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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

'ENOLA HOLMES': AVENTURA LEVE E DIVERTIDA CONFIRMA MILLIE BOBBY BROWN COMO ATRIZ DA VEZ EM HOLLYWOOD

 

SINOPSE: 
Enola Holmes (Millie Bobby Brown) é uma adolescente cujo irmão, 20 anos mais velho, é o renomado detetive Sherlock Holmes (Henry Cavill)

Quando sua mãe (Helena Bonham Carter) desaparece, fugindo do confinamento da sociedade vitoriana e deixando dinheiro para trás para que Enola faça o mesmo, a menina inicia uma investigação para descobrir o paradeiro dela, ao mesmo tempo em que precisa ir contra os desejos de seu outro irmão, Mycroft (Sam Claflin), que quer mandá-la para um colégio interno só de meninas. 

 A caminho de Londres, ela conhece um lorde fugitivo (Louis Partridge) e passa a desvendar quem pode estar atrás do garoto e que quer impedir que uma importante reforma na política inglesa aconteça. 

 CRÍTICA: 
Se não é revolução prometida pela Netflix,  Enola Holmes é o suficiente para dar ao serviço de streaming uma nova franquia a explorar, já que a história de detetive para adolescentes é encantadora. 

Ao menos, ver Henry Cavill como Sherlock e Millie Bobby Brown como sua irmã é um grande prazer. 

 Baseado no romance de Nancy Springer, a obra mostra a irmã mais nova e menos conhecida do grande detetive Sherlock (Cavill): enquanto ele e seu astuto irmão Mycroft (Sam Claflin) estavam em Londres cuidando de suas vidas, Enola (Bobby Brown) foi criada como uma "criança selvagem" no interior da Inglaterra por sua mãe excêntrica (Helena Bonham Carter), onde aprendeu Shakespeare, filosofia, tênis, arco e flecha e jiu-jitsu. 

Tudo muda em seu décimo sexto aniversário, quando sua mãe desaparece e seus irmãos então voltam para casa para lidar com Enola e com o estado da mansão, agora abandonada. 

Sherlock até se interessa em investigar a partida da mãe, mas sem urgência e Mycroft só se preocupa mesmo em resolver a vida de Enola, colocando-a em um internato a fim de transformá-la em uma mulher dócil, de fácil aceitação pela sociedade vitoriana inglesa e perfeita para casar com algum nobre. 

Só que Enola não quer nada disso. 

 Seguindo as pistas que sua mãe deixou para trás, ela foge para resolver o mistério, mas a sua busca é prejudicada quando ela cruza com um jovem aristocrata (Louis Partridge), em fuga por razões misteriosas. 

Preocupada com injustiças, ela então muda seu objetivo e passa a ajudar o rapaz, no que se torna uma trama de origem que soa um pouco forçada só para colocar Enola no caminho de um momento histórico importante da Inglaterra. 

 No melhor estilo Deadpool e Fleabag - série o diretor dirigiu alguns episódios - Enola quebra a quarta parede e fala diretamente com o público. 

"Ela precisava do espectador nessa jornada e ela fala conosco com mais bravura do que realmente tem. Ela tem aquela arrogância obstinada de uma adolescente que tenta esconder o medo", justifica Millie Bobby Brown em entrevista ao USA Today

 O recurso, bem usado, aproxima o espectador da protagonista, tornando-o cúmplice de Enola a cada cena. 

 Enquanto a série Fleabag segue uma anti-heroína carismática, imprudente e até egoísta, Enola é perfeita e não possui nada de complexo, embora a jornada para se tornar uma mulher seja também complicada. 

 Ela é corajosa e rebelde de forma chocante para 1900, mas atualmente já são base para qualquer trama sobre empoderamento. 

 Tudo que ela faz está dentro do esperado, provavelmente para não chocar e manter a leveza de uma aventura adolescente. 

 As questões políticas do roteiro de Jack Thorne até falam sobre feminismo, mas de forma juvenil. 

O movimento sufragista está no pano de fundo de sua história, mas Enola só se interessa pelo empoderamento para conseguir o que quer. 

O longa não discute como a sociedade patriarcal limita suas opções e, para obter um mínimo do respeito de seus irmãos, ela precisa ser praticamente uma super-heroína. 

É como se o próprio filme não percebesse que poderia explorar melhor essas questões e trazer mensagens mais positivas. 

 Ao menos, o longa traz Henry Cavill como uma versão nova e fascinante de Sherlock, sempre arrogante e charmoso. 

