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domingo, 20 de julho de 2014

JAMES GARNER: COM MAIS DE 50 ANOS DE CARREIRA, ATOR FOI PROVAVELMENTE O QUE EU MAIS VI ATUAR


Com mais de cinquenta anos de uma carreira vitoriosa, premiadíssimo, para mim, o ator americano James Garner era mais que isso.

Afinal, em 1982, muito antes da internet e dos home vídeos, eu fui vê-lo em cena na aclamada comédia musical de Blake Edwards, 'Vitor ou Vitória', nada menos que 32 vezes, sorvendo e gargalhando em cada cena seu esplêndido desempenho como o gângster macho King Marchand, que não compreende por que raios se apaixonou por um travesti polonês, estrela de um musical na Paris de 1934.

Só que 'ele' não era' ele': era 'ela', Victória, uma cantora lírica fracassada, que topa se passar por um homem que se veste de mulher pra levantar uma grana - mais uma interpretação magistral da Diva das Divas Julie Andrews.

Reveja cena de 'Vitor ou Vitória', com James Garner e Julie Andrews:


Só depois é que eu fui saber que James Garner era um dos ícones de Hollywood e que havia estrelado em diversas séries icônicas da TV, como "Maverick" - comédia de faroeste da década de 1950 -, "Arquivo Confidencial" - drama policial na década de 1970 - e inúmeros bons longas para as telonas, como 'A Grande Escapada' (1963), ao lado Steve McQueen.

James Garner nasceu na cidade de Norman,Oklahoma, em 7 de abril de 1928 e antes de se tornar ator, trabalhou em um posto de gasolina e atuou como modelo, aproveitando a beleza máscula e diferenciada, graças à sua ascendência índigena cherokee.

O ator, no início da carreira - IMdB

Não tardou a se mudar para Hollywood, onde começou na televisão, em 1956, na série 'Warner Brothers Present', para logo depois estrear no cinema, em 'Rumo ao Desconhecido', no mesmo ano.

Depois de atuar em alguns filmes, ele ganhou seu primeiro grande reconhecimento como ator, graças à sua esplêndida interpretação do protagonista da série de televisão 'Maverick' (1957-1961).

A série de faroeste teve cinco temporadas, 129 episódios e tornou Garner mundialmente conhecido.

Confira cena de um episódio de 'Maverick', com a participação de Clint Eastwood:


Com o sucesso da série, Garner recebeu mais convites para o cinema, em filmes como 'Periscópio à Vista/Up Periscope' (1959) e 'Amor de Milionário' (1960).

Confira o trailer de 'Periscópio à Vista/Up Periscope':


A partir de então, a carreira do ator no cinema ganhou destaque e Garner atuou em filmes como 'Não Podes Comprar Meu Amor/The Americanization of Emily'(1964) - onde contracenou pela primeira vez com Julie Andrews.

Confira um clipe de 'Não Podes Comprar Meu Amor/The Americanization of Emily':


Mas o seu papel de maior repercussão ainda estava por vir.

Em 1974 a rede NBC o contratou para interpretar Jim Rockford, um ex-policial que cumpriu pena por cinco anos por roubo de armas e ao deixar a cadeia após conseguir o perdão, passa a trabalhar como detetive particular.

Exibida pela NBC entre 1974 e 1980, 'The Rockford Files' - que a Globo rebatizou de 'Arquivo Confidencial' quando a exibiu -  a série foi um dos grandes sucessos do canal americano mundo agora.

Criada por Stephen J. Cannel e Roy Huggins - também criadores de 'O Fugitivo' e 'Maverick' - a série foi a consagração definitiva de James Garner, que interpretava Jim com um humor irônico, avesso a armas ou a lutas corporais, se safando de situações difíceis pela lábia ou com pequenos truques e sempre tendo uma postura cínica em relação ao trabalho policial.

Investigando casos de pequeno porte, ganhando pouco e morando em um trailer - que também servia de seu escritório - Jim, sempre a bordo de um Camaro marrom, ainda tem que lidar com seu pai, um ex-caminhoneiro que nunca perdeu as esperanças de convencer o filho a ter um trabalho mais digno e estável, como o dele, por exemplo.

Confira clipe especial, com cenas de 'Arquivo Confidencial/The Rockford Files':


Mesmo entre as sete temporadas da série, Garner continuou a fazer bons filmes, até ser convidado pessoalmente pelo diretor Blake Edwards para estrelar, ao lado de Julie Andrews, a comédia musical 'Vitor ou Vitória-Victor/Victoria' (1982).

Como o gângster de Chicago King Marchand absolutamente deslocado na liberalíssima Paris de 1934 e pior, se apaixonando por o que todos achavam ser um travesti polonês personificador de mulheres em musicais, Garner simplesmente arrebentou - e olha que o papel foi primeiramente pensado para a Lenda Rock Hudson!

Confira o trailer de 'Vitor ou Vitória-Victor/Victoria':


Em 1994, Garner apareceu com destaque na superprodução da Warner Bros. 'Maverick', um dos primeiros longas a serem baseados em séries de TV de sucesso.

Nesse longa, dirigido pelo mestre Richard Donner, atuou como Zane Cooper, ao lado de Jodie Foster e de Mel Gibson - que reviveu com maestria seu papel da série.

Confira o trailer do longa 'Maverick':


No final dos anos 90, Garner passou a se dedicar mais aos trabalhos na televisão, mas ainda assim apareceu, magnífico, em filmes como 'Cowboys do Espaço' (2000) e 'Divinos Segredos' (2002).

Mas foi em 'Diário de uma Paixão/The Notebook' (2004) - dirigido por Nick Cassavetes - que fez uma parceria absolutamente feliz com a atriz Gena Rowlands (mãe do diretor).

Um dos internos de uma clínica geriátrica, Duke vive seus dias lendo para outra interna (Rowlands), já com demência senil que prejudicou sua memória, a história de Allie Hamilton (Rachel McAdams) e Noah Calhoun (Ryan Gosling), dois jovens que se conheceram em 1940 num parque de diversões e que foram separados pelos pais dela, que nunca aprovaram o namoro, pois Noah era um trabalhador braçal e oriundo de uma família sem recursos financeiros.

Para evitar qualquer aproximação, os pais de Alie a mandam para longe e por um ano, Noah escreveu para Allie todos os dias mas não obteve resposta, pois a mãe (Joan Allen) dela interceptava as cartas de Noah para a filha.

Crendo que Allie não estava mais interessada nele, Noah escreveu uma carta de despedida e tentou se conformar.

Por outro lado, Alie esperava notícias de Noah, mas após 7 anos desistiu de esperar ao conhecer um charmoso oficial, Lon Hammond Jr. (James Marsden), que serviu na 2ª Grande Guerra (assim como Noah) e pertencia a uma família muito rica.

Ele pede a mão de Allie, que aceita, mas o destino a faria se reencontrar com Noah.

Como seu amor por ele ainda existia e era recíproco, ela precisa escolher entre o noivo e seu primeiro amor.

Enquanto o homem conta a história para a senhora, ela passa a lembrar passagens de sua juventude, até perceber que ela é Allie e o homem que lhe dedica horas de leitura do velho diário, todos os dias, é na verdade o homem com quem ela, afinal, escolheu ficar, Noah.

Um dos filmes mais emocionantes que eu já vi na minha vida - e que vejo e revejo sempre.

Confira o trailer de 'Diário de uma Paixão/The Notebook':


Seu último trabalho no cinema foi interpretar a voz do personagem Doron, na animação 'Batalha por T.E.R.A.' (2007).

Durante toda a sua carreira James Garner apareceu em mais de noventa filmes e shows televisivos, que lhe renderam 12 indicações ao Globo de Ouro (ganhou em três ocasiões) e 15 ao Emmy (foi premiado com 2 estatuetas).

Concorreu também quatro vezes ao prêmio do Screen Actors Guild e ganhou um troféu honorário por sua carreira,  em 2005.

James Garner morreu no sábado (19), aos 86 anos.

Fontes policiais do site de celebridades TMZ afirmam que uma ambulância foi enviada à casa do ator por volta das 20h do sábado, mas ele estava morto quando chegaram ao local.

De acordo com o site do jornal "Los Angeles Times", o motivo da morte são "causas naturais".

Garner tinha sofrido um derrame em maio de 2008 - poucas semanas depois de seu 80º aniversário - e esses problemas de saúde o foram afastando gradativamente da mídia.

Garner era casado desde 1957 com a atriz de TV Lois Clarke, com quem tinha uma filha, Gretta Scott.

No final dos anos 1990, os Garner construíram uma casa de 12 mil metros quadrados em uma fazenda de 400 hectares ao norte de Santa Bárbara, na Califórnia, Estados Unidos, onde viviam - e onde o ator morreu.

Pelo menos para mim, vai deixar muitas saudades.

Sag Awards

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

BLAKE EDWARDS, O DIRETOR DAS MELHORES COMÉDIAS QUE EU JÁ VI

O roteirista e diretor de cinema Blake Edwards foi um dos nomes mais importantes de Hollywood, onde fez mais de 40 filmes a começar da década de 60 - que inclui os clássicos "Bonequinha de Luxo"(1961) - com Audrey Hepburn, e "Vício Maldito"(1962) - com Jack Lemmon, e o início da saga "A Pantera Cor-de-Rosa" (1963).

Confira a abertura de "Bonequinha de Luxo"(1961), ao som da música
"Moon River", Oscar de melhor canção:


"A Pantera Cor-de-Rosa" (1963), ajudou a converter o então jovem ator inglês Peter Sellers em grande astro, e consolidou a fama do próprio Edwards de diretor com olhar hábil para a sátira e o humor cortante.
"Os momentos mais divertidos e também os piores foram com Peter", disse Edwards à Reuters em entrevista de 2002, quando o Sindicato de Roteiristas da América lhe deu um prêmio pelo conjunto de sua obra.

"Quando ele estava no melhor de sua forma, era divertidíssimo. Quando mergulhava em seu mundo irado, deprimido, era impossível conviver com ele."

Edwards faria uma série de filmes "A Pantera Cor-de-Rosa" - que se tornaram sucessos de bilheteria, com Peter Sellers em todos interpretando o desastrado detetive francês Inspetor Clouseau, que procurava um célebre diamante roubado - a saga tentou uma revitalização anos atrás, com Steve Martin interpretando Clouseau, e que não chegou nem aos pés da original.

Reveja Peter Selles em ação, nos filmes da saga:


Sellers morreu em 1980, e também estrelou sob direção de Edwards uma das melhores comédias já feitas, "Um Convidado Bem Trapalhão" (1968), que a Band fez o favor de exibir dias atrás.

Confira uma seleção de cenas de Peter Selles em
"Um Convidado Bem Trapalhão" (1968):


Mas, como tantas outras carreiras em Hollywood, a de Blake Edwards também passou por fases ruins.

Filmes como "Lili, Minha Adorável Espiã" (1970) - com sua mulher de todas as horas,
Dame Julie Andrews fazendo par com Rock Hudson - foram fracassos de bilheteria, e durante um grande período nos anos 1970 seu telefone parou de tocar - Edwards escreveu sobre essa época em seu filme "S.O.B." (1981):
"Com isso consegui desabafar muitos de meus sentimentos de hostilidade, e acho que aquele foi um de meus melhores trabalhos como roteirista", ele disse.

E chegamos aos 80, com Edwards voltando ao topo de Hollywood, depois de escrever e dirigir a comédia musical "Vitor ou Vitória?" (1982), e dirigir Dame Julie Andrews no papel principal, uma cantora lírica que passa por dificuldades, mas faz sucesso quando se faz passar por um travesti polonês na Paris dos anos 30.
Só que Vitória não contava apaixonar-se por um gângster de Chicago, interpretado por
James Garner.
Roteiro excelente, direção precisa, números musicais marcantes e fotografia e direção de arte acima da média fazem desse filme o mais assistido por mim - só no cinema eu vi mais de 40 vezes!

Relembre Dame Julie Andrews num dos momentos mais lembrados de
"Vitor ou Vitória?" (1982) - a música "Crazy World":


O gênio nasceu William Blake Crumb em Tulsa, Oklahoma, em 26 de julho de 1922.

Nos anos 1940 ele tentou ser ator, mas no final dessa década começou a trabalhar como roteirista e, mais tarde, diretor.

Casou-se duas vezes, a segunda com Dame Julie Andrews - em 1969.
Casados por 42 anos, criaram cinco filhos juntos - três de seus casamentos anteriores e dois adotivos.

julieandrews.com

Dame Andrews e Edwards


Confira uma entrevista de Edwards, feita nos 90, onde ele fala sobre sua parceria mais que perfeita com Julie - na vida pessoal e na vida profissional:


Sem dúvidas é um dos diretores que eu mais admiro.

Blake Edwards morreu ontem à noite, aos 88 anos, de complicações decorrentes de uma pneumonia no Centro de Saúde St. John's, em Santa Monica, com Dame Andrews e familiares a seu lado.

Se realmente existir, o céu deve estar hoje mais feliz e muito mais engraçado.

*****

PRÊMIOS E INDICAÇÕES

ACADEMIA DE ARTES E CIÊNCIAS DE HOLLYWOOD
*
Ganhou um Oscar honorário em 2004; apresentado por Jim Carrey, Edwards fez, ao vivo, uma encenação sen-sa-cio-nal! Foi a última vez que eu o vi.
Confira:



* Recebeu uma nomeação na categoria de Melhor Argumento Adaptado, por Victor/Victoria (1982).

GLOBO DE OURO
*
Recebeu uma nomeação na categoria de Melhor Realizador, por "Days of Wine and Roses" (1962).

PRÊMIO CÉSAR
*
Venceu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por Victor/Victoria (1982).
*****

FILMOGRAFIA
1993 - Son of the Pink Panther - O Filho da Pantera Cor-de-Rosa
1991 - Switch - Switch, Trocaram Meu Sexo
1989 - Peter Gunn (TV)
1989 - Skin Deep
1988 - Justin Case (TV)
1988 - Sunset - Assassinato em Hollywood
1987 - Blind Date- Encontra ás Escuras
1986 - That's Life!-Assim é a Vida
1986 - A Fine Mess
1984 - Micki + Maude
1983 - The Man Who Loved Women - O Homem que Amava as Mulheres
1983 - Curse of the Pink Panther-A Maldição da Pantera Cor-de-Rosa
1982 - The Trail of the Pink Panther - Na Pista da Pantera Cor-de-Rosa
1982 - Victor/Victoria-Victor ou Vitória?
1981 - S.O.B. (filme)S.O.B
1979 - 10 - Mulher Nota 10
1978 - Revenge of the Pink Panther - A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa
1976 - The Pink Panther Strikes Again-A Pantera Cor-de-Rosa Ataca Outra Vez
1975 - The Return of the Pink Panther-A Volta da Pantera Cor-de-Rosa
1974 - Julie and Dick at Covent Garden (TV)
1974 - The Tamarind Seed - Sementes de Tamarindo
1972 - The Carey Treatment
1971 - Wild Rovers
1970 - Darling Lili- Lili, Minha Adorável Espiã
1968 - The Party - Um Convidado Bem Trapalhão
1967 - Gunn
1966 - What Did You Do in the War, Daddy?
1965 - The Great Race - A Corrida do Século
1964 - A Shot in the Dark - Um Tiro no Escuro
1963 - The Pink Panther - A Pantera Cor-de-Rosa
1962 - The Boston Terrier (TV)
1962 - Days of Wine and Roses - Vício Maldito
1962 - Experiment in Terror- Escravas do Medo
1961 - Breakfast at Tiffany's - Bonequinha de Luxo
1960 - High Time - Dizem que é o Amor
1959 - Operation Petticoat - Anáguas a Bordo
1959 - The Perfect Furlough - De folga para amar
1958 - This Happy Feeling - Tudo pelo teu amor
1957 - Mister Cory - Hienas do pano verde
1956 - He Laughed Last
1955 - Bring Your Smile Along

Oscar.com

*****
Fontes:
Reuters, Academia de Artes e Ciências de Hollywood, site de Dame Julie Andrews, American Film Institute - AFI, YouTube, Arquivos do Klau