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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

'HISTERIA': COMÉDIA SOBRE INVENÇÃO DO VIBRADOR NA ERA VITORIANA TRAZ MÃOS MELADAS, XOXOTOLOGIA E MUITOS RISOS


Comédia coproduzida por Inglaterra, França, Alemanha e Luxemburgo, "Histeria" finalmente estreia hoje aqui no Brasil  - depois de ser muito bem falada nos festivais europeus de cinema desse ano -  contando a história, aparentemente verídica, de como um médico na era vitoriana, uma das mais caretas de todos os tempos, inventou o vibrador e fez com que a mulherada, chamadas de histéricas na época, finalmente relaxassem e gozassem.

Dirigido pela norte-americana Tanya Wexler, o filme acompanha as desventuras de um médico jovem e idealista, Mortimer Granville (Hugh Dancy) - que, justamente por disso, vive entrando em choque com seus empregadores.

Demitido, volta para o lar de seus ricos pais adotivos e, lá, reencontra a amizade de uma espécie de irmão mais velho, o lorde Edmund St.John-Smythe (Rupert Everett) - um apaixonado pela eletricidade e cujas invenções logo serão muito úteis a Mortimer.

Fotos dessa Postagem: Divulgação - Imagem Filmes
O inventor Edmund St.John-Smythe (Rupert Everett)e seu amido, dr. Mortimer Granville (Hugh Dancy)

Assim,  logo dr. Mortimer vai trabalhar como assistente de um famoso ginecologista, dr. Robert Dalrymple (Jonathan Pryce), cuja sala de espera sempre lotada nos mostra que ele acredita piamente que a "massagem vulvar", desenvolvida por ele, é o segredo para curar os males decorrentes daquilo que se chamava genericamente  - e, com mais preconceito machista do que base científica - de "histeria", reconhecida a partir de sintomas tão distintos como ansiedade, depressão, ninfomania ou frigidez.

dr. Robert Dalrymple (Jonathan Pryce) mostra ao dr. Mortimer Granville (Hugh Dancy)como funciona sua "massagem vulvar"

Se um suposto alto índice de cura garante o retorno ad eternum das satisfeitíssimas pacientes, o talento do dr. Mortimer para a técnica, aliado à sua beleza,  só faz aumentar as filas da mulherada à porta do consultório, cada vez mais lucrativo.

Além de ganhar bem, o jovem médico também fica de olho grande na filha caçula de seu patrão, Emily (Felicity Jones), mas sua irmã mais velha, Charlotte (Maggie Gyllenhaal), uma precursora feminista, defensora da educação e da liberdade sexual para as mulheres, além de ativista a favor dos pobres e marginalizados, entra na história para jogar areia, tanto no tal "tratamento" como na cabeça de Mortimer - que claro, fica apaixonado por ela.

Não querendo o destino previsto para moças de sua classe, Charlotte esnoba o casamento e investe todo o dinheiro que consegue levantar num centro comunitário, que funciona como uma espécie de creche, onde ela atua como um misto de professora, assistente social e enfermeira - tudo para desgosto de seu aristocrático pai.

Mortimer Granville (Hugh Dancy)e Charlotte (Maggie Gyllenhaal)

A felicidade de Mortimer sofre um contratempo quando ele começa a ter cãibras nas mãos - doença profissional que suas ávidas clientes não vão tolerar.

É aí que Edmund, seu amigo inventor, constrói um aparelho que a princípio seria usado como espanador elétrico.

Quando Mortimer conhece a engenhoca e seu formato, logo descobre um novo potencial para a invenção - a masturbação feminina sem as mãos humanas - que podem falhar ou se cansar.

Assim que vê a invenção de Edmund, Mortimer já imagina um outro uso para ela

A atração entre Mortimer e Charlotte é acidentada, tem as tensões inerentes aos grandes romances, mas caminha para um final feliz.

A partir de uma ideia original do também produtor Howard Gensler e roteiro do casal Stephen e Jonah Lisa Dyer, com uma direção segura, elenco perfeito e uma senhora direção de arte, fotografia e figurinos - maravilhosos -, o longa, sem pretender falar sério demais sobre os temas que aborda, faz o público rir durante e sair sorrindo dos cinemas.

Afinal, mãos meladas, mulheres gemendo ou gozando são sempre diversão garantida.

Confira o trailer do filme:

*****
"HISTERIA"
Título Original:
Hysteria
Diretor:
Tanya Wexler
Elenco:
Maggie Gyllenhaal, Hugh Dancy, Jonathan Price, Felicity Jones, Rupert Everett, Ashley Jensen, Sheridan Smith
Produção:
Tracey Becker, Judy Cairo, Sarah Curtis
Roteiro:
Jonah Lisa Dyer, Stephen Dyer
Fotografia:
Sean Bobbitt
Trilha Sonora:
Christian Henson, Gast Waltzing
Duração:
100 min.
Ano:
2011
País:
Reino Unido/ França/ Luxemburgo/ Alemanha
Gênero:
Comédia Romântica
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imagem Filmes
Estúdio:
Informant Media
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

FESTIVAL DE TORONTO: NA QUINTA, 'HYSTERIA' - QUE CONTA A HISTÓRIA DOS VIBRADORES - ROUBOU A CENA


Os vibradores foram o assunto do dia ontem (15) no Festival de Cinema de Toronto - TIFF, após a estreia de Hysteria, filme que aborda de maneira clara, real e divertida a invenção do consolo.

 Protagonizado pela acima da média Maggie Gyllenhaal e tratado como uma comédia romântica pela diretora americana Tanya Wexler, o filme narra a verdadeira história de como dois médicos de Londres - interpretados por Hugh Dancy e Jonathan Pryce - auxiliados por um amigo fascinado por máquinas - Rupert Everett - chegaram a inventar o vibrador elétrico para tratar mulheres que, aparentemente, sofriam de histeria nos anos 1880.

Fisicamente esgotados com as massagens pélvicas que faziam em suas pacientes para aliviá-las de dores abdominais, eles inventaram um aparelho motorizado com o protótipo de um espanador giratório para acelerar o clímax.

Sem querer, o resultado contribuiu também para a independência sexual das mulheres.

A diretora Wexler disse, durante entrevista coletiva, que durante as filmagens, a maioria das mulheres do elenco e a equipe tinham sua própria história sobre vibradores.

"Foi estranho que todas dissessem que ficaram tímidas na primeira vez", contou a cineasta, em entrevista à France Presse.

Aaron Vincent Elkaim/Associated Press
Os atores Jonathan Pryce, Hugh Dancy, Maggie Gyllenhaal e a diretora Tanya Wexler, na entrevista coletiva de "Hysteria"

Inicialmente vendido como um dispositivo médico ou eletrodoméstico -  em lojas como Sears ou através de revistas como Good Housekeeping - o vibrador logo se tornaria um brinquedo sexual e passou a ganhar nomes como a varinha mágica Hitachi ou coelho, tornando-se disponível em sex shops.

"Agora é mais comum", contou Wexler.
"Ainda assim, fazer piada sobre o vibrador é muito mais subversivo do que pornografia na internet", acrescentou.

Durante as filmagens, Wexler disse ter presenteado todos no set com vibradores, e contou que os presentinhos provocaram um certo constrangimento no funcionário de controle de bagagens do aeroporto londrino de Heathrow.

"O oficial disse, 'você tem 20 ou 30 pequenos dispositivos eletrônicos na bagagem' e eu respondi, 'sim, são vibradores', ao que ele declarou, 'Siga adiante'", lembrou a cineasta.

Maggie Gyllenhaal contou que, ao final das filmagens, ganhou um monte de vibradores de presente dos amigos.

Confira o engraçadíssimo trailer de "Hysteria":

Segundo Dancy, o que provocou mais risadas no filme foi "o fato de que os médicos (em 1880) diagnosticavam a sério uma doença não existente (a histeria) e faziam o que faziam sem nenhuma preocupação e sem ver nada de sexual nisso".
"É assombroso", completou ela.

O filme lembra ainda que os médicos continuaram diagnosticando mulheres com histeria ou excesso emocional difícil de lidar até 1952, quando a doença foi retirada dos textos médicos.

Pelo trailer, parece que o filme é muito bom.