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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

'MARIGHELLA': LONGA DIRIGIDO POR WAGNER MOURA GANHA TEASER

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O longa ganhou teaser inédito
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Assista:


A produção tem direção de Wagner Moura (Tropa De Elite, Narcos) e é baseada no livro "Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo", de Mário Magalhães.

O longa-metragem conta a história dos últimos anos de Carlos Marighella, guerrilheiro que liderou um dos maiores movimentos de resistência contra a ditadura militar no Brasil, na década de 1960.

Comandando um grupo de jovens guerrilheiros, Marighella tenta divulgar sua luta contra a ditadura para o povo brasileiro, mas a censura descredita a revolução.

Seu principal opositor é Lúcio, policial que o rotula de inimigo público nº 1.

Quando o cerco se fecha, o próprio Marighella é emboscado e morto - mas seus ideais sobrevivem nas ações dos jovens guerrilheiros, que persistem na revolução.

Marighella traz no elenco Seu Jorge, Adriana Esteves, Humberto Carrão e Bruno Gagliasso, entre outros e estreia em 20 de novembro, dia da Consciência Negra.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

'MARIGHELLA': POR QUE A PRIMEIRA DIREÇÃO DE WAGNER MOURA INCOMODOU TANTO OS NAZI-BOLSONÁRIOS

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Filme que exalta o herói contra a ditadura para alguns, terrorista para outros, fez boa figura em Berlim e por isso, já está sendo perseguido pela patrulha bolsonária
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A produção do filme sobre a vida de Carlos Marighella foi anunciada no início de 2018 e chamou a atenção da crítica por ser a primeira direção do ótimo ator Wagner Moura.

Foram anunciados Seu Jorge no papel principal e um elenco que contava com Humberto Carrão, Bruno Gagliasso e Adriana Esteves.

A grande estreia mundial ocorreu essa semana, no Festival de Berlim, e os resultados refletem o cenário dicotômico e reacionário que o nosso país vem enfrentando.

A primeira exibição do filme no Berlinale teve o ex-deputado federal Jean Willys na plateia, que ganhou um estalado beijo de Wagner Moura nos bastidores.

O filme foi relativamente bem recebido e arrancou muitos aplausos da plateia - apesar de ter sido reportado também que dividiu opiniões em seu resultado.

Cena de 'Mariguella' - Divulgação

A polêmica mesmo começou na coletiva de imprensa, seguida à exibição do longa.

Perguntado por jornalistas, o diretor respondeu que “nosso filme é maior que Bolsonaro. [...] É um filme que vai em contraste com o grupo que está no poder no Brasil.”

Em vídeo postado pelo Festival de Berlim em seu canal no Youtube, Wagner Moura explica que a obra é provavelmente o primeiro filme da resistência que está acontecendo no Brasil.

Ele compara a resistência ocorrida em 1964, na época de Marighella, com a que os cidadãos estão tendo que realizar nos últimos tempos, especialmente as comunidades LGTB, indígena e negra.

O diretor também disse que o longa não é uma resposta ao atual presidente, embora seja um filme político com um viés contrário.

Além disso, afirmou que não apoia que as pessoas peguem em armas para defender seu ponto de vista, mas que eram tempos diferentes.

Confira trecho da coletiva com legendas:


O ator Humberto Carrão lembrou que a maioria dos brasileiros sequer sabe quem foi Marighella, e que isso não é por acaso:

"Esta ignorância é, na verdade, produto de um projeto muito bem sucedido no Brasil que engloba não falar da própria História, especialmente em escolas particulares; falamos muito sobre a Revolução Francesa, mas não falamos nada sobre os revolucionários negros do Brasil", disse o ator, que neste momento foi aplaudido pelos membros da imprensa.

Para Carrão, não saber quem foi Marighella é algo proposital.

E que as escolas e a comunidade negra estão resgatando essas histórias do Brasil e trazendo-as para as salas de aula, mas que justamente essas pessoas já estão sendo perseguidas e assassinadas por estas razões.

O filme, a seu ver, é um convite para ter um olhar mais crítico e complexo da história de nosso país.

Cena de 'Mariguella' - Divulgação

Wagner Moura confessa estar ciente de que terá muitas dificuldades de lançar esse filme no Brasil, ressaltando que já está havendo uma mudança semântica na forma interpretativa sobre o que aconteceu em 1964, e que o que acontece hoje é justamente da mesma forma como aconteceu no passado: criminalização das pessoas, censura das artes e mudança semântica dos acontecimentos, criando um ambiente em que tudo parece ser natural.

E afirma: o Brasil é um país racista.

O diretor compara as história de Marighella e de Marielle, ambos negros e ativistas, assassinados, e comenta que a polícia não é treinada para proteger os cidadãos, mas sim para proteger o Estado, que é quem escolhe quem é o inimigo.

Wagner Moura levanta a questão do genocídio negro que ocorre nas favelas.

Emocionado, Bruno Gagliasso, que vive um policial, confessou a dificuldade que teve para construir seu personagem, que precisava bater e odiar o Marighella – para ele, a dificuldade era ainda maior por causa da sua filha adotiva, que é negra, e que já passou por situações de ódio racial no Brasil.

Bruno encerra dizendo que só conseguiu fazer o filme porque via a importância do longa para sua filha no futuro.

Confira a coletiva, sem legendas:


Após a coletiva de imprensa, o discurso de ódio invadiu as redes sociais, tanto dos atores envolvidos no filme quanto nos canais do próprio Festival de Berlim.

Os comentários acusatórios – em sua maioria, em português e alguns em inglês do Google Translate – foram tantos e tão pesados, que levaram o site a bloquear e tirar os comentários do ar.

O Internet Movie Database – site de avaliação crítica de filmes feitas pelos próprios usuários – foi obrigado a apagar as avaliações ao filme, após uma ação coordenada que chegou a levar a nota do filme a 2,8.

Ao todo foram mais de 30 mil votos negativos ao filme e mais de mil comentários de ódio - todos partiram dos bolsonários, que, lógico, ainda nem viram o filme.

O próprio vídeo da coletiva no Youtube contém centenas de comentários de ódio.

Vale lembrar que o filme teve apenas quatro exibições no Festival de Berlim, e que juntando todos na plateia não daria 30 mil pessoas.

Entretanto, a plataforma responsável por agregar avaliações de usuários do mundo inteiro percebeu que a maioria dos 30 mil votos vinham de brasileiros - e que o filme nem ao menos havia chegado aqui.

Portanto, a equipe suspeitou da insurgência de bots na página da obra e suspendeu notas e comentários recentes devido à discrepância já citada.

Foi o que bastou para os bolsonários caras de pau acusarem um dos mais confiáveis sites de cinema do mundo de 'censura'.

Um dos suspeitos de coordenar os ataques no IMdB – Adriano Nóbrega – tinha a mãe e a mulher empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Ao que parece, será realmente difícil realizar a estreia de ‘Marighella’ no Brasil nesses tempos e, caso aconteça, será com muitos protestos a favor e contra.

E, se um filme consegue mobilizar tantas pessoas a se posicionarem sobre ele, então, ele cumpriu o seu papel como obra audiovisual que fez, principalmente, pensar e refletir.

Baseado em 'Marighella - O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo', de Mário Magalhães, 'Marighella' conta a história verídica de Carlos Marighella, assassinado pela ditadura militar e cujo legado se estendeu por diversas gerações.

O elenco é formado por Seu Jorge, Adriana Esteves, Bruno Gagliasso, Humberto Carrão e Luiz Carlos Vasconcelos.

O filme tem estreia marcada para o dia 18 de abril aqui no Brasil.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

FESTIVAL DE BERLIM: PRIMEIRA DIREÇÃO DE WAGNER MOURA, 'MARIGHELLA' É OVACIONADO E EXIBIÇÃO SE TRANSFORMA EM GRANTE ATO ANTI-BOLSONARO

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'Nosso filme é maior que Bolsonaro' - disse Moura, na entrevista coletiva lotada de correspondentes internacionais - premiere de gala teve aplausos de pé e presença de Jean Wyllis
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O ator Wagner Moura foi ao Festival de Cinema de Berlim - um dos mais importantes do mundo - divulgar seu primeiro trabalho como diretor, a cinebiografia 'Marighella', estrelada por Seu Jorge e Bruno Gagliasso.

O filme foi exibido para o público nesta sexta (15) fora da competição oficial - e casou furor.

O ator e diretor levou para a coletiva de imprensa pós exibição uma placa com o nome de Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro e cujo crime ainda não foi solucionado e nenhum culpado preso.

Wagner também concedeu entrevista coletiva e respondeu tudo o que foi perguntado - algumas perguntas foram sobre o filme e a maioria, sobre a atual situação política no Brasil - ao lado de 30 membros da equipe, entre técnicos e artistas.

Wagner Moura, Seu Jorge e Bruno Gagliasso em Berlim - Divulgação

Aos brados de 'Marielle Presente', Moura levou consigo uma placa de rua em homenagem à vereadora do PSOL Marielle Franco, executada a tiros há 11 meses no Rio de Janeiro, como forma de relembrar que, até agora, o crime não foi solucionado.

Wagner Moura ao lado de Maria Marighella (dir.), neta de Carlos Marighella, e demais membros da equipe do filme em Berlim - TOBIAS SCHWARZ AFP/GETTY IMAGES

Aos jornalistas, Moura falou espera que o filme seja maior que governo Bolsonaro:

“Meu primeiro instinto, depois de ler a biografia em que se baseia o roteiro, foi produzir o filme. Como não encontrei um diretor, eu me arrisquei, já que não achava que ia ser tão complicado. Só me considero um ator que dirige. Por outro lado, foi a experiência artística mais importante da minha vida. Nós o iniciamos em 2015, depois do golpe de Estado [o impeachment de Dilma Rousseff]. Não é uma resposta a um Governo em particular. Espero que meu filme seja maior que o atual Governo de Bolsonaro, e é a primeira resposta da cultura a esta situação. Marighella fala de alguém que resistiu naquela época e se dirige a quem resiste agora: a comunidade LGBTI, os negros, os moradores das favelas…”

Confira o vídeo editado onde Wagner responde em inglês:


Marighella, cinebiografia inspirada no livro Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo, do jornalista Mário Magalhães, estreou sob aplausos em sessão dedicada à imprensa no Festival de Berlim, tendo o músico e ator Seu Jorge no papel do guerrilheiro baiano.


O Pôster do longa - Divulgação
A obra acompanha os últimos cinco anos de vida de Carlos Marighella - do golpe militar de 1964 até seu assassinato em 1969 - numa operação da polícia considerada um dos marcos do fim da guerrilha urbana durante a ditadura.

MAIS IMAGENS:


Getty Images
No filme, o ator Bruno Gagliasso interpreta o (fictício) delegado Lúcio, baseado em diversos agentes da repressão contra a luta armada, nos tempos da ditadura militar.

A primeira inspiração, no entanto, foi o agente do temido Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Sérgio Paranhos Fleury.

Em conversa com jornalistas em Berlim, Gagliasso se emocionou a falar do filme:

“Não sei se vocês sabem, mas tenho uma filha negra. Eu sei da importância desse filme para a minha filha no futuro. Com esse filme, fui a um lugar onde nunca imaginei ir. Wagner [Moura] é ainda melhor diretor do que ator. Esse filme é forte, visceral, potente, mas movido por amor. Isso ninguém pode esquecer”, disse.

Por fim, a estreia em Berlim teve a presença mais do que honrosa do ex-deputado federal Jean Wyllis, que no Brasil, continua sofrendo os mais variados – e alguns tresloucados – ataques.

Foi acusado de dar dinheiro para Adélio Bispo, que esfaqueou Jair Bolsonaro.

Seria até namorado do criminoso.

Estaria encenando ao sair do Brasil – as ameaças sobre sua vida não seriam para valer.

Jean Wyllys estava na sessão de gala de “Marighella”, no Festival de Berlim.

Foi aplaudido e recebeu um beijo na boca de Wagner Moura - que serviu como uma espécie de desagravo à sua importância como defensor da democracia e dos direitos LGBTs no Brasil.

Veja: