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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

'O PROTETOR 2': DENZEL WASHINGTON RETORNA COMO JUSTICEIRO IMPLACÁVEL E COM CARISMA IRRESISTÍVEL


SINOPSE:

Massachusetts, Estados Unidos.

Robert McCall (Denzel Washington) agora trabalha como motorista, ajudando pessoas que enfrentam dificuldades decorrentes de injustiças.

Quando sua amiga Susan Plummer (Melissa Leo) é morta durante a investigação de um assassinato na Bélgica, ele decide sair do anonimato e encontrar seu antigo parceiro, Dave (Pedro Pascal), no intuito de encontrar pistas sobre o autor do crime.

CRÍTICA:

Lançado em 2014 por Antoine Fuqua, 'O Protetor' é um grande filme de ação, nos apresentando ao seu protagonista Robert McCall (Denzel Washington), um vigilante implacável com carisma suficiente para querermos vê-lo mais vezes - mesmo quando ele mata seus alvos a sangue frio.

Agora, para a alegria de quem gostou do longa, ele acaba de ganhar uma sequência, 'O Protetor 2', que estreia hoje aqui no Brasil, com foco no drama pessoal desse homem, em como ele toca a vida das pessoas à sua volta e como elas afetam sua própria.

Hoje, McCall trabalha como motorista de aplicativo e tem uma vida aparentemente normal - mas ele tem um segredo: é um violento paladino da justiça que não dá chance para os vilões.

O Protetor 2 : Foto Denzel Washington
Robert McCall (Denzel Washington) em cena do longa - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Sony Pictures
Em outras palavras, ele é essencialmente um super-herói dos quadrinhos e, se esse filme se chamasse 'Justiceiro' e fosse produzido pela Marvel, ninguém estranharia - tamanha a semelhança de atitude entre os personagens.

Essa é a primeira vez que Washington reprisa um personagem e a primeira de Fuqua na direção de uma sequência.

A razão do retorno é muito simples: esse protagonista é bom demais para ser esquecido e não é todo dia que um personagem violento e cheio de carisma (além de emoção) cai no colo de um ator e de um cineasta.

O longa contém alguns momentos incríveis de ação e um discurso social relevante.

Quando ele não está quebrando a cara de criminosos de colarinho branco, ele salva alguns garotos das drogas e dá lição para outros - a cena em que McCall ajuda um garoto artista envolvido com gangues é de arrepiar.

O Protetor 2 : Foto Denzel Washington, Melissa Leo
Cena do longa
Apesar disso, o longa se perde no enredo muito abrangente e os personagens somem por grandes períodos.

Seria melhor se o foco fosse apenas a vida do protagonista ou a investigação de um assassinato - mas o filme tenta mostrar tudo um pouco e ainda fecha com final de filme de super-herói, pretensioso demais.

O resultado é que o cansaço chega mais cedo do que gostaríamos e a duração parece um pouco mais longa do que deveria.

O fato de o longa desperdiçar talentos (como Bill Pullman) com personagens que mal aparecem e de amenizar a violência brutal com uma narrativa tão convencional também não ajuda.

Para completar, o vilão, cuja identidade é revelada numa reviravolta previsível, é irritantemente genérico.

Seus diálogos são aleatórios e sua motivação é nenhuma.

O Protetor 2 : Foto Ashton Sanders, Denzel Washington
Cena do longa
Além disso, o ator que o interpreta erra no tom e não parece ser tão mau quanto seus atos dão a entender, mas apenas uma pessoa chata e sem graça com raivinha do mundo.

O que realmente faz o filme valer a pena é a presença luminosa de Denzel: ele e Antoine Fuqua criaram um personagem único, um vigilante com um coração de ouro, dominado pelas emoções e com um senso de justiça invejável.

Vame a pena uma olhada.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'O PROTETOR 2'
Título Original:
THE EQUALIZER 2
Gênero:
Ação
Diretor:
Antoine Fuqua
Elenco:
Abigail Marlowe, Alexa Giuffre, Alin Halajian, Andrei Arlovski, Annie Pisapia, Ashton Sanders, Bill Pullman, Caroline Day, Denzel Washington, Donald Cerrone, Enku Gubaie, Eric Ian, Heidi Garrow, Jay Hieron, Jonathan Scarfe, Karen Strong, Lexie Roth, Melissa Leo, Patty O'Neil, Pedro Pascal, Sakina Jaffrey, Tamara Hickey
Roteiro:
Michael Sloane, Richard Lindheim, Richard Wenk
Produção:
Alex Siskin, Denzel Washington, Jason Blumenthal, Mace Neufeld, Steve Tisch, Todd Black, Tony Eldridge
Fotografia:
Oliver Wood
Trilha Sonora:
Harry Gregson-Williams
Montador:
Conrad Buff IV
Estúdio:
Columbia Pictures, Escape Artists, Fuqua Films, Lonetree Entertainment, Mace Neufeld Productions, Sony Pictures Entertainment (SPE)
Distribuidora: 
Sony Pictures
Ano de Produção:
2018
Duração:
121 min.
Estréia (Brasil):
16/08/2018
Classificação Indicativa:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

IDRIS ELBA É O NOVO JAMES BOND? NÃO É BEM ASSIM...

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Ator foi confirmado e desconfirmado em questão de horas
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Tudo começou quando, nesta quinta (9), o site do tablóide britânico Daily Star publicou que o diretor americano Antoine Fuqua perguntou a Barbara Broccoli, produtora da franquia de James Bond, sobre quem assumirá o lugar de Daniel Craig depois do próximo filme, 'Bond 25'.

O diretor negro, responsável por longas como 'Sete Homens e Um Destino' e 'Dias de Treinamento',  teria ouvido como resposta que Barbara acredita que é hora do famoso espião ser interpretado por um ator negro e que está certa de que "isso acontecerá eventualmente".

O diretor então sugeriu que o britânico Idris Elba, o intérprete de Heimdall na franquia 'Thor', assuma o cobiçado papel.

Só que era fake news.

Nesta sexta, a equipe de Fuqua desmentiu a informação.

“Ele nunca conversou com Barbara sobre a franquia ou o elenco. É tudo inventado. Não sei como isso começou”, afirmou o representante do ator ao The Hollywood Reporter.

Um representante de Idirs Elba também foi procurado pelo THR, mas o estafe do ator se recusou a comentar.

Os próximos projetos de Elba, atuais 45 anos,incluem “Turn Up Charlie”, da Netflix, uma série de comédia que ele está estrelando e produzindo, e a adaptação independente do romance “Ghetto Cowboy”, que ele também está estrelando e produzindo.

Enfim, temos que considerar que Elba já tem uma idade avançada para assumir um papel que exige comprometimento para diversos filmes e cenas de ação extrema, o que pode significar que um ator mais jovem acabe assumindo o cargo.

Já 'Bond 25' (título provisório) estreia dia 25 de outubro de 2019 no Reino Unido e no dia 08 de novembro de 2019 nos Estados Unidos.

Com direção de Danny Boyle e roteiro escrito por John Hodge (“T2 Trainspotting”, “A Praia”), 'Bond 25' será o quinto – e último – filme de James Bond estrelado por Daniel Craig.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

'O PROTETOR 2' TEM NOVO TRAILER DIVULGADO

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Longa é estrelado por Denzel Washington
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A Sony Pictures divulgou o novo trailer de 'O Protetor 2', que traz mais cenas inéditas de Denzel Washington encarando inimigos impiedosamente no retorno com seu personagem, Robert McCall.

Confira:


Nesta sequência, ele continua sua jornada ao servir "uma justiça inabalável para os explorados e oprimidos" e trará McCall em uma missão de vingança para destruir todos os envolvidos com a morte de alguém que ele ama.

'O Protetor 2' é dirigido por Antoine Fuqua ('Dia De Treinamento') e também é estrelado por Pedro Pascal, Ashton Sanders, Bill Pullman e Melissa Leo.

O longa tem estreia marcada para o dia 20 de julho.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

'SETE HOMENS E UM DESTINO': DENZEL WASHINGTON E CHRIS PRATT APRESENTAM O GÊNERO WESTERN PARA AS NOVAS GERAÇÕES


SINOPSE:

No Velho Oeste americano, a trama acompanha os moradores de um vilarejo que, cansados de serem atacados pelo ganancioso Bogue (Peter Sarsgaard), decidem contratar atiradores para lutarem contra os bandidos.

O caçador de recompensas Sam Chisolm (Denzel Washington) é quem fica encarregado de selecionar seus ajudantes e recruta o mulherengo Josh Farraday (Chris Pratt), a lenda Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke), o lunático Jack Horne (Vincent D'Onofrio), o chinês Billy Rocks (Byung-Hun Lee), o mexicano Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo) e o nativo americano Red ­Harvest (Martin Sensmeier) para a missão.

Refilmagem do classico western "Sete Homens e um Destino" (1960).

CRÍTICA:

O faroeste é um dos gêneros mais 'made in Hollywood' de todos, com suas paisagens desérticas, vilões muito malvados, saloons com belas mulheres com o piano como música de fundo, os duelos, as "bolas de feno rolando" pela rua principal das cidades com casinhas de madeira - entre outros elementos quase obrigatórios.

Por conta disso, o diretor precisa ser absolutamente inventivo e excepcional, se quiser mostrar uma história diferenciada.

Em 1960, o diretor John Sturges tentou buscar inspiração em uma obra estrangeira para seu novo filme, numa cultura diferente que poderia criar um apelo maior com o público.

E Sturges nos deu 'Sete Homens e Um Destino', considerado um dos maiores westerns de todos os tempos e abertamente inspirado na produção japonesa 'Os Sete Samurais', de Akira Kurosawa - usando o "bang bang" das pistolas no lugar das espadas.

Agora, mais de 50 anos depois, Hollywood lança um remake sobre os justiceiros que salvaram um vilarejo das mãos de um ganancioso bandido.

Sete Homens e Um Destino : Foto Chris Pratt, Denzel Washington
Denzel Washington e Chris Pratt, em cena do longa - Fotos dessa postagem: Divulgação/Sony Pictures
O novo 'Sete Homens e Um Destino', em exibição em 350 salas em todo o Brasil, tem todos os outros elementos de westerns, mas se diverte, não se reinventa.

O longa começa com a chegada do bandidão Bogue (Peter Sarsgaard), que destrói tudo o que encontra pela frente como recado para os moradores da cidade: rendam-se ou sofram as consequências.

É que o lugar fica sobre uma enorme mina de ouro, pronta para ser explorada pelo antagonista e ele quer esvaziar a cidade para garimpar em paz.

Em meio à confusão, a jovem Emma Cullen (Haley Bennett) vê seu marido ser assassinado a sangue frio.

Sete Homens e Um Destino : Foto Byung-Hun Lee, Chris Pratt, Denzel Washington, Ethan Hawke, Vincent D'Onofrio
Protagonistas todos reunidos
Ávida por vingança e justiça, ela entrega todo o dinheiro que tem para o caçador de recompensas Sam Chisolm (Denzel Washington), que recruta o seu grupo: o mulherengo Josh Farraday (Chris Pratt), o lendário Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke), o lunático sanguinário Jack Horne (Vincent D'Onofrio), o misterioso chinês Billy Rocks (Byung-Hun Lee), o mexicano Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo) e o nativo americano Red ­Harvest (Martin Sensmeier).

Se a história começa lenta e pouco interessante, aos poucos vai crescendo e arrebatando o público com a química mais que perfeita entre Washington e Pratt, que praticamente roubam a cena, deixando os demais personagens mal explorados ou reduzidos à suas etnias.

É que o diretor Antoine Fuqua ('Dia De Treinamento') resolveu mostrar representatividade no elenco e incluiu um chinês, um mexicano e um nativo americano no grupo - que no filme de 1960 era formado majoritariamente por atores brancos - mas só conseguiu transformar seus personagens em estereótipos, dos mais vistos e batidos nas telonas.

Com um discurso inclusivo - "nós nos completamos em nossas diferenças" - cada um usa de sua melhor habilidade para armar uma emboscada para Bogue, mesmo que para isso seja preciso explodir a cidade inteira.

Resultado de imagem para Peter Sarsgaard the magnificent seven
Peter Sarsgaard é o vilão Bogue
Assim, enquanto o indígena usa flechas, o asiático lança facas e espadas e o mexicano fala "ai, caramba!" todo o tempo.

Pior é a cena em que o vilão chega com seus capangas, ataca o grupo com bombas e uma metralhadora e deixa inúmeros mortos, tudo com uma quantidade mínima de sangue.

A estratégia talvez tenha sido usada para conseguir a classificação indicativa de 13 anos nos Estados Unidos, mas definitivamente se torna mentirosa demais para o espectador.

No final, o longa passa batido pelos seus problemas e consegue entreter o suficiente, com atos bem coreografados, diálogos leves, direção de arte e direção de Fuqua caprichadíssimas - além de uma boa dose de emoção.

Apesar de não trazer nada de novo em comparação ao longa de 1960, pode satisfazer os corações nostálgicos dos entusiastas de faroeste e ainda arregimentar novos fãs para o gênero.

Vale o ingresso.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'SETE HOMENS E UM DESTINO'
Título Original:
MAGNIFICENT SEVEN
Gênero:
Western
Direção:
Antoine Fuqua
Roteiro:
John Lee Hancock, Nic Pizzolatto
Elenco:
Billy Slaughter, Byung-Hun Lee, Cam Gigandet, Carrie Lazar, Chris Pratt, Denzel Washington, Dylan Kenin, Ethan Hawke, Griff Furst, Haley Bennett, Juan Gaspard, Luke Grimes, Manuel Garcia-Rulfo, Martin Sensmeier, Matt Bomer, Peter Sarsgaard, Sean Bridgers, Shona Gastian, Thomas Blake Jr., Vincent D'Onofrio, Vinnie Jones, William Lee Scott
Produção:
Roger Birnbaum, Todd Black
Fotografia:
Mauro Fiore
Montador:
John Refoua
Trilha Sonora:
James Horner
Duração:
132 min.
Ano:
2016
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
22/09/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Sony Pictures
Estúdio:
Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Sony Pictures Entertainment (SPE) / Village Roadshow Pictures

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

ENTREVISTA: JAKE GYLLENHAAL FALA SOBRE 'NOCAUTE', QUE ESTREIA NOJE NO BRASIL E QUE PODE DAR A ELE SUA TÃO SONHADA INDICAÇÃO AO OSCAR

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Divulgando o longa que estreia hoje aqui no Brasil, o protagonista Jake Gyllenhaal concedeu entrevista ao repórter do UOL em Los Angeles, Eduardo Graça
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"Nocaute" é, essencialmente, um filme de boxe, não muito diferente dos enredos que o espectador se acostumou a encontrar nas muitas narrativas similares, mais ou menos bem-sucedidas, quando Hollywood se debruça sobre o esporte.

Mas o longa é, também, uma plataforma para a impressionante transformação de Jake Gyllenhaal no boxeador Billy Hope, personagem de ficção oriundo das ruas de Nova York - transformação alcançada com treinamento pesado e até surras reais.

"Eu levei muitos socos de verdade nas filmagens, alguns foram parar no filme, outros não. Mas depois de treinar tão arduamente e de ver tantas lutas, ao vivo e na TV, você espera mesmo aquilo tudo. Não tinha como filmar esta história com um dublê ou com uma proteção especial para o meu rosto, por exemplo", conta Gyllenhaal.

"A pior parte foram os seguidos treinamentos com boxeadores de verdade. Mas eles me mostraram, literalmente, a melhor maneira de apanhar no ringue. Levei socos em quase todas as partes de meu corpo", diz o ator, sorriso aberto, dentes incólumes.

"Nocaute" tem direção de Antoine Fuqua, ele próprio um boxeador amador, conhecido do público por "Dia de Treinamento", que deu o Oscar de melhor ator para Denzel Washington e  que agora vai virar série televisiva nos EUA.

Gyllenhaal e Antoine Fuqua, durante as filmagens de 'Nocaute' - The Hollywood Reporter
O elenco conta ainda com Rachel McAdams - como Maureen, a mulher e fonte de inspiração de Hope - e Forest Whitaker - no papel do ex-lutador Tick, mentor do personagem de Gyllenhaal depois de este perder, em uma sucessão de tragédias pessoais, a carreira, o dinheiro, a casa, a família e a guarda de sua filha, vivida por Oona Laurence.

Gyllenhaal e Forest Whitaker, em cena do longa - Divulgação
Fuqua - que depois do remake de "Os Sete Samurais" voltará a dirigir Gyllenhaal em "The Man Who Made It Snow", a versão para o cinema do livro de memórias de Max Mermelstein, contrabandista de drogas americano, íntimo de Pablo Escobar, ainda sem título em português - filma como se o espectador estivesse, ele também, no ringue.

Sangue, saliva e hematomas são retratados em close, chegando a provocar incômodo.

"Treinei seis dias por semana, duas vezes por dia, durante cinco meses", conta o ator.

Rachel McAdams (como Maureen) e Jake Gyllenhaal em cena do longa - Divulgação
"Honestamente, meu maior medo era parecer um idiota no ringue, alguém tentando imitar de forma tacanha um profissional. Antoine (Fuqua) me disse: 'vamos filmar como se fosse uma luta de boxe que passa aqui nos EUA no canal HBO, sem truques, sem dublês, bem realista, você topa?'. Bem, topei, mas desde que treinasse duas vezes por dia, ou seja, na minha cabeça oca, os cinco meses virariam dez (risos). Não foi exatamente o que aconteceu, mas aprendi muita técnica, muito mais do que fazendo exercícios físicos apenas", diz.

Para além do boxe, Gyllenhaal acredita que o filme é centrado na história de um homem simples que ganhou fama e dinheiro, perdeu tudo por conta de contingências da vida e da inabilidade de lidar com sua raiva social, e precisou descobrir uma maneira de ser um bom pai.

"Hope levava para o ringue seu ódio contra o sistema. Mas ele acaba levando para o mundo real também esta revolta e destrói sua própria vida. A raiva pode ser um motivador no ringue, mas na vida real pode se transformar em uma energia destrutiva", acredita.

"Como criar uma filha daquele jeito, com tanta raiva? Antoine me disse logo no começo que queria fazer 'Nocaute' não apenas pelo amor que ele tem ao boxe, mas também para tratar da paternidade, do quão transformadora ela pode ser. O filme me deu a certeza de que serei daqueles pais que farão tudo por seu filho. O sentimento eu já tenho e o usei com Oona o tempo todo. Para o Billy e para mim também, ela foi a presença mais importante no set, de longe", diz.

Gyllenhaal diz que "Touro Indomável", quiçá o mais celebrado dos filmes americanos centrados no universo do boxe, não foi exatamente uma influência direta na criação de seu Billy Hope.

O Jake La Motta de Robert De Niro, ele diz, foi uma inspiração para a vida inteira, não apenas para seu "filme de boxe".

"Aquela é uma aula de interpretação para qualquer ator interessado em aprender o ofício, e vi o filme muitas vezes. Mas não usei nada da interpretação de De Niro para criar o Billy Hope. Aliás, não voltei a nenhum filme de boxe durante o laboratório", afirma.

"Vi outros filmes. Junto com Antoine (Fuqua), assisti de novo, com atenção redobrada 'Meu Nome é Joe', de Ken Loach. Este foi talvez a maior influência estilística para a gente. Logo percebemos que o mais importante era entender a história deste personagem, o passado, a alma de Billy Hope, mais do que pensar em outros filmes que tiveram no ringue um de seus cenários principais. Dito isso, adoro, agora ainda mais, um bom filme de boxe", diz o ator.

Por conta do lançamento do filme nos Estados Unidos, críticos inevitavelmente começaram a divulgar suas listas de melhores filmes de boxe de todos os tempos.

As seleções incluem títulos como "Rocky: Um Lutador" (1976), o já citado "Touro Indomável" (1980), "O Lutador" (2010) e "Ali" (2001).

A revista "Entertainment Weekly" já incluiu "Nocaute" entre os seus dez mais, considerado a atuação de Gyllenhaal - "muito além de sua transformação física" - como o ponto alto do filme.

Elenco e diretor, na estreia mundial de 'Nocaute' em Los Angeles - The Hollywood Reporter
A opinião é dividida por boa parte da crítica, que considerou a interpretação  a melhor do ator de 34 anos e é, com justiça, uma das mais cotadas até o momento para uma indicação ao Oscar de Melhor Ator.

"Esta conversa sempre acontece nesta época do ano, e posso dizer que me preocupo muito mais com meus fãs do que com a premiação em si. Ano passado eles ficaram desapontados por eu não ter sido lembrado pela Academia (pelo insano Louis Bloom de "O Abutre"). Fiquei triste, sim, mas por eles terem ficados chateados. Tudo o que importa para mim é fazer parte de um bom filme. E um filme bom é por si só um milagre, é algo dificílimo de se fazer - vejo isso agora com mais clareza depois de ter começado a produzir. Ou seja, o importante para mim é o filme ser bom. Se eu for indicado, melhor ainda", diz Gyllenhaal.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

"ATRAÍDOS PELO CRIME": FILME IRREGULAR, ELENCO BOM

Ele foi um ótimo diretor publicitário e dirigiu vários videoclipes legais.
O diretor afro-americano Antoine Fuqua tem agora se dedicado quase que totalmenmte ao samba de uma nota só uma da corrupção policial, onde o seu maior destaque é "Dia de Treinamento" - que deu o Oscar de melhor ator a Denzel Washington em 2001.

Com trabalhos com muitos altos e baixos no currículo, como "Assassinos Substitutos" e "O Atirador", Fuqua agora partiu para um desafio: como dar vigor e originalidade a histórias que ele próprio já filmou, boas ou ruins? A resposta pode ser vista em "Atraídos pelo Crime".

Escrito Michael C. Martin - em seu primeiro roteiro - , a trama é formada por três conflitos, paralelos e complementares, onde policiais são os protagonistas.

A primeira trama é o de Sal (Ethan Hawke, de "Dia de Treinamento", pelo qual foi indicado ao Oscar de coadjuvante), cuja ética é posta em dúvida ao eliminar traficantes para tentar suprir as necessidades financeiras de sua família, que não para de crescer.

Foto: Divulgação
O ator Don Cheadle em cena do filme
A segunda é a trama de Eddie (Richard Gere). Às vésperas da aposentadoria - sete dias, como ele não se cansa de repetir - ele é um cara cansado e desconectado com tudo o que acontece à sua volta.
Por isso,entra em rota de colisão com seus parceiros novatos, que o enxergam como covarde e pouco disposto a lutar pelo cumprimento da lei.

ASSISTA AO TRAILER:


Na terceira trama, temos o agente infiltrado Clarence - Don Cheadle, de "Hotel Ruanda" - conhecido como Tango entre a bandidagem.
Depois de ter sua vida salva pelo chefe do tráfico de Nova Jersey, Caz - Wesley Snipes,em uma participação especialíssima - e perder a mulher por sua vida dúbia, passa a rever suas reais prioridades.

Com uma produção eficiente, Antoine Fuqua consegue nos passar as nuances de seus personagens, sempre no limite entre o que pode e o que não pode.
Embora o roteiro não é denso o suficiente, as boas interpretações,principalmente as de Cheadle e Hawke, são importantes, frente aos fracos diálogos.

Quem assistiu aos filmes "Os Infiltrados" - de Martin Scorsese - ou "Dia de Treinamento" - do mesmo Fuqua - não vai achar a menor graça em "Atraídos pelo Crime".

É apenas um filme mediano.

Cotação do Klau: