para a nosaa geração. E quando Violeta a escuta, entra como que em um transe, como se acessasse uma época de 15 anos atrás, da última vez em que foi a uma boate", disse Ainouz.


JODIE FOSTER ACREDITA QUE AMIGOS SÃO PARA SEMPRE, E REITERA AMIZADE COM MEL GIBSON

No pior momento da carreira de Mel Gibson, sua amiga Jodie Foster o dirige em
"Um novo despertar", filme apresentado nesta terça (17) fora de competição em Cannes e onde o ator australiano faz um 'striptease' emocional, com seu personagem deprimido que encontra salvação em um fantoche de castor - daí o título original, "The Beaver".

"O castor é um animal que constrói coisas e depois as destrói",
explicou Jodie em entrevista coletiva, um paralelo vivido por Gibson na atualidade - o ator construiu um duradouro estrelato em Hollywood e agora parece empenhado a jogar por terra o prestígio conquistado com sua vida pessoal.

"Para este personagem não pensei em mais ninguém. Mel é alguém que entende o humor, a luz e o encantamento do personagem, mas também conheço profundamente sua luta para continuar em frente", afirmou Foster, que no filme também interpreta a esposa do protagonista - a obra tem também os talentos juvenis de Jennifer Lawrence e Cherry Jones.

Essa mudança será, ao menos, curiosa, já que o empresário de sucesso que está imerso em uma depressão há dois anos, começa a recuperar o entusiasmo pela vida ao comunicar-se única e exclusivamente - inclusive durante suas relações sexuais - por meio do castor fantoche.

Getty Images






A diretora se mostrou radiante e feliz no festival francês após o fracasso registrado nos Estados Unidos, onde arrecadou apenas US$ 300 mil desde o dia da estreia em 6 de maio.

Confira o trailer de "Um Novo Despertar/The Beaver":


Para "salvar" Mel Gibson após seus problemas com álcool e suas polêmicas declarações antissemitas, Jodie Foster aplicou a medicina que com ela funciona muito bem em seu amigo.
"Os filmes são para mim uma viagem de sobrevivência. Para mim é difícil admitir que algo me incomoda. Os filmes são uma forma de tratamento emocional e intelectual", explicou.

“Mel influenciou na má bilheteria”, admitiu Jodie.
“Mas não me preocupei com a vida pessoal dele. Mel sempre foi o primeiro na minha lista para o papel”.

Desde julho do ano passado, o ator é acusado de agredir sua ex-namorada, Oksana Gregorieva e, em março último, ele decidiu se entregar à polícia para ser fichado e interrogado – na mesma noite em que “Um Novo Despertar” estreava num festival de cinema americano.

Pelo mesmo motivo, Gibson não participou da coletiva de imprensa - segundo a produção do filme, ele tinha compromissos em Los Angeles, mas chegará a tempo para a sessão de gala na noite desta terça.
“Mel virá sim. Ele não vai falar, mas virá”, admitiu Jodie, sorrindo.

Mesmo com a vida turbulenta, Gibson tem uma boa atuação em “Um Novo Despertar”, e, em seu terceiro filme como diretora, Foster faz uma aposta arriscada: Walter Black, o personagem de Gibson, é um executivo que entra em crise de depressão, se recusa a se comunicar com a família e passa a falar através de um fantoche de castor que achou no lixo e que nunca mais tira de sua mão.

Poderia ser ridículo, mas Jodie segura bem o tom do drama familiar, e se mostra uma amiga dedicada.
“Mel é um amigo de muitos e muitos anos. Nunca trabalhei com alguém que fosse mais adorado pelos colegas em Hollywood. É um homem complexo, e leva isso pro seu trabalho. Acho que ele queria muito mostrar esse seu lado na tela.”

Mas, como boa amiga e colega, não culpou só Gibson pelo fracasso.
“É um filme especial. Não foi feito para agradar todo mundo. Tenho que ficar feliz só pelo fato de ter feito um filme que amo. Eu não sou a bilheteria do meu filme”, desabafou.

“Um Novo Despertar”, segundo ela, aborda a depressão, mas quer trazer outros temas.
“Não é um filme sobre a doença da semana. Fala sobre perda, a relação entre pais e filhos, a necessidade de conexão de todo ser humano. Os filmes que falam sobre só doença ficam melhor na TV do que no cinema.”

No ano que vem, Jodie volta como atriz no novo filme de Roman Polanski,
“Deus da Carnificina”,
e depois deve contracenar com Matt Damon e Wagner Moura em “Elysium”, ficção científica do mesmo diretor de “Distrito 9”, Neill Blomkamp.

Jodie Foster
é uma das personalidades de Hollywood que mais admiro, Mel Gibson é um bom ator e, pelo trailer e a receptividade da obra no Festival, parece que vem coisa boa aí.

Vamos aguardar.

Em tempo:
Como previsto pela diretora, "Um Novo Despertar" pode mesmo ser mais bem-sucedido na Europa.
Ele começou sua trajetória no continente sendo aplaudido de pé por dez minutos em Cannes, na noite desta terça (17), segundo o Hollywood Reporter.
Algumas das pessoas próximas a Foster estavam chorando ao fim da sessão.
Mel Gibson, que não compareceu à coletiva de imprensa e nem esteve presente para a foto oficial do filme, apareceu à noite para a sessão - conforme a diretora tinha prometido - mas o ator, muito elogiado no Festival por sua performance, não falou com jornalistas.

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Com Folha de S.Paulo, AFP, EFE, UOL e Getty Images

segunda-feira, 16 de maio de 2011

CANNES 2011: NA SEGUNDA, ALESSANDRA NEGRINI ESTEVE LÁ - OS SEGREDOS DE UM BORDEL - O CASAL 20 - GRANA PARA BRASILEIROS - O FILME DE MALICK

Confira agora o que de melhor aconteceu no Festival de Cinema de Cannes nesta segunda, (16):

ALESSANDRA NEGRINI: UMA ESTRELA BRASILEIRA EM CANNES

Alessandra Negrini já esteve duas vezes no Festival de Veneza, para apresentar filmes de Júlio Bressane - "Cleópatra" e "A Erva do Rato".

Ontem, esteve pela primeira vez em Cannes como a grande protagonista de
"O Abismo Prateado", filme de Karim Ainouz que faz parte da paralela
"Quinzena dos Realizadores".

Alessandra veio direto de Lisboa, onde participou de um festival que homenageava Bressane, ainda está só curtindo o glamour de Cannes, mas nesta terça (17) apresenta as primeiras sessões do filme, quando começa a colher as impressões de público e crítica.

Violeta, sua personagem, é uma dentista de classe média no Rio, casada e com um filho, que de repente se vê numa situação de abandono - o filme acompanha 24 horas na vida dessa mulher.

Dos 85 minutos de filme, Alessandra fica sozinha na tela por 50.
"É uma mulher comum, mãe, gente boa. A partir desse abandono, ela sofre um corte na linha do tempo. De repente, o tempo morre para ela. Ali ela vive o seu abismo, o vazio que todos nós sentimos algum dia", conta.

Ainouz, diretor de "Madame Satã" e "O Céu de Suely", diz que Alessandra passou no "teste do copo d’água".
"Você enquadra o ator ou atriz tomando água, sem fazer nada, para sentir a presença dele diante da câmera, a força que ele tem. A Alessandra tem essa presença forte. Tem um primeiro plano dela que é comum, mas um segundo plano que não é".

Thiago Stivaletti/UOLAlessandra Negrini e o diretor Karim Ainouz no Festival de Cannes

A escolha da atriz, segundo ele, foi "um pouco pelo talento e muito por seu percurso: navegando entre novela, teatro, os filmes de Bressane, o estudo em Ciências Sociais".

Livremente inspirado na música "Olhos nos Olhos", de Chico Buarque,
"O Abismo Prateado" é tão livre que Alessandra se baseou inteiramente no roteiro, e não na música em si.
"A apropriação que o filme faz da música é genial. Ela fala de um tempo futuro: 'olhos nos olhos, quero ver o que você faz...'. São as esperanças, os sonhos da Violeta que estão ali. É um filme de emoção, de pulsão, que não tem exatamente uma trama", declarou a atriz.

Foram quatro semanas filmando à noite, nas ruas de Copacabana e no aeroporto Santos Dumont, no Rio.

A atriz completou dizendo que filmar à noite não lhe atrapalha - ao contrário, serve de inspiração.
"Sou uma pessoa da noite. Sempre fui assim, de dormir muito, acordar tarde...".

DivulgaçãoAlessandra Negrini em cena de "O Abismo Prateado"

Cinema é uma paixão que arrebata a estrela.
"No set, não consigo ser só atriz. Fico ali atrás do diretor, quero saber como ele fez aquela cena, onde vai ser o corte, como está a luz...".

E confessa que tem muita vontade de dirigir seu próprio filme.
"Mas claro, vou começar por um curta..."

Numa relação mais distante da TV - foram apenas especiais isolados desde a novela "Paraíso Tropical", de 2007 -, Alessandra deve voltar às novelas entre o fim de 2011 e o começo de 2012.
"A experiência da TV é fundamental. Me deu muita coisa que uso no cinema: a precisão no atuar, a concentração. Curto muito a rapidez do trabalho em TV. Mas a gente sempre quer que as novelas sejam um pouco mais curtas..."


OS SEGREDOS DE UM BORDEL, MOSTRADOS POR DIRETOR FRANCÊS

O diretor francês Bertrand Bonello recriou em "L'Apollonide" - que disputa a Palma de Ouro - um bordel parisiense do fim do século XIX, com muita nudez, ópio e, principalmente, os sorrisos trágicos das prostitutas.
"Voltar aos bordeis ou permitir que as prostitutas trabalhem nas ruas? Tenho, evidentemente, um ponto de vista pessoal sobre este problema, mas o meu filme não pretende entrar neste debate", declarou Bonello, referendo-se à recorrente discussão na França sobre a regulamentação ou a repressão à prostituição.

Getty Images

O diretor Bonello e as atrizes de "L'Apollonide", na segunda em Cannes

"L'Apollonide"
abre ao espectador as portas de um mítico casarão fechado, "teatro de todos os fantasmas", onde mora uma dúzia de prostituas, entre elas "a mulher que sempre ri", ferida por um cliente perverso que deixou em seu rosto duas terríveis cicatrizes que prolongam seus lábios - Bonello disse que quando estava redigindo o roteiro, lembrou do romance de Victor Hugo, "O homem que Ri", que conta a história de um homem mutilado, com uma máscara de alegria que representa a humanidade deformada, maltratada, negada - o romance também foi retratado no filme mudo de mesmo nome, de 1928, que serviu de inspiração para Bob Kane e Bill Finger criarem o Coringa, o maior vilão das histórias do Batman, e o Coringa interpretado por Heath Ledger no último filme do morcego resgatou isso.

"Amo as putas", repete um dos clientes do bordel neste filme que leva o público, em uma viagem imaginária, a este mundo decadente - pintado por Toulouse-Lautrec, entre outros - e do qual muitos contos de Guy de Maupassant tratam.

"Em geral, os pintores e escritores desta época vão aos bordéis e dão o ponto de vista masculino sobre as prostitutas, mas o que me interessava era o olhar das mulheres sobre os homens que as visitavam. Quis mostrar a decadência, o inelutável fim desse mundo", explicou o diretor.

Confira o trailer de "L'Apollonide":


O filme vai do documentário à ficção, da crônica ao romance, entre a reconstrução estética desse mundo decadente e sua crítica implícita, entre o mundo fechado como uma prisão e o local de prazer dos burgueses.

O cineasta contou que se inspirou na pintura e na literatura francesas do século XIX, assim como em arquivos policiais e documentos "científicos", especialmente um estudo sobre a suposta reduzida capacidade cerebral de prostitutas e criminosos.

Bonello, que também é músico e compositor, tem uma reputação incendiária na França por causa de seus filmes anteriores, entre eles, "O Pornógrafo" - com Jean-Pierre Leaud - e "Tirésias", sobre um transexual brasileiro que reinterpreta o mito do adivinho grego cego que foi, sucessivamente, homem e mulher.


JULIEN TEMPLE REVELA QUE VAI FAZER DOCUMENTÁRIO SOBRE O ROCK IN RIO

O diretor Julien Temple anunciou na tarde de segunda (16) que vai fazer um documentário, chamado "Children of the Revolution" , no Rio de Janeiro.

O filme faz parte de um amplo projeto do diretor, que deseja retratar algumas cidades do mundo a partir da música - os dois primeiros documentários serão filmados ainda este ano, no Rio e em Londres.

No caso brasileiro, a ideia do diretor é, a partir do Rock in Rio, o lendário evento musical de 1985, mostrar as transformações pelas quais a cidade passou desde os anos 1970 - como a evolução do regime militar para a democracia.

Divulgação

O diretor Julien Temple

"Desde que visitei o Rio, nos anos 1970, com os Sex Pistols para fazer
'The Great Rock and Roll Swindle', eu queria fazer um filme sobre a cidade",
disse Temple, que tem filmes sobre David Bowie, Sex Pistols e Joe Strumer.

"This is London" pretende contar a história de uma cidade que, na visão de Temple, deixou de existir para dar lugar a uma outra, completamente diferente.

O documentário sobre o Rio vai ser coproduzido por empresas brasileiras - RioFilme e TV Zero - e britânicas, com dinheiro dos dois países.


TODAS AS ATENÇÕES PARA O CASAL 20 DE HOLLYWOOD, JOLIE & PITT

Angelina Jolie e Brad Pitt roubaram as atenções em Cannes nesta segunda
(16) - o casal passou pelo tapete vermelho do Festival para assistir à exibição de "A Árvore da Vida", estrelado por Pitt.

Jean-Paul Pelissier/Reuters

O casal 20 de Hollywood no tapete vermelho de Cannes

Três coisas que me chamaram a atenção: os cabelos soltos, o longo - e maravilhoso - vestido tomara-que-caia que deixava à mostra uma das pernas de Jolie, e Pitt, muito envelhecido.


QUATRO FILMES ÍTALO-BRASILEIROS GANHAM FINANCIAMENTO

Quatro projetos de coprodução entre o Brasil e a Itália ganharam nesta segunda (16) um concurso organizado pela Ancine - Agência Brasileira de Cinema - em parceria com o MiBAC - Ministério de Bens e Atividades Culturais - italiano.

Dois dos ganhadores são diretores estreantes, os demais prêmios foram direcionados a profissionais mais experientes e as ajudas proporcionadas são de 25 e 50 mil euros, respectivamente.

O brasileiro "La mamma", de Carina Bini Fernandes e o italiano "Cavalli Marini", de Francesco Costabile, levaram a primeira categoria, enquanto
"Rossellini amou a pensão de Dona Bombom", de Paulo Caldas, e "Vanit… delle vanit…", de Giorgio Diritti, levaram a segunda.

Os quatro projetos farão parte de um acordo de coprodução firmado entre os dois países em 2009, e que até então não tinham saido do papel.

La mamma" narra a história de duas mulheres de meia-idade, uma brasileira e outra italiana, cujos destinos acabam por se cruzar.

Bárbara Cunha

O diretor Paulo Caldas

O filme de Paulo Caldas - codiretor de "Baile Perfumado" (1997) - retrata a visita do diretor italiano Roberto Rosellini ao Brasil, quando ingressou no cenário político e na vida cultural brasileiros em meados do século XX.


O AGUARDADO "A ÁRVORE DA VIDA" DIVIDOU OPINIÕES

A longa espera pela volta do diretor norte-americano Terrence Malick às telonas terminou nesta segunda-feira.

Entre aplausos calorosos e vaias, o drama "A Árvore da Vida" dividiu as opiniões da crítica no Festival.

Estrelado por Brad Pitt e Sean Penn, o filme - que está na competição oficial pela Palma de Ouro e é amplamente visto como o longa mais aguardado a ser exibido em Cannes em anos - narra a história de uma família do sul dos Estados Unidos na década de 1950, contra um pano de fundo de fotografia majestosa, uma trilha sonora grandiosa, cenários bucólicos e um elenco coadjuvante de primeira grandeza.

Pitt representa o pai severo de três meninos em uma cidade de classe média comportada e determinado a ensinar disciplina e resistência a seus filhos, ao mesmo tempo em que perde seu emprego em uma fábrica e sua confiança no mundo material vai sendo perdida.
"O pai é o provedor, e no filme você vê que o sonho americano, na visão que ganhamos dele enquanto crescíamos, não está funcionando", disse Pitt, que também produziu o filme, em coletiva de imprensa após a exibição.

Conhecido por ser avesso à mídia, Malick não compareceu à coletiva de imprensa - uma opção rara e incomum em um festival que costuma focar as atenções sobre os diretores - mas os atores defenderam sua decisão.

Divulgação

Brad Pitt em cena de "A Árvore da Vida"

Na obra, as personagens são postas em um plano igual ao do mundo natural e a câmera se demora sobre cenas como as de cânions profundos, vulcões em erupção, explosões na superfície do sol e florestas habitadas por dinossauros tranquilos, o que torna o filme o mais comentado dos 20 trabalhos da competição principal de Cannes.

Sua exibição também marcou a metade de Cannes 2011, sobre o qual muitos críticos vêm se queixando de que a qualidade geral dos filmes na competição não condiz com o brilho e o glamour do evento.

Os organizadores parecem ter recebido a injeção de ânimo esperada na competição com o filme de Malick, diretor que ficou conhecido por ter levado 20 anos entre seu segundo filme, "Cinzas no Paraíso" (1978), e o terceiro, "Além da Linha Vermelha" (1998) - esse último, também estrelado por Penn, valeu a Malick indicações aos Oscar de roteiro e direção.

Mesmo assim, e apesar de pouco filmar, Malick é um dos mais respeitados cineastas americanos em atividade.

O sigilo que cercou "A Árvore da Vida" e a aversão de Malick ao tipo de publicidade procurado ativamente pela maioria dos cineastas, conferiram ao filme um status quase mítico entre cinéfilos, com trailers e uma sinopse oficial que revelavam pouco.

Concebido há pelo menos cinco anos, depois de Malick ter concluído seu quarto trabalho - "O Novo Mundo" (2005), estrelado por Colin Farrell - "A Árvore da Vida" estaria pronto para ser exibido no ano passado, mas foi adiado para ser mais editado.

O filme estreia no dia 23 de junho no Brasil.

Confira o trailer de "A Árvore da Vida":


Terrence Malick já tem um novo filme rodado, ainda sem título.

É uma história de amor que tem no elenco Ben Affleck, Javier Bardem, Rachel McAdams, Rachel Weisz e Jessica Chastain.

Alguém se atreve a prever quanto tempo ele levará na montagem?


ENTREVISTA COM BRAD PITT

Um dos produtores de "A Árvore da Vida", Brad Pitt diz que relutou um pouco em aceitar o papel de um pai severo.
“Fiquei preocupado com o que meus filhos iam achar, mas eles me conhecem como pai. Devem ter uma opinião melhor de mim”, brincou.

Sobre a ausência do diretor no Festival, Pitt diz que “Terry é alguém que constrói uma casa, mas não está preocupado em vendê-la. Existe essa ideia de que, no nosso negócio (o cinema), as pessoas têm que vender seu produto. Ele não quer isso. Sabe quando você ama uma música, alguém pega a letra e começa a explicá-la, e de repente aquela música não tem mais graça?”.

De bom humor, Pitt fez piada quando lhe perguntaram por que se afastou de vez dos blockbusters e só faz filmes menores, independentes.
“Não saia dizendo que eu não vou estar no próximo ‘Missão Impossível’. Eu posso estar lá”, ironizou.

Foi uma opção que fez há cerca de dez anos.
“Comecei a pensar nos meus filmes favoritos, e eram sempre filmes menores, mais profundos, que tocavam em grandes questões. Ou uma boa comédia. Adoro rir com os filmes”.

Getty Images

Brad Pitt acena em Cannes, na segunda

Os diretores que pretendem trabalhar com o ator terão que fazer com que seus filmes tenham "valor por si mesmos".
"Somos contadores de histórias, portanto estas têm que ter algum valor em si mesmas e algum mérito dentro delas".

Embora tenha sido rodado há três anos, o filme de Malick influenciou muito a maneira de trabalhar de Pitt, que confessou à Efe que houve um momento em que quis ter uma espécie de "plano mestre" para sua carreira cinematográfica.
"De alguma maneira queria tê-lo. Me cansa fazer o mesmo. Pela minha própria natureza, busco algo a mais, algo que não tenha feito, tanto para melhor como para pior, embora por sorte ou azar não possa definir agora se isso (o plano) é positivo".

E quais são as prioridades do ator na hora de escolher um papel?
Pitt assegura que "é difícil dizer, é mais uma questão de sentimentos do que uma escolha consciente".
"Sei a direção para onde quero ir (...) fiz isso durante muito tempo, portanto sei em que tenho interesse, qual é a razão adequada e que, se eu tenho interesse em algo, encontrarei alguém que também se interesse",
afirmou.

"Há algum tempo, passei a acreditar que me restavam somente mais alguns anos
(como ator); portanto (agora) preciso de histórias que signifiquem algo para mim, inclusive se tiverem valor apenas como entretenimento. Se não, qual o sentido disso?",
complementou Pitt sobre suas prioridades profissionais.

Para aceitar trabalhar no filme de Malick - apenas o quinto longa-metragem da carreira do diretor -, Pitt alegou como uma das razões o fato de ser
"um grande admirador" do diretor.

"Infelizmente em nossa indústria é difícil que se façam histórias interessantes se elas não têm um grande valor comercial. Podemos fazê-las, e é esse o propósito de nossa companhia: contribuir para que sejam lançadas", afirmou ao se referir à Plan B Entertainment, sua produtora, que investiu em "A Árvore da Vida".

"Este foi o estímulo para me envolver e, mais uma vez, a presença de Terry - Malick. Este é um filme que ele vinha tentando fazer há mais de três décadas, e eu queria vê-lo realizado",
declarou.

Para Pitt, o trabalho do diretor é o mais importante em todo o set.
"É ele que controla o tom do filme, o que é algo do qual poucas vezes se fala; o tom do filme é tudo. E ele, ou ela, é responsável por isso. É exatamente o que busco, diretores com pontos de vista extremos e que sejam muito conscientes do tom do filme".

Entre seus atores preferidos, estão o gordinho Zack Galifianakis - de
“Se Beber Não Case” - e Jonah Hill - de “Superbad”.

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Coim UOL, EFE, Reuters, site do Festival e Getty Images
Redação Final: Cláudio Nóvoa