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quinta-feira, 1 de maio de 2014

'O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2: A AMEAÇA DE ELECTRO' : CASAL SENSACIONAL, VILÕES NEM TANTO NO MELHOR FILME DO PERSONAGEM ATÉ HOJE


Quando a Sony Pictures, detentora dos direitos do Homem-Aranha para as telonas, disse que iria fazer uma nova leva de filmes com o herói, os fãs chiaram muito: afinal, a trilogia dirigida por Sam Raimi tinha sido bem recebida ao menos até a segunda parte -  e é de apenas alguns anos atrás.

Só que o estúdio provou que estava certo e embora o primeiro longa da nova trilogia não tenha agradado a todos, serviu para mostrar que Andrew Garfield é muito melhor ator que Tobey Maguire e faz um Peter Parker/Cabeça de Teia com o mesmo talento e explosão nas telas  com que Robert Downey Jr. faz Tony Stark/Homem de Ferro - ou seja: interpreta o herói mais parecido com o personagem dos quadrinhos e agrada aos fãs.

E mais: ele ainda faz par (também na vida real)  com a mais que talentosa Emma Stone, que no papel de Gwen Stacy arrebenta tudo também.

Andrew Garfield e Emma Stone, em cena do longa - Fotos dessa postagem: Divulgação/Sony Pictures

Agora, se a nova quadrilogia já tinha bons protagonistas, só faltava o restante do universo do maior herói da Marvel para arrebatar todos os corações e mendes mundo afora.

Agora não falta mais: 'O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça De Electro' - que estreia hoje em 692 salas em todo o Brasil - é o melhor filme do herói  feito até hoje e equivale em importância ao segundo filme da trilogia de Sam Raimi, de 2004.

Só que aqui, temos um casal de protagonistas simplesmente sensacional, que enfrenta problemas após Peter prometer ao pai de Gwen que ficaria longe da garota.

Andrew e Emma são um casal também na vida real

Ao mesmo tempo, a Oscorp continua com seus planos secretos e a morte de seu presidente, Norman Osborn, coloca seu filho Harry (Dane Dehaan) numa posição complicada.

Se desde o primeiro filme, a Oscorp é a causadora de todos os problemas dessa versão do universo do Aranha, agora tudo se complica quando ficamos por dentro das armações de uma diretoria inescrupulosa e seus projetos militares secretos.

Um acidente dentro dos laboratórios da empresa cria o vilão Electro (Jamie Foxx), tudo é encoberto, e essa é apenas a primeira de muitas ameaças enfrentadas pelo cabeça de teia.

Jamie Foxx como Electro

A profusão de vilões bem diferentes - aqui são três - não se perde no roteiro, que tem arcos distintos e bem amarrados antes da batalha final.

Se essa discussão recorrente antes do lançamento não afeta o produto final, fica evidente que o problema não está no excesso de vilões, e sim nas atuações.

Embora Electro funcione bem visualmente, a personalidade de Max é irritante, ele é muito carente e possui algum trauma não aprofundado.

Jamie Foxx, ótimo ator, infelizmente bate e rebate só nessa chatice do personagem e o resultado fica aquém do que se esperava de um ator do porte dele.


O Cabeça de Teia na praça mais famosa do mundo, a Times, coração da Broadway
Rino aparece muito pouco e nunca agrada, apesar de a armadura ser mais agressiva e mais legal que a dos quadrinhos.

Pena que o sempre acima da média  Paul Giamatti tenha aqui como Rino a sua pior atuação nas telonas, não encontrando o tom correto do vilão, exagerando a cada fala e estragando todas as suas cenas.

Desde já, Giamatti é candidato a Pior Ator no próximo Framboesa de Ouro.

Paul Giamatti como Rino

Felizmente, quem salva o time dos vilões é James DeHaan: o atual queridinho de Hollywood e que atualmente roda uma aguardada cinebiografia da Lenda James Dean como o próprio, interpreta Harry Osborn com nuances, muita presença cênica e esbanjando carisma.

A retomada da amizade com Peter ajuda a desenvolver os dois personagens e é um dos pontos altos do filme, assim como a deterioração da saúde física e mental do jovem bilionário.

Peter e Harry: no início, bons amigos

Inevitável compararmos seu Harry ao interpretado por James Franco na trilogia de Raimi, bem como ao Duende Verde feito por Williem Dafoe - mas DeHaan se sai muito bem frente ao desafio e é a boa surpresa desse segundo longa.

O Duende Verde aqui é muito mais letal que sua primeira aparição nas telonas

O diretor Marc Webb fez o que prometeu e entrega uma obra divertida, bem dirigida, que capta como ninguém o espírito dos quadrinhos e aprofunda o passado de Peter, ainda assombrado pelo segredo de seus pais.

O roteiro de Alex Kurtzman - um dos melhores para filmes baseados em HQs - amarra bem os eventos e, de quebra, amplia o universo para abrir caminho para o filme do Sexteto Sinistro e sequências do próprio Aranha que vem por aí.

Além disso, o cineasta entende como o aracnídeo se move e aproveita sua agilidade ao máximo na telona para criar combates empolgantes.

O jogo de luz e sombra também é impactante e a fotografia cuidadosa, com planos abertos para mostrar a destruição e closes para as cenas emotivas, sempre com efeitos especiais de primeira linha.

Marc Webb - ao lado de Andrew Garfield - é também um grande diretor de atores

E tudo é arrematado pela inspiradíssima trilha sonora recheada de temas épicos e sombrios de Hans Zimmer, como ele já tinha feito para a trilogia 'Batman', de Christopher Nolan.

Já a música tema é de Pharrell Williams, que de tão boa, com certeza vai estar no Oscar novamente, como seu sucesso 'Happy', de 'Meu Malvado Favorito 2'.

Com foco maior na relação de Peter com Gwen, o longa faz o espectador mergulhar nas tramas, se importar profundamente com o destino dos personagens e o peso de suas decisões e dilemas.

Mais do que isso, é capaz de emocionar em ao menos dois momentos distintos - coisa rara em filmes de super-heróis e que colocam a produção acima não só da trilogia anterior, como também da maioria das produções do gênero.

Filmaço!

Confira o trailer do longa:


******
'O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2: A AMEAÇA DE ELECTRO'
Título Original:
THE AMAZING SPIDER-MAN 2
Gênero: 
Ação
Direção: 
Marc Webb
Roteiro: 
Alex Kurtzman, baseado em história de James Vanderbilt e Roberto Orci, por sua vez baseados nas HQs de Steve Ditko e Stan Lee
Elenco: 
Andrew Garfield, Chris Cooper, Chris Zylka, Dane DeHaan, Denis Leary, Emma Stone, Felicity Jones, Frank Deal, Jamie Foxx, Martin Sheen, Marton Csokas, Paul Giamatti, Sally Field, Sarah Gadon, Stan Lee
Produção: 
Avi Arad, Matthew Tolmach
Fotografia: 
Daniel Mindel
Montador: 
Elliot Graham, Pietro Scalia
Trilha Sonora e Música Tema: 
Hans Zimmer, Pharrell Williams
Duração: 
142 min.
Ano: 
2014
País: 
Estados Unidos
Cor: 
Colorido
Estreia no Brasil: 
1/05/2014
Distribuidora: 
Sony Pictures
Estúdio: 
Marvel Studios
Classificação: 
12 anos
Cotação do Klau:

sábado, 23 de fevereiro de 2013

OSCAR 2013: CONFIRA OS INDICADOS A MELHOR ATOR E A MELHOR ATRIZ COADJUVANTE


A experiência é um trunfo nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante na 85ª edição do Oscar, tendo em vista que dez nomes em disputa já sabem o que é ser indicado e sete deles já experimentaram a sensação de levar à estatueta dourada para casa.

Dentro deste quadro, toda a incerteza que ronda o nome do vencedor entre os homens contrasta com a vitória praticamente certa de Anne Hathaway,  indicada principalmente pela cena de "Os Miseráveis", onde ela canta com o útero a famosa "I Dreamed a Dream".

Relembre:


Vamos esmiuçar as duas categorias...

MELHOR ATOR COADJUVANTE

ALAN ARKIN
Trata-se da quarta indicação de Arkin, neste caso por seu papel de produtor de Hollywood em "Argo", filme em que vive um personagem repleto de frases sarcásticas e que se associa com um agente da CIA para montar uma falsa empresa com a intenção de promove a realização de um filme no Irã.
Essa foi a forma como Estados Unidos e Canadá tramaram o rocambolesco resgate de seis funcionários da embaixada americana em Teerã em 1980, durante a crise dos reféns, fazendo-os passar por uma equipe de filmagem canadense de uma produção de ficção científica no estilo "Star Wars".
Arkin conseguiu sua primeira indicação por sua estreia no cinema: "Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando" (1966), a qual foi seguida por "Por Que Tem Que Ser Assim?" (1968) e "Pequena Miss Sunshine" (2006), quando levou a estatueta para casa.

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN
Essa é a quarta indicação de Hoffman, que ganhou o Oscar de Melhor Ator por "Capote" (2005) e foi nomeado por "Jogos do Poder" (2007), "Dúvida" (2008) e, agora, com "O Mestre", filme no qual seu personagem de aura messiânica possui praticamente a mesma importância e similar tempo em tela que Joaquin Phoenix, indicado como protagonista.
Nesse sentido, o prêmio à melhor interpretação masculina do Festival Internacional de Cinema de Veneza foi entregue a Phoenix e Hoffman, que encarna no filme Lancaster Dodd, o fundador de um culto religioso (inspirado em L. Ron Hubbard e na Cientologia) no início da década de 1950.
Hoffman possui provavelmente o personagem mais interessante entre os atores coadjuvantes indicados: é o guia que oferece respostas e salvação a um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial (Phoenix) que não encontra paz nem estabilidade após seu retorno do campo de batalha.

TOMMY LEE JONES
Essa também é a quarta indicação de Jones, que, no caso desta última, veio através da interpretação do congressista republicano Thaddeus Stevens em "Lincoln", que exerce um papel crucial na aprovação da emenda para abolir a escravidão durante os últimos dias de vida do presidente americano.
A presença de Jones no filme sempre resulta poderosa e consegue injetar ao papel uma seriedade e um senso do humor único enquanto despreza as opiniões dos congressistas contrários à abolição. Sua obsessão para alcançar lembra a perseverança com a qual Jones perseguia Harrison Ford em "O Fugitivo" (1993), filme pelo qual ganhou o Oscar.
Suas demais indicações foram por "JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar" (1991) e "No Vale das Sombras" (2006).
Por seu papel em "Lincoln" ganhou o prêmio do Sindicato de Atores dos EUA.

ROBERT DE NIRO
Um dos melhores atores da história retorna à elite do Oscar duas décadas depois e faz isso dando vida ao personagem Pat em "O Lado Bom da Vida", um sujeito repleto de manias relacionadas com os jogos de futebol americano de seu time de coração, o Philadelphia Eagles, e que tenta melhorar a relação com seu filho, que sofre um transtorno bipolar.
É a sétima indicação para De Niro, ganhador como Melhor Ator Coadjuvante em "O Poderoso Chefão - Parte II" (1974) e como Melhor Ator em "O Touro Indomável" (1980).
Suas outras indicações foram por "Taxi Driver" (1976), "O Franco-Atirador" (1978), "Tempo de Despertar" (1990) e "Cabo do Medo" (1991).
O ator mostra seu lado mais humano e sensível em "O Lado Bom da Vida" da mesma forma que fez em títulos recentes, mas pouco vistos como "Estão Todos Bem" ou "Being Flynn", mas desta vez o empurrão da The Weinstein Company fez com que sua atuação não passasse despercebida para os membros da Academia.

CHRISTOPH WALTZ
A priori, pode parecer um dos favoritos para levar o Oscar devido a seu duplo triunfo no Globo de Ouro e no Bafta, sem contar que é o único ator de todo o elenco de "Django Livre" que já conseguiu o reconhecimento da Academia.
No entanto, sua recente estatueta dourada justamente como coadjuvante em "Bastardos Inglórios" (2009), também de Quentin Tarantino, pode diminuir suas chances.
Waltz, que insufla em seu personagem o senso de humor típico de Tarantino, encarna no filme um caçador de recompensas encarregado de libertar o escravo Django (Jamie Foxx) e de ajudar-lhe a reencontrar sua esposa, cuja liberdade depende da vontade do tirano encarnado por Leonardo di Caprio.
É sua segunda indicação e poderia beneficiar-se do fato que seu personagem, que profere as melhores frases da produção, leva o peso do filme durante 75% de projeção.

E as bunitas?

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

AMY ADAMS
É sua quarta indicação em apenas sete anos como Melhor Atriz Coadjuvante; antes foi reconhecida por "Retratos de Família" (2005), "Dúvida" (2008) e "O Vencedor" (2010).
Agora tentará a sorte com "O Mestre", onde encarna Peggy Dodd, fiel esposa do líder espiritual vivido por Hoffman e cujos atos a revelam como a encarregada de movimentar os fios da trama.
A atriz esquece a doçura que caracterizaram suas interpretações anteriores como em "Encantada", "Prenda-Me Se For Capaz" e "Os Muppets" para submergir-se totalmente na psique de uma ferrenha e dominante mulher que sugere seus pensamentos com sutileza e sem histrionismo.
Adams se encontra em um grande momento profissional e tem pendente a estreia de "O Homem de Aço", um dos filmes mais esperados do ano por se tratar do retorno do Superman, o principal dos super-heróis,  à telona - ela interpreta nada menos que a principal presença feminina no universo do Super, a intrépida repórter e interesse amoroso do herói, Lois Lane.

SALLY FIELD
Sua relação com o Oscar é perfeita até agora: duas indicações e duas vitórias, por "Norma Rae" (1979) e "Um Lugar no Coração" (1984).
Agora, a atriz tenta sua terceira estatueta dourada por "Lincoln", onde encarna Mary Todd Lincoln, a sofredora esposa do presidente americano interpretado por Daniel Day-Lewis.
Sua presença na categoria era uma aposta segura por ter sido reconhecida pela crítica como um dos grandes trunfos da produção de Steven Spielberg e o apoio perfeito para o show de Day-Lewis.
Além disso, ela mesma assegurou que era um papel que "morria de vontade" de fazer e não se importou em esperar uma década até que a produção finalmente saísse do papel.
Após seis anos afastada do cinema, Sally voltou à telona no ano passado com "O Espetacular Homem-Aranha" e já iniciou as filmagens de sua segunda parte.

ANNE HATHAWAY
Se há uma aposta segura na 85ª edição do Oscar, é a de Anne Hathaway como Melhor Atriz Coadjuvante por "Os Miseráveis".
Trata- se de sua segunda indicação após a obtida por "O Casamento de Rachel" (2008), e tudo parece indicar que, após seu triunfo no Globo de Ouro, no Bafta e no prêmio do Sindicato de Atores dos EUA, entre outros muitos, esse prêmio não lhe escapará.
O filme de Tom Hooper tem um momento em especial que hipnotiza o espectador: sua interpretação à capela e em plano fixo de "I Dreamed a Dream" , que vale um Oscar por si só.
Seu papel é pequeno comparado com o das demais candidatas, mas Anne Hathaway se entregou de coração neste musical baseado na célebre obra de Victor Hugo, um hino aos despossuídos que combina perfeitamente com os tempos atuais.

HELEN HUNT
É a segunda candidatura ao Oscar para Helen Hunt, que levou a estatueta de Melhor Atriz por "Melhor É Impossível" (1997).
Trata-se de uma atriz de pedigree, como demonstram seus quatro Emmy pela série "Mad About You", e esta nova indicação põe a intérprete na primeira linha de Hollywood, embora com uma proposta independente e pouco vista pelo público: "As Sessões".
O filme trata o drama de um adulto de 36 anos que vive conectado a um respirador artificial e deseja perder a virgindade, algo com o que o ajudará uma mulher vulnerável que participa de tratamentos de sexo, um papel que permite a Helen Hunt desnudar-se física e emocionalmente na tela.
Sua indicação compensa em parte o esquecimento da Academia com seu companheiro de elenco, John Hawkes, nome certo em todas as apostas prévias.
Em março, Helen estreará "Decoding Annie Parker", filme sobre os esforços de uma mulher para encontrar uma cura para o câncer.

JACKI WEAVER
Segunda indicação para a atriz australiana, que já concorreu ao Oscar por "Reino Animal" (2010).
Em "O Lado Bom da Vida" é a matriarca de uma família completamente disfuncional, e a única que está em completo controle de seus atos, um desafio para atriz que precisou modelar a normalidade, naturalidade e preocupações de uma pessoa comum.
Em "Reino Animal" encarnava uma mãe muito diferente, aparentemente doce e inocente, capaz de ignorar de propósito as atividades delitivas de seus filhos.
Agora, no entanto, mostra o silencioso sofrimento de uma mãe incapaz de acalmar a hiperatividade de seu filho.
Talvez seja a indicação mais surpreendente da atual edição nas categorias interpretativas, embora o diretor do filme, David O. Russell, tenha destacado que seu personagem é "o coração e a alma" da produção.
Parece uma interpretação feita sem esforço, não há um só gesto forçado - e esse é o seu principal mérito.

Fotos dessa postagem:
Atores e Atrizes no Globo de Ouro 2012
Getty Images

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

'LINCOLN': ARRASTADO, CANSATIVO MAS AINDA ASSIM É UM BOM FILME


Um dos melhores longas já dirigidos por Steven Spielberg, 'Lincoln' foca nos últimos quatro meses de vida do 16º presidente dos Estados Unidos, que entrou para a história por ter sido o articulador da 13a. emenda à Constituição, que acabou com a escravidão e  de quebra, com a Guerra Civil que matou mais de 750 mil americanos - só para constar, o número de americanos mortos em todas as guerras travadas pelo país contra inimigos externos não chega nem perto.

Com uma direção de arte impecável, o longa faz uma reconstituição fiel, tanto do momento político, quanto da América do século 19, onde passamos a acompanhar Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis) que, após uma vitória esmagadora nas eleições de 1864, estava no auge de sua popularidade quando corajosamente propôs uma emenda à Constituição para finalmente por fim à escravidão nos EUA.

Daniel Day-Lewis incorpora Abraham Lincoln, 16º presidente americano - fotos: Divulgação/Fox Film

Inteligentemente, Spielberg concentra seu longa nos bastidores deste embate político que mudou a história americana, revela o lado idealista do presidente, mas também o pragmatismo que o levou a comprar votos de oposicionistas, oferecendo-lhes empregos públicos de prestígio.

Em outro momento crucial, o presidente, podendo dar fim imediato à Guerra da Secessão, resolve estendê-la por mais dias para alcançar seus propósitos.

Joseph Gordon-Levitt, como Robert Todd Lincoln, primogênito do presidente

Como grande mérito, o longa humaniza a figura de Lincoln, escancarando uma realidade pouco comum em obras cinematográficas que tratam de grandes nomes da história.

Se é verdade de que muitos deles meteram as mãos no lodo em nome de seus ideais, adotando a política dos "fins a justificar os meios", vemos isso também nas atitudes do presidente e no jogo de interesses dentro da câmara.

Sally Field interpreta a Primeira-Dama Mary Todd Lincoln

Ao mesmo tempo, conhecemos um pouco do dia a dia do homem Lincoln, sua relação com a mulher, Mary (Sally Field, maravilhosa) e com os filhos - o mais velho, Robert Todd Lincoln, interpretado por Joseph Gordon-Levitt.

Spielberg preferiu nesse longa trilhar outros caminhos: há excessos de personagens e muita costura política em salas escuras e envoltas em fumaça de charutos, o que acaba cansando o espectador.

Mesmo assim, o diretor fugiu do sentimentalismo ao quadrado, evitou seus já contumazes excessos de close-ups e acertou a mão ao retratar o famoso assassinato do presidente - cena mais do que batida em todos os filmes já feitos com Lincoln.

As boas interpretações – as de Sally Field, Tommy Lee Jones e de James Spader são impecáveis – mantêm a força de um longa que perdeu a chance de ser uma obra grandiosa porque seu diretor resolveu deixar de ser ele mesmo.

Tommy Lee Jones interpreta o Congressista Thaddeus Stevens

Assim, Spielberg, tentando não ser Spielberg, nos entrega um longa em que, se a conversa é demasiada, é rápido demais para aprofundar-se no grande número de personagens e situações, terminando por não levar à telona a grandiosidade histórica do momento retratado.

Grande campeão de indicações ao Oscar 2013 - foram 12, entre elas Melhor Filme, Melhor Diretor, Ator (Daniel Day Lewis) , Atriz Coadjuvante (Sally Field) e Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones), 'Lincoln' deve sair da cerimônia com pouca coisa.

Garantido mesmo, só o Oscar para Day Lewis, que, como sempre, não interpreta, incorpora o famoso presidente americano assassinado em abril de 1865 -  e que já levou o Globo de Ouro e o SAG Awards pelo papel.

Sally Field deve perder no Oscar para Anne Hathaway ('Os Miseráveis') - que vem levando todos os prêmios também.

Lee Jones - que levou o SAG Awards, deve perder para Philip Seymour Hoffman ('O Mestre), e Spielberg deve perder Melhor Diretor e Melhor Filme para 'Os Miseráveis' e 'Argo', respectivamente.

O longa também foi indicado nas categorias de Melhor Fotografia, Figurino, Edição, Trilha Sonora, Efeito Sonoro, Roteiro Adaptado e Direção de Arte.

Apesar de arrastado e cansativo, é um bom filme.

Confira o trailer do longa:

*****
'LINCOLN'
Título Original:
Lincoln
Diretor:
Steven Spielberg
Elenco:
Daniel Day-Lewis, Sally Field, Joseph Gordon-Levitt, Tommy Lee Jones, Michael Stuhlbarg, Jackie Earle Haley, Gloria Reuben, Adam Driver, Jared Harris, James Spader, Lee Pace, Gulliver McGrath, Walton Goggins
Produção:
Steven Spielberg, Kathleen Kennedy
Roteiro:
Tony Kushner, John Logan, Paul Webb, baseado na obra de Doris Kearns Goodwin
Fotografia:
Janusz Kaminski
Trilha Sonora:
John Williams
Duração:
153 min.
Ano:
2012
País:
EUA, Índia
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Fox Film
Estúdio:
Amblin Entertainment / DreamWorks SKG / Imagine Entertainment / Reliance Entertainment / Participant Media / The Kennedy/ Marshall Company / Twentieth Century Fox Film Corporation / Parkes/MacDonald Productions
Classificação:
10 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 6 de julho de 2012

'O ESPETACULAR HOMEM ARANHA': COM FOCO EM PETER PARKER, TÍTULO NÃO ENTREGA O QUE O LONGA É


Hollywood é sinônimo de dinheiro, claro, e até a bem pouco tempo as pessoas da indústria de cinema mais conhecida do planeta ainda seguiam algumas regras, uma delas sobre refilmagens, já que havia certo pudor em relação a séries cinematográficas de sucesso.

A retomada da saga 007 nas telonas só foi retomada em 2005, com "007 Contra GoldenEye", que apresentou ao mundo um novo Bond - Pierce Brosnan - depois do fracasso de "007: Marcado para a Morte" (1987), protagonizado por Timothy Dalton.
Mesmo assim, a passagem de bastão, com direito a um recomeço da saga, foi bem rápida, do último filme de Brosnan como Bond - "007 - Um Novo Dia para Morrer" (2002) - para "Cassino Royale" (2006) - que marcou a estreia do atual Bond, Daniel Craig, foram apenas 4 anos.

O recomeço da saga Batman nas telonas - "Batman Begins" (2005) - veio oito anos depois de "Batman & Robin" (1997) - considerado um dos piores filmes de todos os tempos - e um novo "Mad Max" chegará aos cinemas quase 30 anos após o término da saga protagonizada por Mel Gibson.

"O Espetacular Homem-Aranha" também quebrou essa regra de se esperar um tempo para o lançamento de uma nova saga e volta às origens do personagem apenas dez anos após a estreia da franquia de Sam Raimi e cinco anos depois de "Homem-Aranha 3" - o pior dos três, disparado.

Imagens: Divulgação - Sony/Columbia
Andrew Garfield como o Homem Aranha, no longa que estreia hoje aqui no Brasil
Criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1962, o Homem-Aranha é um dos principais personagens da Marvel Comics e "tem 50 anos de histórias nas HQs, algumas delas circulando com diferentes versões do herói ao mesmo tempo", lembra o diretor Marc Webb, que só tem o hit romântico "(500) Dias Com Ela" no currículo.

Justamente por isso, a proposta de humanizar ainda mais o herói e mostrar "o que é ser jovem, desse um coração ao Homem-Aranha e fosse ponto de partida para um novo herói", como explica o produtor Avi Arad, funcionou.


The Sun 
O ator Andrew Garfield, criança, e já com a fantasia do Homem-Aranha: predestinado
O foco de "O Espetacular Homem-Aranha" - título que veio diretamente do primeiro gibi de sucesso do herói, "Amazing Spider Man" - não é o mascarado uniformizado que tem poderes de aranha, mas o garoto por baixo do disfarce, Peter Parker, interpretado com garra e verdade por Andrew Garfield, que de fanático pelo herói desde menino, entendeu todas as nuances de suas duplas personalidades e é, de longe, a melhor coisa do longa, que estreia hoje aqui no Brasil, em cópias em 3D e IMAX.

Confira entrevista com Andrew Garfield:

Não à toa, o longa tem muitas cenas do garoto vestido com o uniforme mas sem a máscara do Aranha, para que o espectador sempre se lembre que o foco é mesmo Peter.

O herói sem a mascara: o foco do longa é mesmo Peter Parker 
 O longa acerta e inova ao focar na procura de Peter pela figura do pai, morto em um acidente que pode estar relacionado aos eventos que criam o Aranha, uma corajosa e mais radical mudança em relação à origem do herói nas HQs. 

 Aqui, Peter Parker ainda é um estudante do colegial criado pelos tios, Ben - Martin Sheen - e May - Sally Field, Oscar e Globo de Ouro de Melhor Atriz por "Norma Rae" (1979) e que andava sumida das telonas - basicamente, um drama adolescente sobre um garoto que precisa lidar com um vilão íntimo dos pais e com a primeira grande paixão. 

 Peter ainda é picado por uma aranha - alterada geneticamente - ainda ganha poderes - mas, ao contrário dos longas de Raimi, não há pressa em torná-lo um adulto.

Martin Sheen - como tio Ben - Sally Field - como tia May - e Andrew Garfield - como Peter - em cena do longa 
 Um garoto que, inadvertidamente, vira super-herói e precisa lidar com as responsabilidades trazidas pelos superpoderes - metáfora para as dores e delícias de chegar à vida adulta. 

 Mas, se não tem o espetáculo do título e tampouco a novidade, "O Espetacular Homem-Aranha" oferece ao espectador a superação da timidez, os conflitos familiares, a descoberta do amor, o inferno da vida escolar - tudo o que Marc Webb já havia abordado com extrema sensibilidade em "(500) Dias com Ela"

 Nesse campo, ele supera Raimi também na direção de atores, conseguindo desempenhos e uma química absurda entre Andrew Garfield e Emma Stone - que faz a namorada de Peter, Gwen Stacy - muito superior que os da dupla Tobey Maguire/Kirsten Dunst

 A química foi tão grande, que o ator e a atriz estão namorando de verdade na vida real.

Emma Stone - como Gwen - e Andrew Garfield - como Peter: química absurda 
 Como muitos adolescentes, Peter tenta descobrir quem ele é e como ele se tornou a pessoa que é hoje. 

 Também está começando uma história com sua primeira paixão, Gwen Stacy, e, juntos, eles lidam com amor, compromissos e segredos. 


Quando Peter descobre uma misteriosa maleta que pertenceu a seu pai, ele começa uma jornada para entender o desaparecimento de seus pais – o que o leva diretamente à empresa de genética Oscorp e ao laboratório do Dr. Curt Connors - Rys Ifans -, antigo sócio de seu pai, entrando em rota de colisão com seu alter-ego, o Lagarto, que surge depois do Dr. Connors aplicar em si mesmo um experimento que permitiria aos seres humanos terem a regeneração de membros amputados que os répteis tem. 

 Ifans, grande ator, é outro achado do longa: sua interpretação como Connors é contida e suave, em contraponto ao Lagarto, um ser dotado de grande força e que é mais páreo para o aracnídeo do que foram o Duende Verde e o Dr. Octopus dos filmes anteriores.

Rys Ifans como o Dr. Connors e como o Lagarto: páreo duro para o aracnídeo 
 A partir daí, Peter tem que tomar decisões que podem alterar vidas, para usar seus poderes e moldar seu destino de se tornar um herói. 

 O diretor Webb trouxe à produção um saudável respiro de novidade, com elenco de primeira, a fotografia maravilhosa de John Schwartzman, a bela trilha sonora de James Horner, além de fazer de Emma Stone a perfeita tradução da Gwen Stacy por quem o herói se apaixona perdidamente. 

 "O Espetacular Homem-Aranha" pode não ser a grande aventura de "super hero" que o título promete, mas se revela um belo filme de "high school", uma sensível comédia colegial que entendeu melhor o Peter Parker que o herói que ele se tornou. 

 Ainda assim, é louvável a intenção dos produtores em focar mais no que motiva o herói, e não somente à pirotecnia tão presente em outros filmes de super-heróis. 

 Nas HQs, atualmente o Homem Aranha é um membro dos "Vingadores", mas essa união nas telonas ainda deve demorar, já que os direitos para o cinema do herói aracnídeo pertencem à Sony Pictures/Columbia e os demais heróis do grupo pertencem à Marvel Films/Paramount Pictures

 Após o sucesso da estreia americana na última terça (3), "O Espetacular Homem-Aranha" foi confirmado como o primeiro longa de uma trilogia - a informação foi divulgada na página oficial do filme no Facebook

 Essa talvez seja a desculpa para que o espectador passe por cima de alguns buracos no roteiro, que certamente serão solucionados nos outros dois longas. 

 "O Espetacular Homem Aranha" arrecadou em seu primeiro dia de exibição nos Estados Unidos U$ 35 milhões, o que garantiu o título de maior bilheteria de abertura de todos os tempos em uma terça-feira. 

 Por aqui, não deve ser diferente. 

 Confira o trailer do filme:




*****
"O ESPETACULAR HOMEM ARANHA" 
Título Original: 
The Amazing Spider-Man 
Diretor: 
 Marc Webb 
Elenco: 
 Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Martin Sheen, Sally Field, C. Thomas Howell, Embeth Davidtz, Chris Zylka, Denis Leary, Campbell Scott, Irrfan Khan, Kelsey Chow, Stan Lee 
Produção: 
 Avi Arad, Matthew Tolmach, Laura Ziskin 
Roteiro: 
 Alvin Sargent, James Vanderbilt, Steve Kloves 
Fotografia:
 John Schwartzman 
Trilha Sonora:
 James Horner 
Duração: 
 137 min. 
Ano: 
 2012 
País: 
 EUA 
Gênero: 
 Ação 
Cor: 
 Colorido 
Distribuidora: 
 Sony Pictures 
Estúdio: 
 Columbia Pictures / Marvel Enterprises / Marvel Studios / Laura Ziskin Productions 
Classificação: 
 10 anos 
Cotação do Klau: