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quinta-feira, 15 de março de 2018

'MARIA MADALENA': PROTAGONISTA DA SUA HISTÓRIA, CONTROVERSO PERSONAGEM BÍBLICO FINALMENTE GANHA FILME À ALTURA DA SUA IMPORTÂNCIA


SINOPSE:

A história de uma das figuras mais enigmáticas e incompreendidas da história bíblica: Maria Madalena (Rooney Mara).

Em busca de uma nova maneira de viver, contrariando as pressões da sociedade, sua família e o machismo de alguns apóstolos, como Pedro (Chiwetel Ejiofor) a jovem pescadora junta-se a Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix) em sua incansável missão de propagar a fé.

CRÍTICA:

Mulher mais controversa da Bíblia, Maria Madalena é uma personagem tão importante quanto misteriosa, descrita de diferentes maneiras ao longo dos séculos.

É a “apóstola dos apóstolos”, a prostituta apedrejada, a atormentada por sete demônios, a esposa de Jesus ou a irmã de Marta e Lázaro, dependendo da fonte.

Os únicos consensos são sua proximidade com Cristo, o privilegiado testemunho da ressurreição e a ligação com a aldeia de nome Magdala.

Agora, finalmente a controversa personagem ganhou um longa que conta a sua trajetória, à altura da sua importância para o cristianismo.

'Maria Madalena', filme de Garth Davis que estreia nesta quinta aqui no Brasil, se presta a contar a verdadeira história da enigmática figura, não a colocando uma vez mais como coadjuvante de Jesus, mas sim como protagonista - não apenas observada e descrita por homens, mas dona do ponto de vista.

Joaquin Phoenix e Rooney Mara, em cena do longa - Fotos dessa Postagem - Divulgação - Universal Pictures
Não espere, no entanto, uma visão da Paixão por um ângulo inédito, já que as passagens mais famosas do texto sagrado não são os trechos fundamentais desta narrativa.

A primeira lição que o filme nos ensina é o descolamento da imagem de prostituta.

Interpretada por Rooney Mara, Madalena é uma jovem pescadora, que aqui não exala a extrema sensualidade anteriormente mostrada Debra Messing, Barbara Hershey e Monica Bellucci, algumas de suas intérpretes anteriores na telona.

Moça de família, tímida e religiosa, seu maior pecado é não querer casar, envergonhando irmãos e pai.

Seu grito desesperado de liberdade é mal interpretado e a última esperança de salvação da débil e aparentemente endemoniada moça torna-se o curador cada vez mais famoso nas redondezas - Jesus, óbvio.

A revelação é gradual para o público e Maria, ambos ansiosos pelo primeiro contato com aquele sobre o qual tanto já ouviram falar.

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Tahar Rahim brilha como um comovente Judas 
Encerrado o breve suspense, o Jesus de Joaquin Phoenix explode na telona e o espectador fica inevitavelmente frustrado, ao ver o Cristo dono de olhar entre o perdido e o infantil, oscilando entre o riso bobo e a melancolia pela dor do inevitável destino.

A aproximação dos dois é um forte flerte, com direito a negação familiar e desnecessário apelo sexual via seminudez.

 Confira como foi a trajetória de Rooney Mara, Joaquin Phoenix e Chiwetel Ejiofor durante as gravações:


Mas o diretor não toma o polêmico caminho do estabelecimento do casal, seguido por 'O Código da Vinci' e 'A Última Tentação de Cristo'.

Aqui, a relação dos dois é retratada o amor como um sentimento profundo, com entrega apaixonada e união total, uma conexão intensa e exclusiva - mas sem os beijos e o sexo dos homens.

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Joaquin Phoenix como Jesus de Nazaré
Num outro contexto as trocas de olhares, conversas íntimas, ciúmes e afagos configurariam tensão carnal, mas aqui Maria Madalena realmente passa como uma mulher comprometida com o divino e Jesus é o incompreendido solitário que tem um pouco do peso que carrega aliviado por esse novo braço direito, promissora aprendiz.

