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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

'QUE HORAS ELA VOLTA?': REGINA CASÉ, IRRESISTÍVEL E SENSACIONAL NUM DOS FILMES MAIS BELOS E POÉTICOS DO ANO


SINOPSE:

A pernambucana Val (Regina Casé) se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica.

Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando na casa de seus patrões.

Treze anos depois, quando o menino (Michel Joelsas) vai prestar vestibular, Jéssica (Camila Márdila) lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova.

Mas quando Jéssica chega, a convivência é difícil.

Ela não age dentro do protocolo "filha da empregada" esperado para ela, o que gera tensão dentro da casa.

Todos serão atingidos pela autenticidade de sua personalidade.

No meio desse fogo cruzado, dividida entre a sala e a cozinha, Val terá que achar um novo modo de vida.

CRÍTICA:

Nesse conturbado período pós-eleitoral, quando derrotados e representantes eleitos contestam as regras, as alianças e a estrutura do sistema político brasileiro, um filme raro, exemplar, chega sem maiores pretensões para discutir este Brasil  movamente dividido.

Misturando drama e comédia, 'Que Horas Ela Volta?', de Anna Muylaert - em exibição em 73 salas em todo o Brasil - consegue confrontar o Nordeste e o Sudeste, os ricos e os pobres, o Brasil segregacionista e a ideia de união nacional que tão duramente conquistamos nos últimos anos.

Regina Casé, de volta à atuação depois de muito tempo, interpreta Val, uma empregada doméstica pernambucana que mora há mais de uma década em São Paulo, na casa dos patrões.

Que Horas Ela Volta? : Foto
Regina Casé como Val, protagonista do longa - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Gullane Filmes
Dentro deste amplo lar de classe média-alta, Val é considerada “quase da família”, tendo criado os filhos dos patrões como se fossem os próprios.

O "quase" vem pelo fato de ela ainda fazer suas suas refeições em uma mesa separada, dormir num aperdadíssimo quartinho dos fundos e jamais ter entrado na grande piscina onde "a famíli"' se diverte.

A empregada doméstica foi o símbolo escolhido pela diretora para ilustrar a condescendência de certa elite que “acredita sinceramente ter sido feita para ocupar tal posição”, diz Anna Muylaert , que sempre brincou com as diferenças sociais, dando destaque à classe média. 

Às vezes, seu humor peculiar e absurdo se sai bem ('Durval Discos', 'É Proibido Fumar'), às vezes, força a mão na caricatura ('Chamada a Cobrar').

Aqui, porém, a diretoria apela para um fundo mais dramático e narrativamente mais convencional que os filmes anteriores, o que resulta na sua melhor obra, a mais doce e comovente, fugindo do maniqueísmo em que o jogo de opostos poderia facilmente desaguar.

O elemento que escancara essa falsidade entre patrões e empregados e sua dinâmica familiar é a chegada de Jéssica (Camila Márdila), filha de Val, à casa dos patrões, vinda de Pernambuco na intenção de se preparar para o vestibular.

Questionadora, ela é o elemento de subversão que coloca à luz a artificialidade daquela estrutura, que parecia natural tanto à família quanto a Val.

Que Horas Ela Volta? : Foto
Val repreende a filha, depois que ela ousa se banhar na piscina da casa
Como o visitante de 'Teorema', de Pasolini, a garota de passado misterioso chega para seduzir o pai e o filho, questionar a autoridade da patroa e desestabilizar a própria mãe.

O equilíbrio na representação é mantido graças ao excelente trabalho do elenco.

Regina Casé deixa de lado sua habitual histrionice e seus gestos corporais amplos para dar à sua Val uma feição mais simples, lenta, de quem desempenha as mesmas tarefas há décadas.

O humor de suas falas é irônico, mas simples, cotidiano, o que leva a sua personagem – e o filme – para o bem-vindo tom de crônica social.

Camila Márdila como a filha também tem uma atuação excepcional, tateando o terreno dentro da casa desconhecida e sutilmente ganhando espaço, como uma boa estrategista.

O casal interpretado por Karine Teles e Lourenço Mutarelli cumprem bem a imagem dos ricos e supostamente descolados, apesar de serem presos às convenções sociais.

Que Horas Ela Volta? : Foto
Val com os patrões, interpretados  por Lourenço Mutarelli e Karine Telles
Se o roteiro foca demais em alguns símbolos (o sorvete, as xícaras de café), isso corresponde à vontade de fazer deste lar um exemplo de milhares de outros lares nas mesmas condições e justamente por isso, pequenos símbolos são obrigados a ganhar uma importância maior do que normalmente teriam.

A atitude de Carlos (Mutarelli) em relação a Jéssica também surpreende, mas isso provavelmente se encaixa na cota de pequenos surrealismos que Muylaert gosta de embutir em suas histórias, como uma assinatura pessoal.

De qualquer modo, estes fatos não alteram o ritmo agradável da história, que levou a plateia às gargalhadas no Festival de Berlim (que lhe deu o prêmio de Melhor Filme), depois de também cativar o público em Sundance.

Foi em Sundance, aliás, que a atuação arrebatadora de Casé foi mais reconhecida: o festival criado por Robert Redford não tem o prêmio de 'Melhor Atriz' e nessa última edição, a categoria foi criada justamente para laurear Regina.

O público brasileiro, principalmente a grande maioria a favor das profundas mudanças societárias pelas quais o país vem passando, também se identificará com este filme, que marca o último trabalho do mestre Antonio Abujamra .

Muitas pessoas poderão ver na telona suas próprias famílias, ou as famílias de pessoas que conhecem.

Que Horas Ela Volta? : Foto Camila Márdila
Camila Márdilla como Jéssica
Sempre presentes nas cinematografias de outros países, as comédias de cunho social são raríssimas no cinema brasileiro, principalmente com a qualidade e profundidade desta pequena pérola, que merece ser vista e revista e que representa aquela faixa de mercado tão necessária e tão ausente na nossa cinematografia: a dos “filmes do meio”, que fica entre as pequenas obras herméticas do circuito de arte e os grandes arrasa-quarteirões da comédia popular.

Pelo respaldo que o longa vem tendo junto à mídia americana especializada, eu, se fosse da comissão que todo ano escolhe o filme brasileiro candidato ao Oscar, nem piscaria em mandar pro red carpet do maior prêmio do cinema esse filme simples, poético, de uma beleza e de uma verdade absolutas.

Filmaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'QUE HORAS ELA VOLTA?'
Gênero:
Drama
Direção e Roteiro: 
Anna Muylaert
Elenco:
Antonio Abujamra, Camila Márdila, Helena Albergaria, Karine Teles, Lourenço Mutarelli, Luis Miranda, Michel Joelsas, Regina Casé, Theo Werneck
Produção:
Anna Muylaert, Débora Ivanov, Fabiano Gullane, Gabriel Lacerda
Fotografia:
Bárbara Álvarez
Montador:
Karen Harley
Trilha Sonora:
Fábio Trummer
Duração:
114 min.
Ano:
2015
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia:
27/08/2015 (Brasil)
Distribuidora:
Pandora Filmes
Estúdio:
África Filmes / Globo Filmes / Gullane Filmes
Classificação:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

FESTIVAL DE BERLIM 2015 : JAFAR PANAHI LEVA URSO DE OURO E BRASILEIRO 'QUE HORAS ELA VOLTA?' É O MELHOR PELO PÚBLICO


Com a última exibição do documentário "Cobain - Montage of Heck" às 23h deste domingo (15), a Berlinale encerrou sua 65ª edição.

Em 2015, o Festival de Berlim exibiu 400 filmes e recebeu 310 mil espectadores, dez mil a mais do que no último ano, reafirmando seu status de maior público em festivais de cinema.

A première  mundial de "Cinquenta Tons de Cinza", a volta dos diretores alemães Wim Wenders e Werner Herzog com produções de elenco hollywoodiano, a onipresença de James Franco e o Urso de Ouro para Jafar Panahi por seu "Taxi" foram os principais destaques.

Ponto alto também foi a estreia do brasileiro "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert  e estrelado por Regina Casé - favorito do público entre 60 filmes.

Nicole Kidman, Natalie Portman e Christian Bale passaram pelo tapete vermelho em uma edição mais morna em relação ao último ano, quando Lars Von Trier e Shia LaBeouf criaram polêmicas na estreia de "Ninfomaníaca - Parte 1".

Nicole Kidman no red carpet de Berlim - AFP
Os exageros do cinema americano foram levados com ironia  - prova disso foram as risadas da crítica na première mundial de "Cinquenta Tons de Cinza" de Sam Taylor Wood e na primeira cena de Robert Pattinson em "Queen of The Desert", quando o galã da saga "Crepúsculo" surgiu vestindo um pomposo turbante.

Entre as ficções brasileiras, as atenções se voltaram para a comédia "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert, e do melancólico "Ausência", de Chico Pinheiro.

O comentário geral é de que as duas produções são reflexo das mudanças políticas e sociais do país, tocando em temas como o PEC das domésticas, falhas da educação e as ausências na vida de um jovem pobre que amadurece precocemente.

Em 2014, o público escolheu "Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho", de Daniel Ribeiro.

Red carpet à frente do Palácio dos Festivais em Berlim, onde acontece todos os anos a Berlinale - AFP
Confira agora o que de melhor rolou nessa 65ª edição da Berlinale:

JAFAR PANAHI LEVA URSO DE OURO POR 'TÁXI' - VEJA OUTROS GANHADORES

O cineasta iraniano Jafar Panahi levou o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim.

Proibido de filmar pelo governo de seu país, Panahi rodou em segredo o longa-metragem, que se passa dentro de um táxi no Irã, com o diretor interpretando o motorista e pegando passageiros diversos pelas ruas de Teerã.

Aos 54 anos, Panahi é celebrado pelos cinéfilos em todo o mundo, mas está proibido de realizar sua atividade no Irã, onde o regime considera subversiva sua visão crítica da sociedade.

Ele foi detido por causa de um documentário que estava filmando sobre os distúrbios a respeito da polêmica eleição presidencial de 2009 e foi proibido de fazer novos filmes por 20 anos "por atentado contra a segurança do Estado e ato de propaganda contra o regime".

Sobrinha de Panahi, Hanna Saeidi sobe ao palco e se emociona  ao receber em nome do tio o Urso de Ouro - prêmio máximo da Barlinale - Yahoo News
"Taxi" é o terceiro filme que Panahi dirige após a condenação.

Confira um clipe de 'Táxi':


Apesar de não ter permissão de viajar ao exterior, o iraniano foi muito aplaudido em Berlim e recebeu estímulo para seguir desafiando a proibição.

O longa também foi eleito melhor filme pela Federação Internacional de Críticos de Cinema (FIPRESCi) entre os 19 aspirantes da seção em competição do Festival de Berlim.

Em 2013, o iraniano já havia vencido o Urso de Prata pelo filme "Cortinas Fechadas".

Presidido por Darren Aronofsky - diretor de "Cisne Negro" - o júri do festival alemão premiou ainda a atriz Charlotte Rampling e o ator Tom Courtney, além do diretor Pablo Larrain, vencedor do Grande Prêmio do Júri por "The Club".

A atriz Charlotte Rampling aceita seu Urso de Prata de Melhor Atriz - Miami Herald
O prêmio de melhor roteiro foi para o documentário "The Pearl Button", de Patricio Guzman.

'A QUE HORAS ERA VOLTA' LEVA PRÊMIO DO PÚBLICO E OUTROS LONGAS BRASILEIROS TAMBÉM FORAM MUITO ELOGIADOS

Sem filmes concorrendo na competição oficial, o cinema brasileiro participou da 65ª edição da Berlinale nas Mostras Panorama, Generation e Forum - mas isso não quer dizer que a seleção tenha sido desprestigiada.

O público do festival esgotou sessões de "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert, para quem deu o prêmio de melhor filme do festival.

"Ausência", de Chico Teixeira, foi igualmente elogiado, com o público participando ativamente dos debates com o diretor no final da exibição.

Ambas as histórias mostram de alguma forma as questões sociais pelas quais o país está passando.

Estrelado por Regina Casé, "Que Horas Ela Volta" conta a história de Val, que deixa uma filha pequena no Nordeste e parte em direção a São Paulo, onde se emprega na casa de uma família e acaba sendo uma "segunda mãe" do filho do casal.

Treze anos depois, a sua filha Jessica (Camila Márdila, também premiada no festival por sua performance), vai ao encontro da mãe para prestar vestibular.

Wieland Speck, curador da Panorama, diz que viaja anualmente para o país e neste ano queria mostrar "que o Brasil não é mais aquele lugar onde os mais ricos fazem filmes sobre os mais pobres".

Para ele, a seleção "apresenta um retrato atual das mudanças no cenário brasileiro político e social brasileiro".

O comentário geral é de que o Brasil exibiu sua seleção mais interessante em 2015.

"'Que Horas Ela Volta?' prova que uma comédia por ser engraçada e ao mesmo inteligente e sutil", comentou o jornalista francês Malik Berkati.

Em artigo no espanhol "La Vanguardia", é mencionado que o filme mostra "uma sociedade em processo de mudança com amostras de uma emancipação das classes menos privilegiadas."

Veja o trailer de 'Que Horas Ela Volta?':


Em entrevista no fim da última exibição de "Ausência", a estudante alemã Ilwyn Siwsiay, 29, disse que este "é um filme muito autêntico na forma que ele transporta os sentimentos de perda e solidão. O garoto tentando ter amor de qualquer um e sendo rejeitado, foi muito difícil de ver. Mas é um filme muito importante para que as pessoas vejam como crianças crescem em uma atmosfera onde não podem criar uma personalidade saudável."

Chico Pinheiro contou que "Ausência" veio de uma aposta em suas observações em São Paulo.

Roteiro que surgiu no Co-Production Market da Berlinale, o longa mostra a solidão adulta dos jovens brasileiros que amadurecem cedo por causa das obrigações e necessidades da família. 

"Esse filme mostra um garoto que está entrando na vida pela porta dos fundos. Esse filme veio de uma inquietação minha. Não quero falar de favela e tiros. Me interessa falar de gente, do ser humano, da complexidade que é a humanidade. Todo mundo é traído, é abandonado, não é fácil viver", comentou.

Para a catalã Carlota Monsegui, o longa do carioca "poderia ser o melhor da Berlinale".
Ela escreve que "a presença do Brasil no festival foi fundamental para esta edição".

"Nas quatro sessões principais, temos títulos muito interessantes, como 'Beira-Mar'. Mas a grande revelação veio com 'Ausência', um filme que mostra uma extrema crueldade humana."

"Beira-Mar", da dupla iniciante Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, foi exibido como parte da mostra Forum, que destacou as dificuldades e abusos que os adolescentes sofrem nos dias de hoje.

De Lírio Ferreira, "Sangue Azul" foi exibido também na Panorama.

O grupo de amigos John Ewald, 28, Christian Becker, 29, e Allan Griegs, 25, disse que o filme é bonito, mas não surpreende.

"Trouxe meus amigos porque visitei Fernando de Noronha, e gostei muito das cenas no início e da fotografia. Mas depois não entendi, para que tanto sexo?", questiona Ewald.

Para Lírio, "'Sangue Azul' é uma expedição de ficção científica sobre o cinema, sobre o circo e sobre a impossibilidade do amor".

"Estamos passando por uma transição muito forte na forma de fazer cinema. Dos últimos cinco anos para cá o cinema tem passado por mudanças tecnológicas muito grandes. A presença do circo é uma metáfora: É um arte que já 'capengou' e que foi se reinventando. E o cinema está vivenciado um processo semelhante, de reinvenção."

'CINQUENTA TONS DE CINZA', RECEBIDO COM DEBOCHE PELA CRÍTICA E HISTERIA DOS FÃS

Com cosplay de Christian Gray, adolescentes histéricas e descaso da crítica, a adaptação cinematográfica do soft pornô de E. L. James estreou como assunto paralelo no festival.

O ator Jamie Dornan, no red carpet de Berlim - Getty Images
Mesmo sem ter mostrado a que veio,o protagonista Jamie Dornan assinou autógrafos em pôsteres e tirou selfies com as fãs  dos gritos mais estridentes, em sua passagem pelo tapete vermelho do festival.

TERRENCE MALICK APRESENTOU SEU PIOR FILME

Para a "Variety", "o sétimo longa do diretor Terrence Malick é vazio como o estilo de vida que exibe".

A 'BBC' considerou "Knights of Cups" como o pior filme do recluso cineasta, com um roteiro déjà vu sobre a superficialidade da vida em Los Angeles e um personagem principal raso.

Christian Bale e Natalie Portman em Berlim - AFP
Os protagonistas do longa são Natalie Portman e  Christian Bale.

O ator, que começou a filmar com Malick na mesma semana em que acabou de rodar 'O Cavaleiro das Trevas Ressurge' - disse em encontro com jornalistas que improvisou nas cenas e atuou sem roteiro no drama.

URSO DE OURO PARA JAFAR PANAHI REAFIRMA VIÉS POLÍTICO DA PERLINALE

"Ele criou uma carta de amor ao cinema", disse o presidente do júri, Darren Aronofsky, ao entregar o Urso de Ouro para a pequena Hanna Saeidi, sobrinha do iraniano Jafar Panahi, no momento mais emocionante da premiação que aconteceu neste sábado (14), no Berlinale Palast.

O diretor americano Darren Aronofsky, presidente do júri da Berlinale 2015 - Contact Music
Justificando a escolha do júri, o curador Dieter Kosslic disse que a "Berlinale é e sempre foi um festival político."

'VICTORIA': RODADO AO VIVO E SEM EDIÇÕES, É O FILME ALEMÃO DE 2015

Em um ano com estreias de grandes nomes do cinema alemão, como "Everything Will Be Fine", de Wim Wenders, e "Queen of The Desert", de Werner Herzog, um filme de baixo orçamento e muita criatividade foi o mais elogiado pelo público e pela crítica.

Vencedor do prêmio de Contribuição Artística Excepcional, "Victoria" é um "Corra, Lola, Corra" contemporâneo, mas chamou a atenção pela forma como foi produzido.

O longa de Sebastian Schipper foi filmado em plano sequência e em único take de 160 minutos, um thriller que levou apenas três filmagens para ser finalizado.

Lala Costa beija o diretor Sebastian Schipper - The Local
Com roteiro improvisado cena a cena, o longa acompanha a trajetória de 24 horas de Victoria (a espanhola Lala Costa) que se envolve com um grupo de quatro jovens alemães e é persuadida a dirigir o carro da fuga em um assalto a um banco.

A ONIPRESENÇA DE JAMES FRANCO

Era difícil caminhar pelas ruas da Potsdamer Platz, onde o festival é realizado, sem esbarrar em algum dos pôsteres de divulgação do festival com o rosto de James Franco.

Situação semelhante aconteceu nas telonas, onde o ator protagonizou os longas de Wenders e Herzog, a produção independente "I Am Michael" e a exibição paralela de "A Entrevista".

James Franco no Red carpet de Berlim - Contact MusicEm entrevista, Franco diz que este é um reflexo de diferentes trabalhos que está perseguindo.
"As pessoas gostam de dizer que são muitas coisas, mas eu vejo que tudo que faço está conectado de uma forma ou de outra. E atrás de tudo isso está meu interesse em coisas diferentes e perseguir novas formas de criatividade, de reinventar e encontrar novas abordagens. Seja na produção, na escrita ou na direção, elas são apenas saídas alternativas."

Ao mesmo tempo que interpreta quatro personagens diferentes - um escritor, o amante de uma grande aventureira, um ex-ativista gay e um jornalista vaidoso - a impressão é de que os seus esforços para se desenvolver como ator são grandes, mas nas telas o efeito ainda é praticamente o mesmo, com atuações muito semelhantes.

Mas que ele sabe causar, sabe!

A MULHER NO CINEMA E CENSURA FORAM PAUTAS IMPORTANTES

A Berlinale anunciou antecipadamente seu esforço em criar uma edição mais feminista e esse foi o assunto que pautou as discussões.

A espanhola Isabel Coixet - que fez a abertura com "Nobody Wants The Night" - comentou que "não se limita cinema pelo gênero".

Já a diretora polonesa Malgorzata Szumowska preferiu comemorar: 
"Sou diretora, sou mulher e estou aqui hoje", comentou ao receber o Urso de Prata de Melhor Direção com o drama performático "Body".

A diretora polonesa Malgorzata Szumowska aceita seu Urso de Prata - UK News/Yahoo
A censura também foi um tema recorrente nas discussões com a imprensa.

Diretor do elogiado longa mexicano sobre os amores do cineasta soviético Serguei Einsenstein, Peter Greenway comentou a censura de seu filme na Rússia, que negou ter proibido o roteiro.

"Nós sabemos sobre a censura que acontece no seu país. Vamos nos perguntar porque a Rússia nunca fez um bom filme sobre Eisenstein? Porque ele é homossexual", discutiu com o repórter russo que insistia em dizer que não existe censura na Rússia - sen-sa-cio-nal!

CONVIDADA PARA DEBATE SOBRE LIBERDADE DE EXPRESSÃO, 'CHARLIE HEBDO' RECUSA, MAS ENVIA CARTUM PARA A BERLINALE

O Cinema Fund, evento paralelo à Berlinale que arrecada fundos e incentiva a produção cinematográfica sobre a paz, convidou os jornalistas do "Charlie Hebdo" para uma conversa sobre liberdade de expressão.

A revista recusou enviando um desenho onde uma pomba branca com um galho de oliveira na boca pergunta: "Você está falando comigo?".

 Integrantes da banda punk Pussy Riot em Berlim - Interaksyon
No mesmo evento, integrantes da banda punk Pussy Riot fizeram uma homenagem ao artista chinês Ai Weiwei, que deu um depoimento em vídeo.
*****
Até o ano que vem!!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A SEMANA NO CINEMA


O astro de 'O Corvo', Brandon Lee, faria 50 anos nessa semana, se não tivesse morrido nas filmagens - confira matéria especial.

Veja também: Kevin Spacey no novo filme de Barry Sonnenfeld ('MIB'); Angelina Jolie, quer seu marido Brad Pitt como protagonista do seu novo longa;  Regina Casé como melhor atriz do Festival de Sundance; os ganhadores do principal prêmio de animação, o Annie Awards - e mais!

Confira:
BAFTA: MIKE LEIGH SERÁ HOMENAGEADO PELO CONJUNTO DE SUA OBRA
*****
ANNIE AWARD 2015: 'COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 2' DOMINA PRINCIPAL PRÊMIO DA ANIMAÇÃO
*****
FESTIVAL DE SUNDANCE: REGINA CASÉ LEVA PRÊMIO DE MELHOR ATRIZ
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ANGELINA JOLIE QUER BRAD PITT COMO PROTAGONISTA DE SEU PRÓXIMO FILME
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'BEN-HUR': RODRIGO SANTORO FALA SOBRE INTERPRETAR JESUS CRISTO NO REMAKE
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DIRETOR JOSS WHEDON DIZ QUE FALTAM SUPER-HEROÍNAS NO CINEMA
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'X MEN: APOCALYPSE': SOPHIE TURNER FALA SOBRE INTERPRETAS JEAN GREY
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'STAR WARS': DISNEY REVELA DATAS DE LANÇAMENTO DOS EPISÓDIOS 8 E 9 - MICHAEL FASSBENDER PODE SER BOBA FETT NO 'SPIN OFF'
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ATOR DE 'VELOZES & FURIOSOS' QUER SER O NOVO LANTERNA VERDE DO CINEMA
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'NINE LIVES': KEVIN SPACEY ENTRA PARA ELENCO DA COMÉDIA DO DIRETOR DE BARRY SONNENFELD
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ESPECIAL - BRANDON LEE: ATOR DE 'O CORVO' FARIA 50 ANOS NESSA SEMANA
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Veja:
BAFTA: MIKE LEIGH SERÁ HOMENAGEADO PELO CONJUNTO DE SUA OBRA

O diretor britânico Mike Leigh, do recente 'Mr. Turner', vai receber o prêmio especial do BAFTA, um reconhecimento da "contribuição notável e excepcional para o cinema, televisão e jogos", revelou a organização do evento, considerado o principal prêmio britânico.

Sir Charlie Chaplin, Steven Spielberg, Stanley Kubrick e Martin Scorsese já receberam o reconhecimento.

No ano passado a multitalentosa Dame Helen Mirren (Oscar por 'A Rainha) foi lembrada pelos votantes.

O diretor Mike Leigh - Divulgação/Bafta

O diretor é muito querido pelos críticos, pelo mainstream do cinema e é presença constante em festivais e premiações.

'Segredos E Mentiras', 'O Segredo De Vera Drake', 'Agora Ou Nunca' e o já citado 'Mr. Turner' estão entre seus sucessos recentes.

ANNIE AWARD 2015: 'COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 2' DOMINA PRINCIPAL PRÊMIO DA ANIMAÇÃO

O Annie Award, principal prêmio das animações, revelou os vencedores da edição de 2015 e quem levou para casa o maior número de troféus foi 'Como Treinar O Seu Dragão 2', que faturou seis no total.

O longa da Fox traz novamente Soluço e seu dragão, Fúria da Noite, em uma nova aventura.

Agora, os dois precisam proteger o mundo do perigoso Drago Bludvist, que deseja controlar todas as espécies de dragões existentes.

Pôster brasileiro da animação - Fox

Ignorado pelo Oscar, 'Uma Aventura Lego' também não foi bem no Annie e levou apenas o prêmio de melhor roteiro.

Banner do Annie Award 2015 - Divulgação

Confira abaixo a lista dos ganhadores das principais categorias do 42º Annie Award:

MELHOR ANIMAÇÃO - LONGA-METRAGEM:
Como Treinar o Seu Dragão 2

MELHOR ANIMAÇÃO - CURTA-METRAGEM:
O Banquete

MELHOR PRODUÇÃO PARA A TV - INFANTIL:
Gravity Falls

MELHOR PRODUÇÃO PARA A TV - GERAL:
Os Simpsons

MELHOR PRODUÇÃO PARA VIDEOGAME:
Valiant Hearts: The Great War

FESTIVAL DE SUNDANCE: REGINA CASÉ LEVA PRÊMIO DE MELHOR ATRIZ

Único filme brasileiro na competição oficial do Festival de Sundance, o longa dirigido por Ana Muylaert 'Que Horas Ela Volta?' rendeu o prêmio de melhor atriz para Regina Casé.

No filme, ainda inédito no Brasil, ela interpreta Val, uma mulher que deixa o Nordeste para se tornar empregada doméstica no Sudeste.

Uma grande mudança acontece quando sua filha vem à cidade para prestar vestibular, acentuando as diferenças e preconceitos existentes nas famílias brasileiras.

Regina Casé como Val, em cena de 'Que Horas Ela Volta?' - Divulgação

Ana Muylaert, de longas como 'É Proibido Fumar e Durval Discos', teve seu novo filme exibido em sessão única na competição e foi aplaudido de pé.

A estreia no Brasil deve acontecer no segundo semestre.

ANGELINA JOLIE QUER BRAD PITT COMO PROTAGONISTA DE SEU PRÓXIMO FILME

Depois de 'Invencível' - ainda em exibição aqui no Brasil, Angelina Jolie já tem seu próximo projeto de direção.

Será o épico 'África', que é baseado no roteiro de Eric Roth e a relata luta do arqueólogo Richard Leakey com caçadores, para impedir a extinção dos elefantes africanos e a perda da alma do continente.

E para o papel principal, Jolie quer nada menos que Brad Pitt, seu marido na vida real.

Os dois só trabalharam juntos em 2005 - na comédia de ação 'Sr. E Sra. Smith', onde Jolie roubou de vez Pitt de Jennifer Aniston.

Jolie e Pitt, no dia do seu casamento - Divulgação

'África' deve ser produzido por David Ellison, Dana Goldberg, Jon Peters e pela própria Jolie.

Ainda não há previsão para o início das filmagens.

'BEN-HUR': RODRIGO SANTORO FALA SOBRE INTERPRETAR JESUS CRISTO NO REMAKE

Rodrigo Santoro se reuniu com a imprensa na tarde de quarta (28.1), no Rio de Janeiro, para divulgar o thriller 'Golpe Duplo', em que atua ao lado de Will Smith e Margot Robbie.

Além de falar do novo filme, o ator falou a notícia de que ele estava negociando para interpretar Jesus Cristo no remake de 'Ben-Hur'.

"Foi feito o convite. O que está acontecendo é que eu já estava contratado para fazer a série Westworld, para a HBO. Então, as duas produções estão num exercício para verificar as questões das datas, para ver se não vai haver conflito. Ainda não tenho uma confirmação sobre isso", destacou.

O ator Rodrigo Santoro - UOL

Questionado sobre como se sente com a possibilidade, o ator afirmou:

"Eu acho que é uma responsabilidade do tamanho do mundo. Literalmente. É um personagem com um arquétipo fortíssimo. É um remake do clássico, então a história não é centrada no Jesus. Mas só a possibilidade de vivenciar e tentar compreender um pouco o que ele passou já é uma experiência."

'Golpe Duplo' chega aos cinemas brasileiros no dia 26 de fevereiro.

DIRETOR JOSS WHEDON DIZ QUE FALTAM SUPER-HEROÍNAS NO CINEMA

Em uma entrevista realizada antes do anúncio dos filmes solo 'Capitã Marvel' e 'Mulher Maravilha' (mas que só foi revelada agora), o diretor do sucesso de bilheteria 'Os Vingadores' falou sobre a falta de filmes de heroínas no cinema, além de admitir que a Fox, e não a Disney,  está com as melhores personagens da Marvel.

Falando ao Digital Spy, enquanto ainda rodava 'Vingadores: Era de Ultron' no ano passado, Joss Whedon acabou compartilhando um pouco de sua opinião sobre a falta de filmes protagonizados por heroínas.

As coisas mudaram um pouco desde então (graças aos longas citados acima), mas ainda assim são poucas as opções.

“É um fenômeno na indústria que chamamos de ‘pessoas estúpidas’. Há um genuíno, intratável e teimoso sexismo, e uma misoginia antiquada e silenciosa que continua. Você escuta ‘Oh, isso não funciona por causa daqueles dois filmes ruins feitos há oito anos.’ Sempre tem uma desculpa”, desabafou o diretor, se referindo, obviamente, a 'Supergirl' 'Elektra' e 'Mulher-Gato' - todos os três muito ruins.

O diretor Joss Whedon - Digital Spy

Whedon também não teve medo de criticar a Marvel/Disney, dizendo que eles deviam seguir em frente e dar os holofotes para uma heroína feminina - que é exatamente o que estão fazendo agora, com 'Capitã Marvel'.

“A Marvel está na posição de fazer um anúncio simplesmente de fazer um filme feminino, que eu acho que seria uma coisa boa a se fazer. Mas tem que ser um bom filme, e tem que ser uma boa personagem, e a maioria das personagens boas na Marvel tem os direitos com a Fox, vamos ser sinceros!”  - disse ele, se referindo a heroínas como Kitty Pryde, Tempestade, Mulher Invisível e Jean Grey - todas na Fox.

Joss Whedon tem razão - e essa entrevista só foi revelada depois da revelação de que ele não será diretor de 'Vingadores: Guerra Infinita'.

Whedon poderia assumir o filme solo da Capitã Marvel?

Vamos aguardar.

'X MEN: APOCALYPSE': SOPHIE TURNER FALA SOBRE INTERPRETAS JEAN GREY

A Sansa da série 'Game of Thrones' agora também é a Jean Grey de 'X-Men: Apocalypse'.

Durante o SAG Awards - premiação do sindicato de atores - ela falou ao Access Hollywood sobre o papel e sua reação ao saber que seria uma super-heroína.

Sophie foi perguntada sobre o que fazia quando o diretor Bryan Singer anunciou a escalação oficial para Jean Grey, Ciclope (Tye Sheridan) e Tempestade (Alexandra Shipp) no twitter:

“Eu estava descendo do carro e a caminho de uma audição. E então minha agente disse: ‘Já sabe da notícia?’ ‘Não. Que notícia?’ Então ela disse: ‘Confira seu twitter.’ Então eu conferi e lá estava… ‘Parabéns Jean Grey…’ Então eu comecei a chorar e estraguei toda a audição, porque eu estava tipo ‘Eu não consigo falar!'”

Sophie Turner e Jean Grey - Mirror.com/UK

Turner disse também que não faz ideia de quando começam as filmagens, mas que viu a interpretação de Famke Janssen nos filmes anteriores:

“Ela é incrível. Então estou realmente tentando emular ela, porque ela fez um trabalho incrível e eu espero fazer justiça a essa personagem fantástica.”

Antes de finalizar a entrevista, ela disse que interpretar Jean Grey ao lado de Tye Sheridan como Ciclope “deve ser divertido”.

Além de Sheridan, Turner e Shipp, outra novidade no elenco é Oscar Isaac, que interpreta o vilão que dá nome ao filme.

'X-Men: Apocalypse' chega aos cinemas no dia 27 de maio de 2016, dirigido por Bryan Singer.

'STAR WARS': DISNEY REVELA DATAS DE LANÇAMENTO DOS EPISÓDIOS 8 E 9 - MICHAEL FASSBENDER PODE SER BOBA FETT NO 'SPIN OFF'

O CEO da Disney, Bob Iger, divulgou em um comunicado aos acionistas as datas de lançamento de 'Star Wars: Episódios VIII e IX', na mesma semana em que o ator Michael Fassbender liderou as apostas para ser o Boba Fett no programado 'spin off'.

De acordo com o The Wrap, Iger revelou aos investidores que 'Star Wars: Episódio VII' chegará em 2017 e o 'Episódio IX', em 2019 - com Rian Johnson seguindo cotado para assumir a direção do primeiro.

Dirigido por J.J.Abrams, a sétima parte, 'Star Wars: O Despertar da Força' chegará aos cinemas em 18 de dezembro deste ano.

Michael Fassbender e Boba Fett - iKiwiz

Ainda nessa semana, Agora que está praticamente certo que Tatiana Maslany (da série 'Orphan Black') será a estrela do primeiro spin-off de 'Star Wars', a produção procura um protagonista masculino para o segundo filme.

Segundo o site iKiwiz, Michael Fassbender deve assinar com a Disney para interpretar Boba Fett.

Ainda segundo o site, o longa deve se passar tempos depois de 'Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança' e contará em detalhes o relacionamento entre Han Solo, Boba Fett e outros criminosos - como os Hutts.

A direção deve ser de Gareth Edwards, responsável pelo remake 'Godzilla'.

ATOR DE 'VELOZES & FURIOSOS' QUER SER O NOVO LANTERNA VERDE DO CINEMA

O ator da franquia 'Velozes & Furiosos' Tyrese Gibson está fazendo de tudo para ser escalado como o protagonista de 'Lanterna Verde', que será lançado em 2020.

Há dias ele está publicando dezena de imagens com montagens dele mesmo em como o personagem da DC Comics em seu perfil no Instagram e uma das mais recentes imagens mostra o ator na porta dos estúdios Warner Bros., com a legenda:

"Eu não falo... Eu ajo... #WB #MissãoLanternaVerde"

Uma das imagens que o ator vem postando - Instagram de Tyrese Gibson

A Warner não se pronunciou sobre o assunto.

Antes de Gibson, rumores apontavam que Dwayne Johnson poderia viver o herói, mas o astro - colega de elenco de Tyrese em 'Velozes & Furiosos 7' - foi escalado para outro filme da Warner Bros./DC Comics, 'Shazam', onde vai interpretar o Adão Negro.

Nos quadrinhos da DC, diversos personagens já assumiram a identidade do Lanterna Verde: o último a encarnar o herói nos cinemas foi Ryan Reynolds - como Hal Jordan em 'Lanterna Verde' (2011).

Gibson pode viver John Stewart, o Lanterna Verde negro, o que indicaria uma mudança no rumo da franquia.

'NINE LIVES': KEVIN SPACEY ENTRA PARA ELENCO DA COMÉDIA DO DIRETOR DE BARRY SONNENFELD

Bi campeão do Oscar e do Globo de Ouro, Kevin Spacey assinou contrato para participar de 'Nine Lives', nova comédia do diretor da trilogia 'MIB - Homens De Preto', Barry Sonnenfeld.

Com o roteiro de Daniel Antoniazzi e Ben Shiffrin, o longa segue um executivo viciado em trabalho que, ao sofrer um acidente, vai incorporar no corpo do gato de estimação da família.

O ator Kevin Spacey - The Hollywood Reporter

Essa não será a primeira vez que o astro da série 'House Of Cards' interpreta um personagem não humano: Spacey emprestou a sua voz para o vilão Hopper, da animação 'Vida De Inseto'.

O longa de Sonnenfeld ainda não tem data de estreia.

ESPECIAL - BRANDON LEE: ATOR DE 'O CORVO' FARIA 50 ANOS NESSA SEMANA

Nessa semana, mais precisamente em 01 de fevereiro, Brandon Lee, um dos mais promissores atores de Hollywood nos anos 1990, completaria 50 anos se não tivesse morrido de modo trágico nas filmagens de 'O Corvo'.

O excelente jornalista Roberto Sadovski lembrou da data, e escreveu um lindo texto para o UOL.

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Brandon Lee, em foto promocional

Confira um resumo:

Ao concluir 'Rajada de Fogo', filme de ação que protagonizou em 1992, Brandon Lee sabia que carregava a tocha de um legado imortal: a do seu pai, Bruce Lee, ainda o maior astro de artes marciais da história.

No ano anterior ele havia estreado no cinema hollywoodiano em 'Massacre no Bairro Japonês', ao lado de Dolph Lundgren e seu charme natural, além da habilidade física e do talento nato como ator, apontavam para uma carreira sólida.

Ao lado de Jean Claude Van Damme, Brandon surgia como um respiro para o cinema de gênero – com a vantagem do sobrenome poderoso que seu colega belga não tinha.

'O Corvo', rodado em 1993, seria seu grande papel, o filme que o colocaria no caminho dos grandes.

Caminho que foi interrompido por uma bala.

Na madrugada de 31 de março de 1993, com oito dias para finalizar a fotografia principal de 'O Corvo', Brandon Lee se preparava para filmar a morte de seu personagem, Eric Draven.

Na cena a ser rodada pelo diretor Alex Proyas, Draven entraria em seu apartamento e se deparava com sua noiva, espancada e violentada por uma quadrilha de sádicos.

Surpreendido, um dos criminosos, Fun Boy, interpretado por Michael Massee, dispararia sua pistola Magnum 44 em Eric.

O problema é que a arma anteriormente havia sido carregada com cartuchos falsos, balas sem pólvora, para um insert na ação.

Ao disparar estes cartulhos e “limpar” a arma, uma bala ficou presa no cano e quando Massee apontou e disparou a pistola então carregada com festim (que tem pólvora, mas não o projétil), a bala foi empurrada com uma força semelhante à de uma 44 normal, atingindo o ator no estômago.

A equipe percebeu que algo estava errado quando Lee não levantou depois de Proyas cortar a cena.

Levado imediatamente ao hospital, Brandon passou seis horas em cirurgia, mas não resistiu: aos 28 anos, o herdeiro de uma tradição poderosa, um astro com um futuro brilhante, um jovem com casamento marcado para menos de vinte dias, estava morto.

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Brandon Lee, em cena de 'O Corvo'
A produção foi interrompida e a cena, registrada em filme, foi usada na investigação policial e, posteriormente, destruída.

Imediatamente após sua morte, as teorias mais estapafúrdias começaram a circular: que era uma vingança da máfia chinesa pela recusa de Lee em filmar na pátria de seu pai; que era a continuação da “maldição” da família, que havia levado Bruce Lee décadas antes.

O motivo, no fim, foi vergonhosamente simples: desatenção, a falta de cuidado da equipe, o que levou a noiva de Brandon, Eliza Hutton, a liderar uma campanha para uma maior rigidez nas regras sobre armas de fogo em sets de filmagem.

Michael Masse, que puxou o gatilho, afastou-se da indústria e ficou um ano sem trabalhar como ator – até hoje ele diz ter pesadelos sobre o dia fatídico.

'O Corvo' foi finalizado, com o roteiro rescrito para acomodar a ausência de Brandon - que só tinha mais três dias de filmagem - e efeitos digitais foram usados para colocar seu rosto no corpo de dublês para finalizar algumas cenas chave.

Quando o filme, uma adaptação da série em quadrinhos independente de James O’Barr, chegou aos cinemas em maio de 1994, carregou consigo uma aura maldita e trágica mas, ainda assim, tornou-se um sucesso inesperado, faturando 50 milhões de dólares só nos Estados Unidos, dobrando o orçamento inchado para 23 milhões após a morte de seu protagonista.

Confira o trailer de 'O Corvo':


Com muita personalidade, 'O Corvo' é uma aventura gótica, violenta e romântica, que deve muito de seu sucesso ao enorme carisma de Brandon – nenhuma de suas continuações conseguiu uma fração de seu sucesso e reconhecimento e um remake atualmente está no limbo do desenvolvimento, já que perdeu seu protagonista, Luke Evans.

Quando assisti a 'O Corvo', o cinema ainda não sabia exatamente o que fazer com a vontade do público em ver adaptações de histórias em quadrinhos: ao lado de 'Rocketeer', 'O Máskara' e 'O Sombra', o filme de Alex Proyas é uma cápsula do tempo de estilo e substância, carisma e narrativa.

O mundo ainda não via o “filme baseado em gibi” como um gênero, mas a aventura que lançaria o jovem astro, e que terminou sendo seu epitáfio, apontou um caminho.

Imortalizado em seus 28 anos, com o rosto pintado de branco e o sorriso de quem sabe que está saltando para o estrelato, Brandon Lee deixou a vida por acaso, uma tragédia que cravou seu nome na história.
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Até +!