Ele e Brown tem ótima química, o que ajuda o filme, sem falar que Sherlock é uma boa mudança em relação ao que o ator fez no DCEU e The Witcher - mas o detetive poderia aparecer mais na trama. 

Ainda assim, rumores indicam que ele pode ter mais espaço na sequência, o que seria realmente divertido de se ver. 

 Além disso, o longa acerta com o mistério, fugas ousadas, artes marciais e cenas de ação em geral, sem contar na bela fotografia, direção de arte e no acerto da escalação do jovem Louis Partridge - uma escolha pessoal de Brown e de sua irmã, também produtoras do longa. 

 O filme empolga e Brown se sente mais à vontade para interpretar a heroína, até por se aproximar da narrativa de Stranger Things. 

 Com o objetivo de pincelar o assunto do empoderamento e aproveitar o mito de Sherlock, Enola Holmes traz uma heroína adolescente inconformada com sua posição na sociedade, porém incapaz de discutir essa questão realmente. 

 O longa possui bom ritmo e visual interessante e realmente é uma boa aventura, leve e relaxante. 

 E Millie Bobby Brown se firma como a melhor promessa de Hollywood dos últimos tempos. 

 GALERIA DE IMAGENS:
TRAILER:
 

FICHA TÉCNICA:

ENOLA HOLMES 
Título Original: 
 ENOLA HOLMES
Gênero: 
Aventura 
Direção: 
Harry Bradbeer 
Elenco: 
Adeel Akhtar, Burn Gorman, Deonne Newby, Fiona Shaw, Frances de la Tour, Gianni Calchetti, Hattie Jackson, Heather Pearse, Helena Bonham Carter, Henry Cavill, Jay Simpson, Joakim Skarli, Louis Partridge, Margaret Wheldon, Millie Bobby 
Brown, Paul Parker, Sam Claflin, Sonya Seva, Susan Wokoma, Theo Ip
 Roteiro: 
Jack Thorne, Nancy Springer 
 Produção: 
Alex Garcia, Ali Mendes, Mary Parent, Millie Bobby Brown, Paige Brown 
 Fotografia: 
Giles Nuttgens 
 Trilha Sonora: 
Daniel Pemberton 
 Estúdio: 
EH Productions, Legendary Entertainment, PCMA Productions, Warner Bros. 
 Montador: 
Adam Bosman 
 Distribuidora: 
Netflix 
 Ano de Produção: 
2020 
 Data de Estreia: 
23/09/2020 
 Classificação Indicativa: 
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

'JOGOS VORAZES - EM CHAMAS': MELHOR QUE O PRIMEIRO, LONGA É DIVERSÃO DE PRIMEIRA AOS EXPLICAR POLÍTICA E SEUS BASTIDORES À MULEKADA


'Jogos Vorazes: Em Chamas' - que estreia hoje em 671 salas em todo o Brasil, uma semana antes da estreia americana - não é apenas melhor do que o primeiro, é também mais fiel ao livro de Suzanne Collins.

É também o segundo blockbuster do ano - ao lado de 'Homem de Ferro 3' - que nos mostra seus protagonistas sofrendo de estresse pós-traumático.

Se esse elemento está presente na obra literária, é intensificado na telona com a soberba e consistente atuação da atual ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, Jennifer Lawrence, que nos mostra à perfeição a evolução de sua personagem, Katniss Everdeen, que sobreviveu à 74º edição dos Jogos Vorazes e teve sua vida mudada para sempre.

Jennifer Lawrence, em cena como Katniss Everdeen - fotos dessa postagem: Divulgação - Paris Filmes
Meses se passaram desde o primeiro filme, a protagonista está mais madura, só quer viver o resto da vida em paz - como vencedora, tem fama e fortuna, porém, as lembranças daqueles dias traumáticos a assombram.

Mas logo descobre que seu pesadelo está apenas começando, quando a visita do presidente Snow (Donald Sutherland) à sua nova mansão, pouco antes da turnê de vitória pelos 12 distritos, transforma os medos da garota em realidade.

Donald Sutherland como o presidente Snow
Ela não foi a única a sair com ferimentos profundos dos Jogos, o governo opressor da Capital também foi abalado e agora enfrenta a ameaça de uma revolução - afinal, Katniss deu a arma mais poderosa ao povo de Panem – esperança.

Se o diretor do primeiro longa, Gary Ross, fez um bom trabalho digno de nota, ele não ia a fundo nas questões delicadas e a câmera tremia demais durante os combates.

Já o diretor dessa sequência, Francis Lawrence, trouxe novo olhar à franquia, marcando em cada fotograma a tristeza inata que ele imprime nesse universo - pois viver em Panem é horrível, competir é um pesadelo e obrigar os vencedores a voltar à arena é pura crueldade.

Esses aspectos são tratados com o peso adequado, assim como a situação complexa de Katniss e Peeta (Josh Hutcherson), forçados a agir como um apaixonado casal diante das câmeras por ordem do Presidente.

Josh Hutcherson é o intérprete de Peeta
Embora mostre as consequências dos atos de Katniss, a narrativa desta sequência é bastante semelhante a 'Jogos Vorazes' e, com exceção da Turnê da Vitória, a história segue o mesmo padrão: vida no Distrito, preparação e os Jogos.

Os histéricos fãs vão te dizer que "o livro é assim", mas no cinema, a sensação de "já vi isso antes" é amplificada e muita gente pode perder a paciência antes da hora - ao menos quando os jogos começam, a trama se move rapidamente, com um perigo atrás do outro.

Entre os novos personagens, Finnick Odair (Sam Claflin) é o destaque: um narcisista que adora a fama, mas também não superou as experiências terríveis como tributo, com o ator fazendo uma boa construção e nunca nos deixando saber se Katniss pode ou não confiar nele.

Sam Claflin interpreta Finnick Odair
Destaque também para Jena Malone como a competidora do distrito 7, Johanna - a cena do elevador na qual ela é introduzida é bem divertida  e para  Alan Ritchson - o Aquaman da série de TV 'Smallville' -  que aparece pouco, mas bem como Gloss.

Alan Ritchson interpreta Gloss
O longa é uma boa sequência, com orçamento maior e melhorias em todos os aspectos, inclusive na área técnica.

Se o final é abrupto e embora crie tensão para 'A Esperança - Parte 1', bem que o longa poderia mostrar as consequências do Massacre Quaternário.

Mesmo assim, a franquia tem potencial para se tornar um ícone da cultura Pop, por tratar de temas políticos de forma compreensível para os mais jovens.

Enquanto isso não acontece, serve como boa diversão, que cumpre seu objetivo como ficção científica.

Confira o trailer do longa:


*****
The Hunger Games Catching Fire-Official Poster Banner PROMO NACIONAL-02OUTUBRO2013
'JOGOS VORAZES: EM CHAMAS'
Título Original:
THE HUNGER GAMES: CATCHING FIRE
Gênero:
Ação
Direção:
Francis Lawrence
Roteiro:
Michael Arndt, Simon Beaufoy - Baseado em best seller homônimo de Suzanne Collins
Elenco:
Alan Ritchson, Amanda Plummer, Bobby Jordan, Bruce Bundy, Bruno Gunn, Daniel Bernhardt, Donald Sutherland, E. Roger Mitchell, Elena Sanchez, Elizabeth Banks, Jeffrey Wright, Jena Malone, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Kimberley Drummond, Lenny Kravitz, Liam Hemsworth, Lynn Cohen, Maria Howell, Megan Hayes, Meta Golding, Nelson Ascencio, Patrick St. Esprit, Paula Malcomson, Philip Seymour Hoffman, Sam Claflin, Stanley Tucci, Stephanie Leigh Schlund, Toby Jones, Wilbur Fitzgerald, Willow Shields, Woody Harrelson
Produção:
Jon Kilik, Nina Jacobson
Fotografia:
Jo Willems
Montador:
Alan Edward Bell
Trilha Sonora:
James Newton Howard
Duração:
146 min.
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
15/11/2013
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Color Force / Lionsgate
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 1 de junho de 2012

'BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR': CHARLIZE THERON E KRISTEN STEWART ENTREGAM A MELHOR ADAPTAÇÃO CINEMATOGRÁFICA DO CONTO DOS IRMÃOS GRIMM


Quando "Espelho, Espelho Meu" foi lançado, tempos atrás, escrevi aqui que o longa era uma versão carnavalizada do conto "Branca de Neve e os Sete Anões".

Escrito pelos Irmãos Grimm entre 1812 e 1822, e publicada em capítulos durante todo esse tempo, o conto é sombrio e perverso ao mostrar como uma mulher invejosa pode chegar às vias de fato para manter seu poder, beleza e títulos e tem tudo o que se procura numa boa história: inveja, traição, assassinato, romance, perda e redenção.

Deve ser por gostar muito do conto que eu não me empolguei com o longa colorido e leve, protagonizado por Julia Roberts - como a rainha má - e Lily Collins - como a Branca de Neve - "Espelho, Espelho Meu" não tem quase nada da trama dos dos Irmãos Grimm.

Agora, uma Branca de Neve guerreira - Kristen Stewart -, uma madrasta com enormes poderes mágicos - Charlize Theron -, um príncipe encantado lindão - Sam Clafin -, um caçador mais lindo ainda - Chris Hemsworth -, cenários de conto de fadas de babar, tudo arrematado por uma cuidadosa produção?

Era tudo o que eu queria ver!
Divulgação
Charlize Theron como Ravena, a Rainha Má: sen-sa-cio-nal!

Tudo isso e muito mais é o que oferece a melhor adaptação cinematográfica do conto dos irmãos Grimm - "Branca de Neve e o Caçador",que estreia hoje em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Dirigido por Rupert Sanders, cineasta que veio de uma bem sucedida e inovadora carreira na publicidade, o longa apresenta um grande apuro estético, repleto de imagens impactantes e com grandes duelos - de personagens e de atrizes.

A estonteante beleza e enorme talento de Charlize Theron constroem lindamente o estereótipo de uma grande vilã das telonas: Ravena, a madrasta malvada, uma mulher que no conto original usa disfarce e fala com o espelho, mas que aqui, apesar de continuar falando com o espelho, aparece com mais poderes que qualquer super-herói.

Do outro lado, esqueça a sem sal Bella Swan da saga "Crepúsculo": Kristen Stewart tem aqui sua primeira personagem densa e verdadeira na telona, que se transforma em uma Branca de Neve guerreira e que está muito acima de seus companheiros masculinos de elenco - o "tour de force" entre as duas é sensacional, apesar de aparecerem juntas em poucas cenas.
Divulgação
Kristen Stewart como Branca de Neve: seu melhor papel na telona

Sam Clafin e Chris Hemsworth são ofuscados pelas duas, que dão show ao se alternarem na missão de carregar o peso de uma história que eleva o papel da madrasta e, por consequência, endurece o da Branca de Neve, que é capaz de enfrentar soldados e encantar com a mesma ternura inerente ao imaginário popular da personagem.

Apesar da rivalidade do duelo, Charlize leva vantagem nesta disputa, primeiro por ser uma atriz mais tarimbada, e depois, por se recriar em uma personagem marcada por tiques nervosos e manias e favorecida por um figurino simplesmente espetacular - capaz de se transformar em um corvo, por exemplo - trabalho de Collen Atwood, vencedora do Oscar por "Alice no País das Maravilhas" e que reforça o trabalho idealizando um figurino que remete ao lúdico, mas não se distanciando do real.

A direção de arte é outro show à parte: David Warren, também responsável pela direção de arte do premiado "A Invenção de Hugo Cabret", assina um trabalho impecável e detalhista, responsável pela ambientação obscurantista de um reino mergulhado nas trevas pela malvada monarca, e resgata com competência o tom de conto de fadas da história quando Branca de Neve chega à Floresta Encantada, tudo com riqueza de detalhes impressionante.
Divulgação
Cris Hemsworth como o Caçador, à frente dos sete anões: ofuscado pelas protagonistas

O longa premia também com espaço generoso outros personagens, como os anões, que aparecem como no conto dos Irmãos Grimm - bandidos da floresta - e se responsabilizam pelos poucos toques de humor presentes no longa.

A trama como um todo é interessante, bem narrada e com algumas cenas espetaculares - especialmente as das transformações da madrasta, mais amarga, mais adulta e mais interessante - tanto do conto, quanto das versões açucaradas da Disney e de Julia Roberts.

"Branca de Neve e o Caçador" é diversão garantida para toda a família sem afrontar a inteligência do espectador - viu, Julia Roberts

Confira o trailer do filme:
*****
"BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR"
Título Original:
Snow White and the Huntsman
Diretor:
Rupert Sanders
Elenco:
Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Ian McShane, Toby Jones, Nick Frost, Ray Winstone, Sam Claflin, Bob Hoskins, Eddie Marsann, Lily Cole
Produção:
Sam Mercer, Palak Patel, Joe Roth
Roteiro:
Hossein Amini, Evan Daugherty
Fotografia:
Greig Fraser
Duração:
129 min.
Ano:
2012
País:
EUA
Gênero:
Aventura
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Paramount Pictures Brasil
Estúdio:
Roth Films / Universal Pictures
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau:
*****
Essa postagem é dedicada à leitora Natália Medeiros Scalvenzi