Mais do que isso. Madalena aqui é retratada como seu equivalente feminino, já que os dois salvam vidas usando os mesmos gestos encantadores – ela transmitindo paz, ele operando milagres – e enquanto ela leva às mulheres que não ousam se juntar aos homens as palavras do mestre e também as batiza, ambos encaram sem medo os romanos.

Ao ver seu Rabi sofrer, Madalena igualmente desmorona de dor.

Ou seja: finalmente temos aqui um roteiro - assinado por Helen Edmundson e Philippa Goslett - bastante progressista, que afirma a valente Maria Madalena como substituta natural do Salvador em termos de pregação e liderança e a coloca ao seu lado na Santa Ceia.

O roteiro é bastante didático nesse sentido – e em todos os outros – ressaltando a todo momento o machismo responsável pelo seu apagamento e a grande proximidade entre Madalena e Jesus.

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Rooney Mara como Madalena: grande protagonista
Road movie de caminhada com muitas elipses e avanço temporal indiscriminado, o longa adapta bem as mensagens do Filho de Deus, mas coloca na boca dos outros personagens frases ridículas e engessadas.

Em mais uma atuação extremamente contida , mas sensacional, Rooney Mara às vezes lembra a Therese Belivet de 'Carol', observadora e silenciosa.

O arco das duas é semelhante: ambas levam uma vida infeliz até que despertam graças ao amor e por ele se jogam na estrada sem destino ou garantias, numa jornada também de amadurecimento pessoal.

Enquanto o final do romance de Todd Haynes encontra uma Therese por completo diferente da inicial, aqui a transformação é notada exclusivamente em seu discurso, a partir da compreensão do real significado palavras de Jesus.

Mas Mara se sai muito bem na tarefa.

Maria Madalena : Foto Chiwetel Ejiofor
Chiwetel Ejiofor  é Pedro
Já Chiwetel Ejiofor interpreta o antagonista Pedro, vilão egoísta que desde o começo rejeita Maria Madalena e condena a intromissão feminina no apostolado; Tahar Rahim brilha como um comovente Judas e estrela um dos momentos mais emocionantes da trama; e Ariane Labed, Denis Ménochet e Lubna Azabal fazem pequenas participações.

Elenco talentoso e internacional, algumas atuações são acima da média e apesar de Jesus ainda ser branco, há diversidade no elenco, enfim.

Pena que o cineasta parece preso a um estilo de cinema ultrapassado, apegado a pomposos planos, usando música incidental exagerada em drama e ininterrupção e comandando tudo da forma mais conservadora possível.

A maior ousadia – ou falta de noção – talvez seja um movimento de câmera do casal principal para a lua - aquela mesma cena que já vimos centenas de vezes no cinema e na TV.

Em seu terceiro longa, Garth Davis ainda não mostrou a que veio: salvo pela fofura de Sunny Pawar em 'Lion - Uma Jornada Para Casa', desta vez ele ao menos ganha pontos extras pelo louvável revisionismo.

Afinal, o filme prova que os apóstolos homens entenderam tudo errado e tivesse a voz de Maria Madalena superado a de Pedro, hoje teríamos um catolicismo completamente diferente, com uma toada mais suave.

Enfim, um Evangelho segundo o Feminismo.

Vale uma olhada.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
MARIA MADALENA
Título Original:
MARY MAGDALENE
Gênero:
Drama
Direção:
Garth Davis
Elenco:
Ariane Labed, Chiwetel Ejiofor, Denis Ménochet, Hadas Yaron, Irit Sheleg, Joaquin Phoenix, Lubna Azabal, Rooney Mara, Ryan Corr, Tahar Rahim, Tcheky Karyo
Roteiro:
Helen Edmundson, Philippa Goslett
Produção:
Emile Sherman, Iain Canning, Liz Watts
Fotografia:
Greig Fraser
Trilha Sonora:
Hildur Guðnadóttir, Jóhann Jóhannsson
Montador:
Alexandre de Franceschi, Melanie Oliver
Estúdio:
Film4, Porchlight Films, See-Saw Films, Universal Pictures International Production (UPIP)
Distribuidora:
Universal Pictures
País:
Reino Unido
Ano de Produção:
2017
Duração:
120 min.
Estréia no Brasil:
15/03/2018
Classificação Indicativa:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quarta-feira, 7 de março de 2018

'MARIA MADALENA': DRAMA BÍBLICO ESTRELADO POR ROONEY MARA GANHA SEGUNDO TRAILER

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Longa estreia em 15 de março
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A Universal Pictures divulgou o novo trailer de 'Maria Madalena'.

Assista:


A trama nos revelará uma das figuras mais enigmáticas e incompreendidas da história bíblica: Maria Madalena (Rooney Mara).

Em busca de uma nova maneira de viver, contrariando a sociedade, sua familia tradicional e o machismo de alguns apóstolos, a jovem junta-se a Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix) em sua incansável missão de propagar a fé.

Além de Mara e Phoenix, o elenco conta também com Chiwetel Ejiofor como Pedro, Tahar Rahim como Judas Iscariotes, Ariane Labed como Raquel, Michael Moshonov como Mateus e Denis Ménochet como Daniel, entre outros.

A direção é de Garth Davis e o roteiro, de Philippa Goslett e Helen Edmundson.

A Universal Pictures estreia 'Maria Madalena' em 15 de março.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

'SAMBA': PROTAGONISTA CARISMÁTICO, HISTÓRIA COMPETENTE


SINOPSE:

Samba (Omar Sy) é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos na França e desde então, tem se mantido no novo país à custa de subempregos.

Por sua vez, Alice (Charlotte Gainsbourg) é uma executiva experiente que tem sofrido com estafa devido ao seu trabalho estressante.

Enquanto ele faz o possível para conseguir os documentos necessários para arrumar um emprego digno, ela tenta recolocar a saúde e a vida pessoal no trilho, cabendo ao destino determinar se eles estarão juntos nessa busca em comum.

CRÍTICA:

A apresentação do personagem-título já deixa clara a temática que 'Samba', em exibição em 51 salas em todo o Brasil, vai abordar.

A primeira cena - uma festa de muita ostentação, com câmera que passeia da pista de dança para a cozinha e onde profissionais trainados montam belas sobremesas - termina na base da cadeia alimentar social, na seção de lavagem de pratos, onde o protagonista Samba (Omar Sy) usa suas mãos nuas para tirar restos de comida da louça.

Samba : Foto Omar Sy
Omar Sy é o protagonista Samba - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Califórnia Filmes
Os diretores e roteiristas Olivier Nakache e Eric Toledano encantaram o mundo com 'Intocáveis' (2011) e catapultaram a carreira internacional de Sy, que fez sua (boa) estreia recentemente em Hollywood - em 'Jurassic World'.

Agora abordam o polêmico assunto da imigração em uma época em que a Europa adora medidas para desencorajar a vinda de estrangeiros para suas terras.

Um desses aventureiros é justamente Samba, que deixou o Senegal há dez anos, ainda não conseguiu regularizar sua situação na França e justamente por isso, acaba detido.

Durante seu confinamento, ele entra em contato com a assistente social Alice (Charlotte Gainsbourg), uma novata na área com a responsabilidade de ajuda-lo nos tramites jurídicos.

Samba : Foto Charlotte Gainsbourg
Charlotte Gainsbourg é a assistente social Alice
As coisas não dão muito certo e Samba recebe uma ordem para deixar a França, mas ele permanece no país de forma ilegal.

'Intocáveis' abordava a questão unânime das dificuldades de um deficiente físico, enquanto 'Samba' opta por uma pegada mais social, que divide opiniões.

Apesar da mudança de tom, a mistura de drama e comédia é uma constante em ambos os títulos e dessa maneira, o longa consegue transmitir sua mensagem com leveza.

Para o público brasileiro, o destaque fica por conta de Wilson (Tahar Rahim, de 'Grand Central'), um imigrante brasileiro também em situação ilegal e que o protagonista conhece nas ruas.

Ator competente, Rahim é o principal alívio cômico do filme, com uma boa dose de malandragem para ajudar o herói a conseguir trabalhos e a escapar da fiscalização - ou seja: é o jeitinho brasileiro fazendo escola na Europa.

Samba : Foto Tahar Rahim
Tahar Rahim é Wilson
A brasilidade se faz presente também na trilha musical: enquanto 'Intocáveis' trazia uma cena dançante ao som de 'Earth, Wind & Fire', 'Samba' tem Gilberto Gil e Jorge Ben Jor em seus números musicais. 

Dessa vez, o requebrado fica por conta do brasileiro Wilson, uma vez que o protagonista é mais tímido.

Outra novidade em relação ao filme anterior é a inserção de uma história de amor. 

Apesar da conduta ética de seu trabalho ditar o contrário, Alice começa a se aproximar de Samba no nível pessoal. 

O flerte entre os dois personagens é vagaroso, por conta das restrições deles, e segue como elemento de interesse do público. 

Samba : Foto Izïa Higelin
Izïa Igelim é Manu
Tudo fica mais fácil graças à boa química entre os atores e seus talentos individuais, que trabalham em favor dos personagens.

Com tudo isso, fica simplesmente impossível não torcer (muito) para o protagonista, com os realizadores encontrando uma maneira inteligente de entregar seu discurso social e ao mesmo tempo criar um bom entretenimento.

Você vai se divertir.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'SAMBA'
Título Original:
SAMBA
Gênero:
Drama
Direção e Roteiro:
Eric Toledano, Olivier Nakache
Elenco:
Charlotte Gainsbourg, Christiane Millet, Clotilde Mollet, Hélène Vincent, Isaka Sawadogo, Izïa Higelin, Jacqueline Jehanneuf, Liya Kebede, Omar Sy, Sabine Pakora, Tahar Rahim, Youngar Fall
Produção:
Laurent Zeitoun, Nicolas Duval-Adassovsky, Yann Zenou
Fotografia:
Stéphane Fontaine
Montador:
Dorian Rigal-Ansous
Trilha Sonora:
Ludovico Einaudi
Duração:
120 min.
Ano:
2014
País:
França
Cor:
Colorido
Estreia:
09/07/2015 (Brasil)
Distribuidora:
Califórnia Filmes
Estúdio:
Gaumont / Korokoro / Quad Productions / Ten Films / TF1 Films Production
Classificação:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 17 de maio de 2014

FESTIVAL DE CANNES: SÁBADO TEVE SAINT LAURENT COM SEXO E DROGAS, DÉPARDIEU MARGINAL E BACKSTREET BOY VAMPIRO


O dia a dia do Festival de Cannes, você confere aqui.

Confira o que de melhor aconteceu neste sábado:


'SAINT LAURENT': BIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA TEM ORGIA E DROGAS E CAUSA COMOÇÃO NA PLATEIA

Morto há seis anos, a lenda da alta costura Yves Saint Laurent voltou à moda: depois do filme chapa branca sobre sua vida que está em cartaz em São Paulo, uma segunda cinebiografia entrou na competição de Cannes neste sábado e deu o que falar.

'Saint Laurent', de Bertrand Bonello, é bem mais verdadeiro que o primeiro e manda ver nas cenas de uso de drogas pelo gênio da costura, vivido por Gaspard Ulliel (de "Hannibal – A Origem do Mal"), com seu maior amante, Jacques (Louis Garrel, de "Canções de Amor").

Numa cena, que causou comoção na plateia, o cãozinho de estimação do estilista come todos os remédios largados no chão e morre de overdose - as cenas de drogas são bem mais fortes que as (poucas) cenas de sexo.

O filme se concentra em uma década, de 1967 a 1976, quando Saint Laurent abandona a Maison Dior para fundar sua própria casa de costura com o marido e sócio Pierre Berger, não poupando sequências com as modelos desfilando suas belas criações, e terminando com o desfile de 1976 - aquele que o próprio Yves considerava o seu mais inspirado.

Gaspard Ulliel em Cannes hoje - Public France

Mas Bonello consegue ir além ao elaborar um filme delirante, em que as aflições e fragilidades do artista conduzem o ritmo da narrativa.

Há momentos quase hipnóticos, envoltos num clima surrealista, que lembram seu filme anterior, 'Os Amores da Casa de Tolerância'.

Ao final, entra um Saint Laurent mais velho e decadente, vivido à perfeição pelo austríaco Helmut Berger, ator dos filmes de Luchino Visconti e há muito afastado das telonas.

Os dois filmes sobre Saint Laurent tiveram caminhos bem diversos: Bonello começou antes seu projeto, mas o outro diretor, Jalil Lespert, correu na frente e conseguiu a bênção de Berger, que além de viúvo é também cofundador da Maison Saint Laurent.

Depois, Berger - ainda vivo - deu várias declarações condenando este segundo filme, que foi feito sem autorização de amigos ou parentes.

"Mas por um lado isso foi bom, porque nos liberou da obrigação de fazer uma biografia tradicional", disse o produtor Eric Altmayer.

"Não faço comparações porque não vi o outro filme, me concentrei no meu projeto. Tomamos a liberdade de fazer o filme que quisemos. Para ser livres, precisamos trabalhar no nosso canto", disse Bonello.

"Essa década parecia a mais rica e apaixonante de sua vida, tanto em termos de moda como de vida. É um filme que vai do documentário à ópera".

Ulliel, que também está excelente como Saint Laurent jovem, ao mesmo tempo genial e frágil, contou que só conheceu Louis Garrel no momento das filmagens, e revelou que a cena de sexo entre eles era a única que não estava no roteiro.

"Uma espécie de graça surgiu entre a gente desde a primeira cena. Mas essas cenas são totalmente envolvidas pelo trabalho, não têm nada de realidade", defendeu.

Confira um teaser de 'Saint Laurent':


CURTAS DA CROISETTE

VAMPIRO BACKSTREET BOY

No mercado de Cannes, pode-se encontrar os filmes mais bizarros à venda para distribuidores do mundo todo.

Lembra de Kevin Richardson, o integrante mais alto e magrelo dos Backstreet Boys?

Ele agora investe na carreira de ator e estrela 'The Bloody Indulgent', um filme trash que mistura musical com filme de vampiro.

No elenco está também Diva Zappa, filha do lendário Frank Zappa.

Kevin Richardson hoje em Cannes - AFP
A sinopse desperta a curiosidade mórbida:
"Este sexy musical de vampiros está cheio de vampiros perturbados, ninfetas drogadas, zumbis existencialistas. Galões de sangue são derramados nesta versão nouvelle vague de uma mistura de 'Pulp Fiction' com 'Vem Dançar Comigo', que acompanha um Backstreet Boy vampiro (Kevin) caçado por uma Zombie Zappa (Diva)". 

Haja criatividade...

SAMBA NOS 'INTOCÁVEIS'

Eric Toledano e Olivier Nakache, diretores de 'Intocáveis', a maior bilheteria internacional de um filme francês em todos os tempos, parecem ter um pezinho no Brasil.

Sua nova comédia vai se chamar 'Samba' e reúne um grande elenco europeu: Omar Sy (de 'Intocáveis'), Charlotte Gainsbourg ('Ninfomaníaca'), Tahar Rahim ('O Passado') e Izia Higelin.

Eric Toledano e Olivier Nakache-FilmsEuropa
O pouco que se sabe do filme é que será uma comédia sobre amizade, solidariedade e trará de questões que possam ter empatia em diferentes partes do mundo - as informações são da revista 'Variety'.

DEPARDIEU MARGINAL?

Gérard Depardieu, ainda hoje o astro francês mais conhecido no mundo, vem a Cannes este ano com uma agenda de ator marginal.

Ele é a estrela de 'Wellcome to New York', o novo filme do americano Abel Ferrara ('Vício Frenético'), livremente inspirado no caso de Dominique Straus Kahn, ex-diretor do FMI acusado de agressão física a uma camareira de um hotel em Nova York.

Depardieu, em cena do longa - Divulgação

Vetado da seleção oficial, o filme teve uma sessão fechada para poucos jornalistas no festival, mas todo mistério é só para aumentar o burburinho em torno do filme.

A partir de hoje, o filme já estará disponível em um serviço de vídeo 'on demand' na internet e provavelmente não será exibido nos cinemas da França – orgulhosos, os franceses consideram uma afronta que um filme seja feito sobre um episódio tão vergonhoso envolvendo um de seus conterrâneos ilustres.

sábado, 5 de maio de 2012

"AMOR E DOR": DRAMA IRREGULAR, CASAL PROTAGONISTA SEM QUÍMICA


Baseado no romance "Fleur", da chinesa Jie Liu-Falin, "Amor e Dor" conta a história da conturbada relação entre Hua - interpretada por Corinne Yam - uma estudante chinesa em Paris, e Matthieu - o acima da média Tahar Rahim - um francês que trabalha em uma construção civil nos subúrbios da capital francesa.

Aos poucos, o que parecia ser um grande romance toma um rumo instável e a violência física e verbal começa a fazer parte do cotidiano do casal.
Divulgação
Corinne Yam - como Hua - e Tahar Rahim - como Matthieu - em cena de "Amor e Dor"

Com a derrocada do romance, e sentindo-se intimidada, a jovem decide voltar para China, não sem antes perceber a importância do rapaz em sua vida.

Exibido no Festival de Veneza de 2011, o filme é dirigido pelo jovem e polêmico cineasta chinês Lou Ye, que chegou a ser proibido de filmar em seu país por cinco anos após ter realizado "Palácio de Verão" (2006), em que abordava o protesto e massacre na Praça da Paz Celestial em 1989.

Sem muito espaço na China, resolveu trabalhar na França, mas sem esquecer suas raízes - o longa teve cenas rodadas em Pequim, traz uma protagonista chinesa e aborda ricamente os costumes locais.
Divulgação
O casal de protagonistas, em cena do filme

A sexualidade, outra marca da cinematografia de Ye, também está presente na obra, nas cenas de sexo pesadas e violentas e na carga emocional dos personagens, com narrativa bem construída num roteiro muito conciso, mas, mesmo assim, sem identificação com os protagonistas que mudam a todo momento seus perfis, num jogo que confunde o espectador.

Hua se apresenta como uma mulher moderna e independente, para depois já se mostrar submissa e sem personalidade, e Mathieu surge como um homem sensualíssimo e preocupado, mas que logo se revela capaz de atos duros e violentos.
Divulgação
Cenas de cexo, tórridas e violentas

O longa tem uma direção de fotografia muito inspirada - de Nelson Yu Lik-wai -, usando a câmera na mão, dando bem o tom de realidade e desespero transmitido pela obra.

Enfim, é um drama irregular, com protagonistas se esforçando para terem uma química quase inexistente.

Confira o trailer do filme:

*****
"AMOR E DOR"
Título original:
Love and Bruises
Diretor:
Lou Ye
Elenco:
Corinne Yam, Tahar Rahim, Jalil Lespert, Vincent Rottiers, Sifan Shao, Patrick Mille, Songwen Zhang, Adèle Ado, Cyril Dubreuil, Élise Otzenberger, Lika Minamoto
Produção:
Pascal Caucheteux, Kristina Larsen, An Nai
Roteiro:
Ye Lou, Liu Jie Falin
Fotografia:
Nelson Nelson Yu Lik-wai
Duração:
105 min.
Ano:
2011
País:
França/ China
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imovision
Estúdio:
Why Not Productions / Les Films du Lendemain / Arte France Cinéma / Canal+ / Dream Factory
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 13 de abril de 2012

'O PRÍNCIPE DO DESERTO' É ÉPICO, COM BOA TRAMA E PROTAGONISTA EXTREMAMENTE MÁSCULO


O diretor francês Jean-Jacques Annaud é um hábil artesão daquilo que chamamos de "épico".

Na sua filmografia, "O Nome da Rosa" (1986) - que foi um sucesso de crítica e público -  é um bom exemplo do gênero, com cenários espetaculares, direção de atores enxuta e segura e fotografia e direção de arte criativas.

A obra do diretor busca incessantemente a relação entre o tempo e o espaço - já visitou a pré-história, em "A Guerra do Fogo", a Idade Média, em "O Nome da Rosa" e a Segunda Guerra Mundial, em "Círculo do Fogo".

Agora, Annaud premia os amantes do épico com "O Príncipe do Deserto", onde prefere não mergulhar na questão do choque de culturas e interesses entre os ocidentais e os árabes, principalmente petróleo.

No longa, coprodução entre a França e o Catar e filmada nesse país e na Tunísia - nos mesmos cenários de "Star Wars" e "Caçadores da Arca Perdida" - o deserto do título ganha status de personagem principal na história do príncipe Auda - Tahar Rahim - e pode ser aliado ou o maior inimigo na história do rapaz, dividido entre dois mundos.

Nos primeiros anos do século 20, Auda é ainda um menino, que juntamente com seu irmão é entregue ao Emir Nassib - Antonio Banderas, com o brilho de sempre - como garantia de um acordo de paz numa guerra perdida por seu pai, o Sultão Amar - Mark Strong.
Divulgação
O astro espanhol Antonio Banderas, em cena como o Emir Nassib em "O Príncipe do Deserto"

O tempo passa, e quando americanos do Texas chegam para explorar o petróleo nas terras de Nassib, surge uma disputa entre os dois 'pais' de Auda, que para tentar acabar com a disputa, se casa com a filha de Nassib, Leyla - Freida Pinto - por quem já era apaixonado.
Divulgação
A atriz indiana freida Pinto, como Leyla, em cena do filme

Só que Amar quer vingar a morte de seu filho preferido, irmão de Auda, morto a mando de Nassib, o jovem príncipe é enviado como mensageiro da paz junto a seu verdadeiro pai, mas o plano não funciona.

A partir daí, a trama foca em batalhas que acontecem durante a travessia de Auda e seu grupo pelo deserto.

O motivo para a travessia se esvai ao longo do caminho, porquê a trama prefere o lado romântico, com Auda tentando retornar para sua Leyla.
Divulgação
O ator francês de ascendência argelina Tahar Rahim é Auda, protagonista de "O Príncipe do Deserto"

O ator Tahar Rahim vive aqui um personagem completamente diferente do gângster que interpretou no filme francês que o revelou ao mundo - "O Profeta".

Seu personagem é másculo como poucos, começa sua jornada com muitos livros à volta - Auda é um romântico apaixonado - e o longa acompanha seu amadurecimento como líder político -  só esse desempenho inspirado e sua bonita presença na telona  já valem o ingresso.

A parte cômica fica por conta de Ali - Riz Ahmed - o meio-irmão de Auda renegado pelo pai, que exerce a medicina e sai pelo deserto com o irmão e seu exército.

Se os texanos exploradores de petróleo são vistos, durante boa parte do filme, como mocinhos, quando a presença deles muda de figura, eles não são demonizados, já que o longa nunca se arrisca sobre essa e outras questões polêmicas.

Melhor assim, pois se o épico tem tons fortes, não é um filme que procura explicações, só permite ao espectador uma diversão de primeira.

Confira o trailer do filme:


*****
"O PRÍNCIPE DO DESERTO"
Título original:
Black Gold
Diretor:
Jean-Jacques Annaud
Elenco:
Tahar Rahim, Mark Strong, Antonio Banderas, Freida Pinto, Riz Ahmed, Jamal Awar, Lotfi Dziri, Eriq Ebouaney, Mostafa Gaafar, Akin Gazi, Ziad Ghaoui, Corey Johnson
Produção:
Tarak Ben Ammar
Roteiro:
Jean-Jacques Annaud, Menno Meyjes, baseado na obra de Hans Ruesch
Fotografia:
Jean-Marie Dreujou
Trilha Sonora:
James Horner
Duração:
130 min.
Ano: 
2012
País:
França/ Itália/ Catar
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Warner Bros.
Estúdio:
France 2 Cinéma / Quinta Communications / Prima TV / Carthago Films S.a.r.l. / The Doha Film Institute
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: