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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

'MINHA FAMA DE MAU': CINEBIOGRAFIA CORRETA E INSPIRADA, QUE MOSTRA A JOVEM GUARDA COMO QUEREMOS VER


SINOPSE:

Lutando para sobreviver e se virando com pequenos trabalhos, o jovem Erasmo Carlos (Chay Suede) alimenta uma paixão: o rock and roll.

Fã de Elvis Presley, Bill Halley & The Comets e Chuck Berry, ele aprende a tocar violão e passa a perseguir a ideia de viver da música.

Misturando talento e um pouco de sorte, ele conquista a admiração do apresentador de TV Carlos Imperial (Bruno de Luca), um cara influente no meio artístico, e através dele conhece o cantor Roberto Carlos (Gabriel Leone), com quem começa a compor diversas canções.

A parceria dá muito certo e o sucesso logo chega, transformando para sempre a vida de Erasmo.

CRÍTICA:

Em meio a tantos projetos envolvendo ícones da música popular brasileira, no cinema e no teatro, era de se estranhar que nada tenha sido desenvolvido abordando o universo da Jovem Guarda, movimento ícone dos anos 1960 que balançou corações e mentes dos jovens da época.

Minha Fama de Mau, que estreia nesta quinta (14) vem suprir esta lacuna, tendo por base a vida de um dos principais nomes do movimento: Erasmo Carlos.

Dirigido por Lui Farias, o longa-metragem é hábil ao encampar a Jovem Guarda não apenas como fenômeno musical, mas também comportamental - especialmente ao ressaltar ser esta a principal característica do movimento.

Não se trata de denegrir as canções e músicos, esforço empreendido por vários críticos da época, mas de contextualizar o momento do país de forma a melhor compreender sua explosão popular, tendo sempre por base a carreira do próprio Erasmo.

Até por isso, o longa foge do tema político, sequer lembrando o espectador de que os fatos narrados aconteceram em plena ditadura militar.

Gabriel Leone (Roberto Carlos), Malu Rodrigues (Wanderléa) e Chay Suede (Erasmo Carlos) - Fotos dessa postagem: Divulgação/Downtown Filmes

Se para o filme a informação não importa, isso deixa ainda aberta a lacuna acerca do filme definitivo sobre a Jovem Guarda, em toda sua abrangência.

A partir da efervescência musical do bairro carioca da Tijuca, berço também de Tim Maia (Vinícius Alexandre, em boa composição do estilo inconfundível do cantor, mesmo na juventude), o filme acompanha a saga de Erasmo antes mesmo de aprender música de fato, quando era um mero fã do que vinha lá de fora - empolgado com o ritmo e visual alheios, ele busca o rock'n'roll style ao dedilhar suas primeiras notas e se arriscar no microfone.

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Vinícius Alexandre é Tim Maia
Sua jornada é apresentada a partir de um mix de estilos narrativos, que nem sempre dialogam bem entre si.

Da quebra da quarta parede à presença de um narrador em off, o longa passa ainda por mudanças de formato de tela, personagens desenhados a mão, sonhos, enquadramento no estilo quadrinhos, imagens de época e uma atriz que se desdobra em vários personagens, sempre em participações bem pequenas - e, muitas vezes, sem qualquer importância.

E tudo com diálogos que transmitem a ansiedade em rapidamente proporcionar ao espectador o reconhecimento dos personagens em cena.

Por mais estranha que seja, a estrutura narrativa tem justificativa, dada pelo próprio filme.

Em determinada cena, Roberto e Erasmo Carlos estão juntos em um ônibus, compondo a letra de "Parei na Contramão".

Um deles pergunta: "mas como você quer fazer uma música sobre carros que tenha um ritmo lento?"

Chay Suede é o protagonista Erasmo Carlos

Lui Farias segue a mesma tática: ao rodar um filme sobre juventude, mesmo que de época, ele busca a novidade como formato narrativo, no sentido de dialogar esteticamente com sua matéria-prima.

Por mais que até seja uma proposta interessante, a má execução de boa parte de tais tentativas traz ao filme um ar de estranhamento, em seu terço inicial.

É apenas quando sossega nas experimentações, assumindo um ritmo mais tradicional, que o filme se encontra de fato - não por acaso, é quando a Jovem Guarda inicia.

Em meio à histeria decorrente do sucesso, brilha o talento de Chay Suede e Gabriel Leone.

Se o primeiro como Erasmo migra da luta por algum espaço para o posto de ídolo de uma geração, Leone é a personificação precisa do jeito de ser de Roberto Carlos - sem recorrer a caricaturas, como tantas vezes acontece.

Malu Rodrigues, grande atriz de musicais, completa o trio como Wanderléa, em uma atuação mais dedicada a replicar os trejeitos da cantora do que propriamente no desenvolvimento da personagem - demérito do roteiro, que foca apenas na proteção (e desejo) da dupla Roberto & Erasmo à caçula do grupo, sem dar a ela alguma profundidade.

Esta, é sempre bom lembrar, é a história de Erasmo e assim, vemos apenas o que interessa.

Claro que a amizade com Roberto Carlos ganha um bom espaço.

É interessante também reparar que, pela quantidade de filmes já feitos envolvendo ícones da MPB, certas lacunas presentes em aqui são preenchidas por outras produções.

Por exemplo, a ausência de Tim Maia da Jovem Guarda, mesmo integrando o mesmo grupo, está na cinebiografia do eterno síndico.

Erasmo já curtindo o sucesso proporcionado pela Jovem Guarda

A importância de Carlos Imperial - e seu jeito impositivo e muitas vezes destrutivo - vai além da caricatura aqui apresentada por Bruno de Luca e é (bem) melhor esmiuçada no documentário Eu Sou Carlos Imperial.

Mesmo Elis Regina, aqui apenas mencionada, tem sua ojeriza às guitarras apresentada em Elis.

É a história dos ídolos da música nacional formando, indiretamente, um imenso painel multifacetado sobre uma época tão rica e também complexa.

Lui Farias entrega um filme correto, que tenta agradar aos fãs na representação dos bastidores da Jovem Guarda e, ao mesmo tempo, capturar a atenção dos mais jovens pela proposta narrativa empregada, apesar dos claros problemas de unidade.

Seu ponto forte é o elenco, bem escolhido e caracterizado, que canta muito bem e que muitas vezes supera as fragilidades de roteiro e mesmo estruturais, quando claramente percebe-se que havia um orçamento limitado ao rodar certas cenas - especialmente as que mostram a saída da rádio onde Carlos Imperial trabalhava.

Retrato sonoro e comportamental de uma época, o longa atende ao objetivo de trazer às telonas a história de vida de Erasmo Carlos - mesmo que, para tanto, tenha que desviar o foco de certos ângulos interessantes, e até mesmo necessários à história do movimento.

Paula Toller como a maior fofoqueira de celebridades da época, Candinha

Como curiosidade, vale prestar atenção na breve participação da cantora Paula Toller, como a icônica fofoqueira do rádio Candinha - uma ótima referência a quem viveu a época.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
MINHA FAMA DE MAU
Título original:
MINHA FAMA DE MAU
Gênero:
Drama, Biografia, Musical
Direção:
Lui Farias
Elenco:
Chay Suede, Gabriel Leone, Malu Rodrigues, Isabela Garcia, Bruno de Lucca, Bianca Comparato, Gabriel Gracindo, João Vitor Silva, Vinícius Alexandre, Paula Toller
Roteiro:
Lui Farias, Letícia Mey - baseados na autobiografia de Erasmo Carlos
Produção:
Marco Altberg, Lui Farias
Diretor de Fotografia:
Gui Gonçalves
Diretor de Arte:
Tiago Marques
Estúdios:
LMC LaToller, Indiana Produções, Globo Filmes, Tele Cine Productions
Distribuição:
Downtown Filmes
País:
Brasil
Ano de Produção:
2019
Duração:
1h56

COTAÇÃO DO KLAU:

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

'MINHA FAMA DE MAU': CINEBIOGRAFIA DE ERASMO CARLOS GANHA TRAILER E PÔSTER

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Minha Fama De Mau, cinebiografia de Erasmo Carlos, ganhou seu primeiro trailer oficial
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Confira:


O longa da Downtown Filmes conta a trajetória do 'Tremendão', que se destacou no cenário musical na década de 60 e despontou na carreira com a Jovem Guarda.

O Pôster:

Além de Chay Suede como Erasmo, o elenco conta com Gabriel Leone como Roberto Carlos e Malu Rodrigues como Wanderléa, entre outros.

Dirigido por Lui Farias, Minha Fama De Mau chega aos cinemas no dia 14 de fevereiro.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

'CHACRINHA - O VELHO GUERREIRO': CINEBIOGRAFIA NÃO VEIO PARA EXPLICAR, SÓ VENERAR UM DOS MAIORES COMUNICADORES DE TODOS OS TEMPOS


SINOPSE:

Cinebiografia de José Abelardo Barbosa de Medeiros (Stepan Nercessian) desde a época de sua juventude (Eduardo Sterblitch), quando decide largar a faculdade de Medicina para se aventurar como locutor em uma rádio.

Após começar a fazer barulho no rádio, Chacrinha é convidado a se aventurar na televisão e revoluciona os programas de auditório, apresentando vários nomes importantes da música brasileira, se tornando um dos maiores comunicadores que o Brasil já viu.

CRÍTICA:

Diretor de filmes cultuados como 'Gêmeas', 'Eu Tu Eles' e 'Casa de Areia', Andrucha Waddington optou por um cinema mais comercial nos últimos trabalhos, em especial com 'Os Penetras' e 'Os Penetras 2 - Quem Dá Mais?'.

Agora, o diretor chega aos cinemas com 'Chacrinha - O Velho Guerreiro', cinebiografia com apelo comercial e destinada não só aos fãs do apresentador, como também às novas gerações, que não puderam conhecer o seu trabalho, em emissoras como Band e Globo.

Chacrinha, como era conhecido José Abelardo Barbosa de Medeiros, foi um dos maiores nomes do rádio e da televisão brasileira, influenciando e lançando inúmeros sucessos da música nacional. 

Chacrinha - O Velho Guerreiro : Foto
Eduardo Sterblitch vive Abelardo quando jovem - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Downtown Filmes
O filme procura traçar a história de início, meio e fim da vida do artista e, até por isso, tem dificuldade em ser bem sucedido.

O longa tenta mostrar coisa demais, então é impossível não sentir que estamos diante de algo superficial.

São vários os pulos no tempo e muitas vezes estes acabam fazendo com que momentos mais desafiadores da carreira do artista, especialmente no início, fiquem parecendo simplórios.

Eduardo Sterblitch vive Abelardo quando jovem, retratando o início dele no Rio de Janeiro e suas aventuras no rádio.

Ainda que um pouco exagerado, Sterblitch tem bons momentos e revela ao grande público sua faceta de ótimo ator que sempre foi.

Quando mais velho, Chacrinha é vivido por Stepan Nercessian, numa performance divertida e sensacional: a impressão é que o ator, que já havia vivido a personagem num aclamado musical nos palcos, incorporou o Velho Guerreiro, tamanha a perfeição.

Chacrinha - O Velho Guerreiro : Foto
Stepan Nercessian interpreta Chacrinha mais velho
Valorizando mais as polêmicas e o temperamento forte, o filme, porém. deixa a desejar ao retratar a importância do artista na vida cultural e televisiva brasileira.

Com uma produção bem inferior ao visto recentemente em 'Bingo - O Rei das Manhãs', para citar outro filme sobre uma personalidade da TV nacional,
a vida pessoal de Chacrinha é explorada, mas sempre de forma a privilegiar o folclore ao invés dos dramas íntimos do artista.

Chacrinha - O Velho Guerreiro : Foto
Gianne Albertoni é Elke Maravilha
Mesmo o acidente que abalou sua família - um de seus filhos, então noivo da cantora Wanderléa, ficou tetraplégico - é retratado de forma rápida e pouco desenvolvida.

Mas o que importa mesmo é que o longa conta com um vasto leque musical, retratando inúmeras canções, artistas e bandas que participaram dos programas de Chacrinha.

Neste sentido, temos cenas divertidas e atrativas para os espectadores, com atores caracterizados como ícones da música como Clara Nunes e Raul Seixas, dentre vários outros.

Imagem relacionada
Karen Junqueira é Rita Cadillac
E lógico, as duas mulheres ícone da carreira do Velho Guerreiro - Rita Cadillac (Karen Junqueira) e Elke Maravilha (Gianne Albertoni) - estão presentes, com boa participação no longa, que conta com bom figurino e design de produção.

Como sabemos, o projeto vira série da Globo no ano que vem - o que deve fazer com que todas essas falhas temporais e histórias superficiais sejam devidamente corrigidas.

Quanto ao filme, quem conhecia pouco sobre Chacrinha seguirá sem saber muito - mas quem o conhecia, vai se deliciar.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'CHACRINHA - O VELHO GUERREIRO'
Título Original:
CHACRINHA - O VELHO GUERREIRO
Gênero:
Biografia, Drama
Direção:
Andrucha Waddington
Elenco:
Stepan Nercessian, Eduardo Sterblitch, Gianne Albertoni, Carla Ribas, Gustavo Machado, Rodrigo Pandolfo, Laila Garin, Antonio Grassi, Karen Junqueira, Marcelo Serrado
Roteiro:
Cláudio Paiva
Trilha Sonora:
Antonio Pinto
Produtores:
Angelo Salvetti, Altino Pavan, Cosimo Valerio, Andrucha Waddington, Lupa Mendes
Produtor Executivo:
Fernando Zagallo
Produtor Associado:
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni)
Diretor de Fotografia:
Fernando Young
Montador:
Thiago Lima
Figurinista:
Marcelo Pires
Produção:
Paris Filmes
Distribuição:
Downtown Filmes
País:
Brasil
Ano de Produção:
2017
Estreia (Brasil): 
8 de novembro de 2018
Duração: 
1h54min
Classificação Indicativa:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

'O DOUTRINADOR': CENAS DE AÇÃO DE TIRAR O FÔLEGO E SÃO PAULO TRANSFORMADA EM GOTHAM ENTREGAM UM DOS MELHORES FILMES BRASILEIROS DO ANO


SINOPSE:

Um vigilante mascarado surge para atacar a impunidade que permite que políticos e donos de empreiteiras enriqueçam às custas da miséria e do trabalho da população brasileira.

A história do homem por trás do disfarce de "Doutrinador" envolve uma jornada pessoal de vingança na qual um agente traumatizado decide fazer justiça com as próprias mãos.

CRÍTICA:

Nenhum outro lançamento nacional de 2018 foi tão ansiosamente aguardado como 'O Doutrinador', que finalmente estreia nesta quinta, 01.

Afinal, é a primeira grande produção nacional de super-herói baseada em uma HQ produzida no Brasil, acompanhando uma tendência hollywoodiana que, ano após ano, faz a alegria dos espectadores de cinema.

E o melhor: a proposta do filme reflete os sentimentos sociais de uma nação que atualmente vai da desconfiança ao puro nojo por seus líderes políticos.

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Kiko Pissolato é o protagonista Miguel Montessant - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Paris Filmes
Baseado na série de quadrinhos homônima, de Luciano Cunha, temos aqui um filme de ação competente, uma obra tecnicamente bem realizada e bem acabada, com uma rara sofisticação técnica no cenário brasileiro.

Ao mesmo tempo, o roteiro simples até se esforça para ser menos maniqueísta, oferecendo explicações para as atitudes do protagonista, mas oferece pouca reflexão.

Apesar de ambos os filmes partirem de um pessimismo para com as instituições públicas e dialogarem com o cinema policial norte-americano, esqueça a comparação com 'Tropa de Elite', já que a adaptação dirigida por Gustavo Bonafé (codiretor do bom 'Legalize Já - Amizade Nunca Morre') tem a política como tema.

Na prática, é raso o comentário que o filme traz sobre a imoralidade com a coisa pública.

A obra é sintomática ao simbolizar um retrato da insatisfação do brasileiro médio, mas não parece interessada em articular um discurso que seja mais do que um mero espelho de indignações.

No filme, Kiko Pissolato interpreta o policial Miguel Montessant, que integra uma divisão altamente treinada da polícia empenhada em enquadrar políticos corruptos, uma espécie de Operação Lava Jato conduzida por agentes da SWAT.

Quando a investigação consegue chegar ao inescrupuloso governador Sandro Corrêa (Eduardo Moscovis), o político se esquiva da prisão com ardileza e ainda anuncia sua candidatura à Presidência da República.

Mesmo inconformado, o protagonista segue sua vida.

Pai divorciado, Miguel decide levar sua filha pequena para assistir um jogo da seleção brasileira (ecoando a atmosfera de euforia que precede a crise do Brasil dos anos dos grandes eventos) até que a menina é atingida por uma bala perdida em uma cena que pesa mais a mão no melodrama do que deveria.

Ao se deparar com a fatal precariedade de um hospital público, que sofreu com o desvio de verbas de Corrêa, Miguel se radicaliza e encontra refúgio na violência - é o episódio que transforma Miguel no Doutrinador.

O Doutrinador : Foto
Miguel em sua identidade secreta do Doutrinador
Assim quando a violência entra em cena, Bonafé acerta ao retratar a cena da maneira chocante, mostrando que fazer justiça com as próprias mãos é, literal e figuradamente, sujá-las.

Para proteger sua identidade, Miguel usa uma máscara de gás que alude aos manifestantes na linha de frente dos protestos de junho de 2013.

É normal que personagens de HQs tenham seus traços de personalidades hiperbolizados, mas o retrato cartunesco e sem muitas nuances dos vilões pouco contribui para o filme.

Como bem ensinaram as melhores produções de heróis, os antagonistas importam e muito. A

construção de muitos diálogos sustentados em chavões também não ajuda.

Ao menos Miguel é eficiente em matar.

Mas o melhor que o filme entrega são suas cenas de ação: bem dirigidas, dão à trama um bem vindo e necessário dinamismo.

Mesmo o espectador que não é chegado em quadrinhos vai notar que Bonafé constrói muitos planos com o esmero de quem se preocupa com a estética da imagem, com a posição de cada elemento no quadro.

O cineasta usa movimentos de câmera bem executados, demonstra cuidado com questões de design de produção e figurino e filma cenas de ação que vão convencer um eventual espectador com ressalvas em relação ao cinema nacional de que é possível fazer no Brasil um filme do gênero nos padrões de Hollywood.

Totalmente filmado em São Paulo, mas ambientado na fictícia Santa Cruz, os esforços de pós-produção transformam a cidade em uma metrópole com ares proto-distópicos numa alusão ao estilo consagrado por 'Blade Runner'.

Com anúncios de néon invasivos, imponentes arranha-céus e uma atmosfera de decadência pautada em tons de azul e roxo, o filme tem sua cidade como uma das personagens do filme, sua própria Gotham entre os trópicos.

O Doutrinador : Foto
São Paulo aparece espetacularmente fotografada por Rodrigo Carvalho
O que dizer da cena do nosso Theatro Municipal transformado em palácio do governo?  Sensacional.

Neste sentido, a fotografia de Rodrigo Carvalho também é espetacular.

O protagonista também de destaca: Pissolato tem o físico que seu personagem demanda e se sai muito bem nas cenas de luta e demais cenas de ação.

Mesmo quando usa a máscara, o ator é capaz de manter uma postura imponente típica de protagonista de adaptação de HQ.

Já no lado dramático, o ator não acrescenta muito ao arquétipo do homem bruto traumatizado sem muitas expressões e, mais uma vez, as frases de efeito do roteiro ("o que você chama de assassinato eu chamo de justiça") não ajudam.

Tainá Medina ('A Casa de Cecília') interpreta Nina, uma jovem hacker que colabora com o Doutrinador após ser detida e reconhecer Miguel na delegacia.

O ótimo registro de Medina tem mais densidade dramática e varia entre um cinismo cool e uma certa vulnerabilidade que humaniza a personagem e aproxima o espectador dos riscos de todas aquelas situações vividas por Miguel e ela.

O Doutrinador : Foto
Tainá Medina em cena como Nina
O policial Edu, vivido por Samuel de Assis, oferece um contraponto moral para Miguel.

Entre os demais nomes do elenco, os destaques de atuação ficam para Moscovis (vivendo mais um personagem sórdido depois de 'Berenice Procura') e Natália Lage (que interpreta a ex-esposa de Miguel).

O Doutrinador : Foto
Du Moscovis é o político Sandro Corrêa 
Ao contrário do que acontece nas HQs originais, o longa evita usar o nome de políticos reais (embora evoque figuras como Sérgio Cabral e Aécio Neves) para que ao menos algum afastamento em relação à realidade seja possível.

Contudo, não existe texto sem contexto.

O fato do anti-herói do filme agir sem motivações político-ideológicas é quase um desafio à suspensão de descrença do espectador ciente de que vive em um país cada vez mais polarizado.

Especialmente quando o filme chega ao circuito comercial de sala após o término da campanha eleitoral mais violenta da Nova República.

Sendo assim, o esforço por apresentar uma presumida "ideologia neutra" não configura, por si só, um posicionamento ideológico?

O discurso final de Nina dá a entender que ao menos Miguel está fazendo alguma coisa contra tudo isso que está aí.

Fora das telas, uma figura como o anti-herói vivido por Pissolato, que mata primeiro e investiga depois, não seria exatamente alguém a quem exaltar.

Por fim, o filme tem um grande potencial enquanto entretenimento e mostra um alto grau de competência enquanto exercício de cinema de gênero.

Após a exibição no cinema, o projeto vira uma minissérie, que será exibida pelo canal Space.

Vale a ida ao cinema.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'O DOUTRINADOR'
Título Original:
O DOUTRINADOR
Gênero:
Ação
Direção:
Gustavo Bonafé
Elenco:
Carlos Betão, Eduardo Chagas, Eduardo Moscovis, Eucir de Souza, Gustavo Vaz, Helena Luz, Helena Ranaldi, Kiko Pissolato, Lucy Ramos, Marília Gabriela, Natália Lage, Natallia Rodrigues, Nicolas Trevijano, Ricardo Dantas, Samuel de Assis, Tainá Medina, Talita Tilieri, Tuca Andrada
Roteiro:
Bia Crespo, Denis Nielsen, Gabriel Wainer, Guilherme Siman, L.G. Bayão, Luciano Cunha, Mirna Nogueira, Rodrigo Lages
Produção:
Bruno Wainer, Marcio Fraccaroli, Sandi Adamiu
Fotografia:
Rodrigo Carvalho
Montador:
Federico Brioni
Estúdio:
Paris Entretenimento, canal Space
Distribuidora:
Downtown Filmes, Paris Filmes
Ano de Produção:
2018
Duração:
108 min.
Estréia (Brasil):
01/11/2018
Classificação Indicativa:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

'O DOUTRINADOR': AGUARDADO LONGA NACIONAL GANHA CENA DE FUGA

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O anti-herói teve uma nova sequência divulgada pela Downtown Filmes onde o Doutrinador é perseguido
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Assista:


Na trama de crime e suspense dirigida por Gustavo Bonafé, o vigilante é alter-ego de Miguel (Kiko Pissolato), um agente federal altamente treinado que vive num Brasil corrupto e uma tragédia pessoal o leva a agir.

O elenco ainda conta com Samuel de Assis, Tainá Medina, Marília Gabriela, Du Moscovis, Helena Ranaldi e Natalia Lage, entre outros.

Com lançamento nos cinemas marcado para 1º de novembro, 'O Doutrinador' também terá uma versão em série para TV, que será exibida pelo canal Space em março de 2019.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

'CHACRINHA: O VELHO GUERREIRO' GANHA PRIMEIRO TRAILER

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Cinebiografia do famoso apresentador ganhou seu primeiro trailer oficial
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Veja:


No filme, conheceremos o perfeccionismo de Abelardo Barbosa em contraste com a espontaneidade do que representava como Chacrinha, a relação conturbada do apresentador com a família e as críticas enfrentadas ao estilo original que mais tarde o consagraria.

O filme narra sua trajetória desde o momento em que larga a faculdade de medicina para se aventurar como locutor de rádio e se transformar no alter ego mais conhecido do Brasil, o nosso velho guerreiro: Chacrinha.

No elenco, Stepan Nercessian faz o Chacrinha mais velho e Eduardo Sterblitch,o jovem Abelardo Barbosa.

A direção é de Andrucha Waddington.

A Downton Filmes lança o longa em 25 de outubro - em 2019, o trabalho será exibido em formato de minissérie pela Globo.

sábado, 15 de setembro de 2018

'O DOUTRINADOR': NOVO VÍDEO MOSTRA INVASÃO AO PALÁCIO DO GOVERNO

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Na cena, vemos que não adianta fugir do vigilante sombrio que caça corruptos, vivido por Kiko Pissolato
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Assista:

Um vigilante mascarado (Kiko Pissolato) surge para atacar a impunidade que permite que políticos e donos de empreiteiras enriqueçam às custas da miséria e do trabalho da população brasileira.

A história do homem por trás do disfarce de "Doutrinador" envolve uma jornada pessoal de vingança na qual um agente traumatizado decide fazer justiça com as próprias mãos.

Gravado simultaneamente com a série que trará o mesmo nome e está prevista para 2019, o filme terá foco na vida do personagem, na sua tragédia pessoal e no momento onde assume a identidade do Doutrinador.

Já o seriado promete aprofundar as histórias dos personagens secundários - tudo em tom divertido e com o intuito de entreter.

A direção do longa é dividida por Gustavo Bonafé e Fabio Mendonça.

No elenco, além de Pissolato, veremos Du Moscovis, Marília Gabriela, Helena Ranaldi, Tainá Medina, Samuel de Assis e Tuca Andrada no elenco.

A produção é da Paris Entretenimento e a distribuição, da Downtown Filmes.

'O Doutrinador' chega aos cinemas em 01 de novembro.