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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

'O PREDADOR': DECEPCIONANTE, LONGA É MAIS UM FILME DE AÇÃO PARA VER COM OS AMIGOS - E SÓ


SINOPSE:

Uma perseguição entre naves alienígenas traz à Terra um novo predador, que acaba sendo capturado por humanos.

Antes disso, ele tem seu capacete e bracelete roubados por Quinn McKenna (Boyd Holbrook), um atirador de elite que estava em missão no local onde a nave caiu.

A bióloga Casey Brackett (Olivia Munn) é então chamada para examinar o ser recém-descoberto, mas ele logo consegue escapar do laboratório em que é mantido em cativeiro.

Ao tentar recapturá-lo Casey encontra McKenna, que está em um ônibus repleto de ex-militares com problemas.

Juntos, eles buscam um meio de sobreviver e, ao mesmo tempo, proteger o pequeno Rory (Jacob Tremblay), filho de McKenna, que está com os artefatos alienígenas pegos pelo pai.

CRÍTICA:

Mais uma vez, temos mais um exemplar de uma franquia com elementos empolgantes, mas constantemente incapaz de realizar todo seu potencial nas telonas.

No caso dessa, já tentaram mudar o tom, o clima, as origens, colocar contra o Alien e nada, absolutamente nada, foi incrível até hoje.

Se a ideia do Predador é mais interessante do que suas aparições cinematográficas, é interessante ver o que o diretor Shane Black ('Homem De Ferro 3') tentou fazer com o novo 'O Predador', que estreia hoje aqui no Brasil.

O Predador : Foto Boyd Holbrook, Jacob Tremblay
Quinn McKenna (Boyd Holbrook) e seu filho Rory (Jacob Tremblay), em cena do longa - Fotos dessa Postagem - Divulgação/Fox Film
Finalmente, temos algo mais parecido com uma aventura adolescente e cheia de humor, para ver se finalmente as coisas se acertam no que parece ser a melhor tentativa desde o filme original.

Com humor leve, personagens caóticos, mortes pesadas e muita ação, o filme apresenta uma trama que pelo menos tenta apresentar um novo objetivo por trás da raça de caçadores intergalácticos.

A tensão habitual da sobrevivência é substituída por uma corrida contra o tempo, com narrativa leve, ação desenfreada e heróis malucos e diálogos surreais, não necessariamente bons ou convincentes.

Black co-escreveu a continuação e trouxe para a franquia muito de seu estilo de comédia dark, repleta de dinâmicas de família fora do padrão.

O Predador : Foto Olivia Munn
Dra. Casey Bracket (Olivia Munn), em cena do longa
O longa é capaz de humanizar seus personagens ao explorar um grupo de autoproclamados "Malucos" - veteranos relegados à ala psiquiátrica do exército - e também a família do protagonista Mckenna (Boyd Holbrook), que se desfez recentemente.

Essas dinâmicas trazem uma humanidade que faltava à série.

Entretanto, por mais divertidos e simpáticos que sejam os personagens, eles estão lá apenas como enfeite do protagonista badass.

Todas as atitudes deles só servem para literalmente apoiar McKenna e ajudá-lo a alcançar seus objetivos, o que tira um pouco do brilho das interações.

Assim, a bióloga evolutiva Dra. Casey Bracket (Olivia Munn), acaba relegada a segundo plano e alguns dos membros do grupo dos "Malucos" simplesmente estão ali para servirem como mais uma pessoa com arma na mão.

Dito isso, o frenético e confuso ato final serve como decepcionante conclusão da história desses personagens e estraga boa parte do que foi divertido até então.

O Predador : Foto
O alienígena do longa
Apesar do lado humano ser interessante, o longa só funcionaria mesmo se o Predador fosse intimidador, mas nesse ponto o filme deixa bastante a desejar.

As novidades apresentadas para o inimigo não são realmente novidades, então não espere um vilão muito mais poderoso ou inteligente do que outras versões anteriores - e isso é decepcionante num momento de reviravolta da trama.

Além disso, vale lembrar que o original possui elementos de horror, além de ação.

O monstro era assustador porque pouco se sabia sobre ele e vencê-lo parecia impossível.

Neste longa, porém, temos ação pura e simples, com muitas balas, pancadaria e sem nenhum tempo para a genialidade humana brilhar, algo que vemos no herói de Arnold Schwarzenegger no original.

O longa tenta trazer de volta muitos elementos do original de 1987, mas com uma roupagem moderna, para atrair um novo público.

Só que o filme não chega a empolgar em nenhum momento e, pior, a última meia hora é mal executada ao ponto de até os efeitos visuais perderem qualidade.

A trilha épica também destoa.

Mais triste é ver que a expectativa criada para uma possível grande revelação é desperdiçada, com um clichê sem graça, incapaz de gerar expectativa sobre o que a franquia pode trazer no futuro, isso caso esse filme faça dinheiro suficiente para revivê-la nas telonas.

A verdade é que 'O Predador' de 2018 não vai mudar nada na sua vida, só é um filme para ver com amigos - o que pode garantir alguns momentos de risadas e diversão.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'O PREDADOR'
Título Original:
THE PREDATOR
Gênero:
Ação
Direção:
Shane Black
Elenco:
Alfie Allen, Andrew Jenkins, Augusto Aguilera, Boyd Holbrook, Crystal Mudry, Edward James Olmos, Inka Malovic, Jacob Tremblay, Jake Busey, Keegan-Michael Key, Lochlyn Munro, Niall Matter, Olivia Munn, Patrick Sabongui, Paul Lazenby, RJ Fetherstonhaugh, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Trevante Rhodes, Yvonne Strahovski
Roteiro:
Fred Dekker, Jim Thomas, John Thomas, Shane Black
Produção:
Blondel Aidoo, John Davis, Lawrence Gordon
Fotografia:
Larry Fong
Trilha Sonora:
Henry Jackman
Montador:
Harry B. Miller III
Estúdio:
Canada Film Capital, Dark Castle Entertainment, Davis Entertainment, TSG Entertainment, Twentieth Century Fox Film Corporation
Distribuidora:
Fox Film
Ano de Produção:
2018
Duração:
101 min.
Estréia (Brasil):
13/09/2018
Classificação indicativa:
18 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 2 de março de 2017

'LOGAN': VISCERAL E ESPETACULAR, É O FILME QUE TODOS OS FÃS DE WOLVERINE SEMPRE SONHARAM

SINOPSE:

Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart).

Debilitado fisicamente e esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma mexicana que precisa da ajuda do ex X-Men para defender a pequena Laura Kinney / X-23 (Dafne Keen).

Ao mesmo tempo em que se recusa a voltar à ativa, Logan é perseguido pelo mercenário Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina.

CRÍTICA:
'Logan', em exibição em 908 salas em todo o Brasil, é o filme que todos os fãs do Wolverine esperavam ver.

Visceral, o longa não tenta ser uma simples adaptação sobre quadrinhos, entregando uma história tocante e violenta sobre um homem que lutou a vida inteira e perdeu praticamente tudo que amava.

Com seu visual inspirado e ar de clássico, o último longa de Hugh Jackman como Wolverine deve deixar um importante legado para os filmes de super-heróis - como o ator disse em sua recente passagem por São Paulo, é "o filme definitivo do personagem".

Logan : Foto Hugh Jackman
Wolverine aparece envelhecido e fraco no longa - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Fox Film do Brasil

A trama é baseada livremente na HQ 'Velho Logan' e mostraWolverine (Jackman) fraco e velho num mundo decadente e sem mutantes, vivendo como motorista de limusine.

Ele cuida de Professor Xavier (Patrick Stewart) com a ajuda de Caliban (Stephen Merchant ótimo no papel) e sonha em juntar dinheiro suficiente para tirar todos do deserto mexicano onde vivem escondidos.

As coisas mudam quando X-23 (Dafne Keen) o encontra e pede ajuda.

Road movie ambientado em 2029, com elementos de sci-fi e faroeste, o longa não tenta ser inovador em sua trama, mas sim um bom filme com grandes personagens.

A narrativa foca muito bem a relação de Xavier, idoso e com demência, Wolverine, doente e cansado de tudo, e Laura (X-23), fugitiva de uma organização interessada apenas em criar mutantes como armas.

O retorno de Stewart nos mostra Xavier como nunca vimos antes: grosseiro, frágil e impotente, cada cena sua nos sufoca, nos corta o coração e é um dos pontos altos do filme, especialmente graças à grande atuação do veterano.

Logan : Foto Hugh Jackman, Patrick Stewart
Xavier aparece demente e nonagenário no longa
Já Jackman, sempre um ator irregular, aqui dá tudo de si e nos entrega uma das melhores interpretações de sua carreira.

Por fim, Daphne é a novata revelação, coração do filme, convincente, de olhar duro que diz muito, mesmo sem falar uma palavra na maior parte do tempo.

Criar uma história em torno dessa "família" disfuncional foi realmente uma grande escolha narrativa de James Mangold ('Os Indomáveis').

Logan : Foto Dafne Keen
Dafne Keen é X-23
O diretor já havia mostrado bom trabalho em 'Wolverine - Imortal', que não foi o esperado pela necessidade de cumprir ordens dos produtores.

Agora com mais liberdade, o cineasta tenta ir além do tradicional visto em filmes de super-herói ao colocar em xeque a visão que temos, atualmente, de como essas histórias devem ser contadas.

Assim, Mangold nos entrega um longa com pouquíssimo CGI, um visual estonteante, marcado pela bela fotografia, sem exagero de cores, e cenas de ação impactantes - uma delas incrivelmente sufocante durante um surto psiônico de Xavier.

O filme funciona também por não precisar revisitar outros da franquia, algo com que a Fox nem se preocupa, pois, afinal, a cronologia de 'X-Men' é toda errada.

Aqui, o próprio Wolverine desconsidera o passado e diz que as histórias pelas quais os X-Men são conhecidos são exageradas, embora admita eventos como a batalha na Estátua da Liberdade do filme de 2000 - e isso é um trunfo que resulta na fluidez da narrativa.

Além disso, o longa traz questões políticas e sociais relevantes, como a questão dos imigrantes, dos refugiados, o abuso de corporações contra as pessoas comuns, seja no caso de X-23 ou de fazendeiros em uma cena posterior, e até mesmo o alto preço de remédios, que impossibilitam um tratamento adequado a Xavier.

Questões ainda mais relevantes com o cenário atual, de era Trump.

Os vilões também são destaque.

Boyd Holbrook arrasa como o Carniceiro Pierce - caçador violento e sem escrúpulos interessado em lucrar e seguir ordens apenas - e Richard E. Grant também funciona como Dr. Rice, embora tenha pouco tempo em cena.

Curiosamente, a única cena autoexplicativa do longa é com Rice.

Logan : Foto Boyd Holbrook, Hugh Jackman
Boyd Holbrook (esquerda), em cena como o Carniceiro Pierce
Sem dúvidas, temos aqui o filme mais dramático já feito sobre super-heróis, pesado e melancólico, sem deixar de entreter e ainda capaz de nos dar esperança de que dias melhores virão.

Um dos personagens favoritos de todos os tempos, Wolverine finalmente encontra paz nesse filme e as adaptações de quadrinhos ganham uma nova referência, diferente de tudo que vimos até agora.

Hugh Jackman e Wolverine vão fazer ainda mais falta depois desse longa sensacional.

Filmaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'LOGAN'
Título Original:
LOGAN
Gênero:
Ação, Drama
Direção:
James Mangold
Roteiro:
David James Kelly
Elenco:
Boyd Holbrook, Dave Davis, Doris Morgado, Elise Neal, Elizabeth Rodriguez, Eriq La Salle, Hugh Jackman, Jaden Francis, Juan Gaspard, Julia Holt, Lauren Gros, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Sienna Novikov, Stephen Merchant
Produção:
Hutch Parker, Lauren Shuler Donner, Simon Kinberg
Fotografia:
John Mathieson
Montador:
Dirk Westervelt, Michael McCusker
Trilha Sonora:
Marco Beltrami
Duração:
135 min.
Ano:
2017
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
02/03/2017 (Brasil)
Distribuidora:
Fox Film do Brasil
Estúdio:
Twentieth Century Fox
Classificação:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU: