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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

'TATUAGEM': UM DOS MELHORES FILMES BRASILEIROS DOS ÚLTIMOS TEMPOS ESTREIA HOJE NA NETFLIX

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Que tal fortalecer o cinema nacional e apreciar uma bela e comovente trama sobre o amor em épocas de repressão social?
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 Tatuagem é a nova opção para cinéfilos amantes do cinema brasileiro, principalmente em períodos sombrios.

 TRAMA
  O drama brasileiro dirigido por Hilton Lacerda, estreia no catálogo da Netflix nessa segunda-feira (07). 

Premiado em vários festivais nacionais, retrata um grupo de artistas que tenta sobreviver com suas apresentações em plena ditadura militar. 

 Em 1978, a expressão artística que explorava temas como sexualidade, nudez e relacionamentos era duramente reprimida e perseguida, por uma polícia militarizada e moralista. 

Clécio, interpretado por Irandhir Santos, é o líder do grupo de teatro e mantém um relacionamento com Paulete (Rodrigo Garcia). 

Após conhecer seu cunhado, conhecido como Fininha (Jesuíta Barbosa), Clécio se apaixona e passa a viver um relacionamento cercado por dúvidas e dilemas morais, uma vez que Fininha é militar. 

 ABORDAGEM INTIMISTA DE TEMAS SENSÍVEIS
 Repleto de sensibilidade e crítica sociais diversas, Tatuagem entrou na lista de melhores filmes brasileiros de todos os tempos após ser escolhido em 2013 pela Abbracine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). 

O longa é uma ótima escolha para cinéfilos que querem aproveitar um drama comovente e combativo, além de dar uma força pro cinema nacional. 

 PREMIAÇÕES
  O longa foi agraciado em eventos nacionais e internacionais do audiovisual, levando prêmios como de Melhor Longa-Metragem de Ficção e Melhor Figurino no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e Melhor Design de Arte no festival Ibero-Americano de Cinema. 

 TRAILER

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

GRANDES SUCESSOS DO CINEMA BRASILEIRO ESTÃO DISPONÍVEIS NO TELECINE

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Filmes brasileiros que foram grandes sucessos recentes, já podem ser conferidos nas plataformas da rede Telecine – além dos canais a cabo, o streaming Telecine Play
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Confira:
Bacurau
Dirigido por Kleber Mendonça Filho – de outro grande sucesso nacional: Aquarius (2016) -, em parceria com Juliano Dornelles, Bacurau foi o filme brasileiro mais comentado de 2019.

Misturando elementos do surrealismo de David Lynch com a ultra violência estilizada de Quentin Tarantino, sem esquecer as questões sociais tão importantes em nossas obras, o filme aborda uma pequena cidade do nordeste que misteriosamente desaparece dos mapas, e o povo do vilarejo que tenta compreender a enigmática situação. No elenco, a ótima Bárbara Colen e a veterana Sônia Braga.

Minha Fama de Mau
Biografia do Tremendão Erasmo Carlos, o filme mostra as origens do cantor fã de rock n roll na década de 1970, e seu relacionamento de amizade com Roberto Carlos e outras figuras da música nacional que viriam a formar a Jovem Guarda.

O filme é dirigido por Lui Farias, filho do diretor Roberto Farias – que comandou os filmes de Roberto e Erasmo na década de 1960 - ou seja, a produção não poderia estar mais “em casa”.

Chay Suede protagoniza como Erasmo e Gabriel Leone é Roberto Carlos.

Simonal
Outra biografia de um músico de sucesso no Brasil, este considerado mais polêmico.

Wilson Simonal foi um dos maiores artistas negros de grande amplitude da música popular nacional ainda na década de 1960, mas viu sua carreira cair em desgraça após ser acusado de colaborar com os militares entregando colegas perseguidos durante a ditadura.

Esta biografia reúne a dupla de outro filme com ligação musical, Faroeste Caboclo (2013), baseado na canção da Legião Urbana: Fabrício Boliveira e Isis Valverde.

Benzinho
A síndrome do ninho vazio é o tema deste drama nacional de sucesso, que fez boa carreira em festivais internacionais, como Sundance e Rotterdam.

Escrito pelo ex-casal da vida real, Karine Teles e o diretor Gustavo Pizzi, na trama ele vive a matriarca de uma família, preocupada com a viagem de intercâmbio de seu filho adolescente, e sua mudança para outro país.

Ao mesmo tempo, ela precisa lidar com o caso de abuso doméstico de sua irmã – papel de Adriana Esteves.

Ferrugem
Outro drama nacional de enorme prestígio, Ferrugem também esteve em Sundance e em outros eventos internacionais.

O foco aqui é em uma trama mais sombria e dramática, abordando o bullying da geração online, cujo celular muitas vezes serve como arma.

A obra possui fortes ecos do potente mexicano Depois de Lúcia (2012).

O Doutrinador
Filme de super-herói brasileiro, O Doutrinador é baseado nos quadrinhos de Luciano Cunha, e foca em um policial que sofre uma grande tragédia em sua vida quando seu filho é alvejado por uma bala perdida.

No melhor estilo O Justiceiro e Batman, o sujeito decide usar uma máscara e uma fantasia para combater o crime, focando principalmente na fonte dos problemas, os políticos e poderosos corruptos do país.

Chacrinha
Cinebiografia que reutiliza ideias de um espetáculo teatral sobre o mesmo personagem, reciclando inclusive o protagonista Stepan Nercessian na pele do apresentador icônico.

No filme, Stepan divide o papel com Eduardo Sterblitch, que interpreta Chacrinha na juventude e início de carreira no rádio.

Para quem viveu a época, mesmo que na infância, é uma muito bem-vinda viagem ao passado, com direito a abacaxis, buzinas e o eterno bordão: “Terezinhaaaaaa… uh uh”.

Coração de Cowboy
A popularidade da música sertaneja nunca esteve tão em alta.

Aproveitando o gancho, aparece este drama muito eficiente com roteiro e direção do talentoso Gui Pereira.

O jovem músico e ator Gabriel Sater, filho do cantor Almir Sater, protagoniza seu primeiro longa e tira de letra, tendo muito em comum com o personagem, um cantor voltando às raízes em busca de inspiração.

Em sua pequena cidade, ele tenta se reconectar com o pai turrão (papel de Jackson Antunes) e se apaixona por uma atraente mulher espirituosa (Thaila Ayala).

O longa conta com participação da dupla Chitãozinho e Xororó.

As Boas Maneiras
Filmaço de terror brasileiro, As Boas Maneiras é dirigido pela dupla de especialistas, os colaboradores usuais Marco Dutra e Juliana Rojas – que estão por trás de algumas das produções nacionais mais renomadas do gênero.

No longa, os cineastas se utilizam de questões sociais – como a relação de patroa e empregada – para contar uma história sobre amores maternais diferentes.

Ana (Marjorie Estiano) está grávida, mas tudo indica que o pai de seu bebê é uma lenda do folclore: um lobisomem.

Assim, cabe à empregada doméstica da mulher, Clara (Isabél Zuaa), a criação do menino Joel (Miguel Lobo), até que seus instintos também comecem a aflorar.

Real: O Plano por Trás da História
Aqui temos uma curiosa investida, uma biografia não de um personagem, mas um retrato de como nosso país conseguiu se reerguer no início da década de 1990, após uma das maiores crises já vistas por aqui, que por pouco não quebrou o Brasil.

Quem viveu a época acompanhou o terror de perto; após o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, nossa inflação atingiu 40% mensais, os preços de produtos mudavam de forma diária.

Assim, o ministro Fernando Henrique Cardoso alista um grupo de brilhantes economistas – entre eles o controverso Gustavo Franco (papel de Emílio Orciollo Netto) – para arquitetar um plano de emergência a fim de salvar o país da falência.

O roteiro brilhante é assinado por Mikael de Albuquerque.

Dona Flor e Seus Dois Maridos
Nova versão de um dos maiores clássicos de nosso cinema, que por sua vez é baseado no icônico texto de Jorge Amado.

Nesta refilmagem, a bela e talentosa Juliana Paes é quem protagoniza no papel imortalizado por Sônia Braga, o da fogosa Dona Flor.

A personagem é uma mulher feliz no casamento com Vadinho, tirando o fato de que além de não contribuir para o sustento da casa, o sujeito ainda pega o suado dinheiro que ela conquista para jogar.

Após a morte do malandro, ela se casa de novo – com o responsável e bonzinho Teodoro - mas sente tanta falta do primeiro marido, que ele termina se materializando novamente na forma de um fantasma para a mulher.

Na nova versão, Marcelo Faria interpreta Vadinho (antes vivido por José Wilker), e Leandro Hassum faz Teodoro (antes papel de Mauro Mendonça).

O filme original foi indicado ao Globo de Ouro de produção estrangeira em 1979.

domingo, 26 de abril de 2020

'EDUARDO E MÔNICA': O QUE SABEMOS SOBRE O LONGA BASEADO NA MÚSICA DO LEGIÃO URBANA

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"Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?"
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Dez entre dez brasileiros conhecem Eduardo e Mônica, canção de grande sucesso da banda brasiliense Legião Urbana.

Agora, a música que relata a trajetória e o amadurecimento de um casal com características bem diferentes, virou um filme estrelado por Alice Braga e Gabriel Leone.

Previsto para chegar aos cinemas em junho, Eduardo e Mônica promete emocionar o público.

O QUE SABEMOS SOBRE O LONGA:
Trama

No longa, a trama será situada na Brasília de 1986, mesmo ano que foi lançado o disco Dois, álbum da Legião que contém a música.

Como já sabemos, o longa contará a história do casal de idades diferentes que se conheceu numa festa estranha, com gente esquisita.

Não era nada parecido, mas se completava muito bem, que nem feijão com arroz.

Mônica era de Leão e Eduardo tinha 16.

Além de viverem muitas aventuras no mundo da música, eles estão prestes a viver mais uma nas telonas.

Eduardo e Mônica : Foto
Produção

Eduardo e Mônica repete a parceria entre o diretor René Sampaio e a produtora Bianca De Felippes, que filmaram Faroeste Caboclo, outro grande sucesso do Legião Urbana.

Já o roteiro foi assinado por Matheus Souza em parceria com Claudia Souto, Michele Frantz e Jéssica Candal.

O longa foi filmado em Brasília, no Rio de Janeiro e na Chapada dos Veadeiros durante oito semanas em 2018 e tem produção da Gávea Filmes, Barry Company e Fogo Cerrado.

A coprodução é da Globo Filmes e os produtores associados são Fernando Meireles, Alice Braga e Reprodutora.

Eduardo e Mônica : Foto
Elenco

Além de Alice e Gabriel, o longa também trará no elenco nomes como Otávio Augusto (como Bira, avô de Eduardo), Juliana Carneiro da Cunha (Lara, mãe de Mônica), Victor Lamoglia (Inácio amigo de Eduardo), Bruna Spínola (Karina, irmã da Mônica), Eli Ferreira, Digão Ribeiro, Ivan Mendes e Luisa Violtti (amigos da Mônica) e Fabrício Boliveira (participação especial).

Eduardo e Mônica : Foto
Lançamento

Antes previsto para chegar aos cinemas em abril, Eduardo e Mônica foi adiado devido à pandemia do COVID-19 e agora tem lançamento previsto para o dia 11 de junho, véspera do Dia dos Namorados.

Confira o trailer oficial:


Ouça a versão original de Eduardo e Mônica:



quarta-feira, 18 de março de 2020

CORONAVÍRUS: PELA PRIMEIRA VEZ NO BRASIL, CINEMAS NÃO VÃO EXIBIR AS ESTREIAS DA SEMANA

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Devido ao surto de Coronavírus, diversas salas de cinemas do Brasil fecharam as portas para evitar a propagação
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Por conta disso, é a primeira vez que os cinemas nacionais não irão exibir nenhuma estreia na semana, o que deve se repetir até a suspensão do isolamento decretado pelo governo.

Entre as principais estreias marcadas para 19 de março, estava ‘Um Lugar Silencioso 2‘, sequência do terror estrelado por John Krasinski e Emily Blunt, que foi adiado por tempo indeterminado em todo o mundo.

O nacional ‘Três Verões‘, estrelado por Regina Casé e dirigido por Sandra Kogut, também estava previsto para essa semana e foi adiado.

O também nacional 'Pacarrete', que vem ganhando vários prêmios importantes mundo afora e no Festival de Gramado, também teve sua estreia adiada - não foi marcada ainda uma nova data.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

'ASSOMBRO': HUMOR E FANTASMAS SE MISTURAM NA COMÉDIA NACIONAL

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Assombro, comédia nacional com fantasmas, promete unir as risadas ao "terror" com maestria
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O filme está sendo gravado no Rio de Janeiro e deve chegar aos cinemas no segundo semestre desse ano.

A trama traz três dessas criaturas (supostamente) macabras presas em uma casa.

Várias situações engraçadas começam a ser criadas quando um casal de arquitetos se muda para o local e opta por reformá-lo.

O trio é composto por Rita Von Hunty, Gabriel Godoy e Renata Gaspar (imagem acima).

Já os personagens "vivos" serão encarnados por Felipe Abib e Georgiana Góes.

O cineasta responsável por assombro é Felipe Joffily.

O diretor é um veterano da comédia e já realizou longas como E Aí... Comeu? e Muita Calma Nessa Hora.



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

FESTIVAL DE BERLIM: EDIÇÃO DE 2020 TEM RECORDE DE BRASILEIROS SELECIONADOS

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Diretor de 'Bacurau' e membro do júri da Berlinale, Kléber Mendonça Filho diz que governo Bolsonaro sabota o cinema brasileiro
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Historicamente, o Festival de Berlim tem sido o evento internacional mais receptivo ao cinema brasileiro.

Em 2019 e 2018, a Berlinale acolheu nada menos que doze filmes brasileiros por ano, entre longas-metragens e curtas-metragens, a exemplo de Divino Amor (2019), Greta (2019), Marighella (2019), Tinta Bruta (2018), Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar (2019), Indianara (2019) etc.

Mesmo sob nova curadoria a partir da 70ª edição, o festival promete dedicar um olhar atento às nossas produções mais uma vez.

Com uma primeira leva de filmes anunciados à imprensa, o cinema nacional já conta com três produções, em três seções distintas.

Na Panorama, voltada a filmes politizados e sobre questões identitárias, foi selecionado Cidade Pássaro, coprodução Brasil-França dirigida por Matias Mariani, sobre um músico nigeriano que viaja a São Paulo em busca de notícias do irmão mais novo.

Na Mostra Geração, dedicada a produções sobre a juventude, o brasileiro Meu Nome É Bagdá vai levar a história de garotas skatistas enfrentando o machismo na família e nas ruas.

O filme é dirigido por Caru Alves de Souza.

Já na Mostra Forum Expanded, que busca formas radicais e experimentais de linguagem, será exibido APIYEMIYEKÎ, coprodução Brasil-França-Holanda sob direção de Ana Vaz.

O Brasil ainda pode ser citado com outros filmes nestas mostras, ou quem sabe emplacar concorrentes na mostra competitiva, em busca do Urso de Ouro, como foi o caso recente de Joaquim (2017).

O diretor de Bacurau, Kleber Mendonça Filho, falou sobre a situação atual do cinema no Brasil, criticando o governo Bolsonaro por sabotar a diversidade na indústria.

A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa no Festival Internacional de Cinema de Berlim - Mendonça filho é um dos jurados da edição de 2020, que tem  como presidente o ator Jeremy Irons.

Kleber Mendomça Filho dá entrevista em Berlim - AFP
"Estou preocupado. Temos cerca de 600 projetos que atualmente estão congelados por burocracia", explicou o diretor.

Para ele, o movimento do governo atual é prejudicial para a diversidade de obras e aumenta a dificuldade de diretores que não são dos estados do Sudeste realizarem seus projetos.

Apesar de elogiar o momento do cinema nacional no exterior - já que 19 obras exibidas na Berlinale tem produção brasileira - Mendonça Filho explicou que há um movimento atual de desmantelamento de políticas anteriores:

"O cinema brasileiro tem uma longa história, o que acontece agora é resultado de vários anos de trabalho duro", disse.

"É exatamente isso que está sendo sabotado agora. Sim, estou preocupado", concluiu.

O diretor, no entanto, disse que os retrocessos criam também um solo frutífero:

"É quando o cinema é desmantelado diariamente, quando passamos por momentos difíceis, que é o melhor momento para fazer filmes".

Após excelente recepção no exterior, tendo levado até o prêmio do júri do Festival de Cannes, Bacurau estreou nos cinemas brasileiros em agosto.

A 70ª Berlinale começou ontem (20.2) e vai até 01 de março.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

R.I.P.: JOSÉ MOJICA MARINS, O ZÉ DO CAIXÃO

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Mestre do terror brasileiro foi aclamado mundo afora, dirigiu 40 produções e atuou em mais de 50 filmes
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O ator, diretor e roteirista José Mojica Marins, conhecido pelo personagem Zé do Caixão, morreu na tarde desta quarta (19)  aos 83 anos, vítima de uma broncopneumonia.

A morte foi confirmada pela filha de Mojica, a atriz Liz Marins.

O cineasta estava internado desde o dia 28 de janeiro para tratar de uma broncopneumonia.

O velório deve acontecer no Museu da Imagem e do Som (MIS) na quinta (20), em cerimônia aberta ao público.

Mojica deixa sete filhos.

Filho dos artistas circenses Antonio André e Carmen Marins, José Mojica Marins nasceu no dia 13 de março de 1936, em São Paulo.

Mojica dirigiu 40 produções e atuou em mais de 50 filmes.

Seu interesse pelo cinema de terror escatológico começou nos anos 1950, mas foi em 1964, com o filme "À meia-noite levarei sua alma", que ganhou o apelido de Zé do Caixão.

Seu personagem mais famoso, o agente funerário sádico com roupas pretas, cartola, capa e unhas longas, ainda aparece em "Esta noite encarnarei no teu cadáver" (1967), "O estranho mundo de Zé do Caixão" (1968) e "Encarnação do demônio" (2008).

Zé do Caixão no filme 'Encarnação do Demônio', de 2008 — Foto: Divulgação
Zé do Caixão no filme 'Encarnação do Demônio', de 2008 — Foto: Divulgação
Mesmo conhecido como o mestre do terror no cinema brasileiro, Mojica trabalhou com outros gêneros, como aventura, faroeste e pornochanchada.

Ele também influenciou o movimento do cinema marginal nos anos 1960.

Quando tinha 17 anos, fundou a Companhia Cinematográfica Atlas, que produziu filmes amadores - o primeiro longa-metragem foi “A sina do aventureiro”, de 1958.

Em 1963, escreveu a história de “Meu destino em tuas mãos” e procurou o cineasta Ozualdo Candeias para fazer o roteiro, mas o colaborador não foi creditado.

Zé do Caixão em 'Esta noite encarnarei no teu cadáver', de 1967 — Foto: Divulgação
Zé do Caixão em 'Esta noite encarnarei no teu cadáver', de 1967 — Foto: Divulgação
O personagem Zé do Caixão, conforme Mojica contou em várias entrevistas, surgiu para ele durante um pesadelo, em que um homem de capa preta o arrastava para um túmulo.

A primeira aparição do Zé do Caixão no cinema foi em "À meia-noite levarei sua alma", de 1964.

Nos Estados Unidos, ele ficou conhecido como “Coffin Joe” e daí, foi aclamado como um dos grandes mestres do terror nas telonas.

Segundo o site oficial do personagem, Josefel Zanatas era o nome verdadeiro de Zé do Caixão.

O coveiro era filho de um casal dono de uma rede de agências funerárias.

Por isso, o pequeno Zé do Caixão cresceu como uma criança muito sozinha e discriminada pelos colegas por causa da profissão dos pais.

A biografia ainda diz que Zé do Caixão é um “homem sem crenças, não acredita em Deus nem no Diabo, só acredita nele mesmo, acha que é o único que pode fazer justiça”.

O cineasta e ator José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão em fotografia feita em 2001 — Foto: Agliberto Lima/Estadão Conteúdo
O cineasta e ator José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão em fotografia feita em 2001 — Foto: Agliberto Lima/Estadão Conteúdo
Com o sucesso, o personagem começou a ser confundido com o seu próprio autor.

No anos 1990, o Zé do Caixão apresentou o “Cine Trash”, na Rede Bandeirantes.

Ele também comandou um programa de entrevistas no Canal Brasil, "O estranho mundo do Zé do Caixão", que estreou em 2008 e teve sete temporadas.

Nesse programa, ele entrevistou a atriz Alessandra Negrini:


Em homenagem ao cineasta, o canal Arte 1 relembrou a matéria sobre a exposição "À Meia-Noite Levarei sua Alma", de 2016, sobre a vida e a obra de Zé do Caixão:


Em 2014, José Mojica sofreu um infarto, passou por uma angioplastia e colocou três stents (bubos de metal para melhorar o fluxo sanguíneo da artéria) no coração.

Ele voltou a ser internado no mesmo ano em razão de uma piora nas funções renais.

Desde então, ele se manteve mais afastado da mídia.

DEPOIMENTOS:

"Conheci Mojica numa retrospectiva dos seus filmes.

Falava sem parar, parecia ligado no 220 - e todos adoraram.

Depois, sempre o encontrava no final da tarde numa padaria no Largo do Arouche, centro de São Paulo, onde sempre se mostrava muito amável e carinhoso para com quem o reconhecia.

Inteligentíssimo, conhecia e discorria sobre o cinema - americano, italiano, francês - como ninguém, mestre como era.

Vai fazer muita falta".

Cláudio Nóvoa - editor do Blog de Klau

"Zé do Caixão morrer é a prova de que, no Brasil, nada funciona. Nem os zumbis.

A nota fúnebre de hoje lembrou-me quando, na faculdade de jornalismo, fui entrevistá-lo para um microjornal que editava.

Em seu escritório no centrão, cheio de cabeças de animais pelas paredes, nosso Nosferatu me recebeu de ótimo humor.

Ali pelas tantas, fomos assistir, na ilha de edição, uma cena de um filme que ele havia dirigido tempos atrás.

Era assim: uma mulher caída no chão, seminua, sendo atacada por um batalhão de aranhas caranguejeiras. Os bichos subiam por suas pernas e a cobriam quase que por inteiro.

Impressionado com o realismo do take, perguntei:

"Mojica, que efeito especial você usou pra fazer isso"?

E ele, sem tirar os olhos da tela, respondeu:

"Pinga. Enchemos a atriz de cachaça".

Carlos Castelo - publicitário, jornalista e escritor

"A notícia da sua morte me abalou pessoalmente. 

Fazer a série ZÉ DO CAIXÃO, de Vitor Mafra me fez entrar em contato profundo com a vida e a obra desse mestre brasileiro, cineasta e ator autodidata, que botou os dois 'pés na jaca' dessa puta vida.

Essa foto retrata a visita dele no nosso set. Eu vesti o personagem, ele aprovou: sorriu, depois chorou, em silêncio.




Agradeço pela honra de fazer parte da trupe, a chance de viver por dentro, pelo menos um pouquinho, tua aventura, Zé.

Assim como Chaplin e seu Carlitos, Mojica e Zé do Caixão habitam nosso imaginário mais profundo.
E para sempre".


Matheus Nachtergaele - Ator

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

'DEPOIS A LOUCA SOU EU': COMÉDIA DRAMÁTICA COM DÉBORA FALABELLA GANHA PRIMEIRO TRAILER

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A Paris Filmes divulgou o primeiro trailer da comédia dramática
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Assista:


Desde a infância, Dani (Débora Falabella) lida com todo tipo de crise de ansiedade.

Já adulta, ela recorre a terapias e medicações para conviver não só com Sílvia (Yara de Novaes), sua mãe super protetora, mas todos os demais que a cercam.

Dirigido por Julia Rezende, o longa é baseado no livro de Tati Bernardi.

Além de Débora Falabella, o elenco conta com Débora Lamm, Yara de Novaes e Gustavo Vaz.

Depois a Louca Sou Eu será lançado nos cinemas nacionais no dia 23 de abril.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

'CARCEREIROS': LONGA BASEADO NA SÉRIE GANHA NOVO TRAILER

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Longa também conta com Kaysar Dadour no elenco, como um perigoso terrorista
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Confira:


Na trama, Adriano (Rodrigo Lombardi) é um carcereiro íntegro e avesso à violência, que tenta garantir a tranquilidade no presídio, mesmo sofrendo com grandes dilemas familiares.

A chegada de Abdel (Kaysar Dadour), um perigoso terrorista internacional, aumenta ainda mais a tensão no presídio, que já vive dias de terror por conta da luta entre duas facções criminosas.

Agora, Adriano terá que enfrentar uma rebelião além de controlar todos os passos de Abdel.

Inspirado no livro Carcereiros, de Drauzio Varella, Carcereiros - O Filme traz a realidade dos homens que mesmo sem estarem presos, passam seus dias atrás das grades.

O longa é uma produção da Globo Filmes, em coprodução com a Gullane e Spray Filmes.

A Imagem Filmes assina a distribuição do filme, que chega aos cinemas nacionais em 28 de novembro.

Com roteiro assinado por Marçal Aquino, Fernando Bonassi, Dennison Ramalho e Marcelo Starobinas, o longa conta ainda com Jackson Antunes, Dan Stulbach, Tony Tornado, Milton Gonçalves, Rainer Cadete, Giovanna Rispoli e Ivan de Almeida no elenco.

O longa fará sua estreia mundial na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começa no próximo dia 17 de outubro.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

'GRETA': FOCANDO NOS MARGINALIZADOS E NOS SEM ESPERANÇA, LONGA É TRABALHO MAGISTRAL DE MARCO NANINI E DENISE WEINBERG


SINOPSE:

Pedro (Marco Nanini) é um enfermeiro gay de 70 anos, que trabalha em um hospital público de Fortaleza.

Sua melhor amiga é Daniela (Denise Weinberg), artista transexual que enfrenta graves problemas de saúde.

Quando ela precisa ser internada, mas não encontra leito disponível, Pedro sequestra um paciente recém-chegado, Jean (Démick Lopes) - e o abriga em sua casa.

Inicialmente, o enfermeiro tem medo do rapaz agressivo, que se esconde da polícia por ter assassinado um homem a facadas.

Depois, nasce entre eles uma relação de cumplicidade e afeto.

CRÍTICA:

Greta, que estreia hoje em circuito comercial depois de fazer sucesso em festivais mundo afora, se abre com uma visão pouco animadora do Brasil atual.

Os personagens são os marginais, os sobreviventes de um sistema falido: um enfermeiro gay de 70 anos de idade (Marco Nanini), solitário, que costuma se envolver emocionalmente com os pacientes do hospital; um ladrão que acaba de matar outro homem a punhaladas (Démick Lopes), buscando um local para se esconder, mas também um pouco de carinho; uma mulher transexual (Denise Weinberg) que pressente o fim devido a uma doença e deseja morrer em cena, se apresentando, por não enxergar mais sentido na vida.

Não temos aqui um filme desesperado, nem excessivamente dramático, embora transborde em cada imagem uma dose de melancolia.

Os personagens se relacionam por necessidade ou carência, o que se traduz num sexo frequente e paliativo, jamais motivado por amor.

Na trama, Pedro (Nanini) oculta Jean (Lopes) em seu apartamento enquanto teme perder Daniela (Weinberg).

Eles têm apenas um ao outro, e os laços que os unem são frágeis, podendo se romper a qualquer momento.

Não existem outros amigos, familiares, colegas de clube ou igreja: Jean parece sequer estar sendo procurado de verdade, enquanto Pedro oculta suas infrações no hospital sem grande esforço.

Afinal, ninguém se importa com eles.

“Acabou o tempo, viu?”, afirma Daniela a dois clientes de um motel.
A frase poderia se aplicar a todos os personagens em cena.

O principal mérito do projeto é o teor tão crítico quanto empático, traduzido em belas cenas da cidade de Fortaleza refletida no vidro do quarto durante uma conversa, ou uma cena de sexo entre dois personagens na cama.

O diretor Armando Praça demonstra apreço pelos planos fixos nos quais o espaço fora da imagem diz tanto quanto aquilo que é enquadrado.

No sexo, um fragmento dos corpos sugere a penetração logo ao lado; durante a fuga do hospital, o plano próximo de um carrinho de lavanderia representa todos os personagens ao redor do objeto.

Quando duas pessoas conversam, observamos o rosto de apenas uma delas.

A solidão também é ilustrada por essa fragmentação, a ausência de reciprocidade das comunicações, típica do plano e contra plano.

Porém, muitos diálogos são escritos demais - e a metáfora sobre Greta Garbo é utilizada em excesso por um personagem que poderia simplesmente estar assistindo a um filme da atriz ou ter os seus cartazes na parede, ao invés de verbalizar frases de efeito com frequência, fica muito cansativo.

Do mesmo modo, a escolha de uma atriz cisgênero para interpretar uma mulher transexual é contestável.

O diretor Praça se defendeu em Berlim, dizendo que escolheu a atriz trans Gretta Sttar para interpretar uma mulher cis, o que equilibraria a escalação e comprovaria que qualquer mulher poderia interpretar qualquer papel.

Só que essa lógica teria sentido se estivéssemos num contexto em que mulheres trans já ocupassem todos os papéis trans, não precisando portanto ser reduzidas a estas personagens.

Em pleno 2019, transexuais sequer ocupam papéis de transexuais, o que justifica que interpretem no mínimo estas personagens, para também interpretarem outros.

Na configuração final, a talentosa Weinberg, atriz cisgênero, ocupou um papel de destaque que poderia ter conferido merecido protagonismo a uma atriz trans.

Já Gretta Sttar, trans, foi escalada para um papel menos importante dentro da narrativa.

Exceto por esta questão, essencial numa obra que defende os marginais e a diversidade sexual e de gênero, o longa demonstra o melhor tipo de ousadia que se poderia esperar de um projeto do tipo: o fato de tratar com naturalidade, sem fetiches nem senso de espetáculo, o amor entre pessoas desprivilegiadas.

Praça filma o sexo como quem filma um abraço e assim, vivemos em tempos que o afeto pode ser uma força subversiva e, espera-se, transformadora.

Vale uma olhada.

Filme visto no 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2019.

GALERIA DE IMAGENS:
Greta : Foto

Greta : Foto

Greta : Foto

Greta : Foto

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
GRETA
Gênero:
Drama
Direção:
Armando Praça
Elenco:
Marco Nanini, Démick Lopes, Denise Weinberg, Gretta Sttar
Roteiro:
Armando Praça
Produção:
João Vieira Jr., Nara Aragão, Armando Praça
Produtor Executivo:
João Vieira Jr.
Diretor de fotografia:
Ivo Lopes Araújo
Montadora chefe:
Karen Harley
Figurinista:
Thaís de Campos
Operador de Boom:
Moabe Filho
Autor da mixagem de som:
Nicolau Domingues
Montador de som:
Waldir Xavier
Produção:
Carnaval Filmes, Segredo Filmes
Distribuição:
Pandora Filmes
Data de lançamento:
10 de outubro de 2019
Duração:
1h37min
Nacionalidade:
Brasil
Classificação Indicativa:
18 anos

COTAÇÃO DO KLAU: