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terça-feira, 9 de outubro de 2012

A SEMANA NO CINEMA


Confira as notícias de hoje:
ARMIE HAMMER, O MAIS COTADO PARA VIVER BATMAN EM 'LIGA DA JUSTIÇA'
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NOVO 'GODZILLA': DIRETOR PROMETE FILME "MAIS REALISTA"
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'CAPITÃO AMÉRICA 2': BRIGA DE FOICE PELO PRINCIPAL PAPEL FEMININO
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CHRISTIAN BALE ESTARÁ NO NOVO LONGA DE DAVID O.RUSSELL
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'AMANHECER - PARTE 2' TERMINARÁ COM NÚMERO MUSICAL
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MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SP: DIVULGADA A PROGRAMAÇÃO
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MEL BROOKS: 86 ANOS DE PURO TALENTO
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Agora, leia:

ARMIE HAMMER, O MAIS COTADO PARA VIVER BATMAN EM 'LIGA DA JUSTIÇA'

Há alguns anos, o diretor George Miller tinha sido escalado para o projeto do longa "Justice League of America" e tinha convidado o ator  Armie Hammer para ser o Homem-Morcego- mas a produção não foi pra frente.

Agora, segundo informações do Moviehole e de muitos outros sites de cinema, Hammer, 26 anos, pode ser aproveitado para o novo projeto da Warner/DC, "Liga do Justiça", exatamente no papel que lhe foi prometido.

De acordo com os sites, ele está no topo da lista de atores mais cotados para o papel, seguido por Taylor Kitsch ("Battleship - A Batalha dos Mares", "John Carter: Entre Dois Mundos").

Getty Images
Armie Hammer no último festival de Toronto - TIFF 2012

A Warner - segundo fontes não confirmadas - estaria  planejando um Batman mais novo que o apresentado por Christopher Nolan em sua trilogia.

Como já foi divulgado anteriormente que nem Nolan e nem Christian Bale continuariam no universo do morcego, a escolha de um ator mais jovem faz sentido para se distanciar dos longas anteriores e evitar - muitas - comparações.

No momento, Armie Hammer - que despontou para o estrelato em "A Rede Social" e estrelou "J.Edgar" e "Espelho, Espelho Meu" - filma "The Lone Ranger", ao lado de Johnny Depp, para a Disney.

NOVO 'GODZILLA': DIRETOR PROMETE FILME "MAIS REALISTA"

Um Godzilla mais realista – na medida do possível, claro – é o que promete o diretor Gareth Edwards, que conversou com a revista Total Film e falou que sua versão da criatura.
“Sempre tive interesse pelo Godzilla e das ideias ao seu redor. Eu realmente queria ver um novo filme com ele e agarrei a oportunidade quando apareceu. Minha ideia principal foi imaginar como seria se ele existisse de verdade. Queria fazer uma visão realista do Godzilla”.

E se Edwards quer ver o monstrengo japonês mais realista, está com o pessoal certo, principalmente porque David Goyer, roteirista dos filmes do Batman, é um dos envolvidos na criação da história.

Imagem de internet
O Godzilla japonês

O lagarto gigante é um verdadeiro clássico da cultura pop japonesa: surgiu em 1954 e passou a detonar Tóquio em vários filmes e desenhos animados.

A criatura ganhou uma versão americana em 1998 produzida pela Sony, com direção de Roland Emmerich e produção de Dean Devlin - mesma dupla de "Independence Day".

Com elenco estelar, o longa arrecadou cerca de US$ 380 milhões, mas foi massacrado pela crítica.

O novo filme ainda não tem data de estreia.

'CAPITÃO AMÉRICA 2': BRIGA DE FOICE PELO PRINCIPAL PAPEL FEMININO

Começou em Hollywood uma briga de foice entre atrizes interessadas em fazer o principal papel feminino de "Capitão América 2/Captain America: The Winter Soldier".

Afinal, além das muitas cenas de ação, a protagonista viverá o interesse romântico de Steve Rogers (Chris Evans) e possivelmente, essa personagem será a agente Sharon Carter dos quadrinhos.

Deadline
Scarlett Johansson e Chris Evans, como Viúva negra e Cap.América, nas filmagens de "Os Vingadores" em NY

Segundo o Deadline, Emilia Clarke (a Daeneris de "Game of Thrones"), Jessica Findlay Brown ("Downton Abbey"), Teresa Palmer ("Sangue Quente"), Imogen Poots ("A Hora do Espanto") e Alison Brie ("Mad Men") são as candidatas favoritas dos diretores Joe e Anthony Russo.

Mas a atriz que ganhar o papel terá um páreo duro pela frente, já que Scarlett Johansson retornará como Natasha Romanova, a agente da SHIELD Viúva Negra, no segundo filme do capita.

CHRISTIAN BALE ESTARÁ NO NOVO LONGA DE DAVID O.RUSSELL

Depois de emendar a exaustiva promoção de "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" com as filmagens do novo longa de Terrence Malick, o ator Christian Bale confirmou nessa semana que estará no próximo filme do diretor David O. Russell, que reunirá Bradley Cooper, Amy Adams e Jeremy Renner no elenco - a informação é da revista “Variety”.

Ainda sem nome, o longa é baseado em uma história real e companhará um economista charlatão (Bale), que, junto com sua amante (Adams), é forçado a trabalhar com um agente do FBI (Cooper) em uma operação que resultará na condenação de políticos norte-americanos - Renner será o líder da câmara de Nova Jersey.

Getty Images
O ator Christian Bale

A escalação de atores foi elogiada por Charles Roven, produtor do filme.
“David juntou uma incrível grupo de atores para o que será um drama emocionante e poderoso sobre um dos mais memoráveis conjuntos de personagens de nossa história”, disse.

O filme é uma reunião de parte do elenco de um dos filmes de Russell, “O Vencedor”, que contou com Amy Adams e Christian Bale - por esse longa, Bale levou o Oscar de Melhor Coadjuvante.

'AMANHECER - PARTE 2' TERMINARÁ COM NÚMERO MUSICAL

Nikki Reed, que interpreta Rosalie Hale em 'A Saga Crepúsculo: Amanhecer Parte 2', revelou à MTV News que o filme será encerrado com um número musical que conta com a participação de todo o elenco.

"Será maravilhoso. Foi uma surpresa que fizemos para Bill [Condon, o diretor]. Todos que estavam no estúdio participaram. Eram 150 pessoas. Espero que seja isso", revelou.

"Ensaiamos várias vezes para que a coreografia ficasse legal, e tinha uma pessoa responsável em reunir todo mundo. Fiquei tão envolvida que fazia questão de ficar logo na primeira fila", concluiu.

A informação bate com a revelada pelo astro Kellan Lutz, que disse que a produção terá uma cena pós-créditos - desde agosto, já se sabia que o final de 'A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2' será diferente do livro.

Divulgação
O cartaz internacional do longa

'A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2' estreia em 15 de novembro  e, aqui no Brasil, terá vendas antecipadas para a pré-estreia na madrugada do dia 14 para 15 de novembro (00h01) e para a semana do lançamento oficial (15/11 a 22/11).

Bill Condon é o diretor e segundo ele, o longa deixará o romance de lado e se focará mais na ação.
"Teremos o encontro dos clãs de vampiros de todo o mundo, então será mais global, e épico", finalizou.

MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SP: DIVULGADA A PROGRAMAÇÃO

A 36ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo teve a programação divulgada no sábado (6).

O festival começa no dia 18 de outubro, com a cerimônia de abertura e a exibição do filme chileno "No", de Pablo Larraín, sobre a campanha do ditador Augusto Pinochet durante o plebiscito ocorrido no país para definir se permaneceria ou não no cargo de presidente - o longa foi uma das atrações do Festival de Cannes 2012 e é estrelado por Gael García Bernal, que interpreta um publicitário que cria a campanha do "não" ao ditador.

Divulgação
Gael García Bernal, em cena de "No"

Em 2012, o festival presta homenagem ao russo Andrei Tarkóvski, com a reprodução de toda a obra do diretor - morto em Paris em 1986, aos 54 anos.

Além dos filmes, a mostra exibirá também as polaroides do cineasta russo: o cartaz e o vídeo de apresentação são inspirados pelas fotografias, que ficarão expostas no Masp a partir de 17 de outubro.

Além disso, haverá uma mostra completa dos longas do criador "Solaris" (1972) e "Stalker" (1979) e outros filmes sobre a obra e vida de Tarkovski.

Haverá também filmes inspirados ou que falem sobre o cineasta, que influenciou, entre outros, o sueco Ingmar Bergman.

Outro destaque será o clássico "Nosferatu" (1922), do diretor alemão F.W. Murnau, que vai ser exibido em apresentação especial no dia 2 de novembro no Parque do Ibirapuera acompanhado pela Orquestra Petrobras Sinfônica e Coral - o longa será mostrado para celebrar os cem anos da morte de Bram Stoker, o criador do vampiro Drácula na literatura.

Divulgação
Cena de "Nosferatu" (1922), do diretor alemão F.W. Murnau

Mas outros clássicos também prometem roubar a atenção: o evento passará cópias restauradas recentemente de "Lawrence da Arábia" (1962), de David Lean, e "Tubarão"  (1975), de Steven Spielberg,  exibido em Cannes.

Divulgação
O diretor Steven Spielberg brinca com o peixe mecânico de "Tubarão" (1975)

Normalmente, as sessões de clássicos restaurados são as mais disputadas da Mostra, a exemplo de "O Poderoso Chefão" (1972) e "Laranja Mecânica" (1971), destaques de anos anteriores.

A Mostra também terá novos filmes premiados nos principais festivais do mundo: "A Caça", de Thomas Vinterberg, que rendeu a Palma de ator  em Cannes 2012 para Mads Mikkelsen; "A Bela Que Dorme", de Marco Bellocchio, destaque em Veneza com prêmio de ator revelação; "A Parte dos Anjos", divertidíssima comédia de Ken Loach, prêmio do júri em Cannes; "Reality", de Matteo Garrone, dono do Gran Prix em Cannes; e "Barbara", Urso de Prata de direção em Berlim para Christian Petzold.

O encerramento contará com "Frankenweenie", a mais recente animação de Tim Burton.

Divulgação - Disney
Tim Burton manipula personagens do seu longa em stop-motion, "Frankenweenie".

Entre os convidados, Abbas Kiarostami - que apresentará seu novo longa, "Like Someone in Love" - será homenageado ao lado da Diva italiana Claudia Cardinale, que acompanhará o longa "O Gebo e a Sombra", do português Manoel de Oliveira.

O russo Sergei Loznitsa terá uma mostra especial e também exibirá seu "In The Fog", vencedor da crítica no último Festival de Cannes.

Arquivos do Klau
A Diva italiana Claudia Cardinale

Ao todo, serão 350 filmes de mais de 60 país, exibidos em 28 espaços como salas de cinema, museus e instituições culturais de São Paulo.

As produções serão divididas em cinco seções, uma delas competitiva: "Competição Novos Diretores", que traz filmes de diretores com, no máximo, dois longas lançados comercialmente; a "Mostra Brasil" leva longas inéditos na capital paulista, enquanto as "Apresentações Especiais" reúnem clássicos ou as produções dos homenageados pelo evento.

"Perspectiva Internacional" traz longas recentes no cenário internacional e "Retrospectivas" mistura obras completas ou não, de cineastas famosos ou não.

Além de Tarkóvski, um dos homenageados será o japonês Minoru Shibuya (1907-1980), cuja obra foca principalmente em pessoas comuns, no formato de dramas sociais e comédias, em filmes como "O Rabanete e a Cenoura" (1945), "Um Bom Homem, Um Bom Dia" (1961) e "O Paraíso dos Bêbados" (1962).

Leon Cakoff, idealizador do evento e falecido em 2011 por conta de um câncer, dará o nome a um prêmio que será entregue aos diretores Abbas Kiarostami e Domingos de Oliveira.

Confira a vinheta da 36ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo:


Os pacotes começam a ser vendidos a partir do sábado (13), na sede da Mostra, no Conjunto Nacional (av. Paulista, 2073).

Os preços vão de R$ 410 (permanente integral com acesso a todas as sessões) a R$ 175 (pacote de 20 ingressos), passando pela permanente especial por R$ 95 (válido para sessões de segunda à sexta-feira, até às 17h55).

Assinantes da Folha têm desconto de 15% nas permanentes.

Divulgação
O cartaz da 36ª edição da Mostra Internacional de Cinema de SP

O público poderá conferir os filmes a partir do dia seguinte à abertura, (19), e até 2 de novembro.

MEL BROOKS: 86 ANOS DE PURO TALENTO

A postagem de hoje é dedicada ao talento, saúde e longevidade do ator, diretor e produtor Mel Brooks, que inspirou gerações de fãs com seus filmes - como "Alta Ansiedade" (1977) “Os Produtores” (2005), "A Última Loucura de Mel Brooks" (1976), “Primavera para Hitler” (1968), “O Jovem Frankenstein” (1974), “S.O.S – Tem um louco solto no espaço” (1987) e “Banzé no Oeste” (1974).

Brooks faz parte de um grupo restrito de gênios que já levaram os principais prêmios do show biss americano - o Oscar, o Emmy, o Grammy e o Tony - além de uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

Brainpix
Mel Brooks, no dia em que ganhou uma estrela na calçada da fama de Hollywood

Aos 86 anos, o escritor e diretor de comédias pode ganhar mais um troféu: o prêmio pelo conjunto da obra, a ser conferido pel AFI (American Film Institute) em 6 de junho de 2013 numa noite de gala em Los Angeles.

“Mel Brooks é o Rei da Comédia Americana e, como ele mesmo nos ensinou, “É bom ser rei”, disse Sir Howard Stringer, da AFI, citando uma fala de “Primavera para Hitler”.

“Ele é um mestre de um tipo de arte que raramente consegue o respeito que merece. O prêmio da AFI é um brilho de luz sobre as gargalhadas que ele nos presenteou”.

Grande Mel Brooks - eu adoro ele!
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Até +!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

LEON CAKOFF, CRIADOR DA MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO


Leon Cakoff é um herói da cinefilia. 

Foi o criador da Mostra Internacional de São Paulo, evento que tem alimentado o repertório de cinéfilos paulistanos e visitantes durante os últimos 34 anos. 
Abbas Kiarostami, Manoel de Oliveira, Amos Gitai, Theo Angelopoulos, Alejandro Agresti, Alexander Sokurov, Béla Tarr... são apenas alguns dos diversos diretores cuja obra Cakoff nos apresentou desde que a Mostra começou, na sala de cinema do Masp, em 1977.

Mostra do quê? De cinema, claro. E internacional, ainda por cima. 
Mas podem chamar só de Mostra mesmo. 
É como o evento é conhecido por todos que o acompanham, é como ficou gravado por ser "o" evento cinematográfico de todos os anos em outubro, por fazer com que muitos tirem férias de seus trabalhos para enfrentar as filas.

Criar não quer dizer apenas idealizar e realizar nesse caso. 
Quer dizer também lutar contra a censura (principalmente a do regime militar), contra a lentidão da alfândega, o despreparo do público, pouco habituado a ver cinematografias distantes (público que já foi pequenino, agora é grande), os problemas do dia a dia que qualquer festival cinematográfico enfrenta, a antipatia de muitos, a inveja de outros, suas próprias tensões, enfim, todo um desafio diário, um leão por dia a ser enfrentado e dominado. 
E também um desafio anual, para nosso prazer.

Leon Cakoff virou empreendedor. 
Como todo evento que faz sucesso, ou você o encara de frente e torna-se um empreendedor desse evento, fazendo com que cresça e renove suas forças para não ser ultrapassado, ou você procura viver na semi-clandestinidade, fiel ao princípio (e não aos princípios) e arca com o prejuízo, incluindo o maior deles: o de ter verdadeiros tesouros sendo apreciados por alguns poucos.

Cakoff escolheu o lado mais democrático e difícil. 
Esse lado empreendedor fez com que aumentasse a antipatia por ele em alguns círculos. Bobagem, claro, mas o fato é que não sabemos muito bem como lidar com pessoas que são bem sucedidas e trabalham muito num país que ainda beira a miserabilidade e que inspira o oba-oba carnavalesco.

O crítico e jornalista tinha sempre muitas histórias para contar, em livros sobre a mostra ou sobre o amor pelos filmes, nos pequenos jornais da mostra que circulavam até pouco tempo, em inúmeras entrevistas e nos produtos derivados de sua marca, a Mostra (sessões na TV, lançamentos em cinema e DVD, livros).

Numa das edições do Jornal da Mostra, sob o título "O eterno humor zombeteiro do mestre Buñuel - Parte 2", a história que Cakoff conta no meio de um texto é sensacional (o texto também foi publicado no jornal Valor Econômico, em 2003). 
Estava ele na companhia do grande diretor espanhol Luis Buñuel, andando pela Croisette durante o Festival de Cannes de 1971. 

Como sua narrativa é saborosa, melhor deixar o leitor com suas próprias palavras:
"É quando avistamos um vulto alto de mulher, sozinha, vindo em nossa direção. Não há mais ninguém andando por aquela hora da manhã. Mais um pouco e reconhecemos a figura que se aproxima: Glenda Jackson!

O nosso silêncio fica ainda mais tenso. Cruzamos com Glenda, abrimos caminho, Buñuel de um lado, eu do outro, ela pelo meio, sem nenhum sinal de reconhecimento da sua parte. O silêncio continua por mais uma boa distância até que Buñuel não se contém, me segura forte pelo braço e pára para soltar a sua máxima lapidar:

'Que és fea, és... Pero me habla al carajo...'"

Uma outra história fascinante é narrada em um livro cheio delas. 
Cakoff conta que visitou Fellini durante uma filmagem na Cinecittá, o lendário estúdio italiano. Uma vez lá, acabou participando como figurante de Ginger e Fred
Pode ser visto na plateia do programa de TV para o qual os personagens do título dançam. Tornou-se, por dois dias, um personagem felliniano.

Mas é na realização das várias edições da Mostra que aconteceram o maior número de relatos curiosos ou emblemáticos de sua luta pelo cinema autoral e pelo exercício da cinefilia. 

Como quando se separou do MASP, depois de sete anos de parceria, e teve que providenciar a edição de 1984 num escritório improvisado na prefeitura, por intermédio e gentileza de Gianfrancesco Guarnieri, então Secretário Municipal de Cultura.

Nesse mesmo ano conseguiu, por meio da lábia de um experiente advogado, o fim da censura prévia dos filmes que seriam exibidos. 
Poucos dias depois seu mandado de segurança foi cassado. 
A Mostra foi interrompida por quatro dias até que os censores vissem trechos de todos os filmes que haviam chegado. 
Tais acontecimentos - e muitos outros - são contados pelo próprio Cakoff no delicioso livro "Cinema sem fim: A história da Mostra - 30 anos" (Imprensa Oficial).

Como programador, curador, distribuidor e exibidor, sem esquecer seu lado cinéfilo, Cakoff sempre conservou o pensamento rápido de um jornalista. 
Ao ser perguntado por Antonio Abujamra, no programa "Provocações", se ele era um escravo da imagem, respondeu certeiro: "não, pelo contrário, a imagem me liberta".

Envolvia-se em polêmicas bobas como quando reclamou do desprezo dos críticos brasileiros pelos filmes de Claude Lelouch exibidos na edição de 2007 (desprezo que, por sinal, acompanha a carreira desse diretor desde o início). 
Mas envolvia-se nelas porque sua paixão desmedida pelo cinema fazia com que lutasse por aqueles que considerava injustiçados. 
E porque em algum momento parecia esquecer que em um evento com mais de 300 filmes, quem consegue ver 1/3 deles é mágico ou não precisa de sono.

O melhor presente que podemos lhe dar, para que descanse em paz, é trabalharmos todos - críticos, jornalistas, espectadores casuais e cinéfilos, sem esquecer dos funcionários que trabalham por seus intentos - para que a Mostra continue bombando e alimentando nossos corações e mentes dessa arte tão bela e sempre tão ameaçada.

Leon Cakoff plantou essa semente com tamanhos poderes que não nos parece possível vê-la enfraquecida. 

Em algum lugar do cosmos, ele estará vibrando com os filmes exibidos, refletindo conosco os rumos do cinema.
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Leon Cakoff morreu nesta sexta (14), aos 63 anos. 
Ele vinha lutando contra o câncer desde 2002. 
O velório do criador da Mostra de Cinema de São Paulo será no MIS (Museu da Imagem e do Som), a partir das 17h e vai até 12h de sábado (15). 
Seu corpo será cremado no Memorial Parque Paulista, em Embu das Artes, cidade ga Grande São Paulo.
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Texto Base: Sérgio Alpendre - UOL
Redação Final: Cláudio Nóvoa

domingo, 22 de maio de 2011

CANNES 2011: UM CINEMA À FRENTE DE SEU TEMPO, POR LEON CAKOFF

Encontro Gilles Jacob no jantar em homenagem a Pedro Almodóvar.
Ele está há 33 anos à frente do Festival de Cannes como 'délégué général'
(haja acentos intocáveis no francês; e nós, de pato, na reforma ortográfica com os portugueses).
Digo-lhe que este é o meu 40º Festival de Cannes e que esta foi a minha escola de cinema.
"Temos que tomar cuidado com alguns mestres", diz, enigmático, ao pé do meu ouvido. No dia seguinte, 12 conselheiros do festival iriam se reunir para tratar do anúncio de 'persona non grata' ao dinamarquês Lars Von Trier por suas chocantes declarações simpáticas a Hitler e ao nazismo.

Desde 1971 busco cineastas à frente do seu tempo.
Fomos privilegiados naquele ano com os produtos de Maio de 1968.
O cinema autoral ganhava força, e os cinéfilos lotavam as salas para decifrá-los.
A censura se esbaldava por todo o mundo.
Que história era aquela de um cinema à frente do seu tempo?

Mal saídos do impacto de "O Conformista" (1970), de Bernardo Bertolucci, viria o choque de Stanley Kubrick, no fim do ano seguinte, com "Laranja Mecânica".
Michel Ciment, o mais sólido e histórico critico da França, registrou esse impacto no filme "Era Uma Vez... Laranja Mecânica", codirigido por Antoine de Gaudemar, e com uma lição de cinema com o ator Malcolm McDowell, como anualmente se repete durante o festival.

De novo, Kubrick foi lembrado como um pensador à frente do seu tempo.
Ciment reforçou essa ideia dizendo que Kubrick ainda dava lições de cinema às novas gerações por ser capaz de resumir, em apenas 30 segundos, uma sequência de sexo que ainda leva constrangedores minutos de duração nos filmes contemporâneos.

O 3D pode ser a nova linguagem de vanguarda.
Mas é de Michel Ciment a melhor frase de confronto entre cinema americano e independente:
"Esta é uma guerra perdida", ele disse.
"Os americanos podem se permitir as maiores cretinices no cinema e fazer sucesso. Nós, independentes, se fizermos a mesma coisa, seremos massacrados por toda a crítica."

Wim Wenders e o seu novo filme em 3D, "Pina Bausch", encoraja até a Pedro Almodóvar. No jantar, em conversa com um grupo de jornalistas da TV espanhola, o diretor confessou também a vontade de produzir seu novo filme em 3D.
Almodóvar cita, inebriado, a frase de Bertolucci, dita pouco antes de ser premiado com a Palma de Ouro pela carreira:
"Um cenário, dois personagens... 3D".
Na ocasião, Bertolucci fez ainda piada dizendo que de tanto usar o Dolly (base para empurrar a câmera em movimento contínuo), agora era um Dolly-man por estar preso a uma cadeira de rodas.

Perdi a conexão Roma-Nice, rumo a Cannes, mas tive a sorte de encontrar Bertolucci na santa paz com o seu destino, depois de duas cirurgias mal sucedidas na coluna. Ele já aceita o fato e quer estar de bem com a vida. Olha concentrado para a minha cabeça e pergunta que cicatriz é aquela.
Tumor no cérebro, lhe digo.
Olha mais de perto e sentencia: "Você deve pensar muito, é por isso!".
Rebato de pronto: "É culpa dos seus primeiros filmes, eles é que me fizeram pensar tanto!"
Ele devolve com um sorriso inesquecível: "Ogni tanto siamo sopravviventi" (De tanto em tanto, sobrevivemos).

Enquanto, com os recursos do 3D,as coisas saem da tela, de todos os filmes vistos nesta 64ª edição de Cannes, o que mais me deu vontade de entrar na tela e interagir com os seus personagens foi o austríaco "Michel", do estreante Markus Schleinzer. Uma sensação esquecida desde "A Rosa Púrpura de Cairo" (Woody Allen, 1985).
Queria acabar com o sofrimento de um menino de dez anos, sequestrado e abusado sexualmente pelo seu raptor.
Entrar nos filmes é um privilégio que raras obras permitem.
Dependem de roteiros bem pensados e respeitosos com seus espectadores.
Já que é uma guerra perdida, caprichá-los é vital.

O finlandês Aki Kaurismaki ("Le Havre") consegue isso com toque de Midas.
Cada personagem seu irradia humanidade e esperança.
"Não é verdade", ele rebate, de cerveja na mão, e bem alto, na sua festa a beira-mar.
"Cerveja não é ouro..."

O italiano Paolo Sorrentino ("This Must Be the Place"), em seu primeiro filme americano uma homenagem a "Paris Texas", de Wim Wenders, faz brilhar Sean Penn em um de seus melhores papeis.
Lembro-me de Sorrentino sumido na Mostra, em São Paulo, com o filme "L'uomo in Più", dizendo que o hotel Crowne Plaza o inspirara para escrever seu segundo roteiro ("L'amico di Famiglia"), logo selecionado para Cannes.
No filme seguinte, "Il Divo", recebeu o Prêmio do Júri.

Outro roteiro extraordinário veio neste ano do inspirado cineasta turco Nuri Bilge Ceylan.
Um "road movie" sombrio e pegajoso como um Dostoiévski.
E, por fim, "A Fonte das Mulheres", do francês Radu Mihaileanu, fugido do regime de Ceausescu, revelado na 22ª Mostra com "Trem da Vida", primeiro filme a ousar tratar do holocausto com humor.

Num universo machista, das montanhas agrestes do Marrocos, sai de "A Fonte das Mulheres" a frase que fica.
As mulheres resolvem fazer greve de sexo para obrigar seus homens a tomar atitudes, tirá-los da indolência, do conformismo e das interpretações equivocadas sobre o alcorão.
Um professor quer também que os seus alunos progridam e deixem a aldeia para continuar estudando.
Mas os obscurantistas impõem obstáculos.
Os conflitos evidentemente explodem, como temos assistido no norte da África e no Oriente Médio pelo fim das tiranias.
O professor desabafa na sua inocente reação: "Eu só quero que eles pensem por conta própria..."

Um pensador à frente do seu tempo.
E a censura, enquanto o cinema fará pensar, terá seus algozes.
A frase que fica é do professor primário de Radu Mihaileanu.
Mas as imagens dolorosas são as do iraniano Jafar Panahi, em prisão domiciliar e com um pêndulo sobre a sua cabeça: ameaça de seis anos de prisão e 20 anos sem mais filmar.
Ele corajosamente documenta isso com "Isto Não é um Filme", codirigido pelo amigo Mojtaba Mirtahmasb, usando iPhone e câmera digital, depois de perceber uma brecha na censura não faz restrições se ele for o seu próprio ator ou ler o seu próprio roteiro.
O filme chegou clandestinamente a Cannes em arquivo com senha codificada.
A censura atrapalha, mas sai derrotada como sempre. O cinema segue em frente.

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Secretaria de Cultura de SPLeon Cakoff é crítico, cineasta e diretor da Mostra Internacional de Cinema de SP