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quinta-feira, 28 de junho de 2012

'AS BRASILEIRAS': MELHOR EPISÓDIO FOI O ÚLTIMO


Já disse aqui e repito: "As Brasileiras" foi a série de TV mais irregular dos últimos tempos.

As atrizes protagonistas foram lindas, mas as personagens interpretadas foram primárias,com cenas na maioria apelativas e o roteiro, na maioria dos episódios, pavoroso.

Só que o diretor geral da série, Daniel Filho, resolveu surpreender o telespectador e encerrou a série com um episódio perfeito do começo ao fim, com uma história simples e delicada, com narração mais contida, e menos “frases de efeito”.

“Maria do Brasil” mostrou a lenda Fernanda Montenegro vivendo a 22ª e última destas mulheres representantes do charme e do talento de brasileiras de todas as regiões do país, interpretando Mary Torres, uma atriz esforçada, mas pouco talentosa, em final de carreira.

Divulgação - TV Globo
Pedro Paulo Rangel como Ney e Fernanda Montenegro como Mary Torres, no melhor episódio de "As Brasileiras"
Ao lado de Pedro Paulo Rangel, no papel de seu secretário Ney, e de Paulo José, um antigo fã, Fernandona não precisou de muito esforço para divertir e emocionar num papel, ao que consta, com referências à mãe do criador da série.

O último episódio foi o melhor de todos disparado de “As Brasileiras”, o que deixa a impressão de que Daniel Filho poderia ter realizado, se quisesse, uma série muito mais rica do que a exibida nestes últimos meses.

"AS BRASILEIRAS" - FINAL DA SÉRIE
Onde: Globo
Cotação do Klau:

terça-feira, 1 de novembro de 2011

SELTON MELLO, SOBRE SEU FILME 'O PALHAÇO': 'NÃO QUIS AGREDIR A INTELIGÊNCIA DO ESPECTADOR'


Foi uma noite histórica no Festival de Cinema de Paulínia - em julho - quando foi exibido o segundo filme dirigido por Selton Mello, O Palhaço, que entrou no circuito nacional na última sexta (28).

O longa bateu o recorde de maior público que o evento já teve – tanto que foi necessário fazer uma segunda projeção após a exibição oficial, devido à grande demanda - 1.800 pessoas assistiram à primeira sessão, enquanto cerca de outras mil acompanharam a segunda.

“Não podia ter sido uma recepção melhor do que essa”, disse o ator e diretor em entrevista.
“Mas precisamos tomar isso com cautela, afinal, o filme foi rodado no Polo cinematográfico de Paulínia e conta com um carinho especial da população”.

AGNews
O ator e diretor Selton Mello, durante entrevista no festival de Paulínia, em julho

No longa, o próprio Selton é o personagem-título, um palhaço de circo mambembe que está meio deprimido e não acha graça em nada na vida – sua única obsessão é comprar um ventilador.

A lenda Paulo José interpreta o dono do circo, pai do protagonista, e também trabalha como palhaço - os dois têm uma relação um tanto delicada.

Selton estreou na direção de longas com Feliz Natal, premiado no 1o Paulínia Festival de Cinema, em 2008.

Agora mais maduro, o diretor explica que teve uma ‘sensação de liberdade reconfortante’. “Busquei inspiração em Jacques Tati, nas pinturas de Chagal, em Macunaíma. Foi em tanta coisa, mas se amarras, sem obrigações”.

Para ele, o que importava mesmo era fazer um filme que não agredisse a inteligência do espectador.
“Eu queria fazer um filme que se comunicasse com todos os tipos de público – desde aqueles que gostam de cinema mais popular até aos que preferem filmes de arte. Pensei muito nisso porque o cinema brasileiro tem feitos filmes lindos, mas poucos vistos. Por isso eu queria fazer um filme profundo, mas simples. O cinema é arte de dizer muito com pouco”.

Para Selton, o personagem do pai não podia ser feito por outro ator que não Paulo José.
“Para mim, ao lado de José Dummont, ele é o maior ator brasileiro de todos os tempos. Foi um interlocutor de alto nível, que me inspirou muito”.

Já para viver o protagonista, Selton  chegou a convidar dois outros atores que não puderam fazer o filme, então ele mesmo acabou assumindo o papel.
“Durante as filmagens, minha preocupação era a direção. Para fazer o Benjamim [seu personagem], eu só colocava a roupa e entrava em cena.”

Selton, que também assina o roteiro - coescrito com Marcelo Vindicatto - conta que foi buscar nas memórias de sua infância personagens e atores.
“Muito do protagonista vem do Didi Mocó [famoso personagem de Renato Aragão], e muito veio de outras lembranças”.

Tanto, que no elenco estão ícones dos da televisão brasileira, como o humorista Jorge Loredo, o eterno é Zé Bonitinho, o garoto-propaganda Ferrugem, e o cantor e apresentador Moacyr Franco , cuja participação hilária em O palhaço foi aplaudida de pé durante a projeção em Paulínia e acabou levando o prêmio de ator coadjuvante do Festival.

A outra homenagem, essa não tão explicita, é à cidade mineira de Passos, terra natal de Selton
Seu personagem sonha em ir para lá, encontrar uma moça que conheceu depois de uma apresentação do circo de seu pai.
“Não sei se homenageei ou denegri a cidade”, brinca o ator se referindo ao destino de seu personagem quando chega lá.

Mas apesar de todas essas referencias e homenagens, ele conta que o filme não tem nada de autobiográfico.
“Se fosse minha biografia, eu mesmo sairia na metade”.

“Costumam me perguntar se eu passei por uma crise. Na verdade, eu trabalho desde os oito anos de idade – tenho 38, são 30 anos fazendo isso – e eu digo que essa crise eu tenho há 30 anos. Há 30 anos eu acho que eu deveria desistir e há 30 anos eu descubro algo lindo, que me põe pra frente. Eu estou sempre desistindo, não tem a ver com momento em que veio esse filme”, disse Seltondurante a coletiva de imprensa do filme, já durante a Mostra de Cinema de SP, no último dia 24.10.

Uma parte do encanto de O Palhaço está na química entre Selton e Paulo José: os dois são vizinhos no Alto da Gávea, no Rio, e se conhecem desde 1991, quando Selton participou de uma montagem de Romeu e Julieta no Tablado, ao lado da filha de Paulo, Ana Kutner, mas nunca tinham trabalhado juntos.

“Tenho muita admiração pelo Selton. Acho o mais talentoso da geração dele. Opera em todas as pontas. Escreve, tem argumento, tem roteiro, tem produção, direção, atua e ainda monta o filme”, elogiou Paulo.

UOL
A lenda Paulo José, na coletiva de imprensa em SP

“O Selton finge ser bonzinho, mas tem por dentro um bicho. Ele não é obsessivo, mas é teimoso, determinado. Diretor não tem que ser bonzinho. Diretor bonzinho é uma porcaria. Tem o dever, a obrigação, de ser duro. O Selton é intransigente. Tem que ser”, contou o ator, ao ser questionado sobre como é ser dirigido por Selton.

Selton voltou ao ar ontem com a série A Mulher Invisível, da Globo, em que também assina a direção de alguns episódios, mas ainda não tem novos projetos para o cinema.
“Como diretor, tem que ser algo que eu queira muito dizer, porque vai demorar três anos – ou mais – entre a ideia e a realização. Foi assim no ‘Feliz Natal’ e foi assim nesse. Então, eu estou esperando esse insight”, diz.

Confira o trailer de "O Palhaço":

UOL - Como surgiu a ideia para “O Palhaço”?
Selton Mello - Vontade de falar da nossa vocação, do que a gente escolhe para fazer na vida. E o tempo todo a gente está colocando em xeque essa escolha. Vontade de falar disso, de destino, da nossa estrada. Veio daí o desejo de construir esse filme.

Era um desejo de mostrar esse questionamento a partir do ponto de vista do artista?
Do artista, como princípio, porque é mais genuíno – quando eu falo de um artista, eu falo de uma maneira mais genuína, porque eu sou um – mas o dilema é universal. Poderia ser um filme passado numa redação de um jornal, que conta a história de um jornalista jovem, filho de um grande editor chefe, e ele está achando que não está fazendo aquilo bem. Seria o mesmo filme, em outro ambiente. A figura do palhaço me pareceu a mais lírica. Achei que era a possibilidade do filme ficar mais rico cinematograficamente.

 O filme tem muitas referências pessoais – tem seu irmão, Danton, que faz uma participação, tem a sua cidade, Passos. É uma história pessoal?
É um dilema muito pessoal. Não é um filme autobiográfico, mas é um dilema que me toca. E é exatamente por isso que toca as pessoas também. Porque quando você faz algo com verdade, essa verdade chega às pessoas. Eu sei do que eu estou falando ali. Acho que é por isso que chega tão claramente assim nas pessoas.

Você ofereceu o papel do Bejamim ao Wagner Moura e ao Rodrigo Santoro antes de decidir assumi-lo. Por que não quis fazê-lo logo de saída?
Por um momento eu achei que eu deveria passar essa bola para a frente, que eu deveria cuidar só da direção. Mas quando eles recusaram, não puderam fazer, eu falei “Então eu vou fazer. Eu escrevi esse roteiro junto com o Marcelo Vindicatto, eu sei o que eu quero desse personagem, eu sei como eu quero que ele se comporte. Vai ser até mais fácil eu fazer”. E foi realmente. Eu sabia qual era o tom desse personagem. Então, eu botava a roupa e fazia. Eu estava ligado mesmo na direção. Fazer o Benjamim era fácil. Claro que a parte do palhaço, do Pangaré, exigiu ensaio para descobrir aquelas gags físicas. Aquilo foi uma pesquisa com o palhaço Cochicho [do circo Beto Carreiro], que foi quem nos treinou, quem nos ensinou. Mas o Benjamim, que é a maior parte do filme, eu sabia exatamente como eu queria que ele se comportasse. Foi simples.

Você e o Paulo José se conhecem há muito tempo. Já tinham trabalhado juntos antes? Como foi trabalhar com ele?
 Não. É a primeira vez que trabalhamos juntos. Foi lindo. Ele é um dos maiores atores brasileiros, um cara adorável de se lidar. Trabalhar com o Paulo foi ótimo. Ele foi muito generoso com os outros atores, sem ser professoral.

Pesou para você o fato de dirigir um ator tão experiente?
No começo sim. Eu me senti um pouco intimidado de dirigir o Paulo. Depois, essa barreira vai se quebrando e tudo vai ficando bacana.

Como ator, você já fez filmes mais populares, como “A Mulher Invisível” (2009) e também mais difíceis, como “O Cheiro do Ralo” (2007). O que te interessa fazer como diretor?
Eu vou dizer o que eu queria fazer com “O Palhaço”. Eu tinha um interesse muito grande em fazer uma coisa que eu não vejo as pessoas fazendo – um caminho do meio. Eu acho que ele é um filme popular, de claro entendimento, que todo mundo ri, se emociona, mas cheio de camadas sensíveis de entendimento. E é refinado cinematograficamente e na carpintaria do roteiro também. É um filme que não é explicativo, você não fica explicando o tempo todo o que está acontecendo. Nada é explicativo, mas tudo é entendido. Então, é um filme claro, mas refinado também. Meu sonho era um caminho do meio, um filme que fosse visto por muita gente, mas sem perder esse refinamento estético.

É esse o tipo de filme que você pretende continuar fazendo?
Eu acho que sim. Vamos ver como ele se comporta. Já está indo muito bem. O público adora, as reações são lindíssimas, tenho recebido um retorno muito bonito. Mas vamos ver que próximo assunto é esse de que eu vou falar e como ele vai se configurar.

Quais diretores inspiram e influenciam seu trabalho?
Eu adoro Kubrick, mas acho que não tem nada de Kubrick nesse filme. Adoro Chaplin, Scorsese. E diretores com quem eu trabalhei e que foram muito importantes na minha formação são o Guel Arraes e o Luiz Fernando Carvalho. São dois diretores que me dirigiram, com quem eu aprendi muito. Eles fazem parte de uma forma muito importante da minha formação como diretor.

Você sentiu alguma diferença entre dirigir “Feliz Natal” e “O Palhaço”?
Eu me senti mais livre, mais seguro, mais tranquilo para fazer. Porque o primeiro tem essa coisa “preciso fazer um filme”. O segundo já vem mais tranquilo.

 Você divide a direção da série “A Mulher Invisível”. É muito diferente o trabalho de direção no cinema e na TV?
É. A grande diferença é o tempo. É mais rápido na TV. Exige um exercício mental maior para resolver as coisas de uma maneira mais rápida.


Você pode conferir a matéria do Blog de Klau sobre o filme, com crítica, fotos e ficha técnica, clicando aqui.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"O PALHAÇO": SELTON MELLO BRILHA, TANTO COMO BENJAMIN, O 'FOREST GUMP' BRASILEIRO, COMO DIRETOR SEGURO E MADURO


Quem me conhece sabe que eu tenho pavor de palhaço, desde criança.

Quando penso que essa paúra passou, sempre acontece algo pra me fazer sofrer, como na semana passada, quando fui ao Hemocentro do HC e dei de cara com um palhaço vestido de doutor - quase desisti e voltei.

Imaginem então, eu me abalar até o escurinho do cinema, para ver um filme chamado O Palhaço!

Se sua estreia atrás das câmeras - Feliz Natal (2008) - era um filme repleto de citações e com uma narrativa que se encerrava num universo quase asfixiante, no qual personagens desesperados buscavam salvação e quase nunca encontravam, em seu segundo longa como diretor, Selton Mello mostra-se um diretor seguro e maduro.

Em O Palhaço, Selton  interpreta o protagonista Benjamin e caminha por outros rumos, num longa que tem vida própria, mesmo que aqui e ali encontremos pitadas de outros cineastas, ajudado pela lenda Paulo José, que interpreta com apurado timing o pai e dono do circo, Valdemar.

Divulgação
Selton mello, em cena do filme

Para qualquer personagem, seja no cinema ou na literatura, obter sua independência é uma viagem, que pode ganhar tons metafóricos.
Aqui, Benjamin cai no mundo em busca de um ventilador e um amor, desculpas bobas, porque o que ele quer mesmo é encontrar sozinho sua identidade.

Fazer essa viagem é abrir mão do velho para abraçar o novo - o palhaço perde o circo para ganhar o mundo.

Divulgação
A Lenda Paulo José, em cena do filme

Personagens estranhos cruzam o caminho de Benjamim, e eles são a prova de que, de perto, ninguém é normal, e também são a oportunidade que Selton encontrou para resgatar e homenagear ídolos de sua infância: o ex-garoto-propaganda Ferrugem aparece como o atendente de uma prefeitura; o eterno Zé Bonitinho, Jorge Loredo; e Moacyr Franco, cujo personagem domina sua única cena de tal forma que o ator - estreante nas telonas - saiu do Festival de Paulínia com o prêmio de melhor coadjuvante, em julho passado - o filme também levou os prêmios de roteiro, figurino e direção.

Divulgação
Moacyr Franco, em cena do filme

Benjamim precisa sair do centro do picadeiro para descobrir o seu verdadeiro lugar, numa viagem que lembra muito a saga de Forest Gump.

Selton precisou se tornar diretor para se reinventar como ator - fazendo muito bem as duas funções, tanto que eu mergulhei na história e nem me lembrei do meu pavor de palhaço.

Mas uma prova de que Selton Mello é o maior e melhor nome da sua geração e que seu filme é uma comovente homenagem, não só aos artistas de circo, mas de todos que tem a interpretação como seu ofício.

Confira o trailer do filme:

*****
O PALHAÇO
Diretor:
Selton Mello
Elenco:
Selton Mello
Paulo José
Giselle Indrid
Moacyr Franco
Erom Cordeiro
Produção:
Vânia Catani
Selton Mello
Roteiro:
Selton Mello
Marcelo Vindicatto
Fotografia:
Adrian Teijido
Trilha Sonora:
Plínio Profeta
Duração:
90 min.
Ano:
2011
País:
Brasil
Gênero:
Comédia Dramática
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imagem Filmes
Estúdio:
Bananeira Filmes
Classificação:
10 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

RODRIGO SANTORO, CAUÃ REYMOND E DÉBORA FALABELLA SÃO IRMÃOS EM 'MEU PAÍS', QUE AINDA CONTA COM A LENDA PAULO JOSÉ


Em Meu País, estreia brasileira da semana, juntamente com Cauã Reymond e Débora Falabella, Rodrigo Santoro compõe a tríade de filhos do personagem de Paulo José, que morre no início da trama deixando aos herdeiros o trabalho de reestruturar a família.

Nesta semana, Meu País saiu do Festival de Brasília com seis prêmios - entre eles, melhor diretor para o estreante André Ristum e melhor ator, para Santoro.

Marcos - Santoro - é casado e mora na Itália.
Depois da morte do pai, quando volta para o Brasil, descobre que ele e seu irmão, Tiago - Reymond - receberam, além da herança, uma meia-irmã, Manuela - Débora -, que vive numa clínica por conta de sua deficiência intelectual.

Divulgação
Cauã Reymond e Rodrigo Santoro, em cena do filme

Os dois têm dificuldade em aceitar a moça, fora os problemas de relacionamento entre si: Marcos é mais sério, centrado, enquanto Tiago é um playboy que não quer nada da vida.

"Eu sou muito diferente do Marcos", diz Santoro, "não tenho essa dificuldade em entender o que sinto, em me expressar".

Por outro lado, o ator comenta que usou um pouco de sua experiência como "estrangeiro em seu próprio país" para entender o estranhamento do personagem ao voltar para o Brasil.
"O país [do título] é o mundo interno de cada um", define Santoro, em entrevista à Reuters.

Para compor seus personagens, Santoro, Reymond e Débora conviveram por um tempo antes de começar as filmagens.
"Criamos detalhes e um passado para os personagens. Imaginamos como era a vida deles antes do período retratado no filme", explica Reymond.

Débora, como a sua personagem, só chegou mais tarde nessa preparação.

Reymond acha interessante que, com Meu País, o cinema brasileiro mostre um pouco os problemas das classes mais abastadas.
"É interessante ver que em nossa sociedade também existem famílias fraturadas nas classes A e B".

Este, aliás, foi um dos atrativos para o ator aceitar o convite do diretor André Ristum, que faz sua estreia na ficção e tem no currículo curtas como De Glauber para Jirges e Homem Voa?, além do documentário Tempo de Resistência.

Divulgação
Rodrigo Santoro e Débora falabella, em cena do filme

A preparação para Santoro também incluiu aulas de italiano, já que seu personagem mora na Itália há um bom tempo.
"Foi um estudo intensivo voltado para o roteiro, não dava tempo de aprender a língua. Com o filme, realizo um sonho do meu avô, que é italiano. Com o italiano eu não podia enrolar como no inglês, que quando não sei uma palavra coloco o '-tion', e sigo em frente", diverte-se.

Reymond vê no cinema - especialmente em filmes como Meu País e Estamos Juntos - a possibilidade de chegar a outros públicos que a novela não alcança.

Recém-saído do megassucesso da novela Cordel Encantado, Cauã diz que, mesmo em férias, prepara-se para Quincas Berro D'Água, que deverá rodar sob a direção de Sergio Machado.

Confira entrevistas do produtor Fábio Gullane, do diretor André Ristum e do ator Rodrigo Santoro - falando sobre "Meu País" - para o UOL:

Os dois atores são unânimes na admiração por Paulo José: ambos rodaram cenas com o veterano que acabaram ficando de fora na montagem final de Meu País, mas eles nem lamentam isso.
"Só o fato de tê-lo no set, de poder conversar com ele e trocar experiências, tudo isso conta muito. Ele é um mestre para todos nós", define Reymond.

"Ele foi nosso padrinho. Ele é a arte em forma de gente", completa Santoro.

*****

CRÍTICA

Um introspectivo e delicado drama familiar filmado de forma introspectiva e delicada.

Essa deve ser a melhor definição para Meu País, estreia do cineasta André Ristum na direção de longas de ficção.

O inteligente roteiro trabalha sobre as diferenças de dois irmãos de comportamentos muito diferentes: Marcos - Rodrigo Santoro -, o mais velho, é um executivo bem sucedido que leva uma vida luxuosa na Itália; Tiago - Cauã Reymond - é um mauricinho irresponsável, que vive do dinheiro acumulado pelo pai - Paulo José, em pequena porém brilhante participação - em São Paulo.

É exatamente a morte do pai-provedor que desestrutura a falsa, frágil e aparente estabilidade familiar pois, forçados ao reencontro, estes dois irmãos - de nomes bíblicos - se vêem diante de problemas e encruzilhadas de vida que os obrigarão finalmente a encarar inevitáveis conflitos eternamente adiados - inclusive com a adição de uma meia irmã - Débora Falabella - internada num sanatório, e que eles nem sabiam da existência.

Divulgação
A lenda Paulo José interpreta o pai dos protagonistas, numa brilhante e especialíssima participação

Tudo em Meu País é contido e elegante, e Ristum consegue passar para o filme o sentimento de grito preso na garganta que marca a trajetória do protagonista Marcos.

São emoções represadas, um choro eterno que se recusa a sair, tudo com a ajuda da câmera, sempre próxima dos atores, buscando cumplicidade com a platéia e devassando o íntimo silencioso de cada um.

Nota-se em cada cena a total entrega do elenco, em interpretações marcantes e verdadeiras,tudo emoldurado por uma bela fotografia em tons esmaecidos e grãos ampliados - lembrando muito os filmes de arte europeus - que sublinham o momento árido de uma situação na qual brilhar não é possível.

De minha parte, sempre é muito gratificante - e emocionante - ver atores e atriz tão jovens e tão plenos em seu ofício.

Pena que, se for se basear só pelo título, o público talvez não seja atraído por ele - e perderá um filme acima da média.

Confira o trailer do filme:

*****
MEU PAÍS
Diretor:
André Ristum
Elenco:
Rodrigo Santoro
Cauã Reymond
Débora Falabella
Anita Capriol
Paulo José
Eduardo Semerjian
Nicola Siri
Luciano Chirolli
Stephanie de Jongh
Produção:
Fabiano Gullane
Caio Gullane
Débora Ivanov
Gabriel Lacerda
Andre Ristum
Roteiro:
Andre Ristum
Octavio Scopellitti
Marco Dutra
Fotografia:
Hélcio "Alemão" Nagamine
Trilha Sonora:
Patrick de Jongh
Duração:
90 min.
Ano:
2010
País:
Brasil
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imovision
Estúdio:
Gullane
Sombumbo Filmes
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: