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sábado, 11 de setembro de 2010

FESTIVAL DE VENEZA CHEGA AO FIM, COM LAUREADOS JÁ SABIDOS E ALGUMAS SURPRESAS

Final da tarde aqui no Brasil, noite já alta em Veneza.

Foi uma grande "ação entre amigos" as premiações da 67ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, beneficiando principalmente os norte-americanos que predominavam na competição, com seis concorrentes.

O júri presidido pelo diretor - americano - Quentin Tarantino premiou Sofia Coppola com o Leão de Ouro de Melhor Filme, pelo drama “Somewhere” - e inventou um segundo Leão de Ouro especial - pelo conjunto de sua obra - para outro norte-americano, o veterano Monte Hellman, que concorreu com o experimental
“Road to Nowhere”- um filme tão inventivo e complexo que mesmo seus atores confessaram não tê-lo entendido na coletiva de imprensa.

Foto: AFP - Arte Final das fotos: Cláudio Nóvoa

Sofia Coppola recebe o Leão de Ouro de Melhor Filme, por "Somewhere"

A premiação para estes dois - a primeira, ex namorada, o segundo amigo de Tarantino - , representantes do cinema independente dos EUA, desmentiu as apostas de que as principais premiações iriam para o espanhol Álex de la Iglesia – que no final, venceu mesmo dois prêmios importantes, os de melhor direção e roteiro, com sua frenética tragicomédia política “Balada Triste de Trompeta” – e do russo “Silent Souls”, de Aleksei Fedorchenko - que teve levou o troféu de Melhor Contribuição Técnica - fotografia, assinada por Mikhail Krichman.

Assista ao trailer original de "Somewhere":


Outra aposta - esta confirmada - foi a premiação como Melhor Ator para o norte-americano Vincent Gallo, como protagonista do drama polonês - mas também com dinheiro norueguês, húngaro e irlandês - “Essential Killing”, do veterano Jerzy Skolimowski, que arrebatou também outro prêmio importantíssimo, o Especial do Júri.

Como Gallo não frequenta tapetes vermelhos, foi o diretor Skolimowski quem subiu ao palco da Sala Grande, no Palazzo del Cinema, para fazer o agradecimento mais irônico dos últimos tempos:
“Tenho a certeza de que Vincent vai agradecer a seu diretor, roteirista e ao produtor que foi procurar o dinheiro para pagar seu salário”.
O diretor falava, claro, de si mesmo, já que desempenhou todas essas funções para concretizar o drama, que retrata a situação-limite de um afegão - Gallo - fugitivo de uma prisão militar clandestina em plena Europa.
No papel, essencialmente físico e expressivo, Gallo não diz uma só palavra.

AFP
O diretor espanhol Álex de La Iglesia recebe o prêmio osella de melhor roteiro por "Balada Triste de Trombeta"

De la Iglesia recebeu o prêmio das mãos do diretor e roteirista mexicano Guillermo Arriaga, que elogiou o filme espanhol "que nos fez amar os palhaços, deixando uma marca em todos nós".

O filme convenceu o júri com um retrato delirante e extravagante do franquismo e das duas Espanhas.

"Estes dias em Veneza foram os melhores da minha vida", declarou o cineasta, ao receber o prêmio.

O filme, o único da Espanha competindo pelo Leão de Ouro, leva o espectador para 1937, em plena Guerra Civil espanhola, e inicia uma revisão original da história recente da Espanha através de dois palhaços desfigurados, Javier e Sérgio, o triste e o feliz, que entram em confronto pelo amor de uma acrobrata.

Getty Images
O espanhol agora recebe o Leão de Prata de Melhor Direção e homenagem por Melhor Roteiro

A premiação da jovem atriz francesa Ariane Labed com a Copa Volpi de melhor interpretação feminina - pelo filme grego “Attenberg”, de Athina Rachel Tsangari - , foi surpresa, já que as apostas eram na cubana Yahima Torres, protagonista do forte drama francês “Venus Noire”, de Abdellatif Kechiche, ou mesmo em Alba Rohrwacher, do concorrente italiano “La Solitudine dei Numeri Primi”, de Saverio Costanzo.

O júri preferiu a jovem Ariane que, segundo o jurado Gabriele Salvatores, “carrega nas costas boa parte do peso do filme”.
Na história, Ariane interpreta uma jovem de 23 anos que se divide entre assumir a própria sexualidade - ela ainda é virgem - e a doença fatal de seu pai, numa Grécia contemporânea e cética em relação ao seu passado histórico.
AFP
Ariane Labed recebe o Prêmio de Melhor Atriz, a Copa Volpi, por sua atuação em "Attemberg"

Outra jovem atriz premiada foi Mila Kunis, coadjuvante do drama norte-americano “Black Swan”, de Darren Aronofsky, que abriu o festival, no último dia 1º.
Foi dado a Mila o Prêmio Marcello Mastroianni, dedicado a um intérprete novato - não necessariamente estreante, como é o caso de Mila, uma ucraniana de 27 anos que tem feito sucesso no cinema dos EUA, em filmes como a aventura de ação “O Livro de Eli”, ao lado de Denzel Washington.
Ela mandou seu agradecimento por um filmete, que foi exibido na premiação.

Apesar das apostas de parte da crítica, os concorrentes orientais, como os até aqui bem-cotados chineses “Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame”, de Tsui Hark, e o político “The Ditch”, de Wang Bing nada ganharam.

Os franceses - como “Venus Noire” e a elogiada comédia “Potiche”, de François Ozon -, e os quatro concorrentes italianos - “La Pecora Nera”, “Noi Credevamo”, “La Passione” e o citado drama de Saverio Costanzo - também nada levaram de Veneza, o mesmo acontecendo com o único latino-americano da seleção principal, o sólido drama político chileno “Post Mortem”, de Pablo Larraín.

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Confira os vencedores dos principais prêmios do Festival de Veneza 2010:

LEÃO DE OURO DE MELHOR FILME
- "Somewhere" dirigido por Sofia Coppola (EUA)

LEÃO ESPECIAL (PRÊMIO PELA CARREIRA)
- Monte Hellman por "Road to Nowhere" (EUA)

LEÃO DE PRATA (MELHOR DIRETOR)
- Alex de la Iglesia por "Balada Triste de Trompeta" (Espanha)

PRÊMIOS ESPECIAL DO JURI
- "Essential Killing" dirigido por Jerzy Skolimowski (Polônia)

MELHOR ATRIZ
- Ariane Labed em "Attenberg" (Grécia)

MELHOR ATOR
- Vincent Gallo em "Essential Killing" (Polônia)

REVELAÇÃO
- Mila Kunis in "Black Swan" (EUA)

MELHOR ROTEIRO
- "Balada Triste de Trompeta", escrito e dirigido por Alex de la Iglesia (Espanha)

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Confira mais imagens da premiação em Veneza
:

Getty Images


Membros do júri Luca Guadagnino, Danny Elfman, Arnaud Desplechin, Gabriele Salvatores, Ingeborga Dapkunaite, Quentin Tarantino (presidente) e Guillermo Arriaga chegam para noite de premiação do Festival de Veneza

Getty Images

Tarantino premia Monte Hellman com um Leão de Ouro especial, pelo conjunto da sua obra

Getty Images

Sofia Coppola mostra seu Leão de Ouro de Melhor filme ao público, que acompanhou do lado de fora a premiação

Getty Images

O diretor Skolimowski recebe o Prêmio especial do Júri, por "Essential Killing"

AFP

O diretor Seren Yuce com seu Prêmio leão do Futuro, ganho já na estreia de seu primeiro filme

Getty Images

O diretor Riee Rosen, com seu prêmio da mostra "Horizontes", por "Tse"


AFP

O cineasta russo Aleksei Fedorchenko, com seu Prêmio de Melhor Fotografia, por "Ovyanski"


Getty Images

Jerzy Skolimowski recebe o Prêmio Especial do Júri, por "Essential Killing"

AFP

Allan Sekula, Prêmio Especial do Júri da mostra "Horizontes", por "Forgotten Space"

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Agora, só nos resta aguardar para ver nas telonas brasileiras os concorrentes e os premiados.

Até 2011!


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CRÉDITOS DAS POSTAGENS "FESTIVAL DE VENEZA 2010":
AFP
AP
GETTY IMAGES
Site Oficial do Festival de Veneza
Site da prefeitura da Cidade de Veneza
UOL


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

PAUL GIAMATTI BRILHA EM ADAPTAÇÃO DE LIVRO BEST SELLER, O ÚLTIMO ALEMÃO E MAIS UM AMERICANO ENCERRARAM HOJE AS EXIBIÇÕES DOS CONCORRENTES

PAUL GIAMATTI BRILHA EM ADAPTAÇÃO DE
LIVRO BEST SELLER

Com uma grande atuação de Paul Giamatti - no filme "Barney's Version", do canadense Richard Lewis - terminou nesta sexta-feira a exibição de obras na mostra competitiva da 67ª edição do Festival de Veneza.

A livre adaptação do premiado romance homônimo de Mordechai Richler respeita o humor negro, cínico e autoirônico de seu protagonista, o judeu canadense Barney Panofsky, interpretado de maneira genial por Giamatti - famoso por sua atuação em "Sideways" e "Anti-Herói Americano".

As memórias de Barney, desde a época em que levava uma vida boêmia - no filme ambientada em Roma em vez de Paris - até chegar aos 60 anos rico, fã de uísque e charuto, são narradas através de fragmentos, como no livro.

As três mulheres que marcaram sua existência para o bem ou para o mal estão na tela: Clara, a primeira esposa, a segunda senhora Panofsky e finalmente Miriam.

Outra figura presente é o pai de Barney - interpretado por um divertido
Dustin Hoffman, que não apareceu em Veneza.

Foto: Divulgação
Paul Giamatti e Dustin Hoffman, em cena do filme

A suspeita do suposto assassinato do melhor amigo, e as aventuras com outras mulheres passam a um segundo plano no longa, que nas mãos de Lewis - famoso como diretor de vários episódios da série "CSI" - ressalta o amor pela tranquila Miriam e a ironia judaica.

O retrato cinematográfico de um dos personagens mais adorados da literatura contemporânea canadense - o livro foi best seller - escrito por Richler pouco antes da morte em 2001 aos 70 anos, foi um grande desafio.
"Não queria arruinar um tesouro nacional", disse o diretor na entrevista coletiva, hoje em Veneza.

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ALEMÃO E AMERICANO ENCERRAM AS EXIBIÇÕES

Os dois últimos filmes em competição - "Drei" do alemão Tom Tykwer e "Road to Nowhere" do americano Monte Hellman - também entraram para lista de favoritos ao Leão de Ouro.

Hellman, 78 anos - que descobriu Jack Nicholson e Harrison Ford e produziu o primeiro filme de Quentin Tarantino, presidente do júri este ano - retorna à direção após 25 anos com um cult, um thriller romântico e um "filme dentro do filme".

Protagonizado pela misteriosa Shannyn Sossamon, o filme descreve de forma desordenada, mas com belas imagens, as obsessões de um diretor de cinema que descobre um escândalo político, um homicídio e se apaixona por uma atriz.
O longa, aplaudido pela crítica, reitera uma ideia que ronda o cine experimental e de autor há décadas: narrar uma história a partir das enigmáticas filmagens.

Já o filme do alemão Tykwer, talentoso diretor de "Corra Lola, Corra", mostra como sem querer começa um triangulo amoroso.

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O Leão de Ouro será anunciado amanhã à noite, em cerimônia oficial no Palácio do Cinema do Lido.

O júri, formado por vários cineastas, entre eles o mexicano Guillermo Arriaga e o italiano Gabriele Salvatore, e presidido por Tarantino - estrela da mostra - terá que decidir entre os 24 filmes exibidos na competição oficial.

Entre os favoritos - segundo o jornal da mostra, que entrevistou 21 críticos - estão o chileno "Post Mortem", de Pablo Larraín, o nostálgico russo "Silent Souls", de Alexei Fedorchenko, e a comédia francesa "Potiche", de Francois Ozon.
"Venus Noire", do francês Abdellatif Kechiche, chamou a atenção, mas são poucas as chances da produção levar um prêmio importante, porque dividiu a crítica e deve dirividir o júri também.

Na competição principal, a predominância de títulos norte-americanos - que são seis - começando por "Somewhere", de Sofia Coppola, com Benicio del Toro e Stephen Dorff no elenco.
Fazem parte dessa safra: "Promises Written in Water", de Vincent Gallo, "Miral", de Julian Schnabel, "Road to Nowhere", de Monte Hellman, "Meek's Cutoff", de Kelly Reichardt, e "Black Swan", de Darren Aronofsky.

A presença européia sempre é forte, e, nesse ano, não foi diferente.

São quatro italianos: Saverio Costanzo - "La Solitudine Dei Numeri Primi", com Isabella Rossellini -,Ascanio Celestini - "La Pecore Nera" - , Mario Martone - "Noi Credevamo", com Toni Servillo - e Carlo Mazzacurati - "La Passione", com Silvio Orlando e Stefania Sandrelli.

Os franceses são representados por François Ozon - "Potiche", estrelado pela Diva Catherine Deneuve e Gerard Depardieu - , Abdelattif Kechiche - "Venus Noire" - , e Antony Cordier - "Happy Few", com Elodie Bouchez e Roschdy Zem.

Da Espanha, e estrelado por Carmem Maura, temos "Balada Triste de Trompeta" - de Alex de la Iglesia - , e da Alemanha, "Drei", novo trabalho do premiado Tom Tykwer - diretor de "Corra Lola, Corra".

Rússia e Grécia comparecem igualmente com um solitário concorrente: "Silent Souls", de Aleksei Fedorchenko, e "Attenberg", de Athina Rachel Tsangari, respectivamente.

No bloco asiático estão "13 Assassins", de Takashi Miike - diretor do polêmico "Três... Extremos" -, e "Norwegian Wood", dirigido pelo vietnamita Tran Anh Hung - diretor do cult "O Cheiro da Papaia Verde". "Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame" de Tsui Hark também é bem cotado.

"Barney's Version", de Richard J. Lewis, uma coprodução canadense-italiana, completa a seleção.

Amanhã é o grande dia!



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

OS ITALIANOS NÃO EMPOLGAM, E OS JAPONESES ENCANTAM

O MELHOR CINEASTA JAPONÊS EM ATIVIDADE EXIBIU HOJE SUA SEGUNDA OBRA EM VENEZA 2010

O cineasta japonês Takashi Miike apresentou, nesta quinta-feira, seu filme "13 Assassins" - um resgate da era dos samurais - afirmando que criou o filme tendo em mente a educação das novas gerações.

"O que realmente me assusta é que as pessoas não sabem que esta é a história do nosso passado recente", lamentou Miike, sobre o drama de ação, ambientado no Japão feudal de meados do século XIX.

"A história não se passa no passado remoto, mas em um passado mais recente, que nossos bisavós viveram", afirmou.
"É algo que deve ter acontecido na vida real".

Foto: Divulgação
Cena do filme "13 Assassins"

Ao perceber que o filme original foi "feito para a geração do meu pai", Miike disse ter pensado "o que nós, uma outra geração, poderíamos fazer".
Para ele, é triste que "o cinema japonês possa ter esquecido como lidar com estes filmes de época".

Seu filme é um remake de ação - de um filme de 1963, rodado pelo falecido Eiichi Kudo - surpreendentemente fiel ao gênero para um diretor conhecido por seu estilo mais leve, onde ele aborda a ascenção ao poder do sádico Lorde Naritsugu e de um elaborado plano suicida para assassiná-lo.

Doze samurais têm o apoio de um 13º guerreiro, Koyata - interpretado pelo mega galã Yusuke Iseya - , armado apenas com um estilingue, para dar comicidade ao longa.
A fita evolui para terminar em uma cena final de combate digna de um 'blockbuster'.

Getty Images
O galã Yusuke Iseya, hoje em Veneza

Um cineasta tão prolífico quanto versátil, Miike também exibiu em Veneza "Zebraman", uma paródia de filmes de super-heróis, apresentado fora da competição.
Zebraman é um super-heroi cheio de defeitos, cuja missão é defender "a paz, a Justiça e o jeito japonês de viver".

Miike disse o filme se inspirou em seu programa favorito na infância - o mega cult "National Kid".
"Realmente sofri influência dele. Em 'Zebraman', a mensagem é que se você acredita em alguma coisa, ela vira realidade", acrescentou.

Quero ver os dois. A-do-ro os filmes de Miike!

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SAVÉRIO CONSTANZO EXIBIU SEU NOVO FILME

Também nesta quinta foi exibido na mostra competitiva "The Solitude of Prime Numbers" - do italiano Saverio Costanzo.

O filme é sobre um vínculo entre dois jovens assombrados por traumas da infância, e se baseou no primeiro romance de Paolo Giordano, que ficou famoso na Itália ao ganhar o prêmio de literatura Strega, o mais respeitado do país.

O filme é uma interpretação fiel do livro, exceto pelo uso de flashbacks ao invés da narrativa cronológica. "Tentamos fazer tudo acontecer no momento afetivo. Não há dias, há apenas o momento afetivo", disse Constanzo.

Getty Images
O diretor Saverio Constanzo, hoje em Veneza

Enquanto Mattia - Luca Marinelli - se tortura com a culpa pelo desaparecimento de sua irmã gêmea com problemas mentais, Alice - Alba Rohrwacher - é torturada por uma lesão incapacitante na perna, provocada por um acidente durante treino de esqui, o qual ela atribui ao pai por pressioná-la demais para se tornar uma campeã.

Eles se aproximam, mas não muito, assim como os números primos, que são separados apenas por um outro número, como 5, 7, 11 ou 13.
Ambos reagem punindo seus próprios corpos: Mattia fere a si mesmo, enquanto Alice vira anoréxica.

O escritor, co-roteirista do longa ao lado de Costanzo, disse ter conseguido se desapegar imediatamente do romance.
"Eu não senti qualquer repetição, parei de pensar nele como um produto meu, e deixei Saverio seguir seus instintos", explicou Giordano.

O filme ainda conta com a participação da Diva Isabella Rossellini.

Divulgação
Isabella Rossellini e Alba Rohrwacher em cena de "The Solitude of Prime Numbers"

Esse eu também quero ver.

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FILMES ITALIANOS TEM RECEPÇÃO MORNA

Os quatro filmes italianos que participam da competição oficial não obtiveram grande interesse, e nenhum deles está sendo visto como candidato sério ao Leão de Ouro - o prêmio máximo do Festival de Veneza, que será entregue no sábado.

O mais aplaudido pela imprensa italiana foi "We Believed", de Mario Martone, um épico de 3,5 horas de duração sobre os anos que levaram à unificação da Itália como Estado único, no século 19.

Mas, apesar de contar com alguns dos atores mais respeitados do país e de oferecer algumas indicações de como aquele período influenciou a Itália contemporânea, o filme não cativou os críticos estrangeiros.

Outro filme muito comentado antes do festival - que já foi a grande vitrine do cinema italiano - foi justamente o exibido hoje - "The Solitude of Prime Numbers", de Saverio Costanzo.

"The Black Sheep" - a estreia do comediante Ascanio Celestini como diretor - foi elogiado pela crítica italiana e estrangeira por sua história pessoal sobre o mundo das instituições para doentes mentais.

Mas parece que nenhum dos temas deve impressionar o presidente do júri do festival, Quentin Tarantino, que irritou a indústria cinematográfica do país, três anos atrás, quando disse que o novo cinema italiano é "deprimente".

"Os filmes recentes que tenho visto são todos iguais. Falam de garotos crescendo, ou garotas crescendo, ou casais em crise, ou férias de deficientes mentais", disse ele na época.

A única comédia italiana pura na competição, "The Passion", de
Carlos Mazzacurati, não se enquadra na categoria "deprimente", mas, a julgar pelas primeiras resenhas, tampouco foi bem recebida.

O cinema italiano tem presença grande em Veneza este ano, com 43 produções sendo vistas nas diversas seções, de modo que a falta geral de entusiasmo será ainda mais decepcionante para uma indústria que nutria altas esperanças, após o sucesso de "Gomorra" e "Il Divo" em Cannes, dois anos atrás.

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Fontes: Reuters, AP, UOL, Getty Images e site oficial do Festival de Veneza

Redação Final: Cláudio Nóvoa

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

BIOGRAFIA DE ABERRAÇÃO AFRICANA, E A MODÉSTIA DOS AFFLECK BROTHERS

Biografia de africana considerada "aberração" agita Veneza

Um filme baseado na história verídica de Saartjie Baartman, uma mulher trazida da região que hoje é a África do Sul para a Europa no início do século 18 e exibida como aberração da natureza por causa de sua aparência, impressionou as plateias em Veneza.

"Venus Noire", dirigido pelo tunisiano Abdellatif Kechiche, é um dos 24 filmes da competição principal do festival, e as reações positivas após as sessões para a imprensa sugerem que seja um dos favoritos para os prêmios que serão entregues na cerimônia de encerramento, no sábado.

Yahima Torres faz o papel de Baartman, a chamada "Vênus hotentote" que viajou para Londres em 1810 e a Paris alguns anos depois na esperança de fazer fortuna e retornar a sua terra.

O filme, que recorda alguns aspectos de "O Homem Elefante", de 1980, começa com Baartman fazendo o papel de selvagem amansada diante de uma multidão agitada em Londres que demonstra ao mesmo tempo repulsa e fascínio por sua aparência e comportamento.

Ao mesmo tempo escrava de um senhor avarento e participante de uma atividade lucrativa, Baartman tinha algum controle sobre seu destino.
Mas, depois de mudar-se para Paris, sua exposição tornou-se cada vez mais cruel e humilhante, e ela morreu como prostituta.

Após sua morte, cientistas franceses examinaram seus restos mortais, conservando cérebro e genitais para a posteridade e teorizando que ela seria mais próxima dos macacos que dos humanos europeus -- logo, que seria de uma raça inferior.

Para Kechiche, a história de crueldade e intolerância tem repercussões até hoje.
"Acho que não é coincidência que as teorias de cientistas do passado repercutam e tenham repercutido até muito recentemente, por exemplo, no surgimento do fascismo na Europa", disse o diretor a repórteres em Veneza.
"Senti que eu tinha o dever moral de testemunhar as coisas que continuam a acontecer até hoje."
"Neste momento particular no tempo, estou muito preocupado, até angustiado com as imagens que vejo das expulsões", disse ele, referindo-se à repatriação recente de ciganos da França para a Europa oriental.
"Quero dizer que, infelizmente, o filme faz parte da sociedade contemporânea, é muito relevante para a sociedade contemporânea."

Kechiche se interessou em fazer um filme sobre Baartman quando a África do Sul pediu à França que devolvesse os restos mortais dela, que até meados dos anos 1970 estavam expostos no Museu do Homem, em Paris.
Os restos mortais foram devolvidos à África do Sul em 2002 e sepultados na província do Cabo, onde Saartjie Baartman nasceu.

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Irmãos Affleck promovem batalha de confetes em Veneza

Durante a entrevista coletiva do ator Ben Affleck, na manhã de hoje, algumas palavras e expressões eram repetidas, por ele e pelo resto da equipe, quase feito mantra.

"Foi uma grande oportunidade" e "Foi fantástico" são algumas delas.

Quem apenas ouvisse a entrevista, sem ter visto o filme que ele dirigiu e mostrou em veneza - "The Town" - deixaria a sala certo de que Affleck fez um dos grandes filmes de todos os tempos.
E não só ele. Ele e seu irmão, Casey Affleck, que trouxe "I'm Still Here" também.

Claudio Onorati/Efe
Joaquin Phoenix em Veneza; ela participa de "I'm Still Here", filme dirigido por Casey Affleck

"Tudo que posso dizer é que o filme dele é espetacular. Ele é um grande diretor", afirmou Ben.
Casey, há dois dias, também havia falado - bem - do irmão.
Lindo, né? Um irmão jogando confetes no outro...

Sobre o próprio trabalho - um filme de ação passado num bairro de Boston chamado Charlestown - ele tampouco foi modesto em referências e entusiasmo.

Divulgação
Ben Affleck, nas filmagens de "The Town"

Ben contou ter tentado reproduzir o clima dos filmes de gângster da Warner - da década de 30 - e ao mesmo tempo contar uma história de alguém que tentar mudar de vida, mas não pode mais.

Diretor, protagonista e também roteirista, Ben participa fora de concurso com uma das grandes produções americanas que melhor foi recebida na Cidade dos Canais, e em cujo elenco figura também a britânica Rebecca Hall - a Vicky de "Vicky Cristina Barcelona".

Baseado no romance "Prince of Thieves", de Chuck Hogan, conta a história de um experiente grupo de ladrões de bancos de Boston.
O cérebro do grupo é o personagem interpretado por Ben, Doug MacCray, quem vê seu destino mudar quando conhece mais a fundo a diretora de um dos bancos que ataca.

"Me perguntei se (com o filme) estava glorificando um personagem criminoso ou glorificava a violência. Esta pergunta era importante. As consequências morais eram importantes. Mas tentei ser preciso e também o mais complexo possível", comentou Ben Affleck em entrevista coletiva em Veneza.

Ele estreou como diretor em "Medo da Verdade" (2007), e reconheceu ter se inspirado no filme "Gomorra" - sobre a máfia napolitana, baseado no livro do jornalista italiano Roberto Saviano.

Vamos esperar para conferir se Ben Affleck é melhor diretor do que é ator, já que seu filme de 2007 é muito ruim.

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Entrevista coletiva de Ben Affleck foi a mais concorrida do Festival

Para rivalizá-lo, só mesmo seus colegas de Hollywood, como Natalie Portman e Sofia Coppola que, apesar de ter feito um filme independente e de ar mais europeu, tem um sobrenome que não nega sua origem.

Tony Gentile/Reuters
Ben Affleck na coletiva de lançamento de seu novo filme, "The Town"

A sala lotada, com gente de pé, nos corredores, chamou a atenção especialmente porque, uma hora antes, durante a entrevista coletiva de Marco Bellochio, um dos grandes cineastas em atividade, a sala tinha metade dos lugares vagos, graças à tempestade que, na manhã de hoje, mais uma vez, deixou o Lido debaixo d'agua e alagou uma parte do Palazzo Del Cinema.

Mas o medo da chuva, pelo visto, só atinge o cinema autoral.

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Confira o dia a dia do festival de Veneza através de imagens:



terça-feira, 7 de setembro de 2010

"VARIETY" APOSTA EM FILME CHINÊS, TERROR ESPANHOL DEVE AGRADAR TARANTINO, HISTÓRICO ITALIANO,SURPRESA GREGA E A CONCORRÊNCIA DO FESTIVAL DE TORONTO

"Detective Dee" mantém a dianteira nas apostas da "Variety"

A bolsa de apostas da edição diária da revista “Variety” - especial de Veneza - aponta algumas mudanças na eleição dos favoritos a levar o Leão de Ouro este ano.

Resultado de consultas com jornalistas italianos e estrangeiros, a tabela da “Variety” vem consagrando nos últimos dias “Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame”, uma suntuosa aventura histórica, de artes marciais e muitos efeitos especiais, dirigida pelo veterano diretor de ação de Hong Kong, Tsui Hark (“Caçadores de Vampiros”).

Foto: Divulgação
Cena de "Detective Dee...", de Tsui Hark

O filme atingiu a nota 7,6, quase empatado com o drama político chileno “Post Mortem" e a comédia italiana “La Passione”, de Carlo Mazzacurati, ambos atingindo nota 7.5.

Divulgação
Cena de "Post Mortem"

Muito elogiados, o drama “Somewhere”, de Sofia Coppola (EUA) e a comédia francesa “Potiche”, de François Ozon, caíram para quarto lugar nas preferências do júri da “Variety”, com cotação 7,2.

Ontem, o filme - surpresa desta seleção - “O Fosso”, de Wang Bing, apareceu em terceiro lugar, e causou polêmica na coletiva de imprensa, quando o diretor fez questão de dizer: “Não creio que seja um filme de protesto ou denúncia. Eu o fiz para recordar e respeitar a memória destas pessoas”.

Indagado se, por este conteúdo crítico, a produção poderá ser censurada na China, Bing chegou a alterar o tom de voz para responder: “Não existe, para mim, filme clandestino ou oficial. Este é o fruto do meu trabalho, do meu esforço em manter minha liberdade criativa. Não tenho que pensar se vai ser exibido ou não”.

Ainda é muito cedo para fechar as apostas, pois tudo pode mudar a partir da projeção dos concorrentes da reta final, como os três exibidos na segunda.

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Filme Espanhol é a cara do Tarantino

“Balada Triste de Trompeta” - único candidato espanhol da disputa pelo Leão de Ouro - é uma frenética mistura de drama e comédia de humor negro do diretor Álex de la Iglesia - de “Perdita Durango” e “Crime Ferpeito”.
Um candidato que, pela sua dose de sangue e devoração de referências pop, tem cara de que vai agradar muito ao presidente do júri principal, Quentin Tarantino.

Divulgação
Cartaz de "Balada Triste..."

A história começa durante a Guerra Civil espanhola, em 1937, quando um palhaço - Santiago Segura - é convocado, contra a vontade, pelos republicanos, para lutar contra os franquistas.
Anos depois, é seu filho, Javier - Carlos Areces - quem será palhaço num circo, ainda durante o franquismo.
E formará, com outro palhaço, Sergio - Antonio de La Torre - e a acrobata Natalia - Carolina Bang - um triângulo amoroso fatal.

Na coletiva de imprensa, o diretor definiu o filme como “uma história de amor, louco, mas amor. E também de humor e horror”.
Indagado sobre a razão de sua referência à Guerra Civil – que o diretor, de 45 anos, não viveu diretamente –, Iglesia declarou: “Temos um passado muito doloroso que, de várias formas, condiciona o presente. Vivemos essa guerra (a Guerra Civil) através de nossos pais, de nossos avós. Isso muda nossa vida, assim como destroça o protagonista do filme”.

Para Iglesia, “Balada triste de trompeta” é, justamente, sua tentativa de um “exorcismo ritual” desse passado espanhol.
“Esta é minha maneira de arrancar de mim esse passado, para enterrá-lo, através da ironia, do humor negro”, explicou.

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Filme Grego, boa surpresa

“Attenberg” - da diretora grega Athina Rachel Tsangari - foi uma boa surpresa entre os concorrentes.

Combinando uma leveza na condução da câmera e dos atores que lembra o espírito da Nouvelle Vague francesa dos anos 60, a diretora e roteirista compõe na tela a história de Marina - Ariane Labed - jovem de 23 anos que ainda é virgem, procura descobrir o sexo e tem de confrontar-se com a iminente morte do pai, Spyros - Vangelis Mourikis.

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Filme Italiano, longuíssimo e histórico

Num estilo bem diferente, veio o terceiro candidato italiano, o longuíssimo “Noi Credevamo” - de Mario Martone, com 3h24 de duração - que passou em revista o processo de unificação da Itália, no século XIX.

Com muito fôlego, um elenco cheio de nomes conhecidos, como o italiano Luigi lo Cascio - “Os 100 passos” - Toni Servillo - “Gomorra” - e a inglesa Fiona Shaw - “Harry Potter e a Ordem do Fênix - mas uma dificuldade clara de comunicação com um público que não tenha conhecimento profundo daquele período histórico.

Muito pesadão.

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Apesar de crise, Festival luta para se manter na mídia

A escassez de grandes nomes do cinemão americano, os custos altos de Veneza - um prato de espaguete custa 35 Euros! -, a concorrência acirrada de Toronto - mais perto e, portanto, mais acessível ao pessoal de Hollywood - tudo isso está levando o Festival de Cinema de Veneza a lutar para conservar sua posição de um dos eventos mais prestigiosos do cinema mundial.

O próprio local em que o festival está sendo realizado é temporário - o novo Palazzo do Cinema, local principal das exibições, só deve ficar pronto em 2012.

Com a crise financeira recente ainda se fazendo sentir, e tanto a indústria cinematográfica quanto a mídia em clima de reduções de custos, a Mostra del Cinema, nome oficial do festival, está sentindo os efeitos da concorrência com o festival de Toronto, que coincide em parte com o de Veneza e está exibindo muitos dos mesmos filmes.

Sua localização na América do Norte, os custos mais baixos e a presença de tantos executivos cinematográficos fazem de Toronto uma alternativa mais barata e tentadora para os estúdios ansiosos por divulgar seus filmes, no momento em que começa a disputa não oficial pelas premiações de cinema.

No momento em que Veneza - o festival de cinema mais antigo do mundo - chegava à metade, a maioria dos observadores concordava que a programação deste ano no Lido está forte, mas que talvez lhe falte a obra-prima definitiva que marca os melhores anos.

Mas diretores como Clint Eastwood, Robert Redford e Danny Boyle optaram por estrear seus filmes mais recentes em Toronto - lá, o festival começa em 9 de setembro.

Marco Mueller, o respeitado diretor do festival de Veneza, acredita que os dois eventos podem continuar a coexistir.

Ele fez questão de observar que achou que alguns filmes que serão vistos em Toronto não tinham qualidade suficiente para Veneza, especialmente quando vêm acompanhados de condições impostas pelos estúdios.
Por exemplo, ele rejeitou "The American" - com George Clooney, campeão da bilheteria americana no último fim de semana - cujos produtores queriam que o filme inaugurasse o festival.

Em vez disso, Mueller optou por diretores mais jovens e por nomes de Hollywood vistos como outsiders.

Os astros vistos no tapete vermelho do Lido - essenciais para alimentar o interesse da mídia - incluíram até agora Natalie Portman, a Diva Catherine Deneuve e Quentin Tarantino, mas isso está longe das edições do festival vistas no passado, repletas de estrelas.

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Confira as imagens do dia a dia em Veneza:


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O CHINÊS "O FOSSO" - FORTE CANDIDATO, CURTA BRASILEIRO, DOCUMENTÁRIO SOBRE JOAQUIN PHOENIX E A FALTA DE ASTROS EM VENEZA

Infelizmente, "O Fosso" nunca será exibido nas telonas chinesas

Um filme chinês contundente - sobre a situação de presos políticos em campos de trabalhos forçados no final dos anos 50 - agradou aos críticos em Veneza na segunda-feira, alguns dos quais o apontaram como candidato forte ao prêmio máximo do festival.

"O Fosso" conta a história pouco conhecida - de cerca de 3 mil pessoas condenadas à "reeducação" em campos de trabalhos forçados na extremidade do deserto de Gobi, no oeste da China, e lutando para sobreviver às condições climáticas extremas e à escassez de comida.

Tachadas pelo governo de inimigos de direita por terem feito críticas ao Partido Comunista, mesmo que suaves, ou simplesmente em função de suas origens, muitas delas morreram de fome, doenças ou exaustão nos fossos que lhes serviam de dormitórios.

O diretor Wang Bing passou três anos buscando sobreviventes e carcereiros dos campos de Jiabingou e Mingshui para fazer o filme, integrante inesperado da competição principal - por motivos óbvios, sua participação só foi revelada na segunda-feira.

Foto: Divulgação
Cena do filme "O Fosso", de Wang Bing

"Há dez, talvez 20 anos, o cinema independente chinês vem focando sobretudo os problemas sociais das classes trabalhadoras mais pobres da China contemporânea", diz Bing nas notas de produção do filme.

"'O Fosso' talvez seja o primeiro filme a tratar diretamente do passado político da China contemporânea, que ainda é um tema tabu.'

Aplaudido calorosamente na sessão para a imprensa, o filme dificilmente será lançado na China.

Mas Bing disse esperar que o filme seja uma oportunidade para chineses mais jovens, como ele -que nasceu em 1967 - aprenderem sobre o passado de seu país.

Rodado como um documentário, "O Fosso" foca os últimos três meses de vida em um campo anexo para onde foram levados em 1960 os 1.500 presos que haviam sobrevivido até então, num momento em que uma seca assolava todo o país.

Forçados inicialmente a arar 4 mil hectares de terra árida no meio do nada, mais tarde eles são deixados à míngua em dormitórios subterrâneos, enquanto a comida vai acabando e muitos não conseguem mais se conservar em pé.

Quando as autoridades finalmente decidiram enviar os presos para casa, apenas 500 pessoas tinham sobrevivido à experiência.

"Tudo o que é mostrado no filme aconteceu realmente no campo. Nada foi inventado ou acrescentado", disse Bing, que usou muitos atores amadores neste seu primeiro longa-metragem.
Antes, ele dirigiu vários documentários.

"O Fosso" é um dos 24 títulos que competem pelo prêmio máximo do Festival de Veneza - o Leão de Ouro - que será entregue no sábado.

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"O Mundo é Belo", Curta brasileiro, é exibido na Seleção "Orizzonti"

O curta-metragem brasileiro "O Mundo É Belo", do cineasta Luiz Pretti, foi apresentado nesta segunda na seleção "Orizzonti".

O curta - de nove minutos - aborda os desejos que o ser humano experimenta na juventude.

Paulo Filho/Divulgação
O diretor brasileiro Luiz Pretti

O tema envolveu o diretor Luiz Pretti de tal forma, que ele chegou à conclusão de que tinha um sentimento de amor para com a juventude.

"Quando comecei com isso, me dei conta que realmente era um sentimento de amor", declarou o cineasta em entrevista coletiva no Festival.

"Pouco a pouco, comecei a experimentar um sentimento que me fez entender o que queria. E finalmente se transformou tudo em uma obra", comentou Pretti, que é carioca, mas reside no Ceará.

A entrega dos prêmios dessa seleção paralela do Festival de Veneza também será realizada no último dia do evento, no próximo sábado.

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Joaquin Phoenix cultua a própria queda em documentário

Não são poucas as celebridades que têm exposto em público, sua descida ao inferno, e já foi bastante discutido o papel da mídia em casos como os de Britney Spears ou Michael Jackson, por exemplo.

O ator Joaquin Phoenix está litros de tinta atrás de Spears e Jackson em termos de aparições em tabloides, mas teve, em 2008, seu momento de "problemático da vez".

O filme "I'm Still Here", exibido pela primeira vez na manhã de segunda, fora de competição, acompanha esse momento.

Divulgação
Cartaz de "I'm Still Here"

A exposição, aqui, não pode ser debitada na conta da mídia nem dos paparazzi, já que o filme, feito pelo cunhado do ator, Casey Affleck, é claramente cultuado por ele próprio.

O "documentário" segue os passos de Phoenix - ator de megassusessos como "Gladiador" (2000), de Ridley Scott, e "Johnny e June " (2005), de James Mangold , e irmão mais novo do falecido River Phoenix - a partir do dia em que ele decide anunciar, em público, que abandonaria a carreira de ator para virar um cantor de hip-hop.

Acontece que, apesar de apresentar-se como "documental", o filme tem passagens claramente encenadas, e nenhuma câmera é tão invisível quanto Affleck pretende mostrar.

Phoenix cheira cocaína, discute com as pessoas que imagina todas contra si, deixa cabelo e barba crescerem.
À frente da câmera do cunhado, parece cultuar um pouco essa queda.

"I'm Still Here" se quer divertido, chocante e emocionante, mas parece que não conseguiu ser nada disso.
O que consegue, sim, é ser um documento e tanto sobre o quanto está doente o mundo do show business.

A reação da plateia do festival à entrevista de Phoenix ao programa de David Letermann, reproduzida no filme, é sintomática disso.
Eram incontroláveis as gargalhadas.
E o que se via, em cena, era só decadência.


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POUCOS ASTROS, MUITO CINEMA AUTORAL EM VENEZA 2010

A falta de um maior número de Astros e Divas marcou a 67ª edição da Mostra de Cinema de Veneza, que se encerra no próximo sábado, após ter apresentado, sobretudo, filmes autorais, experimentais e intimistas.

Afetada pela chuva, pelo desconforto gerado pelas obras de reconstrução do novo Palácio do Cinema, e sem poder alojar os grandes astros do cinema no lendário Hotel des Bains - onde Luchino Visconti rodou "Morte em Veneza" - a Mostra não brilha este ano pelo 'glamour' que lhe é habitual.

Ao contrário das edições passadas, o prestigiado festival veneziano não contou com superproduções americanas, as quais usavam o charme da cidade dos canais como sua plataforma de lançamento na Europa.

Apesar de ter sido inaugurado com o filme "Black Swan" - do respeitado diretor americano Darren Aronofsky, com Natalie Portman no papel de uma ambiciosa bailarina clássica - a presença de astros internacionais foi escassa.
Com exceção de Vincent Cassel e da Diva Catherine Deneuve, as ausências - Gerard Depardieu, Robert de Niro, entre outros - foram mais notadas do que as presenças.

A rivalidade com o outro grande festival europeu, em Cannes - França - ficou praticamente enterrada, enquanto o diretor da mostra italiana, Marco Muller, confirmou que deixará o posto ao fim da edição de 2011, para se dedicar à produção de filmes.

Pela passarela do Lido, sob vento ou chuvas incomuns para esta época do ano, desfilaram sobretudo personalidades italianas e cineastas relativamente desconhecidos do grande público.

Dos quinze filmes da mostra competitiva - de um total de 24 - exibidos até agora, a cinco dias do encerramento, brilha o cinema não comercial, realizado por diretores que não chegaram aos cinquenta anos e que experimentam com planos e sequências lentas.

É o caso de "Post Mortem", do chileno Pablo Larraín, e de "Essentials Killing", do polonês Jerzy Skolimowski, bem como de "O Fosso", do chinês Wang Bing, os dois últimos exibidos esta segunda-feira.

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