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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

'FOXCATCHER - UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO': ATUAÇÕES SOBERBAS DO TRIO DE PROTAGONISTAS NUM DOS MELHORES FILMES DO ANO


SINOPSE:

Baseada em uma história real, a trama acompanha o campeão olímpico de luta greco-romana, Mark Schultz (Channing Tatum), que sempre treinou com seu irmão mais velho, David (Mark Ruffalo), que é também uma lenda no esporte.

Um dia, Mark  recebe um convite para visitar o milionário John du Pont (Steve Carell) em sua mansão.

Apaixonado pelo esporte, du Pont oferece a Mark que entre em sua própria equipe, a Foxcatcher, onde teria todas as condições necessárias para se aprimorar.

Atraído pelo salário e as condições de vida oferecidas, Mark aceita a proposta e, assim, se muda para uma casa na propriedade do milionário.

Aos poucos eles se tornam amigos, mas a difícil personalidade de du Pont faz com que Mark acabe seguindo uma trilha perigosa para um atleta.

CURIOSIDADES:

1.
Para ficar parecido com o verdadeiro John du Pont, Steve Carell chegava duas horas antes que todos no set, para se submeter a uma transformação que incluiu um nariz protético, a raspagem da frente do cabelo para parecer mais calvo, uma espécie de placa dentária para 'encher' sua boca, sobrancelhas finas, lentes de contato e muito pó para empalidecer sua face saudável.

Tudo trabalho de Bill Corso - Oscar de Maquiagem por 'Desventuras em Série' (2005) e indicado novamente este ano por 'Foxcatcher' - com a ajuda de Dennis Liddiard.

2.
Prêmios já ganhos:
* Festival de Cannes
Melhor Diretor (Bennet Miller)

Indicações pendentes na temporada:
*Oscar 2015
Indicado nas categorias:
Melhor Ator - Steve Carell
Melhor Ator Coadjuvante - Mark Ruffalo
Melhor Diretor - Bennett Miller
Melhor Maquiagem - Bill Corso e Dennis Liddiard
Melhor Roteiro Original - E. Max Frye e Dan Futterman

*BAFTA 2015
Indicado a:
Melhor Ator - Steve Carell
Melhor Ator Coadjuvante - Mark Ruffalo

*Screen Actors Guild Awards 2015
Indicado nas categorias:
Melhor Ator Principal - Steve Carell
Melhor Ator Coadjuvante - Mark Ruffalo

CRÍTICA:

A trama de 'Foxcatcher - Uma História Que Chocou O Mundo' - que estreia hoje em 32 salas em todo o Brasil - se é baseada numa história real que termina num crime que abalou os EUA nos anos 1980, felizmente não se limita a recriar a sequência de fatos que levaram um milionário norte-americano a cometer o crime brutal e aparentemente inexplicável.

Mérito não só do ótimo roteiro - de Dan Futterman e E. Max Frye - mas principalmente pela ótima direção que Bennet Miller ('Capote' e 'O Homem Que Mudou O Jogo'), que torna esse drama psicológico um retrato muito maior, resultando num dos filmes mais excepcionais desta temporada.

Centrado na atuação de seu trio de protagonistas, o longa desvenda a relação conflituosa entre campeões olímpicos de luta greco-romana Mark (Channing Tatum) e Dave Schultz (Mark Ruffalo) e o excêntrico John Eleuthère du Pont (Steve Carell).

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo : Foto Steve Carell
Steve Carell, irreconhecível como John du Pont - fotos dessa postagem - Divulgação/Sony Pictures
Acionista majoritário da Du Pont , John ficou conhecido como o inventor do Teflon, substância antiaderente que ele desenvolveu para que o nariz dos ônibus espaciais americanos tivessem o menor atrito possível quando reentrassem na atmosfera terrestre.

Depois, ele aproveitou sua invenção e começou a fazer panelas e toda sorte de utensílios domésticos - são aquelas antiaderentes - o que o tornou multimilionário, um dos homens mais ricos do mundo no seu tempo.

Só que John du Pont tem também uma obssessão quase doentia por criar campeões - tanto que não mede esforços nem dinheiro para criar o seu próprio centro de treinamento, o Foxcatcher e para que a missão seja completa, logo trata de convidar o campeão olímpico de luta greco-romana Mark (Channing Tatum) para ser a estrela do lugar - seu irmão e até então técnico, Dave Schultz (Mark Ruffalo), vai junto.

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo : Foto Mark Ruffalo, Steve Carell
Trio de protagonista dá show
Mas há algo de não dito sobre esses personagens, como se estivessem sempre envoltos em um mistério que nos impede de os conhecermos na sua plenitude.

Essa eterna dúvida, construída como um jogo de revelar e esconder, é resultado de um roteiro preciso, que não foge de seus objetivos, não faz concessões ao espectador e não duvida de nossa capacidade de entender o que não é explícito.

Mas são nas soberbas atuações do trio de protagonistas que o longa brilha, com destaque absoluto para Steve Carell, merecidamente indicado ao Oscar de melhor ator.

Conhecido por sua atuação como comediante, Carell entrega aqui seu melhor trabalho no cinema disparado, com suas expressões, o ar confuso por vezes coberto de súplica e seus trejeitos, que ajudam na construção psicológica de um personagem tão complexo.

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo : Foto Steve Carell
Steve Carell:  atuação brilhante
Channing Tatum, absolutamente preciso e real, mostra que não é só um lindo homem, mas que tem talento suficiente para ir além das comédias e longas românticos que fez até aqui.

Uma pena que sua atuação brilhante não tenha sido indicada a nenhum prêmio na temporada.

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo : Foto Channing Tatum
Channing Tatum como Mark Schultz
Mark Ruffalo é outro achado: seu Dave sente a todo momento a perda do poder que exerce junto ao irmão, agora completamente envolvido com Du Pont, e vai alternando toda a fragilidade, ira e desespero com a situação.

Também em seu melhor papel nas telonas, Ruffalo mereceu com folga sua indicação ao Oscar de Coadjuvante  e outros prêmios da temporada.

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo : Foto Mark Ruffalo
Mark Ruffalo, como Dave Schultz
O diretor Miller tem essa mão boa para dirigir atores: assim como fez com Phillip Seymour-Hoffman em 'Capote', sua direção precisa é o que o trio de protagonistas precisam para entregar ao espectador o que possuem de melhor.

O filme ainda tem um trabalho marcante da direção de fotografia - de Greig Fraser: em meio a paisagens solitárias e imagens carregadas de simbologia, Fraser aprofundou o retrato das personalidades de cada um dos protagonistas, o que torna maravilhoso perceber como a essência emocional é construída cena a cena.

Temos aqui não só um filme sobre um crime, mas também sobre todo um estilo de vida, com um subtexto que permite tantas interpretações em seu jogo psicanálitico e tão encantador que, mesmo se aproximando de tantos temas, nunca parece raso.

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo : Foto Channing Tatum, Mark Ruffalo
Mark e Dave Schultz, em cena do longa
Seu tom distante, a visão deprimente da natureza desses personagens e a sutileza extraída da tragédia mostram mais um excelente trabalho de um diretor que mostra sua competência a cada novo filme.

Filmaço - o melhor da temporada até agora.

Pena que nos EUA e onde já estreou, o público não tenha prestigiado - o longa é um dos grandes fracassos de bilheteria da temporada.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'FOXCATCHER - UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO'
Título Original:
FOXCATCHER
Gênero:
Drama
Direção:
Bennett Miller
Roteiro:
Dan Futterman, E. Max Frye
Elenco:
Anthony Michael Hall, Brett Rice, Channing Tatum, Corey Jantzen, Guy Boyd, Lee Perkins, Mark Ruffalo, Roger Callard, Sienna Miller, Stephanie Garvin, Steve Carell, Tara Subkoff, Vanessa Redgrave, Yoshi Nakamura
Produção:
Anthony Bregman, Bennett Miller, Jon Kilik, Megan Ellison
Fotografia:
Greig Fraser
Montador:
Conor O'Neill, Jay Cassidy, Stuart Levy
Trilha Sonora:
Mychael Danna, Rob Simonsen
Duração:
130 min.
Ano:
2014
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
22/01/2015
Distribuidora:
Sony Pictures
Estúdio:
Annapurna Pictures / Likely Story / Media Rights Capital

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 18 de fevereiro de 2012

'O HOMEM QUE MUDOU O JOGO': TRIO DE ATORES AFINADOS E BRAD PITT EM SEU MELHOR PAPEL DESDE 'BENJAMIN BUTTON'


Se você não conhece nada sobre as regras do esporte mais popular dos EUA - o beisebol - e pensa que essa falta de informação fará falta quando você for ao cinema assistir a "O Homem que Mudou o Jogo" - que concorre no domingo, 26, ao Oscar de Melhor Filme - esqueça.

Aqui, o foco é sobre o jogo de um homem só, aquele que nos estádios disputam contra tudo e contra todos a todo instante, em busca de um sentido para a existência.

Inspirado em um personagem real, Brad Pitt - nomeado ao Oscar 2012 de Melhor Ator pelo papel - é Billy Beane, gerente de um time de beisebol dos Estados Unidos.

Em cada começo de temporada, ele tem de contratar os jogadores para a equipe e montar o time que será escalado pelo treinador, e qualquer passo em falso significa adiar por mais um ano a conquista do campeonato e o recomeço a partir do zero.
Divulgação
Brad Pitt é Billy Beane, papel que rendeu ao ator uma indicação ao Oscar 2012

Ele nunca vai ao estádio acompanhar as partidas: no dia, ouve trechos da partida no rádio do carro, ou nos vestiários.

Separado da mulher, Sharon - Robin Wright - Billy procura ser próximo da filha adolescente - interpretada por  Kerris Dorsey - e  não quer lembrar dos tempos em que era um jovem rebatedor - revelação que não se tornou realidade.

Nessa altura da sua vida, Billy topa com um nerd, Peter Brand - interpretado por Jonah Hill - e então arrisca tudo no mais arriscado lance de sua vida, que pode levantar sua carreira ou enterra-la para todo o sempre: montar uma equipe usando um sistema estatístico criado por Peter a partir de informações armazenadas num computador, onde a escolha dos jogadores não será mais pela sua qualidade técnica, e sim pelos resultados positivos/satisfatórios conquistados em jogos e temporadas anteriores.
Divulgação
Jonah Hill - em seu primeiro papel dramático - é o nerd Peter Brand, que inventa um sistema de computador revolucionário para encontrar os melhores jogadores

Lógico, esse esquema é renegado pelos dirigentes do time, pelo treinador Art Howe - Philip Seymour Hoffman- e coloca o emprego de Billy em risco pois, a partir daí, ele faz contratações no mínimo esquisitas, demite astros consagrados e os resultados teimam em aparecer.

Só que ele ainda tem esperanças de provar o acerto do sistema criado por Peter, e assim conseguir ser finalmente um nome importante no mundo do beisebol.
Divulgação
Philip Seymour Hoffman - à frente - é o treinador Art Howe

Dirigidos com competência por Bennett Miller - que ao dirigir "Capote", proporcionou a Seymour Hoffman seu Oscar de Melhor Ator - o trio de atores mostra uma afinação rara de ser conseguida nos grandes projetos da Hollywood de hoje.

Jonah Hill faz aqui sua primeira incursão no drama e se sai muito bem.
Divulgação
Brad Pitt e Jonah Hill, em cena do filme

Philip Seymour Hoffman continua um ator correto e Brad Pitt tem aqui um papel como não tinha desde que estrelou "O Curioso Caso de Benjamin Button" em 2008 - o que, em termos de uma carreira cinematográfica, é um período bem longo.

Mais que falar sobre beisebol, o filme fala sobre a luta de um homem para tentar provar o acerto de seus atos e idéias num mundo competitivo, e só por isso, vale uma olhada.

Confira o trailer do filme:
*****
"O HOMEM QUE MUDOU O JOGO"
Título Original:
Moneyball
Diretor:
Bennet Miller
Elenco:
Brad Pitt, Philip Seymour Hoffman, Robin Wright, Jonah Hill, Chris Pratt, Kathryn Morris
Produção:
Michael De Luca, Rachael Horovitz e Scott Rudin
Roteiro:
Steven Zaillian e Aaron Sorkin
Fotografia:
Wally Pfister
Trilha Sonora:
Mychael Danna
Duração:
133 min.
Ano: 2011
País:
EUA
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Sony Pictures
Estúdio:
Columbia Pictures/ Scott Rudin Productions/ Michael De Luca Productions
Classificação:
10 anos
Classificação do Klau:

sábado, 10 de setembro de 2011

FESTIVAL DE TORONTO: BRAD PITT BRINCA QUE FEZ "PACTO COM O DIABO" DURANTE COLETIVA DE APRESENTAÇÃO DE 'MONEYBALL'


O ator Brad Pitt disse nesta sexta (9) que está orgulhoso de seu último filme - Moneyball -  e brincou que o bom resultado obtido é fruto de um pacto que fez com o diabo, durante a estreia mundial do filme no Festival Internacional de Cinema de Toronto - TIFF.

"Cresci em um ambiente muito cristão. Saudável, uma família com muito amor, e não tentei nada por mim mesmo até que me tornei adulto e saí de casa. E o que tentei foi o satanismo. Está funcionando muito bem. Fiz um pacto. Por isso o filme saiu tão bem", brincou Pitt durante uma entrevista coletiva realizada em Toronto.

Brad Pitt também afirmou que as histórias de perdedores são sua fraqueza e que o gênero esportivo no mundo do cinema "é muito interessante".

O marido de Angelina Jolie, que além de protagonizar Moneyball é o produtor do filme -  que foi dirigido por Bennett Miller, de Capote (2005) - declarou que tem fraqueza por estas histórias de perdedores.
"Me atrai questionar as coisas que são estabelecidas a cada dia", assinalou.

Em Moneyball, baseado em uma história real, Pitt interpreta Billy Beane, o gerente da equipe de beisebol americana Oakland Athletics, uma franquia com um terço do orçamento das grandes equipes profissionais e que luta para ganhar os grandes do esporte.

Para fazê-lo, Beane utiliza um novo sistema com jogadores descartados por outros para criar uma equipe, em vez de um grupo com grandes individualidades.

"É um material complicado. Não tem a narrativa convencional nem um personagem convencional. Portanto levou muito tempo e muita gente para tentar conseguir fazê-lo", explicou Pitt, que durante a entrevista coletiva esteve acompanhado por seus companheiros de elenco, Jonah Hill, Philip Seymour Hoffman, Chris Pratt e o diretor do filme.

AP
Brad Pitt e Philip Seymour Hoffman, na coletiva de imprensa de "Moneyball" no TIFF 2011

"Finalmente, não podia me esquecer da história de um grupo que está preso em um esporte injusto e em uma situação injusta. Por necessidade tinham que se reinventar", acrescentou.

"É uma história sobre valores, como avaliamos outras pessoas, o que consideramos como sucesso e fracasso, como escolhemos nosso sistema de valores", acrescentou.

Confira o trailer de "Moneyball":

Por sua vez, Philip Seymour Hoffman, que interpreta o técnico do Oakland Athletics, afirmou que o filme foi para ele inspirador, porque "há um tipo que em meio a sua vida, de repente contempla seu passado e decide que tem que lidar com o que aconteceu antes".

"Todos nos encontramos de alguma forma nesse momento de nossas vidas e isso é importante para mim", acrescentou o Hoffman, que em 2006 ganhou um Oscar por sua interpretação de Truman Capote no filme de Miller.