quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
A SEMANA NA DIVERSIDADE
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
AIDS: SEXO PIORA, E ARTISTAS ADEREM À CAMPANHA "SOMOS IGUAIS, PRECONCEITO NÃO"
Após HIV, piora na vida sexual difere em homens e mulheres
Estudo realizado na Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) constatou que após o diagnóstico positivo de HIV, homens e mulheres sofrem piora em suas relações sexuais.
Essa piora pode estar relacionada a inúmeros fatores, desde o desempenho até a frequência do ato sexual.
Segundo a pesquisa, ao comparar homens e mulheres, foi possível perceber que cada grupo considera diferentes variáveis como causas da piora na vida sexual.
A psicóloga Lígia Polistchuck estudou o assunto em sua dissertação de mestrado, e constatou que algumas concepções construídas social e culturalmente sobre os universos masculino e feminino podem exercer influência para piora na vida sexual.
Segundo a psicóloga, além de se depararem com tais concepções, atualmente os soropositivos ainda enfrentam, de certa forma, um suporte às vezes não adequado dado pelas instituições que se dizem especializadas.
“Este suporte os reduzem ao diagnóstico da doença, sem atentar para os outros fatores que auxiliariam na promoção de sua saúde”, afirma Lígia.
A pesquisa, baseada na análise de questionários respondidos por 979 portadores de HIV, aponta as variáveis mais relacionadas à piora tratando-se de cada sexo. Há variáveis que protegeriam os soropositivos da piora na vida sexual, chamadas “protetivas”, e também variáveis que colaborariam para o agravamento da vida sexual.
Para cada sexo, variáveis diferentes apresentam-se como mais expressivas, sejam protetivas ou não.
Por exemplo, para as mulheres, a falha de suporte do serviço de saúde, em diversos aspectos, é considerada muito significativa como causa de piora na vida sexual.
Já para os homens, ter o número de parceiras sexuais reduzido após o diagnóstico apresenta-se como questão expressiva para o agravamento na vida sexual. Isso não os ajuda na tentativa de manutenção do “ser homem”, uma construção sociocultural.
Como “protetiva”, “a facilidade para falar com psicólogo às vezes” apareceu no universo masculino. Curiosamente, ao contrário do que se esperava baseado no senso comum de que mulheres conversam mais com os médicos — psicólogos e outros profissionais da área —, esta variável não foi expressiva para o universo feminino.
Apesar disso, “a não abertura para falar com ginecologista sobre as relações sexuais” foi considerada um motivo expressivo de piora.
A partir desta comparação, a pesquisadora pôde confirmar a importância de ser oferecido um espaço para que as pessoas que vivem com HIV possam falar da vida sexual com o profissional de saúde.
Este, por sua vez, deve ter um olhar mais atento às demandas não tão óbvias, ou que não se associem somente à prevenção ou ausência de doença.
Vida financeira e uso de drogas
O trabalho constatou ainda que questões que dizem respeito à vida financeira também exercem influência para as mudanças na vida sexual de portadores.
No caso dos homens e das mulheres, respectivamente, estar empregado e receber um salário mediano, por exemplo, é considerado importante para as mudanças na vida sexual.
Os homens, caso desempregados, têm mais possibilidade de apresentar piora.
Esta piora aconteceria porque o homem é cobrado e/ou se cobra quando o assunto é “desempenho”, “poder”, “prover”, colaborando para o que a pesquisadora apontou sobre a influência das construções socioculturais associadas à vida sexual, além do diagnóstico positivo para o HIV.
No que diz respeito às drogas, a variável “fazer uso de maconha”, sendo este uso prévio ou atual, não determinado, apareceu como variável protetiva para os homens.
Segundo a pesquisadora, “é possível associar este dado a duas questões: os efeitos do uso podem trazer um relaxamento que é útil se pensarmos na cobrança frente ao desempenho do homem na cena sexual. Ainda, o uso de droga pode se associar a uma construção de masculino valorizada, a de correr riscos, a de uma vivência e um saber sobre esta esfera”.
É importante lembrar, segundo a psicóloga, que o efeito do uso é singular em cada organismo, o que não permite generalizações.
Para as portadoras de HIV esta variável não surgiu como associada à piora na vida sexual, revelando o quanto homens e mulheres são influenciados por variáveis diferentes em suas relações afetivas a partir do diagnóstico.
A pesquisadora utilizou duas amostras de portadores do vírus do Estado de São Paulo para realizar seu estudo: soropositivos que recebiam tratamento pela Casa da Aids, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e pelo Centro de Referência de Tratamento DST-AIDS (CRT).

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Fontes: Ministério da Saúde e Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP
sexta-feira, 16 de abril de 2010
MARINA SILVA RESPONDE ÀS BICHITTAS PATRULHEIRAS
A senadora Marina Silva, pré candidata à presidência pelo PV, resolveu responder com um longo texto à história - patrulheira e mentirosa - da "bandeira do arco-íris que ela teria escondido".Nem precisava. Quem conhece sua história de vida sabe que ela jamais faria algum ato hostil a alguém.
Mas as Patrulheiras do Arco Íris ocuparam a internet nessa semana, enchendo bem o meu saco com acusações descabidas à candidata, e reproduzindo apenas o "eu ouvi falar que ela escondeu uma bandeira do arco íris dada por um militante em MG".
E para que não fiquem dúvidas sobre o caráter dessa mulher lutadora, é que eu resolvi transcrever aqui o seu texto.
Bichittas patrulheiras: Vão caçar marido, que vocês ganham mais!
O que penso a respeito do movimento LGBTs
Caricatura: Arquivo do Klau
Quem conhece a minha história e convive comigo sabe que respeito as diferenças e sou defensora da tolerância. Acredito que são posturas essenciais para a construção da ética democrática.Minha voz e meus atos nunca manifestaram ou manifestarão, portanto, qualquer tipo de rejeição a qualquer movimento legitimado por aquilo que costumo chamar de forças vivas da sociedade. Sempre que me perguntam sobre o que penso a respeito do movimento LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros), seus direitos e sua luta por leis que os protejam de discriminação, digo que reconheço a legitimidade do movimento e de suas reivindicações.
O Estado deve assegurar a todos – sem distinção – igualdade. As políticas públicas, democraticamente aprovadas pelo Parlamento, e implementadas pelo governo, devem atender a todos.
Falo isso porque, nos últimos dias, um vereador de meu partido, militante do movimento LGBTs, me escreveu, com cópia para outras pessoas, dizendo que eu "escondi" a bandeira arco-íris que ele me entregou durante um evento público na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O assunto chegou a ganhar certa repercussão no universo da internet. Sander Simaglio, segundo ele escreve, teria me pedido para estender a bandeira.
Sander, um ativo militante e parlamentar, atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Alfenas, subiu ao palanque no momento em que o presidente do partido em Minas, Ronaldo Vasconcellos, fazia seu discurso de posse. Na sequência, solicitou que eu tirasse uma foto ao seu lado. Atendi Sander, como faço com todos os pré-candidatos do PV, para registrar aquele encontro momentâneo. Não me recordo de ter tido qualquer outro diálogo com ele.
Logo em seguida, de forma simpática e respeitosa, ele me passou a bandeira que retirou do bolso de seu paletó. Como fiz com tantas outras lembranças que me foram dadas naquele dia – livros, artesanatos e flores –, passei a oferta do vereador para a minha assessoria. Então nos abraçamos, nos despedimos, e não notei nenhum desapontamento de sua parte. Aliás, não tive nenhuma reação surpreendente ao receber a bandeira.
Receber presentes e lembranças simbólicas é um ato corriqueiro em minhas andanças pelo país. Na condição de pré-candidata à Presidência da República, me coloco como postulante a representar todos os brasileiros, independentemente do que pensam, de sua orientação sexual, do que crêem ou de sua militância. Minha história é meu compromisso. Política deve ser feita com respeito, sem proselitismo.
Por fim, reafirmo: ainda que minha conduta moral e ética integrem valores da fé cristã, que professo, não discrimino quem quer que seja e defendo plena cidadania para todos. O mesmo espero de todas as outras pessoas, candidatas ou não.
