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quinta-feira, 20 de março de 2014

'O GRANDE HERÓI': PATRIOTADA BEM FEITA TRANSFORMA SOLDADOS REAIS CONTRA O MAL


Baseado na operação Red Wings,  realizada por membros dos Navy SEALs em 2005, 'O Grande Herói' - que estreia hoje em 124 salas em todo o Brasil - acompanha a missão de perseguição e captura do líder Taliban Ahmad Shahd em um cenário hostil e surpreendente, no qual os soldados norte-americanos se veem cercados, sem comunicação e precisam fazer de tudo para sobreviver.

Aqui, o diretor Peter Berg ('Battleship - A Batalha Dos Mares') tenta levar o espectador para dentro da vida desses homens e mulheres que se arriscam na linha de frente e, assim, o que se vê na telona é um filme visceral, com cada tiro tendo efeito máximo para deixar clara a coragem desses "heróis" e transformando os Navy SEALs em mártires e modelos de conduta a serem seguidos.

Mark Wahlberg é o SEAL Marcus Luttrell - Fotos dessa postagem: Divulgação - Paris Filmes

Durante o combate, tornam-se símbolos máximos de fraternidade, perseverança e senso de dever, mas deixam de lado as emoções e atitudes de pessoas reais, ou seja: a forma como o heroísmo é apresentado é tão fantasiosa quanto os filmes de ação dos anos 80.

A trama se passa em junho de 2005, quando quatro SEALs são designados para capturar ou matar o líder talibã Ahmad Shah.

No acampamento, Mike Murphy (Taylor Kitsch), Marcus Luttrell (Mark Wahlberg), Danny Dietz (Emile Hirsch) e Matt Axelson (Ben Foster) são grandes amigos e homens de família que desejam apenas fazer seu trabalho e voltar para casa.

Em um dia comum, o quarteto bem treinado é mandado para o campo de batalha furtivamente, mas as coisas fogem do controle quando são descobertos por um pastor e dois meninos.

Taylor Kitsch é Mike Murphy

A situação é crítica e, sem comunicação nenhuma com a base, precisam decidir se irão deixá-los ir e comprometer a missão, amarrá-los e os impor morte lenta, ou eliminá-los e continuar em frente.

Cada soldado tem uma opinião: alguns querem seguir adiante - afinal Shah é o responsável por assassinar 20 fuzileiros navais e precisa ser impedido, enquanto outros não querem se render ao "mal".

As cenas de ação são espetaculares bem dirigidas e muito bem fotografadas, com soldados sendo rasgados por balas e mesmo assim seguindo em frente, com seus rostos mostrando o cansaço e a dor a cada passo.

Emile Hirsch interpreta Danny Dietz

Quando os inimigos se aproximam, o quarteto precisa saltar de penhascos e, graças ao grande trabalho de câmera e dublês, as quedas parecem muito dolorosas, com muita ralação morro abaixo - as melhores que já vi no gênero.

Conforme acontece o tiroteio, o americanismo aflora, os SEALs são os bonzinhos e os soldados do Talibã os extremamente maus.

Quando o personagem de Wahlberg encontra afegãos contrários ao Talibã, a luta do bem contra o mal chega ao ápice e deixa tudo inverossímil.

Ben Foster é o SEAL Matt Axelson

Assim, temos um filme tecnicamente bem feito, mas sem contar uma história humana e verdadeira.

Imagens reais dos Navy SEALs são alternadas com as captadas para o longa, contextualizando a ação, mas têm pouca utilidade narrativa e servem apenas como tributo aos mortos.

Enfim, como um típico 'filme de guerra', funciona bem - apesar da patriotada.

A tropa reunida

Se não fosse assim, como encararíamos os filmes de super-heróis - a maioria usando uniformes com as cores e estrelas da bandeira americana?

Confira o trailer do longa:

*****
'O GRANDE HERÓI'
Título Original:
LONE SURVIVOR
Gênero:
Drama
Direção:
Peter Berg
Roteiro:
Peter Berg, baseado em uma missão real da marinha norte-americana
Elenco:
Alexander Ludwig, Ali Suliman, Anthony McKenzie, Ben Foster, Brian Call, Dan Bilzerian, Daniel Arroyo, David Shepard, Emile Hirsch, Eric Bana, Eric Steinig, Gregory Rockwood, Ishmael Antonio, Jason Riggins, Jerry Ferrara, Johnny Bautista, Josh Berry, Justin Tade, Mark Wahlberg, Matthew Page, Nicholas Patel, Patrick Griffin, Rich Ting, Rick Vargas, Rohan Chand, Ryan Kay, Sammy Sheik, Samuel Cloud, Scott Elrod, Sterling Jones, Taylor Kitsch, Yousuf Azami, Zarin Rahimi
Produção:
Akiva Goldsman, Norton Herrick, Randall Emmett, Sarah Aubrey, Stephen Levinson
Fotografia:
Tobias A. Schliessler
Montador:
Colby Parker Jr.
Trilha Sonora:
Explosions in the Sky, Steve Jablonsky
Duração:
121 min.
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
20/03/2014
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Emmett/Furla Films / Envision Entertainment Corporation / Film 44
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

'SELVAGENS': OLIVER STONE VOLTA A FAZER UM GRANDE FILME


Dois rapazes da Califórnia, desocupados e sem futuro, que dividem na cama e na mesa uma bonita garota, resolvem apostar num pequeno negócio - cultivar maconha para uso próprio e dos amigos.

Depois de pouco tempo, já plantando em enormes estufas, eles não só ficam milionários com o negócio, como, evidente, batem de frente com os poderosos que controlam o tráfico de drogas em Los Angeles e arredores.

Depois de um tempo sem filmar algo que prestasse, o aclamado diretor Oliver Stone consegue, no longa "Selvagens", que estreia hoje aqui no Brasil, fazer um retrato mais do que fiel de um grupo de pessoas que só permanecem juntas por causa do lucro que as drogas trazem e onde cada uma das personagens é uma das pontas sobre o que é ser selvagem de verdade, se isso remete à violência ou se essas pessoas são diferentes do tal "povo civilizado".

Imagens: Divulgação - Paramount Pictures Brasil
Os três protagonistas de "Selvagens"

Narrado por O.(Blake Lively), uma garota californiana bonita, gente boa e capaz de poetizar até mesmo sobre um instrumento para fumar, o longa nos introduz a dois amigos de longa data, que a dividem sexualmente.

Chon (Taylor Kitsch), um ex-militar, é agressivo, sem paciência e fala pouco ; já Ben (Aaron Johnson), estudante de botânica, é simpático, desencanado e de sorriso fácil.

Taylor Kitsch e Aaron Johnson, em cena de "Selvagens"

Essa união nada insólita nas telonas - entre músculos e cérebro - começa a fazer sentido quado vemos que o que os une além da garota e da amizade é um lucrativo comércio amador de maconha.

O trio é popular em Laguna Beach - ao lado de Los Angeles - por cultivar e distribuir a maconha mais forte e agradável do mundo - as sementes foram trazidas por Chon do Afeganistão e agora faz a alegria da mulekada da região das praias californianas.

O., que se acha "dona" dos dois meninos e acredita ser o elo que nunca vai separá-los, recebe um vídeo enviado com "carinho" - as imagens mostram pessoas sendo decepadas. - por um cartel comandado por uma cruel chefe do narcotráfico em Tijuana, México, a apenas cento e poucos quilômetros dali e que dá um toque ao trio sobre o fim dessa tranquilidade.

A partir daí, o mestre Oliver Stone desnuda uma trama cheia de reviravoltas, pontuada pela mudança no comportamento nos dois teatros da ação: a rede montada em Laguna Beach e o cartel de matadores a sangue frio mexicano.

Com cada um dos dois grupos acusando o outro de ser selvagem, o pessoal do cartel de Tijuana achando o fim como os três são promíscuos, alienados e desrespeitosos a ideias como hierarquia e ordem e O. e os rapazes enfrentando a truculência e o terror dos traficantes "profissionais", Stone não entrega uma resposta de imediato, mas indica que os dois lados podem ser bem mais parecidos do que parecem, principalmente conforme a trama avança e todos são testados, mais e mais.

O espectador recebe uma violenta carga de cenas com extrema brutalidade, sem sutilezas, cortes de cena e música ao fundo como nas ficções de cinema - os vídeos servem como alerta sobre o que pode acontecer a alguém que desobedece ou trai um cartel de drogas.

Stone tem a habilidade de mostrar o terror do narcotráfico mexicano, mas é bem claro em apontar que o problema existe também por causa dos norte-americanos, pela omissão ou corrupção, mesclando atores em ascensão como Aaron Jackson ("O Ilusionista") e Taylor Kitsch ("Battleship") com nomes consagrados no cinema por estilos de atuação completamente diferentes: John Travolta, Salma Hayek e Benicio Del Toro.

Hayek vive Elena, mulher implacável que assumiu os negócios do marido e comanda com rigidez seu cartel, que rivaliza com o bando de um criminoso chamado El Azul pelo controle do tráfico na costa oeste mexicana e norte-americana.

Salma Hayek e Benicio Del Toro, em cena do longa

Sob a proteção da sua grana e dos seus soldados, ela consegue manter distância do sangue gerado pelos negócios que toca, mas titubeia quando o assunto é sua filha, radicada nos Estados Unidos.

Seu principal aliado é Lado, personagem cujo nome ganha mais sentido quando o espectador começa a notar as diferentes facetas da belíssima atuação de Benicio Del Toro.

Tarimbado em papéis de criminosos misteriosos, com olheiras profundas, o ator mexicano entrega um personagem que tem uma forte intuição, um faro raro para captar mentiras e o timing certo para se procurar amigos e inimigos.

Vivido por John Travolta, o policial Dennis não é tão tosco quanto Lado, mas utiliza muito bem a rede de informações e de influências que tem acesso, por ser ligado ao Departamento de Entorpecentes norte-americano (DEA) - fazia tempo que Travolta não tinha um personagem tão bom assim.

John Travolta como o policial Dennis, em cena do filme

Dennis é acuado por Chon quando O. é posta em perigo e ele, escorregadio, dissimulado e voltado à proteção própria, demonstra no decorrer da trama a sua versão do "selvagem", especialmente quando sua posição é posta em risco.

Assim, o filme de Stone traz à baila pergunta: quem seria o verdadeiro selvagem?

Filmaço.

Confira o trailer do filme:


*****
'SELVAGENS'
Título Original:
Savages
Diretor:
Oliver Stone
Elenco:
Blake Lively, Taylor Kitsch, Aaron Johnson, Gary Stretch, Benicio Del Toro, Diego Cataño, Shea Whigham, Karishma Ahluwalia, Joaquín Cosio, John Travolta
Produção:
Moritz Borman, Eric Kopeloff
Roteiro:
Shane Salerno, Don Winslow, Oliver Stone
Fotografia:
Daniel Mindel
Trilha Sonora:
Adam Peters
Duração:
131 min.
Ano:
2012
País:
EUA
Gênero:
Policial
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Paramount Pictures Brasil
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 9 de março de 2012

'JOHN CARTER - ENTRE DOIS MUNDOS': ESPERARAM 100 ANOS PARA FAZER UM FILME BASEADO NO LIVRO PRA ISSO?


A história de uma possível produção de um filme com o personagem John Carter - um soldado do Exército Confederado Americano rebelde na década de 1860 que misteriosamente acorda em Marte - criado em 1912 por Edgar Rice Burroughs - o mesmo criador de Tarzan - no livro "Princess of Mars" já daria um filme.

Em 1931, a Warner quis fazer um desenho animado com base no primeiro livro - o mesmo usado agora - mas a tecnologia da época não foi suficiente.

Teria sido o primeiro longa de animação da história - antes mesmo do clássico da Disney "Branca de Neve e os Sete Anões" (1937) - e, por anos, ninguém se atreveu a faze-lo,  em boa parte pelo enredo, detalhadíssimo. 

Livro de sucesso, série da Marvel Comics escrita por Marv Wolfman e ilustrada por Gil Kane (1977-1979) também de sucesso.

Com a evolução da tecnologia digital, a possibilidade de recriar na telona o universo idealizado por Burroughs voltou a ser assunto em Hollywood.

Em 2009, o filme "Princess of Mars", pobrinho de dar dó pela produção tosca mas baseado no livro, foi lançado diretamente em homevideo - ainda segue inédito no Brasil.
Divulgação
Cena do filme

Finalmente chegamos a 2010, quando o roteirista e diretor Andrew Stanton - vencedor de dois Oscars de melhor animação por "Wall-E" (2008) e "Procurando Nemo" (2003) - iniciou as filmagens de "John Carter - Entre Dois Mundos" e reuniu um time vencedor, a começar por Michael Chabon - ganhador do prêmio Pulitzer de Literatura por seu romance "The Amazing Adventures of Kavalier and Clay", que também assina o roteiro -, do desenhista de produção Nathan Crowley - indicado ao Oscar por "Batman - O Cavaleiro das Trevas" -, e do figurinista Mayes C. Rubeo - de "Avatar" e "Apocalypto".

O quarteto mergulha o espectador na alucinante viagem de John Carter - interpretado por Taylor Kitsch, o Gambit de "X-Men Origens: Wolverine" - quando ele decide desertar do campo de batalha, em 1868, para virar garimpeiro no Oeste dos Estados Unidos.

Carter topa com um alienígena numa caverna, e este o teletransporta acidentalmente para Marte - ou Barssom, no idioma local - habitado por criaturas estranhas e aterrorizantes, onde ele acaba em meio a uma guerra entre dois povos locais, e onde sua presença será fundamental.
Divulgação
John Carter chega a Marte, no meio de uma grande batalha

Como possui uma composição orgânica diferente dos marcianos, a atmosfera do planeta dá a Carter superpoderes de resistência e força.

Só que Carter desistiu da guerra - onde toda a sua família morreu - e não quer se envolver com outra, ainda mais em outro planeta, até que topa com a gostosa princesa Dejah Thoris - Lynn Collins - mocinha desprotegida em busca de seu salvador - mais, a Disney não permite, né?
Divulgação
Taylor Kitsch e Lilly Collins, em cena do filme: casal com química zero

Porém, Carter deverá enfrentar um segundo conflito: os "therns", a princípio seres espirituais devotados a uma deusa local, cujas intenções não ficam muito claras até o desfecho, o que caiu como uma luva apenas para tapar os muitos buracos do roteiro.

Com Willem Dafoe, Thomas Haden Church e Mark Strong - o único que aparece na forma humana -  inacreditavelmente também no elenco, "John Carter - Entre Dois Mundos" é um épico, a começar por seu orçamento, de 250 milhões de dólares.

Mas é também um filme muito irregular e muito maniqueísta, onde a espera de alguma cena com um pouco mais de nuances para os personagens, além de uma boa edição para enxugar as mais de duas horas de exibição, nunca acontece.

A direção de arte, as criaturas, as cores em Marte e as naves impressionam, mas isso só não basta para um épico.
Divulgação
As naves impressionam

Nem Edgar Rice Burroughs confiou muito no sucesso de sua história: na hora de assinar o livro, o fez com o pseudônimo de Norman Bean.

Só que a Disney, ambicionando conquistar o mercado adolescente, investiu pesado no filme, com retorno tão imprevisível como a pretendida sequência da história.

O estúdio espera um retorno no nível de "Carros" e "Piratas do Caribe", com capacidade para gerar renda também na televisão, em livros e em produtos licenciados, mas quem acompanha o setor acha que o longa - que estreia hoje no Brasil, em cópias 2D e 3D - pode se tornar um exemplo de filme caro e fracassado.

Fazer cinema em Hollywood sempre foi uma atividade arriscada, mas "John Carter" é parte de uma tendência que aumenta o grau de incerteza: nos últimos anos, os estúdios têm reduzido o número de filmes produzidos, focando nos de maior orçamento.

Quando dá certo, o lucro dura vários anos, na forma de sequências cinematográficas, brinquedos, videogames e até parques temáticos.

Já um fracasso pode custar dezenas de milhões de dólares.
Divulgação
Taylor Kitsch como John Carter:  protagonista bunitinho, mas ordinário

O analista Alan Gould, da Evercore Partners, estima que "John Carter" pode dar um prejuízo de 165 milhões de dólares, prejuízo preocupante, já que, no ano passado, a Disney amargou perdas de 70 milhões de dólares por causa de "Marte Precisa de Mães", e o estrago fez o faturamento do conglomerado ficar abaixo das expectativas dos analistas - com suas ações caíndo 3 por cento.

Confira o trailer do filme:
*****
'JOHN CARTER - ENTRE DOIS MUNDOS'
Título original:
John Carter
Diretor:
Andrew Stanton
Elenco:
Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Mark Strong, Ciarán Hinds, Dominic West, James Purefoy, Daryl Sabara, Polly Walker, Bryan Cranston, Thomas Hayden Church, Willem Dafoe
Produção:
Jim Morris, Colin Wilson, Lindsey Collins
Roteiro:
Michael Chabon, Andrew Stanton, Mark Andrews, baseados no romance de Edgar Rice Burroughs
Fotografia: Daniel Mindel
Trilha Sonora:
Michael Giacchino
Duração:
132 min.
Ano:
2012
País:
EUA
Gênero:
Aventura
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Disney
Estúdio:
Walt Disney Pictures
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: