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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

'BINGO - O REI DAS MANHÃS': OS LOUCOS ANOS 80 EM DRAMA BEM DIRIGIDO E COM VLADIMIR BRICHTA ESPETACULAR


SINOPSE:

Cinebiografia disfarçada e com muitos nomes trocados do ator Arlindo Barreto, um dos mais famosos intérpretes do palhaço Bozo no programa matinal homônimo exibido pelo SBT durante a década de 1980.

Ator de pornochanchadas, Barreto alcançou a fama graças ao personagem.

Só que nunca era reconhecido pelo público, graças a uma cláusula contratual que o impedia de parecer em público como Bozo sem estar maquiado e fantasiado.

Esta frustração - de ser famoso e não ser badalado pelos fãs - o levou a se envolver com drogas, chegando a utilizar cocaína e crack nos bastidores do programa.

CRÍTICA:

Arlindo Barreto era um ator esforçado, filho de Márcia de Windsor, a jurada boazinha que sempre dava nota dez nos programas de calouros da TV brasileira nos anos 1970 e 1980.

Sonhando em ser galã de novelas, Barreto estava mesmo se virando, 
nas muitas pornochanchadas que saíam que nem pão quente na boca do lixo paulistana.

Até que um palhaço americano, que Silvio Santos havia comprado os direitos para fazer no seu SBT a versão brasileira do seu programa, mudou para sempre a sua vida.

Bingo - O Rei das Manhãs : Foto
Vladimir Brichta é Augusto/Bingo - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Warner Bros.
Ah, os anos 80!

Um período da história fora da curva da realidade brasileira, seja pelo dia a dia, pela moda, pelos produtos culturais.

'Bingo - O Rei das Manhãs', que estreia hoje em todo o Brasil, se passa nesta época e é um belo exemplo deste cenário improvável e quase anárquico.

Afinal, vista com os olhos de hoje, a década de 80 surge quase que como uma realidade paralela, impossível de acontecer.

Em que outra época teríamos um palhaço, que dava uma audiência absurda toda manhã, atuando sob efeito de drogas e se esfregando com a então rainha do bumbum, Gretchen, enquanto ela 'canta' "Conga La Conga" em um programa feito para crianças?

O longa de Daniel Rezende conta essa e outras histórias inspiradas na vida real de Arlindo Barreto, um dos atores que interpretou o palhaço Bozo, que fez sucesso no SBT nos anos 80.

Por questões de direitos, aqui Bozo virou Bingo, Arlindo virou Augusto, TV Globo virou TV Mundial e por aí vai.

Apenas Gretchen, interpretada por Emanuelle Araújo, continuou Gretchen - afinal ela é uma instituição por si própria e não criou caso com a produção.


Emanuelle Araújo é Gretchen 
A história de Bozo era interessante por si só.

Afinal, contar a vida de alguém que é, ao mesmo tempo, uma das pessoas mais famosas do país e um completo anônimo - por contrato, ele não podia se apresentar como o palhaço a ninguém, sem estar devidamente maquiado e fantasiado - é sensacional.

E sim, é preciso coragem para retratar aquela realidade absurda de forma radical, sem concessões.

E não é que este é o principal mérito do longa, que marca a estreia na direção de Daniel Rezende, montador de obras marcantes como 'Cidade de Deus' e 'Tropa de Elite'?

Ao lado do roteirista Luiz Bolognesi ('Bicho de Sete Cabeças'), o cineasta acertadamente não suavizou a história de seu protagonista, investindo em uma trama pesada, focada no registro dos abusos de Augusto.

O longa mostra muitas sequências de consumo de drogas, mostrando bem a transição do uso para "ter um barato" para o vício, que interfere na vida pessoal e profissional do palhaço.

Até as cenas de sexo aparecem na trama como algo muito bem pensado e inserido dentro daquela realidade.

Augusto (Vladimir Brichta) é um ator que obteve certo sucesso em pornochanchadas, mas que nunca teve uma verdadeira oportunidade na TV - seu sonho era ser galã de novelas.

Ao entrar num estúdio para fazer um teste para uma novela, ele descobre que no mesmo espaço estavam testando para o papel do palhaço Bingo, protagonista de um programa infantil muito famoso nos Estados Unidos e que a emissora brasileira faria uma versão.

Augusto acaba levando o papel, mas aos poucos começa a bater de frente com a produção, que também por contrato deve seguir o roteiro como feito nos EUA - de lá, veio até um diretor para que a produção brasileira não saísse do formato - enquanto que Augusto quer criar o 'seu Bingo'.

Bingo - O Rei das Manhãs : Foto
Bingo conversa com o produtor americano que veio implantar o programa no Brasil
Só que uma cláusula no contrato não permite revelar quem é o homem por trás da maquiagem e ele passa a enfrentar uma enorme frustração, além de se entregar às drogas e ao álcool.

O longa mostra a decadência de Augusto e como isso afeta as pessoas ao seu redor, principalmente seu filho - a grande ironia dessa história, já que Bingo é o ídolo maior de milhões de brasileirinhos.

A ótima atuação de Brichta é crucial para a alternância entre humor e drama e sua interpretação de Bingo dá vida não só ao palhaço, mas também à triste figura atrás da máscara.

Leandra Leal também aparece bem no papel da diretora do programa de TV e seu relacionamento com Augusto/Bingo é um dos grandes focos da obra.

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Leandra Leal é a diretora do programa e o interesse amoroso de Augusto
O texto de Bolognesi divide muito bem o espaço entre o lúdico e a realidade brutal, sobre a alegria em cena e o fundo do poço por trás das câmeras.

O roteiro apresenta um personagem muito complexo, com diversas camadas pessoas e profissionais.

É curiosa a forma como o filme aborda sua relação com a mãe e com o próprio filho - ambas carinhosas, mas que também acabam afetadas pela realidade de fama e loucura.

Wagner Moura foi o ator pensado para viver Bingo.

Por causa das filmagens da série 'Narcos', da Netflix, o ator deixou o papel e recomendou Brichta a Rezende - o que só prova que além de talentoso, o eterno Capitão Nascimento também poderia ser um bom responsável por casting.

E Vladimir entrega um Bingo tão complexo e tão intenso que é difícil imaginar outro nome à frente do personagem - para mim, é o melhor papel da carreira deste talentoso e versátil ator baiano.

Com boas presenças de Augusto Madeira (o produtor) e Ana Lucia Torre (a mãe), o longa é um belíssimo e raro exemplo do cinema comercial brasileiro, com pretensões narrativas e financeiras.

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Ana Lúcia Torre interpreta a mãe de Augusto
Uma produção realmente diferenciada, que se sobressai em diversos elementos de cena, em especial figurino, maquiagem e reconstituição de época.

O elenco conta ainda com Tainá Müller, Pedro Bial e Emanuelle Araújo, vivendo uma perfeita Gretchen.

No longa, temos outro belo destaque, o ator Domingos Montagner.

Falecido no ano passado e aqui num dos seus últimos trabalhos em cena, o ator vive um palhaço de circo, que serve como mentor para Bingo.

As cenas entre Montagner - que era mesmo um palhaço na vida real - e Brichta são de uma carga dramática e de um lirismo raros.

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Montagner, em cena com Brichta
Outro destaque da produção é a direção de fotografia de Lula Carvalho, especialmente a forma como investe em alguns planos-sequência muito interessantes - como o que mostra Augusto/Bingo entrando no palco pela primeira vez.

A cena é bem desenvolvida e remete às sequências pelos bastidores do teatro no premiado 'Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância'.

O grande trunfo da obra é como ela captura o espírito da cultura pop no Brasil, com seu jeito nonsense, psicodélico e sem limites.

Bingo se torna o símbolo do clima de zoeira dos anos 80 e, apesar de se passar 30 anos atrás, é mais atual do que nunca.

Além disso, a busca por realização pessoal, os abusos proporcionados pela fama e a decadência são questões sempre atuais.

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Daniel Rezende dirige Vladimir Brichta e Leandra Leal numa cena do longa
Mesmo que você nunca tenha ouvido de falar de Bozo, Arlindo Barreto e não tenha vivido nos anos 80, o filme vale ser visto, pois ele mostra que o cinema brasileiro pode ter grandes filmes sem precisar se apoiar somente nos dramas densos e nem apelar para as comédias nacionais mais caricatas, que se são sucesso de bilheteria, são mais rasas que um pires.

Precisamos de mais obras espetaculares como essa, com trama relevante e diferente dos temas explorados à exaustão por aqui e, o mais importante, com preocupação com a qualidade técnica e de atuação do começo ao fim.

E sim: Daniel Rezende se superou na direção, mostrando que é um nome forte também como cineasta.

Demorou, mas finalmente uma história por trás de um marco da cultura pop brasileira ganha vida nas telonas - e de maneira espetacular.

Filmaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
BINGO - O REI DAS MANHÃS
Gênero:
Drama
Direção:
Daniel Rezende
Elenco:
Ana Lúcia Torre, Augusto Madeira, Cauã Martins, Domingos Montagner, Emanuelle Araújo, Leandra Leal, Raul Barreto, Tainá Müller, Vladimir Brichta
Roteiro:
Luiz Bolognesi
Produção:
Caio Gullane, Fabio Gullane
Fotografia:
Lula Carvalho
Trilha Sonora:
Beto Villares
Estúdio:
Gullane Filmes
Montador:
Marcio Hashimoto
Ano:
2017
Duração:
111 Min.
Estréia:
24/08/2017
Distribuidora:
Warner Bros.
Classificação Indicativa:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

'BINGO - O REI DAS MANHÃS': COM A PROXIMIDADE DA ESTREIA, VÁRIOS VÍDEOS FORAM DIVULGADOS

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Todos eles muito divertidos
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Nessa semana, foram divulgados novos vídeos de "Bingo: O Rei das Manhãs", cinebiografia disfarçada do mais conhecido intérprete do palhaço Bozo, Arlindo Barreto.

No primeiro, Wagner Moura tenta roubar o papel principal de seu melhor amigo, Vladimir Brichta.

A brincadeira foi inspirada nos próprios bastidores do filme.

Como o próprio diretor Daniel Rezende revelou à imprensa, o roteiro do longa-metragem foi feito com Moura em mente; porém, o ator teve de desistir do trabalho porque estava comprometido com a série "Narcos", da Netflix - e assim, Brichta acabou assumindo o papel.

No teaser, Brichta flagra o amigo no set de filmagem, já meio produzido como palhaço, e fica inconformado.

"Abriu uma brecha para mim", explica Wagner.

"Meu personagem [em "Narcos"] morreu inexplicavelmente, uma surpresa para todo mundo".

O "ladrão" até mesmo sugere que eles dividam o papel.

"Você já é o Capitão Nascimento", aponta Brichta.

O final do vídeo ainda tem outro ator aparecendo de surpresa.

Confira:


Já hoje, a Warner Bros. liberou um vídeo exclusivo para o site Cineclick.

Nele, Vladimir Brichta manda um recado e apresenta uma cena inédita do longa, uma cena do famoso 'Jogo da Memória'.

Assista:


O longa é uma cinebiografia com todos os nomes trocados (por causa de direitos autorais) de Arlindo Barreto, o mais famoso ator a dar vida ao palhaço Bozo no programa matinal homônimo exibido pelo SBT durante a década de 1980.

Barreto alcançou a fama graças ao personagem, apesar de jamais ser reconhecido pelas pessoas por sempre estar maquiado e fantasiado.

Esta frustração o levou a se envolver com drogas, chegando inclusive a utilizar cocaína e crack nos bastidores do programa.

Finalmente nesse vídeo, Brichta fala sobre o longa:


O elenco conta também com Leandra Leal, Emanuelle Araújo (como a cantora Gretchen, um dos romances de Barreto) e Tainá Müller.

A Warner Bros. estreia o longa em 24 de agosto.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

'BINGO - O REI DAS MANHÃS': CINEBIOGRAFIA DO BOZO GANHA TRAILER PARA MAIORES

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'Bingo' é o primeiro longa de Daniel Rezende, famoso pela edição de 'Robocop' e 'Cidade De Deus'
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Confira o trailer para maiores:

A trama é uma cinebiografia disfarçada do ator Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo no programa matinal homônimo exibido pelo SBT durante a década de 1980.

Barreto alcançou a fama graças ao personagem, apesar de jamais ser reconhecido pelas pessoas por sempre estar fantasiado e maquiado.

Esta frustração o levou a se envolver com drogas, chegando a utilizar cocaína e crack nos bastidores do programa.

Bingo é interpretado por Vladimir Brichta e o elenco ainda conta com Leandra Leal, Ana Lucia Torre, Augusto Madeira, Tainá Müller e Emanuelle Araújo, entre outros.

'Bingo: O Rei das Manhãs' estreia em 24 de agosto.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

'DIVINAS DIVAS': COM AFETO EM GRAU MÁXIMO, DIRETORA LEANDRA LEAL PROPÕE MERGULHO PROFUNDO NA ALMA HUMANA - E SE SAI MUITO BEM


SINOPSE:

Rogéria, Divina Valéria, Jane Di Castro, Camille K, Fujika de Holliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios já eram, na década de 1960,  talentosas artistas transformistas que testemunharam o auge de uma Cinelândia, repleta de cinemas e teatros, no centro do Rio de Janeiro.

O documentário dirigido por Leandra Leal acompanha o reencontro das artistas para a a montagem de um espetáculo, trazendo para a cena as histórias e memórias de uma geração.

As Divinas Divas são ícones da primeira geração de artistas travestis no Brasil dos anos 1960.

Um dos primeiros palcos a abrigar homens vestidos de mulher foi o Teatro Rival, dirigido por Américo Leal, avô da diretora.

O filme traz para a cena a intimidade, o talento e as histórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época.

CRÍTICA:

A excelente atriz e agora diretora Leandra Leal é filha da atriz Ângela Leal e neta do dono de teatro Américo Leal, que marcou época com seus shows bem produzidos.

Antes mesmo de estrear como atriz, ela já convivia com os bastidores e a classe artística carioca.

Recentemente, assumiu a administração do tradicional Teatro Rival, no centro do Rio e que herdou do avô.

Agora, Leandra une sua experiência de vida com o seu profundo interesse pela arte para produzir e dirigir um dos mais belos documentários já produzidos no Brasil.

Divinas Divas : Foto
Rogéria, em cena do documentário - Fotos dessa Postagem - Divulgação/Vitrine Filmes
'Divinas Divas', em exibição em 20 salas em todo o Brasil, conta a história de ícones da primeira geração de artistas travestis do Brasil, a partir de relatos colhidos em meio a uma apresentação realizada em 2014, no próprio Rival.

A começar por Rogéria (a mais conhecida delas, por aparecer bastante na TV), vemos também as estrelas Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Fujika de Halliday, Marquesa e Brigitte de Búzios contando suas histórias de vida, ao mesmo tempo em que continuam a demonstrar  seus enormes talentos em cena.

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Jane di Castro em cena
Nesse momento, em que a sociedade brasileira e mundial sofre com uma onda absurda de conservadorismo, um documentário como este, produzido com tanto esmero, não é apenas ótimo, mas também é importante, para mostrar que mesmo na época da ditadura militar, artistas travestis tinham mais espaço nos palcos do que hoje.

Visceral, em mostrar a batalha de um apaixonado casal - Jane Di Castro e seu companheiro - levar 46 anos para conseguir na justiça o direito de viver uma união estável.

E vital, em mostrar o significado do artista e da arte no rompimento de barreiras e preconceitos.

Se é difícil imaginar que o espectador, que aguardou com ansiedade a estreia do documentário, olhe para as oito protagonistas da história e as considere anormais, mais difícil para todos nós é saber que esse tipo de preconceito, infelizmente, vem sendo novamente cada vez mais comum.

Divinas Divas : Foto
As Divas onde elas mais gostam de estar: no palco
Ainda bem que Leandra só faz questão de mostrar cenas onde as Divas só recebem carinho e demonstra uma sensibilidade absurda e bem vinda, em sua estreia como cineasta.

Leandra entrega um filme sobre afetos, feito com muito afeto, mostrando talento em grau máximo e também os problemas inerentes à velhice das Divas - que podem ainda ser glamurosas, mas são humanas e enfrentam, como todos nós, a degradação do passar dos anos.

Se vemos problemas de ritmo - a duração de 110 minutos é exagerada - dá para entendermos perfeitamente a dificuldade de Leandra e da montadora, Natara Ney.

É que com tanto carinho, talento e verdade envolvidos, deve ter sido muito difícil escolher o que acabou ficando de fora da corte final do documentário.

Leandra aproveita o tema das Divas para realizar também uma produção extremamente pessoal, se coloca como narradora e aproveita o tema para também relembrar seu avô, seus pais e, principalmente, seu teatro, o Rival.

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Leandra Leal e as Divinas Divas
Leandra Leal deveria aproveitar e remontar o espetáculo teatral que deu origem ao documentário e levar essas Divinas Divas em excursão, a preços populares, por todo o Brasil.

Pelo pique que elas mostram no documentário e na Parada LGBT de São Paulo, domingo passado, todas elas ainda tem muita lenha pra queimar.

Documentário para gays ou não gays, para gente que gosta ou não de espetáculos teatrais, mas que gosta, principalmente, de mergulhar profundamente na alma humana.

Documentaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'DIVINAS DIVAS'
Gênero:
Documentário
Direção:
Leandra Leal
Roteiro:
Carol Benjamin, Leandra Leal, Lucas Paraizo, Natara Ney
Elenco:
Jane di Castro, Rogéria, Valéria, Camille K., Brigitte de Búzios, Fujika de Holliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa - como elas mesmas
Produção:
Carol Benjamin, Leandra Leal, Natara Ney, Rita Toledo
Fotografia:
David Pacheco
Montador:
Natara Ney
Duração:
110 min.
Ano:
2016
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia:
22/06/2017 (Brasil)
Distribuidora:
Vitrine Filmes
Classificação: 
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 24 de setembro de 2016

'JUSTIÇA': MINISSÉRIE DA GLOBO FOI O MELHOR PROGRAMA DA TV ABERTA DO ANO, DISPARADO


SINOPSE:

Quatro prisões em uma única noite de 2009.

Uma coincidência que une quatro pessoas de origens diferentes em Recife, cujos efeitos serão sentidos por muito tempo – muito mais do que a pena de sete anos de reclusão a que foram condenados.

A razão pela qual cada um foi julgado culpado é questionável.

Não pelos crimes em si, mas pelos caminhos que percorreram até o banco dos réus.

Toda a minissérie se passa no Recife, capital de Pernambuco.

Nela é contada uma trama em cada dia da semana, onde se desenrola a busca por justiça.

As sinopses de cada trama:

Segunda (Vicente Menezes):
Elisa (Débora Bloch) não supera a morte da filha, Isabela (Marina Ruy Barbosa), assassinada pelo noivo Vicente (Jesuíta Barbosa), que a flagra o traindo com o ex-namorado.
Depois de liberto, tenta conseguir o perdão da ex-sogra e seguir a vida, agora casado com Regina (Camila Márdila).

Terça (Fátima Libéria do Nascimento):
Fátima (Adriana Esteves) é uma doméstica, que matou o cachorro do seu vizinho, o policial Douglas (Enrique Díaz), por morder seu filho e acaba por ser incriminada por ele por tráfico.
Quando é solta pretende reconstruir a família, mas o marido Waldir (Ângelo Antônio) morreu, seu filho Jesus (Bernardo Berruezo/Tobias Carrieres) se torna morador de rua e a filha Mayara (Letícia Braga/Julia Dalavia) se prostitui.

Quinta (Rose Silva dos Santos)
 Rose (Jéssica Ellen) e Débora (Luisa Arraes), são amigas desde a infância - a primeira é filha da empregada da mãe de Débora.
Rose, negra, é presa com drogas dos amigos, enquanto Débora, branca, é liberada.
Após este fato, Débora é estuprada e quando reencontra a amiga sete anos mais tarde, parte em busca do homem que a violentou.

Sexta (Maurício de Oliveira)
Maurício (Cauã Reymond) é preso por eutanásia, após matar sua esposa Beatriz (Marjorie Estiano), atropelada por Antenor (Antonio Calloni) durante fuga com o dinheiro roubado do sócio — Antenor fugiu sem prestar socorro.
Quando sai da prisão, já um poderoso contador do submundo do crime, Maurício se aproxima de Vânia (Drica Moraes), esposa problemática de Antenor, agora candidato a Governador do Estado.

CRÍTICA:

Sucesso de público e crítica, “Justiça” chegou ao fim hoje como uma das melhores produções da televisão brasileira não só deste ano, mas dos últimos anos

Com um elenco de primeira, direção e texto primorosos, a minissérie que teve seu último capítulo exibido instantes atrás na Globo, me arrebatou do primeiro ao último capítulo, da primeira à última cena.

Até as mínimas participações de duas atrizes de quem eu gosto muito, Marjorie Estiano e Marina Ruy Barbosa, me deixaram arrepiado o tempo todo - e quando eu fico arrepiado o tempo todo é por quê está bom!


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Marjorie Estiano, em cena da minissérie - Fotos dessa postagem: Divulgação/TV Globo
Débora Bloch, Adriana Esteves, Drica Moraes, Antonio Calloni, Leandra Leal, Vladimir Britcha e Cauã Reymond estiveram estupendos, em seus melhores papéis dos últimos tempos.

Como foram estupendos Enrique Diaz, Jesuíta Barbosa, Jessica Ellen e Camila Márdila.

Agora, quem me surpreendeu positivamente e deu um banho, da primeira à última cena, foi Luísa Arraes, que começou patricinha amiguinha da filha da empregada e terminou insana, fazendo justiça pelas próprias mãos e trucidando com um cano o seu estuprador, numa das cenas mais violentas da TV aberta de todos os tempos.


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Luísa Arraes como Débora
A única crítica que poderia ser feita seria algumas pontas soltas no roteiro, que confundiram o telespectador.

No episódio das sextas, muitos não entenderam temporalidade na ação que vai do atropelamento de Beatriz (Marjorie Estiano) à prisão do seu marido, Maurício (Cauã Reymond).

Em uma noite, vimos o atropelamento, a fuga do atropelador, a vinda do socorro, a internação, o diagnóstico médico de que ela estava tetraplégica, a decisão dela, uma bailarina de morrer, o pedido para que o marido a mate, a eutanásia em si, a chegada da polícia, a prisão e a ação na delegacia - que mostrava os quatro presos juntos.

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jessica Ellen e Cauã Reymond - protagonistas da minissérie 

Muitos não entenderam também a morte de Vicente (Jesuíta Barbosa) da trama das segundas.

A cena, fortíssima, foi de uma beleza absurda, já que ao seu lado, Elisa, aparentemente só com um raspão na testa, desiste de ligar para o socorro e vê o homem que assassinou a sua filha morrer ao seu lado.

Ele morreu de batida do lado do seu carro ou com um tiro?

Pela narrativa da série, o telespectador esperou os episódios seguintes para saber - e a resposta veio apenas na última cena do episódio final agora pouco: sua morte era uma das manchetes na primeira página de um jornal, juntamente com desfechos de outros personagens, uma saída muito interessante, já que os crimes do início da trama também foram mostrados como notícia de jornal.

Veja:

Só que dessa vez eram quatro notícias e o telespectador não teve tempo de ler tudo.

Para quem não teve tempo de ler, veja:


Esses deslizes não comprometeram a obra, já que o roteiro foi eficiente dentro da proposta de cruzar tramas e personagens com protagonismos separados por dia.

O melhor mérito da série, para mim, foi o de não cair no lugar comum das novelas, mostrando em todos os capítulos um trabalho muito rico no conteúdo – sua maior qualidade - e nos fazendo pensar e discutir a linha frágil que separa a justiça subjetiva da vingança.

A autora Manuela Dias foi muito criativa em dar um desfecho original e diferente a cada protagonista.

Maurício (Cauã Reymond) foi o único que conseguiu cumprir seu plano de vingança como planejado, sem sujar as mãos e mesmo tendo usado Vânia (Drica Moraes) para isso - o que custou a vida dela.

Fátima (Adriana Esteves), a única presa injustamente, teve um final feliz, ao ser pedida em casamento pelo mestre de obras/cantor Firmino (Júlio Andrade), que junto com seu vizinho que a tinha colocado atrás das grades Douglas (Enrique Diaz), a salvou de quase ser morta por policiais corruptos, que a acharcavam.

O pedido de casamento na sua derradeira cena, ao som de uma linda canção, me fez chorar muito, já que seu desfecho foi um sopro de esperança entre tantas histórias trágicas.

Mas a filha Mayara (Júlia Dalávia) não largou a prostituição...

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Mayara (Júlia Dalávia) 
Se Elisa (Débora Bloch) havia desistido de se vingar e no episódio final apareceu desmontando o quarto da filha assassinada, exorcizando o passado e livrando-se do que a incomodava, para depois ver Vicente estrebuchar ao seu lado, Débora (Luiza Arraes) a jovem estuprada, também se vingou.

Só que diferente de Elisa, Débora não conseguiu racionalizar a sua sede de vingança e ao longo de sua trajetória, foi mostrando o quanto insana ela era.

A imagem de Débora perambulando na estrada foi o mais triste dos desfechos.

Já sua amiga Rose (Jessica Ellen), que ficou presa por ser negra e por Débora, branca, ter fugido do flagrante, acabou unindo-se ao traficante Celso (Vladimir Brichta) que, indiretamente, foi um dos responsáveis por sua prisão.


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Rose (Jessica Ellen) e Celso (Vladimir Brichta)
Nada muito diferente da tão questionável atração - inclusive sexual - entre Elisa e Vicente - que movimentou a trama das segundas e chocou o público.

No desfecho da última história nesta sexta (23), o candidato a governador corrupto Antenor (Antonio Calloni) acabou preso após participação na morte da mulher Vânia (Drica Moraes).

Satisfeito com sua vingança, Maurício (Cauã Reymond) decidiu ir embora do Recife e acabou encontrando Débora (Luisa Arraes), que também tinha deixado a cidade após matar o estuprador Osvaldo (Pedro Wagner), na estrada.

Hostilizado em um restaurante após ter os crimes revelados na TV por Vânia, Antenor resolveu ir tirar satisfações com a mulher, agora refugiada em um hotel.

Ao descobrir que ela era amante de Maurício e que agiu sob influência do contador, o candidato a governador teve um acesso de raiva e partiu para a agressão.

Encurralada, Vânia se desequilibrou e acabou caindo da janela do quarto do hotel.

No funeral, Antenor acusou a mulher de ser alcoólatra e ter revelado as denúncias como vingança por ele ter tido um caso extraconjugal.

Filmado pelas câmeras de segurança do hotel, o político acaba preso acusado de matar Vânia e na cadeia, ele recebe a visita de Maurício, que finalmente revela o motivo de sua vingança: retaliação por Antenor não ter ajudado a socorrer Beatriz (Marjorie Estiano) após o atropelamento que a deixou paraplégica.

"Para você ver como é a justiça. Você cometeu vários crimes e vai ser preso por uma coisa que não fez", zombou Maurício.

Maurício finalmente conta o motivo da sua vingança

Apesar de também estar envolvido nos crimes do pai, Téo (Pedro Nercessian) sai impune, já que, após concordar em fazer uma delação premiada, ele anuncia sua candidatura.

"Estou me sentindo traído como todos os brasileiros", teve a desfaçatez de declarar diante das câmeras o jovem cara de pau.

O último episódio mostrou ainda como Kellen (Leandra Leal) roubou o dinheiro de Maurício e Celso,  antes de fugir com Douglas (Enrique Diaz).

Após espionar o ex-sócio e namorado, ela descobriu onde o contador guardava o dinheiro.

"Peguei meu FGTS", escreveu ela com batom vermelho, acima do buraco na parede onde Maurício guardava a grana, antes de partir.
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Enrique Diaz e Leandra Leal: casal sem vergonha
O roteiro instigante de “Justiça”, que tocou em temas espinhosos e por muitas vezes difíceis, como a corrupção policial, influência financeira e política, turismo sexual, eutanásia, estupro, racismo, entre outros, veio acompanhado de uma direção artística primorosa, de José Luiz Villamarim, com cenários reais do Recife, fotografia de Walter Carvalho e uma trilha sonora - que foi do clássico ao brega -  absolutamente extasiante.

A repercussão mostrou que quando a TV aberta oferece uma proposta original, de qualidade técnica e artística, e que nada fica a dever às melhores produções estrangeiras, da TV a cabo ou plataformas on demand e serviços de streaming, o público aplaude e prestigia.

Não à toa, mesmo sendo exibida tarde da noite, foi uma das maiores audiências da Globo no ano.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'JUSTIÇA'
Formato:
Minissérie
Gênero:
Drama
Duração:
35-45 minutos
Criador:
Manuela Dias
Diretor:
José Luiz Villamarim
Voz de:
Fernanda Montenegro (Chamadas)
Elenco Principal:
Adriana Esteves, Débora Bloch, Drica Moraes, Antonio Calloni, Julia Dalavia, Camila Márdila, Cássio Gabus Mendes, Enrique Díaz, Marjorie Estiano, Luisa Arraes, Vladimir Brichta, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Jéssica Ellen, Jesuíta Barbosa e Cauã Reymond
Tema de abertura:
Eduardo Queiroz
Onde:
Globo
Formato de exibição:
HDTV
Transmissão original:
22 de agosto - 23 de setembro de 2016
Nº de episódios:
20

COTAÇÃO DO KLAU: