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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A SEMANA NA DIVERSIDADE


Nessa postagem, você vai ler as três matérias destaques da semana:

MANUAL DE COMUNICAÇÃO QUER REDUZIR USO INADEQUADO E PRECONCEITUOSO DE ATOS E PALAVRAS QUE AGRIDEM A DIGNIDADE DOS LGBT

O futuro - e antenado - jornalista Diogo Oliveira postou dia desses no Facebook a notícia de que existe um Manual de Comunicação LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais -, voltado para profissionais, estudantes e professores da área de comunicação - Jornalistas, Radialistas, Publicitários, Relações Públicas, Bibliotecários - entre outras pessoas.

Divulgação
A capa do Manual impresso

Um dos objetivos da atual diretoria da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, e de ativistas ligados ao segmento LGBT no Brasil é o de reduzir o uso inadequado e preconceituoso de terminologias que afetam a cidadania e a dignidade de 20 milhões de LGBT no país, seus familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho, pois ainda existe um longo caminho a ser percorrido pelo Movimento e pela mídia para garantir uma transmissão de informações com maior qualidade e comprometimento com as causas sociais.

Você pode fazer o download do manual - em PDF - clicando aqui.



OS PIORES LUGARES DO MUNDO PARA OS GAYS

Segundo matéria da revista Exame, em pelo menos 40 países no mundo ser homossexual é ilegal.

Segundo um levantamento sobre direitos humanos realizado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, com dados de 2011, as penas vão desde multas até prisão perpétua.

Alguns desses países são, inclusive, destinos turísticos muito procurados e onde não se imagina encontrar esse tipo de punição.

Divulgação
Arte com as bandeiras dos países que punem relações homossexuais

Confira alguns deles:

EGITO
No Egito, a lei não criminaliza explicitamente a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo, mas permite que a polícia prenda homossexuais sob o argumento de "libertinagem", segundo o relatório do Departamento de Estados dos Estados Unidos, que também destaca que gays e lésbicas enfrentam um significativo estigma na sociedade e nos ambientes de trabalho, o que dificulta sua organização em movimentos sociais.

JAMAICA
Na Jamaica, a lei proibe atos de "indecência grosseira" entre pessoas do mesmo sexo, em lugares públicos ou privados - a punição chega a dez anos de prisão.

A homofobia é bastante espalhada pelo país e, através de músicas e do comportamento de alguns músicos, a cultura local auxilia a perpetuar o preconceito, segundo o relatório.

Grupos locais relatam abusos aos direitos humanos, incluindo "sequestros corretivos" e ataques e a polícia não costuma investigar os incidentes.

O relatório destaca que o clima de medo leva pessoas a abandonarem o país e as leis as deixam vulneráveis a extorsões de vizinhos.

IRÃ
No Irã, a lei criminaliza a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo - um homem pode ser condenado à morte por esse motivo.

A punição dos homossexuais não-muçulmanos é pior caso seu parceiro seja muçulmano e a pena para os homens também é pior que a das mulheres.

Ao contrário de alguns países em que a lei que pune os homossexuais com a morte não é seguida, no Irã ocorreram execuções por esse motivo.

No ano passado, três pessoas foram executadas por sodomia, primeira vez em muitos anos que indivíduos foram executados somente por esse motivo, já que normalmente a causa é combinada a outros crimes, como sequestro, roubo com uso de armas ou crimes contra a ordem nacional.

Uma unidade voluntária do Poder Judiciário do país monitora e relata "crimes morais", segundo o relatório e buscas em casas e monitoramento de sites em busca de informações sobre homossexuais também ocorrem.

O governo censura materiais relativos a assuntos LGBT.

EMIRADOS ÁRABES
Nos Emirados Árabes, a lei civil e a lei islâmica criminalizam atos homossexuais.

Pela lei islâmica, a punição é a morte, de acordo com o relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Em 2011 não houve nenhum processo por esse motivo, segundo o levantamento mas, não raro, o governo submete pessoas a tratamento psicológico e aconselhamento.

O cross-dressing (pessoas que se vestem com artigos do sexo oposto) é considerado uma ofensa e pode ser punido.

LÍBANO
Durante 2011, a discriminação oficial de gays, lésbicas e simpatizantes permaneceu no Líbano, segundo o documento.

As leis do país proibem o "ato sexual não-natural" e a punição pode chegar a um ano de prisão, mas é raramente aplicada.

Há um relato de um homem que foi delatado à polícia pela própria mãe e, no país, existem ONGs LGBT que realizam encontros regulares.

Em 2010, uma ONG local observou menos de 10 execuções.

TUNÍSIA
Na Tunísia, relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo seguem sendo ilegais sob o código penal, que prevê penas de até três anos de prisão, segundo o relatório.

Há também evidências de discriminação, incluindo relatos de que policiais, às vezes, prendem homossexuais e os acusam de serem "transmissores de HIV".

Não há, no entanto, relatos de pessoas presas por causa da homossexualidade, mas um ativista LGBT do país já relatou violência, perseguições e ataques de indivíduos descritos pelas vítimas como Salafistas.

INDONÉSIA
Uma lei de 2008 proibe a atividade homossexual, segundo o relatório e há também regulações locais que criminalizam o ato, com relatos de que o governo não faz muitas ações para prevenir a discriminação.

Organizações LGBT e ONGs atuam abertamente, mas alguns grupos religiosos, esporadicamante, interrompem organizações LGBT - e as pessoas, vez ou outra, são vítimas de abuso policial.

Em 2011, um festival de cinema limitou sua divulgação em decorrência dos protestos de que foi vítima em 2010.

UGANDA
Em Uganda, atos homossexuais são criminalizados por uma lei da era colonial, a pena chega à prisão perpétua e já houve tentativas para que a pena de morte fosse incluída em alguns casos.

As pessoas não chegam a ser condenadas diretamente pela lei, mas por "ofensas relacionadas", como "práticas indecentes".

A discriminação priva pessoas de serviço médico e impede que grupos LGBT registrem-se como ONGs.

No começo de 2011, David Kato - um ativista local que havia processado um jornal do país que publicou uma foto sua e o classificou como homossexual - foi espancado até a morte.

A Corte do país determinou que o jornal havia violado os direitos constitucionais à privacidade das pessoas que tiveram suas fotos, identidades e endereços publicados na matéria.

RÚSSIA
Na Rússia, há grande discriminação aos membros da comunidade LGBT e ativistas afirmam que muitos homossexuais escondem sua orientação com medo de perder seus empregos ou casas ou de serem tratados com violência.

Em Moscou, as autoridades não permitem a realização de uma Parada Gay, apesar de alegações de que a proibição viola os direitos de liberdade.

No entanto, várias paradas anti-gays acontecem pelo país, com o apoio do governo e da igreja ortodoxa russa.

GUIANA
Na Guiana, país vizinho ao Brasil na fronteira norte, há a punição com prisão perpétua para a atividade sexual entre homens, segundo o relatório.

Há relatos de alguns processos desse tipo, mas não há números e é comum que a polícia use essa lei para intimidar supostos casais gays.

O relatório destaca que o ministro da saúde, em um discurso em uma conferência sobre AIDS, disse que essa lei é contraditória à liberdade de expressão individual.

SÃO CARLOS (SP) PEITA O PRECONCEITO E CRIA POLÍTICAS DE INCLUSÃO PARA TRAVESTIS

A travesti Patrícia D'Brown, de 26 anos, faz programas sexuais desde os 17, depois de ter sido demitida do emprego de empacotadora em um mercado por puro preconceito.

Tornou-se uma pessoa fria para o amor por conta dos perrengues que já enfrentou na noite e zanzou muito tempo pelas ruas, época em que foi roubada pelo menos seis vezes.

Também já foi abandonada por alguns clientes, outros tentaram levar seu dinheiro e houve um que atirou na moça porque ela se recusou a transar sem preservativo.

Chegou a fazer perto de 20 programas em uma noite, mas de dois anos para cá só dá atendimento a conhecidos, que a contatam pelo celular, em encontros que podem durar de cinco minutos a duas horas.

Tem em mente a possibilidade de viajar no ano que vem para a Europa estimulada pelos relatos de uma amiga que conseguiu um bom dinheiro "fazendo a vida" em Roma, na Itália.

Patrícia acompanhou a reportagem da Rede Brasil Atual pelas ruas da cidade de São Carlos, no interior paulista, onde vive, detalhando todas as características, como os pontos de prostituição de mulheres, os de travestis, e os de tráfico de drogas - todos em avenidas próximas à rodovia Washington Luiz, a SP-310.

Gabou-se de conhecer a região como a palma de sua mão e lembrou do tempo em que a polícia era violenta com as meninas.
“Antes eles batiam, hoje não mais. Se o governo faz políticas públicas, a polícia respeita”, comentou, acrescentando que se os policiais flagram a travesti com alguém em lugar impróprio eles apenas pedem para saírem.
“As coisas melhoraram muito, mas antes a gente apanhava muito.”

A política pública à qual Patrícia referiu-se tem origem na fundação da ONG Visibilidade LGBT, em 2009.

Logo depois de criada, a entidade cobrou do município a realização de uma conferência para discutir políticas públicas, e hoje a legislação local garante a realização do encontro de dois em dois anos.

Divulgação
A cidade de São Carlos, no interior de SP, à noite

No mesmo ano, foi criado o Conselho da Diversidade Sexual, em 2011, a Divisão de Políticas para Diversidade Sexual, e em 2012, o Plano de Políticas para Diversidade Sexual, que prevê ações e metas para a próxima década.

“Com isso, São Carlos é a primeira cidade do país a completar o tripé da Cidadania LGBT”, disse o chefe da Divisão de Políticas para a Diversidade Sexual, Alexandre Sanches.
“A cidade consolidou as ações e tornou-se referência na política de atenção às minorias”, afirmou.

Para incentivar a inclusão do grupo LGBT no mercado de trabalho, a Divisão de Políticas para Diversidade Sexual, em parceria com a ONG Visibilidade LGBT, desenvolveu o programa de empregabilidade.

No primeiro semestre, por exemplo, foi ministrado um curso de confecção de biojoias de 36 horas com foco, não exclusivo, nas travestis, e já eram planejados outros – de chaveiro, trançadeira, de confecção de sacolas e de imãs de geladeira, ainda em fase de implementação.

No caso das biojoias, por exemplo, a aluna adquiria um kit com peças por R$ 100 e conseguia faturar R$ 400.

Parece pouco, mas é um começo: uma porta que pode se abrir na direção contrária à prostituição, porquê é por falta de aceitação da sociedade que as travestis abandonam os estudos e, por consequência, têm limitadas as possibilidades de atuação profissional, daí a fazerem a vida nas ruas, um problema que começa dentro de casa, com a rejeição dos pais e, em geral, a expulsão do convívio familiar.

O bullying se estende para o ambiente escolar, onde as travestis enfrentam ataques, em especial porque não são tratadas por seus nomes sociais, aqueles que adotam quando se assumem de outro sexo.
É muito cruel para um homem que nasceu com identidade de gênero feminina, e aceita essa condição se travestindo, ser chamado pelo nome de registro - na hora da chamada, por exemplo, os colegas se acabam de rir quando a menina é chamada por nome masculino.

Essa situação é enfrentada diariamente por três inseparáveis amigas do bairro da periferia de São Carlos: Antenor Garcia, Tiffanny, de 15 anos, Melissa, de 16, e Rhayara, de 16.

Na escola onde estudam a diretora relutou em aceitar o uso do nome social e as meninas sentiam-se frequentemente humilhadas pelos colegas e professores.

A decisão de tratar as três pelo nome que escolheram só veio depois de a escola ser obrigada pela Secretaria de Educação, com base no decreto 55.588, de 2010, que prevê o uso do nome social no âmbito da administração direta e indireta do estado.

Alexandre Sanches comentou que a diretora é uma pessoa autoritária e que ainda não apresentou uma solução para o uso do banheiro pelas travestis, uma situação constrangedora porque se elas vão ao banheiro masculino têm de aguentar as piadas dos garotos e no das meninas são impedidas de entrar.

Resta a elas um banheiro nos fundos da biblioteca que sempre está trancado, o que expõe as três a mais constrangimento.
“É uma situação muito perversa”, lamentou o chefe da Divisão de Políticas para Diversidade Sexual.

Tiffanny, Melissa e Rhayara estão muitos passos além da maioria das travestis pois, diferentemente da maioria, elas têm aceitação e apoio dos familiares, não desistiram de estudar e vislumbram um futuro muito bacana longe da prostituição.

A primeira quer estudar moda, a segunda ainda não sabe a vocação e a terceira sonha ser advogada.

Tiffanny até passou raspando "na vida": saiu uma vez para fazer um programa, mas não gostou do que teve de vivenciar, e pulou fora.

Questionadas sobre como vão enfrentar os preconceitos que podem aumentar cada vez mais, concordam que nada na vida é fácil, pois para tudo há barreira e, se for preciso “virar homem”, para se defender elas não pensarão duas vezes.

Na tarde de uma segunda-feira ensolarada, as meninas andavam tranquilamente pelas ruas do bairro e não receberam, nem piadinhas nem afrontas - segundo Sanches, elas são protegidas pelos traficantes locais.
“Eles não querem confusão, nada que atraia a polícia para o bairro. Por isso, elas são respeitadas”, relatou.

Ainda falta, segundo Phamela, instrumentos de denúncia contra a homofobia na cidade. "Denunciar a homofobia para os moradores do interior do estado é inviável porque no decorrer do processo é preciso estar na capital inúmeras vezes para as audiências", disse.

O decreto estadual 10.948, de 2011, estabeleceu diferentes formas de punição a atitudes discriminatórias relacionadas aos grupos de pessoas que têm manifestação sexual perseguida por homofóbicos e intolerantes.

Só para lembrar: continua engavetado no Congresso Nacional o Projeto de Lei 122, que prevê a criminalização da discriminação gerada por diferentes identidades de gênero e orientação sexual.
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Até +!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

CEARENSE É A PRIMEIRA TRAVESTI A APRESENTAR TESE DE DOUTORADO NO BRASIL


A cearense Luma Andrade foi a primeira travesti do Brasil a apresentar uma tese de doutorado.

Graduada em ciências naturais pela Uece (Universidade Estadual do Ceará) e com mestrado na área do desenvolvimento do meio ambiente pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), aos 35 anos ela é doutoranda em educação pela UFC (Universidade Federal do Ceará).

Para obter o título de doutora, ela se inspirou na própria realidade e produziu um estudo baseado no acesso das travestis cearenses à educação. 
“Pude constatar que está havendo um aumento do acesso e também da procura pela escola, mas ainda há resistências como a discriminação, bullying e a marginalização”, disse ela ao UOL Educação, por telefone.

Resistência, aliás, é uma palavra ou até mesmo um sentimento muito conhecido por Luma. “Desde os oito anos de idade que convivo com isso. Já cheguei a apanhar na escola e ouvir da professora que era bem feito”, contou.
Imagens: Jarbas Oliveira/Folhapress
Luma Andrade, primeira travesti a apresentar tese de doutorado no Brasil

Mesmo assim, ela disse que focou a atenção para os estudos e usou sua aptidão para as ciências exatas como uma aliada na conquista de amigos e de respeito dos colegas. 
“Eu sabia matemática e fiz com que isso me ajudasse. Passei a dar aulas para os colegas e eles passaram a ser meus amigos”, disse.

Em casa ela usou a mesma estratégia de focar a atenção para os estudos, na hora de responder os questionamentos dos pais, dois agricultores analfabetos que não a discriminavam, mas sempre perguntavam por uma namorada, principalmente no período da adolescência.

Já adulta, chegou a ir, nos primeiros dias, para o campus da Uece, no município de Limoeiro do Norte, onde concluiu a graduação, vestida com roupas masculinas para evitar situações de preconceito e constrangimento, mas a estratégia não deu certo. 
No primeiro dia de aula, ela conta que foi uma chacota geral, mas, depois que resolveu usar roupas femininas, as pessoas a conheceram melhor e ela começou a ser aceita. 
“De início foi uma decepção, pois achava que na universidade as pessoas eram mais maduras”, disse.

Depois de formada, Luma recebeu o convite de um ex-professor da faculdade para dar aula em uma escola, mas o que parecia ser uma grande oportunidade, na verdade foi um grande teste.
“Era terrível, os dirigentes e outros professores ficavam atrás das portas assistindo à minha aula. Os alunos também ficavam rindo e muitos gritavam: gay, viado (sic), dentre outros palavrões. No fundo, eles achavam que a minha aula (de ciências naturais) ia ser uma palhaçada, mas sempre no primeiro dia, eu contava a minha história de vida e ganhava fãs e aliados. Eles também são pobres, nordestinos e sonham com dias melhores. Além disso, sempre mantive postura, seriedade para lecionar, o que foi fundamental para adquirir o respeito de alunos e colegas”, completa.

Luma, na apresentação de sua tese

Depois de conquistar estabilidade e ser aprovada em concurso público na área de Educação, Luma passou na seleção de um mestrado em Mossoró, no Rio Grande do Norte, e a cidade cearense mais próxima era Aracati. 
“Começou tudo de novo, tive que voltar à estaca zero”, disse Luma, que precisou pedir uma intervenção da Secretaria Estadual da Educação do Ceará para ser admitida em concurso que havia sido a única pessoa a ser aprovada. 
“A minha nomeação era sempre protelada sem que um motivo fosse alegado".

Anos depois, em 2005, desenvolveu o projeto “Intimamente Mulher” , que incentivava alunas e professoras a fazer exames de prevenção  e que lhe rendeu o primeiro lugar no Estado e um prêmio no Ministério da Educação.

Atualmente, Luma está casada com um professor de História, realiza palestras, é constantemente convidada para ser madrinha de formaturas e passeatas, além de presidir a Associação Russana de Diversidade Humana, na cidade de Russas, a 165 km de Fortaleza.

Essas e outras barreiras enfrentadas por travestis foram relatadas na tese da doutoranda, que aponta alguns entraves enfrentados por travestis nos ensinos médio, fundamental e superior. 
“Uma coisa é o nome, onde muitos professores fazem questão de gerar um constrangimento as chamando pelo nome de batismo, outra é a utilização do banheiro, onde somos obrigadas a usar os sanitários masculinos, o que é muito desagradável, pois as travestis acabam sendo vítimas de muita gozação, agressões físicas, tentativas de estupro e isso tudo faz com que elas deixem a escola”, disse ela que há dois anos conseguiu mudar os documentos e abandonar o antigo nome masculino.

O uso do banheiro por parte das travestis é um dos capítulos da tese de Luma. 
Ela disse que prendia a urina e só ia ao banheiro depois que chegava em casa, o que lhe rendeu, à época dores abdominais, dilatação da bexiga, além do desconforto no momento em que assistia a aula. 
“Muitas vezes eu perdia a concentração”, resume.

Luma, no dia mais importante da sua vida

Na apuração para a produção da tese de doutorado, Luma Andrade estudou 95 casos em todo o Ceará, mas três cidades tiveram maior destaque: Fortaleza, Russas e Tabuleiro do Norte. 
Nos municípios, ela encontrou duas realidades diferentes.

Na capital, mesmo com uma maior oferta de estabelecimentos educacionais, as travestis quase não têm acesso à educação e a maioria se concentra em zonas de prostituição no centro e na orla da cidade. 
Já em Russas e em Tabuleiro do Norte, ela acompanhou de perto a história de três travestis que freqüentavam aulas em escolas de ensino fundamental e médio. 
“Por incrível que pareça, no interior elas são mais acolhidas e o preconceito é menor, pois elas conseguem viver no ambiente da família, sem precisar se prostituir. É possível ver travestis trabalhando no comércio como vendedoras e em diversas atividades”, observa.

Outra coisa que chamou a atenção da doutoranda foi o fato de muitos dirigentes escolares e educadores não saberem distinguir uma travesti de um homossexual. 
Segundo o manual de comunicação da Associação Brasileiras de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros (ABGLT), "um travesti é a pessoa que nasce do sexo masculino ou feminino, mas que tem sua identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico, assumindo papéis de gênero diferentes daquele imposto pela sociedade". 
Já um homossexual é, segundo o documento, "a pessoa que se sente atraída sexual, emocional ou afetivamente por pessoas do mesmo sexo/gênero".
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Matéria de  Gabriel Carvalho, do UOL, e sugerida ao Blog pela minha amiga, Gretta Sttar

quarta-feira, 18 de abril de 2012

ARGENTINOS DÃO EXEMPLO E CRIAM ESCOLA ESPECÍFICA PARA TRAVESTIS E TRANSEXUAIS


Os argentinos mais uma vez se mostram muito mais adiantados que o Brasil quando o assunto é diversidade, tanto que agora, eles já tem a primeira escola especial para travestis.

Instalada no bairro de Chacarita, Buenos Aires, em um prédio compartilhado com outros projetos sociais, a instituição ganhou o nome de Bachillerato Popular Mocha Celis, em homenagem a uma travesti que não sabia ler nem escrever.
Reprodução - internet
Primeira turma já tem 25 alunos e alunas. Inscrições até dia 20 (Foto: Reprodução internet)

A escola está alinhada com a proposta de educação do pedagogo brasileiro Paulo Freire e ensina literatura, cooperativismo, matemática, noções digitais, memória e reconhecimento trans, entre outras matérias - o curso tem três anos de duração.

A ideia de criar a escola surgiu em 2011, mas as primeiras aulas começaram no mês passado, para 25 alunos e alunas – nem todas são travestis ou transexuais: a escola aceita qualquer aluno e está com inscrições abertas até 20 de abril para quem completou o ensino fundamental.

Os fundadores da escola Mocha Celis pretendem mudar a forma de educar: a intenção é ir além dos livros didáticos que ensinam que meninos usam azul e meninas rosa e permitir a integração das trans no dia a dia das pessoas.

Na Mocha Celis, a aula é dada em mesas redondas, para que os professores estejam em posição de igualdade aos alunos.

Um exemplo que poderia ser implantado por aqui.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ESCOLA EM CAMPINAS RECEBE JOVENS LGBTs DISCRIMINADOS EM ESCOLAS CONVENCIONAIS



Conhecida como a primeira escola gay do Brasil, a Escola Jovem LGBT quase passa despercebida no pacato bairro residencial em que está instalada, na cidade de Campinas (SP).

Dentro da casa de seis cômodos, cerca de 30 jovens LGBT participam gratuitamente de aulas de música, teatro e de produção de revistas, todas voltadas para o universo gay.

A ideia nasceu há dez anos, a partir de e-mails trocados pelo fundador, o jornalista Deco Ribeiro, com outros jovens que passavam pelas mesmas angústias que ele. 
Hoje com 39 anos, Deco conta que se descobriu homossexual no início da adolescência, aos 13.

“Eu achava que era o único gay da minha escola, da minha rua, da minha cidade. Com a internet, descobri que muitos passavam pelo mesmo que eu”, lembra.

Cena G
A placa na fachada da escola

Em 2009, o projeto de Deco para uma escola de artes voltada para jovens LGBT venceu um edital do Ministério da Cultura, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura. 
Único dos 350 candidatos a propor a criação de um centro cultural voltado para a diversidade sexual e de gênero, o projeto passou a ser um dos Pontos de Cultura do Estado e a receber uma verba de 60 mil reais por ano.

Apesar do foco no mundo gay, héteros também são bem-vindos na escola. 
Atualmente, duas meninas heterossexuais participam das oficinas de revista.

Todos os fins de semana, jovens gays, bissexuais e travestis entre 14 e 24 anos organizam-se nas três turmas de dez alunos da escola.

Além dos três cursos em vigor hoje - criação de revista, música e teatro -, a escola já ofereceu aulas de dança, criação de fanzines e um curso livre de defesa pessoal. 

Ministrada por um especialista em artes marciais, o curso era focado em como evitar e como escapar de agressões.

Se eu tivesse grana, ela iria toda para projetos como esse.
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Matéria do site Cena G

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

REDE SOCIAL QUE ENSINA IDIOMAS DE GRAÇA QUER AMPLIAR PRESENÇA NO BRASIL

Com 8 milhões de alunos pelo mundo, o site Livemocha, especializado em línguas, quer ampliar presença no Brasil.

Todo mundo quer estudar outras línguas, mas a maioria sempre acaba esbarrando nos preços proibitivos das escolas, mesmo as mais modestas.
O que pouca gente sabe é que uma rede social americana é especializada em oferecer cursos de línguas pela net, de graça ou a preços que todo mundo pode pagar.
O estudante Bruno Tadeu, 23, morador de Arcoverde, sertão pernambucano, percorre todos os dias cerca de 240 quilômetros para ir e voltar do campus de Caruaru da Universidade Federal de Pernambuco, onde cursa a faculdade de economia.

Cerca de nove horas depois de sair de casa, a jornada ainda não terminou: Tadeu dedica parte do pouco tempo livre para estudar japonês e russo.
Ao contrário do curso de economia, porém, o estudante não precisa sair da cidade, tudo o que precisa está no computador conectado à internet.

Tadeu é um dos quase 3 milhões de brasileiros que optaram pelo ensino virtual de idiomas na rede social Livemocha - www.livemocha.com - site que propõe o ensino de 35 idiomas por meio de expressões, fotos, vídeos e promove a interação entre falantes nativos numa espécie de ensino interativo.

O logo da rede social Livemocha

Criado há três anos nos EUA, o portal - que já tem quase 30% de sua base de usuários composta de brasileiros que o conheceram principalmente pelo boca a boca virtual - quer aumentar a participação no país.

Hoje são quase 40 milhões de brasileiros que acessam redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter.
"Identificamos no Brasil uma das maiores oportunidades de negócio", afirma Michael Schutzler, presidente da companhia.

Embora ofereça serviços gratuitos, em que é possível aprender elementos básicos dos idiomas, o portal aposta no crescimento das vendas dos módulos pagos, que custam R$ 40 por mês - é isso mesmo que você leu, custa só QUARENTA REAIS POR MÊS.

Uma das táticas para ampliar a visibilidade do portal envolve a parceria com companhias locais para ensino, principalmente, de idiomas como espanhol e inglês - uma dessas parcerias já foi firmada com a Telefônica, e oferecerá descontos para clientes Speedy.

Outra ação é o trabalho com o Sebrae em Santa Catarina, que prevê a distribuição de acessos ao conteúdo pago do Livemocha para 25 estudantes por dois meses.

Por trás da operação mundial do Livemocha estão fundos de investimento que já garantiram US$ 14 milhões em aportes ao portal, entre eles o Maveron Funds, cocriado pelo presidente da Starbucks, Howard Shultz.

O Livemocha não é o primeiro no ensino on-line de idiomas - existem pelo menos seis outros portais.

Segundo especialistas, apesar da inclinação dos brasileiros por redes, um desafio será conquistar o usuário para esse tipo de aprendizado on-line, que, diferentemente de outros países, só agora começa a se popularizar por aqui.

Dos 8 milhões de usuários que participam do Livemocha, 300 mil foram recrutados como professores.

Como o portal é baseado no relacionamento e troca de informações, qualquer aluno pode corrigir outro membro da rede que quer aprender sua língua nativa.

Nesse contexto, os brasileiros que estão no Livemocha para aprender inglês, por exemplo, podem corrigir exercícios escritos ou orais - gravados no próprio portal - de estrangeiros aprendendo português.
"As pessoas naturalmente acabam corrigindo exercícios de quem quer aprender sua língua nativa pela própria vontade de compartilhar", diz Schultz.

Segundo especialistas, no entanto, há riscos de adotar apenas ferramentas de interação entre os participantes, como o bate-papo virtual.

E, sem o auxílio de um professor, existe a possibilidade de o internauta não aprender corretamente a gramática, por exemplo.

Para evitar isso, o Livemocha criou uma base de tutores on-line para os que fazem cursos pagos.

A seleção é feita dentro da própria plataforma, e os estudantes que tiverem melhor desempenho na correção de exercícios em sua língua nativa podem ser contratados mediante pagamento de salário.

Isso foi o que aconteceu com o paulistano Rodrigo Veiga, 30, que já atuava como professor de inglês.
No site, Veiga ganha, em média, de US$ 300 a US$ 400 - R$ 499 a R$ 666 - pelo trabalho de tutor.

Os cursos estão abertos para qualquer pessoa que tenha acesso a um computador, conectado à internet.

Acesse www.livemocha.com , e estude!

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Reportagem de Camila Fusco para a "Folha de S.Paulo"
Redação Final: Cláudio Nóvoa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

AINDA FALTA MUITO FEIJÃO COM ARROZ PARA SERMOS CHAMADOS DE "PAÍS EMERGENTE"


Pessoal:

Queria comentar com vocês essa matéria, que acabei de ler no "O Globo":

"Quanto é oito dividido por quatro?
- Não sei, preciso de um papel".

Evanildo, 18 anos, cursa o 3º ano do ensino médio numa escola estadual em Maceió, e acaba de fazer vestibular para a Universidade Federal de Alagoas.

Entrevistado pelo jornal carioca, pode virar universitário, mas é o retrato de uma tragédia.

Alagoas e Maranhão são os dois Estados brasileiros com os piores resultados no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, realizado a cada três anos, e que compara o desempenho em leitura, matemática e ciências de jovens de 15 anos, em 65 países.

A terra arrasada, e há décadas submetida à oligarquia do literato coroné Sarney - um dos mais queridos "companheiros" de Luiz Inácio, invariavelmente ostenta, em qualquer ranking que se faça, os piores indicadores sociais do país.

O Brasil obteve avanços expressivos no Pisa desde 2000, mas segue em situação vexatória: 57º em matemática, 53º em ciência e leitura.
O mais alarmante, no caso brasileiro, é que aumentou, nos últimos três anos, o abismo entre as escolas públicas e privadas.

Com exceção das escolas federais,que respondem por pouco mais de 200 mil alunos num universo de 52,5 milhões, a competência para leitura na rede pública brasileira fica em 58º lugar no ranking, e a rede privada ocupa a 9ª posição.

Só que a rede pública tem 85% dos estudantes dos ensinos fundamental e médio, e a distância entre o desempenho nas escolas públicas e nas particulares, que se ampliou, caracteriza um quadro nítido de apartheid.

Como se vê, fazemos ainda pouco caso do que significa formar Evanildos, pois é esse o país que Dona Dilma vai receber:

1 - Os brasileiros que ganham mais de R$ 10.200 são apenas 3 milhões, e os que sobrevivem com menos de R$ 1 mil são79 milhões, e olha que aqui estou falando de renda familiar, não individual.
2 - Apenas 1,5% dos brasileiros habitam a cobertura brasileira ,41% moram mesmo é no porão, e 40%, ocupam o andar de baixo, o que, estatísticas à parte, o sentido comum manda chamar de pobres esses 80%.

3 - Por mais incrível que possa parecer, há brasileiros em condição ainda pior, conforme constatou o jornal "O Estado de S. Paulo", ao verificar dados do Ministério de Desenvolvimento Social:
"Entre as 12,7 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família, 7,4 milhões (58%) encontram-se na faixa de renda entre R$ 70 e R$ 140 mensais por pessoa da família. Dessas, 4,4 milhões (35% do total dos beneficiários) superaram a condição de extrema pobreza com o pagamento do benefício. Mas ainda restam 5,3 milhões (42%) de miseráveis no programa".

Resumo da ópera lulista: quase a metade dos pobres entre os pobres não levanta cabeça nem mesmo com a ajuda do governo, indispensável para que pelo menos não morram de fome.

Quanto aos dados desastrosos sobre educação já citados, fico apenas com a certeza de que o desnível educacional entre a escola dos mais ricos e a dos mais pobres é uma forma de perpetuar as condições que descrevi aqui.

Dá para dizer que um país assim é "emergente"?

Ainda falta muito feijão com arroz na mesa dos brasileiros para ao menos sermos chamados assim.

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ATÉ SEGUNDA!