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quarta-feira, 17 de maio de 2017

FESTIVAL DE CANNES COMEÇA COM DESTAQUE PARA NICOLE KIDMAN E FORTE ESQUEMA DE SEGURANÇA

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Evento acontece até 28 de maio, no belo balneário francês
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O Festival de Cannes começa hoje (17) sua 70ª edição e tem como principais estrelas as atrizes Nicole Kidman, Julianne Moore e Jessica Chastain.

Esse ano a festa já começa com uma novidade que promete dar o que falar - o anúncio de um documentário de Michael Moore sobre Donald Trump.

Outra novidade é a presença do cineasta Pedro Almodóvar à frente do Júri.

É a primeira vez que um espanhol comanda o grupo que anunciará a Palma de Ouro no dia 28 de maio.

Outros membros são Will Smith e Jessica Chastain, a chinesa Fan Binbing e a alemã Maren Ade.

Sempre polêmico, durante conferência para imprensa, Pedro Almodóvar criticou a empresa de serviço de streaming Netflix.

"As plataformas digitais são uma nova forma de oferecer palavras e imagens, o que em si é enriquecedor. Mas essas plataformas não devem substituir as formas existentes como os cinemas", disse o diretor espanhol.

Para o cineasta, não é a sétima arte que deve se adaptar as redes de streaming, mas sim o contrário.

"Eles nunca devem mudar a oferta para os espectadores. A única solução que eu acho é que as novas plataformas aceitam e obedecem as regras existentes que já são adotadas e respeitadas pelas redes existentes".

Outro membro do juri de Cannes, Will Smith saiu em defesa da Netflix:

"Eu tenho filhos de 16, 18 e 24 anos de idade em casa. Eles vão ao cinema duas vezes por semana, e eles assistem Netflix", iniciou.

"Há pouco conflito entre ir ao cinema e assistir Netflix", declarou.

Almodóvar (de chapéu), Smith e Chastain, no centro da foto que mostra o júri da edição deste ano do Festival de Cannes - AFP

Destaques

A mostra competitiva conta com dezenove filmes, a maioria de diretores consagrados em Cannes.

Um dos favoritos é 'Happy End', do austríaco Michael Haneke.

Caso vença, o cineasta pode se tornar o primeiro a faturar três Palmas de Ouro - ele venceu anteriormente com 'A Fita Branca' e 'Amor'.

'The Killing of a Sacred Deer', com Nicole Kidman e Colin Farrell, é a aposta do grego Yorgos Lanthimos, famoso por 'O Lagosta'.

A atriz de 'Big Little Lies' e vencedora do Oscar é o grande nome desta edição do festival e também está presente em outras duas produções: 'How to Talk to Girls at Parties', que faz parte da competição, e a série de TV 'Top of the Lake', da diretora Jane Campion.

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Nicole Kidman  no red carpet de Cannes 2017 - AFP
Julianne Moore está em 'Wonderstruck', do norte-americano Todd Haynes e o Festival também deve ter a presença de Uma Thurman, Kirsten Dunst, Joaquin Phoenix e o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que apresentará o curta-metragem de realidade virtual 'Carne e Areia', sobre a travessia de imigrantes ilegais na fronteira com os Estados Unidos.

Sofia Coppola também está na disputa, com 'O Estranho que Nós Amamos', longa baseado no filme de 1971 protagonizado por Clint Eastwood.

A italiana Monica Bellucci volta a ser a anfitriã, papel que já desempenhou em 2003.

'Les fantômes d'Ismael', do francês Arnaud Desplechin e estrelado por Marion Cotillard, foi selecionado como filme de abertura.

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Will Smith brinca com Jessica Chastain, na abertura oficial do festival - AFP
Segurança

Serão 12 dias de festa, que conta com esquema de segurança inédito, já que a França permanece sob estado de emergência após a onda de atentados que sofreu nos últimos anos.

Trezentas barricadas disfarçadas de jardineiras foram instaladas nos arredores do Palácio dos Festivais, com o objetivo de evitar um atentado com um veículo.

Não custa lembrar que 10 meses atrás aconteceu o ataque com um caminhão em Nice, cidade vizinha a Cannes, que deixou 86 mortos.

Além disso, segundo o prefeito da cidade, Georges-François Leclerc, o evento conta com 550 câmeras de segurança e foram mobilizados não só policiais, mas também militares.

Polêmicas e novidades

O festival mal começou e já está dando o que falar.

A Netflix faz sua estreia na competição oficial em meio a muita polêmica, já que a seleção de suas produções 'Okja', do sul-coreano Bong Joon-Ho e 'The Meyerowitz Stories', do americano Noah Baumbach, provocou indignação por não serem exibidos nos cinemas do país.

A pressão obrigou o festival a adotar uma nova regra e a partir de 2018: todos os filmes precisam estrear nos cinemas da França.

Na véspera da abertura, o diretor americano Michael Moore confirmou que trabalha em um documentário sobre Donald Trump com o título 'Fahrenheit 11/9', dia do anúncio dos resultados da eleição presidencial e referência a seu filme 'Fahrenheit 11 De Setembro', que tratava sobre o ataque às Torres Gêmeas.

"Sim, estou fazendo um filme para sair dessa confusão", o cineasta postou no Twitter - o anúncio oficial deve acontecer em Cannes.

Além disso, o argentino Ricardo Darín, que vai apresentar seu novo filme no evento, o thriller político 'La Cordillera', fará parte do elenco do próximo projeto do diretor iraniano Asghar Farhadi, que ganhou duas vezes o Oscar de melhor filme estrangeiro (por 'O Apartamento' e 'A Separação').

Darín se junta a Penélope Cruz e Javier Bardem num thriller sobre o sequestro de uma jovem.

O Festival de Cannes acontece até 28 de maio.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

FESTIVAL DE CANNES 2017: 18 FILMES DISPUTAM A PALMA DE OURO

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Festival acontece entre 17 e 28 de maio
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Foram anunciados na manhã desta quinta a seleção oficial da 70ª edição do Festival de Cannes, que acontece entre 17 e 28 de maio.

Dos 1.930 filmes concorrentes, a organização escolheu 18 para a competição oficial, quatro longas-metragem estão fora de competição e três sessões da meia-noite.

Os filmes dos diretores Sofia Coppola e Michael Haneke estão entre os favoritos.

Já na mostra Un Certain Regard foram anunciadas 16 obras.

Este ano, o filme de abertura será 'Les Fantômes D'Ismaël', de Arnaud Desplechin, exibido fora de competição.

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar presidirá ao júri da competição oficial, responsável por atribuir a Palma de Ouro, prêmio máximo do festival.

Além disso, Cannes exibirá episódios da aguardada nova temporada de 'Twin Peaks', que marca o retorno de David Lynch.

O presidente do Festival de Cinema de Cannes, Pierre Lescure, participou de uma conferência de imprensa para a apresentação do 70º festival de Cannes, em Paris - AP / Francois Mori

Confira a seleção:

COMPETIÇÃO

Nelyubov (Loveless), Andrey Zvyagintsev
Good Time, Benny Safdie e Josh Safdie
You Were Never Really Here, Lynne Ramsay
Le Redoutable, Michel Hazanevicius
Geu-hu (The Day After), Hong Sangsoo
Hikari (Radiance), Naomi Kawase
The Killing Of A Sacred Deer, Yorgos Lanthimos
A Gentle Creature, Sergei Loznitsa
Jupiter's Moon, Kornél Mundruczó
L'amant Double, François Ozon
The Beguiled, Sofia Coppola
Rodin, Jacques Doillon
Happy End, Michael Haneke
Wonderstruck, Todd Haynes
120 Battements Par Minute, Robin Campillo
Aus Dem Nichts (In The Fade), Fatih Akin
Okja, Bong Joon-ho
The Meyerowitz Stories, Noah Baumbach

FORA DE COMPETIÇÃO

Les Fantômes D'Ismaël, Arnaud Desplechin
How To Talk To Girls At Parties, John Cameron Mitchell
Visages, Villages, Agnès Varda e Jr.
Mugen Non J?nin (Blade Of The Immortal), Miike Takashi

UN CERTAIN REGARD

Barbara, Mathieu Amalric *filme de abertura da secção*
A Novia del Desierto (The Desert Bride), Cecilia Atan, Valeria Pivato
Tesnota (Closeness), Kantemir Balagov
Aala Kaf Ifrit (Beauty And The Dogs), Kaouther Ben Hania
L'Atelier, Laurent Cantet
Fortunata (Lucky), Sergio Castellitto
Las Hijas De Abril (April's Daughter), Michel Franco
Western, Valeska Grisebach
Posoki (Directions), Stephan Komandarev
Out, Gyorgy Kristof
Sanpo Suru Shinryakusha (Before We Vanish), Kiyoshi Kurosawa
En Attendant Les Hirondelles (The Nature Of Time), Karim Moussaoui
Lerd (dregs), Mohammad Rasoulof
Jeune Femme, Léonor Serraille
Wind River, Taylor Sheridan
Après La Guerre (After The War), Annarita Zambrano

SESSÕES ESPECIAIS

12 Jours, Raymond Depardon
They, Anahita Ghazvinizadeh
An Inconvenient Sequel, Ronni Cohen e Jon Shenk
Top of the Lake: China Girl, Jane Campion e Ariel Kleiman
Promised Land, Eugene Jarecki
24 Frames, Abbas Kiarostami
Napalm, Claude Lanzmann
Come Swim, Kristen Stewart
Demons in Paradise, Jude Ratman
Sea Sorrow, Vanessa Redgrave
Clair's Camera, Hong Sangsoo
Twin Peaks, David Lynch

SESSÕES DA MEIA-NOITE

The Villainess, Jung Byung Gil
The Merciless, Byun Sung-Hyun
Prayer Before Dawn, Jean Stephane Sauvaire

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

'AMOR': MICHAEL HANEKE NÃO FAZ CONCESSÕES EM LINDA HISTÓRIA DE AMOR AOS 80 E QUE JÁ FOI PREMIADÍSSIMA


Contar uma história de amor entre dois professores de música octogenários, na telona e na vida real, envolvendo-os num dilema ligado a doença, degeneração e morte.

É essa 'tour de force" que o diretor e roteirista austríaco Michael Haneke decidiu enfrentar em “Amor”, longa estrelado pelos premiados veteranos franceses Emmanuele Riva e Jean-Louis Trintignant e que já levou, entre outros, a Palma de Ouro de Melhor Filme em Cannes 2012; Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro 2013; Melhor Filme, Melhor Diretor (Michael Haneke) e Melhor Atriz (Emmanuelle Riva) da National Society Of Film Critics (2012); prêmios do Cinema Europeu de Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz (2012); prêmios de Melhor Filme e Melhor Atriz da Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles (2012).

As lendas da interpretação francesa Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, em cena de "Amor" - Fotos dessa postagem: Divulgação: Imovision

E sim, foi indicado a Melhor Filme, Filme Estrangeiro, Atriz (Emmanuelle Riva, a mais velha a ser indicada), Diretor e Roteiro Original no Oscar 2013 - ufa!

Ao contrário dos dramas semelhantes filmados em Hollywood, o diretor afasta-se de um clima sentimental e prefere ser rigoroso no estilo, focalizando os detalhes que fazem do casal íntimo e cúmplice, criando entre si um ninho exclusivo, no qual até mesmo a filha (Isabelle Huppert, maravilhosa) parece ser uma intrusa.

A Diva Isabelle Huppert interpreta a filha do casal

Este pequeno mundo culto, refinado e muito parceiro do casal é subitamente abalado pela descoberta de uma doença degenerativa de Anne (Emmanuele Riva), que provoca intensa angústia e sobrecarrega Georges (Trintignant).

A lenda Emmanuele Riva, como Anne, em cena do filme

Mas o passar dos dias trazem também a iminência de uma decisão drástica, em que estará em jogo não só a liberdade individual como a noção do limite da dignidade.

Assim, nenhum espectador passará imune pela radicalidade deste filme pesado, intenso e sem concessões, com interpretações memoráveis do casal protagonista - o que prova que atores e atrizes não tem idade, e sempre estão prontos a fazer interpretações inesquecíveis.

A lenda Jean-Louis Trintignant, como Georges, em cena do filme

Basta serem chamados a trabalhar, como Michael Haneke fez.

Filmaço.

Confira o trailer do filme:

*****
'AMOR'
Título Original:
Amour
Diretor:
Michael Haneke
Elenco:
Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco, Carole Franck, Dinara Drukarova, Laurent Capelluto, Jean-Michel Monroc, Suzanne Schmidt, Damien Jouillero, Walid Afkir
Produção:
Stefan Arndt, Margaret Ménégoz
Roteiro:
Michael Haneke
Fotografia:
Darius Khondji
Duração:
127 min.
Ano:
2012
País:
França, Alemanha, Áustria
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imovision
Estúdio:
Les Films du Losange / X-Filme Creative Pool / Wega Film
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau:

segunda-feira, 28 de maio de 2012

FESTIVAL DE CANNES: MÍDIA FAZ ELOGIOS ÀS ESCOLHAS DO GRANDE JÚRI


Críticos elogiaram o júri do Festival de Cinema de Cannes nesta segunda, por ter dado a cobiçada Palma de Ouro de melhor filme para "Amour", do diretor Michael Haneke, que justificou seu status de favorito na cerimônia de premiação de ontem.

O diretor austríaco soma agora duas Palmas de Ouro no maior evento mundial de cinema, integrando uma pequena elite de vencedores múltiplos e firmando seu lugar como um mestre da produção de filmes.

Lento e discreto, o retrato do amor de um casal de idosos franceses enfrentando os últimos estágios de vida levou audiências às lágrimas e críticos correram para escrever resenhas concedendo cinco estrelas ao filme.
Divulgação
Emmanuelle Riva - de costas - e Jean-Louis Trintignant, em cena de "Amour", do diretor Michael Haneke, ganhador da Palma de Ouro em Cannes 2012

Sua vitória foi particularmente bem-vinda na França, onde as estrelas do longa, ambos em seus 80 anos de idade, são nomes respeitados do cinema nacional.

"Os nomes de Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant ... vão parecer perante os olhos do público como uma vitória francesa", disse o jornal Le Parisien.

Quem não deu as caras na cerimônia de premiação que encerrou o festival de 12 dias na Riviera Francesa foram as produções norte-americanas, sendo que cinco participaram da competição principal, que tinha 22 candidatos.

Nem mesmo o talento de estrelas de alto calibre como Nicole Kidman e Brad Pitt, ao lado de nomes emergentes quentes de Hollywood, como Jessica Chastain, Tom Hardy e Zac Efron, foi suficiente para conquistar os jurados de Cannes, comandados pelo diretor italiano Nanni Moretti - lembrando que, no ano passado, o diretor norte-americano Terrence Malick ganhou a Palma de Ouro por seu "A Árvore da Vida" e Kirsten Dunst arrematou o prêmio de melhor atriz por seu papel em "Melancolia", de Lars Von Trier.

Os críticos de Cannes ficaram mais desanimados em relação à maioria das produções dos EUA, embora "Killing Them Shoftly", do neozelandês Andrew Dominik, que trouxe Brad Pitt como um executor da máfia em uma cidade norte-americana atingida pela recessão dos anos 20, foi razoavelmente popular.

"Nenhum (filme) deixou a cidade em chamas, e claramente não conseguiu contar com o apoio expressivo da crítica", disse Todd McCarthy, do The Hollywood Reporter, em reação aos prêmios.

O que a forte presença norte-americana fez, no entanto, foi colocar estrelas no tapete vermelho, um ingrediente chave para o sucesso em um festival que vive não só do cinema alternativo, mas também do glamour, fama e das celebridades.

Além de Haneke, outros dois ex-vencedores foram premiados em Cannes - o britânico Ken Loach ganhou o prêmio especial do júri com a comédia escocesa "The Angels' Share" e o romeno Cristian Mungiu ganhou melhor roteiro para o drama sobre exorcismo "Beyond the Hills".

As duas jovens estrelas do filme, Cristina Flutur e Cosmina Stratan, surpreenderam com a dupla premiação de melhor atriz, enquanto o dinamarquês Mads Mikkelsen arrematou o prêmio de melhor ator por sua interpretação de um homem injustamente acusado de abuso infantil no drama angustiante "The Hunt".

A mair polêmica deste ano foi o mexicano Carlos Reygadas ter vencido na categoria melhor diretor por "Post Tenebras Lux", uma exploração onírica da corrente de riscos dentro da sociedade mexicana de hoje e que foi o longa mais vaiado pela mídia presente a Cannes - um prêmio surpreendente para um filme indecifrável.

domingo, 27 de maio de 2012

FESTIVAL DE CANNES: DIRETOR AUSTRÍACO MICHAEL HANEKE LEVA A PALMA DE OURO COM 'AMOUR', DRAMA SOBRE A VELHICE COM AS LENDAS EMMANUELLE RIVA E JEAN-LOUIS TRINTIGNANT


Sob chuva intensa, foram conhecidos agora a pouco os vencedores das categorias principais da 65ª edição do Festival de Cinema de Cannes - o principal do mundo.
Loic Venance/AFP Photo
Convidados chegam embaixo de chuva à cerimônia de encerramento da 65ª edição do Festival de Cannes, na França

Apenas três anos depois de vencer a Palma de Ouro com “A Fita Branca”, o austríaco Michael Haneke tornou-se bicampeão do prêmio máximo do Festival de Cannes com o filme francês “Amour”, sobre um homem idoso que precisa cuidar da esposa depois que ela sobre um derrame.

Mais conhecido por filmes como “Funny Games” e “A Professora de Piano”, Haneke entra agora para um seleto clube de duplos vencedores da Palma de Ouro -  que inclui o sérvio Emir Kusturica e os belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne.
Valery Hache/AFP Photo
A atriz francesa Bérénice Bejo, anfitriã deste ano, discursa na cerimônia de encerramento do Festival de Cannes

O presidente do júri, o diretor  italiano Nani Moretti, anunciou o prêmio fazendo uma menção especial aos dois atores principais do filme - as lendas da cinematografia francesa Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva.

Depois da cerimônia, ele deu a entender que só não premiou os atores porque o regulamento proíbe outros prêmios ao filme vencedor da Palma.

“Estou feliz de não estar sozinho aqui para receber este prêmio, mas com meus amigos. Os atores são a essência do meu filme”, disse Haneke ao receber o prêmio.

“Na Estrada”, de Walter Salles, saiu sem nenhum prêmio do festival - o longa recebeu uma acolhida apenas morna da imprensa internacional, apesar de ter agradado e de ter sido  muito aplaudido na exibição de gala, na última quarta à noite, em Cannes.

Sem nenhum forte favorito até o final do festival, Moretti confessou que nenhum dos prêmios foi dado por unanimidade pelos jurados.
“Percebi que a maioria dos diretores tinham mais amor ao seu próprio estilo do que a seus personagens”, alfinetou.

O Grande Prêmio do Júri, pomposo nome dado ao segundo lugar na competição, ficou com o italiano “Reality”, de Matteo Garrone, sobre um humilde pescador napolitano que um dia torna-se estrela do “Big Brother”.

O ator principal do filme, Aniello Arena, é um presidiário condenado à prisão perpétua na Itália e só teve autorização para sair da prisão para participar das filmagens - lógico, nem esteve em Cannes.

O prêmio mais controvertido foi o de melhor diretor para o mexicano Carlos Reygadas por “Post Tenebras Lux”, filme incompreensível que recebeu muitas críticas negativas de toda a imprensa.

“Não sei como a imprensa recebeu o filme, mas alguns jurados ficaram tocados pela sua linguagem. Muitas emoções do filme continuaram a crescer dentro de nós”, disse Moretti.

O prêmio de melhor ator foi para o dinamarquês Mads Mikkelsen - conhecido mundialmente como o intérprete do vilão Le Chiffre de “007 – Cassino Royale” - pelo filme “Jagten” (A Caça), como um homem acusado de pedofilia por sua comunidade.
“Obrigado por ter me convidado ao seu universo de amor e medo”, agradeceu ele ao diretor Thomas Vinterberg.

O prêmio de melhor atriz foi dividido entre  as romenas Cosmina Stratan e Cristina Flutur, de “Dupã Dealuri” (Além das colinas), de Cristian Mungiu.

Segundo Moretti, outros dois filmes dividiram bastante as opiniões do júri: o francês “Holy Motors”, de Léos Carax, e o austríaco “Paradise: Love”, de Ulrich Seidl - ambos terminaram sem nenhum prêmio.

O prêmio Caméra d’Or,  concedido para um filme de diretor estreante, foi para o americano “Beasts of the Southern Wild”, de Behn Zeitlin, que já havia vencido dois prêmios no Festival de Sundance em janeiro - o júri do prêmio foi presidido pelo brasileiro Cacá Diegues.

CONFIRA TODOS OS GANHADORES DOS PRÊMIOS PRINCIPAIS DO 65o. FESTIVAL DE CINEMA DE CANNES:

Palma de Ouro
“Amour”, de Michael Haneke (França)
(com menção aos atores Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva)

Valery Hache/AFP Photo
O diretor austríaco Michael Haneke exibe a Palma de Ouro - prêmio máximo de Cannes - recebida por seu filme "Amour"

Grande Prêmio do Júri
“Reality”, de Matteo Garrone (Itália)

Valery Hache/AFP Photo
O diretor italiano Matteo Garrone recebe o grande prêmio do júri por seu filme "XXX"

Melhor Atriz
Cosmina Stratan e Cristina Flutur, por “Dupã Dealuri”, de Cristian Mungiu (Romênia)

Valery Hache/AFP Photo
As atrizes romenas Cosmina Stratan (à esq) e Cristina Flutur recebem de Alec Baldwin o prêmio Prix de interpretação feminina no Festival de Cannes

Melhor Ator
Mads Mikkelsen, por “Jagten” (A Caça), de Thomas Vinterberg (Dinamarca)

Valery Hache/AFP Photo
O ator dinamarquês Mads Mikkelsen recebe o prêmio Prix de interpretação masculina do Festival de Cannes

Melhor Diretor
Carlos Reygadas, por “Post Tenebras Lux” (México)

Valery Hache/AFP Photo
O diretor mexicano Carlos Reygadas discursa após ganhar o prêmio de melhor diretor por seu filme "Post Tenebras Lux", o prêmio mais polêmico dessa 65ª edição do Festival de Cannes

Melhor Roteiro
“Dupã Dealuri” (Além das Colinas), de Cristian Mungiu (Romênia)

Valery Hache/AFP Photo
O diretor romeno Cristian Mungiu beija a mão da também romena Nastassia Kinski após ser premiado por seu roteiro no filme "Beyond the Hills"

Prêmio do Júri
“The Angel’s Share”, de Ken Loach (Reino Unido)

Valery Hache/AFP Photo
O diretor britânico Ken Loach discursa após ganhar o prêmio do júri pelo seu filme "The Angel's Share"

Caméra d’Or – melhor filme de diretor estreante
“Beasts of the Southern Wild”, de Behn Zeitlin (EUA)

Valery Hache/AFP Photo
O diretor americano Benh Zeitlin posa com o prêmio "Camera d'Or", dado ao ganhador de melhor filme de diretor estreante no Festival de Cannes

Melhor curta-metragem
“Silêncio”, de L. Rezan Yesilbas (Turquia)

Valery Hache/AFP Photo
O Diretor turco L. Rezan Yesilbas (segundo à esq) posa com o diretor belga Jean-Pierre Dardenne, sua tradutora e a atriz australiana Kylie Minogue (à dir) após ser premiado com a Palma de Ouro de melhor curta-metragem pelo seu filme "2012 sessiz -ser deng"

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Você pode conferir todas as outras 45 postagens especiais sobre o Festival de Cannes 2012 do Blog de Klau, e conferir os concorrentes, as entrevistas dos astros e estrelas que estiveram na cidade, os trailers dos filmes, suas histórias e o dia a dia na Croisette.

Basta clicar aqui.

O cartaz de Cannes 2012 lembra os 65 anos do Festival e os 50 anos sem a Diva das Divas Marilyn Monroe

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Com Thiago Stivaletti, do UOL, em Cannes

domingo, 20 de maio de 2012

FESTIVAL DE CANNES: AS LENDAS JEAN-LOUIS TRINTIGNANT E EMMANUELLE RIVA EMOCIONARAM A PLATEIA COM 'AMOUR'


Os veteranos Jean-Louis Trintignant, de 81 anos, e Emmanuelle Riva, de 85, emocionaram neste domingo o público presente no Festival de Cannes e se mostram claramente favoritos aos prêmios de interpretação do evento com uma história nada complacente - "Amour", do austríaco Michael Haneke.

É um filme sobre a velhice, sobre o amor entre um casal que começa a viver uma fase tão avançada da vida e como ambos se ajudam num momento difícil, sem deixar que ninguém de fora entorpeça o caminho que lhes resta para percorrer.

Não trata do romantismo do amor, mas da necessidade de auxílio recíproco de um casal.

Menos ambicioso que "A Fita Branca" - vencedor da Palma de Ouro de 2009 - "Amour" marca o retorno de Haneke à Côte d'Azur. 
"Nunca faço um filme para demonstrar algo. Se chegamos a certa idade, estamos obrigatoriamente confrontados com o sofrimento, dos pais, dos avós, de outros parentes...".

O diretor considera o sofrimento como algo natural, que ele próprio já teve de lidar dentro de sua família, fato que representou o ponto de partida para este filme, cujo objetivo, segundo ele, "não é criar um debate social".

É um filme que, embora nada complacente, aborda a ternura que surge da cumplicidade entre um casal que passou toda a vida junto.

Os personagens de Trintignant e Emmanuelle dão uma lição de dignidade e, apesar de tudo, não se deixam levar pelo giro final de suas vidas quando ela sofre uma paralisia.
AFP
Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, hoje em Cannes

Trintignant - que já ganhou o prêmio de Melhor Ator em Cannes em 1969 por "Z", de Costa Gavras - recebeu neste domingo calorosos aplausos ao chegar à entrevista coletiva de apresentação do filme, e se mostrou tão emocionado como brincalhão.
"Michael é um dos melhores diretores do mundo. Tive a oportunidade de trabalhar com ele, que me disse que talvez não haveria outra", declarou Trintignant, que diz se sentir, pela primeira vez na vida, satisfeito com seu trabalho.
"É pretensioso, mas me perdoem".

Para ele, atuar em "Amour" foi "muito doloroso", um trabalho "muito, muito difícil de fazer", mas que lhe deu "grande felicidade".
"Nunca encontrei um diretor tão exigente. Tem o filme na cabeça e conhece muito bem toda a técnica do cinema", ressaltou o ator, antes de acrescentar com um sorriso: "não o aconselho a ninguém".

Emmanuelle, que interpreta uma mulher em incessante deterioração moral, explicou que, no início, pensava que não conseguiria se colocar na pele de Anne, mas que pouco a pouco entrou no personagem "de forma natural e com uma paixão muito forte".

Tanto que não queria deixar de ser Anne quando a tomada terminava - "cada vez ela levava meia hora para se recuperar", lembrou Trintignant - e até dormia junto ao local das filmagens para ficar em contato permanente com ele, "mas sem nenhuma tristeza", pois não estava arrasada na vida real.

Sobre isso, Haneke destacou que, para os atores e o diretor, é muito mais difícil assistir ao filme, assistir na tela, do que fazer o trabalho. 
"Não temos piedade dos personagens (durante as filmagens)", declarou o cineasta.

Para ele, quem sofre é o espectador ao ver o resultado.

"Nós estamos aí para criá-los da forma mais eficaz. É um pouco romântica a ideia de que, ao fazer um filme trágico e triste, nós estamos tristes", esclareceu.

E, para Haneke, essa forma mais eficaz passa principalmente pelo som, como indicou Trintignant e reconheceu o diretor. 
"Michael é muito sensível e é a primeira vez que vejo um diretor tão atento ao som, a sua precisão", afirmou o ator.

Haneke admitiu que trabalha "mais com os ouvidos do que com os olhos"
Para ele, é mais fácil saber se algo soa falso simplesmente ouvindo o ator.

Junto ao casal protagonista, o único personagem de maior presença é o de Isabelle Huppert, que interpreta Eva, filha de ambos, uma mulher um tanto fria e distante que vive o drama de seus pais de uma forma particular.

"Não acho que meu personagem seja cruel" - disse Isabelle, em resposta a uma pergunta dos jornalistas -, "mas a situação. Há algo que separa inexoravelmente os mortos dos vivos. Há duas velocidades que são contraditórias, que não podemos compreendê-las, e isso é o cruel".


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Confira matéria de Alexandria Sage, da Reuters:

É um tema raramente enfocado pelo cinema, mas Michael Haneke nos força a enfrentar a realidade que cairá sobre nós -o fim da vida- em "Amor", seu belo e devastador filme.
"Amour", nome original do filme, falado em francês, acompanha um casal idoso, ex-professores de música que desfrutam de uma aposentadoria confortável, em Paris até que Anne, interpretada por Emmanuelle Riva, sofre um derrame.
"É um filme muito poderoso e um filme muito solene. Poderia quase parecer um documentário sobre esse acontecimento terrível e doloroso", disse Emmanuelle, mais conhecida por sua participação em "Hiroshima Mon Amour" (1959),  durante entrevista coletiva à imprensa. "É tremendamente simples e, por ser tão simples, é tão poderoso", acrescentou, falando em francês.
Muitas lágrimas foram derramadas durante a exibição do filme para a imprensa, antes da estreia mundial neste domingo em Cannes, e a julgar pelos comentários entusiasmados postados pelos críticos em blogues e no twitter, Haneke já está entre os favoritos na disputa pelo prêmio principal, - a Palma de Ouro.
Georges, o amoroso esposo de Anne, interpretado por Jean-Louis Trintignant, luta admiravelmente para se adaptar à situação enquanto o estado de Anne se deteriora, mas Haneke é impiedoso ao nos mostrar a banalidade e tristeza da rotina diária que caracteriza a nova vida do casal.
Vemos Georges ajudar Anne a ir da cama para a cadeira de rodas, a ir ao banheiro ou durante monótonas sessões de fisioterapia, e em cada situação o público é arrastado para o seu mundo, dolorosamente consciente de que a morte se aproxima. 
"Nada disso merece ser mostrado", diz Georges à filha Eva, interpretada por Isabelle Huppert, quando a fala de Anne se deteriora, se transformando em um balbuciar incoerente.

Haneke convenceu o veterano ator Trintignant, de 81 anos, a abandonar a aposentadoria para interpretar Georges - o ator ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes em 1969, pelo filme político "Z".
"Sofri enormemente, mas? estou muito satisfeito com o nosso trabalho", disse Trintignant. "Foi doloroso, mas ao mesmo tempo muito bonito."
Haneke - ganhador da Palma de Ouro em 2009, por "A Fita Branca" e presença constante em Cannes, disse que seu novo filme não é um comentário sobre os idosos ou o tratamento que a sociedade dá a eles. 
Em vez disso, afirmou, está muito orgulhoso por fazer um filme "simples" sobre um relacionamento e seu fim inevitável.

Confira o trailer de "Amour":
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Matéria de Alicia García de Francisco, da Agência EFE, em Cannes