Mostrando postagens com marcador Lois Maxwell. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lois Maxwell. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

50 ANOS DE BOND NAS TELONAS: NO SEGUNDO LONGA DA SAGA, A AÇÃO PREVALECE E SEAN CONNERY VIRA MITO


Na sexta (5), a série James Bond nas telonas completa 50 anos: foi em 5 de outubro de 1962 que o personagem, já famoso nos livros de Ian Fleming, estreou sua primeira aventura nos cinemas.

Nesses 50 anos, a saga teve altos e baixos, foi protagonizada por seis diferentes atores e se tornou a mais lucrativa série de filmes da história do cinema.

Enquanto o novo longa "007 - Operação Skyfall" não chega - ele estreia aqui no Brasil em 26 de outubro - resolvi fazer postagens especialíssimas sobre todos os filmes do agente do serviço secreto britânico mais conhecido do mundo.

Hoje, confira tudo sobre "Moscou contra 007", segundo longa da saga.


‘MOSCOU CONTRA 007/FROM RUSSIA WITH LOVE’ (1963)

A Spectre monta uma cilada para eleminar Bond – Sean Connery - e vingar a morte de Dr. No.

A oficial Rosa Klebb – vivida por  Lotte Lenya -, no. 3 da organização, coopta uma linda e inocente funcionária da embaixada soviética em Istambul, Turquia – Tatiana Romanova - Daniela Bianchi - para servir de isca e atrair Bond.

Acreditando estar a serviço do seu governo, Tatiana se faz passar por uma desertora, que se mostra disposta a entregar a Bond – e somente a ele – uma máquina Lektor, eficaz leitora de códigos secretos.

Arquivos do Klau

Sean Connery e Daniela Bianchi, em cena do longa

Se o plano der certo, a Spectre fica com a Lektor e melhor, Bond será morto.

O primeiro contato de 007 na Turquia será Kerim Bey – Pedro Armendáriz: ao seu lado, Bond terá sua vida ameaçada pela primeira vez, quando os dois assistem a um espetáculo de dança num acampamento cigano e espiões búlgaros atacam o local a tiros.

Arquivos do Klau

Sean Connery e Pedro Armendáriz, em cena do longa

Ironicamente, será Red Grant – Robert Shaw -, matador contratado pela Spectre, que salva a vida de Bond, pois o agente britânico ainda não conseguiu a Lektor.

Voltando ao hotel são e salvo, Bond conhece Romanova, que o espera, nua, na sua cama – lógico, um encontro mais físico do que intelectual.

Assim, os dois conseguem roubar o decodificador e, com a ajuda de Bey, os três embarcam no famoso trem  Orient Express – só que Grant também está a bordo e só espera o momento para atacar.

Primeiro, ela mata o capitão Nash – o contato a bordo de Bond – depois mata Bey e se apresenta a 007 como se fosse Nash.

Segue-se então uma sensacional luta entre os dois dentro da cabine do Orient Express – considerada, até hoje, uma das melhores cenas de ação já filmadas.

Bond ainda terá de enfrentar a temível Rosa Klebb e seus sapatos assassinos...

TATIANA ROMANOVA: INGÊNUA, SENSUAL E APAIXONADA

Em “Moscou contra 007”,  James Bond vai passar quase que todo o tempo às voltas com uma mulher sensualíssima, funcionária da embaixada soviética em Istambul.

Tatiana Romanova – vivida pela atriz italiana Daniela Bianchi, que tinha 21 anos à época das filmagens – já havia despertado a paixão de Bond quando este a vê, numa foto, no escritório de “M” em Londres.

Arquivos do Klau

Daniela Bianchi, em cena do longa

O primeiro encontro entre Bond e Tatiana é na suíte do hotel onde o agente está hospedado Istambul: 007 ouve um barulho, se vira e vê Tatiana na cama, vestida apenas com meias pretas e uma fitinha da mesma cor no pescoço – um dos momentos mais sensuais da história do cinema.

DANIELA BIANCHI: DE MISS UNIVERSO A UMA DAS MAIS BELAS BONDGIRLS

Daniela Bianchi ficou conhecida em todo o mundo ao ganhar o concurso de Miss Universo em 1961, aos 19 anos.

Para ser a bondgirl de “Moscou contra 007”, ela bateu 200 candidatas num teste promovido em Roma pelo produtor Cubby Broccoli e o diretor Terence Young.

No dia, Daniela, gripada, não foi, mas uma foto dela chegou às mãos de Broccoli, que literalmente correu para bater à porta de sua casa.

Conta a lenda que, gripada, Daniela nem se levantou da cama, Broccoli fez um rápido teste de fotogenia e a contratou na hora.

Arquivos do Klau

A atriz italiana Daniela Bianchi

Como era muito comum entre as bondgirls, Daniela foi dublada na montagem final do longa – italiana, ela não dominava o inglês.

Como atriz, teve uma carreira curtíssima: apareceu nas telonas até meados dos 70, quando se casou com um magnata italiano da indústria naval, abandonando a carreira de vez depois do nascimento do seu único filho.

Daniela tem hoje 70 anos e vive em Milão, Itália.

Para o editor – e depois, diretor – de muitos filmes da saga Bond, Peter Hunt, Daniela foi a melhor bondgirl de todos os tempos.

KERIM BEY: AMIGO DE BOND EM ISTAMBUL FOI INTERPRETADO PELA LENDA MEXICANA PEDRO ARMENDÁRIZ

Intérprete do simpático Kerim Bey, a lenda mexicana dos palcos e das telonas Pedro Armendáriz fez no segundo longa da saga Bond seu último papel nos cinemas.

Armendáriz foi um dos mais populares atores mexicanos de todos os tempos, estreando em “A Pérola” (1947), do compatriota Emilio Fernández.

Depois, já em Hollywood, trabalhou por duas vezes com o consagrado diretor John Ford – em “Domínio dos Bárbaros” (1947) e “O Céu Mandou Alguém” (1948).

Apareceu também numa elogiada biografia do mongol Gengis Khan“Sangue de Bárbaros” (1956) – ao lado de John Wayne

Reuters

O ator mexicano Pedro Armendáriz

Esse último longa foi filmado no estado americano de Utah, perto de onde o governo americano fazia seus testes nucleares, que ocorreram à mesma época das filmagens.

A hipótese nunca foi comprovada, mas, 30 anos depois, todo o elenco e muitos da equipe técnica morreram de câncer – como John Wayne, Agnes Moorehead – a Endora, mãe de Samantha na cult série “A Feiticeira” (1966-1972) - Richard Boone e Armendáriz, que, com câncer no sistema linfático e já com estado de saúde frágil, obrigou o diretor Terence Young a usar dublês em muitas das cenas em que Bey aparece.

Acabada as filmagens, o estado de saúde de Armendáriz piorou muito, e ele se matou em seu quarto de hospital, poucos dias depois.

Um grande ator, que se despediu das telonas num grande papel.

BERNARD LEE: CHEFE DE BOND POR 17 ANOS

O ator inglês Bernard Lee (1908-1981) nasceu numa família de atores, e já estava no palco aos 6 anos de idade.

Quando estudava na Royal Academy of Dramatic Art, chegou a trabalhar como vendedor de frutas para sustentar-se e pagar seus estudos.

Nas telonas, interpretou incontáveis vezes o papel de inspetor de polícia nos filmes B ingleses, até que a saga Bond mudou a sua vida.

Arquivos do Klau

Bernard Lee como "M", em cena do longa

Lee interpretou o chefe do serviço secreto britânico, “M”, desde o primeiro longa e permaneceu no papel até “007 contra o Foguete da Morte/Moonraker” (1979), fazendo ao todo onze participações.

Em “Moscou contra 007”, pela primeira vez “M” aparece ao lado do inventor dos equipamentos usados por Bond nas missões – “Q”, interpretado por Desmond Llewelyn – e de sua secretária Miss Moneypenny – Lois Maxwell.

Os três formam o time auxiliar de Bond nas suas missões.

LONGA FOI FILMADO NO AUGE DA ‘GUERRA FRIA’

O contexto político de toda a trama de “Moscou contra 007” é a Guerra Fria – a divisão do mundo em dois blocos políticos, ideológicos e econômicos que vigorou por quatro décadas, após a Segunda Guerra Mundial.

RED GRANT, O ASSASSINO DA SPECTRE

Descrito no livro de Ian Fleming como um paranóico homicida, Donald Grant, o Red, é um assassino foragido e recrutado pela Spectre.

Bonito, alto, loiro, musculoso e semblante sempre frio, ele aparece já na primeira sequência de “Moscou contra 007” onde, nos jardins de uma mansão, persegue um sósia de Bond e o mata com um poderoso fio garrote que puxa do seu relógio – ela a usará também contra o verdadeiro 007, na sequência da luta dentro da cabine do Orient Express.

Arquivos do Klau

Robert Shaw como Red Grant, em cena do longa

Escolhido pela Spectre para assassinar Bond depois que este conseguisse a decifradora Lektor, Grant mata o verdadeiro capitão Nash e depois se apresenta a 007 como se fosse ele.

No jantar, coloca um sonífero na bebida de Tatiana Romanova e, com ela fora de combate, ele e Bond terão uma luta feroz  - e sensacional - na cabine do trem.

ROBERT SHAW: O ATOR QUE DEU VIDA A RED GRANT

Nascido em 9.8.1927 na Inglaterra, mas criado na Escócia, o intérprete de Red Grant, Robert Shaw, teve uma formação teatral clássica.

Estreou no palco do Shakespeare Memorial Theatre na cidade natal do escritor, Stratford-on-Avon, em 1949.

Foi vivendo o vilão Red Grant que Shaw ficou mundialmente famoso.

Três anos depois desse longa, Shaw foi indicado ao Oscar de Melhor Coadjuvante por sua visceral interpretação do rei Henrique VIII em “O Homem que não Vendeu sua Alma”, de Fred Zinnemann.

Arquivos do Klau

Robert Shaw, em cena de "Tubarão" (1975)

Ator dos mais requisitados nos 70, foi nessa época que estrelou seus filmes de maior sucesso: “Tubarão” (1975), “Golpe de Mestre” (1973) e “O Fundo do Mar” (1977).

Robert Shaw morreu na Irlanda, em 1978, aos 51 anos.

DESMOND LLEWENYN: O INTÉRPRETE DE ‘Q’ PARTICIPOU DE QUASE TODOS OS FILMES DA SAGA

O ator galês Desmond Llewelyn nasceu em 12 de setembro de 1914 e iniciou justamente em “Moscou contra 007” a sua contribuição com a saga Bond – só não participou do primeiro, “Dr.No” (1962), de “007 – Viva e Deixe Morrer” (1973) e de todos os filmes a partir de “007- Um Novo Dia Para Morrer” (2002), seu último.

Ao todo, ele participou de 17 dos 22 longas da saga Bond já lançados, interpretando “Q”, o agente cientista responsável por inventar todos os equipamentos que 007 usa em suas missões.

Nesse segundo longa da saga, ele ainda se chama Boothroyd - nome originalmente criado por Ian Fleming – e só a partir de “007 contra Goldfinger” (1964) que o personagem passa a se chamar “Q”, e começa suas divertidas cenas como o instrutor do agente no uso das sofisticadas armas, carros e toda sorte de traquitanas eletrônicas.

Arquivos do Klau
Sean Connery e Desmond Llewelyn , em sua primeira aparição na saga Bond
O sucesso do personagem, evidente, se deve ao imenso talento de Llewelyn, que com o passar dos anos, deixou seu lado muito sério para incorporar um velhinho rabugento e que fica a implorar a Bond que devolva suas invenções “ainda em pleno uso”.

Em “Moscou contra 007”, ele tem uma única cena – fundamental: ensina Bond, didaticamente, o modo correto de abrir a maleta que contém um fuzil, um punhal, munição e moedas de ouro, de modo que 077 não acione acidentalmente o cartucho oculto de gás lacrimogêneo.

As instruções serão muito importantes e cruciais para a sobrevivência de Bond na famosa luta dentro da cabine do Orient Express.

Esse tipo de maleta, que apareceu pela primeira vez nesse longa, lógico, ficou conhecida em todo o mundo como “Pasta 007”.

A última participação de Desmond Llewelyn na saga Bond foi em “007- Um Novo Dia Para Morrer” (2002), onde “Q”, depois de instruir o Bond de Pierce Brosnan sobre como funcionava a “invisibilidade” da Aston Martin Vanquish que o agente usaria, desaparece graciosamente no meio do seu laboratório, graças a um elevador secreto no piso.

Ao contrário do que muitos possam imaginar, Desmond, que trabalhou com todos os atores que viveram Bond nas telonas, não morreu de velhice - morreu vítima de um acidente de carro, em 19 de dezembro de 1999, aos 85 anos.

SPECTRE: A MULTINACIONAL DO CRIME

Spectre é a sigla de “Special Executive for Counter-Intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion” – em bom português, “Organização Especial de Contra-Espionagem, Terrorismo, Vingança e Extorsão”.

Reunião de mentes brilhantes, mas doentias e diabólicas, seus membros são requintados, ricos e possuem boas estruturas gerenciais, que ocupam lugares amplos, com equipamentos caros e modernos.

À frente, como o “número 1”, está Ernst Stavro Blofeld, que define sua organização como “uma fraternidade cuja força consiste na absoluta integridade dos seus membros”.

Arquivos do Klau

O logo da Spectre

Para ser admitido na Spectre, é fundamental apontar no currículo qualquer ausência de sentimento de lealdade nacional e aptidões naturais para o crime.

As dissidências não são toleradas, e aqueles que fracassam nas missões são punidos com a morte, pura e simples.

A LUTA SENSACIONAL NA CABINE DO ORIENT EXPRESS

Se em “Dr.No”, Bond precisa brigar com o vilão numa luta sem emoção na sequência final, em “Moscou contra 007” a produção se esmerou em ótimas cenas de ação, principalmente na que 007 enfrenta Red Grant dentro de uma cabine do Orient Express.

Red, fazendo-se passar por um aliado, golpeia o agente na nuca e, quando acorda, Bond está sob a mira de dois revólveres – o de Grant e o seu.

Bond convence Red a lhe dar um cigarro - em troca das 50 moedas de ouro que leva na maleta - e quando o vilão a abre, aciona o tubo de gás lacrimogêneo.

Segue-se então um feroz combate corpo a corpo no espaço minúsculo da cabine, que fica totalmente destruída.

Arquivos do Klau

Red Grant aponta duas armas para Bond, antes da luta final

Ao final, 007 estrangula Grant com o mesmo fio metálico do relógio do vilão que estava preparado para matá-lo.

Apesar dos inúmeros socos, chutes e empurrões trocados entre Sean Connery e Robert Shaw na filmagem, os dois atores, de comum acordo, resolveram dispensar seus dublês e filmaram toda a cena – detalhe que não só melhorou o resultado final, como contribuiu para o mito em torno da cena, considerada uma das mais emocionantes do cinema.

Dos 9 minutos que dura a luta, Bond é mantido dominado e de joelhos por 7 minutos, e só nos 60 segundos finais é que ele consegue vantagem e estrangula Grant.

Serviço feito, 007 se arruma e ainda enfia a mão no bolso de Grant para pegar seu dinheiro.

CURIOSIDADES DA PRODUÇÃO

1.
No ataque dos búlgaros ao acampamento cigano, Bond salva a vida do líder da tribo.

Arquivos do Klau

Bond, se dando bem...

Em gratidão, ele oferece a 007 a companhia de duas lindas mulheres da tribo – Zora e Vida.

2.
A primeira garota a aparecer nesse longa é Sylvia Trench, aquela mesma que aparece no cassino na cena em que 007 se apresenta em “Dr.No”.

Arquivos do Klau

Bond e Sylvia: piquenique animado...

Aqui, ela aparece num piquenique com Bond, quando ele é chamado para a missão na Turquia.

3.
A cidade de Istambul, capital da Turquia, é a cidade onde Bond mais entrou em ação – primeiro em “Moscou contra 007”, depois em “007 – O Mundo não é o Bastante” (1999) e agora em “007 – Operação Skyfall”(2012), que estreia no próximo dia 26 de outubro.

4.
Durante a filmagem da cena em que Bond é perseguido por um helicóptero em campo aberto, Sean Connery quase foi morto pelo piloto que, inexperiente, voou baixo demais e quase espetou o ator – que novamente fazia a cena sem dublê – com as pás do trem de pouso da aeronave.

Arquivos do Klau

Sean Connery, na cena em que ele quase morreu

Felizmente, foi só um susto.

5.
É nesse longa que Sean Connery, mais confiante e esbanjando charme, passou a dominar o papel que foi um marco em sua longa carreira.

Arquivos do Klau

Moneypenny se derrete ante o charme de Bond...

6.
A no. 3 da Spectre, Rosa Klebb – Lotte Lenya - é o cérebro de toda a operação criminosa do longa.

Arquivos do Klau
A número 3 da Espectre, Rosa Klebb – Lotte Lenya , em cena do longa
Sua arma mais mortífera é uma lâmina envenenada, escondida sob a ponta do seu horrendo sapato, com o qual tenta matar Bond na cena final.

Klebb foi a única mulher a alcançar posição tão elevada dentro da organização.

7.
Os produtores fizeram segredo, e não divulgaram o nome do ator que interpretou Blofeld nem nos créditos finais.

No longa, só as mãos e o seu gato branco aparecem – situação que iria se repetir em outros longas da saga.

Arquivos do Klau

O número 1 da Spectre, Blofeld, em cena do longa

Mesmo assim, sabe-se hoje que dois atores deram vida ao vilão nesse longa: Anthony Dawson fez as cenas e Eric Pohlmann fez a sua sinistra voz.

8.
Exatos 321 dias após a estreia de “Dr.No”, “Moscou contra 007” chegou às telonas -  em 23 de agosto de 1963.

Embalado pelo sucesso do longa anterior, e com orçamento de US$ 2 milhões – aproximadamente US$ 18 milhões hoje – o segundo loga da saga arrecadou fantásticos US$ 80 milhões em todo o mundo – hoje, aproximadamente US$ 650 milhões.

9.
A música tema do filme – “From Russia Witch Love” – composta por Lionel Bart, aparece em três momentos do longa: numa versão orquestrada, nos letreiros; depois, um trecho pode ser ouvido no rádio, quando Bond faz piquenique com Sylvia, também no início; finalmente, nos créditos finais, interpretada pelo cantor Matt Munro – versão mais conhecida.

Confira:


10.
O diretor de fotografia Ted Moore levou o prêmio de melhor fotografia a cores da Academia Britânica (BAFTA) pelo seu inspirado trabalho nesse filme.

CONFIRA UMA CENA DO LONGA:


“MOSCOU CONTRA 007”
Título Original:
From Russia Witch Love
Ano de Produção:
1963
Diretor:
Terence Young
Elenco Principal:
Sean Connery (James Bond), Daniela Bianchi (Tatiana Romanova), Lotte Lenya (Rosa Klebb), Pedro Armendáriz (Kerim Bey), Bernard Lee (M) Lois Maxwell (Miss Moneypenny), Desmond Llewelyn (Broothroyd), Robert Shaw (Red Grant)
Produtores:
Albert R. Broccoli, Harry Saltzman
Fotografia:
Ted Moore
Roteiro:
Johanna Harwood, Richard Maibaum – baseados em romance de Ian Fleming 
 Música: 
John Barry, Lionel Bart
Maquiagem:
Basil Newal, Paul Rabiger
Figurino:
Jocelyn Rickards
Desenho de Produção/Cenário: 
Bill Hill, Freda Pearson
Editor:
Peter Hunt
Efeitos Especiais:
Wally Armitage, Jimmy Harris, Garth Inns, Jimmy Snow, John Stears, Jimmy Ward
Diretor de Arte: 
Sidney Cain, Michael White
Cotação do Klau:

terça-feira, 2 de outubro de 2012

50 ANOS DE BOND NAS TELONAS: A SAGA COMEÇA COM 'DR.NO' (1962)


Na sexta (5), a série James Bond nas telonas completa 50 anos: foi em 5 de outubro de 1962 que o personagem, já famoso nos livros de Ian Fleming, estreou sua primeira aventura nos cinemas.

Nesses 50 anos, a saga teve altos e baixos, foi protagonizada por seis diferentes atores e se tornou a mais lucrativa série de filmes da história do cinema.

Enquanto o novo longa "007 - Operação Skyfall" não chega - ele estreia aqui no Brasil em 26 de outubro - resolvi fazer postagens especialíssimas sobre todos os filmes do agente do serviço secreto britânico mais conhecido do mundo, começando do começo, com o primeiro longa, "O Satânico Dr. No" (1962).


"O Satânico Dr. No/Dr.No" (1962)

A primeira missão de 007 nas telonas só poderia mesmo se passar na Jamaica, um paraíso na Terra - segundo a definição do criador do personagem, Ian Fleming, que lá escreveu todos os livros sobre o agente secreto.

The Paris Review
O escritor Ian Fleming

Será nas belas praias do Caribe que Bond irá investigar a morte misteriosa de John Strangeways, um membro do serviço secreto, e de sua secretária, Senhorita Truebloood.

Strangeways estava prestes a descobrir quem interceptava os foguetes norte-americanos, lançados de Cabo Canaveral, até chegar à ilha de Crab Key, onde vive o maquiavélico cientista Dr.No.

James Bond começa a investigar e escapará de duas perseguições de carro, de uma tarântula venenosa e da cilada de uma sedutora oriental.

Mas o pior será enfrentar No - Joseph Wiseman - em seu quartel general, guardado por soldados fiéis e por um misterioso dragão que cospe fogo!

IMdB
Joseph Wiseman, como Dr. No

Em sua aventura, Bond - Sean Connery - contará com a ajuda de seu amigo, Felix Leiter, interpretado por Jack Lord, da cult série "Hawaii-5.0", um agente da CIA - Quarrel - John Kitzmiller, um dedicado nativo - e do diplomata britânico Playdell-Smith - Louis Blaazer.

Mas, acima de tudo, 007 terá a companhia da estonteante - e inesquecível - primeira bondgirl, Honey Ryder - Ursula Andress.

Eon Productions
Ursula Andress como Honey Ryder, a primeira bondgirl

A estreia de Bond nas telonas já traz as características que seriam melhor desenvolvidas nos seus longas posteriores: o supervilão; as bondgirls; o dry martini batido, e não mexido; as locações exóticas por todo o mundo; o tema musical de Monty Norman; e a sequência de abertura, idealizada por Maurice Binder, responsável pela maioria das aberturas da saga.

URSULA ANDRESS ABRE A GALERIA DE BONDGIRLS INESQUECÍVEIS

Inevitável: falar em bondgirls é citar a quase estreante atriz suíça Ursula Andress.

Uma das mais inesquecíveis mulheres que passaram pelos 50 anos da série surgiu em "O Satânico Dr.No" numa cena que se tornou igualmente célebre: Honey Ryder sai do mar de Crab Key, na Jamaica, vestindo o uniforme da nova década: um comportado, mas não menos provocante, biquini branco - no livro, ela estava nua.

Em um cinturão de couro, carregava uma faca de caça.

Eon Productions
Ursula Andress em cena do longa
Bond, que dorme na praia depois de ter passado a noite tentando chegar ao quartel general de No, acorda ao ouvir a misteriosa loira cantarolar "Underneath the Mango Tree".

"O que você está fazendo aqui? Procurando Conchas?", ela pergunta.
"Não, estou apenas olhando", responde um galante Bond.

Honey vende conchas raras - segundo ela, algumas chegam a custar U$50 em Miami.

Filha de um biólogo marinho viúvo, ela nunca foi à escola: seu pai lhe deu uma enciclopédia - ela já está na letra "T" - e acredita que o pai, sumido, foi assassinado por No.

Corajosa, acompanhará Bond até o final da missão.

TERENCE YOUNG - O DIRETOR

O cineasta britânico Terence Young dirigiu 37 filmes durante seus 79 anos de vida.

Os críticos atribuem sua relativa popularidade a uma questão de sorte - justamente por ter dirigido três filmes da saga Bond - "O Satânico Dr.No", "Moscou Contra 007" (1963) e "007 Contra a Chantagem Atômica" (1965) - mas acreditam que, depois dos 007, ele conseguiu estragar os bons projetos que lhe foram propostos por causa do seu duvidoso talento.

Arquivos do Klau
O diretor Terence Young

Young morreu durante o Festival de Cannes 1994, na França, após um ataque cardíaco.

ALBERT 'CUBBY' BROCCOLI: O PRODUTOR QUE BANCOU LEVAR BOND PARA AS TELONAS

Se Ian Fleming criou e deu vida a Bond, o produtor americano Albert R. Broccoli, o "Cubby", foi quem o tornou imortal e um dos personagens mais conhecidos de todos os tempos.

Cubby foi responsável por dezessete longas da saga Bond, dez deles em parceria com outro mítico produtor, Harry Saltzman, com quem dividiu o comando da Eon Productions.

Broccoli nasceu em 5 de abril de 1909 em Astoria, Long Island, Nova York, filho de imigrantes italianos da Calábria.

O nome de família vem do tio Pasquale, que introduziu o cultivo de brócolis na América no final do século 19.

Na adolescência, Cubby dirigia caminhões carregados de vegetais da fazenda dos pais até o mercado do bairro negro do Harlem, mas foi no verão de 1933 que ele chegou a Hollywood para duas semanas de férias.

Arquivos do Klau
Albert R. Broccoli
O produtor Albert R.Broccoli posa diante dos estúdios Pinewood, nos arredores de Londres, criados para abrigar os gigantescos cenários da saga Bond

Nesse pequeno tempo, ficou amigo do astro Cary Grant, decidiu ficar e iniciar uma carreira no cinema.

Começou por baixo - como mensageiro na 20th Century Fox - e, mais tarde, já foi o assistente de produção de "The Outlaw", de Howard Hughes, que também se tornaria seu grande amigo - Hughes é aquele maluco que foi interpretado por LeonardoDi Caprio no longa de Martin Scorsese, "O Aviador" (2004).

Durante a segunda Guerra, servindo na US Navy, produziu para as tropas shows de estrelas, como Bing Crosby e Danny Kaye.

Anos depois, virou sócio de Irving Allen - outro mítico produtor - criando a Warwick Films em Londres, que produziu filmes até 1960.

A partir daí, associado a Harry Saltzman na Eon Productions, chegou à consagração com a saga Bond.

Em 1976, Cubby e Saltzman brigaram feio, o segundo saiu da Eon e Cubby manteve os direitos de produção de novos filmes da série.

Brocolli morreu em Beverly Hills, Califórnia, em 27 de junho de 1996, aos 87 anos, durante a pré produção de "O Amanhã Nunca Morre" (1997), segundo filme de Pierce Brosnan como Bond.

Sony Pictures
Barbara Broccoli e seu meio-irmão, Michael G.Wilson, no lançamento do projeto "Skyfall"

Desde então, sua filha, Barbara Broccoli, e seu enteado, Michael G.Wilson, assumiram a Eon Productions e são responsáveis, até hoje, pela produção dos filmes da franquia Bond.

DR.NO, O PRIMEIRO VILÃO DA SAGA

Inteligente, bem sucedido e sofisticado: Dr.No tinha tudo para ser um aliado de Bond, mas se transformou no primeiro antagonista da série.

Vivendo em Crab Key, uma ilha na Jamaica, montou ali uma fortaleza onde realiza experiências secretas, principalmente nucleares - por causa disso, perdeu as duas mãos e usa no lugar próteses de aço.

Arquivos do Klau
Dr.No e suas mãos de aço

Nascido em Pequim, No integrou-se à Spectre, organização criminosa que quer dominar o mundo, como seu número 2.

JOSEPH WISEMAN: O ATOR POR TRÁS DO VILÃO

Dr.No foi vivido na telona pelo ator canadense Joseph Wiseman - ele nasceu em Montréal, em 15 de maio de 1918 e morreu em NY, aos 91 anos, em 19 de outubro de 2009.

Reuters
O ator Joseph Wiseman, aos 87 anos

Wiseman teve uma atuação bastante elogiada no longa e voltaria a enfrentar Bond em "007 Contra a Chantagem Atômica" (1965), quando fez a voz de Ernst Blofeld, o todo-poderoso líder número um da Spectre.

COMO LEVAR BOND PARA AS TELONAS COM US$ 1 MILHÃO

O primeiro longa de Bond tinha um modesto orçamento - que não chegou na época a US$ 1 milhão.

Na época, os executivos da United Artists - então um estúdio que já pertencia à MGM - pensaram em desistir da produção, quando os gastos bateram nos US$ 100 mil, porquê morriam de medo de nunca mais recuperarem o investimento.

A mitologia afirma que um dos diretores do estúdio teria dito: "Não vou exibir um filme com um estivador no papel principal".

Como ninguém acreditava no projeto, a estreia aconteceu no interior do interior americano - longe de NY ou LA - em maio de 1963.

Só que "Dr.No" tinha sido lançado em 5 de outubro do ano anterior no Reino Unido e na Europa, onde foi um enorme sucesso e se tornou um filme lucrativo.

Broccoli e Saltzman haviam oferecido o roteiro a vários estúdios - todos recusaram - e só a United Artists topou.

Sem credibilidade, coube aos produtores fazer, com pouca grana, um bom filme, que ao menos se pagasse.

O roteiro não era nada original: Bond passava metade do filme tentando entrar na casa do vilão, e a metade final tentando sair da casa do vilão.

Mas, mesmo com a produção modesta, "Dr. No" até hoje é um dos longas da saga Bond mais elogiados.

Rendeu nos EUA US$ 16 milhões e no mundio US$ 60 milhões - o que em grana de hoje daria perto de US$ 500 milhões.

O êxito de "Dr.No" garantiu que o próximo filme da saga - "Moscou contra 007" (1963) conseguisse uma verba de produção bem maior - US$ 2 milhões.

CURIOSIDADES DA PRODUÇÃO

1.
O primeiro longa da saga já apresenta o tema original de James Bond - criado por Monty Norman - que recebeu uma ninharia por aquela que se tornaria uma das mais famosas composições da história do cinema.






A música ganhou arranjos do maestro John Barry, que mais tarde seria responsável pela maioria das trilhas sonoras dos filmes da saga.

2.
A sequência de abertura - criada pelo designer Maurice Binder - é outra das marcas da saga Bond e também aparece aqui pela primeira vez: uma arma aponta para o espião, que consegue ser mais rápido e atira em direção ao suposto inimigo para, em seguida, vermos uma mancha vermelha descendo lentamente pela tela.

Arquivos do Klau

Maurice Binder e sua mais famosa criação

3.
A famosa frase, dita por todos os Bonds da telona: "Bond, James Bond", foi dita  por Sean Connery, aos 5 minutos e 38 segundos de "Dr.No" - Bond está num cassino e se apresenta assim à estonteante Sylvia Trench - vivida por Eunice Grayson.

4.
Nem só de inimigos e traidores é formado o universo de relacionamentos de Bond: um dos seus mais frequentes colaboradores é o agente da CIA Felix Leiter - aqui interpretado por Jack Lord, que depois ficaria muito famoso como o Steve Mcgarrett na cult  série "Hawaii-5.0".

Arquivos do Klau

Jack Lord como Felix Leiter

Felix aparece, sempre interpretado por diferentes atores, em sete dos vinte e dois longas já lançados da saga.

5.
Bond usa atualmente uma arma automática Walther PPK, mas no começo de "Dr.No" o agente reluta em deixar de usar sua Beretta calibre 25.

Um tímido agente - que ainda não era o "Q" - consegue convencer Bond dos benefícios da troca, principalmente porque 007 acabava de ficar uma longa temporada num hospital por causa, justamente, da Beretta, que havia falhado numa missão.

Arquivos do Klau

Sean Connery posa com uma Walther PPK

O chefe do MI6, "M", referenda a troca: "Quando você carrega um duplo zero, tem licença para matar, e não para ser morto" e um perito em armas é taxativo ao opinar sobre a Beretta: "É uma arma para moças."

Bond convenceu-se e, desde então, usa a Walther PPK.

6.
Os super carros que Bond usaria nos outros longas da saga não estão disponíveis em "Dr.No".

G1

O Ford Sunbeam usado por Connery em "Dr.No"

Na Jamaica, Bond usa um modestíssimo Ford Sunbeam, cuja única virtude é ser rápido o bastante para que o agente secreto consiga fugir por uma estrada de cascalho.

As traquitanas que "Q" inventa? Esqueça!
Em "Dr. No", Bond usa uma prosaica lata de talco para perceber que mexeram no seu quarto de hotel e um imenso contador, que mede a radioatividade, chega às suas mãos despachado por Londres.

7.
O criador de Bond, Ian Fleming, queria o ator Sir Christopher Lee - que vinha dos sucessos da Hammer como o Drácula - como intérprete de Bond, mas foi convencido por Cubby Broccoli na aposta Sean Connery, até então um ator escocês absolutamente desconhecido.

Arquivos do Klau

Sir Lee, como Scaramanga, segura a pistola de ouro, título do filme de 1974

Mais tarde, Sir Lee - que era primo de Fleming -  fez um sucesso absurdo como o vilão Francisco Scaramanga, em "O Homem da Pistola de Ouro" (1974), segundo filme com Roger Moore como Bond.

8.
Nesse longa, já aparecem os personagens "M" - chefe do serviço secreto, interpretado por Bernard Lee - e sua secretária Moneypenny - Lois Maxwell.

Arquivos do Klau
Lee e Maxwell, como "M" e Moneypenny em "Dr.No"
Ambos os personagens apareceriam em quase todos os filmes da saga - mas Lee e Maxwell foram os atores que mais vezes os interpretaram.

Sobre os intérpretes de Bond, confira as próximas postagens!

Confira um clipe do filme:


*****
"O SATÂNICO DR.NO"
Título Original:
Dr.No
Ano de Produção:
1962
Diretor:
Terence Young
Produtores:
Albert R. Broccoli
Harry Saltzman
Fotografia:
Ted Moore
Roteiro:
Richard Mainbaum, Johanna Harwood, Barkley Mather, Terence Young (não creditado), baseados na obra de Ian Fleming
Música:
John Barry, Monty Norman
Maquiagem:
John O'Gorman
Figurino:
Tessa Welborn
Desenho de Produção/Cenário:
Kem Adam
Editor:
Peter Hunt
Efeitos Especiais:
Frank George
Elenco Principal:
Sean Connery (James Bond), Ursula Adress (Honey Ryder), Joseph Wiseman (Dr.No), Jack Lord (Felix Leiter), Bernard Lee (M), Louis Maxwell (Miss Moneypenny)
Cotação do Klau: